["www.resumosconcursos.hpg.com.br que foi colocada no feminino e distorcida em termos morfol\u00f3gicos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a confus\u00e3o entre faixas e fases et\u00e1rias... Este per\u00edodo apresenta, ainda, um problema de coes\u00e3o textual, que pode ser resolvido por meio de um pronome relativo e da substitui\u00e7\u00e3o de um ponto final por dois pontos: Podemos abordar um tema sobre o qual, penso eu, todas pensam e dissertam: a juventude e a velhice... b) Talvez o jovem at\u00e9 entenda o mundo, pois n\u00e3o sabe explicar aos velhos a maneira como o entende. Coment\u00e1rios A conjun\u00e7\u00e3o pois, que d\u00e1 a id\u00e9ia de causa, deve ser substitu\u00edda por uma conjun\u00e7\u00e3o como mas, que significa oposi\u00e7\u00e3o, contradi\u00e7\u00e3o, para a frase se tornar clara. Exemplo: Talvez o jovem at\u00e9 entenda o mundo, mas n\u00e3o sabe explicar aos velhos a maneira como o entende. c) O sonho \u00e9 essencial para nossas vidas, portanto sem o sonho n\u00e3o conseguir\u00edamos lutar concretamente por um mundo melhor. Coment\u00e1rios Aqui, outra conjun\u00e7\u00e3o inadequada. Em vez de portanto, que d\u00e1 a id\u00e9ia de conseq\u00fc\u00eancia, colocar pois ou porque, explicitando a rela\u00e7\u00e3o de causalidade da frase. Exemplo: O sonho \u00e9 essencial para nossas vidas, porque sem ele n\u00e3o conseguir\u00edamos lutar concretamente por um mundo melhor. ! evitar ambig\u00fcidades, redund\u00e2ncias e clich\u00eas Vamos, primeiro, definir cada um desses problemas, que empobrecem a linguagem da disserta\u00e7\u00e3o: Ambig\u00fcidade: ocorre ambig\u00fcidade num texto dissertativo quando escrevemos de tal modo que o que dizemos passa a ter mais de um sentido, tornando confusa a id\u00e9ia que quer\u00edamos expressar. Redund\u00e2ncia: a redund\u00e2ncia decorre do excesso de palavras, do seu uso repetitivo, desnecess\u00e1rio, em rela\u00e7\u00e3o ao que estamos querendo expressar. Um texto redundante pode se tomar ca\u00f3tico, pode levar a extrapola\u00e7\u00f5es que prejudicam a necessidade de economia, de objetividade da disserta\u00e7\u00e3o. Clich\u00eas: s\u00e3o os famosos chav\u00f5es, as frases-feitas, os lugares comuns. Al\u00e9m de revelarem uma linguagem desgastada, repetitiva, uma linguagem sem vida pr\u00f3pria, os clich\u00eas s\u00e3o anti-dissertativos na medida em que expressam os preconceitos, as \\\"verdades absolutas\\\", \\\"inquestion\u00e1veis\\\", do senso comum. Exemplos Comentados Vamos reconhecer nos exemplos a seguir a presen\u00e7a de ambig\u00fcidades, redund\u00e2ncias e\/ou clich\u00eas, e tamb\u00e9m vamos perceber como reescrev\u00ea-los, com clareza e coes\u00e3o: a) Moradores reivindicam centro de sa\u00fade com criatividade. Coment\u00e1rios Para a frase ficar mais clara seria necess\u00e1rio desfazer a ambig\u00fcidade: Moradores reivindicam, com criatividade, centro de sa\u00fade. Esta ambig\u00fcidade nos pode fazer pensar que a express\u00e3o com criatividade refere-se ao tipo de centro de sa\u00fade reivindicado. b) Sexo? S\u00f3 com os pais. 49","www.resumosconcursos.hpg.com.br Coment\u00e1rios Aqui, a ambig\u00fcidade nos leva a v\u00e1rias leituras. que sexo \u00e9 coisa s\u00f3 dos pais, que se deve fazer sexo s\u00f3 com os pais e, finalmente, a id\u00e9ia que se tentou expressar: os jovens devem informar-se sobre sexo s\u00f3 com os pais. c) O barulho causado pelo tiro causou muito barulho. Coment\u00e1rios Al\u00e9m dos problemas de clareza e de sonoridade causados pelas repeti\u00e7\u00f5es - barulho, causado, causou - h\u00e1 ambig\u00fcidade no segundo momento em que aparece a palavra barulho: pode ser barulho no sentido de ru\u00eddo ou barulho no sentido de agita\u00e7\u00e3o, tumulto. Sugest\u00e3o de corre\u00e7\u00e3o: O barulho decorrente do tiro causou muito tumulto. d) O homem nasce, cresce e morre, ap\u00f3s muito sofrimento. Ele n\u00e3o vive mais, ele vegeta na sua selva de pedra, mas o amor faz com que a vida valha a pena, porque quando se