Diálogo Concreto virtualidades ópticasK azmer Fejer Lothar Charoux
Diálogo concreto – Kazmer Fejer e Lothar Charoux: virtualidades ópticas João J. Spinelli Os europeus Kazmer Fejer e Lothar Charoux, no Brasil – país Novos museus como o MASP (Museu de Arte de São Paulo) que escolheram para morar e desenvolver suas carreiras artísti- em 1947 e os museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio cas, no início da década de 1950, ao lado dos também europeus de Janeiro empenharam-se em formar acervos e promover Anatol Wladislaw, Leopold Haar e dos brasileiros Geraldo de exposições temporárias, em especial a de Max Bill no MASP Barros, Luiz Sacilotto e do ítalo-brasileiro Waldemar Cordeiro – em 1950 e a organizada por Leon Degand, Do Figurativismo ao debateram os novos desígnios da arte e decidiram formar um Abstracionismo, para a inauguração do Museu de Arte Moderna grupo que mudaria a própria história das artes visuais no Brasil. de São Paulo. A criação da Bienal Internacional do Museu de Arte Além do construtivismo russo, reavaliam os pressupostos Moderna de São Paulo (1951) intensificou ainda mais o debate das vanguardas históricas da primeira metade do século XX, os e o desenvolvimento de uma nova forma de pensar, ver e fazer princípios da Gestalt e da Escola Bauhaus que, em parte, fun- arte no país: a primeira Bienal divulgou novos talentos nacio- damentariam não apenas as obras desses artistas mas, anos nais ao lado dos mais importantes artistas plásticos europeus, depois, a arte do Brasil, um país em fase de transformação social, asiáticos, latinos e norte-americanos: Max Bill, Pablo Picasso, política e econômica1. René Magritte, Alexander Calder, Jackson Pollock, Fernand Léger, Apesar de se apresentarem como grupo, cada um dos parti- Edward Hopper, Lúcio Fontana, Giorgio Morandi e entre outros cipantes desenvolveu um projeto distinto, particular, próprio a Alberto Giacometti e Torres Garcia. cada um. A não estruturação de um único modelo e/ou estilo Paralelamente Kazmer Fejer, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, fortaleceu não apenas a obra de cada artista, mas a produção Anatol Wladislaw e Waldemar Cordeiro, que também tinham estética de todo o grupo que tinha como metas principais: eli- sido selecionados para a I Bienal de São Paulo, junto com Leopold minar a subjetividade, subtrair todos os elementos ornamentais, Haar e Geraldo de Barros redimensionaram não apenas as suas ressaltar não somente os procedimentos técnicos essenciais, próprias idealizações plásticas, mas entenderam que era chega- reforçar o distanciamento de uma arte intimista e extinguir to- do o momento de romper, em definitivo, com o convencionalismo dos os traços de individualismo para encontrar uma linguagem estético reinante no Brasil. Assim se organizam em um grupo universal capaz de integrar diferentes linguagens artísticas. conhecido posteriormente como Ruptura. Discutiram também as propostas de Theo van Doesburg que No dia 9 de dezembro de 1952 – durante a inauguração da afirmava “que o ser humano e a natureza são reais, mas quando primeira exposição do grupo realizada no Museu de Arte Moder- representados pela arte são especulações ilusórias, enquanto um na de São Paulo – manifestaram-se de forma contundente por plano é sempre um plano, uma linha é sempre uma linha, nada intermédio do Manifesto Ruptura, contra os artistas “que criam mais, nada menos”. Doesburg ainda asseverava: “Nada é mais formas novas de princípios velhos”, em defesa dos artistas que real que uma linha, uma cor, uma superfície”. “criam formas novas de princípios novos”. Para eles os princípios Outras propostas foram importantes para o conhecimento dos novos seriam “todas as experiências que tendem à renovação deste grupo, como as da associação Abstração-Criação que dos valores essenciais da arte visual: espaço e tempo, movimento justificava: “Abstração, porque certos artistas chegaram à con- e matéria”. Em seguida o manifesto afirma: “Arte moderna não é cepção de não figuração pela abstração progressiva de formas da ignorância. Nós somos contra a ignorância”3. Esse manifesto seria natureza. Criação, porque outros artistas atingiram diretamente assinalado, historicamente, como referência inicial do concretis- a não figuração por intermédio de uma concepção de ordem mo no Brasil. Questionaram assim a arte produzida naquela época puramente geométrica ou do emprego exclusivo de elementos e entenderam que as artes visuais não poderiam mais se limitar comumente chamados de abstratos tais como: círculos, planos, apenas ao uso das técnicas convencionais da pintura, da gravura 2 linhas, etc.”2 e da escultura. Dessa forma, aproximaram-se plasticamente das
relações constantes das Leis de Estrutura enunciadas por Max Kazmer Fejer – diálogo concreto: Bill: “o alinhamento, o ritmo, a progressão, a regularidade e a virtualidades tridimensionais lógica interna de desenvolvimento e construção de uma obra de arte reforçaram ainda mais os ideais defendidos pelos inte- O pintor e escultor Kazmer grantes do Grupo Ruptura” 4. Fejer nasceu no dia 30 de Em 1955, Hermelindo Fiaminghi e Judith Lauand foram con- vidados para participar do grupo: Judith foi a primeira e única agosto de 1923 em Pecs, Hun- mulher a integrar e atuar ativamente no Ruptura5 e assim o con- ceito já defendido por Theo van Doesburg – “em arte nada é mais gria. Familiarizado com a arte real que uma linha, uma cor, uma superfície” – foi ainda mais dinamizado. Neste novo momento reativaram o pensamento de desde muito cedo, vivenciou-a Platão que acreditava que “a essência da realidade é a eternidade das formas geométricas e das relações numéricas em contraste ao lado da sua mãe, fotógrafa com a transitoriedade das coisas materiais”. Platão desenvolveu a teoria das formas ideais, consideradas por ele como as formas e escultora, e do seu irmão mais perfeitas do universo, em especial os poliedros regulares: tetraedro, hexaedro, octaedro, dodecaedro e o icosaedro 6. mais velho, Tamàs Fejer, que Essas reflexões foram complementadas com as afirmações escolheu o cinema como sua do também filósofo Immanuel Kant, “a forma é a essência do conteúdo”, e do artista plástico Wassily Kandinsky, “ toda for- Kazmer Fejer, década de 1960 forma principal de expressão.7 ma tem um conteúdo nela mesma”. Por isso os concretistas Em Budapeste cursou a Acade- paulistas do Grupo Ruptura decidiram como meta principal suprimir todo e qualquer vestígio subjetivo ou ornamental, mia Nacional de Belas Artes e paralelamente estudou Química ressaltar somente os procedimentos construtivos essenciais desvinculando-se assim da representação do mundo visível à Industrial. Entusiasta, o ainda estudante de Belas Artes interes- procura de uma arte autônoma que possibilitasse ver, sentir e criar composições estéticas isentas da realidade figurativa sou-se pelas novas propostas artísticas européias. ou de interpretações literais, prosaicas, enfatizando somente a realidade concreta da forma, da cor, da luz e do espaço inde- Após um período inicial (relativamente curto), ainda estudan- pendentes de configurações simbólicas e ou de representações figurativas, apenas a forma pura. te de artes plásticas, e em plena II Guerra Mundial, aproximou-se Por isso sempre pesquisaram novas possibilidades formais do movimento expressionista. Nem poderia ser diferente para lineares ou tridimensionais, investigações plásticas que tinham como marco a objetividade e a inteligibilidade, para eles só aquele momento de terror da humanidade. Em 1946 foi um dos encontrada por meio da matemática e da geometria. A postura antinaturalista dos artistas do Ruptura