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Katarina Kartonera (2019) O gato e el diablo

Published by Sandro Brincher, 2019-12-27 02:38:25

Description: Nesse conto, que o James Joyce enviou de Villers-sur-Mer, França, para o neto Stephen J. Joyce, então com quatro anos, em uma carta, a Irlanda está presente tanto na figura do diabo, que fala com sotaque irlandês, quanto no prefeito, cujo nome é o do primeiro prefeito de Dublin depois da independência do país em 1922. Nesta nova tradução (em Português e Espanhol) do conto, Félix Lozano Medina transporta o gato e o diabo joyciano para a América Latina, dando um sabor todo especial ao texto do mestre irlandês. Se no texto original o diabo fala francês, nesta versão latina ele fala espanhol com forte sotaque carioca.

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O gato e el diablo Katarina Kartonera O gato e el diablo James Joyce Tradutor Félix Lozano Medina Ilustração Alison Silveira Morais Florianópolis 2019 1


O gato e el diablo Capa feita com papelão comprado na via pública de Florianópolis e pintada à mão, em outubro de 2019, no atelier da Katarina Kartonera O gato e el diablo James Joyce Editor responsável e projeto gráfico Evandro Rodrigues Conselho editorial Sérgio Medeiros e Dirce W. do Amarante Tradutor Félix Lozano Medina Ilustração Alison Silveira Morais ISBN: 978-85-5581-050-3 JOYCE, James. O gato e el diablo. Tradução Félix Lozano Medina. Florianópolis — SC: Pós-Graduação em Estudos da Tradução / PGET / UFSC & Katarina Kartonera, 2019. www.katarinakartonera.wikidot.com Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta edição poderá ser reproduzida sem autorização desta editora. James Joyce |2


O gato e el diablo O gato e el diablo James Joyce Tradutor Félix Lozano Medina Ilustração Alison Silveira Morais 3


O gato e el diablo James Joyce |4


O gato e el diablo Sumário James Joyce contador de histórias, p.7 O gato e el diablo, p.9 El gato y o diabo, p.18 The cat and the devil, p.22 Sobre a tradução para o português, p.26 Sobre a tradução para o espanhol, p.28 Sobre as ilustrações, p.30 Sobre o tradutor, p.32 Sobre o ilustrador, p.33 Sobre a editora, p.34 5


O gato e el diablo James Joyce |6


O gato e el diablo James Joyce contador de histórias O escritor irlandês James Joyce nasceu em Dublin, capital da Irlanda, em 2 de fevereiro de 1882. Durante toda a sua vida, nutriu por seu país sentimentos contraditórios: por um lado, não entendia como os irlandeses podiam ficar tão apáticos diante dos colonizadores ingleses, reprovando, por isso, seus compatriotas; por outro lado, porém, sentia-se tão ligado à sua terra, a Dublin especialmente, que chegou a declarar que se um dia a cidade desaparecesse do mapa, ela poderia ser reconstruída a partir das páginas dos seus livros. De fato, em todos os seus romances a Irlanda e os conflitos irlandeses aparecem, o que pode ser verificado inclusive em O gato e o diabo. Nesse conto, que o escritor enviou de Villers-sur-Mer, França, para o neto Stephen J. Joyce, então com quatro anos, em uma carta, a Irlanda está presente tanto na figura do diabo, que fala com sotaque irlandês, quanto no prefeito, cujo nome é o do primeiro prefeito de Dublin depois da independência do país em 1922. Nesta nova tradução do conto, Félix Lozano Medina transporta o gato e o diabo joyciano para a América Latina, dando um sabor todo especial ao texto do mestre irlandês. Se no texto original o diabo fala francês, nesta versão latina ele fala espanhol com forte sotaque carioca. 7


O gato e el diablo Stephen lembra que seu avô “foi um escritor célebre. Muita gente achava, então, e muitos acreditam ainda hoje, que o que ele escreveu é complicado e difícil de entender. Apesar disso, ele teve tempo de se sentar e de me contar essa história maravilhosa, numa língua muito simples, muito direta, numa linguagem fácil para uma criança de quatro anos”. Segundo Stephen, James Joyce foi um grande contador de histórias: “Nonno me contou outras histórias, sobretudo no último ano da sua vida. De manhã, eu me sentava ao lado da sua cama e ele me contava as viagens, as provações e as aventuras de Ulisses, herói da Grécia antiga; tudo isso sempre numa linguagem simples e direta para uma criança de oito anos, idade que eu tinha então. Nós nunca tivemos a menor dificuldade em nos entender”. O escritor morreu em Zurique, no dia 13 de janeiro de 1941. Dirce Waltrick do Amarante Dra. Curso Pós-Graduação em Estudos da Tradução – PGET / UFSC James Joyce |8


