artigo É terno! Convido-o a conhecer um dos maiores ícones da moda masculina POR EDER OZA “Tudo acaba, tudo tem seu fim, o que vale A partir daí, o terno foi instituído como elemento de na verdade é se aquilo foi importante para força, sexualidade e beleza do homem urbano. Con- você enquanto existia”. É com esse pensa- sagrando a base inicial, o terno consolidou seu ideal: mento que o convido a conhecer um dos maiores imitar a elegância e a estética da natureza, traduzi- ícones da moda masculina, entender sua criação e do através do ideal moderno de bom-tom masculi- a grande influência em momentos históricos da hu- no. Esta ordem resume que os seres humanos sejam manidade. complementados por roupas, e que fique bem claro: No final do séc. XIX, na transição do período vitoria- complementados e não dominados! no, era necessário que o ser se manifestas- se além do ter. Com esse pré-requisito, A meu ver, o terno é o maior o terno, que materializa de certa for- equalizador de talentos, ele ma este pensamento, ganharia o oprime quaisquer percepções apreço dos homens de todo o pré-estabelecidas, institui re- mundo e viria a se tornar o gras, parâmetros... Este traje principal traje masculino do é capaz de tornar o uniforme período contemporâneo. elegante, gerar credibilidade, A alfaiataria e a costura sob esconder verdades. medida perdiam espaço Ele leva o formando da facul- para a escala em produção dade ao primeiro emprego, faz industrial, e esse movimen- casamento e até enterro. Quem to obrigou muitos alfaiates a nunca se sentiu mais vaidoso dentro oferecer a exclusividade como de um terno? Qual segurança já lhe foi atrativo. Com isso, a matéria-prima, o acabamento e transferida por usá-lo? E quantas responsabilidades a modelagem se tornariam diferenciais na escala de cabem nos bolsos de um paletó? qualidade dessas peças, e essas características iriam se Talvez nem eu imaginasse que tanta história per- perpetuar até hoje. corria o universo de uma indumentária. Que todos Contudo, a adesão masculina a essa nova tendência tenham a oportunidade de ter um terno, e se ele não iria de encontro a toda efemeridade e ao descarte for eterno, posto que é material, que lhe faça sentir- temporal pregado pela moda em tempos de Revo- -se de fato especial. lução Industrial. O novo capitalismo devorador exi- gia que as demandas fossem mais constantes. E, na Eder Oza, contramão, grandes estilistas do início do século XX inseriram em suas coleções o tão requisitado adereço. tem 31 anos, é Cachoeirense. Graduado em Administração com MBA em Gestão em Negócios da Moda (FAESA) e MBA em Gestão Comercial (FGV) Gerente de Compras e Marketing do Grupo Barezy há 10 anos e tem várias paixões: moda, culinária, arquitetura, viagens e animais 52
artigo Crescendo na resiliência Tem se falado muito sobre resiliência, mas o que é afinal? POR RENATA MAGALHÃES Na Psicologia, resiliência tem a ver com a capa- com as dores e sofrimentos, daqueles que escolhem cidade e disposição para lidar com as adver- a boa parte, se tornam resilientes e ficam ainda mais sidades sem perder a sanidade mental. E cá fortes emocionalmente, crescem, evoluem e amadu- entre nós: sem saúde mental é impossível ter qualquer recem. tipo de saúde, não é verdade? Nossos pensamentos, Permanecer em um lugar de dúvidas e de vítima sem- nossa mente, gerenciam nossas atitudes e compor- pre é uma possibilidade para os que não se responsa- tamentos. Somos regidos por aquilo que acreditamos bilizam pela sua própria história. ser a verdade. Nossas crenças são determinantes na Aprender com os erros, com as falhas (as nossas e as maneira como lidamos com o mundo, com as pessoas e com as coisas. Se dos outros), com as crises e perdermos a capacidade de ge- os “tsunamis” que a vida hora renciar de forma saudável em vez nos apresenta, é privi- nossos pensamentos certa- légio dos resilientes, dos que mente teremos problemas. não desistem diante das di- Senão hoje, logo adiante ficuldades e não sucumbem eles virão. diante