V i d a N o v aANOXVI|N.o75|Dezembro2018 Franciscanos Capuchinhos de GondomarFICHA TÉCNICA Direção técnica: Comunidade de Nª Senhora Mãe dos Homens | Redação: Grupos da Comunidade (Acólitos,Catequese, C.S.F., G.A.M., G.Chama, G.Laetare, G.Psallite, G.C.Kyrios, M.E.C., O.F.S., G. Emaús). | Composição e paginação:Manuela Sousa | Email: [email protected] que significao Natal para mimAo pensar numa directriz para este número de VIDA NOVA, a entrando como um raio de sol que ilumina suavemente osair nas vésperas de Natal, nada melhor do que falar do Natal. amanhecer.Nós sabemos que o Natal tem “uma mística” tão especial Natal é tempo de dar sem esperar retorno, é tempo de partilharque até os mais empedernidos têm gestos só possíveis em alegria, de dar carinho e amizade, de ajudar aqueles que maisquem abriu o coração ao estilo, mensagem e vida d’Aquele necessitam, tempo de quebrar solidões lembrando de quemcujo nascimento marcou uma viragem esperada na história da está longe e de quem está perto, tempo de sorrir para todos oshumanidade. Com o Nascimento de Jesus começou uma nova que nos rodeiam com a alma e com amor no coração. Que oreferência na marcha do tempo. Começou tudo de novo. É uma Espirito e Luz do Natal consigam iluminar todos os coraçõeshumanidade nova que inicia “a sua marcha”. Por isso, há um ao longo de todos os dias do ano.” (Maria Rodrigues)tempo antes de Jesus e um outro que começa com Jesus. E já E o Natal de Nosso Senhor Jesus chegou. É chegada a horalá vão 2018 anos! de mais uma comemoração de Aniversário. Portanto devemosLembrei-me de “navegar” na Internet guiado pela pergunta que viver este momento maravilhoso! (Machado de Carlos)encabeça este texto. E vi que alguém transcreveu o que se Só que eu acho que as atitudes do Natal deveriam ser repetidassegue e de que gostei. durante o ano inteiro, não só nesta época. (Rosemildo Sales“O espírito do Natal está nos nossos corações, no meu está Furtado)desde que me conheço como pessoa e sempre o vivi com Adoro o Natal, ele trás um senso de família que me remete àimensa alegria. infância... tomara esse espírito do Natal permanecesse aoQuando era criança não havia árvores de natal de plástico e nosso lado todos os dias do Ano novo. (Ró)”compravam-se pequenos pinheiros. Nessa altura os meus paisviviam com poucos recursos económicos, era uma época muito Concluo pensando que vivendo este sentido do Natal de Jesusdifícil, e certo ano a minha mãe decidiu que não comprava o que vem para mostrar caminhos e atitudes novas para cadapinheiro para esse Natal. um de nós, todos podemos colaborar na construção de umaO meu coração ficou destroçado, eu ainda aleguei para ela relação de coração aberto, rosto sorridente, entreajuda nascomprar uma árvore pequenina, mas ela tinha decidido que não dificuldades, colaboração na execução de projectos, dar asia fazer nada. Uma vizinha nossa, a D. Deolinda, vendo a minha mãos nas tarefas familiares, grupais, comunitárias. E então oenorme tristeza, e tendo comprado uma árvore bem grandinha, Natal deixará em todos uma marca para a vida, uma nostalgiapartiu os ramos de baixo da árvore dela e deu-me para eu poder de algo que se viveu com um sentir diferente que deve perdurarfazer a minha árvore de Natal. Nesse ano, esses raminhos dados em todos os dias da vida.com carinho por aquela senhora, foram o melhor presente de Alguém disse que “o Natal começou no coração de Deus. SóNatal que eu podia ter tido. está completo quando alcançar o coração do homem.”A magia do Natal está nas atitudes, no carinho, num sorriso,em pequenos gestos que podem dar tanta felicidade a alguém, BOAS FESTAS DE NATALfelicidade essa que vai refletir-se também no nosso coração, FELIZ ANO NOVO PARA TODOS!DESTAQUESFiguras da Bíblia: 4 Natal em Comunidade 6O Apóstolo São João 2 Natal em BelémÉpoca de Notícias da O Natal, o menino e 8proximidade 3 O.F.S. Gondomar 5 os homens