e a sua ferrenha oposição fundadores da filial de Budapeste de uma associação de arte de ao convencionalismo estético reinante foram agora ainda mais confrontados. vanguarda conhecida como International ArtClub. O teor tecnicista, a utilização de formas geométricas e o uso Após uma breve estadia na França, além de se relacionar com racional de processos mecanicistas na arte não foram aceitos ou assimilados de imediato, inclusive por alguns críticos de arte de artistas plásticos modernistas, expõe em 1946 num dos mais então. Porém, nada intimidava os integrantes do Grupo Ruptura pois, seguindo o pensamento do poeta Wladimir Maiakovski, respeitados salões de arte da época: Salon Réalités Nouvelles de acreditavam também que “não há arte revolucionária sem forma revolucionária”. Paris. Em 1947 participou de mostra organizada pelo ArtClub em No entanto hoje, décadas depois, o movimento Concretista é Viena, na Áustria, e em 1948 da exposição do ArtClub em Turim, considerado um marco importante para muitos historiadores e críticos de arte, pois o Concretismo e a Semana de Arte Moder- na Itália. Por intermédio dessa associação conheceu o ítalo-bra- na de 1922 configuram-se como os dois principais momentos transformadores das artes visuais brasileiras do século XX. sileiro Waldemar Cordeiro que o convidaria a expor no Brasil. Em 1948, transfere-se para a América do Sul, onde reside tem- porariamente em Montevidéu, Uruguai. Lá, além de participar da exposição ARTE BELA, aproxima-se e mantém laços de amizade com Torres Garcia, o mais importante artista plástico uruguaio. Em seguida solicita no Consulado do Brasil em Montevidéu um visto de entrada para o nosso país. Em 1949, viaja para São Paulo onde se estabelece, fixa residência e trabalha como químico industrial em cerâmica e material plástico. Aqui desenvolve mudanças estéticas funda- mentais para sua obra. Em seguida direciona progressivamente sua produção profissional para uma pintura não figurativa, abstracionista e cada vez mais geometrizada, sendo uma des- sas obras selecionada para participar da I Bienal Internacional de São Paulo. Para Peter Fejer, filho do artista, o pai, “originário da cidade de Pecs, na Hungria, resolveu deixar seu país natal porque tinha sido miseravelmente destruído pela guerra e era controlado por idealistas cegos. Queria tentar a vida no ‘país do futuro’. Tal como milhares de imigrantes daquela década, empenhou-se ardua- mente em construir o seu futuro na cidade de São Paulo (...)”8. 3
A pintura de cavalete abstrata foi progressivamente subs- Fejer estudou na Academia de Belas Artes de Budapeste tituída pela escultura e por uma nova forma de pensar arte, (atual Universidade Húngara de Artes), considerada um dos agora aliada intrinsecamente à ciência e à tecnologia. Este novo principais centros de pesquisa em arte da Europa. Nessa escola momento de Fejer dá início aos seus tridimensionais que mar- além das aulas teóricas de História de Arte e Estética desenvolveu cariam em definitivo a sua contribuição para a arte brasileira. É um aprendizado exemplar nas técnicas de composição, criação e co-fundador do Grupo Ruptura. Expõe em 1952 no MAM SP e no fazer e pensar a arte. Esses estudos e debates em Budapeste assina o Manifesto Ruptura. Participa da 1ª Exposição Nacional foram significativos para propiciar, ao lado de Waldemar Cordeiro de Arte Concreta (junto com os artistas do Grupo Frente do Rio e outros membros do Ruptura, subsídios teóricos que funda- de Janeiro), em 1956, no MAM SP e, em 1957, no Rio de Janeiro. mentariam a declaração pública do Manifesto Ruptura, em 1952. Em 1960 participa na Suíça, em Zurique, da Koncrete Kunst. Em Kazmer Fejer entendeu, depois de uma carreira artística como 1963 é um dos fundadores da Associação de Artes Visuais e Novas pintor, que a arte deveria desprender-se das técnicas conven- Tendências em São Paulo. cionais e servir-se também de materiais e meios industriais de Em 1970, voltou a residir na Europa, segundo o historiador produção, os únicos que poderiam na década de 1950 situá-la Walter Zanini, “onde exerceu sua profissão de químico e deu adequadamente à vida moderna, uma forma mais objetiva e sequência a sua produção estética”. Em depoimento, Peter Fejer, eficiente de se estar no mundo e de se posicionar no tempo/ filho do artista, relatou que seu pai se transferiu primeiramente espaço como artista e cidadão na modernidade. para a Alemanha, em Hainburg (próximo a Frankfurt) e em 1976, Este artista não pode ser considerado apenas um excelente tornou-se detentor de uma patente mundial de um sistema de e inovador escultor. O seu projeto artístico tridimensional deve coloração de plástico. Em 1979 fixou residência em Paris até ser entendido e estudado como um capítulo independente da por volta de 1985. Neste mesmo ano mudou-se para Sesimbra, história da escultura realizada no Brasil. A investigação sobre a cidadezinha próxima de Lisboa onde faleceu em 1989 9. presença dos volumes cheios e dos vazios, pressupostos como fundamentais para a escultura de todos os tempos, foi reformu- lada por Fejer. Suas obras não apenas questionam esses requisi- tos, subverte-os. Em depoimento, o artista afirmou: “a escultura clássica tinha como ponto de partida o volume”. Ele, porém, tinha como objetivo criar formas especiais sem volume ou pelo menos independentes de volume. Assim, o interior da obra deixa de ser apenas o vazio. Recria-o e transforma-o em elemento determi- nante de seus tridimensionais, redimensionando assim o próprio oficio e a fatura técnica escultural, que é transfigurada, segundo o poeta Augusto de Campos, como “labirintos de criação”. O uso de planos recortados, transparentes, de plexiglass inse- ridos nos interiores de suas obras foram previamente pensados, desenhados e estruturados geométrica e matematicamente de uma forma eloquente para a época que ainda não contava com os recursos tecnológicos facilitados atualmente pelo uso crescente Da esquerda para direita Lothar Charoux, Geraldo de Barros, Kazmer Fejer e Waldemar Cordeiro. da computação na atual arte contemporânea. Em depoimento, Fejer explicou seu processo criativo: “pri- A pesquisa e a reflexão de proposições artísticas da primeira meiramente em papelão ou cartolina, eu idealizo os arranjos metade do século XX, defendidas por artistas de tendências dos elementos, e depois de analisados pormenorizadamente, abstratas e construtivas que priorizavam o exercício livre da realizo algumas modificações para que possam traduzir mi- criatividade no campo da não figuração fundamentaram a pro- nha idéia inicial, que só então é executada definitivamente dução plástica de Fejer. em plexiglass. A sequência dos elementos que vão integrar Fejer se entusiasmou muito cedo pelas propostas defendidas os arranjos são estudados e as passagens que permitem as pela Bauhaus e pelo manifesto de Theo van Doesburg, publicado diferenciações de cada placa são definidas por meio de cálcu- na Revista Arte Concreta, que propunha apoio à criação de uma los ou princípios de precisão matemática. Os elementos em si arte livre de toda e qualquer relação simbólica ou alegórica e não significam nada, mas uma vez instalados fazem surgir as isenta de representações figurais. Por ser bastante livre esse curvas e as movimentações virtuais que obedecem a ritmos manifesto despertou a adesão de diversas ramificações da arte previamente escolhidos, como por exemplo, em espiral. São não figurativa: neoplasticismo, expressionismo abstrato, abstra- os vértices e as arestas das placas que determinam no espaço 4 cionismo e entre outras, abstracionismo geométrico. estas sequências rítmicas”.
