a essência da COR TÍTULO ORIGINAL PUBLICADO: A LINGUAGEM DA COR NAS IMAGENS DIGITAIS E O IDIOMA UNIVERSAL NA FIDELIDADE DOS DISPOSITIVOS IMAGÉTICOS
Mestre em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (2013)com bolsa de estudos da CAPES. Especialista em Gestão de Moda (2008)pela Universidade Paranaense, Campus Cascavel e graduado emComunicação Social - Publicidade & Propaganda (2004), pela UniversidadeParanaense, Campus Umuarama. É fotógrafo autoral e comercial e lecionano ensino superior desde 2006, atualmente vinculado na instituiçãoUNIVEL. Tem dedicado atenção especial ao ensino, pesquisa e extensão dafotograa, controle da cor e impressão de fotograas ne art com potencialmuseológico. Os temas frequentes em sua produção acadêmica, artística ecultural estão relacionados com a Fotograa, Arte, Tecnologia, Memória ePreservação de Acervos Fotográcos. Em 2014, no stand da Hahnemühle,fábrica alemã de papéis artísticos fundada em 1584, exibiu seu trabalho naPhotokina, a maior feira internacional de fotograa e imagem que aconteceem Colônia (Köln) na Alemanha, com público de 185.000 visitantesprovenientes de 166 países (www.photokina.com). No ano de 2013,fotografou para a National Geographic Brasil com publicação nacional naedição especial Lixo, veiculada em dezembro do mesmo ano. Era 2007,quando suas fotograas foram estampadas em capas de caderno da marcaDNA (impressos pela Caderbrás Bico Internacional) e no ano anterior foiconvidado pelo cientista social Carlos Siqueira, de Brasília-DF, paraparticipar da exposição fotográca Fellings and Trance, realizada no FestivalUniverso Paralello, em Ituberaba-BA, sob curadoria de Vivian Caramez,jornalista da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro-RJ. Em 2005, imprimiumaterial de divulgação da Mostra Internacional de Fotograa Objectif Pariscom a curadoria de Anne Cartier-Bresson, promovida pela Prefeitura daCidade de Paris, Embaixada da França no Brasil, Aliança Francesa,Universidade Paranaense, Prefeitura Municipal e Secretaria de Cultura deCascavel-PR. A Objectif Paris reuniu 41 fotógrafos de renome internacionaldentre eles: Henri Cartier-Bresson, Brassaï, Robert Doisneau, entre outros.currículo completo, disponível em:http://lattes.cnpq.br/5598225742082632
a essência da COR”Não é o mais forte,nem o mais inteligente,que sobrevive,mas o que melhor se adaptaàs mudanças”Charles Darwin
A LINGUAGEM DA COR N AS IMAGENS DIGITAIS E O IDIOMA UNIVERSAL NA FIDELIDADE DOS DISPOSITIVOS IMAGÉTICOS Murilo Alves de Almeida Ito 1 O digital delineou novos parâmetros em vários aspectos da imagem, envolvendodifusão global pela internet e a necessidade de padronização da linguagem da cor, entreos dispositivos capazes de reproduzí-la. Os filmes analógicos foram quase totalmentesubstituídos no mercado, por sensores fotossensíveis, da mesma forma que ostelevisores digitais substituíram os aparelhos baseados em tubos de raios catódicos. Opresente capítulo apresenta uma ferramenta básica de análise do ambiente digital eespacial adequado para verificar a fidelidade das cores das imagens, dentro das normasinternacionais vigentes. O objetivo é esclarecer as condições confiáveis dos aparatos biológicos etécnicos, uma vez que a transmissão e percepção das cores corretas das imagens torna-se fundamental para compreender os significados planejados pelo autor/emissor. Comoaparato biológico, entende-se o olho humano e como aparato técnico, os monitores eimpressoras. O resultado é o esclarecimento da realidade virtual (digital) versus a real(material), sobretudo no contexto das imagens vistas em monitores de computadores,que posteriomente necessitam tornar-se críveis através do processo de impressão. O gerenciamento de cores é um assunto extremamente profundo com relaçõesintrínsecas que se estendem em diversas áreas, que vão desde a física, química, biologia,e neurofísica. O trabalho em questão visa auxiliar uma conduta inicial de controle dasvariáveis que influenciam na percepção das cores, e um dos maiores desafios encontra -se na mudança de hábitos frente ao digital, pois é necessário preocupar-se com aqualidade do monitor e impressora, e a calibração desses hardwares com instrumentosespecíficos, chamados colorímetros e espectrofotômetros. Além da fulcral saúde denossos olhos para permitir capacidade visual dentro da normalidade. Fundamentalmente para que ocorra a percepção da cor são necessários trêselementos (Figura1): Observador (Olho), a Luz (Iluminante) e o Objeto. Entretanto cadaelemento possui suas variáveis, que se não forem convencionadas em um padrãomundial, não serão exibidas e percebidas como as cores “corretas”. Quandoconvencionamos um padrão, estabelecemos a condição conhecida de trabalho necessáriapara que indivíduos de qualquer nação comuniquem-se com precisão, do mesmo modo