Vida Nova FORMAÇÃOFiguras daBíblia:o ApóstoloSão JoãoEscrito por Vítor PereiraJoão teria cerca de vinte anos quando foi chamado por Jesus, e ministério, a sua casa de Éfeso tornou-se academia desendo o mais jovem dos apóstolos do Senhor. Era filho de formação para alguns os Santos Padres da Igreja, como SãoZebedeu e de Salomé (parente de São José) e irmão do apóstolo Pápias de Hierápole, São Policarpo de Esmirna ou Santo InácioTiago Maior. Era natural de Betsaida, povoação junto ao lago de Antioquia.Genesaré onde também viviam Pedro e André. Pescador de O final daquele portentoso século não era risonho para auma família de pescadores, não era de baixa condição, pois Santa Igreja. As perseguições aos cristãos recrudesceram eo pai tinha ao seu serviço jornaleiros e possuía barco próprio com elas o desejo de aniquilar a Igreja. Era a luta da Bestae a mãe era uma das mulheres piedosas que providenciavam contra o Cordeiro, reforçada ainda pelo surgimento de heresiasos bens materiais necessários ao ministério do Mestre. João, que ameaçavam o nome cristão. No meio desta turbulência,Tiago e o amigo Pedro formavam o grupo predileto de Jesus, o apóstolo ancião foi baluarte seguro na defesa da fé notestemunhando a ressurreição de Jairo, a transfiguração do Ressuscitado.Senhor e a sua agonia no Horto de Getsémani. O que mais distingue o apóstolo João não foi tanto a suaA amizade de João e Pedro foi de sempre, muito reforçada pela atividade missionária, de pouco sabemos, mas a extraordináriafaina. Por isso, não é de estranhar que os relatos evangélicos os riqueza teológica e poética dos escritos que nos deixou,apresentem sempre juntos. De facto, ambos foram encarregados profundamente marcados pela humanidade e divindade depor Jesus para prepararem a última ceia pascal, quando foi Jesus, pela apresentação do Espírito Santo, pela eternidadeinstituída a Eucaristia e durante a qual João reclinou a cabeça obtida como herança extraída da Cruz e pela fé em Cristo. Ossobre o peito do Messias. Depois da prisão do Senhor, João seus escritos são essencialmente cristocêntricos, buscandointroduziu Pedro na casa do sumo-sacerdote para poderem revelar a riqueza da pessoa de Jesus, Homem e Deus, Luz doacompanhar o julgamento no Sinédrio. Mas se Pedro fraquejou mundo e revelação do amor do Pai. Foi o guardião dos últimose negou conhecer o seu Mestre e amigo quando foi denunciado dias de Maria, colocando-a no milagre de Caná e no Calvário,pela criadagem de Caifás, João permaneceu perto de Jesus, no princípio e no fim da vida pública do Salvador, como queacompanhando-o nos momentos decisivos da Sua paixão. afirmando a presença constante de Maria na obra do seu Filho.De facto, o jovem apóstolo foi o único a estar ao pé da cruz. O seu texto evangélico não menciona o nascimento e aPor esse feito, Jesus confiou-lhe o cuidado da sua Mãe. Mas, infância do Senhor. Todavia, o “Natal” descrito por João é umna manhã da ressurreição João e Pedro, novamente juntos, acontecimento celestial, pois «No princípio existia o Verbo; overificaram que o túmulo estava vazio. Juntos estavam quando Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus. No princípio ElePedro curou um paralítico, quando foram presos e julgados estava em Deus. (…) Nele é que estava a Vida de tudo o quepelo Sinédrio e quando, na Samaria, invocaram o Espírito Santo veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhousobre os discípulos. Esta longa e íntima amizade, reforçada pela nas trevas, mas as trevas não a receberam. (…) O Verbo erafé em Jesus Cristo, haveria de ser testemunhada pelo apóstolo a Luz verdadeira (…). E o Verbo fez-se homem e veio habitarPaulo, por volta do ano 49, quando se dirigiu a Jerusalém no connosco (...)» [Jo 1, 1-2.4-5.9a.14]. Que neste Natal a Luzfim da sua primeira campanha missionária para se encontrar fulgurante do Menino Deus venha brilhar sobre nós e noscom Pedro e João, a quem chamou «colunas» da Igreja [Gl 2, 9]. transforme em candeias de