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Livro - 8 ano - CIM

Published by lucasgrisotti15, 2022-11-26 18:24:10

Description: Livro - 8 ano - CIM

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["CONECTANDO COM O MUNDO Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano Comportamento moral = conhecimento e liberdade Somente pela reflex\u00e3o e pelo aprimoramento do esp\u00edrito cr\u00edtico (= conhecimento) \u00e9 que se constroem ideias e pensamentos para o exerc\u00edcio da liberdade, fator indispens\u00e1vel para o comportamento moral na hist\u00f3ria da humanidade. A sociedade, cada vez mais marcada por ideias e vis\u00f5es cient\u00edficas e tecnicistas, aponta para vis\u00f5es mecanicistas e materializantes das rela\u00e7\u00f5es. A riqueza \u00e9 apresentada como modelo de poder supremo. E porque os ricos s\u00e3o poderosos, buscam-se os bens da fortuna e n\u00e3o os bens da sabedoria. E, com o exerc\u00edcio do poder, acontece a ilus\u00e3o da liberdade. Da\u00ed o modelo atual colocado pela m\u00eddia: \u201cser rico, e n\u00e3o ser s\u00e1bio\u201d. A riqueza s\u00f3 \u00e9 atingida por meio de instrumentos, por isso a necessidade de fazer sempre a pergunta: \u201cpara que serve isto?\u201d. O \u201cpara que\u201d \u00e9 sempre uma valoriza\u00e7\u00e3o utilit\u00e1- ria. E o \u00fatil nunca \u00e9 visto em si, mas como um meio, um intermedi\u00e1rio, para atingir um fim. Ap\u00f3s a utiliza\u00e7\u00e3o, podemos descartar. \u201c\u00datil\u201d \u00e9 tudo que tem um fim no outro, e n\u00e3o em si mesmo. Exemplos s\u00e3o muitos: Um computador \u00e9 \u00fatil, porque seu fim \u00e9 Um carro \u00e9 \u00fatil, porque seu fim \u00e9 Ningu\u00e9m faria um computador ou um carro somente como objetos est\u00e9ticos, isto \u00e9, apenas para serem contemplados. Pelo pr\u00f3prio conceito de \u201c\u00fatil\u201d, verificamos que n\u00e3o pode ser considerado como um crit\u00e9rio absoluto para o julgamento dos valores, pois o que \u00e9 \u00fatil n\u00e3o tem valor por si, mas s\u00f3 tem valor por aquilo que serve. Em contrapartida, o que \u00e9 o in\u00fatil? \u201cIn\u00fatil\u201d \u00e9 o que n\u00e3o tem um fim no outro, \u00e9 o que n\u00e3o se sujeita a ser um meio, instrumento ou intermedi\u00e1rio, mas o que tem valor por si e em si mes- mo. Imp\u00f5e-se pelo seu ser e n\u00e3o por sua utilidade na conquista de um fim fora de si. O seu fim \u00e9 ele mesmo. \u00c9 dentro dessa \u201cinutilidade\u201d que deve residir o homem com comportamento moral (= 51 liberdade e conhecimento). Por outro lado, o homem-m\u00e1quina vive no campo da utilidade. O homem dentro da observ\u00e2ncia do comportamento moral \u00e9 o s\u00e1bio pensador. Em opo- si\u00e7\u00e3o, est\u00e1 o homem-m\u00e1quina, que \u00e9 quase sempre o t\u00e9cnico pragm\u00e1tico e consumista.","Conhecimento e liberdade Cada vez mais, viver significa utilizar com sabedoria os conhecimentos, perceber as exig\u00eancias da reflex\u00e3o em todas as situa\u00e7\u00f5es e em todos os fatos que colocam obst\u00e1culos \u00e0 conviv\u00eancia e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o humana. No decorrer da hist\u00f3ria, o homem, como ser pensante, tenta encontrar formas novas para superar dificuldades e encontrar solu\u00e7\u00f5es para seus problemas. Para isso, precisa estar sempre aberto \u00e0 reflex\u00e3o, tanto com rela\u00e7\u00e3o ao que acontece no mundo como ao que acontece consigo mesmo. A intelig\u00eancia humana, sempre desafiada, depara-se com as grandes interroga\u00e7\u00f5es, e muitas respostas s\u00e3o misteriosas, o que nos deixa no desafio do entendimento pela re- flex\u00e3o. Surgem, ent\u00e3o, situa\u00e7\u00f5es que preocupam e deixam o homem contempor\u00e2neo em constante investiga\u00e7\u00e3o, conhecimentos que desafiam a mente humana, levando a constan- tes questionamentos. Conquistas e conhecimentos espaciais. Avan\u00e7os cient\u00edficos, tecnol\u00f3gicos, sociais. Guerras e intoler\u00e2ncias. O bem-estar produzido pela tecnologia e sua adequa\u00e7\u00e3o com a vida, consu- mismo x necessidades. Preocupa\u00e7\u00f5es com: a polui\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o da natureza. o tr\u00e2nsito. a explos\u00e3o demogr\u00e1fica. a m\u00e3o de obra ociosa (desemprego). a disparidade social. Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a a desigualdade econ\u00f4mica. o n\u00famero crescente de marginalizados. a fome. o crescente poder aquisitivo por parte de alguns. pandemias globais... Contesta\u00e7\u00e3o dos valores tradicionais e incertezas quanto a quais valores se- guir, principalmente por parte da juventude. Conflitos de gera\u00e7\u00f5es que separam pais e filhos. Ang\u00fastia pela sobreviv\u00eancia em um mundo desigual. Inseguran\u00e7a que imp\u00f5e a vis\u00e3o do outro como coisa (coisifica\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o e do homem). A rapidez com que se efetuam as mudan\u00e7as. Dificuldade de situar-se no mundo. No livro digital, Desajustes familiares. em Podcast: Falta de motiva\u00e7\u00e3o para a vida. Toxicomania. Conhecimentos Lutas ideol\u00f3gicas. que desafiam a mente humana. Irresponsabilidade na profiss\u00e3o e na sociedade. Desinteresse pelo bem comum (individualismo, egocentrismo). Problemas com a cren\u00e7a religiosa. Somos convocados a saber viver bem. Por esse motivo, \u00e9 importante uma reflex\u00e3o constante sobre o comportamento moral, tendo presente o conhecimento e a liberdade 52 como raz\u00f5es para fazermos a diferen\u00e7a em nossa vida e no mundo que vivemos.","LINKS COM OUTRAS DISCIPLINAS No livro digital, em Links com outras L\u00edngua Portuguesa \u2013 Atualidades \u2013 Reda\u00e7\u00e3o \u2013 Hist\u00f3ria disciplinas: fa\u00e7a outras rela\u00e7\u00f5es. 1. Podemos dizer que a escolha diante de um fato qualquer \u00e9 f\u00e1cil? Quando a escolha for entre dois fatos bons, \u00e9 f\u00e1cil? Procure, a partir dos exemplos, pensar e escrever uma situa\u00e7\u00e3o atual de escolha em sua vida. Exemplo: Tenho duas possibilidades de como utilizar meu tempo livre ap\u00f3s as aulas: posso ficar na frente do col\u00e9gio com meus amigos e os alunos do outro per\u00edodo; ir at\u00e9 a biblioteca iniciar um estudo. Levando em considera\u00e7\u00e3o que uma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim e a outra \u00e9 boa, fica f\u00e1cil uma escolha. Agora, entre dois fatos bons: ir ao cinema com algu\u00e9m de quem gosto muito ou, estar em uma festa animada com toda a minha turma. Fica f\u00e1cil fazer a escolha? Agora, cite seu exemplo e comportamento 2. Vimos que \u00e9 preciso ter conhecimento e liberdade para exercer plenamente nossa Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano responsabilidade moral. Tamb\u00e9m foram apresentadas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que preocupam o homem contempor\u00e2neo e o deixam em constante investiga\u00e7\u00e3o. Junto com o professor de Hist\u00f3ria, vamos pensar e escrever sobre o que mais desafia o viver hoje no mundo globalizado. \u00c9 importante levantar situa\u00e7\u00f5es que nos levem a investigar e ter conheci- mentos, para sermos livres. SENDO PROTAGONISTAS Dificuldades nas escolhas Descri\u00e7\u00e3o: Cada aluno l\u00ea a sua escolha referente ao \u201cabrigo subterr\u00e2neo\u201d (lembrando que \u00e9 necess\u00e1rio justificar). A seguir, em grupos de cinco alunos, abre-se a discuss\u00e3o e s\u00e3o expostos os entendimentos dos participantes, para que tomem uma decis\u00e3o, esco- lhendo as seis pessoas de prefer\u00eancia do grupo. Ao final, forma-se novamente o grupo maior, para que cada subgrupo possa relatar o resultado da decis\u00e3o grupal. Segue-se um debate sobre a experi\u00eancia vivida. 