que padronizamos um idioma. Figura 1 O evento da percepção da cor sempre necessita de três participantes Fonte: Fraser, Murphy e Bunting (2005) A problemática das variações que ocorrem com os três elementos são conhecidaspela ciência. Na luz, estão seus diferentes comprimentos de onda dominantes queinterferem na percepção da cor; no objeto, estão suas propriedades atômicas queinfluenciam na reflexão do espectro luminoso; e por fim o observador, que sofrendo deproblemas genéticos como o daltonismo, não perceberá a cor com a normalidade que amédia da população mundial enxerga.O que é a cor? Louis Armstrong cantava: “I see trees of green, red roses too, I see them bloomfor me and you and I think to myself, what a wonderful world”. Eu vejo árvores verdes,rosas vermelhas também, eu as vejo florescer para mim e para você e eu penso comigomesmo, que mundo maravilhoso. Para entendermos o fenômeno cromático descrito porLouis Armstrong, torna-se necessário examinar a definição da cor. Conforme Fraser, Murphy e Bunting (2005), há três sentenças fundamentais;afirmação 1: a cor é uma propriedade dos objetos. Esta é inicialmente a mais persistenteopinião sobre a cor e historicamente não importa o quanto as pesquisas possam terfilosofado sobre o assunto, usualmente nós ainda descrevermos as \"maçãs vermelhas\",\"luzes amarelas\" e \"oceanos azuis\". Afirmação 2: A cor é uma propriedade da luz. Autores de livros e artigos sobre
cor têm preferência em salientar que \"a luz é cor\" ou \"sem luz, sem cor\". Francis Bacondizia que todas as cores concordam no escuro. Afirmação 3: a cor acontece noobservador. Este conceito instiga nossa imaginação quando nos deparamos com ilusõesde óptica, como por exemplo o contraste simultâneo e o sucessivo, além de outros quenão parecem originar-se nos objetos que vemos. A cor é algo que origina-se no olho ouno cérebro do observador. A resposta correta é uma equilíbrio entre todas as três afirmações, pois todas sãoparcialmente verdades, mas nenhuma delas, por si só, pode ser considerada umadescrição completa da experiência que denominamos “perceber a cor”. Entender como aluz afeta a cor, leva-nos à física da cor; compreender como os objetos mudam sobdeterminada luz, envolve a química de superfícies e como suas moléculas e átomosabsorvem e refletem a energia da luz; compreender a natureza do observador leva-nos àbiologia, incluindo a neurofisiologia do olho e do cérebro, e o limite das regiõesinferiores da psicologia. Em suma, a cor é um fenômeno complexo. (FRASER,MURPHY E BUNTING, 2005).O primeiro componente do evento cor: o olho (observador) Dos três participantes da tríade do evento de percepção da cor, o observador, ésem dúvida, o mais complexo. O olho é um globo aproximadamente esférico, comdiâmetro com cerca de dois centímetros e meio, revestido por uma camada em parteopaca, chamada esclerótica, e outra, em parte transparente. É na transparência queocorre a maior parte da convergência dos raios luminosos, onde se localiza a córnea,que funciona como uma lente sobre a íris, parte colorida do olho, focando a luz dapupila na direção da retina. (AUMONT, 2010). A razão fundamental para toda a reprodução das cores, está baseada naconcepção dos três canais da retina humana. Outras características da visão humana sãoimportantes, contudo o fato de que o olho humano possui três tipos de sensores decores, o que corresponde, a grosso modo, aos vermelhos, verdes e azuis, é o que nospermite reproduzir as cores usando apenas três pigmentos no papel (ciano, magenta eamarelo), ou apenas três fósforos em um monitor (vermelho, verde e azul). A retina éuma camada complexa com células nervosas que revestem a parte de trás do olho(Figura 2). As células nervosas na retina, que respondem à luz, são chamadas de
fotorreceptores ou apenas receptores. Tais receptores são classificados em dois tiposdenominados bastonetes e cones, por causa de suas formas. Os cones são as célulascapazes de distinguir as cores e a imagem fornecida pelos cones é mais nítida e maisrica em detalhes. Há três tipos de cones: um que se excita com a luz vermelha, outrocom a luz verde e o terceiro, com a luz azul. Damos o nome a esse tipo de visão detricromacia, também conhecida por Teoria Young-Helmholtz, em homenagem aos seuscriadores, postulada no século XIX. Figura 2 Corte transversal do olho direito. A maior visão das cores ocorre no fóvea Fonte: Fraser, Murphy e Bunting (2005) Os bastonetes não têm o poder de resolução visual tão apurado, mas são maissensíveis à luz que os cones. Em situações de pouca luminosidade, a visão passa adepender exclusivamente dos bastonetes. É a chamada visão noturna ou visão depenumbra. Nos bastonetes existe uma substância sensível à luz , chamada rodopsina,produzida a partir da vitamina A. Temos mais bastonetes do que cones ao longo da maior parte da retina (Figura3), cerca de 120 milhões de bastonetes para cerca de 7 milhões de cones, exceto em umapequena reentrância no centro da retina, chamada fóvea, onde cones superambastonetes, por volta de 150 mil cones, contra um pequeno número de bastonetes. Estaregião central, é onde temos a maior densidade de fotorreceptores, que também fornecea melhor acuidade; como por exemplo, para ler este capítulo, estamos focando a