esperança, para que Ele habite nosO «discípulo que Jesus amava» [Jo 13, 23], exerceu o apostolado nossos corações e seja o Homem entre os homens, único faroljunto dos pagão, conquistando muitos para a fé cristã. Por essa de Justiça, Verdade e Vida.razão, esteve desterrado na ilha grega de Patmos entre 81-96.Durante o reinado do imperador Nerva, o João foi autorizado aregressar a Éfeso, onde se fixara. Terá sido nessa cidade queele redigiu o seu Evangelho, o Apocalipse e as suas Cartas.Sendo o único sobrevivente dos Doze, João era muito estimadopelos cristãos dos finais do século I, em quem reconheciamuma extraordinária autoridade. Pelo valor do seu testemunho 2
Vida Nova VOZ DA COMUNIDADEA minha história Época dede Natal entre proximidadeo Porto e Pontede Lima Escrito por Grupo LAETAREEscrito por Benjamim Almeida - Grupo Bíblico “Emaús” O Natal é um dia festivo religioso cristão que celebra o nascimento de Jesus. Representa a natividade de Jesus...Nasci numa família humilde mas católica, e o meu Natal, Os valores e tradições da vivência natalícia no seio da minhacomo o dos meus irmãos, era um Natal pobre. Os meus pais família, embora mais “reduzida”, prevalecem na sua essênciaesforçavam-se para que nada nos faltasse, mas quando inalterados. A reunião e união, a ceia, a Missa de Natal e o beijochegamos a determinado ponto da vida e olhamos para trás, ternurento do Menino no final.vemos com quanta dificuldade os meus pais viviam o Natal. Embora os costumes atuais tenham adulterado o seu espíritoNão faltava o bacalhau, o Presépio, as rabanadas, creme e com a figura do Pai Natal e a troca de presentes, que envolvealetria, e no dia 25 de manhã havia uma chávena de cacau, o a componente comercial e o aumento da atividade económica,que só acontecia nesse dia. Brinquedos um para cada filho à nesta época existe uma tónica de proximidade com o outro,base de madeira… a rapariga recebia uma boneca, como não seja familiar, amigo, vizinho, conhecido, a quem se expressapodia deixar de ser. Era esta a realidade no começo dos anos votos de um Santo e Feliz Natal.‘60. O Grupo Laetare deseja a toda a comunidade dos Capuchinhos de Gondomar um doce Natal.Em Ponte de Lima NatalA minha mãe era natural da linda vila de Ponte de Lima, e delonge a longe o Natal era passado com os familiares limianos, Não há Mistério! É simples, afinal:pois do lado paterno não tínhamos familiares. Aqui o Natal era em cada coração que se enternece,diferente: só o facto de não haver eletricidade, a água ter deser transportada em cântaros desde a mina e a consoada ser aí mesmo aconteceà luz da candeia, já tornava o Natal diferente. À volta da lareira este Natal.preparavam-se as batatas com o bacalhau e a hortaliça acabadade apanhar, não havia doçaria nem distribuição de prendas. O Há Natal no mendigo pobrezinhosilêncio da aldeia, os seus cheiros, o estar à volta da lareira à que te suplica por um naco de pãoluz da candeia a petróleo conferia uma magia especial ao Natal.Em Ponte de Lima, os meus familiares, embora católicos, não e sem hesitação,tinham a tradição montar o presépio. Ao outro dia, acordar ao tu paras para o ajudar.som do sino da igreja da freguesia com aqueles toques própriosdo Minho era fantástico. Há Natal na inocente criança que te estende os bracitos a sorrir e, sem fingir, parece Deus Menino que aí está. Há Natal no amigo que está triste e precisa de um abraço e de carinho. Vai de mansinho e prova-lhe que sempre te tem ali. Há Natal no caminho que procuras e quando tu só encontras traições espalhas teus perdões e sentes tua alma aliviada. Foi Natal nessa Gruta de Belém. Mas hoje, no mais íntimo de ti -- E só aí! – é Natal também. Maria Luísa Osório Grupo Psallite 3