da dor. Vive bem quem tem sanida- Vocês já ouviram falar que de para administrar as cri- após toda tempestade vem a ses que surgem no dia a dia. bonança? Então, os que não são Quando as crises vêm, em resilientes não experimentam isso. Eles um primeiro momento, per- entregam os pontos antes mesmo da tem- demos o chão, perdemos o ar, perdemos as forças e pestade passar. Mas os que são, estes suportam com muitas vezes perdemos até a alegria de viver. Muitas bom ânimo e boa atitude até que a tempestade passe, pessoas não conseguem sair dessa fase e sucumbem, na certeza de que a bonança virá, e virá trazendo matu- se entregam, se rendem à dor e desistem, muitas ve- ridade, experiência e sabedoria. O que é bom passa e o zes tirando a própria vida. que não é bom, também. Enfim, tudo na vida passa. E não são poucos que quando permanecem vivos se Então, “let’s” viver a vida com mais leveza e mais resi- tornam mortos-vivos, fantasmas do seu próprio eu, liência? Isso também é uma escolha e essa escolha é, entregues à própria sorte. sim, possível. Hoje quero falar daqueles que passam para a segunda fase, daqueles que entendem que é possível aprender Renata Magalhães é Psicóloga, Terapeuta Familiar e acredita que é possível crescer com os desafios que a vida nos apresenta. 53
cultura Poesia Solange Casotti Aarte provoca os sen- Sou casada com o artista plás- “Ventanias” “O que é esta faísca de felicidade tidos, os afetos e as tico Guilherme Secchin, com que me faz tremer, me dá forças? percepções. Concen- quem tenho dois filhos. Adoro Aquarela de Guilherme Secchin) Desculpem doces criaturas, eu tra tudo num meio que pro- casa, família, amigos, viagens, não tinha entendido, porciona uma experiência música, comida, literatura e ar- “e a tristeza tem não sabia... àqueles que se dispõem a vi- te. Tenho medo da violência. sempre uma Como é justo aceitar, amar vo- venciá-la. A poesia exige do esperança” cês, e como é simples! leitor uma atenção e um tem- “É melhor ser alegre Sinto-me como que libertado. po diferentes. Segundo o filó- que ser triste” Samba da Benção - Vinícius de Morais Tudo me parece bom, tudo tem sofo e poeta Antonio Cícero, um sentido, tudo é real! “romper a cadeia utilitária Alguma dúvida? Classificados Como eu gostaria de saber expli- cotidiana é quando concede- Somos 50% responsáveis pela car, mas não sei dizer. mos ao poema a concentra- nossa felicidade, o resto vem Alugo aqui Pronto, tudo está de novo como ção por ele solicitada.” no DNA. um espírito que antes, tudo está confuso. Nasci Solange Moreira Ca- Felicidade nos genes: até 50% não me empresta Mas esta confusão sou eu. sotti, sou capixaba de Ca- dos níveis de felicidade de ca- um ritmo bom, Eu como eu sou, e não como eu choeiro de Itapemirim e da indivíduo seriam atribuídos queria ser, e não tenho medo de moradora da cidade do Rio aos seus genes. Pelo menos é uma paz. dizer a verdade, aquilo que não de Janeiro há mais de trinta o que sustenta a especialista Vendo sei, que procuro e não achei. anos. Escrevo poesia desde a da Universidade da Califór- Só assim vivo e posso olhar seus adolescência. Publiquei dois nia, Sonja Lyubomirsky, que se peça única olhos fiéis sem sentir vergonha. livros: Ventanias (Sete Letras, dedica a estudar o tema há 18 de ânsia mal resolvida. A vida é uma festa, vamos vivê-la 1997) e Tectônicas (Bem–Te- anos e escreveu o livro “A ciên- juntos! Só sei dizer isto, a você e -Vi 2007). Escrevo blogs des- cia da felicidade” (Editora Cam- Faço doações aos outros. Aceite-me, se puder.” de 2008. Já fiz roteiros para pus - Elsevier, 2008). Segundo de críticas (“fala” de Guido, personagem de programas de televisão e te- a autora, somente 10% seriam e mágoas. Marcello Mastroianni em 8 e ½, nho um projeto para teatro. relacionados a condições de de Fellini) Estou na Puc-Rio fazendo vida, como riqueza e pobreza, Procuro sonho ou utopia uma pós-graduação em Li- saúde ou doença. Os demais que combinem. teratura, Arte e Pensamento 40%, sustenta a pesquisadora, Aceito Contemporâneo . Me formei são ligados a pequenas ações e crédito zero em Direito na UERJ. gestos cotidianos. e coragem. Entregas em domicílio. Poema publicado em Ventanias, Sete Letras 1997 Solange Casotti é poeta e roteirista. Publicou os livros de poesia “Ventanias” (Sete Letras, 1997) e “Tectônicas” (Bem-te -vi, 2007). Escreve o blog Tectônicas (blogtectonicas.blogspot.com.br) 54