imagem das letras em nossa fóvea. É também na fóvea onde a nossa visão de coresprimárias acontece. (FRASER, MURPHY E BUNTING, 2005). Figura 3 Receptores cones e bastonetes no fundo da retina do olho humano Fonte: Fraser, Murphy e Bunting (2005) Os nossos olhos são uma das mais belas estruturas da natureza, no entando elesestão suscetíveis à problemas como o daltonismo, que caracteriza-se em deficiênciavisual e resulta impossibilidade ou dificuldade em distinguir todas ou algumas cores.Esta deficiência é provocada por uma falha ou ausência funcional de determinadascélulas sensoriais, os cones. O primeiro estudo sobre o assunto foi realizado peloquímico e físico Inglês John Dalton, baseando-se na sua própria dificuldade depercepção das cores. (BRUNI, VELASCO E CRUZ, 2006). Portanto, o primeiro fator que necessita estar dentro da normalidade são osnossos olhos. Há testes específicos de oftalmologia que podem averiguar a saúde denossos sensores visuais e um deles é o teste Ishihara que leva o nome do seu criador. ODr. Shinobu Ishihara (1879-1963), professor emérito da Universidade de Tókio,desenvolveu, em 1917, uma série de testes para avaliar deficiências na percepção dascores (Figura 4). O exame consiste na exibição de uma série de cartões coloridos, cada umcontendo vários círculos feitos de cores ligeiramente diferentes daqueles situados nas
proximidades. Os círculos estão agrupados de forma a exibir um número que somenteserá visível pelas pessoas que possuirem uma visão normal. O número de acertos podevariar conforme o grau e o tipo de daltonismo. Figura 4 Teste Ishihara para verificar o grau de daltonismo Fonte: Bruni, Velasco e Cruz (2006) Figura 5 Teste Farnsworth-Munsell 100 Hue Color Vision Fonte: X-Rite (2005). Outro teste muito popular no mundo inteiro é o Farnsworth-Munsell 100 HueColor Vision Test, ou Munsell Vision Test. A avaliação deve ser efetuada em ambientecontrolado e o teste avalia o sistema visual humano, não somente o daltonismo, mastambém em qual nível a nossa capacidade cromática se encontra. O sistema foidesenvolvido por Dean Farnsworth em 1940 e analisa a capacidade do indivíduo emisolar e organizar pequenas diferenças, em vários alvos de cor com valor constante e
saturação, que cobrem todos os matizes visuais descritos pelo sistema de cores Munsell.(X-RITE, 2005).O segundo componente do evento cor: a luz (iluminante) Isaac Newton (1642-1727), empenhou-se no estudo da luz e foi o primeiro adecompor a luz branca em sete cores principais: vermelho, alaranjado, amarelo, verde,azul, anil e violeta; cada uma com seu comprimento de onda. (GUIMARÃES, 2004). Aluz é algo muito peculiar, pois ela é composta pela mistura de onda e partículadenominada fóton. Um fóton é um pacote de energia pulsante que viaja pelo espaço enão conseguimos enxergar todos os níveis de energia que o mesmo produz. Nossosolhos captam o que situa-se entre 400 a 700 nanômetros; a essa fatia da luzdenominamos espectro visível ou espectro óptico (Figura 6). Figura 6 O espectro visível Fonte: Fraser, Murphy e Bunting (2005) O físico alemão Max Planck (1858-1947), foi o primeiro a apontar uma relaçãoentre temperatura e comprimento de onda, conhecida como a curva de emissão de umcorpo negro. Radiadores de corpo negro são fontes de luz cujos os fótons são puramenteo resultado de energia térmica emitida por átomos. Lâmpadas e estrelas como o nossosol, são exemplos de corpos negros quase perfeitos. A composição de comprimentos deonda, ou seja, cor, de radiação emitida por um radiador de corpo negro, depende apenasde sua temperatura e não do que ele é feito. Logo convencionamos a temperatura de corcomo uma maneira de descrever a \"cor\" global de uma fonte de luz. ( FRASER,MURPHY E BUNTING, 2005).
Segundo Trigo (2010) a temperatura de cor é medida em Kelvin (K), e não sediz “grau kelvin”. O Sol, nossa principal fonte de luz natural, possui uma temperaturade cor da ordem de 5700 K. A 1000 K o aspecto amarelo predomina; entre 5000K e5500K a luz é branca e a 9000 K o aspecto azul é evidente. Um dos cuidados quedevemos examinar no contexto da temperatura de cor, é que um mesmo objeto refletediferentes respostas espectrais, dependendo da fonte de luz que o ilumina. A figura 7,apresenta três exemplares idênticos da mesma fotografia, contudo a percepção da cor éafetada em virtude das diferentes temperaturas de cor das fontes de luz incidentes. Figura 7 Cabine de visualização com fontes de luz de diferentes temperaturas de cor Fonte: GTI (2014) Com a norma padrão ISO 3664 intitulada Graphic technology andphotography — Viewing conditions, estabelecida pela Internacional Organization forStandartization, recomenda-se observar as imagens sob uma fonte luminosa comtemperatura de cor denominada D50, ou seja, com 5000 K. A norma é extensa edescreve as condições gerais para apreciação e julgamento de imagens de diversasnaturezas entre cromos, fotografias, impressos e imagens em monitores de váriascategorias. (INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION,2014).O terceiro componente do evento cor: o objeto O terceiro participante em nossa tríade da cor é o objeto, pois a maneira que omesmo interage com a luz desempenha um papel fundamental na determinação danatureza da percepção da cor. A superfície de um objeto precisa interagir com a luz parapropiciar a relação entre a luz e a cor, e quando a luz atinge os objetos, de alguma