ama de verdade se atinge a total felicidade. Portanto, s\u00f3 o amor constr\u00f3i. e) Na sociedade consumista em que vivemos o homem n\u00e3o tem mais senso cr\u00edtico, ele s\u00f3 tem senso comum. Ele \u00e9 manipulado pela elite que domina os meios de comunica\u00e7\u00e3o, pelos opressores que dominam os oprimidos explorando-os, transformando-os em verdadeiros rob\u00f4s do sistema. f) Nesta selva de pedra em que se vive o homem se transforma em m\u00e1quina. Tudo o que ele faz \u00e9 como se a m\u00e1quina o fizesse: o homem n\u00e3o pensa mais, virou um rob\u00f4, uma pe\u00e7a de engrenagem, um ser massificado, uma v\u00edtima do sistema, um rob\u00f4 da tecnologia vigente, um ser inconsciente e alienado. O homem se transformou enfim em m\u00e1quina e n\u00e3o tem nenhuma consci\u00eancia disso. Coment\u00e1rios de d, e, f Tr\u00eas exemplos de par\u00e1grafos prejudicados, em termos dissertativos, pelos clich\u00eas ou lugares-comuns. Repare que as express\u00f5es selva de pedra, senso critico, senso comum, rob\u00f4s do sistema, manipula\u00e7\u00e3o pela elite dominante, dentre outras, tornam-se estereotipadas devido \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o. A repeti\u00e7\u00e3o ou redund\u00e2ncia faz com que seu uso seja aleat\u00f3rio, isto \u00e9, independa do assunto em discuss\u00e3o. Assim, estas express\u00f5es acabam se esvaziando de sentido, n\u00e3o por si mesmas, mas pelo fato de se converterem em recursos artificiais, tautol\u00f3gicos, que se afastam do contexto argumentativo. A sugest\u00e3o para melhorar os tr\u00eas exemplos \u00e9 \\\"enxugar\\\", diminuir as afirma\u00e7\u00f5es apresentadas, os pontos de vista que est\u00e3o redundantes, repetitivos, e esclarec\u00ea-los, fundament\u00e1-los com argumentos, fatos-exemplos etc. ! explicitar Pressupostos \/ Subentendidos \/ Interlocutores Precisamos cuidar para que o nosso texto n\u00e3o fique incompreens\u00edvel pela aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es relevantes, n\u00e3o s\u00f3 quanto \u00e0s etapas de nosso racioc\u00ednio, que devemos explicitar, mas tamb\u00e9m quanto aos pressupostos e\/ou subentendidos. Pressupostos e\/ou subentendidos s\u00e3o os elementos que fazem parte do universo da oralidade, como por exemplo express\u00f5es do tipo: aquela casa, ele, aqui, ali, ontem, isso, tudo etc. Tais elementos, numa situa\u00e7\u00e3o de fala, explicam-se atrav\u00e9s de gestos, de entoa\u00e7\u00e3o, de recursos decorrentes da presen\u00e7a de um interlocutor, de algu\u00e9m com quem se conversa. No contexto dissertativo, temos outra situa\u00e7\u00e3o de linguagem: primeiro, trata-se do uso de linguagem escrita, o que significa a aus\u00eancia de um interlocutor a quem nos dirigimos diretamente. Segundo, esta linguagem se caracteriza pela formalidade, quer dizer, pelo respeito \u00e0s normas gramaticais. Assim, geralmente torna-se necess\u00e1rio indeterminar, deixar impl\u00edcito o para quem de nossas disserta\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de pluralizar, quando poss\u00edvel, a voz que nelas se coloca. Em outras 50","www.resumosconcursos.hpg.com.br palavras, estamos nos referindo ao car\u00e1ter de reflex\u00e3o gen\u00e9rica, generalizadora, t\u00edpico desse tipo de texto. O mito de que a primeira pessoa do singular n\u00e3o pode aparecer numa disserta\u00e7\u00e3o deve ser, portanto, ignorado. Por isso, em vez de omitir-se enquanto sujeito da sua reda\u00e7\u00e3o dissertativa voc\u00ea precisa saber o momento de se colocar, e tamb\u00e9m a melhor forma de faz\u00ea-lo. \u00c0 necessidade de generaliza\u00e7\u00e3o e de uso de linguagem formal soma-se a de explicita\u00e7\u00e3o de pressupostos e\/ou subentendidos como tra\u00e7os marcantes do texto dissertativo, como veremos no exemplo a seguir: Exemplo Comentado Considero (1) o homem um ser racional e cheio de imagina\u00e7\u00e3o. Por isso, se voc\u00ea (2) pensar bem perceber\u00e1 que isso (3) o diferencia dos outros seres vivos, incapazes do racioc\u00ednio e do