O gato e el diablo O gato e el diablo Caleta Olivia, 10 de fevereiro de 1936. Meu querido Tetê. Alguns dias atrás enviei para você um gatinho cheio de doces, mas talvez você não conheça a história do gato de Corrientes. Corrientes é uma pequena e antiga cidade nas margens do Paraná, o maior rio da Argentina. É também um rio muito largo, pelo menos para a Argentina. Em Corrientes, é tão extenso que, se você quiser atravessar de uma margem para outra, precisará dar pelos menos mil passos. Há muito tempo quando as pessoas de Corrientes queriam atravessar o rio, tinham que fazê-la em barco, pois não havia ponte. E eles não podiam construir uma nem pagar ninguém para construí-la. O que eles poderiam fazer? O diabo, que está sempre lendo os jornais, ficou sabendo sobre a triste situação deles, então ele mesmo se vestiu e foi procurar o prefeito de Corrientes, chamado Don Juan Francisco Torrent. 9


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O gato e el diablo O prefeito também gostava muito de se vestir bem. Ele usava um manto escarlate e sempre levava uma grande corrente de ouro no pescoço, mesmo quando estava na cama profundamente dormido em posição fetal. O diabo contou ao prefeito o que ele havia lido no jornal e disse que ele poderia fazer uma ponte para o povo de Corrientes, dessa forma poderiam atravessar o rio quantas vezes quisessem. Também disse que poderia fazer uma ponte tão boa como nunca foi feita e poderia fazê-la ainda numa única noite. O prefeito perguntou quanto ele queria para fazer essa ponte. Nada, disse o diabo, tudo o que peço é que a primeira pessoa que atravesse a ponte seja de minha propriedade. Ótimo, concordou o prefeito. A noite caiu, todas as pessoas em Corrientes deitaram e dormiram. A manhã chegou. E quando olharam pelas janelas, gritaram: “Oh Paraná! Que maravilhosa ponte!”. Pois viram uma maravilhosa e sólida ponte de pedra atravessando o largo rio. Todas as pessoas correram para a cabeceira da ponte e olharam para o outro lado. Ali estava o diabo, parado do outro lado da ponte, esperando a primeira pessoa que iria atravessá-la. Mas ninguém ousou a atravessá-la pois tinham medo do diabo. 11


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O gato e el diablo Nesse momento se escutou um som de cornetas – isso era um sinal para as pessoas ficar em silêncio – e o prefeito, Don Juan Francisco, apareceu com seu grande manto escarlate e usando sua pesada corrente de ouro no pescoço. Ele levava um balde de água em uma mão e debaixo do braço – o outro braço – ele carregava um gato. O diabo parou de dançar quando o viu do outro lado da ponte e focou sua luneta. Todas as pessoas começaram a cochichar entre elas e o gato olhou para o prefeito, porque na cidade de Corrientes era permitido que um gato olhasse para um prefeito. Quando cansou de olhar para o prefeito (porque até um gato se cansa de olhar para um prefeito), começou a brincar com a pesada corrente de ouro do prefeito. Quando o prefeito chegou à cabeceira da ponte, todos os homens prenderam a respiração e todas as mulheres seguraram a língua. O prefeito colocou o gato na ponte e, num piscar de olhos, splash! Esvaziou todo o balde de água sobre ele. O gato, que estava entre a cruz e a espada, (entre o diabo e o balde de água) saiu em disparada e correu de cabeça baixa e sem olhar para atrás, acabando nos braços do diabo. 13


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O gato e el diablo O diabo estava tão zangado quanto o próprio diabo! − Señores de Corrientes − ele gritou do outro lado da ponte − ¡ustedes no son ni siquiera personas! ¡Son sólo gatos! E ele disse ao gato: ¡Ven aqui gatito mío! ¿Tienes miedo, mi querido gatito? Ven conmigo, el diablo te va a llevar, vamos a calentarnos los dos juntos. 15