forma, ela percorre os átomos da superfície e em seguida devolve essa mesma luz,porém modificada. Figura 8 Reflexão da luz em um objeto Fonte: Fraser, Murphy e Bunting (2005) Durante a interação da luz com os átomos da superfície, o objeto absorve algunscomprimentos de onda e reflete outros, de modo que a composição espectral da luzrefletida não é a mesma que a da luz recebida. O grau em que o objeto refletedeterminados c omprimentos de onda e absorve outros é chamado de reflectânciaespectral. Se alterarmos a fonte de luz, a reflectância do objeto não muda, mesmo que aenergia espectral devolvida seja diferente. Reflectância é uma propriedade invariante doobjeto. (FRASER, MURPHY E BUNTING, 2005). Na Figura 8, a luz branca recebida contém todos os comprimentos de onda. Asmoléculas da superfície absorvem os comprimentos de onda longos e curtos e a cor dareflexão especular é afetada pela superfície. A reflexão dispersada contém apenascomprimentos de onda médios, ou seja, que corresponde aos verdes, não absorvidos.Tendo em mente o mecanismo que envolve a percepção cromática, avançaremos para odispositivo que representa as imagens em nosso cotidiano. Monitores – Simuladores imagéticos, janelas para o mundo
O fenônemo da visão colorida depende da união de elementos essenciais paraque tudo funcione bem. Com a saúde dos nossos olhos equilibrada, estamos aptos aavaliar as cores que nos cerca, no entanto quando nos deparamos com os monitores decomputadores, precisamos nos ater a certas características desses dispositvos. Com a norma padrão ISO 12646 intitulada Graphic technology – Displays forcolour proofing – Characteristics and viewing conditions são especificados osrequisitos mínimos para as características de monitores a serem usados como provavirtual para imagens coloridas. Entre os requisitos estão as exigências de uniformidade,convergência, taxa de atualização, tamanho diagonal, resolução espacial e reflexo dasuperfície da tela. Também está identificada a dependência das propriedadescolorimétricas no sinal elétrico do driver e a direção da visualização, especialmente paraos monitores planos. (INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZA-TION, 2014). Existem no mercado inúmeras opções de monitores, porém nem todos osmodelos e marcas são capacitados para apresentar um comportamento com fidelidadecromática e resolução, adequado ao padrão proposto pela Internacional Organizationfor Standartization (ISO), que utiliza fundamentos descritos pela ComissionInternationale de l’Eclairage (CIE). Em suma, foi padronizada uma linguagem da cor ea maneira como elas precisam ser exibidas, tanto em monitores quanto em impressões. Lançando mão de uma analogia, poderíamos exemplificar com o idioma cultopraticado pelas pessoas letradas. Na língua portuguesa existe uma norma culta, mastambém existe a conduta incorreta de pronúncia e escrita. Na linguagem da cor acontecea mesma situação, pois existe a norma “culta” e também a forma incorreta de“pronúncia” dos monitores – uma vez que nem todos os monitores precisam terqualidade gráfica elevada. Trabalhos de escritório que exigem mais a exibição de textosé apenas um exemplo. A norma culta seria a utilização de um monitor de qualidadegráfica e cromática que atende às normas ISO, calibrado com instrumento específicochamado colorímetro ou espectrofotômetro. A situação incorreta seria a utilização de um monitor não adequado para imagense que nunca tenha sido calibrado ou que não mantém atualizada tal calibração. Aproblemática que incide no Brasil é a pequena difusão do conhecimento sobre o assunto,somado a fatores de complexidade do tema que inibe o interesse, além dos custos emequipamentos. Contudo, nos dias atuais as soluções para controlar a cor estão muitomais acessíveis do que décadas atrás.
É importante ressaltar que a conduta para implementar a linguagem culta da corindepende de marca ou fabricante de monitor e impressora, pois as normas foramconvencionadas e tudo o que os fabricantes precisam fazer é adequarem-se. No entanto,existem fabricantes que possuem tradição na manutenção do padrão para que osresultados de fidelidade de cor sejam confiáveis. No momento da escrita desse capítulo, os melhores monitores para fotógrafos eprofissionais da imagem são fabricados pela marca japonesa Eizo, da linha ColorEdge.Outras marcas como NEC, Lacie e Quato também se enquadram com tecnologia topo delinha, pois apresentam gama de cores expandida, transições suaves e extrema precisãoem termos de calibração e caracterização, mas são opções ainda caras para a maioriados usuários. A empresa Dell oferece produtos com boa relação custo e benefício, naslinhas Ultrasharp, como alternativa mais econônica e qualidade intermediária. Ter um monitor de qualidade é o primeiro passo para obter cores fiéis navisualização das imagens, mas precisamos ajustá-los com o auxílio de aparelhos deprecisão chamados colorímetros, que calibram só monitores, ou espectrofotômetros, quecalibram além de monitores, impressoras e projetores (Figura 6). Villegas (2009)ressalta que junto com o monitor, deveria acompanhar um colorímetro de fábrica, masinfelizmente ainda temos que adquirí-lo separadamente, o que gera dúvidas sobre a realnecessidade de se ter um. Por melhor que o monitor seja, ele não está sendo aproveitadoadequadamente se não for calibrado e caracterizado periodicamente (Figura 7). Figura 6 Monitores Eizo e espectrofotômetro i1 da X-Rite. Fonte: Eizo (2014)
