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CaligrafiasAmerindias

Published by Paroberto, 2019-12-26 07:12:56

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CALIGRAFIAS AMERÍNDIAS Sérgio Medeiros



Sérgio Medeiros CALIGRAFIAS AMERÍNDIAS curitiba 2019

Copyright desta edição © 2019 Medusa Copyright dos textos © 2019 Sérgio Medeiros Copyright desta Eeddiiççããoo ©Ric2a0r1d9oMCeodrounsaa Eliana Borges Copyright dos textos © 2019 SéPrrgoijoetMoegdráefiircoos Eliana Borges Edição Ricardo RCeovriosãnoa JúlioECliéasnaar BRoarmgoess M488c ISBM Ned9Ce7air8loigsP8,rEra5Sofléii6jaaer4sgnt0ioaoa2,mBg91ore-9á6rr5ífg4ni9ced--o4sias [Recurso eletrô- nico on-line] / Sérgio Medeiros. – 1. ed. – Cu8rJi0útiblpioa. ::CiMl.éesdaruRsReaav, mi2s0ão1os9. ISBN: 978-85-64029-64-4 (e-book) 1. Poesia visual brasileira. 2. Caligrafia. ImpressoI. TníotulBor.asil / 1a. Edição FISoBi fNeit9o78o 8 d 5 e p 6 ó4 s0 i2 t o 9 - l6 e 4 g -a 4 l CDU: 869.0(81)-1 Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães EditoCRraB-M14e/0d7u1sa www.editoramedusa.com.br facebook.com/EditoraMedusa [email protected] Impresso no Brasil / 1a. Edição Foi feito o depósito legal Editora Medusa www.editoramedusa.com.br facebook.com/EditoraMedusa [email protected]

CALIGRAFIAS AMERÍNDIAS O JARDIM DOS GRAFOS precedido de A CALIGRAFIA DO URUBU



sumário 9 A caligrafia do urubu 14 O jardim dos grafos 15 A caverna no céu 26 O jardim dos grafos 76 Epílogo seguido de um Prólogo



A CALIGRAFIA DO URUBU 9









O JARDIM DOS GRAFOS 14

A CAVERNA NO CÉU 15

Conversa entre Y, uma ema X, um cosmonauta Z, um jardineiro, mais conhecido como do(u)do1 Estão na caverna do jardineiro do(u)do, localizada no menor pla- neta já visitado pelo cosmonauta sem raízes e pela ema estaba- nada, que se exilou da Terra por questões políticas (quis comer os olhos de um general). Para que o leitor possa ter uma noção exata de quem são esses personagens, ofereço a seguir, cada um numa página, os seus respectivos retratos falados, nesta ordem: Y, X e Z 16 1 Esta conversa e os grafos que se seguem foram inspirados nas folhas de papel que circulavam pelas paredes do estúdio de Piet Mondrian, um dos artistas e teóricos ocidentais que mais admiro. (N. do A.)

[Y]

[X]

[Z]

PRIMEIRA CENA Hora indefinida. A fogueira está acesa. Y. – Então aqui não tem nada tão brilhante... como, digamos, a lua... X. – Vim da lua... do lado escuro dela... A lua não é tão brilhante como você pensa, senhorita ema! Z. – Bem-vindos à minha caverna, terráqueos! Mas peço à ema que não mexa nas brasas da minha fogueira. Y. – Nem penso nisso... Z. – Preciso do clarão do fogo para que vocês possam ver os meus diagramas. X. – Claro, quero muito ver o seu jardim dos grafos, meu amigo! A obra que coroa os seus 160 anos de idade! Y. – A luz azul do celular persiste dentro do carro negro que 20 sai subindo a rua iluminada; é a mesma luz que emana da mão do rapaz que desce a calçada íngreme como se ele segurasse

um pacote fosforescente; é também a mesma luz que colore inesperadamente os sacos de plástico que a moça põe no chão diante de si no ponto de ônibus.... X. -- Delirando de novo! Z. – Ela sente muita falta de coisas resplandecentes... Y. – Um homem de traços orientais está estirado na calçada en- tre quem vai e vem, numa região frequentada por turistas onde há muitas vitrines chamativas; é fim de tarde, e ele, como se fizesse exercícios em câmera lenta, ora levanta as costas, ora um braço (ou a perna trêmula)... X. – Ela se preocupa muito com os sem-teto... Z. – E com vitrines cheias de manequins sem olhos... 21

SEGUNDA CENA Hora indefinida. A fogueira está acesa. Y. – Gostaria de propor um brinde à prosopopeia! X. – Por que à prosopopeia e não ao jardim dos grafos do nosso amigo? Z. – Ainda não mostrei a vocês o meu jardim... Y. – Exatamente! Por isso gostaria de fazer um brinde... X. – À prosopopeia? Y. – Sim, à prosopopeia, e sabem por quê? Porque o falante plu- ral fala por todo mundo, ele são todos e ninguém; então agora, graças a ele, nós temos voz! Z. – O falante plural realmente lhe deu voz, senhorita ema... X. – Mas os tiranos vão tirar! Não apreciam trios inteiramente falantes como a gente! 22 Y. – Um brinde aos que dão voz à pedra, aos peixes, à fibra... porque o mundo agora é uma febre de falares!

Z. – Sim, os filósofos europeus ultimamente afirmam isso, reati- vando as antigas práticas pagãs. Y. – Como uma pequena pá cheia de areia branca, a folha seca enterrada na praia aguarda à tarde a aproximação da onda que levará os grãos recolhidos... X. – Posso ouvir as ondas! Z. – No fundo, toda caverna, mesmo neste pequeno planeta sem mar, é uma concha... Y. – Um avião barulhento acima das nuvens segue para o Norte; um barco murmurando no mar cinza vai para o Sul; e um inseto quieto vai e volta rente à tela transparente tentando talvez achar nela um buraco pra passar pro outro lado e tomar um rumo... X. – Mas eu ouço o inseto! Z. – Eu também! Y. – Um saco verde meio transparente e cheio de folhas secas é acomodado na calçada à espera do caminhão de lixo, com um galho longo saindo para fora qual uma antena de rádio portátil. 23

TERCEIRA CENA Hora indefinida. A fogueira está acesa. Z. – Quero lhes mostrar o meu jardim dos grafos. Passarei as folhas uma por uma. Para olhá-las bem é preciso girá-las diante dos olhos. Todos os diagramas são em preto e branco. X. – Espero que a ema míope não aproxime tanto das folhas os seus olhos grandes... Y. – Porei os óculos, se puder achá-los! Z. – Eis o primeiro diagrama... X. – Tem certeza de que é o primeiro? Z. – É o primeiro que passarei a vocês... Y. – Claro, a ordem é aleatória... Z. – De fato, o primeiro poderia ser o último e vice-versa. X. – Me passe logo o seu jardim dos grafos! 24 Y. – Sim, estamos famintos! X. – O nosso jardineiro vem trazendo o que sobrou do tronco do

velho ficus onde antigamente residiam besouros pretos e loiros: um túnel o atravessa, limpo, de cima a baixo. Y. – Que fim levaram os besouros brilhantes? Z. – Um suave solavanco, e o caminhão-cegonha repleto de car- ros novos reluzentes lança na estrada um copinho branco de plástico, que cruza o asfalto e se esconde no capim mais próxi- mo. Y. – Com o sol firme brilhando... X. – A fogueira me basta! Do(u)do, me passe logo o jardim dos grafos! Z. – Nesta caverna, vou espalhando os grafos giratórios... 25

O JARDIM DOS GRAFOS 26
















































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