53","Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a Abrigo subterr\u00e2neo Imaginem uma cidade sob amea\u00e7a de um ataque at\u00f4mico. Um l\u00edder so- licita aos habitantes uma decis\u00e3o imediata. Ele diz que existe um abrigo subterr\u00e2neo que s\u00f3 pode acomodar seis pessoas, por\u00e9m h\u00e1 12 pessoas interessadas em entrar no abrigo. Fa\u00e7am as escolhas de seis somente. Um violinista, com 40 anos de idade, narc\u00f3tico viciado. Um advogado, com 25 anos de idade, rec\u00e9m-formado. A mulher do advogado, com 24 anos de idade, que acaba de sair do manic\u00f4mio. Ambos preferem ou ficar juntos no abrigo ou ficar fora dele. Um sacerdote, com 75 anos de idade, aposentado, mas atuante no seu magist\u00e9rio. Uma prostituta, com 34 anos de idade. Um ateu, com 20 anos de idade, autor de v\u00e1rios assassinatos. Uma universit\u00e1ria que fez voto de castidade. Um f\u00edsico, com 28 anos de idade, que s\u00f3 aceita entrar no abrigo se pu- der levar consigo sua arma. Um declamador fan\u00e1tico, com 21 anos de idade. Uma menina com 12 anos e baixo QI. Um homossexual, com 47 anos de idade. Um deficiente mental, com 32 anos de idade, que sofre de ataques epi- l\u00e9pticos. Minhas escolhas: Justificativas: Escolhas do grupo: Justificativas: 54","DESAFIO AOS PROTAGONISTAS: PENSANDO NO PROJETO DE VIDA \u00c9 o come\u00e7o de uma sensibili- za\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o sobre o respeito \u00e0s de- cis\u00f5es que devemos tomar a cada instante, bem como da percep\u00e7\u00e3o de que sempre estamos diante do livre-arb\u00edtrio. Alunos do 8o ano s\u00e3o desafiados a pensar uma atividade que possa fazer a diferen\u00e7a neste ano, na sua escola e na comunidade em que a escola est\u00e1 localizada. Lembrando que esta atividade deve envolver conhecimento e liberdade. PENSANDO \u201cFORA DA CAIXA\u201d Jean-Paul Sartre (1905-1980) Fil\u00f3sofo e escritor de sucesso, escreveu romances, contos, pe\u00e7as de teatro, cr\u00f4ni- Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano cas, fez cr\u00edtica liter\u00e1ria, ensaios, an\u00e1lise pol\u00edtica e textos jornal\u00edsticos. Foi algu\u00e9m que sou- be sempre distinguir cada modalidade de express\u00e3o. \u00c9, sem d\u00favida, o mais popular dos fil\u00f3sofos contempor\u00e2neos. \u201cO homem \u00e9 liberdade\u201d, dizia Sartre. Como demonstrar isso? Sendo o que escolhe- mos ser. Ao fazemos a escolha, criamos o nosso valor. Como n\u00e3o h\u00e1 valor objetivo ou universal, cada um deve criar ou inventar os valores ou as normas que guiem o seu com- portamento. Cada ato ou indiv\u00edduo \u00e9 valorado moralmente em fun\u00e7\u00e3o da sua liberdade. Sendo a liberdade o valor supremo, \u00e9 valioso escolher e agir livremente. Mesmo buscando ser livre, PDeenisxoouu\u201cmfoarracdaas?cEaixvao\u201dc?\u00ea? existem os outros. Por isso, s\u00f3 pos- so tomar minha liberdade como fim se aceito a liberdade dos outros. O homem define-se, ent\u00e3o, como ten- do: absoluta liberdade de escolha condi\u00e7\u00e3o de ser o \u00fanico a esco- lher. Portanto: \u201cO homem est\u00e1 conde- nado a ser livre\u201d. 55","LENDO PARA SABER MAIS No livro digital, em Pesquisas: O ser e o nada leia o livro Livro publicado em 1943, \u00e9 a principal obra de Jean- O Ser e o Nada. -Paul Sartre, por ser considerado o marco inicial de toda a hist\u00f3ria do existencialismo franc\u00eas. Para Sartre, n\u00e3o h\u00e1 inconsci\u00eancia. O homem deve sempre estar consciente de alguma coisa, a come\u00e7ar de si mesmo \u2013 \u00e9 o \u201cser para si\u201d. Para ele, exist\u00eancia e liber- dade andam juntas: existir, para um homem, \u00e9 ser livre. \u201cO homem nasce livre, respons\u00e1vel e sem desculpas\u201d. O homem tem sempre a possibilidade ou a necessi- dade de escolher o caminho que ser\u00e1 seu, de escolher os caminhos da liberdade que se abrem diante de si e que ele aceitar\u00e1, ou n\u00e3o, trilhar. A quest\u00e3o \u00e9 se ter\u00e1 a coragem de assumir suas responsabilidades ou preferir\u00e1 refugiar- -se na m\u00e1-f\u00e9 do determinismo. Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a Avalia\u00e7\u00e3o da DE OLHO NO SEU FUTURO Unidade 2 No livro digital, No livro digital, em Projeto de Vida: em Resumo com pesquise como esse o Autor: assista \u00e0 conte\u00fado pode ser s\u00edntese dos princi- \u00fatil em sua escolha pais conte\u00fados da Unidade 2 e fa\u00e7a profissional. a Avalia\u00e7\u00e3o. 56","03UNIDADE A \u00e9tica na vida di\u00e1ria","6Cap\u00edtulo N\u00f3s somos respons\u00e1veis por nossas a\u00e7\u00f5es? Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a MOTIVANDO A PENSAR \u2014 SOCIOEMOCIONAL O rouxinol e o ca\u00e7ador Era uma vez, um ca\u00e7ador que capturou um rouxinol. No livro digital, \u201cVou assar essa ave para comer no jantar\u201d, pensou satis- em Atuando no feito. Ent\u00e3o, levou o p\u00e1ssaro para sua cabana e o pren- Socioemocional: deu em uma pequena gaiola. assista ao v\u00eddeo e leia a hist\u00f3ria Quando percebeu que o ca\u00e7ador afiava a faca para mat\u00e1-lo, o p\u00e1ssaro perguntou: completa. \u2014 Por que voc\u00ea vai me matar? Estou t\u00e3o magrinho, meu corpo n\u00e3o bastar\u00e1 para matar sua fome, mas, se voc\u00ea me libertar, eu lhe darei tr\u00eas bons conselhos. E, se voc\u00ea souber segui-los, ter\u00e1 muita sorte e felicidade na vida. [...]","AMPLIANDO OS ENTENDIMENTOS A ignor\u00e2ncia e a responsabilidade moral Conforme afirmado nos cap\u00edtulos anteriores, s\u00f3 pode ser responsabilizada a pessoa que conhece, escolhe, decide e age conscientemente. Portanto, est\u00e1 isento de responsa- bilidade moral quem ignora as circunst\u00e2ncias e consequ\u00eancias da sua a\u00e7\u00e3o. A ignor\u00e2ncia pode ser (em algumas situa\u00e7\u00f5es) uma condi\u00e7\u00e3o que livre a pessoa de res- ponder por seu ato. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 forte porque pode desencadear uma s\u00e9rie de alega- \u00e7\u00f5es de n\u00e3o estarem previstas as consequ\u00eancias dos atos, mas s\u00f3 n\u00e3o conhecer n\u00e3o basta. H\u00e1 casos em que a pessoa n\u00e3o conhecia, n\u00e3o podia e n\u00e3o tinha obriga\u00e7\u00e3o de co- nhec\u00ea-las (exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 o de soldados nazistas que participaram das barb\u00e1ries da Segunda Guerra Mundial). Voc\u00ea consegue dar outro exemplo das coloca\u00e7\u00f5es expostas neste par\u00e1grafo? Vamos registrar exemplos que foram discutidos e aceitos por toda turma. \t Quando se alega ignor\u00e2ncia para n\u00e3o ser responsabilizado, deve ser analisada a situ- Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano a\u00e7\u00e3o concreta. Conforme as circunst\u00e2ncias, a ignor\u00e2ncia n\u00e3o pode livrar da responsabi- lidade, pois a pessoa \u00e9 respons\u00e1vel por n\u00e3o saber o que deveria saber (um exemplo s\u00e3o 59 as leis de tr\u00e2nsito para o motorista). Valores s\u00e3o constru\u00eddos na fam\u00edlia, no dia a dia, no trabalho, nas escolas, nas manifes- ta\u00e7\u00f5es culturais, nos