Figura 7 Calibração de monitor com o colorímetro Color Munki. Fonte: XRite (2014) Trigo (2010), reforça que os monitores variam muito de qualidade, calibração,tempo de uso, condições de iluminação e cores presentes no ambiente. A falta decalibração das cores constitui o grande problema da fotografia digital. Apesar deseguirem normas rígidas de fabricação industrial, os fabricantes reconhecem que hápequenas variações entre um monitor e outro, pela própria característica material decada dispositivo. Por esse motivo que a calibração com instrumentos de medição eajuste, necessita ser feita. Calibrar e caracterizar um monitor, nada mais é do que trazersua resposta de cores para um estado conhecido, um estado padronizado.Colorímetro e Espectrofotômetro, máquinas que mapeiam cores Desde os tempos antigos, as pessoas utilizavam os olhos para determinar adiferença entre as cores de algum material ou objeto. O problema desse método é asubjetividade, pois ninguém enxerga as cores exatamente iguais. Sem contar ospossíveis problemas de visão que estamos suscetíveis. Com o desenvolvimento detécnicas de medição óptica e os vários padrões definidos pela Comission Internationalede l’Eclairage, a avaliação através dos olhos foi substituída por aparelhos, e funçõesmatemáticas assumiram os cálculos das cores e suas diferenças. (SCHANDA, 1998). Os colorímetros e espectrofotômetros são instrumentos de leitura das coresemitidas pelos dispositivos: monitores, projetores e impressoras. O grande diferencial deum instrumento como esse é a capacidade que ele tem de perceber cores e mapeá-lasnum esquema de coordenadas tridimensionais, baseadas em profundas pesquisascientíficas sobre como o ser humano enxerga a cor. O espectrofotômetro é mais precisoque o colorímetro, pois mede a reflectância de uma superfície ou amostra de cor emfunção do comprimento de onda da mesma. O sistema instalado no computador comunica-se com o espectrofotômetroatravés de comunicação serial e permite que a cor medida seja visualizada no formatoRed, Green e Blue, RGB, no monitor. O sistema também torna possível a representaçãonumérica da cor em outros modelos de cores conhecidos. Isso permite a conversão entremodelos de cores, a busca por cores semelhantes e a exportação dos valores numéricosdas cores já medidas. (BERTOLINI, 2010).
Cor e história Conforme Guimarães (2004), não foram poucos os que propuseram-se a estudar,de forma profunda, a cor, a visão ou a óptica. Demócrito, Empédocles, Platão,Aristóteles, Euclides, Sêneca, Plínio, Ptolomeu, Pitágoras e Plotino, entre outros,iniciaram estudos no mundo antigo. A partir do século XV surgiram os tratados de corese pintura com Leon Battista Alberti e Leonardo Da Vinci; e as argumentações defilósofos, físicos e matemáticos como Kepler, De scartes, Boyle, Hoche, Scherffer,Chevreul e Newton. Já no século XVIII em oposiçao ao tratado de Isaac Newton, surge o primeiroestudo interdisciplinar da cor – A Doutrina das cores de Goethe. No século XIX,surgiram as teorias da percepção dos fisiologistas Helmholtz e Young, citadoanteriormente; do físico Maxwell e do psicólogo Hering; todos modificando ospressupostos da compreensão dos efeitos das cores no ser humano. Há vários sistemas cromáticos que estudam as tonalidades da cor, como os deOstwald, de Munsell, de Hickethier, e o estudado pela Comission Internationale del’Eclairage. (FARINA, 2006). Recentemente, no século XX, surgiram contribuições daGestalt com Koffka, Wertheimer e Köhler. Wittgenstein, na filosofia da linguagem.Seurat, Klee, Kandinsky, Mondrian e os mestres da Bauhaus, nas artes plásticas edesign. Guimarães (2004) explica que ao analisar essa amálgama de teorias de origensdiversas, partindo da filosofia à psicologia da percepção, passando pela fisiologia,física, estética, etc, percebemos que os pressupostos de uma teoria não invalidam emprincípio os das outras, e dessa forma, somos induzidos a considerar o fenômenocromático como um amplo processo de natureza interdisciplinar. Para delimitar ocontexto do presente estudo, no que tange a fidelidade das cores no ambiente digitalmoderno, nos concentramos aos trabalhos desenvolvidos pela CIE - ComissionInternationale de l’Eclairage.CIE – Comission Internationale de l’Eclairage A CIE - Comission Internationale de l’Eclairage ou International Comission onIllumination - Comissão Internacional em Iluminação, atualmente possui sede naÁustria, mas surgiu na França em 1913. É dedicada a cooperação mundial e a troca deinformações em todos os assuntos relativos à ciência e arte da luz e iluminação, cor e