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O gato e el diablo E foi embora com o gato. E desde então as pessoas daquela cidade são chamadas los gatos de Corrientes. Mas a ponte ainda está lá e há meninos passeando, andando de bicicleta e brincando nela.1 Espero que você goste desta história. Nonno P.S. O diabo fala principalmente uma língua própria chamada Balbuciosino, que ele mesmo inventa, mas quando está com muita raiva, consegue falar portunhol muito bem, embora alguns que o tenham ouvido dizem que ele tem um forte sotaque carioca. 1.Nota do Tradutor: Infelizmente não podemos ver mais esta ponte, pois em 1973 foi inaugurada a nova ponte General Manuel Belgrano e nunca mais se soube sobre a anterior ponte. 17


O gato e el diablo El gato y o diabo Garopaba, 13 de febrero de 1936. Querido Tebito. Hace unos días te mandé un gatito lleno de lenguas de gato, pero puede ser que no conozcas el cuento del gato de Foz de Iguazú. Foz de Iguazú es un pequeño e histórico pueblecito a orillas del río Paraná, uno de los mayores de Brasil. También es un río muy ancho, porque además del Amazonas hay otros ríos anchos en Brasil. En Foz de Iguazú es tan ancho que si quieres pasar de una orilla a la otra tendrás que dar por lo menos mil pasos. Hace mucho tiempo, cuando los habitantes de Foz de Iguazú querían cruzarlo, tenían que hacerlo en barco, ya que no había puente. Y ellos no podían construir uno ni pagar a nadie para construirlo. ¿Qué es lo que podían hacer? El diablo, que siempre está leyendo el periódico, supo de su triste situación, entonces el mismo se vistió y fue al encuentro del alcalde de Foz de Iguazú, que se llamaba Jorge Samways. Al alcalde también le gustaba mucho emperifollarse. El utilizaba un J a m e s J o y c e | 18


O gato e el diablo manto de color escarlata y siempre llevaba una cadena grande de oro en el cuello, hasta cuando estaba acurrucado en la cama durmiendo profundamente. El diablo le contó al alcalde lo que había leído en el periódico y le dijo que podría hacer un puente para el pueblo de Foz de Iguazú, así podrían cruzar el río tantas veces como quisieran. También le dijo que podría hacer el mejor puente que ya se había construido y además lo haría en una sola noche. El alcalde le preguntó que cuánto dinero quería para hacer ese puente. ¡Nada de plata!, dijo el diablo, lo único que quiero es que la primera persona que cruce el puente sea de mi propiedad. Muy bien, le respondió el alcalde. Cayó la noche y todas las personas en Foz de Iguazú se acostaron y se durmieron. Amaneció una linda mañana. Y cuando se asomaron por las ventanas, prorrumpieron en gritos “¡Ohhh, Paraná! ¡Que fastuoso puente!”. Pues estaban viendo un magnífico puente, sólido como una piedra y que cruzaba de lado a lado del ancho río. Todos los del pueblo corrieron hasta la cabeza del puente y miraron hacia el otro lado. Allá estaba el diablo, parado al otro lado del puente, esperando a la primera persona que lo iba a 19


O gato e el diablo cruzar. Pero ninguno se atrevía a cruzarlo, le tenían miedo al diablo. En ese momento, sonaron las trompetas – eso era una señal para que las personas guardaran silencio – y el alcalde, Don Jorge, apareció con su magnífico manto escarlata y usando su pesada cadena de oro en el cuello. Llevaba un cubo de agua en una mano y debajo del brazo – del otro brazo – llevaba un gato. El diablo dejó de bailar cuando lo vio al otro lado y enfocó su catalejo. Todos los del pueblo empezaron a chismorrear y el gato miró al alcalde, porque en Foz de Iguazú los gatos están autorizados a mirar al alcalde. Cuando se cansó de mirar al alcalde (porque hasta los gatos se cansan de mirar al alcalde), empezó a juguetear con la pesada cadena de oro del alcalde. Cuando el alcalde llegó a la cabeza del puente, todos los hombres aguantaron la respiración y todas las mujeres se mordieron la lengua. El alcalde dejó el gato en el puente y, más rápido que un rayo, ¡chass! Le arrojó todo el cubo de agua encima. El gato que se encontró entre la espada y la pared (entre el diablo y el cubo de agua), con las orejas gachas, corrió como alma que lleva el diablo cruzando el puente hasta los brazos del diablo. ¡El diablo estaba enfurecido como un diablo! J a m e s J o y c e | 20