movimentos e nas organiza\u00e7\u00f5es locais. Conhec\u00ea-los, compreend\u00ea- -los e pratic\u00e1-los \u00e9 uma necessidade fundamental da conviv\u00eancia social. O que pensar da seguinte situa\u00e7\u00e3o: um pai, vendo um filho passar fome, resolve roubar alimentos no supermercado. Ele agiu certo ou errado ao cometer o roubo? A resposta po- deria ser: \u201cEle agiu certo, porque viu o filho com fome e n\u00e3o suportava a cena de mis\u00e9ria em sua casa, logo, n\u00e3o teve sa\u00edda sen\u00e3o roubar. Ou: \u201cagiu errado por ter roubado, sabemos que roubar n\u00e3o \u00e9 a coisa certa\u201d. O exemplo pode dar uma ideia da complexidade que \u00e9 viver em sociedade. A luta por um mundo melhor, por uma civili- za\u00e7\u00e3o mais humana, mais democr\u00e1tica e mais justa tem sido historicamente constru\u00edda pelo homem. E, nessa constru\u00e7\u00e3o, temos justi\u00e7as e injusti\u00e7as, a\u00e7\u00f5es e acomoda\u00e7\u00f5es, pensamentos coletivos e situa\u00e7\u00f5es para \u201clevar vantagens\u201d. Con- tudo, vivemos em comunidade e, portanto, \u00e9 preciso, cada vez mais, discutir e ampliar os entendimentos para uma conviv\u00eancia digna e respons\u00e1vel.","A quest\u00e3o da for\u00e7a externa e a responsabilidade moral Podemos atribuir responsabilidade por um ato Arist\u00f3teles j\u00e1 di- quando a causa de faz\u00ea-lo esteja dentro da pr\u00f3pria zia que a coa\u00e7\u00e3o ex- pessoa e n\u00e3o em algu\u00e9m que a force a praticar terna pode vir de algu\u00e9m esse ato contra sua vontade, portanto, quando a (pessoa) ou de algo (objeto\/ pessoa n\u00e3o for obrigada a faz\u00ea-lo. circunst\u00e2ncia) que for\u00e7a a pessoa a ter uma a\u00e7\u00e3o con- Quando algu\u00e9m \u00e9 obrigado a realizar um ato, tra sua vontade, n\u00e3o havendo chamamos isso de coa\u00e7\u00e3o externa (lembra que escolha e decis\u00e3o. Portanto, a vimos esse conte\u00fado no Cap\u00edtulo 3. A coa\u00e7\u00e3o ex- a\u00e7\u00e3o da pessoa n\u00e3o pode terna \u00e9 uma press\u00e3o que leva a pessoa a perder o exigir responsabilidade controle dos seus atos e a impede de decidir livre- mente. Assim, ela realiza um ato que n\u00e3o escolheu moral. nem decidiu realizar, por isso n\u00e3o pode ser respon- sabilizada pela a\u00e7\u00e3o que realizou. Vamos analisar alguns exemplos e discutir se h\u00e1 possibilidade de livrar os envolvidos da respon- sabilidade moral. Na Segunda Guerra Mundial, os na- Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a zistas constru\u00edram campos de concentra- No livro digital, em \u00e7\u00e3o onde judeus e outras minorias eram V\u00eddeos: assista ao document\u00e1rio Os dizimadas e seus corpos serviam para cadernos secretos de experi\u00eancias m\u00e9dicas, com atrocidades gen\u00e9ticas. Ao fim da guerra, os principais Nuremberg. dirigentes foram presos e submetidos a julgamentos \u2013 o famoso Processo de Nu- remberg. Todos alegavam n\u00e3o ter responsabilidade legal e muito menos moral pelos crimes cometidos, justificando estarem cumprindo ordens superiores (coa\u00e7\u00e3o externa) ou desconhecem os fatos (ignor\u00e2ncia). Algu\u00e9m, com rev\u00f3lver na m\u00e3o, obriga voc\u00ea a postar nas redes sociais, fotos comprometedoras em que difama outra pessoa. Voc\u00ea pode ser considerado res- pons\u00e1vel por este ato? O que pensar sobre esses exemplos? H\u00e1 outros exemplos que acontecem na so- ciedade para discutir, encaixando-se na ideia de coa\u00e7\u00e3o externa e ignor\u00e2ncia? Vamos registrar os exemplos levantados pelo 8o ano. 60","A quest\u00e3o da for\u00e7a interna Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano e a responsabilidade moral \u00c9 preciso ter presente que a pessoa s\u00f3 \u00e9 respons\u00e1vel moralmente pelos atos cuja natureza conhece, cujas consequ\u00eancias pode prever, ou seja, aqueles atos que, n\u00e3o ha- vendo coa\u00e7\u00e3o externa, est\u00e3o sob seu dom\u00ednio e controle. Existem alguns casos em que as pessoas t\u00eam coa\u00e7\u00e3o interna, uma for\u00e7a que as leva a cometer atos que n\u00e3o poderiam ser considerados de responsabilidade moral. S\u00e3o mais desvios de conduta por for\u00e7as internas, tais como: a cleptomania, o estado neur\u00f3tico e o desajuste sexual. Nesses casos, o sujeito n\u00e3o tem consci\u00eancia no momento em que realiza tais atos, ele desconhece o porqu\u00ea do ato e as suas consequ\u00eancias. Mesmo sendo dif\u00edcil estabelecer a linha divis\u00f3ria entre comportamento normal e anormal (doentio), costuma-se dizer que pessoas normais n\u00e3o fazem a\u00e7\u00f5es por for\u00e7as internas irresist\u00edveis. Somos pessoas que t\u00eam coa\u00e7\u00f5es internas control\u00e1veis, que nos permitem optar. Por isso, desejos, paix\u00f5es, impulsos, motiva\u00e7\u00f5es inconscientes e cren- \u00e7as podem, sim, levar \u00e0 responsabilidade moral. As tr\u00eas posturas e a responsabilidade moral Este \u00e9 um problema \u00e9tico antigo, pois estamos diante de duas vis\u00f5es opostas de mundo. De um lado, estamos em um mundo casualmente determinado, e isso faz com que pessoas aceitem as ideias do determinismo. Aqui, n\u00e3o h\u00e1 nenhum espa\u00e7o para a responsabilidade moral, pois tudo j\u00e1 est\u00e1 definido, pronto. Do outro lado, est\u00e1 a condi\u00e7\u00e3o de escolha ilimitada, o que \u00e9 improv\u00e1vel que tamb\u00e9m aconte\u00e7a. \u00c9 preciso ter presente as rela\u00e7\u00f5es entre necessidade, vontade e liberdade. Temos, assim, tr\u00eas posturas filos\u00f3ficas, relacionadas com a responsabilidade moral. 1. Tudo est\u00e1 determi- 2. O homem pode nado, portanto, n\u00e3o h\u00e1 liberda- determinar-se, conquistar de e muito menos responsabili- sua liberdade e responder dade moral \u2212 determinismo moralmente por seus atos \u2212 absoluto. livre-arb\u00edtrio. 3. O homem \u00e9 de- terminado, e essa \u00e9 a condi- \u00e7\u00e3o necess\u00e1ria da liberdade (liberdade e necessidade est\u00e3o juntas) \u2212 determi- nismo moderado. 61","Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a 1. Determinismo absoluto \u00c9 uma vis\u00e3o de mundo, uma doutrina que aceita o fato de que cada um dos aconteci- mentos do universo est\u00e1 submetido \u00e0s leis naturais, entendidas dentro de uma estrutura de causa. H\u00e1 quem relacione o determinismo \u00e0 quest\u00e3o do destino e da predestina\u00e7\u00e3o, tanto em rela\u00e7\u00e3o aos objetos quanto \u00e0s pessoas. Nesse caso, descarta-se a exist\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o e da liberdade. O ponto de partida \u00e9 que, neste mundo, tudo tem uma causa. Assim, a ci\u00eancia, bem como a experi\u00eancia cotidiana, comprova a tese determinista. Se tudo tem uma causa, como podemos evitar agir como agimos? Ser\u00e1 que a a\u00e7\u00e3o, nesse momento, tendo uma causa que nem sequer conhe\u00e7o, \u00e9 livre? Ent\u00e3o, a decis\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o s\u00e3o causadas por circunst\u00e2ncias? Assim, n\u00e3o haveria liberdade, mas apenas efeitos de uma causa ou de uma s\u00e9rie causal? Para o determinista absoluto, tomar uma decis\u00e3o \u00e9 fruto de uma causa, e isso signi- fica que a escolha n\u00e3o \u00e9 livre. Dizer, ent\u00e3o, que houve uma escolha livre \u00e9 ilus\u00e3o, pois n\u00e3o h\u00e1 liberdade da vontade. Escolhe-se sim, mas por for\u00e7a das causas que determinam a escolha. Dessa forma, com o determinismo absoluto, ter\u00edamos a condi\u00e7\u00e3o da possibilidade de, ao conhecer todas as circunst\u00e2ncias que atuam sobre um fato, em um determinado mo- mento, predizer com exatid\u00e3o o futuro. Resumindo, poder\u00edamos dizer que, para o determinismo absoluto, tudo \u00e9 causado. Sendo assim, a liberdade humana \u00e9 falsa, e n\u00e3o pode haver responsabilidade moral. So- mente poderia ter acontecido o que aconteceu de fato. Pensadores que se op\u00f5em ao determinismo do ponto de vista \u00e9tico e antropol\u00f3gico- -filos\u00f3fico assinalam que, dentro de uma doutrina determinista, n\u00e3o cabe o livre-arb\u00edtrio. Fil\u00f3sofos existencialistas criticam o determinismo ao defender que, na exist\u00eancia humana, a liberdade \u00e9 um direito natural, faz parte do ser do homem. Defendem que existir \u00e9 fun- damentalmente ser livre. 