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A Hepatite não pode esperar: E-book para o diagnóstico, tratamento e prevenção das Hepatites

Published by Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado, 2023-07-24 15:57:16

Description: A “Hepatite não pode esperar” é o mote da
campanha de consciencialização da Associação
Portuguesa para o Estudo do Fígado. Esta
iniciativa surge no âmbito das comemorações
do Dia Mundial das Hepatites, que se assinala
no dia 28 de julho e tem como objetivo alertar
para o diagnóstico precoce desta doença.

A Hepatite caracteriza-se por ser uma lesão
inflamatória das células do fígado, podendo
ter várias causas, como é o caso dos vírus da
Hepatite A, B, C, D e E.

O presente documento tem como objetivo
consciencializar a população em geral para o
diagnóstico precoce das Hepatites, não devendo
ser utilizado para fins médicos.

Não fique à espera. Atue. Faça o diagnóstico
precoce desta doença.

Keywords: APEF,Hepatites,E-book

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e-Book para o diagnóstico, tratamento e prevenção das Hepatites Uma iniciativa: 1

Índice Ficha Técnica 1. Introdução 04 2. Hepatite A 06 Título 2.1 Factos-chave 07 A Hepatite não pode esperar 2.2 O que é a Hepatite A? 08 – E-book para o diagnóstico, 2.3 Como se transmite? 09 tratamento e prevenção das 2.4 Qual é o período de incubação? 10 2.5 Quais são os sintomas? 10 Hepatites 2.6 Quem está em risco? 11 2.7 Como se faz o diagnóstico? 12 Direção Editorial 2.8 Existe tratamento? 12 Associação Portuguesa para 2.9 Como se pode prevenir? 13 3. Hepatite B 14 o Estudo do Fígado 3.1 Factos-chave 15 3.2 O que é a Hepatite B? 16 Paginação e Design 3.3 Como se transmite? 16 Miligrama Comunicação em 3.4 Qual é o período de incubação? 18 3.5 Quais são os sintomas? 18 Saúde, Unipessoal, Lda. 3.6 A co-infeção VHB-VIH 19 Rua Melvin Jones, n.º 5, 3.7 Como se faz o diagnóstico? 19 Alfragide | 2610-297 Amadora 3.8 Existe tratamento? 20 [email protected] 3.9 Como se pode prevenir? 21 4. Hepatite C 22 www.miligrama.pt 4.1 Factos-chave 23 4.2 O que é a Hepatite C? 24 Propriedade Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado Rua Abranches Ferrão, n.º 10 – 14 | 1600-001 Lisboa [email protected] https://apef.com.pt julho de 2023 Esta publicação é gratuita 2

4.3 Como se transmite? 25 4.4 Qual é o período de incubação? 26 4.5 Quais são os sintomas? 26 4.6 Como se faz o diagnóstico? 26 4.7 Existe tratamento? 28 4.8 Como se pode prevenir? 29 5. Hepatite D 30 5.1 Factos-chave 31 5.2 O que é a Hepatite D? 32 5.3 Como se transmite? 33 5.4 Qual é o período de incubação? 34 5.5 Quais são os sintomas? 35 5.6 Como se faz o diagnóstico? 36 5.7 Existe tratamento? 36 5.8 Como se pode prevenir? 37 6. Hepatite E 38 6.1 Factos-chave 39 6.2 O que é a Hepatite E? 40 6.3 Como se transmite? 41 6.4 Qual é o período de incubação? 42 6.5 Quais são os sintomas? 42 6.6 Como se faz o diagnóstico? 44 6.7 Existe tratamento? 45 6.8 Como se pode prevenir? 46 3

Introdução A “Hepatite não pode esperar” é o mote da campanha de consciencialização da Associa- ção Portuguesa para o Estudo do Fígado. Esta iniciativa surge no âmbito das comemorações do Dia Mundial das Hepatites, que se assinala no dia 28 de julho e tem como objetivo alertar para o diagnóstico precoce desta doença. A Hepatite caracteriza-se por ser uma lesão inflamatória das células do fígado, podendo ter várias causas, como é o caso dos vírus da Hepatite A, B, C, D e E. Além dos vírus, existem outras causas da lesão do fígado, como é o caso das alterações do siste- ma imune — o sistema de defesa do organismo (a chamada Hepatite autoimune), as doenças genéticas, tóxicas e metabólicas, ou a gordu- ra no fígado, algo cada vez mais prevalente na sociedade, com números crescentes nos casos de doença hepática. 4

Uma vez que o fígado é um ór- gão com uma grande importân- cia e função no sistema digestivo, quando não está a funcionar na sua plenitude, pode dar origem a várias complicações. A gravidade e o prognóstico da Hepatite va- riam consoante a sua tipologia e as comorbilidades já existentes. Estas são doenças evitáveis e tra- táveis, e, no caso da Hepatite C, existe cura. Atualmente, a taxa de cura para a Hepatite C situa-se em 96%, sendo fundamental que o diagnóstico seja feito atempa- damente. O presente documento tem como objetivo consciencializar a população em geral para o diagnóstico precoce das Hepatites, não deven- do ser utilizado para fins médicos. Não fique à espera. Atue. Faça o diagnóstico precoce desta doença. 5

