CENTENÁRIO SARAMAGO PÓRTICOS AS EPÍGRAFES EM JOSÉ SARAMAGO
Título: Pórticos - As epígrafes em José Saramago Seleção e organização de texto: Adelaide Jordão Design gráfico: Adelaide Jordão Edição: Biblioteca da ES Camilo Castelo Branco Vila Real 2023
CENTENÁRIO SARAMAGO PÓRTICOS
Pórtico? Epígrafe? Vejamos...
PÓRTICO pór.ti.coˈpɔrtiku nome masculino
1. entrada monumental de um edifício nobre 2. porta principal de um edifício; portada 3. estrutura existente numa estrada, que permite registar os veículos que passam por ela, no sentido de permitir o pagamento eletrónico de portagens 4. Arquitetura: átrio cuja abóbada é sustentada por colunas ou pilares, na frente de alguns edifícios E-Dicionário de Termos Literários, de Carlos Ceia
EPÍGRAFE Do grego gráphein (“inscrição”), uma epígrafe é um texto breve, em forma de inscrição solene, que abre um livro ou uma composição poética. Na época clássica, faziam-se epígrafes ou inscrições em pedras, estátuas, medalhas, monumentos, etc., para conservar a memória de pessoas ilustres ou acontecimentos históricos de relevo. E-Dicionário de Termos Literários, de Carlos Ceia
Os escritores antigos fizeram pouco uso das epígrafes, mas a epígrafe literária entrou em uso no séc. XVI, tornando-se moda a partir do séc. XVIII. Em França, surge pela primeira vez em 1704, no Dictionaire de Trevoux e daí por diante começou a ser utilizada em toda a Europa.
A epígrafe é um pré-texto que serve de bandeira ao texto principal, por resumir de forma exemplar o pensamento do autor. Tem, pois, a função de um lema ou de uma divisa.
O autor pode optar por colocar a epígrafe em página isolada, antes do corpo principal do texto, servindo de abertura solene do livro, pode ocorrer logo abaixo do título de um livro, ou ainda à entrada de um discurso, capítulo de obra extensa ou composição poética.
Faz parte da estratégia autoral. Para além de funcionar como protocolo de leitura , ela provoca o(s) diálogo(s) entre textos, suscitando o questionamento e a reflexão. Surge sob a forma de conselhos, provérbios, salmos, pedaços de poemas.
Diálogo Saramago / Jorge Luís Borges As epígrafes que encontramos nas obras de Saramago não são tiradas apenas de livros de autores conhecidos. Adotando o jogo do escritor argentino Jorge Luís Borges, que escreveu o Prólogos, Com Um Prólogo De Prólogos de livros inexistentes, também Saramago utilizou epígrafes de livros inexistentes.
Desde A Jangada de Pedra (1986), muitos são os livros inexistentes que Saramago passa a citar: “Livro dos Conselhos”, “Livro dos Provérbios”, ”Livro das Epígrafes”, “Livro das Evidências”, “Livro dos Contrários”, “Livro das Previsões”, \"Livro dos Itinerários”, \"Livro das Vozes\", \" Livro dos Disparates\".
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Sobre as epígrafes A PALAVRA A SARAMAGO Centenário Saramago
\"Contra mim falo: o melhor que às vezes os livros têm são as epígrafes que lhes servem de c redencial e carta de rumos. [...]. Lamentavelmente a crítica salta por cima dessas excelências e vai aplicar as suas lupas e os seus escalpelos ao menos merecedor que vem depois.\" José Saramago, Cadernos de Lanzarote III, Caminho, 1998, p. 19
Eu diria que a epígrafe me ajuda, no sentido de que ela é já uma proposta: é como se a epígrafe já me apresentasse o campo de trabalho onde depois a narrativa se vai desenvolver. Carlos Reis, Diálogos com Saramago, Caminho, 1998, pp. 89-90
CENTENÁRIO SARAMAGO PÓRTICOS
DESTE MUNDO E DO OUTRO [Crónicas, que são? Pretextos, ou testemunhos?] CRÓNICAS
A BAGAGEM DO VIAJANTE [Um dia tinha de chegar em que contaria estas coisas.] CRÓNICAS
VIAGEM A PORTUGAL “A quem me abriu portas e mostrou caminhos – e também em lembrança de Almeida Garrett, mestre de viajantes.” CRÓNICAS
LEVANTADO DO CHÃO “E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?” - Almeida Garrett ROMANCE
A JANGADA DE PEDRA \" Todo futuro es fabuloso” - Alejo Carpentier ROMANCE
OBJETO QUASE Se o homem é formado pelas circunstâncias, é necessário formar as circunstâncias humanamente. K. Marx e F. Engels, A Sagrada Família CONTOS
A NOITE \"Todos faremos jornais um dia.\" (Autor desconhecido) ROMANCE
MEMORIAL DO CONVENTO “Para a forca hia um homem: e outro que o encontrou lhe dice: Que he isto senhor fulano, assim vay v. m.? E o enforcado respondeo: Yo no voy, estes me lleban.“ - Pe Manuel Velho ROMANCE
HISTÓRIA DO CERCO DE LISBOA Enquanto não alcançares a verdade, não poderás corrigi-la. Porém, se a não corrigires, não a alcançarás. Entretanto, não te resignes. Do Livro dos Conselhos ROMANCE