2. Livre-arb\u00edtrio Vamos iniciar lendo a f\u00e1bula do \u201cAsno de Buridan\u201d, escrita por Jean Buridan, mestre e reitor da Universidade de Paris, na primeira metade do s\u00e9culo XIV. \u201cUm asno que tivesse diante de si, e exa- tamente \u00e0 mesma dist\u00e2ncia, dois feixes de feno exatamente iguais n\u00e3o poderia ma- nifestar prefer\u00eancia por um mais do que pelo outro e, portanto, morreria de fome\u201d. 62","Esta quest\u00e3o foi formulada para mostrar a difi- No livro digital, em culdade do problema do livre-arb\u00edtrio. N\u00e3o havendo Filo Fil\u00f3sofo: assis- uma prefer\u00eancia, n\u00e3o pode haver escolha. O que fica ta Jean Buridan e claro \u00e9 que o problema do asno de Buridan \u00e9 suma- a f\u00e1bula do \u201cAsno\u201d. mente instrutivo: analis\u00e1-lo como \u00e9 devido requer revisar as dif\u00edceis no\u00e7\u00f5es de escolha, prefer\u00eancia, raz\u00e3o, vontade e liberdade. Para os defensores do livre-arb\u00edtrio da a\u00e7\u00e3o humana, ser livre significa de- cidir e agir como se quer, independentemente da causa determinante. Ent\u00e3o, o homem \u00e9 capaz de julgar, e isso possibilita a ele fazer escolhas volunt\u00e1rias, aut\u00f4- nomas, sem press\u00e3o interna ou externa. A liberdade \u00e9 um dado da experi\u00eancia imediata e tamb\u00e9m uma certeza que n\u00e3o se abala pela exist\u00eancia da causalidade. O homem \u00e9 absolutamente livre em aceitar que faz parte da natureza e que vive em sociedade ao se comportar de forma moral. Resumindo, poder\u00edamos perguntar: sendo tudo poss\u00edvel, quais crit\u00e9rios usar ao julgar um ato moral? Se os fatos causais n\u00e3o interferem na decis\u00e3o e na a\u00e7\u00e3o, como considerar responsabilidades pelo ocorrido? Se viv\u00eassemos em um mun- do de acasos, em que tudo fosse poss\u00edvel, haveria sentido falar em liberdade e responsabilidade moral? Assim, a liberdade da vontade, longe de excluir a cau- salidade, necessita dela. 3. Determinismo moderado Ao aceitar o determinismo absoluto, conclui-se que o homem n\u00e3o \u00e9 livre e, Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano portanto, n\u00e3o \u00e9 moralmente respons\u00e1vel pelo que faz. Ao se defender o livre- -arb\u00edtrio como forma de conduta, dizemos que a pessoa tamb\u00e9m n\u00e3o responde moralmente por seus atos, pois toma decis\u00e3o e age n\u00e3o sujeita \u00e0 necessidade e ao resultado, mas ao acaso. Como visto at\u00e9 aqui, para haver responsabilidade moral, exige-se certa liber- dade de decis\u00e3o e de a\u00e7\u00e3o, em outros termos, uma conduta consciente, enten- dida como decis\u00e3o com conhecimento de causa e de raz\u00f5es. Assim, liberdade e causalidade (necessidade) n\u00e3o se excluem. Quatro fil\u00f3sofos deram suas contribui\u00e7\u00f5es para as reflex\u00f5es sobre liberdade e necessidade causal. ESPINOZA Para ele, o homem, sendo parte da natureza, est\u00e1 sujeito \u00e0s leis da necessida- de universal. Por isso, a a\u00e7\u00e3o, o movimento do mundo exterior, provoca no homem um estado interior chamado por Espinoza de \u201cpaix\u00e3o\u201d ou \u201cafeto\u201d, sendo assim, de- terminado de fora. Ao se comportar dessa maneira (pela paix\u00e3o), \u00e9 escravo, pois suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o determinadas por causas externas. Ser livre, ent\u00e3o, \u00e9 tomar cons- ci\u00eancia da necessidade ou compreender que tudo o que acontece \u00e9 necess\u00e1rio. 63","Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a HEGEL Este fil\u00f3sofo tamb\u00e9m define a liberdade como conhecimento da necessidade. Ele diz: \u201cA liberdade \u00e9 a necessidade compreendida\u201d. Relacionando a li- berdade com a hist\u00f3ria, ela \u00e9 hist\u00f3rica. H\u00e1 graus de liberdade ou de entendimento das necessidades. \t MARX E ENGELS Quando falam do determinismo moderado, n\u00e3o v\u00e3o contra a posi\u00e7\u00e3o de Espinoza e Hegel. Afirmam que o homem busca ser livre pelo poder que tem sobre a natureza e sobre si mesmo, transformando o mundo e a si sob as bases de sua interpreta\u00e7\u00e3o (conhecendo as liga\u00e7\u00f5es causais e as necessidades que movimentam os fatos). Ao pensarmos em responsabilidade moral, devemos ter presente a liberdade e a necessidade que est\u00e3o ligadas ao ato moral. CONECTANDO COM O MUNDO Livre-arb\u00edtrio na literatura O escritor russo Fi\u00f3dor Dostoi\u00e9vski escreveu um romance chamado Os Irm\u00e3os Kara- mazov 2, obra da literatura universal. Vale a pena ler e refletir a parte de sua obra que fala de livre-arb\u00edtrio como \u201cuma carga terr\u00edvel\u201d que devemos suportar em nossa exist\u00eancia. \u201cEm lugar de te apoderares da liberdade humana, tu ainda a estendeste! Esqueces- te-te ent\u00e3o de que o homem prefere a paz e at\u00e9 mesmo a morte \u00e0 liberdade de discernir o bem e o mal? N\u00e3o h\u00e1 nada mais sedutor para o homem do que o livre-arb\u00edtrio, mas tam- b\u00e9m nada mais doloroso. E, em lugar de princ\u00edpios s\u00f3lidos que teriam tranquilizado para sempre a consci\u00eancia humana, tu escolheste no\u00e7\u00f5es vagas, estranhas, enigm\u00e1ticas, tudo quanto ultrapassa a for\u00e7a dos homens, e com isso agiste como se n\u00e3o os amasses, tu, que vieras dar tua vida por eles! Aumentaste a liberdade humana em vez de confisc\u00e1-la e, assim, impuseste para sempre ao ser moral os pavores dessa liberdade. Querias ser livremente amado, voluntariamente seguido pelos homens fascinados. Em lugar da dura lei antiga, o homem devia doravante, com cora\u00e7\u00e3o livre, discernir o bem e o mal, n\u00e3o ten- do para se guiar sen\u00e3o tua imagem; mas n\u00e3o previas que ele repeliria afinal e contestaria mesmo tua imagem e tua liberdade, esmagado sob essa carga terr\u00edvel: a liberdade de escolher?\u201d 2. DOSTOIEVSKY, Fi\u00f3dor. Os Irm\u00e3os Karamazov. Trad. Natalina Nunes e Oscar Mendes. Rio de Janeiro: Tecnoprint, s.d., p. 219. 