Vida Nova VOZ DA COMUNIDADE Interior da Capela de S. Jerónimo, Belém - Palestina Na homilia, feita em Árabe e Francês, o Patriarca apelou à unidade dos habitantes desta terra, apelando assim a um Natal de paz.Natal em Belém Penso que todos tínhamos este pensamento na ideia: rezar pela paz.Texto adaptado por Benjamim Almeida (Grupo Bíblico Emaús) A celebração terminou com uma procissão à gruta da Natividade, onde se leu o Evangelho de São Lucas, do Nascimento do Senhor.Testemunho Pernoitamos em Belém, porque, no dia de Natal, tínhamos a Missa tradicional do Bíblico, na Gruta onde, segundo a Tradição, viveuNão é fácil resumir em poucas linhas acontecimentos tão bonitos São Jerónimo. A esta celebração presidiu o Cardeal Martini queque marcam a nossa vida. Estou a falar, por certo, da minha vive connosco aqui, em Jerusalém, no Pontifício Instituto Bíblico.participação nas cerimónias de Natal, em Belém, na Palestina, Na homilia, apelou a passar da natural linguagem do coração,neste ano de 2007. proporcionada por esta quadra, à linguagem da mente. TerminavaFoi uma experiência única que começou de uma maneira dizendo que é necessário ser simples para acolher a mensagemempenhativa mas, ao mesmo tempo, engraçada: com outros do Evangelho. Penso que é um apelo que se pode aqui deixarcolegas e pessoas conhecidas de um deles, fui a pé até Belém, para todos.também de modo a poder viver de um modo mais peregrinante Alguns aspetos interessantes:este Natal. Ao todo, são 12 km que separam Jerusalém de Belém,com um “check-point”. - O Natal é a festa da união dos povos. Nas nossas celebraçõesEra, de certa forma, ponto de meditação que íamos a Belém para não podíamos vir de muitos mais países para adorar este Menino,celebrar o nascimento do Rei da Paz, mas tivemos de passar por como os pastores há 2000 anos; não só a grande diversidadesituações de ausência de paz e, sobretudo, de falta de confiança. de nacionalidades dos alunos do Bíblico ajudava à festa, masFiquei muito tocado por, ao entrar em Belém, quando estava para desde os concelebrantes até aos membros da assembleia,chegar o Presidente da Autoridade Palestiniana, as ruas estarem podíamos apreciar a diversidade de proveniências.polvilhadas de soldados e polícias, armados com armas, não de - Natal é festa de paz. Quem preparou o altar para a nossa Missabrincar: até para a festa da paz, se tem de usar as armas para na Capela de São Jerónimo foi uma pessoa do Iraque. Rezámosmanter essa mesma paz ou, pelo menos, para que não haja por esse país, pedindo que este fosse um ano de mudança. Eguerra. assim o esperamos…Dizia que esta experiência de caminhar tinha sido interessante,porque connosco caminhava um casal franco-americano que No Natal...estava à espera do nascimento do seu filho para o dia 24 ou 25.Durante o caminho, a criança não nasceu e não sei qual é o ponto Escrito por Célia Peixoto (Grupo Coral S. Francisco)da situação no momento em que escrevo. Mas podíamos assimadmirar a esperança dos futuros pais e, de certa forma, reviver a No Natal…, quando somos pequenos/grandes, tudo é fantasiacaminhada de Maria e José até Belém. e o meu não foi exceção.As cerimónias foram presididas pelo Patriarca Latino de No Natal, era sempre um grande frenesim, éramos muitos… eJerusalém e concelebradas por alguns bispos e, seguramente, barulhentos….centenas de padres que, como eu, tinham obtido a autorização No Natal, tudo era mágico… e não faltava, à meia-noite, opara a concelebração. A Igreja de Santa Catarina, que confina Pai Natal a bater à porta para deixar os nossos brinquedos,com a Basílica da Natividade, de custódia ortodoxa, estava cheia. chocolates, roupas novas, etc.As celebrações começaram às 23.30h com o Ofício de Leitura e, Num ano, o Natal era na minha avó materna e, no outro ano,às 24.00h, com o canto da calenda de Natal – o Solene Anúncio na minha avó paterna… em ambas havia sempre muita magiado Nascimento do Senhor – os sinos tocaram de festa, a que se no ar…seguiu o canto do Glória. Eu, apesar de já ter a minha família, continuo a gostar muito do Natal, apesar de não estarem todos os membros da família entre nós. O Natal para mim ainda é, hoje, um dia maravilhoso, em que a luz, a paz e a harmonia vivem e convivem. 4