visão, e tecnologia de imagem. Com fortes fundamentos técnicos, científicos e culturais,a CIE é uma organização independente, sem fins lucrativos, que está presente em váriospaíses onde os membros participantes são voluntários. Desde seu início a CIE tornou-se uma organização profissional respeitada e foiaceita como sendo a melhor autoridade no assunto. É reconhecida pela InternationalOrganization for Standardization (ISO) como um corpo de padronização internacional.(INTERNATIONAL COMMISSION ON ILLUMINATION, 2011). A colorimetria é aciência de medição da cor e através dela, a cor pode ser expressada de forma numérica,utilizando-se o colorímetro ou espectrofotômetro para medição por reflectância de umaamostra, como já mencionado anteriormente. Um modelo de cor pode ser definido como um método para expressar a cor deum objeto ou de uma fonte de luz usando algum tipo de notação, também utilizandonúmeros. A CIE, desenvolveu métodos para expressar a cor numericamente. Os doismétodos mais conhecidos são o modelo de cor Yxy, criado em 1931, baseado nosvalores triestímulos XYZ definidos pela CIE, e o modelo de cor L*a*b, criado em 1976,para fornecer relação uniforme entre as diferenças da cor e as diferenças visuais.(MINOLTA, 2007). Partindo do pressuposto, que se faz necessário ter um monitor com capacidadede resposta de cores precisa, e que o mesmo precisa ser calibrado com instrumentos demedição conforme as convenções da CIE - que opera seguindo o reconhecimento dasnormas ISO, precisamos analisar como as cores são formadas. Há dois modelosprincipais de síntese cromática que veremos a seguir.Síntese Aditiva e Subtrativa É possível expressar a cor através da síntese aditiva, composta por luz, e síntesesubtrativa, composta por pigmentos. Monitores, visores de LCD de câmeras digitais,celulares e projetores, são baseados em emissão de luz em três cores, sendo vermelho,verde e azul. A mistura dessas cores compõem todas as outras do espectro visível.Entretanto, para serem impressas, as cores precisam usar pigmentos naturais ouartificiais que são percebidos quando a luz é refletida em sua superfície. Guimarães (2004), aponta que Goethe considerava cores básicas puras oamarelo, o azul e o vermelho. Jackob C. Le Blon define que podemos representar todosos objetos visíveis com as cores vermelho, amarelo e azul e que a soma das três gera o
preto. Entretanto Goethe sugeriu a substituição do vermelho pelo púrpura e do azul peloazul-esverdeado, para gerarem a tríade primária das cores-pigmento. Em 1936, a Agfa e a Kodak, padronizaram os nomes dessas cores criando a cormagenta para denominar o púrpura e o ciano para o azul- esverdeado. Em 1950, aDeutsches Institut für Normung (DIN) define as cores magenta, amarelo e ciano comoas cores-pigmento básicas para a impressão. Há outros sistemas que além do CMYKsomam à mistura, o laranja e o verde, como é o caso da impressão 6 cores(Hexachrome) da empresa alemã Heidelberg, que confere maior amplitude das cores. Figura 8 Síntese de cores Aditiva e Subtrativa Fonte: FARINA (2006). É justamente na diferença estrutural entre cor-luz e cor-pigmento, que reside umdos aspectos mais delicados no gerenciamento de cores: a conversão dos espaços decores entre diferentes dispositivos. O espaço de cores de síntese aditiva, Adobe RGB1998, exibe em um monitor a gama de 16.7 milhões de cores. Em um monitor a cor éexpressada utilizando luz, enquanto que na impressão da imagem a síntese é subtrativa,ou seja, reflexão da luz a partir do pigmento que manipula o espectro visível a partir desuas propriedades atômicas. No caso do CMYK (Ciano, Magenta, Amarelo e Preto) ascores de uma imagem impressa são formadas com uma amplitude de cores muito menorque a do Adobe RGB 1998. Evidentemente muitas cores ficarão do lado de foracausando diferença entre a mesma imagem vista em uma monitor e a cópia impressa emquatro cores (CMYK). A solução encontrada pela CIE foi desenvolver o espaço de cor L*a*b* (virtual)que descreve as coordenadas das cores independente de seus dispositivos, ou seja,
independente se a cor será exibida em luz ou pigmento. E somente no momento deescolha de saída das imagens é que saberemos distinguir se o dispositivo temcapacidade de exibir uma gama de cores mais completa (Adobe RGB 1998) ou limitada(CMYK). A esse espaço de capacidade de exibição de cores de um dispositivo damos onome de gamut de cores (Figura 9). O gamut é mais completo dependendo da síntese decor, da qualidade da matéria prima do monitor e do papel da impressora, além daquantidade de cores que eles são capazes de reproduzir. Sabe-se que o olho humanoenxerga uma gama de cores muito mais extensa e maior que os scanners e câmerasdigitais conseguem “ver”. E ainda muito maior que os monitores e impressorasconseguem mostrar. (X-RITE, 2005). Para que a mesma imagem vista em um monitor seja capaz de simular suaamplitude de cores no impresso é necessária a impressão denominada RGB que utilizamais pigmentos além dos quatro: Ciano, Magenta, Amarelo e Preto, ou seja,impressoras com onze cores incluindo Ciano, Ciano Claro, Magenta, Magenta Claro,Amarelo, Verde, Laranja, e quatro tipos de tons de preto. Figura 9 O gamut de cores de cada disposito varia em virtude de sua capacidade de exibição cromática Fonte: Fraser, Murphy e Bunting (2005)Espaço de cores: Diagrama das cromaticidades 1931, 1964 e L*a*b Entre os primeiros registros de espaços de cores, podemos destacar o trabalho dePitágoras, entre 570-500 a.C. (Figura 10), que criou um espaço de cores semicircular