64","\u00c9 hora de registrar suas reflex\u00f5es pessoais e da sua turma sobre o livre-arb\u00edtrio ex- posto no texto. LINKS COM OUTRAS DISCIPLINAS L\u00edngua Portuguesa \u2013 Atualidades \u2013 Ensino Religioso \u2013 Hist\u00f3ria 1. \u00c9 importante relacionarmos os nossos atos e as nos- No livro digital, em sas a\u00e7\u00f5es ao conceito de responsabilidade moral. Assim, Links com outras procure escrever tr\u00eas a\u00e7\u00f5es, que voc\u00ea praticou ou pratica disciplinas: fa\u00e7a e, diante da defini\u00e7\u00e3o de responsabilidade moral, analise outras rela\u00e7\u00f5es. se voc\u00ea est\u00e1 sendo livre nessas a\u00e7\u00f5es. 2. O que dizer da express\u00e3o popular: \u201cfoi Deus que quis assim\u201d? Em qual vis\u00e3o de mundo Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano podemos classificar essa afirma\u00e7\u00e3o? 3. Vamos assistir ao videoclipe da m\u00fasica At\u00e9 quan- No livro digital, do?, composi\u00e7\u00e3o de Gabriel, o Pensador. A seguir, em V\u00eddeos: ser\u00e1 hora de fazer a an\u00e1lise da letra e marcar os tre- chos em que se encontram ideias que retratam: res- assista ao clipe ponsabilidade moral, determinismo absoluto, livre-ar- At\u00e9 quando? b\u00edtrio e determinismo moderado. No livro digital, 4. Junto com a disciplina de L\u00edngua Portuguesa, va- em Pesquisas: mos interpretar o texto O que os outros pensam so- O que os outros bre mim? para entender o que est\u00e1 nas entrelinhas. pensam sobre Depois, vamos criar um texto filos\u00f3fico no qual estejam destacados os tipos de coa\u00e7\u00e3o (externa e interna). mim? 65","SENDO PROTAGONISTAS O caso das laranjas Ugli (= sobre responsabilidade, determinismo, livre-arb\u00edtrio) Objetivos: Colocar os participantes em situa\u00e7\u00e3o de No livro digital, negocia\u00e7\u00e3o, a fim de observar negocia\u00e7\u00e3o, persuas\u00e3o, em Protagonismo criatividade, foco no objetivo, flu\u00eancia verbal, produtivi- Infantojuvenil: leia dade sob tens\u00e3o e saber ouvir. Os Produtores, Desenvolvimento: O professor escolhe dois alunos para o grupo 1 e 2. que representar\u00e3o os produtores de laranjas Ugli e or- ganiza o restante da turma em dois grupos. Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a 1. Os alunos do grupo 1 e do grupo 2 t\u00eam a miss\u00e3o de convencer um dos produtores a fornecer toda a sua produ\u00e7\u00e3o de laranjas Ugli. 2. Cada equipe vai elaborar suas informa\u00e7\u00f5es e argumenta\u00e7\u00f5es para na reuni\u00e3o com um dos produtores de laranja, convenc\u00ea-lo a negociar toda a produ\u00e7\u00e3o. A reuni\u00e3o tem um tempo determinado pelo professor, e, ao final, os participantes dever\u00e3o ter chegado a algumas conclus\u00f5es, tendo por par\u00e2metro os assuntos: responsabilidade, determinismo e livre-arb\u00edtrio. 3. Ap\u00f3s chegarem \u00e0 conclus\u00e3o final, os participantes far\u00e3o a avalia\u00e7\u00e3o da sua participa- \u00e7\u00e3o e do resultado da reuni\u00e3o. DESAFIO AOS PROTAGONISTAS: PENSANDO NO PROJETO DE VIDA A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que toda a turma possa interiorizar melhor os conceitos. Nessa ativida- de, \u00e9 importante, al\u00e9m das discuss\u00f5es, o entendimento e a capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o, para que os conte\u00fados possam ser assimilados na pr\u00e1tica. Na continua\u00e7\u00e3o da atividade, a turma do 8o ano define e apresenta uma forma inteligente de divulgar esta atividade na escola. PENSANDO \u201cFORA DA CAIXA\u201d Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) Desde muito jovem, devorava os livros da biblioteca da fam\u00edlia. Aos 16 anos, fugiu da cidade onde vivia para levar uma vida independente. Passou muita fome e priva\u00e7\u00e3o e mu- dou v\u00e1rias vezes de emprego e de pa\u00eds. 66","Buscando o sucesso, chegou, em 1742, em Paris PDeenixsoouum\u201cfaorrcaadsa?cEavixoac\u201d\u00ea?? para ser professor de m\u00fasica, trazendo na bagagem um novo sistema de notas musicais, uma \u00f3pera, uma com\u00e9dia e uma colet\u00e2nea de poemas. N\u00e3o obteve sucesso e n\u00e3o se saiu bem, mas conheceu Diderot e foi convidado a escrever artigos sobre m\u00fasica para a obra Enciclop\u00e9dia. Foi quando entrou em contato com os fil\u00f3sofos enciclopedistas. Em 1749, Rousseau despertou como fil\u00f3sofo, es- crevendo sua primeira obra, Discurso sobre as ci\u00ean- cias e as artes, com a qual ganhou um pr\u00eamio e deu in\u00edcio a um pensamento dissonante e pol\u00eamico dentro do Iluminismo. Publicou as obras Em\u00edlio e O contrato social, que foram consideradas ofensivas pelas auto- ridades. Condenado \u00e0 pris\u00e3o, ele fugiu. Em 1776, seu estado de sa\u00fade agravou-se. Vivendo na pobreza, usou sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica como desculpa para n\u00e3o criar nenhum dos cinco filhos, que foram deixados em orfanatos. Rousseau passou seus \u00faltimos dias es- tudando e catalogando plantas at\u00e9 falecer. LENDO PARA SABER MAIS Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano O contrato social ou princ\u00edpios do direito pol\u00edtico H\u00e1 quem afirme que esta obra n\u00e3o pode ser lida isoladamente. O pr\u00f3prio autor afirma em Confiss\u00f5es que este livro era parte de um projeto mais vasto que foi abando- nado, intitulado Tratado das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Na verdade, n\u00e3o podemos separar O contrato social da obra pol\u00edtica de Rousseau, principalmente de outra obra sua, Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. J\u00e1 no in\u00edcio do livro 1 dessa obra, o autor coloca seu projeto: \u201cProcuro saber se, na ordem civil, pode haver alguma regra de administra\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e segura, que tome os ho- mens tais quais s\u00e3o, e as leis tais quais podem ser\u201d. Assim, vemos que a defesa do Estado social, mesmo n\u00e3o sendo natural para o homem, \u00e9 indispens\u00e1vel. A quest\u00e3o \u00e9 encontrar uma conven\u00e7\u00e3o que conserve a liberdade caracter\u00edstica do estado de natureza. Essa obra n\u00e3o quer descrever o nascimento do Estado. Nesse livro, Rousseau \u00e9 nor- mativo, pois quer dizer o que deve ser o Estado para que o poder por ele exercido seja leg\u00edtimo ou esteja em conforme com o Direito. 67","Essa obra tem alcances m\u00faltiplos, pois, vista sob No livro digital, o aspecto pr\u00e1tico, influenciou a Revolu\u00e7\u00e3o de 1789, em Pesquisas: na Fran\u00e7a \u2013 Rousseau foi venerado pelos revolucio- leia o livro O n\u00e1rios. Tamb\u00e9m o princ\u00edpio das nossas institui\u00e7\u00f5es Contrato Social. democr\u00e1ticas republicanas \u00e9 de inspira\u00e7\u00e3o rousse- auniana. Cabe notar que O contrato social \u00e9 tido, por devido a algumas f\u00f3rmulas propostas, como uma te- oria do totalitarismo, portanto, perigosa. DE OLHO NO SEU FUTURO No livro digital, em Projeto de Vida: pesquise como esse conte\u00fado pode ser \u00fatil em sua escolha profissional. Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a No livro digital, em Avalia\u00e7\u00f5es: cap\u00edtulo 6. 