Fronteiras (publicado pela Universidade de Cambridge em 2019) a pesquisadora Pia Gottoscheller o incluiu com destaque no capítulo A Migração do Pensamento Concreto entre a América Latina e a Europa, onde sua obra é estudada ao lado da produção de Max Bill. Criativo, culto e irreverente, Kazmer Fejer afirmou: “não vou voltar ao expressionismo de onde vim, e não vou entrar no infor- malismo. Não procuro nem o dadá e não acredito em nenhum dos novos realismos. Não proclamo o fim do concretismo e não o chamo de histórico” 10. No entanto, ele jamais imaginaria que o movimento concretista, ao lado da semana de arte moderna de São Paulo em 1922, se transformariam historicamente nos dois mais importantes momentos da arte brasileira no século xx. Principais exposições Poema de Augusto de Campos em homenagem a Kazmer Fejer 1945 — Cinco Jovens Artistas, Budapeste, Hungria 5 1946 — Mostra do Art Club, Budapeste, Hungria As lâminas de plexiglass no interior de suas esculturas, quan- 1947 — Mostra do Art Club, Viena, Áustria do observadas pelo espectador, descrevem e revelam virtualmen- 1947 — Salon Realités Nouvelles, Paris, França te curvas e formas cinéticas que se modificam, transfiguram-se a 1948 — Mostra do Art Club, Turim, Itália cada instante pelo olhar atento do usufruidor de suas esculturas. 1948 — ARTE BELA, Montevidéu, Uruguai Para Walter Zanini a luz também faz parte da obra, pois “ao 1949 — Mostra, Art Club de São Paulo, São Paulo SP abater-se na matéria transparente ela provoca cintilações que 1951 — 1ª Bienal Internacional de São Paulo do Museu de Arte dinamizam ainda mais os efeitos visuais de suas criações”. Moderna de São Paulo. Pavilhão do Trianon, São Paulo SP 1951 — 1º Salão Paulista de Arte Moderna, São Paulo SP Em nenhum momento, os tridimensionais do artista procu- 1952 — 2º Salão Paulista de Arte Moderna, São Paulo SP ram expressar sentimentos ou induzir o espectador a interpre- 1954 — 3º Salão Paulista de Arte Moderna, São Paulo SP tações simbólicas. Construídos geométrica e matematicamente, 1956 — 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, no MAM SP, fundamentam-se em si mesmos, relacionam-se à ciência e à São Paulo SP tecnologia. O que não impede o usufruidor de suas obras, con- 1957 — 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, no MAM RJ, forme a posição e ângulo de observação de suas idealizações Rio de Janeiro RJ tridimensionais captar oscilações formais e se surpreender ao 1959 — Primeira Exposição de Artistas Brasileiros na Europa, experienciar sensações estéticas ópticas inimagináveis. Leverkusen, Kunsthaus, Munique, Alemanha 1959 — Mostra Concretista, Galeria de Arte das Folhas, Deslocamentos formais aparentemente simples e constru- São Paulo SP ções estruturadas assimetricamente manifestam o pensamento 1959 — Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, Galeria de singular e audaz desse artista. Entusiasta do uso da ciência, da Arte das Folhas, São Paulo SP matemática e da geometria na arte preconizada e exaltada pelo 1959 — Primeira Exposição de Artistas Brasileiros na Europa, construtivismo, suas obras o encaminharam a pesquisar as virtu- Viena, Áustria alidades e ambiguidades geométricas pluridimensionais. E assim, 1960 — Primeira Exposição de Artistas Brasileiros na Europa, alcançar por meio de um vigor geométrico a transmissibilidade Hamburgo, Alemanha de comunicação universal. 1960 — Primeira Exposição de Artistas Brasileiros na Europa, Lisboa, Portugal Sem qualquer tipo de transcendências e ou sentimentalismo, Fe- 1960 — Primeira Exposição de Artistas Brasileiros na Europa, jer, da mesma forma que o escultor Naun Gabo, entendeu que a arte Madri, Espanha “antes de tudo, é uma atividade criadora da consciência humana”. 1960 — Primeira Exposição de Artistas Brasileiros na Europa, Paris, França Além de participar de exposições e de possuir obras em 1960 — Exposição de Arte Concreta, MAM RJ, Rio de Janeiro RJ importantes coleções e museus, inclusive no MoMA de Nova 1960 — Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, Galeria de York, Kazmer Fejer recebeu nos últimos anos elogios e estudos Arte das Folhas, São Paulo SP particularizados de historiadores e pesquisadores das principais universidades do Brasil e do exterior. No livro Ideias cruzando
1960 — Primeira Exposição de Artistas Brasileiros na Europa, Lothar Charoux – diálogo concreto: Utrecht, Holanda virtualidades bidimensionais 1960 — Konkrete Kunst, Helmhaus, Zurique, Suíça 1963 — Coletiva inaugural, Galeria NT Novas Tendências, São Lothar Charoux nasceu em Viena, Áustria, em 5 de fevereiro de Paulo SP 1912. No início, ainda adolescente, em sua cidade natal, entusias- 1966 — Seis Pesquisadores da Arte Visual, Museu de Arte mou-se pelas artes visuais e lá desenvolveu o seu aprendizado Contemporânea de Campinas, MACC, Campinas SP artístico com seu tio, o escultor Siegfried Charoux 11. Em novem- 1966 — Seis Pesquisadores da Arte Visual, Museu de Arte bro de 1928, com apenas 16 anos, transferiu-se para o Brasil e, Contemporânea da Universidade de São Paulo, MAC USP, conforme entrevista dada pelo artista em 19 de março de 1948, São Paulo SP explicou que veio “um pouco por acaso. Minha mãe era auxiliar 1967 — Seis Pesquisadores da Arte Visual, Museu de Arte de figurino de uma companhia teatral austríaca que nos anos Moderna, MAM RJ, Rio de Janeiro RJ 1920 excursionou pelo Brasil, especialmente em Santa Catari- 1977 — Projeto Construtivo Brasileiro na Arte: 1950-1962, na. Um dia, em Viena, recebi uma carta de minha mãe que me Museu de Arte Moderna, MAM RJ, Rio de Janeiro RJ convidava a conhecer o Brasil. Imediatamente arrumei as malas, 1977 — Projeto Construtivo Brasileiro na Arte: 1950-1962, peguei um navio e aqui estou”.12 Pinacoteca do Estado, São Paulo SP 1987 — 1ª Abstração Geométrica: concretismo e Depois de viver e trabalhar no interior do estado de São Paulo neoconcretismo, Funarte, Centro de Artes, Rio de Janeiro RJ fixou residência na capital paulista. Aqui foi vendedor (“de um 1987 — 1ª Abstração Geométrica: concretismo e mundo de coisas, nem me lembro mais”) até ser contratado pela neoconcretismo, Museu de Arte Brasileira, MAB Faap, tecelagem Guterman do Brasil como simples auxiliar. São Paulo SP No Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, Lothar Charoux co- nheceu Waldemar da Costa que o iniciou na técnica de pintura Exposições póstumas e, antes mesmo de concluir este curso, por se destacar como um aluno exemplar, foi convidado para ser professor, onde lecionou 1996 — Desexp(l)os(ign)ição, Casa das Rosas, São Paulo SP por alguns semestres, porém sem abandonar o seu emprego 2001 — Trajetória da Luz na Arte Brasileira, Itaú Cultural, fixo na tecelagem13. São Paulo SP 2002 — Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, Paço A princípio, como expressionista – fase que não demorou Imperial, Rio de Janeiro RJ muito tempo – sua obra foi se transformando até chegar ao 2002 — Grupo Ruptura: revisitando a exposição inaugural, abstracionismo para em seguida iniciar a fase de geometrização Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo SP que foi alcançada pelo artista por meio da simplificação formal 2006 — Concreta ‘56: a raiz da forma, Museu de Arte Moderna, e colorística que caracterizaria sua obra até o fim de sua vida. São Paulo SP 2010 — Brasília e o Construtivismo, Centro Cultural Banco do Devotado e incansável, participou a partir de 1942 e até a Brasil, CCBB, Brasília DF sua morte em 1987 de um número significativo de exposições 2012 — Geometria da Transformação, Museu Nacional de individuais, coletivas, salões de arte e das bienais de São Paulo. Brasília, Brasília DF Até os anos 1970 participar como artista e ser selecionado por 2013 – Vontade Construtiva na Coleção Fadel, Museu de Arte críticos de arte exigentes dessas mostras de arte eram as únicas do Rio, MAR, Rio de Janeiro RJ formas de um artista ser reconhecido e assim iniciar uma car- 2017 — Grupo Ruptura, Galeria Luciana Brito, Nova York reira profissional respeitada pelos críticos, galeristas, museus e 2018 — Homenagem a Kazmer Fejer – Retrospectiva colecionadores de arte. Fotográfica, Grand Poetry Prize Jannus Pannoius, Pecs, Hungria 2018/19 — Ruptura - New York Project, Galeria Luciana Brito, Para participar dessas mostras Charoux nunca parou de São Paulo SP pesquisar, sempre à procura de novas formas e de aperfeiçoa- 2019/2020 — Sur Moderno: Journey of Abstration, Coleção mento técnico, que lhe permitiram atingir no fim de sua vida Patricia Phelps Cisneiros, MoMA, Nova York, EUA a plenitude da síntese formal, só alcançada por poucos e raros 2020 — Diálogo Concreto – Kazmer Fejer e Lothar Charoux: artistas plásticos, não só do Brasil. Para o crítico Olívio Tavares de virtualidades ópticas, Galeria Berenice Arvani, São Paulo SP Araújo, Lothar Charoux contou: “quando consegui realizar uma obra com um único traço, fiquei alucinado”. O domínio técnico e formal de Lothar Charoux foi iniciado ainda no curso de Desenho Geométrico do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Lá aprendeu com maestria o uso de seu instrumental básico: régua, compasso, tira-linhas e transferidor que ele jamais imaginou que seria fundamental para a sua fase 6 concretista, diferencial que se transformou em marca pessoal.