O gato e el diablo − Senhores de Foz de Iguaçu − empezó a gritar desde el otro lado del puente − os senhores não são sequer pessoas! São somente gatos! Y dirigiéndose al gato, dijo: Venha aqui, meu gatinho! Está com medo, meu lindo gatinho? Venha comigo, o diabo vai levar você, vamos nos aquecer juntinhos. Y desapareció con el gato. Desde entonces las personas de ese pueblo son conocidos como los gatos de Foz de Iguazú. Pero el puente todavía está allá y siempre hay niños paseando, montando en bicicleta y jugando en él. 2 Espero que te haya gustado la historia. Nonno P.D. El diablo habla normalmente una lengua propia llamada Gorgojeoesquilo, que el mismo se inventa, pero cuando está realmente furioso, consigue hablar portuñol muy bien, aunque algunos que lo han escuchado dicen que tiene un acento porteño muy fuerte. 2. Nota del tradutor: Desgraciadamente ya no podemos disfrutar de este puente, pues en 1965 fue inaugurado el nuevo puente Ponte Internacional da Amizade y nunca más se supo nada del antiguo puente. 21


O gato e el diablo The cat and the devil James Joyce 10 August 1936, Villers-sur-Mer. My dear Stevie. I sent you a little cat filled with sweets a few days ago but perhaps you do not know the story about the cat of Beaugency. Beaugency is a tiny old town on the bank of Loire, France’s longest river. It is also a very wide river, for France at least. At Beaugency it is so wide that if you wanted to cross it from one bank to the other you would have to take at least one thousand steps. Long ago the people of Beaugency, when they wanted to cross it, had to go in a boat for there was no bridge. And they could not make one for themselves or pay anybody else to make one. So what were they to do? The devil, who is always reading the newspapers, heard about this sad state of theirs so he dressed himself and came to call on the lord mayor of Beaugency, who was named Monsieur Alfred Byrne. This lord mayor was very fond of dressing himself too. He wore a scarlet robe and always had a great J a m e s J o y c e | 22


O gato e el diablo golden chain round his neck even when he was fast asleep in bed with his knees in his mouth. The devil told the lord mayor what he had read in the newspaper and said he could make a bridge for the people of Beaugency so that they could cross the river as often as they wished. He said he could make a bridge as good as ever was made, and make it in one single night. The lord mayor asked him how much money he wanted for making such a bridge. No money at all, said the devil, all I ask is that the first person who crosses the bridge shall belong to me. Good, said the lord mayor. The night came down, all the people in Beaugency went to bed and slept. The morning came. And when they put their heads out of their windows they cried: O Loire, what a fine bridge! For they saw a fine strong stone bridge thrown across the wide river. All the people ran down to the head of the bridge and looked across it. There was the devil, standing at the other side of the bridge, waiting for the first person who should cross it. But nobody dared to cross it for fear of the devil. Then there was the sound of bugles – that was a sign for the people to be silent – and the lord mayor M. Alfred Byrne appeared in his 23


O gato e el diablo great scarlet robe and wearing his heavy golden chain round his neck. He had a bucket of water in one hand and under his arm – the other arm – he carried a cat. The devil stopped dancing when he saw him from the other side of the bridge and put up his long spyglass. All the people whispered to one another and the cat looked up at the lord mayor because in the town of Beaugency it was allowed that a cat should look at a lord mayor. When he was tired of looking at the lord mayor (because even a cat gets tired of looking at a lord mayor) he began to play with the lord mayor’s heavy golden chain. When the lord mayor came to the head of the bridge every man held his breath and every woman held her tongue. The lord mayor put the cat down on the bridge and, quick as a thought, splash! he emptied the whole bucket of water over it. The cat who was now between the devil and the bucket of water made up his mind quite as quickly and ran with his ears back across the bridge and into the devil’s arms. The devil was as angry as the devil himself. Messieurs les Balgentiens, he shouted across the bridge, vous n’ etes pas de belles gens du tout! Vous n’ ete que des chats! And he said to the J a m e s J o y c e | 24


O gato e el diablo cat: Viens ici, mon petit chat! Tu as peur, mon petit chou-chat! Viens ici, le diable t’ emporte! On va se chauffer tous les deuex. And off he went with the cat. And since that time the people of that town are called le chats de Beaugency. But the bridge is there still and there are boys walking and riding and playing upon it. I hope you will like this story. Nonno P.S. The devil mostly speaks a language of his own called Bellsybabble which he makes up himself as he goes along but when he is very angry he can speak quite bad French very well, though some who have heard him, say that he has a strong Dublin accent. 25