relacionando as notas da escala musical de tons e meio tons aos planetas, que por suavez, eram representados por determinadas cores. (FEITOSA-SANTANA, et al., 2006).Figura 10 Espaço de cor de Pitágoras. Fonte: Grandis (1986) Figura 11 Sistema de cor Munsell. Fonte: Coralis (2011) Figura12 Diagrama das Figura 13 Espaço de cor L*a*b - CIE Cromaticidades - CIE 1931 1976Fonte: Fraser, Murphy e Bunting (2005) Fonte: Coralis (2011) Em 1931, a Comission Internationale de l’Eclairage desenvolveu o primeiromodelo matemático baseado em indivíduos com visão consideradas normais,construindo o chamado diagrama de cromaticidade CIE 1931 (Figura 12). Surgia entãoo primeiro espaço de cores independente de dispositivo, capaz de especificar uma corpor meio dos seus atributos básicos: tom, luminosidade e saturação (Figura 11). Em 1964, a mesma comissão desenvolveu um novo estudo com observadoresnormais, a fim de identificar possíveis diferenças na sensi bilidade visual humana, echegou-se à conclusão que um novo espaço poderia melhor definir o que a visãohumana poderia enxergar. Surge então o diagrama das cromaticidades CIE 1964.Somente a partir deste modelo que foi possível a comparação entre um padrão de corcom uma amostra. (CORALIS, 2011)
Em 1976, a CIE desenvolveu o espaço de cor chamado L*a*b*. Baseado nos seusantecessores, o L*a*b*, pela sua perfeita simetria, permite que a cor possua umendereço cartesiano, tal como latitude, longitude e altitude (Figura 13). Desta forma,tornou-se muito mais precisa a especificação absoluta de uma cor. Portanto, é esseespaço que deve ser priorizado, pois é a partir dele que surgem todas as especificações enormas para a indústria gráfica nos dias atuais. (CORALIS, 2011) Além deste, o espaço LCh°, também foi criado a partir do L*a*b*, permitindo demaneira absoluta identificar o tom, a luminosidade e a saturação de uma cor por meio decoordenadas polares. Quando somos guiados por coordenadas numéricas, apossibilidade de erro é muito menor, principalmente se todo o processo estivergerenciado dessa maneira. É valioso saber que a cor reproduzida está de acordo com acor do original e esta proposta já é realidade desde 1976. (CORALIS, 2011) Sob a capô dos monitores, computadores e impressoras, existe essa comunicaçãoque opera através de linguagem numérica, que se faz necessária fazer para atingir umanormatização, ou seja, uma linguagem “culta” de expressão e percepção da cor. Nossasbussólas neste oceano de informações são os intrumentos de medição que guiam-nos emdireção à normatização e entendimento global. Assim como o instrumento é necessário para ajustar o monitor e projetor, naimpressão das imagens não seria diferente. O que o espectrofotômetro faz é medir ocomportamento que a impressora apresenta, conforme imprime determinados papéis.Cada papel diferente apresenta um comportamento distinto que é registrado com o nomede perfil ICC, ou seja, um perfil padronizado pe lo International Color Consortium,fundado em 1993 por indústrias comerciais com o propósito de padronizar a arquiteturados sistema s de gerenciamento de cores de forma aberta, comercialmente neutro eindependente da plataforma. O resultado desta cooperação foi o desenvolvimento de especificações do perfilICC, permitindo por exemplo que os perfis pudessem ser interpretados pelas arquitetu-ras Macintosh, Windows e Unix. (FRASER, MURPHY E BUNTING, 2005). Perfis ICCsão como etiquetas que descrevem e ajustam o comportamento de impressoras, monito-res e projetores.Criando o perfil ICC da impressora – imagens no mundo real
Criar um perfil ICC para uma impressora é mapear a capacidade de alcancedeste dispositivo no espaço de cor L*a*b, considerando as qualidades do papel e tinta(Figura 17). Para criar o perfil ICC é necessário o uso de um espectrofotômetro capaz defornecer ao sistema de gerenciamento de cores do computador, os dados necessáriospara realizar a conversão entre os dispositivos de imagens (Figura 18). Ao anexar umperfil ICC ao processo de impressão, estamos garantindo normatização da linguagem dacor no mundo real das imagens impressas, pois sem o perfil ICC adequado não égarantida a fidelidade de cores entre a visualização no monitor e a impressão daimagem. (FRASER, MURPHY E BUNTING, 2005).Figura 17 Leitura de cores com Figura 18 Construindo o perfil ICC da espectrofotômetro X-Rite. impressora, papel e tintas Fonte: http://www.xrite.com Fonte: http://www.xrite.com É importante salientar que existem normas ISO que asseguram detalhadamentecada variável envolvida, mas não é o escopo deste capítulo. Como mencionado, a ISO3664 Graphic technology and photography viewing conditions define as condiçõesgerais para apreciação e julgamento de imagens de diversas naturezas: cromos,fotografias, impressos e imagens em monitores de várias categorias. No corpo da norma menciona-se que a fim de assegurar a coerência na avaliaçãode imagens observadas em monitores coloridos, torna-se importante que as condições devisualização do ambiente sejam bem especificadas. No contexto desta norma, adefinição de monitores coloridos inclui monitores CRT e outras tecnologias, comoLCD, plasma e projetores. As paredes do ambiente precisam ser pintadas com uma corneutra, de preferência o cinza Munsell N8. As lâmpadas precisam de temperatura de corem 5000 K com índice de renderização acima de 90.