O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS “ Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo.” - Ricardo Reis “ Escolher modos de não agir foi sempre a atenção e o escrúpulo da minha vida.” - Bernardo Soares “ Se me disserem que é absurdo fallar assim de quem nunca existiu, repondo que também não tenho provas de que Lisboa tenha alguma vez existido, ou eu que escrevo, ou qualquer cousa onde quer que seja.” - Fernando Pessoa ROMANCE
IN NOMINE DEI \"Entre o homem, com a sua razão, e os animais, quem, afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? Se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo d’Alsácia?\" TEATRO
O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO “ Já que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram servidores da Palavra, resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expor-tos por escrito e pela sua ordem, ilustre Teófilo, a fim de que reconheças a solidez da doutrina em que foste instruído.” - Lucas, 1, 1-4 “Quod scripsi, scripsi.” - Pilatos ROMANCE
A CAVERNA “Que estranha cena descreves e que estranhos prisioneiros, São iguais a nós.” Platão, República, Livro VII ROMANCE
A SEGUNDA VIDA DE S. FRANCISCO “ - Ó Pedro, que é do livro de capa verde, que te deu o avô? - Já o dei ao Jorge a guardar.” João de Deus, Cartilha Maternal TEATRO
TODOS OS NOMES \"Conheces o nome que te deram, não conheces o nome que tens.” Livro das Evidências ROMANCE
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA “ Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” Livro dos Conselhos ROMANCE
O HOMEM DUPLICADO \"O caos é uma ordem por decifrar.” Livro dos Contrários “ Acredito sinceramente ter interceptado muitos pensamentos que os céus destinavam a outro homem.” - Laurence Sterne ROMANCE
ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ Uivemos, disse o cão. Livro das Vozes ROMANCE
AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE “Saberemos cada vez menos o que é um ser humano.” Livro das Previsões ROMANCE
A VIAGEM DO ELEFANTE “Sempre chegamos ao sítio onde nos esperam.\" O Livro do Itinerários ROMANCE
PEQUENAS MEMÓRIAS “Deixa-te levar pela criança que foste” Livro dos Conselhos ROMANCE
D. GIOVANI OU O DISSOLUTO ABSOLVIDO “Pensa por exemplo mais na morte, - ε seria estranho em verdade que não tivesses de conhecer por esse facto novas representações, novos âmbitos da linguagem.” - Wittgenstein “ Nem tudo é o que parece.” TEATRO
CAIM “Pela fé, Abel ofereceu a deus um sacrifício melhor do que o de Caim. Por causa da sua fé, Deus considerou-o seu amigo e aceitou com agrado as suas ofertas. E é pela fé que Abel, embora tenha morrido, ainda fala.” (Hebreus,11,4) - Livro dos Disparates ROMANCE
CADERNOS DE LANZAROTE “Eu sou eu e minha circunstância.\" Ortega y Gasset DIÁRIO
CLARABOIA “Em todas as almas, como em todas as casas, além da fachada, há um interior escondido.” Raul Brandão ROMANCE
A MAIOR FLOR DO MUNDO [As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas.] - José Saramago CONTO INFANTIL
Obras de Saramago Terra do Os poemas Provavelme Deste mundo A bagagem As opiniões O ano de Manual de Objeto A noite Poética Levantado Que farei Memorial Viagem a O ano da A jangada A segunda Pecado Possíveis nte Alegria e do outro do Viajante que o DL 1993 Pintura e quase (1979) dos Cinco do Chão com este do Portugal morte de de Pedra vida de (1947) (1971) teve (1974) (1975) Caligrafia (1978). Teatro sentidos - (1980). Ricardo Reis Francisco Romance (1966) (1970) Crónicas (1973) Crónicas Poesia Conto O Ouvido Romance livro? Convento (1983) (1986) de Assis Poesia Poesia Crónicas (1977) (1980). (1982) Crónicas (1984) Romance (1987) Romance (1979). Teatro Romance Teatro Conto Romance A
Obras de Saramago História do O evangelho In Ensaio sobre Todos os O conto da A caverna A maior flor do O homem Ensaio As Don Giovali As A viagem do Caim Claraboia Alabardas, cerco de segundo nomine a Cegueira nomes ilha (2000) mundo duplicado sobre a intermitên ou o pequenas elefante (2009) (2011) alabardas, Lisboa (1997) (2001) lucidez memórias (2008) Romance espingardas (1989) Jesus Cristos Dei (1995) Romance desconhecida Romance (2002) (2004) cias da dissoluto Romance Romance espingardas Romance (1991) (1993) Romance (1997) Lit. Infantil Romance Romance morte absolvido (2006) Teatro Conto (2005) Memórias (2014 Romance Romance (2005) Romance Teatro A
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