Disciplinado artisticamente, Charoux só executava uma Cinética e da Op Art, mais ce- obra após realizar estudos preliminares, que eram revistos e ou repensados até serem considerados ideais para serem definiti- rebrais, próximas da ciência vamente transferidos sem restrições para o desenho ou para a pintura. Exigente formal e tecnicamente, não se importava de e da geometria: reformula- cada vez mais aumentar o número desses exercícios/croquis para só então concretizá-los. ções geométricas e lineares Com o passar do tempo Charoux acreditou que “em arte me- que lhe permitiram criar nos é mais” e isso aumentou ainda mais a sua responsabilidade como criador. Assim, progressivamente, acercou-se esteticamen- ou apresentar estruturas te de valores construtivistas já discutidos e repensados ao lado dos membros do Grupo Ruptura que solidificariam ainda mais as compositivas que interagem suas relações com as proposições dos movimentos de vanguarda fundamentais para o entendimento da arte do século XX. umas com as outras, que po- Segundo Walter Zanini “a participação de Charoux no Grupo dem produzir efeitos virtu- Ruptura contribuiu significativamente para a maturidade do próprio grupo”. ais, ópticos, procedimentos Independente, ampliou seu repertório técnico e formal crian- técnicos visuais paralelos do um estilo pessoal que o caracteriza e o diferencia de maneira singular. Com o passar do tempo desenvolveu elementos gráficos aos efeitos tridimensionais e ou pictóricos que encaminharam a sua produção estética, com antecedência, às questões formais do Minimalismo, da Arte alcançados por Kazmer Fejer. Manifesto Ruptura As listas e ou as tramas que se repetem em suas obras devido à relação cro- mática e a organização se- quencial criam sensações rítmicas que vibram a olho nu. Além do uso das cores básicas sem misturas colo- rísticas, Charoux idealizou apenas com o preto e o Lothar Charoux, década de 1970 branco um número de obras singulares: linhas brancas sobre fundo preto e vice versa linhas pretas sobre fundo branco que permitem pela perceptibilidade do espectador alcançar uma ilusão virtual de movimentos que persistem fisicamente na retina por uma fração temporal mí- nima, mas podem perdurar de forma emocionante na memória afetiva do usufruidor de suas obras. Os principais críticos de arte, em sua maioria, sempre se po- sicionaram afirmativamente sobre a obra do artista: Frederico de Morais afirmou que Lothar Charoux é “absolutamente fiel às questões formais lançadas nos anos 1950 em seu sentido concreto. Desde aquela época vem criando espaços virtuais em que a forma se completa gestalticamente no olho do especta- dor. Emprega linhas que se organizam simetricamente, e sobre suportes verticais organizam o ritmo visual criado pela relação entre as diferentes densidades lineares e a cor única que serve de fundo” 14. Posteriormente, Mário Pedrosa reafirmou: “o de- senho de Charoux é uma pesquisa ardente de precisão e objeti- vidade (...) todas estas gestalts ou idéias novas, ou pelo menos características do nosso tempo são indispensáveis ao seu viver, portanto à sua organização sensorial e ao fim das contas, a sua sensibilidade. O seu desenho em preto e branco se funda numa figuração nova”15, geométrica e incomum. O conjunto da obra de Lothar Charoux pode ser classificado em duas fases distintas. A primeira pode ser separada em dois momentos: a do equilíbrio restabelecido (como ele próprio o nomeou), na qual com apenas traços procura o equilíbrio entre linhas oblíquas/diagonais; o outro momento marca a série 7
concretista dos Quadrados Sobrepostos. A segunda fase registra 1972 — Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, Galeria Collectio, a sua produção posterior a essas séries e pode ser considerada São Paulo SP como exclusiva de Charoux, marcando em definitivo a sua car- 1972 — Mostra de Arte Sesquicentenário da Independência e reira artística, ímpar, vitoriosa. Parafraseando Mário Pedrosa: Brasil Plástica - 72, Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo SP “Lothar Charoux é antes de tudo um artista consciente e coerente. 1972 — Retrospectiva Waldemar da Costa: homenagem ao Nada do que ele faz é incoerente. Sua arte é feita de rigor, técnico mestre, MAM SP, São Paulo SP e de sutilezas gráficas e pictóricas”. 1974 — Retrospectiva, Museu de Arte Moderna, MAM SP, São Paulo SP Principais exposições 1976 — Individual, Centro Ítalo-Brasileiro, Milão, Itália 1977 —2ª Bienal Internacional de Desenho, Maldonado, Uruguai 1949 — 1ª Salão Baiano de Belas Artes, Hotel Bahia, primeiro 1977 — Projeto Construtivo Brasileiro na Arte: 1950-1962, prêmio e medalha de ouro, Salvador BA Pinacoteca do Estado, MAM RJ, Rio de Janeiro RJ 1951 – 1975 — Bienais Internacionais de São Paulo ( I, II, III, 1978 — 19 Pintores, MAM SP, São Paulo SP IV, V, VI, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV ), Fundação Bienal de São Paulo, 1978 — As Bienais e a Abstração: a década de 50, Museu Lasar São Paulo SP Segall, São Paulo SP 1952 — Grupo Ruptura, Museu de Arte Moderna, MAM SP, 1978 — Individual, Galeria Arte Global, São Paulo SP São Paulo SP 1979 — Individual, Galería K. Gugelmeier, Montevidéu, Uruguai 1952 – 1968 — Salões Paulista de Arte Moderna dos anos de 1982 — Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto 1952, 1961, 1962, 1964, 1966, 1968, São Paulo SP Chateaubriand, Barbican Art Gallery, Londres, Inglaterra 1956 — 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, MAM SP, São 1982 — Do Modernismo à Bienal, MAM SP, São Paulo SP Paulo SP 1984 — A Cor e o Desenho do Brasil, MAM SP, São Paulo SP 1957 — 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, MAM RJ, Rio 1984 — Coleção Gilberto Chateaubriand: retrato e de Janeiro RJ autorretrato da arte brasileira, MAM SP, São Paulo SP 1957 — Individual, Petite Galerie, Rio de Janeiro RJ 1987 — 1º Abstração Geométrica: concretismo e neoconcretismo, 1957 — 4ª Bienal de Tóquio, Tóquio, Japão Fundação Nacional de Arte, Centro de Artes, Rio de Janeiro RJ 1958 — Clark, Weissmann e Charoux, Galeria de Arte da Folha, 1987 - A Trama do Gosto: um outro olhar sobre o cotidiano, São Paulo SP Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo SP 1959 – 1960 — Participa da Exposição de Artistas Brasileiros na Europa em Leverkusen, Munique, Hamburgo, Alemanha; Exposições póstumas Viena, Áustria; Lisboa, Portugal; Madri, Espanha; Paris, França; Utrecht, Holanda 1991 — Construtivismo: arte cartaz 40/50/60, MAC USP, 1963 — Coletiva inaugural, Galeria Novas Tendências, São Paulo SP São Paulo SP 1992 — Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung, 1965 — Individual, Galeria Novas Tendências, São Paulo SP Kunsthaus, Zurique, Suíça 1966 — Seis Pesquisadores da Arte Visual, MAC USP, 1994 — Bienal Brasil Século XX, Fundação Bienal, São Paulo SP São Paulo SP 1996 — Arte Brasileira: 50 anos de história no acervo MAC 1968 — 17º Salão Nacional de Arte Moderna, MAM RJ, USP: 1920-1970, MAC USP, São Paulo SP Rio de Janeiro RJ 1998 — Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, 1969 — 1980 — Panorama da Arte Atual Brasileira, MAM SP, São Paulo SP nos anos de 1969, 1970, 1971, 1974, 1977, 1979 e 1980, 1998 — O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: MAM SP, São Paulo SP Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM RJ, MASP, São Paulo SP 1969 — 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, MASP, 1999 — A Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, São Paulo SP MAM RJ, Rio de Janeiro RJ 1970 – 1972 — Salões de Arte Moderna, Rio de Janeiro RJ 2000 — Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, Arte 1971 — 50 Anos de Arte Moderna Brasileira, MAM RJ, Moderna, na Fundação Bienal , São Paulo SP Rio de Janeiro RJ 2000 — De la Antropofagia a Brasilia: Brasil 1920-1950, IVAM, 1971 — 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea, Galeria Centre Julio Gonzáles, Valencia, Espanha Prestes Maia, São Paulo SP 2002 — Arte Brasileira na Coleção Fadel: da inquietação do 1972 — 21º Salão Nacional de Arte Moderna, MEC, moderno à autonomia da linguagem, CCBB, Rio de Janeiro RJ Rio de Janeiro RJ 2002 — Grupo Ruptura: revisitando a exposição inaugural, 8 Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo SP