68","7Cap\u00edtulo Ser feliz, ou por uma \u00e9tica emancipat\u00f3ria MOTIVANDO A PENSAR \u2014 SOCIOEMOCIONAL Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano \t O gigante e as crian\u00e7as Em uma vila nas montanhas Altai, n\u00e3o havia crian\u00e7as No livro digital, porque, naquelas cercanias, morava um terr\u00edvel gigante em Atuando no que as levava embora logo que come\u00e7avam a andar. Os Socioemocional: jovens casais, vendo o desespero dos pais das crian\u00e7as assista ao v\u00eddeo raptadas, temiam ter filhos e sofrer tamb\u00e9m. Assim, a e leia a hist\u00f3ria vila foi lentamente se tornando um lugar em que s\u00f3 ha- bitavam idosos, at\u00e9 que um casal resolveu que teria um completa. beb\u00ea, custasse o que custasse. Quando o menino nasceu, esconderam-no em uma gruta e, quando ele j\u00e1 podia entender o que lhe diziam, contaram-lhe que teria que ser corajoso, pois um dia precisaria enfrentar o gigante. O menino aprendeu a correr em grande velocidade e a atirar com arco e flecha. Quando ele completou oito anos, o pai lhe falou: [...]","AMPLIANDO OS ENTENDIMENTOS A \u00e9tica nos v\u00e1rios ramos do conhecimento A \u00e9tica (como uma ci\u00eancia normativa) clareia a consci\u00eancia humana, d\u00e1 rumo \u00e0 con- duta individual e social das pessoas. \u00c9 uma cria\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e cultural. Sendo assim, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es do conceito de virtude, do bem e do mal, do certo e do errado, do consentido e do proibido, para cada cultura e sociedade, para cada tempo e espa\u00e7o. A \u00e9tica torna-se universal na medida em que estabelece for- mas de conduta moral v\u00e1lidas para todos os membros de determinada sociedade. Essas formas de conduta moral levam em conta os contextos social, pol\u00edtico, econ\u00f4mico e cultural em que as pessoas vivem e nos quais reali- zam as a\u00e7\u00f5es morais. Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a Hoje \u00e9 grande o volume de publica\u00e7\u00f5es e discus- No livro digital, s\u00f5es sobre a \u00e9tica em todo o mundo, nos diversos ramos em Pesquisas: do conhecimento (na pol\u00edtica, na ind\u00fastria, na escola, no esporte, na economia, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o). H\u00e1 A \u00e9tica nos movimentos populares, associa\u00e7\u00f5es e entidades exigin- per\u00edodos do \u00e9tica na vida p\u00fablica, na vida social e at\u00e9 nos compor- hist\u00f3ricos. tamentos pessoais. A \u00e9tica hoje Atualmente, os grandes problemas \u00e9ticos referem- -se \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 sociedade civil e ao Estado. Ent\u00e3o, ao ver uma \u00e9tica concreta, n\u00e3o podemos deixar de lado essas estruturas em que estamos inseridos. A humanidade no s\u00e9culo XX sentiu-se abalada em duas ocasi\u00f5es. Foram epis\u00f3dios devastadores os de 1914-1918, a Primeira Guerra Mundial, e de 1939-1945, a Segunda Guerra Mundial. Esses acontecimentos atin- giram todos os aspectos da vida e da cultura mundial. Houve um repensar sobre a sociedade, a pol\u00edtica, os cos- tumes, as cren\u00e7as, os saberes e as ci\u00eancias. Algumas an\u00e1lises, previs\u00f5es e diversos diagn\u00f3sticos apontavam para uma responsabilidade \u00e9tica da humanidade em uma perspectiva otimista, e outras, mostravam um fim fatal. 70","No per\u00edodo de 1980, temos o in\u00edcio da chamada \u201cidade da \u00e9tica\u201d. Nas linguagens reli- Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano giosas, nas filosofias, nas pol\u00edticas, nas ci\u00eancias humanas em geral, os temas \u00e9ticos pas- sam a ser privilegiados, e a exig\u00eancia \u00e9tica no comportamento do homem desencadeou uma nova maneira de ser na sociedade. Na d\u00e9cada de 1990, a crise maior da humanidade aconteceu no terreno das raz\u00f5es de viver e nos fins que d\u00e3o sentido ao viver. Estamos hoje em uma crise \u00e9tica, anunciada no presente, mas que ser\u00e1 do futuro. Ela n\u00e3o \u00e9 a crise do ter, mas a crise do ser. \u00c9 a busca entre sentido e n\u00e3o sentido. Aqui, localiza-se a crise em que se desenrolam os temas \u00e9ticos, tanto na linguagem quanto nas preocupa\u00e7\u00f5es do mundo ocidental. Voltando ao lugar dos acontecimentos dos grandes problemas \u00e9ticos de hoje \u2013 a fa- m\u00edlia, sociedade civil e o Estado \u2013, deparamo-nos com uma \u00e9tica concreta. Ent\u00e3o, cabe uma investiga\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre essas quest\u00f5es e outras mais, como as seguintes: O QUE \u00c9 \u00c9TICA NO RELACIONAMENTO FAMILIAR? Quem dita os direitos e deveres dos pais e filhos? A autoridade dos pais vem de onde? Que tipo de educa\u00e7\u00e3o deve ser dada aos filhos? Quem d\u00e1 as ordens da casa s\u00e3o os pais ou os filhos? Quem pode querer impor a sua vontade, os pais ou os filhos? O amor \u00e9 um sentimento livre? Qual o sentido de fidelidade que temos hoje? O que dizer hoje da promessa do \u201csim, at\u00e9 que a morte os separe\u201d? Qual deve ser a nova \u00e9tica nas formas de relacionamento heterossexual? O QUE \u00c9 \u00c9TICA NO RELACIONAMENTO DA SOCIEDADE CIVIL? Em uma sociedade excludente, como falar de \u00e9tica sendo que a proprieda- de \u00e9 um privil\u00e9gio de poucos? O que dizer quando o desemprego \u00e9 alto e a perspectiva de sal\u00e1rio justo \u00e9 baixa? Quais as formas de explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra? Em uma sociedade civil composta por analfabetos (nas letras e na pol\u00edtica), falar de \u00e9tica \u00e9 sempre pensar em modificar toda a situa\u00e7\u00e3o atual? Ouvimos, constantemente, o discurso de que \u00e9 necess\u00e1rio que haja em nosso pa\u00eds 71 uma reforma do Estado (reforma pol\u00edtica, fiscal, estrutural etc.). Esse discurso vem de muito tempo, e parece que n\u00e3o h\u00e1 interesse de que tal venha a acontecer. Al\u00e9m disso, vemos que n\u00e3o haver\u00e1 reforma do Estado se n\u00e3o houver uma reforma \u00e9tica sobre a ideia do bem comum e do bem p\u00fablico \u2013 \u201co que \u00e9 de todos e \u00e9 de ningu\u00e9m\u201d.","Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a Sobre a ideia da propriedade particular, que hoje nas doutrinas \u00e9ticas \u00e9 vista como uma forma de extens\u00e3o da personalidade humana, do seu corpo, de sua seguran\u00e7a pes- soal e, acima de tudo, da sua autoconfian\u00e7a sobre o mundo em transforma\u00e7\u00e3o. O QUE \u00c9 \u00c9TICA NO RELACIONAMENTO COM O ESTADO? Temos, aqui, problemas \u00e9ticos complexos. Somente h\u00e1 liberdade do indiv\u00edduo quan- do se respeita a liberdade do cidad\u00e3o em um Estado livre e de direito, por meio das leis, da Constitui\u00e7\u00e3o, dos direitos humanos, da defini\u00e7\u00e3o e da divis\u00e3o dos poderes para evitar abusos e da pr\u00e1tica de elei\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas. Ningu\u00e9m \u00e9 livre em uma ditadura. O questio- namento sobre a fun\u00e7\u00e3o do Estado considera duas perspectivas, que s\u00e3o: O Estado existe de fato, pois busca um interesse comum universal, dei- xando de lado os interesses de classes ou de pequenos grupos. O Estado \u00e9 um aparelho conquistado por grupos ou classes para deles fazer uso como instrumento de hegemonia, para domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Inquieta muito nossa consci\u00eancia moral toda forma de pol\u00edtica ditatorial, totalit\u00e1ria e autorit\u00e1ria. Quem gosta de ser mandado de forma arbitr\u00e1ria? Quem, em livre consci\u00eancia, gosta de ser submetido a uma forma de incapacidade de escolha, de a\u00e7\u00e3o, de questiona- mento e mudan\u00e7a? O que est\u00e1 sustentando hoje as rela\u00e7\u00f5es internacionais? O que dizer deste problema moderno que enfrentamos e vivenciamos, que \u00e9 a mas- sifica\u00e7\u00e3o? Essa massifica\u00e7\u00e3o acontece nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, na vida social e fami- liar. As pessoas s\u00e3o induzidas cada vez mais a simplesmente aceitar as coisas, a serem indiferentes aos fatos, perdendo a capacidade de falar e de se expressar, perdendo, por isso, a voz e a vez. Nesse contexto, fil\u00f3sofos do nosso tempo falam de despolitiza\u00e7\u00e3o das massas, do desaparecimento ou da domina\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico. A cidadania e a sociedade tecnol\u00f3gica Hoje em dia, h\u00e1 uma invers\u00e3o dos valores morais, os quais s\u00e3o o fundamento da \u00e9tica. O progresso cient\u00edfico e tecnol\u00f3gi- co, r\u00e1pido, grande e intenso, fruto do trabalho humano, faz com que o indiv\u00edduo seja colocado em segundo plano. O trabalho alienado, fruto deste tempo, transforma o ho- mem em mais uma mercadoria, deixando de ser sujeito das situa\u00e7\u00f5es, perdendo sua \u201chumanidade\u201d. Por isso, em nossa so- ciedade capitalista, o dinheiro, a produ\u00e7\u00e3o, a posse e o consu- mo s\u00e3o valorizados em demasia, o ter \u00e9 o objetivo valorizado, em detrimento do ser. 72","A n\u00e3o valoriza\u00e7\u00e3o da pessoa leva \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do dinheiro, do lucro e do poder. \u00c9 comum, ent\u00e3o, a pergunta diante da a\u00e7\u00e3o do homem: \u201co que voc\u00ea vai ganhar com isso?