O gato e el diablo Sobre a tradução para o português A tradução da carta/conto de James Joyce, “The Cat and the Devil”, é uma tentativa de adaptar o conto para o leitor brasileiro, tentando aproximá-lo à realidade brasileira. Joyce envia uma carta para seu neto, poliglota, com a base do texto em inglês e algumas falas em francês, estas últimas do diabo. Nesta tradução, o inglês foi traduzido pelo português e as falas em francês pelo espanhol, para que isso tenha sentido e sendo que a trama original acontece numa cidadezinha da França (Beaugency à beira do Loire) e o diabo é de Dublin, estes lugares têm sido mudados para uma cidadezinha da Argentina (Corrientes à beira do Paraná) e o diabo, com sotaque carioca, sendo de Rio de Janeiro. Também a carta foi escrita por James Joyce num balneário do norte da França, em pleno verão do hemisfério norte, em agosto, na tradução a carta está escrita num balneário da Argentina, Caleta Olivia e no verão austral, fevereiro. Asim mesmo tem sido adaptados os nomes que aparecem na carta/conto, o diminutivo do neto de Joyce (Steven/Stevie) tem sido traduzido por um correspondente em português (Estevão/Tetê) e o prefeito de Beaugency tem sido traduzido J a m e s J o y c e | 26


O gato e el diablo pelo governador de Corrientes no ano que foi escrita a carta original, Don Juan Francisco Torrent. A carta está assinada por Nonno, avô em italiano, que tem sido mantido na tradução pois tanto no Brasil quanto na Argentina tem muitos descendentes de italianos e não é uma palavra desconhecida. Por último indicar que o dato da ponte General Manuel Belgrano é real, atualmente essa é a ponte que existe em Corrientes. 27


O gato e el diablo Sobre la traducción para el español La traducción del a carta/cuento de James Joyce The Cat and the Devil es un intento de adaptar el cuento para el lector sudamericano de habla hispana, intentando aproximarlo a la realidad latinoamericana. Joyce envía una carta para su nieto, políglota, con la base del texto en inglés y algunas conversaciones en francés, siendo éstas del diablo. En esta traducción el inglés ha sido traducido en español y las conversaciones en francés en portugués, para que esto tenga sentido y ya que la trama original transcurre en un pueblecito de Francia (Beaugency a las orillas del Loire) y el diablo es de Dublín, estos lugares han sido cambiados por un pueblo de Brasil (Foz de Iguazú a las orillas del Paraná) y el diablo con acento porteño, de Buenos Aires capital. También la carta fue escrita en un pueblecito de playa del norte de Francia, en pleno verano del hemisferio norte, en agosto, en la traducción la carta está escrita en un pequeño pueblecito de playa en la costa de Santa Catarina, Garopaba, y en el verano austral, en febrero. Igualmente han sido adaptados los nombres que aparecen en la carta/cuento, el diminutivo del nieto de Joyce J a m e s J o y c e | 28


O gato e el diablo (Steven/Stevie) ha sido traducido por un correspondiente en espanhol (Esteban / Tebito) y el alcalde de Beaugency ha sido traducido por el alcalde de Foz de Iguazú en 1936, año en que fue escrita la carta, Jorge Samways. La carta está firmada por Nonno, abuelo en italiano, y lo hemos mantenido en la traducción porque tanto en Brasil como en Argentina hay muchos descendientes de italianos y no es una palabra desconocida. Por último decir que el dato del Ponte Internacional da Amizade es real, ya que en la actualidad es ese el puente que atraviesa el rio Paraná en Foz de Iguazú. 29


O gato e el diablo Sobre as ilustrações As ilustrações que compõem esta obra, O Gato e El Diablo, tradução de Félix Lozano Medina do clássico de James Joyce The Cat and the Devil, foram criadas a partir de uma pesquisa sobre as artes produzidas em versões anteriores, como as de Roger Blachon, Richard Erdoes, Gerald Rose, e ilustrações que aparecem em outras traduções, como as do artista Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira e Michaella Pivetti. Além disso, pude defrontar as referências utilizadas no meu trabalho de conclusão de curso sobre a iconografia do Diabo e o Diabo no imaginário popular ao longo dos séculos. Este aporte teórico me ajudou a criar o personagem, pensando-o como uma forma de tradução intersemiótica dos textos e uma entidade que emerge dos vários outros Diabos. O Diabo é uma figura quase onipresente na Literatura Ocidental, é conhecido por uma variedade enorme de nomes como Mefistófeles, Satã, Lúcifer, Anjo Caído, entre outros, e foi descrito, retratado, criado e recriado muitas vezes, por sua figura flexível, sua malevolência e antagonismo (em alguns casos) em obras como A Divina Comédia (1308) de Alighieri, Paraíso Perdido (1667) de John Milton, o Fausto (1808) de Goethe, O Alto da Barca do Inferno (1517) de Gil Vicente, entre outros. J a m e s J o y c e | 30