2003 — Cuasi Corpus: arte concreto y neoconcreto de Brasil: O diálogo concreto de Kazmer Fejer e Lothar Charoux se una selección del acervo del Museo de Arte Moderna de São Paulo y la Colección Adolpho Leirner, Museo Rufino Tamayo, iniciou durante os debates preparatórios para a formação Cidade do México, México do Grupo Ruptura. No entanto, esses dois participantes do 2003 — MAC USP 40 Anos: interfaces contemporâneas, movimento, com o passar do tempo, desenvolveram não MAC USP, São Paulo SP apenas as propostas artísticas específicas do grupo. Foram 2004 — Construtivos e Cinéticos, Galeria Berenice Arvani, além, ultrapassaram suas fronteiras. Defenderam outras São Paulo SP e novas possibilidades expressivas. Procuraram a síntese 2005 — A poética da linha, MAM SP, Sala Paulo Figueiredo, formal da arte e, em um dado momento de seus inventivos São Paulo SP projetos, suas obras se cruzam e dialogam esteticamente 2005 — A poética da linha, Dan Galeria, São Paulo SP por intermédio de suas proposições ópticas que aparecem 2006 — Arte Brasileira no Acervo da Pinacoteca do Estado, e se posicionam virtualmente nos tridimensionais de São Paulo SP Kazmer Fejer paralelamente aos bidimensionais de Lothar 2010 — Lothar Charoux: entre vida e obra, Caixa Cultural, Charoux: magias estéticas. São Paulo SP 2010 — Lothar Charoux, Galeria Ronie Mesquita, Rio de Janeiro RJ J.J.S 2012 — Geometria da Transformação, Museu Nacional de Brasília, Brasília DF notas 2013 — Sensitive Geometries: Brasil 1950-1980s, Hauser & Wirth, Nova York, EUA 1 Para muitos estudiosos de arte brasileira a produção concretista pode ser 2013 — Vontade Construtiva na Coleção Fadel, Museu de Arte analisada como uma manifestação da modernidade após a segunda guerra do Rio, MAR, Rio de Janeiro RJ mundial, em um momento de otimismo marcado pelo debate eloqüente 2013 — Trajetórias - Arte Brasileira na Coleção Edson Queiroz, sobre arquitetura e a construção de Brasília e pela crescente industrialização UNIFOR, Fortaleza CE paulista. 2014 — Arte Construtiva na Pinacoteca do Estado, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo SP 2 MORAIS, Frederico. In Panorama das Artes Plásticas. Séculos XIX e XX. Instituto 2014 — Lothar Charoux: Razão e Sensibilidade, Museu de Cultural Itaú. São Paulo. 1992 Belas Artes de São Paulo e Instituto de Arte Contemporânea — IAC, São Paulo - SP 3 Manifesto Ruptura. Museu de Arte Moderna. 1952 2016/2017 — Antropofagia y Modernidad: Arte Brasileño en 4 Max Bill. Invenção. Correio Paulistano. São Paulo, 17 de julho de 1960 la Colección Fadel – MALBA - Buenos Aires, Argentina. 5 Em 1954 o falecimento de Leopold Haar privou o Grupo de sua significativa 2017 — Ruptura - New York Project, Galeria Luciana Brito, Nova York, USA contribuição. E em 1955 Anatol Wladislaw se afasta do grupo e dos princípios 2018/19 — Grupo Ruptura, Galeria Luciana Brito, São Paulo SP concretistas. 2019/2020 — Sur Moderno: Journey of Abstration, Coleção 6 Kline, Morris. Mathematical Thought from Ancient to Modern Times. Oxford Patricia Phelps Cisneiros, MoMA, Nova York, EUA University Press. 2020 — Diálogo Concreto — Kazmer Fejer e Lothar Charoux: 7 Tamàs Fejer é reconhecido como um dos mais significativos diretores de virtualidades ópticas, Galeria Berenice Arvani, São Paulo SP cinema da Hungria , dirigiu 28 filmes, um deles em 1963 participou do Festival de Cinema de Cannes onde concorreu a Palma de Ouro de Melhor Filme ao lado de Luchino Visconti que apresentava o seu filme O Leopardo, 9 vencedor do Festival daquele ano. 8 Fejer, Peter A. Maluquices Atômicas de uma Era Nuclear, publicado nos Estados Unidos em 2019. 9 Esses dados foram fornecido em depoimento de seu filho Peter Fejer em 25 de fevereiro de 2020. 10 Zanini, Walter. Seis Pesquisadores de Arte Visual. Museu de Arte Contempo- rânea da Universidade de São Paulo. 1966 11 Siegfried Charoux se tornaria um importante escultor austríaco homena- geado inclusive com o museu em seu nome em Langenzersdoff, Áustria. 12 Com, o passar do tempo a mãe do artista passou a exercer, em São Paulo, a profissão de modista e contava com uma respeitável clientela 13 “Eu queria ser escultor naturalmente influenciado pelo meu tio”, mas por dificuldades técnicas e econômicas desisti. Conforme depoimento prestado pelo artista para o Museu Lasar Segall de São Paulo em 23 de março de 1976. 14 MORAIS, Frederico. In Os Caminhos da Arte Brasileira. São Paulo. 1986 15 Pedrosa, Mario. Acadêmicos e Modernos: Textos Escolhidos. São Paulo EDUSP, 1998 .
Kazmer Fejer 10 Plexiglass 08, Década de 70, 28 × 26 × 30 cm
Plexiglass 01, Década de 70, 85 × 30 × 20 cm 11
12 Plexiglass 05, Década de 70, 20 × 20 × 26 cm. Participou da exposição “Ruptura”, NY Project, Nova York, EUA, 2017.
Plexiglass 02, Década de 70, 20 × 20 × 43 cm 13 plexiglass 04, Década de 70, 20 × 20 × 36 cm
14 Plexiglass 07, Década de 70, 96 × 39 × 37 cm
Plexiglass 06, 1956, 41 × 15 × 28 cm 15
Lothar Charoux equilíbrio restabelecido, 1971, Guache sobre cartão colado em Eucatex, 100 × 35 cm. Participou da retrospectiva do artista no Museu de Arte Moderna (MAM/SP e MAM/RIO), 1974.
Sem título, década de 50, nanquim sobre cartão, 34 × 50 cm. Participou da exposição “Ruptura” - NY Project, Nova York - EUA, 2017. 17
Sem título, 1958, nanquim sobre cartão, 40 × 30 cm. Sem título, 1956, nanquim sobre cartão, 80 × 63 cm. Participou daS exposiçÕES “Da figura à abstração geométrica”, IAC, 2018 E 18 “Ruptura”, NY Project, Nova York, EUA, 2017.
Variações sobre o mesmo tema, Década de 70, acrílica sobre cartão colado em madeira, 100 × 70 cm. 19
20 Sem título, década de 50, nanquim sobre cartão, 48 × 74 cm. Participou da exposição “Ruptura”, NY Project, Nova York, EUA, 2017.
Sem título, 1973, Guache sobre cartão, 32 × 32 cm. 21 Composição, 1959, Guache sobre cartão, 50 × 50 cm. Catalogado na página 75 do livro “Lothar Charoux: A poética da linha”, de Maria Alice Milliet.
Acima, Sem título, nanquim sobre cartão, década de 50, 36 × 28 cm. Sem título, segunda metade da década de 50, nanquim sobre papel, 32 × 26 cm. Participou da exposição “Da figura à abstração geométrica”, IAC, 2018. 22 Sem título, década de 50, nanquim sobre cartão, 50 × 70 cm. Participou da exposição “Ruptura”, NY Project, Nova York, EUA, 2017.
Sem título, década de 50, nanquim sobre cartão, 30 × 45 cm. Sem título, década de 50, nanquim sobre cartão, 31 × 46 cm. Participou da exposição “Ruptura” - NY Project, Nova York, EUA, 2017.