Hepatite 6

Factos-chave • A Hepatite A é uma inflamação aguda do fígado que pode causar doenças ligeiras a graves. • O vírus da Hepatite A é transmitido, geralmente, através da ingestão de alimentos e água contaminados ou através do contacto direto com uma pessoa infetada. • Quase todos os infetados recuperam totalmente da Hepa- tite A com uma imunidade vitalícia. No entanto, uma pro- porção muito pequena de pessoas infetadas com Hepatite A pode morrer de Hepatite Fulminante. • O risco de infeção pela Hepatite A está associado aos con- tactos sexuais de risco, à falta de água segura e a um sa- neamento e higiene deficientes, tais como mãos contami- nadas e sujas. • Está disponível uma vacina segura e eficaz para prevenir a Hepatite A. 7

O que é a Hepatite A? É uma doença inflamatória aguda do fígado causada pelo vírus da Hepatite A (VHA). O vírus propaga-se, principalmente, quando uma pessoa não previamente infetada (e não vaci- nada) ingere alimentos ou líquidos que estão contaminados. A doença está intimamente associada à água, ou aos ali- mentos não seguros, às más condições sanitárias, à falta de higiene pessoal e ao sexo oroanal. Ao contrário das Hepatites B e C, a Hepatite A não causa do- ença hepática crónica, mas pode causar sintomas debilitan- tes e, raramente, Hepatite Fulminante (insuficiência hepática aguda), que pode ser fatal. 8

Como se transmite? O vírus da Hepatite A é transmitido principalmente pela via fecal-oral, ou seja, quando uma pessoa não infetada inge- re alimentos ou água que foi contaminada com as fezes de uma pessoa infetada. Em famílias, isto pode acontecer atra- vés de mãos sujas, quando uma pessoa infetada prepara alimentos para membros da família. Os surtos relacionados com a água de consumo, embora pouco frequentes, estão geralmente associados a água contaminada com esgotos ou tratada de forma inadequada. O vírus também pode ser transmitido atra- vés de contacto físico próximo (tal como sexo oroanal) com uma pessoa infetada, embora o contacto casual entre pessoas não provo- que o contágio do vírus. 9

Qual é o período de incubação? O período de incubação da Hepatite A é, geralmente, de 14 a 28 dias. Quais são os sintomas? Os sintomas de Hepatite A variam de ligeiros a graves e po- dem incluir febre, mal-estar, perda de apetite, diarreia, náu- seas, desconforto abdominal, urina de cor escura e icterícia (um amarelecimento dos olhos e da pele). Nem todos os que estão infetados terão todos os sintomas. Os adultos têm manifestações da doença com mais frequência do que as crianças. A gravidade da doença e os resultados fatais são mais eleva- dos nos grupos etários mais velhos. As crianças infetadas com menos de 6 anos de idade não costumam apresentar sintomas percetíveis e apenas 10% desenvolvem icterícia. 10

Quem está em risco? Qualquer pessoa que não tenha sido vacinada ou anterior- mente infetada pode ser infetada pelo vírus da Hepatite A. Em áreas onde o vírus está disseminado (alta endemicida- de), a maioria das infeções pela Hepatite A ocorrem durante a primeira infância. Os fatores de risco incluem: • Más condições sanitárias; • Falta de água potável; • Viver num agregado familiar com uma pessoa infeta- da; • Ser parceiro sexual de alguém com uma infeção aguda pela Hepatite A; • O uso de drogas recreativas; • Sexo entre homens; • Viajar para áreas de alta endemicidade sem ser imu- nizado. 11

Como se faz o diagnóstico? Os casos de Hepatite A não são clinicamente distinguíveis de outros tipos de Hepatite viral aguda. O diagnóstico específi- co é feito através da deteção de anticorpos imunoglobulina M (IgM) específicos para o VHA no sangue. Testes adicionais, raramente necessários na prática clínica, incluem a transcrip- tase reversa de reação em cadeia da polimerase para detetar o RNA do vírus da Hepatite A e podem requerer instalações laboratoriais especializadas. Existe tratamento? Não há tratamento específico para a Hepatite A. A recupe- ração dos sintomas após a infeção pode ser lenta e demorar várias semanas ou meses. É importante evitar medicações desnecessárias. A hospitalização pode ser necessária nos casos mais graves. A terapia visa manter o conforto e o equilíbrio nutricional e de hidratação adequados, incluindo a substituição de líqui- dos que se perdem devido a vómitos e diarreia. 12

Como se pode prevenir? Melhor saneamento, segurança alimentar e imunização são as formas mais eficazes de combater a Hepatite A. A propagação da Hepatite A pode ser reduzida por: • Abastecimento adequado de água potável segura; • Eliminação adequada de esgotos nas comunidades; • Práticas de higiene pessoal, tais como a lavagem re- gular das mãos antes das refeições e depois de ir à casa de banho. A vacina só está indicada para pessoas que não tenham tido previamente contacto com o vírus e que estejam em elevado risco de ficar infetadas (por exemplo, viajantes para zonas endémicas desta infeção) ou que já tenham uma doença hepática crónica grave por outro motivo. 13