Vida Nova VOZ DA COMUNIDADEO Natal do Porto já as pastelarias vendiam o mesmo bolo, chamando-lhe Bolo deem duas gerações Natal, Bolo de Ano Novo ou até Ex-Bolo-Rei.Escrito por Marlene Castro e Ana Roboredo (Coral S. Francisco) Uma ótima ceia de Natal para todos, onde quer que a tradição esteja… com bacalhau, bolo-rei, pão-de-ló, ou com outrasQuem não se lembra do Natal de antigamente, não muito diferente tradições que vos façam felizes!do de agora, diria eu… A tradição ainda é o que era?! E, já agora, não esqueçam o espírito do Menino Jesus.Falar de Natal sem bacalhau, não é bem a mesma coisa.Do que mais me recordo é, de facto, daquelas postas altas e Notícias da O.F.S.deliciosas de bacalhau cozido, bem regado com azeite e alho. GondomarMãe, Natal não é só a refeição. Bacalhau com azeite e alho? Escrito por José Lousada (Ministro O.F.S. Gondomar)Isso era antigamente. Prefiro o bacalhau com natas da tia…Tenho ainda em mente que sempre que se ouvia falar do Natal, no No dia 11 de novembro de 2018, numa tarde chuvosa de domingo,resto do país, parecia que viviam no mais rígido e rigoroso jejum. contrariada pelos corações quentes dos irmãos franciscanosQual polvo, qual perú! Venha o mais belo dos bacalhaus exposto da OFS de Gondomar, reunidos na sala Frei Albino Felicíssimo,em tantas casas tradicionais da baixa portuense… E os frutos realizou-se a profissão de dois novos irmãos à regra do Seráficosecos, o pão-de-ló... Santo Deus, o pão-de-ló com queijo!… Pai S. Francisco de Assis. A celebração foi presidida pelo assistente da OFS, Frei JoséMãe, tu já nem podes comer queijo quanto mais pão-de-ló com Machado Lopes. Louvámos o Altíssimo e demos-Lhe graças porqueijo! É só comida, valha-te Deus! E então os sapatinhos na nos abençoar com a presença de mais dois irmãos na ordemchaminé, as prendinhas à meia-noite? Fala sobre outras coisas. franciscana.Sabes, li algures que no século passado a véspera de Natal era Fomos honrados pela presença do nosso ministro nacionalpassada de maneira diferente. A partir do início do Advento, da OFS, Rui Silva, a ministra regional Manuela Tavares e aindaas famílias faziam jejum de carne e, na véspera de Natal, era a presidente do conselho nacional da JUFRA (Juventudejejum total até à Missa do Galo. Na década de ‘30, depois da Franciscana), Rute Paixão.missa, finalmente tinha-se direito a comer qualquer coisa – e No final da Eucaristia, surgiu o ponto alto: um grupo de jovens,normalmente os pais serviam um doce para quebrar o jejum. No (na foto), depois de um ano de caminhada, manifestou a vontadedia 25, então, era servido um almoço completo. De madrugada, de continuar a aprofundar os conhecimentos sobre a vida de Sãodepois da Missa do Galo, era servida uma canja e um cálice de Francisco de Assis. Por sua vez, o conselho nacional da JUFRAvinho. Na verdade, a festa só começava depois da missa. comprometeu-se a acompanhar estes jovens durante este novo ano pastoral, proporcionando-lhes formação para que, no final doAh, canja de galinha! Sim, isso já é melhor, mãe! Mas conta-me ano, estes reúnam as condições necessárias para formalmente semais. juntarem à JUFRA de Gondomar.Hoje em dia, a ceia da véspera de Natal tem tanta importância Damos graças a Deus e louvamo-Lo pelos jovens entusiastas quecomo o almoço de dia 25. Mas, há cem anos, era coisa que existia aderiram aos ideais franciscanos, querendo viver o Evangelho aoessencialmente no Norte do País, acima do Porto. Aí, sim, havia jeito de São Francisco.uma tradição de jantar em família, com bacalhau e a invocação Como estávamos em tempo de São Martinho, não podíamosdo Menino Jesus. No Norte, todas as famílias nobres rezavam terminar o dia sem o habitual Magusto.pelo Menino Jesus à meia-noite. No final da II Guerra Mundial, obacalhau começou então a espalhar-se por todo o país. O EstadoNovo via no bacalhau um prato “simples” e “humilde” que ajudavaa educar o povo a ser poupadinho e bem comportadinho. Com amassificação da televisão e a distribuição de bacalhau garantidapelo Estado, a ditadura aproveitou para impor uma propagandanacional em defesa do bacalhau, tornando-o tradição em todoo país. Hoje, bacalhau cozido é coisa que não falta no dia 24em casa de todos. Mesmo as crianças estão rendidas a estamaravilha. Aliás, comparado com ele, só mesmo o bolo-rei. Eucompro sempre, mas é pela tradição, não é que aprecie…Lá nisso estamos de acordo. mãe. Também prefiro o pão-de-ló.Mas, com a implantação da república, um bolo com “Rei” nonome virou um ultraje. A venda foi proibida pelo Estado e só aimaginação dos portugueses é que o conseguiu manter vivo.Antes que os políticos percebessem o que se estava a passar, 5
Vida Nova VOZ DA COMUNIDADENatal em ComunidadeEscrito por Grupo Coral KyriosAmigos? Será que todas as histórias começam por “era uma depressa se passou à ação com palavras muito simples.vez...?” Vamos ajudar. E assim fizemos. Nesse momento, o Natal fez-se na sede do Grupo Coral Kyrios e dentro de cada um de nós.Esta começou num ensaio, todos reunidos na sede no final de Desencadeou-se um movimento generoso de apoio a estaum serão bem passado. O maestro pediu a atenção de todos família. Acompanhamento social, ajuda financeira para resolverpara relatar uma situação delicada: “tive conhecimento de uma as situações básicas, mas urgentes, como as contas de água efamília que precisa de ajuda”. luz, bens essenciais nomeadamente: roupa, alimentos, fraldas, eletrodomésticos, brinquedos e naturalmente uma ceia de Natal.Situação esta que, nos dias em que vivemos, não pode e nãodeveria acontecer. Mas acontece a todas as horas, dias, semanas, As dificuldades foram sendo ultrapassadas e aos poucos a vidameses e todos os anos e por mais que não consigamos ter real desta família foi encontrando a normalidade e a dignidade queperceção do que se passa à nossa volta, nem mesmo junto dos todas deveriam ter.que nos estão mais próximos, os problemas infelizmente existem A mãe melhorou, conseguiu emprego e após alguns mesese estão escondidos no mais profundo e envergonhado silêncio. já conseguiam seguir sem a nossa ajuda, tendo sempre a hombridade de nos agradecer o apoio não pedido masRetomando a história, ficamos presos ao relato. Tratava-se de humildemente aceite. Estavam em condições de continuar semuma criança que frequentava uma escola do 1.° ciclo de São nós, sem o nosso apoio... e nós sentíamos o sucesso deles comPedro da Cova. A professora, atenta, reparou que a menina o coração cheio de felicidade por eles.não levava lanche para a escola, nem comia o que recebia da Apesar de todos nós sabermos que estas situações existem, éprofessora ou o que a escola lhe proporcionava. Guardava-o sempre uma difícil vivência. E nós apesar desta ser uma históriana mochila. Sempre, todos os dias… Quando foi abordada pela que se iniciou triste, conseguimos encaminhá-la no sentido deprofessora em relação a este assunto, esta ficou desconcertada um final feliz. Contudo, foi apenas uma em muitas que existemquando percebeu que a criança guardava o pouco que lhe davam e estão a acontecer neste momento. Todos temos o deverpara levar para os dois irmãos de uma família de cinco pessoas cívico de estar atentos, muito atentos ao que nos rodeia, temosem que ambos os pais estavam desempregados; a mãe estava que conseguir ver os sinais.... Temos que ser mais uns para osdoente e o irmão mais novo era ainda um bebé. Passavam por outros.sérias dificuldades. O Grupo Coral Kyrios deseja a todos um Natal repleto de alegria, saúde, solidariedade, compreensão, respeito e amor por todos.Como é fácil imaginar, o final do ensaio foi em lágrimas, mas Feliz Natal! 6