\u201d S\u00f3 assim podemos entender alguns fatos que s\u00e3o not\u00edcias e, muitas vezes, s\u00e3o tratados com indiferen\u00e7a ou mesmo obt\u00e9m o consentimento de muitos: Corrup\u00e7\u00e3o e desvio de dinheiro do sistema previdenci\u00e1rio; Superfaturamento de obras p\u00fablicas, \u201ccaixa dois\u201d em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e empresas sonegadoras; Uso do cargo, do poder, em benef\u00edcio pr\u00f3prio e\/ou de grupo restrito; Desvios de verbas da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e moradia; Execu\u00e7\u00e3o de projetos mirabolantes em detrimento do aux\u00edlio \u00e0 parcela pobre da popula\u00e7\u00e3o; A Justi\u00e7a tendo dois pesos e duas medidas. A realidade est\u00e1 a\u00ed, mas isso n\u00e3o significa que ser\u00e1 sempre essa. Nossa capacida- de de escolher, portanto, nossa liberdade e responsabilidade \u00e9tica, tem uma finalidade maior. Como vimos: A finalidade da \u00e9tica \u00e9 nos fazer viver bem, ela \u00e9 a arte de escolher o que Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano mais nos conv\u00eam e viver do melhor modo poss\u00edvel. Ao colocarmos o ser humano no cen- tro, como valor fundamental, a ci\u00eancia e a tecnologia poder\u00e3o abrir espa\u00e7os, nos quais o homem ser\u00e1 autor de seu pensar e viver. Somos, portanto, convocados a ser- mos felizes. Podemos ficar esperando dos outros a solu\u00e7\u00e3o dos problemas, mas esta- remos delegando algo que \u00e9 essencial, que \u00e9 a nossa liberdade, a nossa possibilidade de escolha. Ao resolvermos ser os auto- res da nossa vida particular e da vida pol\u00ed- tica em geral, estamos adotando uma a\u00e7\u00e3o consciente e respons\u00e1vel nas escolhas \u00e9ti- cas, nos atos pol\u00edticos e, assim, construin- do-nos como verdadeiros cidad\u00e3os. 73","CONECTANDO COM O MUNDO \u00c9tica e a emancipa\u00e7\u00e3o humana Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a Dentro da filosofia, temos uma linha de inves- As defini\u00e7\u00f5es mais tiga\u00e7\u00e3o e estudos chamada axiologia, a qual refe- comuns de axiologia re-se a reflex\u00f5es \u00e9ticas e est\u00e9ticas. Atualmente, s\u00e3o as seguintes: ramo a discuss\u00e3o sobre valores, de um lado, vem ga- da filosofia que estuda nhando mais relev\u00e2ncia devido aos avan\u00e7os do os valores; a ci\u00eancia dos progresso tecnol\u00f3gico e, por outro lado, caminha valores; o padr\u00e3o do- em um sentido quase inverso \u00e0s capacidades minante de valores em humanas de garantir um sentido \u00e9tico, est\u00e9tico e determinada sociedade. emancipat\u00f3rio para a vida em coletividade. Etimologicamente, sig- nifica \u201cteoria do valor\u201d, A sociedade est\u00e1 cada vez mais globalizada \u201cestudo do valor\u201d ou e tecnologicamente avan\u00e7ada, mas a maioria da popula\u00e7\u00e3o vive submetida a processos de ex- \u201cci\u00eancia do valor\u201d. clus\u00e3o e viol\u00eancia sem precedentes. Existe uma \u00e9tica que atende muito mais aos interesses do \u201cAutonomia\u201d vem do grego mercado do que \u00e0s necessidades das pessoas. auto, que significa: \u201co Tem-se o desenvolvimento das ci\u00eancias e, ao mesmo tempo, a banaliza\u00e7\u00e3o da vida e a desuma- mesmo\u201d, \u201cele mesmo\u201d e niza\u00e7\u00e3o do ser. \u201cpor si mesmo\u201d. \u201cNomos\u201d, Participar da sociedade no mundo globaliza- por sua vez, significa: do \u00e9 adquirir uma consci\u00eancia \u00e9tica orientada por \u201ccompartilhamento\u201d, \u201clei princ\u00edpios axiol\u00f3gicos. Isso implica fazer constan- do compartilhar\u201d, \u201cinstitui- temente uma reflex\u00e3o e uma investiga\u00e7\u00e3o \u00e9tica \u00e7\u00e3o\u201d, \u201cuso\u201d, \u201clei\u201d, \u201ccon- e pol\u00edtica, que d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es ao indiv\u00edduo de ser ven\u00e7\u00e3o\u201d. Nesse sentido, consciente de si e dos outros, reconhecendo a \u201cautonomia\u201d significa pro- exist\u00eancia dos outros como sujeitos \u00e9ticos iguais, priamente a compet\u00eancia dotados de vontade, isto \u00e9, de capacidade para humana de \u201cdar-se suas controlar e orientar desejos, impulsos, tend\u00ean- cias, sentimentos, escolhas e decis\u00f5es entre v\u00e1- pr\u00f3prias leis\u201d. rias alternativas. Nessa sociedade e no mundo globalizado, ser \u00e9tico \u00e9 reconhecer-se como autor das a\u00e7\u00f5es, ca- paz de avaliar os efeitos e as consequ\u00eancias so- bre si e os outros, respondendo por elas. Portan- to, ser livre, capaz de entender os sentimentos, as atitudes e a\u00e7\u00f5es e n\u00e3o estar submetido a poderes externos (coa\u00e7\u00f5es) que forcem ou constranjam nosso sentir, decidir, querer e fazer qualquer coi- sa. Em outras palavras, ser \u00e9tico \u00e9 ser aut\u00f4nomo. Ser aut\u00f4nomo \u00e9 ser emancipado. 74","LINKS COM OUTRAS DISCIPLINAS No livro digital, Links com outras L\u00edngua Portuguesa \u2013 Atualidades \u2013 Reda\u00e7\u00e3o \u2013 Hist\u00f3ria disciplinas: fa\u00e7a outras rela\u00e7\u00f5es. 1. Vamos entrevistar pessoas que trabalham com inform\u00e1tica e dependem dela para viver. Como seria o mundo caso toda tecnologia terminasse hoje? Organize outras per- guntas e procure, junto com os entrevistados, encontrar alternativas. 2. Na disciplina de L\u00edngua Portuguesa, cada aluno ir\u00e1 produzir um texto tendo por base a pergunta: \u201co que \u00e9 \u00e9tica no relacionamento familiar?