etiqueta A arte de receber Foto: Jonathan Lessa Sônia Gonçalves Cada estação do ano tem a sua característica e os produtos que vão bem com a época. Hora de botar para fora nossos utensílios mais pesados. Nossa casa Usar velas, elas aquecem... Foto: Renata Magalhães Já faz frio... E, por que não?, galhos se- cos e folhas secas. Sônia Gonçalves se formou pela Escola de O tempo mudou... Juntar os amigos, para to- Belas Artes nos anos 60 - UFES e durante 22 anos foi dona da loja E mudamos nós... mar um bom vinho. FESTI- Mudam as estações e os há- VAL de massas e caldos. Arte e Casa, em Cachoeiro. Para ela, o grande segredo para uma bitos de cada estação. Posso dispor todo o ser- casa se tornar acolhedora está na harmonia entre formas e cores. Muda o nosso olhar... viço de louça e talheres, Cada estação tem a sua ca- guardanapos numa mesa e racterística e os produtos enfeitá-los, com guardana- que vão bem com a época. pos amarrados com palha. Estamos no outono. Mas, às NO APARADOR, os copos, vezes, já é inverno para nós, os vinhos e jarras d’água. aqui, tão acostumados a O ambiente poderá ser de- temperaturas altas. Um frio- corado com galhos secos e zinho faz bem, ao coração e velas escuras e acesas. à alma. Tudo isso trará uma atmos- Consumir os produtos que fera aconchegante, quenti- ajudam no frio, como caem nha e agradável. bem! Melhor que isto, só de- Um caldo quente, um cho- pois... colate quente, as massas fu- Um bom sono, com direito megantes... à manta quentinha e livro Hora de botar para fora nos- de cabeceira. sos utensílios mais pesados. E como é fácil ser gentil e Usar as cerâmicas escuras, acolhedora. o ferro fundido, os bowls de Seus amigos vão adorar. madeira, os cobres... Tecidos xadrez e madras, te- Boa sorte! cidos escuros com cores fe- chadas. 55
sabor À mesa com... Terezinha por Renata Magalhães Adoçar a vida e os encontros com os amigos com uma sobremesa rápida, fácil, simples e saborosa é, sim, possível! A receita de hoje é uma das sobremesas preferidas da família de Teresinha Valente Gomes da Silva. Terezinha é uma jovem de 85 anos, antenada, cheia de vida e com alegria para dar e vender! Foi no intervalo entre um café com sua filha Eliete e sua aula de computação que ela me re- cebeu com essa deliciosa sobremesa! Quem elegeu essa doce receita dentre tantas outras que ela faz para compartilhar aqui conosco foi seu genro e fã número um, Renner (proprietário da Pizzaria Parkin). Podemos definir a bavaroise como “torta mousse”. É de origem francesa e sua criação vem lá do começo do século XIX, das mãos do rei dos chefs, Antonin Carême. Apesar do nome pomposo, a execução desta preparação não tem muitos segredos. A textura fica leve e com a mesma receita você pode variar os sabores, como coco, chocolate branco ou frutas. Então, faça já a lista de compras e mãos à obra! BAVAROISE DE ABACAXI foto: Renata Magalhães INGREDIENTES: 1 lata de abacaxi em calda 1 lata de leite condensado 2 latas de leite (usar a lata do leite condensado-medida) 1 lata de creme de leite 1 colher de sopa de manteiga 4 ovos 2 colheres de amido de milho 6 colheres (sopa) de açúcar MODO DE FAZER: Escorra a calda e pique o aba- caxi. Faça um creme com o amido de milho dissolvido no leite, o leite condensado, a manteiga e as gemas. Deixe engrossar e reserve. Bata as claras em neve, junte o creme de leite sem soro e o açúcar Arrume em um pirex nessa or- dem: abacaxi em baixo, creme de leite condensado no meio e o creme de chantilly por cima. Decore a gosto. Leve à gela- deira e deixe de um dia para o outro. E bon apetit! 56
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