Vida Nova VOZ DA COMUNIDADEO Natal dos meus Avós à Palestina, daí ele ter privilegiado este lugar para a celebração da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, recordando assim oEscrito por Grupo de Acólitos nascimento de Jesus. Quinze dias antes do Natal, mandou chamar o seu amigo JoãoO Natal aproxima-se. Já se veem as luzes de Natal, ouvem-se as que vivia em Greccio. Este tinha fama de ser um homem bom, commúsicas natalícias nos centros comerciais, nas ruas e sente-se a uma boa vida e apesar da sua linhagem de nobre, tinha sobretudoazáfama para a compra das prendas. O Natal está quase a chegar uma nobreza de espírito e caráter. São Francisco confiou-e nada melhor do que estar com os avós para ouvi-los falar sobre lhe então o seu grande desejo: celebrar o Natal em Greccio,as suas memórias, nomeadamente sobre esta festa. recomendando-lhe que começasse logo com diligência a prepararEntão, basta iniciar a conversa com “Como era o seu Natal” e o que lhe pedia: “É meu desejo celebrar a memória do Meninoouve-se a resposta pronta: “Ora, os doces eram exatamente os que nasceu em Belém de modo a poder contemplar com osmesmos como os de agora”, mas aqueles que o meu avô mais meus próprios olhos o desconforto que então padeceu e oaprecia são as rabanadas e o leite de creme. modo como foi reclinado no feno na manjedoura, entre o boiA melhor recordação que tem da época Natalícia é da mãe a fazer e o jumento”. Depois de ouvir o que S. Francisco lhe pediu, Joãoo jantar e a família reunida. O conceito de “receber presentes” partiu imediatamente e preparou tudo no lugar indicado.não existia, porque afinal não era o mais importante. Para o meu Quando chegou a noite de Natal, começaram a aparecer homensavô o mais importante era o Amor porque, afinal de contas, Natal e mulheres que viviam nas redondezas e com tochas e archotesé mesmo isso. foram iluminando a noite naquele bosque. A noite estava de talDe seguida, fui ter ao quarto da minha avó e, cheia de curiosidade, forma iluminada que do céu parecia ouvir-se o cântico “Glória aquis saber também como é que ela celebrava o nascimento Deus nas Alturas e Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade”.de Jesus. As memórias mais vivas que ela tem é, também, da Greccio naquela noite transformou-se na nova Belém, honrandofamília reunida, mas existem algumas diferenças. Quando a minha a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a todos aavó era mais nova, no Natal a sua família recebia o bacalhau da humildade.Conferência de S. Vicente de Paulo da Vila de Prado e só este Por fim, chegou São Francisco, que ficou radiante com tudo oato de amor enchia o coração de alegria da minha avó. Para além que havia sido preparado. Tinham feito um presépio; lá estava adisso, o único “presente” que recebia eram umas meias de lã que manjedoura com o feno e, junto dela, o boi e o jumento. O povosua mãe lhe fazia. e os frades cantavam os louvores ao Senhor e por todo o bosqueEntretanto, ainda muito jovens e porque os tempos eram difíceis, as suas vozes ressoavam e ecoavam. São Francisco prostrou-setiveram que ir cedo, inevitavelmente, para o mundo do trabalho e diante do presépio a suspirar, cheio de alegria e piedade. A Missaaí o Natal passou a ser diferente. O meu avô ora era sozinho ou era foi ali mesmo celebrada diante do presépio e o sacerdote sentiua servir mesas e a cozinhar e a minha avó, também, “foi servir”… uma consolação inexplicável.Mas, mesmo assim, o espírito de Natal não desapareceu e as Então São Francisco, que era diácono, vestiu a dalmática e commemórias ficaram para sempre... O melhor Natal é o mais simples “uma voz forte, doce, clara e sonora” cantou o Santo Evangelho,e, sem dúvida, o Natal dos meus avós era o mais simples de convidando todos a sentir as alegrias eternas. Depois pregoutodos, o melhor de todos graças ao amor, pois a base do Natal é ao povo presente, dizendo coisas doces como o mel, sobre oisso mesmo. nascimento do Rei pobre e sobre a cidade de Belém. Era tal o seu sentimento e doçura nas palavras proferidas que, muitasUma História de Natal vezes, quando queria nomear