24 Vibração, 1970, Tinta PVA Sobre Eucatex, 70 × 100 cm. Participou da retrospectiva do artista no Museu de Arte Moderna (MAM/SP e MAM/RIO), 1974.
sem título, 1982, acrílica sobre tela, 100 × 35 cm. 25 Quatro Quadrados, 1974, Acrílica sobre Cartão, 100 × 35 cm.
ACIMA, Sem título, 1958, Nanquim sobre cartão, 35 × 50 cm. Participou da exposição “Sensitive Geometries. Brazil 1950s – 1980s”, Hauser & Wirth, NOVA York, 2013. Sem título, 1958, Nanquim sobre cartão, 33 × 33 cm. Participou da exposição “Sensitive Geometries. Brazil 1950s – 1980s”, Hauser & Wirth, NOVA York, 2013. 26 À dIREITA, sem título, Década de 70, acrílica sobre eucatex, 35 × 15 cm.
Vibrações, 1970, Guache sobre cartão, 32 × 43 cm. Participou do 3° Salão de Arte Contemporânea de Santo André. 27 Horizontais, década de 60, tinta óleo sobre madeira, 52 × 71 cm. Participou da exposição “Sensitive Geometries. Brazil 1950s – 1980s”, Hauser & Wirth, nOVA yORk, 2013.
28 Preto e Azul em Geometrias, 1977, acrílica sobre tela, 100 × 35 cm; À DIREITA, Preto, Azul e Amarelo em Geometrias, 1976, acrílica sobre tela, 100 × 35 cm.
Sem título, 1974, acrílica sobre tela, 100 × 35 cm; À DIREITA, Sem título, 1982, acrílica sobre tela, 100 × 35 cm. 29
30 Tríptico, acrílica sobre cartão colado em Eucatex, 1976, 100 x 35 cm (cada). Participou da exposição “Op-Art – Ilusões do Olhar”, Museu da Casa Brasileira, 2015.
Concrete Dialogue – Kazmer Fejer and Lothar Charoux: optical virtualities João J. Spinelli Europeans Kazmer Fejer and Lothar Charoux in Brazil – where art in the country. The First Biennial revealed new national talents 31 beside the most important European, Asian, Latin and North they chose to take up residence and develop their artistic careers American artists: Max Bill, Pablo Picasso, René Magritte, Alexan- in the beginning of the 50’s - alongside Anatol Wladislaw, Leopold der Calder, Jackson Pollock, Fernand Léger, Edward Hopper, Lucio Haar (also Europeans), Brazilians Geraldo de Barros, Luiz Sacilotto Fontana, Giorgio Morandi, and, among others, Alberto Giacometti and Italo-Brazilian Waldemar Cordeiro – debated the new purpo- and Torres Garcia. ses of art and decided to form a group, which was to change the history itself of visual arts in Brazil. In parallel, Kazmer Fejer Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Anatol Wladislaw and Waldemar Cordeiro, who had also been selected Besides the Russian constructivism, they re-evaluated the for the First São Paulo Biennial, together with Leopold Haar and premises of historical avant-garde movements of the first half of Geraldo de Barros, brought a new dimension, not only to their the 20th century, the principles of Gestalt and the Bauhaus School, own plastic idealizations, but they understood the moment had which, in part, were fundamental to the works not only of these come to break, definitively, with the aesthetic conventionalism artists, but years later, to art in Brazil, a country in process of social, predominant in Brazil. Therefore, they formed a group later to be political and economic change.1 known as Ruptura. Although presenting themselves as a group, each of the par- On December 9, 1952 – during the inauguration of the group’s ticipants developed a distinctive, individual and personal project. first exhibition, held in the Museum of Modern Art of São Paulo Not structuring a single model and/or style strengthened not only – they spoke out very forcefully in the Manifesto Ruptura against each artist’s work, but the aesthetic production of the whole group, the artists “who create new forms of old principles”, defending whose main aims were to: eliminate subjectivity, do away with all the artists who “create new forms of new principles”. For them, ornamental elements, bring out not only the essential technical the principles of the new artists would be “all the experiences procedures, but emphasize the distance from an intimate art and that lead to renewal of the essential values of visual art: space extinguish all traces of individualism to seek a universal language and time, movement and matter”. Then, the manifest states: capable of integrating different artistic languages. “Modern art is not ignorance. We are against ignorance”3. This declaration was to be historically marked as the initial milestone They also discussed the propositions of Theo van Doesburg, of concretism in Brazil. They thus questioned the art produced who declared “the human being and nature are real, but when at that time and contended that visual arts should no longer be depicted by art, they are illusory speculations, while a plane is limited to just using the conventional techniques for painting, always a plane, a line is always a line, nothing more, nothing less”. engraving and sculpture. Plastically, they in this way got closer Doesburg further affirmed: “Nothing is more real than a line, a to the relations described in the Laws of Structure by Max Bill: color, a surface”. “the alignment, the rhythm, the progression, the regularity and the inner logic of development and construction of a work of Other propositions were important for the knowledge of this art further strengthened the ideals defended by the members group better, like those of the association Abstract –Creation, of the Grupo Ruptura”4. which argued: “Abstraction, because certain artists arrived at the concept of non-figuration through the progressive abstraction In 1955, Hermelindo Fiaminghi and Judith Lauand were invited of forms of nature. Creation, because other artists attained non- to be part of the group, Judith was the first and only woman to figuration directly, through a conception of a purely geometrical take part and actively play a role in Ruptura5 and so the concept order or by using exclusively elements usually called abstract, such defended by Theo van Doesburg – “in art nothing is more real as circles, planes, lines, etc.2 than a line, a color, a surface” - was further stimulated. At this new moment, they reactivated Plato’s thinking, who believed that: New museums, like the MASP (São Paulo Museum of Art) in “The essence of reality is the eternity of the geometrical forms and 1947 and the Museums of Modern Art of São Paulo and Rio de of the numeric relations, as opposed to the transient nature of Janeiro, strived to acquire collections and promote temporary material things”. Plato developed the theory of the ideal forms, exhibitions, especially the one of Max Bill in MASP in 1950, and which he considered as the perfect forms of the Universe, especially the one organized by Leon Degand, From Figurativism to Abstrac- the regular polyhedrons: tetrahedron, hexahedron, octahedron, tionism, for the inauguration of the Museum of Modern Art of São dodecahedron and the icosahedron.6 Paulo. The foundation of International Biennial of the Museum of Modern Art of São Paulo (1951) further intensified the debate and the development of a new way of thinking, seeing and making
The statements of another philosopher, Immanuel Kant, com- artists of the French avant-garde, he held an exhibition in one plemented these reflections, “form is the essence of content”, as of the, at the time, most respected art salons in Paris, the Salon did the statements of plastic artist Wassily Kandinsky, “each form Réalités Nouvelles. In 1947, he took part in an exhibition organi- has a content in itself”. The concretists of the São Paulo based zed by the ArtClub in Vienna, Austria and in 1948 in the ArtClub Grupo Ruptura therefor decided to set as their principal aim the exhibition in Turin, Italy. Through this avant-garde association, suppression of all subjective or ornamental traces, emphasizing he met the Italo-Brazilian Waldemar Cordeiro, who invited him only the essential constructive processes. They thus relinquished to exhibit in Brazil. the depiction of the visible world in search of an autonomous In 1948, he moves to South America, where he sets up tempo- form of art, which would make it possible to see, feel and create rary residence in Montevideo, Uruguay. There, besides taking part aesthetic compositions free of figurative reality and of literal, pro- in the exhibition Arte Bela, he gets close to and maintains ties of saic interpretations, emphasizing only the concrete reality of form, friendship with Torres Garcia, Uruguay’s most important plastic color, light and space, independent of symbolic configurations and/ artist. At the Brazilian Consulate in Montevideo, he applies for an or figurative representations, just pure form. entry visa to our country. They therefor always searched for new formal linear or tridi- In 1949, he travels to São Paulo where he establishes himself, mensional possibilities, plastic investigations marked by objectivity sets up residence and works as an industrial chemist in ceramics and ease of comprehension, in their view only to be found through and plastic materials. Here he developed fundamental aesthetic mathematics and geometry. The anti-naturalistic attitude of the changes in his work. He then progressively directed his professional Ruptura artists and their staunch opposition to the predominant production to a non-figurative, abstractionist and more and more aesthetic conventionalism now faced still more confrontation. geometrical painting. One of these works was selected to be shown The technicistic tenor, the utilization of geometric forms and at the First International Biennial of São Paulo. the rational use of mechanical processes in art were not promptly For Peter Fejer, son of the artist “the father, originating from accepted or assimilated, not even by some art critics of the time. the city of Pecs, in Hungary, decided to leave his home country, However, nothing intimidated the members of Grupo Ruptura, which had been mercilessly destroyed by the war and was now as, in