O gato e el diablo O tom das ilustrações se dá de forma mais sóbria, monocromática e voltada para o público que extrapola apenas o infantil. Todas as ilustrações foram criadas em um estilo de sobreposição da técnica de ‘one line drawing’ em caneta Nankin Sakura Pigma Micron 0.4 e 0.05, acabamentos em caneta Coloring Brush KOI cinza e tratamento da imagem no Adobe Photoshop para demais alterações estilísticas, contraste e iluminação. 31


O gato e el diablo Sobre o tradutor Nascido em Zaragoza (Espanha), Félix Lozano Medina mora faz mais de 10 anos no Brasil, Félix é formado em Letras Português-Espanhol pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mestre em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina e, atualmente, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução na mesma instituição. Este é seu primeiro trabalho de tradução publicado. J a m e s J o y c e | 32


O gato e el diablo Sobre o ilustrador Nativo da ilha de Florianópolis, Alison Silveira Morais é escritor, tradutor e ilustrador. Formado em Letras Inglês pela Universidade federal de Santa Catarina (UFSC) atualmente é discente no Programa de Pós-graduação em Estudos da Tradução (PGET/UFSC). Possui algumas traduções publicadas em revistas online e contos do gênero terror/horror em coletâneas de escritores independentes. 33


O gato e el diablo EDITORA ECOLÓGICA Os livros da Editora Katarina Kartonera são basicamente feitos à mão, exclusivos, frutos de uma consciência político-social de inclusão, que recicla materiais, como os papelões, recuperando-os ecologicamente e vinculando na produção e comercialização a participação de escritores, catadores e interessados por confecções de livros artesanais. KK J a m e s J o y c e | 34


O gato e el diablo Katarina Kartonera Coleção de poesias e narrativas contemporâneas Ficou gemendo pero ficou sonhando (transcruz&sousainvencione al portuñol selvagem), Douglas Diegues, 2008; O Sexo Vegetal, Sérgio Medeiros, 2009; Peças Sintéticas, Dirce Waltrick do Amarante, 2009; O Gato Peludo e o Rato- de-Sobretudo, Wilson Bueno, 2009; Contos Maravilhosos, Kurt Schwitters (Tradutores: Maria Aparecida Barbosa, Walter Sille Krause, Heloísa da Rosa Silva, Gabriela Nascimento Correa), 2009; A Carne do Metrô, Rodrigo Lopes de Barros, 2009; Sempre, Para sempre, lá e cá: Poemas de Velimir Khlébnikov (Trad. Aurora Bernardini), 2009; Arte e Animalidade, Coleção de textos sobre arte e animalidade. Organizadores: Ana Carolina Cernicchiaro, Evandro Rodrigues e Sérgio Medeiros, 2009; Os Chuvosos, Wilson Bueno, 2009; Fio no Pescoço, André do Amaral, 2009; Lo que ocurre en silencio, Andrew Bernal Trillos, 2010; Las Putas Drogas, Cristino Bogado, 2010; Triplefrontera Dreams, Douglas Diegues, 2010; Bafo e cinza, Sérgio Medeiros, 2010; Dez Romances Breves, Luiz Roberto Guedes, 2010; Mulher Asfalto, Alain-Kamal Martial (Trad. e adapt. Lucrécia Paco), 2011; Figurantes, Sérgio Medeiros, 2011; Inferno de bolso, Eloésio Paulo, 2011; Trajeto Kartonero, Evandro Rodrigues, 2011. Poços, Wiliam de Oliveira, 2012; XupandoXilokona— xô®xêka— miniantolojia autoerôtika provisoria, Jorge Canese, 2012; Anúncios, Adolfo Montejo Navas, 2012; As metades do corpo, Ricardo Aleixo, 2012; Receitas. Edward Lear (Trad. Dirce Waltrick do Amarante), 2012; Deliranjo. Charles A. Perrone, 2013; Histórias do Córrego Grande, Leandro Durazzo, 2015; Sinapse, Nunes Zarel·leci, 2015; Mínima Alice, Wilson Bueno, 2015 Ahô-ô-ô-oxe, Amador Ribeiro Neto, 2015; A Ovelha Negra, Mily Schabbel, 2016; O Menino da sua mãe, Djami. Sezostre, 2016. 35


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