Cristo Jesus, o chamava também de Menino de Belém. Foi desta forma que São Francisco reavivouEscrito por Ana Maria Sousa (O.F.S.) no coração de toda aquela gente o nascimento do Menino Jesus. Mais tarde, no lugar do presépio foi levantado “um temploSão tantas as histórias e os testemunhos sobre as vivências do consagrado ao Senhor. No lugar da manjedoura foi construído umNatal que, hoje, ao meu jeito vou também contar-vos: como é que altar em honra do bem-aventurado pai Francisco, a fim de queSão Francisco de Assis viveu uma das suas noites de Natal. ali, onde outrora os animais se alimentavam com feno, pudessemTransportemo-nos ao século XIII, no ano de 1223, a uma humilde os homens alimentar-se continuamente da Palavra de Deus e doaldeia de montanha de Greccio, situada na Itália. Precisamos Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo”.recordar com todo o respeito e admiração o que São Francisco Greccio foi e será sempre o coração do ser humano, a manjedouraidealizou para a celebração dessa noite de Natal, três anos humilde e simples que o Menino Jesus procura cada ano paraantes da sua partida para o Pai. Greccio era um lugar muito poder nascer. O coração de cada um de nós é também o lugarpobre e humilde, semelhante aos lugares que S. Francisco havia privilegiado e sagrado que o Menino Jesus busca para voltar aconhecido aquando da sua viagem à Terra Santa, concretamente nascer todos os anos. Já faltam poucos dias para voltar a ecoar nos céus a mais bela notícia: já nasceu o Deus Menino!... Portanto, só precisamos de preparar os nossos corações para a sua chegada. Texto com excertos do livro Fontes Franciscanas 7
Vida Nova VOZ DA COMUNIDADE Uma oração do Pai Natal ao Menino Jesus Meu precioso Jesus amado, eu não quis tomar o teu lugar. Eu só trago brinquedos e coisas, e Tu trazes amor e graça. As pessoas dão-me listas de desejos e esperam que eles sejam realizados, mas Tu ouves as orações do coração e prometes a tua vontade de atendê-las. As crianças tentam ser boas e não chorar quando eu vou chegando, mas Tu amas incondicionalmente e o teu amor será sempre abundante. Eu deixo apenas um saco de brinquedos e alegria temporária, mas Tu deixas um coração de amor, cheio de propósito e de razões. Há muita gente que acredita em mim e que me torna famoso, mas eu nunca curei o cego nem tentei ajudar o coxo. Tenho bochechas rosadas e uma voz cheia de riso, mas não tenho mãos perfuradas pelos pregos nem promessas de eternidade. As pessoas podem encontrar vários como eu na cidade ou nas lojas, mas só existes Tu como o Onipotente que responde aos apelos de um pecador. E assim, meu precioso Jesus amado, eu me ajoelho aqui para orar, te louvar e te adorar neste santo dia da tua Natividade.O Natal, o menino e oshomensEscrito por Fernando Marques (Grupo Psallite)Das minhas memórias de criança, o Natal sempre foi o momentoda família com as suas quezílias, às vezes com incompreensões,mas acima de tudo com esperança que o Amor tudo alcance etudo supere.Depois cresci e o Natal transformou-se em alegria, convivênciaharmoniosa e saudável e aí o Menino crescia dentro do meucoração, pois o Natal é deixarmo-nos ir pela corrente doAmor sem restrições ou egoísmos e sempre saboreando cadamomento de felicidade suprema, como se precisássemos deabastecer para o ano que aí se advinha.O Natal é o que nós quisermos que seja e como tal é o nossocoração que define se o Menino vai nascer dentro dele ou não,e por vezes, a própria vida prega-nos partidas e sem semprepermitimos que isso aconteça. No entanto, uma certeza eutenho seja qual for o Natal que escolhermos, ter o Meninoque nasceu na Manjedoura e que estará sempre de braçosestendidos à espera que o abracemos sem recriminações,objeções ou cobranças, pois ele irradia um Amor infinitamentegrande… tão grande que nasceu sabendo que um dia iria dar aprópria vida por amor a todos nós !... 8
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