accordance with the thinking of poet Wladimir Maiakovski, controlled by blind idealists. He wanted to try life in the ‘country of they also believed that “there is no revolutionary art without the future’. As thousands of immigrants in that decade, he strived revolutionary form”. hard to build his future in the city of São Paulo (…).”8 However, today, decades later, many art historians and critics Abstract painting on an easel was gradually substituted by consider the Concretistic movement an important milestone, as sculpture and by a new way of thinking art, now intrinsically allied Concretism and the Modern Art Week of 1922 represent the two to science and technology. This new moment of Fejer is the starting major transforming moments in Brazilian visual art in the 20th point for his tri-dimensionals, definitively marking his contribution century. to Brazilian art. He is co-founder of the Grupo Ruptura. In 1952 he holds an exhibition in the Museum of Modern Art of São Paulo, KAZMER FEJER - CONCRETE DIALOGUE: and signs the Manifesto Ruptura. He takes part in the 1st National Tri-DIMENSIONAL VIRTUALITIES Exhibition of Concrete Art, together with the artists of the Grupo Frente, of Rio de Janeiro, in 1956 in the Museum of Modern Art in Painter and sculptor Kazmer Fejer was born in Pecs, Hungary on São Paulo, and in 1957 in Rio de Janeiro. In 1960, he participates in August 30, 1923. Familiar with art since his early days, he expe- the Konkrete Kunst exhibition in Zurich, Switzerland. In 1963, he rienced it alongside his mother, a photographer and sculptor, and is one of the founders of the Associação de Artes Visuais e Novas his older brother Tamàs Fejer, who chose cinema as his principal Tendencias in São Paulo. In 1970, he again took up residence in Europe, according to form of expression.7 In Budapest, he enrolled at the National Fine Arts Academy and historian Walter Zanini, “where he exercised his profession of in parallel studied Industrial Chemistry. With enthusiasm, while chemist and continued his aesthetic production”. In a statement, still an art student, he became interested in the new European Peter Fejer, son of the artist, reported that his father first moved to Germany, in Hainburg (near Frankfurt) and, in 1976, he became artistic propositions. After an initial, rather short period, while still a student of the holder of a global patent of a plastic coloring system. In 1979, plastic arts, in the midst of World War II, he became close to the he then set up residence in Paris until about 1985. In this same expressionist movement. It could not have been different, in those year, he moved to Sesimbra, a small town near Lisbon, where he times of terror for humanity. In 1946, he was one of the founding died in 1989 9. The research of and reflection upon the artistic propositions members of the Budapest branch of an avant-garde art association of the first half of the twentieth century, defended by artists with known as the International ArtClub. 32 During a short stay in France, besides connecting with young abstract and constructive tendencies, prioritizing the free exercise
of creativity in the field of non-figuration, were fundamental for will make up the arrangements are studied and the passages that the plastic production of Kazmer Fejer. allow the differentiation of each plaque are defined by calcula- tions or principles with mathematical precision. The elements In a very early stage, Fejer became an enthusiast of the propo- themselves mean nothing, but once installed, they give rise to sitions defended by Bauhaus and by Theo van Doesburg’s manifest, the virtual curves and movements that obey previously chosen published in the Concrete Art Review, advocating support to the rhythms, as, for instance, a spiral. The vertexes and edges of the creation of an art free from any symbolic or allegoric relation plaques determine these rhythmic sequences in space”. and from figurative depiction. This manifest being quite free, it aroused the adhesion of several ramifications of non-figurative The Plexiglas blades on the inside of his sculptures, when ob- art: neo-plasticism, abstract expressionism, and abstractionism served by the onlooker, virtually describe and reveal curves and and, among others, geometric abstractionism. kinetic forms, which change and transfigure themselves all the time by the attentive look of the observer of his sculptures. For Kazmer studied at the Budapest Fine Arts Academy (currently, Walter Zanini, light also is a part of the artwork, as “when falling the Hungarian Art University), considered one of the major art on the transparent matter, it provokes scintillations that add still research centers in Europe. In this school, besides the theoretical more dynamism to the visual effects of his creations”. art history and aesthetics classes, he developed exemplary learning of composition techniques, creation and the making and thinking At no time, do the tri-dimensionals of the artist try to express of art. These studies and debates in Budapest were meaningful to feelings or induce the spectator to symbolic interpretations. Geo- propitiate, along with Waldemar Cordeiro and other members of metrically and mathematically constructed, they are their own Ruptura,theoretical subsidies which would be the fundaments of fundaments, related to science and technology. Which does not the public declaration of the Manifesto Ruptura in 1952. prevent the enjoyer of his artwork, depending on the position and angle of observation of his tri-dimensional idealizations, from Kazmer Fejer realized, after an artistic career as painter, that art capturing formal oscillations and being surprised by experiencing should be released from its conventional techniques and use also unimaginable aesthetic optical sensations. industrial materials and production means, the only ones which could, in the fifties, give it an adequate place in modern life, a Apparently simple formal displacements and asymmetrically more objective and efficient way of being in the world and placing structured constructions manifest the unique and audacious oneself in time/space as an artist and a citizen of modern times. thinking of this artist. An enthusiast of the use of science, math- ematics and geometry in art, advocated and exalted by construc- This artist cannot be considered only as an excellent and in- tivism, his works led him to explore the multi-dimensional and novative sculptor. His tri-dimensional artistic project should be geometric virtualities and ambiguities. And so attain, by means of understood and studied as an independent chapter in the history a geometric vigor, the transmissibility of universal communication. of sculpture in Brazil. Fejer reformulated the investigation of the presence of full and empty volumes, considered as fundamental Without any type of transcendence or sentimentalism, Fejer, premises for sculpture in all times. His artworks not only question just like sculptor Naun Gabo, perceived that art, “before all, is a these requisites, they subvert them. In an interview, the artist creative activity of the human conscience”. stated, “Classical sculpture had volume as a starting point”. He, however, aimed to create special forms without volume, or, at Besides participating in exhibitions and having his artwork in least, independent of volume. Thus, the inside of the work is no important collections and museums, including the MoMa of New longer just an empty space. He re-creates it and transforms it into York, Kazmer Fejer in the last years received praise and particular an element that determines his tri-dimensionals, giving a new studies from historians and researchers from the main universities dimension to his own craft and the technical making of sculpture, of Brazil and abroad. In the book Ideas Crossing Borders (published which is transfigured, according to poet Augusto de Campos, as by the University of Cambridge in 2019), researcher Pia Gottos- “labyrinths of creation”. cheller includes him prominently in the chapter The Migration of Concrete Thinking between Latin America and Europe, where his The use of jagged transparent Plexiglas planes inserted into work is studied alongside the production of Max Bill. the interior of his works was previously geometrically and math- ematically thought, designed and structured in an eloquent way Creative, educated and irreverent, Kazmer Fejer stated, “I am for a period, which still did not have the technological resources not going back to expressionism, from where I came, and I am not provided today by the growing use of computer technology in entering into informalism. I am not even looking for the dada, nor contemporary art. do I believe in any of the new realisms. I do not proclaim the end of concretism and I do not call it historical”10. However, he never In an interview, Fejer explained his creative process. “First with imagined that the concretist movement, along with the Modern carton or cardboard, I idealize the arrangement of the elements, Art Week of São Paulo in 1922, would transform themselves, his- and after analyzing them in detail, I make some modifications so torically, into the two most important moments of Brazilian Art that they may translate my initial idea, and only then they are in the 20th century. finally executed in Plexiglas. The sequence of the elements that 33