Entretanto, convém observar que as especificações definidas na presente normainternacional são para a visualização de imagens e não para a comparação de imagensde monitores com uma prova física impressa; para isso a norma ISO 12646 intituladaGraphic technology- Displays for colour proofing- Characteristics and viewingconditions, fornece recomendações mais detalhadas sobre as comparações entre provase amostras. Quando a situação envolver a necessidade de impressões que atendam aosrequisitos de um contrato comercial, será necessária a prova contratual descrita pelanorma ISO 12647-7, Graphic technology - Process control for the production of half-tone colour separations, proof and production prints - Part 7: Proofing processesworking directly from digital data. Se a necessidade for apenas a obtenção de umaimpressão que funcione como objeto de comunicação midíatico, a indicação é a provade validação com os requisitos e tolerâncias bem menores em relação à provacontratual. A prova de validação é descrita pela norma ISO 12647-8, Graphic technology -Process control for the production of half-tone colour separations, proof andproduction prints - Part 8: Validation print processes working directly from digitaldata. Pelo fato da normas ISO serem bastante extensas para serem abordadas em suatotalidade, nos restringimos em apresentar uma conduta inicial e simplificada decontrole dos elementos que envolvem a percepção da cor e sua reprodução, descritas aseguir. Caso o leitor sentir a necessidade de controle aprofundado das variáveis,recomendamos a leitura das normas ISO internacionais no site http://www.iso.org.(INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 2014).Metodologia O presente capítulo pode ser classificado como uma pesquisa experimental, pois“consiste essencialmente em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveiscapazes de influenciá-lo e definir as formas de controle e de observação dos efeitos quea variável produz no objeto”. (GIL, 2010, p. 32). O objeto do presente estudo é ogerenciamento de cores e as variáveis envolvem o observador, a luz, o objeto e osdispositivos imagéticos – monitores, projetores e impressoras. O controle e aobservação dos efeitos implementa-se com a aplicação da ferramenta de auxílio deleitura do ambiente (Figura 19), frente às imagens tanto digitais, quanto impressas:
Figura 19 Ferramenta de análise para fidelidade de cores em síntese aditiva e subtrativa Dessa forma, a ferramenta proposta serve como guia para o controle da cor,partindo de condutas iniciais básicas em direção ao controle total aprofundado. Deantemão, sugerimos que o leitor que busca uma compatibilidade e uniformidade dalinguagem da cor entre os dispositivos de imagens, aplique a ferramenta em seu espaçode trabalho ou lazer dedicado à observação de imagens.Considerações finais Concluímos que a condição sine qua non, para se ter uma sensação de coradequada e padronizada, implica na presença de normas com rigor técnico e científicocomprovadas pela ISO (International Organization for Standardization), OrganizaçãoInternacional de Padronização, não-governamental e independente, considerada a maiordesenvolvedora mundial de normas internacionais voluntárias. Formada por 165 paísesmembros, sendo estes os organismos nacionais de normalização ao redor do mundo.Possui uma Secretaria Central com sede em Genebra, Suíça. De maneira prática, devemos nos preocupar basicamente com os seguintes itens:saúde da nossa visão, pois devemos pertencer ao grupo de observadores normais quenão apresentem desvios na percepção das cores. Ter um monitor de visualização de
cores com qualidade; calibrar o mesmo com instrumentos de medição usando ocolorímetro ou espectrofômetro; calibrar a impressora com instrumentos de medição;anexar os perfis ICC corretamente no momento da impressão; verificar as imagens emiluminação normatizada a 5000K, com índice de renderização acima de 90, em umambiente com os arredores em cor neutra. O objetivo proposto buscou esclarecer as condições confiáveis dos aparatosbiológicos (olhos) e técnicos (softwares e hardwares) para garantir a experiênciacromática padrão, e a compreensão das particularidades da realidade virtual (digital)versus a real (material), da delicada conversão entre os espaços de cor das síntesesaditiva e subtrativa. O teste Munsell Vision é recomendado, pois determina nossa habilidade visual equando falamos em qualidade de monitores e impressoras, nos referimos à capacidadede detalhe e reprodução dos espaços de cores, os gamuts. Quanto mais expandida for acapacidade do dispositivo, melhor será a experiência de visualização das transiçõessuaves, precisão e saturação dos matizes. O trabalho científico realizado pela ComissionInternationale de l’Eclairage e a ISO, engessou as variáveis para garantir arepetibilidade e consistência na reprodução das cores. O Consórcio Internacional da Cor, assegurou um padrão comum no diálogo dosperfis ICC, que nada mais são do que arquivos de dados que descrevem ocomportamento dos dispositvos: de entrada (scanners e câmeras digitais) e de saída(monitores, projetores e impressoras). A tecnologia está disponível e mais acessível àmedida que o mercado absorve os lançamentos. Cabe a nós, observadores, pesquisadores, fotógrafos e designers, adotarmos umapostura culta em relação à linguagem das cores nas imagens digitais, pois decisõescromáticas apenas podem ser comunicadas com precisão, se todos os participantesenvolvidos utilizarem normas internacionalmente aceitas, permitindo contemplarmos omaravilhoso mundo das cores. Para que este estudo seja efetivo, recomendamos que oleitor consulte e aplique as normas ISO vigentes da época, ou seja, o estado da arte daindústria colorimétrica.ReferênciasAUMONT, Jacques. A imagem. Tradução: Estela dos Santos Abreu e Claudio C.Santoro. 15. ed. Campinas: Papirus, 2010.
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a essência da COR TÍTULO ORIGINAL PUBLICADO:A LINGUAGEM DA COR NAS IMAGENS DIGITAIS E O IDIOMA UNIVERSALNA FIDELIDADE DOS DISPOSITIVOS IMAGÉTICOS
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