\u201d. Os melhores textos ser\u00e3o enviados ao endere\u00e7o [email protected] e divulgados em escolas pelo pa\u00eds. 3. Sobre a defesa de uma \u00e9tica emancipat\u00f3ria, voc\u00ea, v\u00e1rias vezes, voc\u00ea leu sobre globali- za\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 globaliza\u00e7\u00e3o? Vamos assistir ao v\u00eddeo Os dois lados No livro digital, em V\u00eddeos: da globaliza\u00e7\u00e3o. assista Os dois lados da globaliza\u00e7\u00e3o. SENDO PROTAGONISTAS Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano Emancipa\u00e7\u00e3o pelos valores: axiologia Objetivo: Colocar os alunos em contato com seus pr\u00f3prios valores, levando cada um 75 a refletir sobre o que considera mais importante em sua vida. Material necess\u00e1rio: Quadro-negro, giz, papel of\u00edcio, canetas. Descri\u00e7\u00e3o: A partir dos exemplos, a turma dever\u00e1 pensar outras situa\u00e7\u00f5es e escrev\u00ea- -las no quadro, informando o valor subentendido. Frases e exemplos que expressem uma atitude diante da vida ou um valor: Ir a uma festa; Sair com o(a) namorado(a); Cuidar da irm\u00e3 ca\u00e7ula (ou irm\u00e3o); Almo\u00e7ar em fam\u00edlia; Ir visitar parentes; Sair com amigos; Estudar para uma prova; Assistir a sua s\u00e9rie favorita; Ir ao ponto de encontro dos amigos; Fazer o trabalho da escola.","Exemplos: No livro digital, em Pesquisas: Para ir a uma festa, Carlos n\u00e3o hesitou em gastar ver os encaminha- as economias que tinha para comprar uma cal\u00e7a nova mentos da ativida- (valor subentendido: a import\u00e2ncia do ter). de proposta. Stefane ofereceu-se para cuidar da irm\u00e3 ca\u00e7ula para sua m\u00e3e ir ao supermercado, mesmo tendo que adiar o encontro com o namorado (valor subtentedido: solidariedade, o que \u00e9 mais importante para todos). DESAFIO AOS PROTAGONISTAS: PENSANDO NO PROJETO DE VIDA A atividade dos alunos do 8o ano \u00e9 a de s\u00edntese de todo cap\u00edtulo, pois implica em decidir, ter responsabilidade, fazer escolhas e agir. Trata-se de uma atividade que leva ao conhecimento de si e do grupo, portanto, toda a turma dever\u00e1 pensar uma forma concreta de espalhar essa ideia por toda escola neste final de ano. Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a 76","PENSANDO \u201cFORA DA CAIXA\u201d Theodor Adorno (1903-1969) Em 1920, ingressou na Universidade de Frankfurt, PDeenixsoouum\u201cfaorrcaadsa?cEavixoac\u201d\u00ea?? onde estudou Filosofia, Musicologia, Psicologia e So- ciologia, formando-se em 1924. Nesse ano, ele e seus Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano colegas fundaram o Instituto de Pesquisas Sociais, mais tarde conhecido como Escola de Frankfurt. A express\u00e3o ind\u00fastria cultural, atribu\u00edda a Adorno e seus colegas da Escola de Frankfurt, diz respeito \u00e0 onipresente e maliciosa m\u00e1quina de entretenimen- tos que est\u00e1 sob controle das grandes corpora\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas. Ela \u00e9 capaz de instigar desejos profundos nas mentes, levando-as a se esquecerem do que re- almente precisam. Este fator de aliena\u00e7\u00e3o est\u00e1 totalmente embasa- do na racionalidade da t\u00e9cnica, posto que o progres- so t\u00e9cnico e cient\u00edfico foi apropriado pela ind\u00fastria cultural. Com isso, para alguns estudiosos, a ind\u00fastria cultural incapacita os indiv\u00edduos, os quais deixam de serem aut\u00f4nomos e capazes de decidirem cons- cientemente. LENDO PARA SABER MAIS Teoria est\u00e9tica Em uma obra que ficou inacabada, o autor prop\u00f5e a quest\u00e3o do status da arte moderna: ela n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia, nem em si mesma, nem em seu direito \u00e0 exist\u00eancia, nem em sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade. A amplia\u00e7\u00e3o das possibilidades de cria\u00e7\u00e3o provoca, de modo inverso, um estreitamento de seus efetios sobre as obras. A irrup\u00e7\u00e3o do \u201cnovo\u201d em arte apagou at\u00e9 a no\u00e7\u00e3o mesma de tradi\u00e7\u00e3o. A arte moderna \u00e9 feita \u00e0 imagem da ru\u00edna: exprime um desamparo cujo arqu\u00e9tipo \u00e9 Timbaud, que acabou por aban- donar a escrita. A emancipa\u00e7\u00e3o da arte teria minado as condi\u00e7\u00f5es de possi- bilidade de cria\u00e7\u00e3o? O autor constata, outrossim, que a arte moderna se identifica com a sociedade de consumo do Ocidente capitalista, mas para opor-se a ela. Sua fun\u00e7\u00e3o original \u00e9, pois, questionada: outrora, a obra de arte prometia um mundo melhor. 77","Essa inten\u00e7\u00e3o objetiva era e continua sendo, teoricamente, o \u201cconte\u00fado da verdade\u201d da obra, que pode ser trazido \u00e0 tona pela reflex\u00e3o filos\u00f3fica (pois, ao se desenvolver, o conte\u00fado torna-se conceito filos\u00f3fico). Assim, o conte\u00fado da verdade luta contra o sofri- mento e a morte, veiculando, desse modo, a promessa de um outro mundo. Todavia, a arte moderna esqueceu-se do sofrimento; n\u00e3o cumpriu a promessa. N\u00e3o estar\u00e1 ela por acaso assinando a senten\u00e7a de morte da pr\u00f3pria arte? Adorno \u00e9 defensor de uma est\u00e9tica do ju\u00edzo de No livro digital, valor, que seria o crit\u00e9rio de compreens\u00e3o da arte. Na em Pesquisas: leia constitui\u00e7\u00e3o de sua concep\u00e7\u00e3o de est\u00e9tica, Adorno entra em di\u00e1logo, principalmente, com Kierkegaard, Teoria est\u00e9tica. Kant, Hegel e com a psican\u00e1lise. Teoria est\u00e9tica ilus- tra o mal-estar de toda uma \u00e9poca diante de uma arte que subverte at\u00e9 seus pressupostos, e as ques- t\u00f5es levantadas pelo autor ainda hoje n\u00e3o deixaram de ser atuais. Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a Avalia\u00e7\u00e3o da DE OLHO NO SEU FUTURO Unidade 3 No livro digital, No livro digital, em Projeto de Vida: em Resumo com pesquise como esse o Autor: assista \u00e0 conte\u00fado pode ser s\u00edntese dos princi- \u00fatil em sua escolha pais conte\u00fados da Unidade 3 e fa\u00e7a profissional. a Avalia\u00e7\u00e3o. 78","AVALIANDO MINHA CAMINHADA AFINAL, SOU UM SER PENSANTE \u2013 SOU ALUNO DO 8O ANO Nota \u2013 Voc\u00ea ir\u00e1, com crit\u00e9rio e coer\u00eancia, estipular um valor num\u00e9rico: \t Bom: 5 ou 6;\t\t \u00d3timo: 7 ou 8;\t\t Excelente: 9 e 10. AUTOAVALIA\u00c7\u00c3O 1o semestre 2o semestre 1. Minha nota como participante da turma, Aprendendo a Viver Juntos \/ 8o ano pelo cuidado que tenho com meus perten- ces e com os objetos da sala e da escola. 2. Minha nota como membro do 8o ano, na qual aprendo a lidar com as minhas fraque- zas e for\u00e7as e com as fraquezas e for\u00e7as de meus colegas. 3. Minha nota sobre o relacionamento com os professores de todas as mat\u00e9rias, os quais s\u00e3o profissionais que escolheram trabalhar com adolescentes e jovens. 4. Minha nota sobre o relacionamento com os funcion\u00e1rios e demais respons\u00e1veis pelo andamento da escola, os quais traba- lham muito para que a escola cres\u00e7a. 5. Minha nota sobre as atitudes durante as aulas, frente ao conhecimento comparti- lhado com os outros nas investiga\u00e7\u00f5es em sala ou em qualquer lugar. Nota do(a) professor(a) pela participa\u00e7\u00e3o nas aulas. Minha nota para a minha turma, a cada se- mestre.","1o semestre \u2212 Justificativa: 2o semestre \u2212 Justificativa: CRIT\u00c9RIOS PARA AUTOAVALIA\u00c7\u00c3O Semestre Nota Cole\u00e7\u00e3o O In\u00edcio de uma Mudan\u00e7a Os outros melhoram, e isso acontece tamb\u00e9m por causa do 1o meu incentivo; percebo cada vez mais que sou respons\u00e1vel 2o pelo bem comum. 1o Cres\u00e7o a cada dia, mas sei que sou capaz e posso melho- 2o rar muito mais. Acomodando-me aqui, estarei mentindo para mim mesmo. 1o 2o Percebi que n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil mudar aquilo que, em mim, prejudica os outros; de minha parte, tenho ficado muito contente com 1o minhas melhoras. 2o Estou naquela de deixar para amanh\u00e3 o que posso mudar 1o hoje; tenho que reconhecer que estou escondendo minhas 2o capacidades. 1o Estou naquela situa\u00e7\u00e3o: se n\u00e3o largar os amigos e as ideias 2o ego\u00edstas que tenho, nunca vir\u00e3o as ideias e os amigos novos; tenho que ousar mudar. Preciso de uma boa conversa com algu\u00e9m maduro; meu or- gulho me enganou, pois pensei que poderia viver sem a aju- da de ningu\u00e9m. 80"]


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