Lothar Charoux – CONCRETE DIALOGUE: restrictions, to the drawing or the painting. Demanding, in form BI-DIMENSIONAL VIRTUALITIES and technique, he did not mind to keep on increasing the number of these exercises/ drafts, to only then execute them. Lothar Charoux was born in Vienna, Austria, on February 5, 1912. In the course of time, Charoux came to believe that “in art, less Initially, still a teen-ager, in his home town, he became enthused is more”and this increased his responsibility as a creator still more. by the visual arts and developed his artistic apprenticeship with his So, progressively, he came closer, aesthetically, to the constructivist uncle, the sculptor Siegfried Charoux 11. In November 1928, only 16 values already discussed and re-thought by the members of the years old, he moved to Brazil and, according to interview given by the Grupo Ruptura, which would further solidify his relations with the artist on March 19, 1948, he explained he came “a little by chance. propositions of the avant-garde movements, fundamental to the My mother was assistant costume designer of an Austrian theater understanding of 20th century art. company, which toured Brazil in the twenties, particularly in the According toWalter Zanini, “the participation of Charoux in the state of Santa Catarina. One day, in Vienna, I received a letter from Grupo Ruptura made a significant contribution to the maturity my mother inviting me to visit Brazil. I immediately packed my bag, of the Group”. boarded a ship and here I am”12. Independent, he expanded his technical and formal repertory, After living and working in the interior of the state of São Paulo, creating a personal style, which characterized and differentiated he set up residence in the capital of the state. Here he was a sales him in a unique way. representative (“of a world of things, I don’t even remember”), until In time he developed graphic and pictorial elements, which being hired by textile manufacturer Guterman do Brasil as a simple led his aesthetic production, ahead of time, to the formal issues assistant. of minimalism, of Kinetic Art and Op Art, more cerebral, closer to In the Liceu de Artes e Ofícios, Lothar Charoux met Waldemar science and geometry: linear and geometric formulations, which da Costa, who initiated him in the technique of painting, and even allowed him to create and present composite structures interac- before concluding this course, being an outstanding student, he was ting with one another, capable of producing virtual optical effects, invited to be a teacher. He gave classes there for a few semesters, but with visual technical procedures paralleling the tri-dimensional without leaving his steady job at the textile company13. effects attained by Kazmer Fejer. Initially, expressionist – a phase that did not last long – his work The stripes and the warps that repeat themselves in his works, transformed itself gradually till becoming abstractionist, to then create rhythmic sensations that visibly vibrate due to their chro- start the phase of geometrization, which the artist attained through matic relation and sequential ordering. Besides the use of basic formal and coloristic simplification, which characterized his artwork colors, without coloristic mixtures, Charoux idealized a number until the end of his life. of unique artworks just with black and white. White lines on a Dedicated and untiring, he took part from 1942 until his death in black background and, reversely, black lines on a white background 1987, in significant number of individual and collective exhibitions, art that allow the onlooker’s perception to attain a visual illusion of salons and the São Paulo Biennials. Until the seventies, participating movements, which physically persists on the retina for a minimal as an artist and being selected by the demanding art critics of these fraction of time, but may last emotionally in the affectionate art exhibitions was the only way for an artist to become known memory of the enjoyer of his works. and so start a professional career respected by critics, gallery owners, Most of the main art critics have always assumed an affir- museums and art collectors. mative attitude regarding the artist’s work. Frederico de Morais To take part in these exhibitions, Charoux never ceased to research, affirmed that Lothar Charoux is “absolutely loyal to the formal always seeking new forms and technical perfection, which allowed issues launched in the fifties in their concrete sense. Since that him, at the end of his life, to attain the plenitude of formal synthesis, time, he is creating virtual spaces in which the form is gestalti- only attained by very few plastic artists, not only in Brazil. To critic cally completed in the onlooker’s eye. He uses lines that organize Olivio Tavares de Araújo, Lothar Charoux told, “when I managed to themselves geometrically, and on vertical supports organize the carry out a work with one single line, I hallucinated”. visual rhythm created by the relation between the different linear Lothar Charoux developed his technical and formal mastery in the densities and the single color used as background”14. Later, Mario course of Geometric Design of the Liceu de Artes e Oficios. There he Pedrosa reaffirmed, “The drawing of Charnoux is a fiery search learned to proficiently use his basic work tools: ruler, compass, ruler for precision and objectivity (…) all these gestalts and new ideas, pen and protractor, which he never imagined would be fundamental or at least, characteristics of our time, are indispensable to his for his concretist phase, a differentiating factor, which became his living, therefor to his sensorial organization and, in the end, to personal mark. his sensitivity. His drawing in black and white is based on a new A disciplined artist, Charoux only executed a work after car- figuration”15, geometric and uncommon. rying out preliminary studies, which were reviewed and re-thought The ensemble of Lothar Charoux’s work may be classified in 34 until considered ideal to be transferred, definitively and without two distinct phases. The first one can be divided in two moments,
that of re-established balance (as he himself named it), in which, with only lines he seeks the equilibrium between oblique/ diagonal lines; the other moment marks the series of Superposed Squares. The second phase records his production after this series and may be considered exclusive to Charoux, definitively marking his ar- tistic career, unparalleled, victorious. Paraphrasing Mario Pedrosa, “Lothar Charoux is above all a conscientious and coherent artist. Nothing he does is incoherent. His art is made of technical rigor and graphic and pictorial subtleties”. The concrete dialogue of Kazmer Fejer and Lothar Charoux star- F ootnotes ted during the preparatory debates for the forming of the Grupo Ruptura. However, these two participants of the movement, in the course of time developed not only the specific artistic proposals of the group.They went beyond, crossing their borders.They defended other, new possibilities of expression. They searched for the formal synthesis of art, and at a certain point of their inventive projects, their works cross each other and hold an aesthetic dialogue throu- gh their optical propositions that appear and place themselves virtually in the tri-dimensionals of Kazmer Fejer in parallel to the bi-dimensionals of Lothar Charoux: aesthetic magic. J.J.S 1 For many specialists in Brazilian Art, the concretist production can be analyzed as a manifestation of modernity after the 2nd world war, in a moment of optimism marked by the eloquent debate on the architecture and construction of Brasilia and the industrial growth of São Paulo 2 MORAIS, Frederico. In Panorama das Artes Plásticas. Séculos XIX e XX. Instituto Cultural Itaú. São Paulo. 1992 3 Manifesto Ruptura, Museu de Arte Moderna, 1952 4 Max Bill. Invenção. Correio Paulistano, São Paulo, July 17, 1960 5 In 1954, the death of Leopold Haar deprived the Group of his significant contribution. And in 1955 Anatol Wladsislaw retreats from the group and the concretist principles 6 Kline, Morris. Mathematical Thought from Ancient to Modern Times. Oxford University Press. 7 Tamás Fejer is acknowledged as one of Hungary’ most significant cinema directors. He directed 28 films; one of these participated in the 1963 Cannes Festival, competing for the Golden Palm of Best Movie, alongside Luchino Visconti’s The Leopard, winner of that year’s festival. 8 Peter A. Fejer, Atomic Madness of a Nuclear Era, published in the United States in 2019 9 These data were supplied to author by his son Peter Fejer in an interview on February 25, 2020 10 Zanini, Walter. Seis Pesquisadores de Arte Visual. Museu de Arte Contempo- rânea da Universidade de São Paulo. 1966 11 Siegfried Charoux became an important Austrian sculptor, the museum in the town of Langenzersdorf, Austria, having been named after him as a tribute 12 In the course of time, the artist’s mother became a dressmaker with a con- siderable clientele in São Paulo 13 “I wanted to be a sculptor, of course influenced by my uncle, but due to technical and economic difficulties, I gave up”. According to an interview given by artist to the Museu Lasar Segall in São Paulo, on March 23, 1976 14 MORAIS, Frederico. In Os Caminhos da Arte Brasileira. São Paulo. 1986 15 Pedrosa, Mario. Acadêmicos e Modernos: Textos Escolhidos. São Paulo EDUSP, 1998 35
exposição 24 de março a 30 de abril de 2020 exhibition march 24th to april 30th 2020 Coordenação coordination • Berenice Arvani Assistente de Coordenação Coordination assistant • Leonardo Guedes curadoria e textos curatorship and texts • João Spinelli Comunicação press • index conectada Projeto gráfico graphic design • Fonte Design tradução Translation • mário Povel Fotografia das obras photos • Sérgio Guerini agradecimentos acknowledgments • FAMÍLIA CHAROUX e FAMÍLIA FEJER Ilustram as abas internas da capa deste catálogo detalhes das obras “Plexiglass 08”, de Kazmer fejer e “equilíbrio restabelecido”, de lothar Charoux Rua Oscar Freire 540 • cep 01426 000 São Paulo SP tels 55 11 3082 1927 • 3088 2843 [email protected] www.galeriaberenicearvani.com
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