devaneio. Coment\u00e1rios (1) Esta afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o necessita de primeira pessoa do singular, na medida em que se refere a qualidades humanas coletivamente reconhecidas. (2) Aqui, o interlocutor deve ser indeterminado ou n\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o do tipo de disserta\u00e7\u00e3o que voc\u00ea escolher. (3) A substitui\u00e7\u00e3o deste pronome demonstrativo torna a passagem menos coloquial e mais formal, de acordo com as caracter\u00edsticas da linguagem dissertativa. Sugest\u00f5es de adequa\u00e7\u00e3o: (A) O homem \u00e9 um ser racional e tamb\u00e9m cheio de imagina\u00e7\u00e3o. Por isso, pensando bem se perceber\u00e1 que estas caracter\u00edsticas o diferenciam dos outros seres vivos, incapazes, do racioc\u00ednio e do devaneio. (B) Sabemos que o homem \u00e9 um ser racional e tamb\u00e9m capaz de desenvolver a imagina\u00e7\u00e3o. Por isso se pensamos bem, perceberemos que tais caracter\u00edsticas o diferenciam dos outros seres vivos, incapazes do racioc\u00ednio e do devaneio. 7 - Procedimentos anti-dissertativos (ou que devem ser evitados num texto dissertativo) a) Sobre o tema: em vez de: fuga total do tema; aus\u00eancia de tese (anuncia-se o tema, mas o enunciador n\u00e3o se posiciona); posicionamento claro, mas referente a uma id\u00e9ia secund\u00e1ria e n\u00e3o ao tema central; aus\u00eancia de uma delimita\u00e7\u00e3o precisa das id\u00e9ias a serem exploradas; \u00e9 preciso: saber delimitar o ponto de vista, a tese que ser\u00e1 defendida, num contexto de debate, referente \u00e0 quest\u00e3o mais ampla, ao assunto que esta em discuss\u00e3o; b) Sobre a Estrutura: em vez de: introdu\u00e7\u00e3o sem contextualiza\u00e7\u00e3o, ou com falsa contextualiza\u00e7\u00e3o; desenvolvimento com um \u00fanico argumento (o exemplo fica maior que a an\u00e1lise); conclus\u00e3o com id\u00e9ias novas que fogem ao tema (ou com receitas, propostas de solu\u00e7\u00e3o, finais r\u00f3seos); falsa conclus\u00e3o - uso inexpressivo da fun\u00e7\u00e3o metaling\u00fc\u00edstica ( \\\"E para concluir...\\\"); \u00e9 preciso: 51","www.resumosconcursos.hpg.com.br articular as partes do discurso, com unidade e coer\u00eancia entre Introdu\u00e7\u00e3o \/ Desenvolvimento \/ Conclus\u00e3o; ponto de vista \/ argumenta\u00e7\u00e3o; ~ ` c) Sobre a Argumenta\u00e7\u00e3o: em vez de: emprego exaustivo de argumentos cristalizados, geralmente os de exemplifica\u00e7\u00e3o; incapacidade de analisar, de formular racioc\u00ednios l\u00f3gicos; falta ou desperd\u00edcio de dados; desarticula\u00e7\u00e3o dos argumentos; extensas enumera\u00e7\u00f5es de constata\u00e7\u00f5es \u00f3bvias (discurso vazio e prolixo); generaliza\u00e7\u00f5es sem provas concretas (erro no racioc\u00ednio indutivo); particulariza\u00e7\u00f5es indevidas (erro no racioc\u00ednio dedutivo) \u00e9 preciso: articular com consist\u00eancia l\u00f3gica e efic\u00e1cia ret\u00f3rica os argumentos, manipulando corretamente os dados e relacionando-os de modo coerente com os racioc\u00ednios a que se referem; d) Sobre a Linguagem: em vez de: uso inadequado de elementos de coes\u00e3o; falta de explicita\u00e7\u00e3o de pressupostos e subentendidos; presen\u00e7a de redund\u00e2ncias, ambig\u00fcidades e clich\u00eas; \u00e9 preciso: manter o equil\u00edbrio entre a necessidade de articular o pensamento por meio dos elementos de coes\u00e3o, da explicita\u00e7\u00e3o de pressupostos e\/ou subentendidos e a necessidade, n\u00e3o menos importante, de evitar redund\u00e2ncias; generalizar os interlocutores, pluralizando-os ou mantendo- os impl\u00edcitos, ou ent\u00e3o particulariz\u00e1-los, de acordo com os tipos de afirma\u00e7\u00f5es que pedem o eu ou o n\u00f3s; utilizar a linguagem formal, gramatical, caracter\u00edstica do contexto dissertativo, sem torn\u00e1-la ret\u00f3rica, ornamental, alienada da nossa maneira natural de exprimir o que queremos, o que pensamos, o que vivemos. 52"]
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