Hepatite 14

Factos-chave • A Hepatite B é uma infeção viral que ataca o fígado e pode causar tanto doenças agudas como crónicas. • O vírus é mais comummente transmitido de mãe para filho durante o nascimento, bem como através do contacto com sangue ou outros fluidos corporais durante o sexo com um parceiro infetado, injeções inseguras ou exposição a instru- mentos cortantes. • A OMS estimou que 296 milhões de pessoas viviam com infeção crónica pela Hepatite B em 2019, tendo 1,5 milhões de novas infeções por ano. • Em 2019, a Hepatite B resultou em cerca de 820.000 mor- tes, na sua maioria por Cirrose e Carcinoma Hepatocelular (Cancro Primário do Fígado). • A Hepatite B pode ser prevenida através de vacinas segu- ras, disponíveis e eficazes. 15

O que é a Hepatite B? É uma doença inflamatória aguda ou crónica do fígado cau- sada pelo vírus da Hepatite B (VHB). É um grande problema de saúde global. Pode causar infeção crónica e coloca as pessoas em alto risco de morte por Cirrose e Cancro do Fí- gado. Está disponível uma vacina segura e eficaz que ofere- ce 98 a 100% de proteção contra a Hepatite B. Como se transmite? Em áreas altamente endémicas, a Hepatite B é mais comum- mente transmitida de mãe para filho ao nascimento (trans- missão perinatal) ou através de transmissão horizontal (ex- posição a sangue infetado), especialmente de uma criança infetada para uma criança não infetada durante os primeiros 5 anos de vida. O desenvolvimento da infeção crónica é co- mum em bebés infetados pelas suas mães e até aos 5 anos de idade. 16

A Hepatite B é também disseminada por ferimentos com agulhas, tatuagens, piercings e exposição a sangue e fluidos corporais infetados, tais como saliva e fluidos menstruais, va- ginais e seminais. A transmissão do vírus pode também ocorrer através da reu- tilização de agulhas e seringas contaminadas ou objetos cor- tantes, quer em ambientes de cuidados de saúde, na comu- nidade ou entre pessoas que injetam drogas. A transmissão sexual é mais prevalente em pessoas não vacinadas com múltiplos parceiros sexuais. A infeção pela Hepatite B na idade adulta leva à Hepatite Crónica em menos de 5% dos casos, enquanto a infeção na infância leva à Hepatite Crónica em cerca de 95% dos casos. 17

Qual é o período de incubação? O vírus da Hepatite B pode sobreviver fora do corpo durante pelo menos 7 dias. Durante este tempo, o vírus ainda pode causar infeção se entrar no corpo de uma pessoa que não esteja protegida. O período de incubação do vírus da Hepatite B varia de 30 a 180 dias. O vírus pode persistir e desenvolver-se para Hepatite B Crónica, especialmente quando transmitido na infância. Quais são os sintomas? A maioria das pessoas não apresenta quaisquer sintomas quando infetadas recentemente. No entanto, algumas pes- soas têm doenças agudas com sintomas que duram várias semanas, incluindo coloração amarelada da pele e dos olhos (icterícia), urina escura, fadiga extrema, náuseas, vómitos e dores abdominais. As pessoas com Hepatite aguda podem desenvolver insufi- ciência hepática aguda, que pode levar à morte. Entre as complicações a longo prazo das infeções pelo VHB, um subconjunto de pessoas desenvolve doenças hepáticas avançadas, tais como Cirrose e Carcinoma Hepatocelular, que causam elevada morbilidade e mortalidade. 18

A co-infeção VHB-VIH Cerca de 1% das pessoas que vivem com infeção pelo VHB (2,7 milhões de pessoas) estão também infetadas pelo VIH. Em contrapartida, a prevalência global da infeção pelo VHB em pessoas infetadas com o VIH é de 7,4%. Desde 2015, a OMS tem recomendado o tratamento para to- das as pessoas diagnosticadas com infeção pelo VIH, in- dependentemente da fase da doença. Há medicamentos incluídos nas combinações de tratamento recomendadas como terapia de primeira linha para a infeção pelo VIH, que também tem atividade contra o VHB. Como se faz o diagnóstico? Não é possível, apenas pelas manifestações clínicas, diferen- ciar a Hepatite B da Hepatite causada por outros agentes virais, pelo que a confirmação laboratorial do diagnóstico é essencial. Estão disponíveis várias análises ao sangue para diagnosticar e monitorizar pessoas com Hepatite B. Podem ser usadas para distinguir infeções agudas e crónicas. A OMS recomenda que todas as doações de sangue sejam testadas para a Hepatite B, por forma a garantir a segurança do san- gue e evitar a transmissão acidental. 19

Existe tratamento? Na hepatite aguda, o objectivo principal do tratamento é manter o conforto e o equilíbrio nutricional adequado, incluin- do a substituição de líquidos perdidos por vómitos e diarreia, porque, principalmente nos adultos, o organismo pode con- seguir controlar a infecção. A infeção crónica pela Hepatite B pode ter indicação para tratamento com medicamentos, incluindo agentes antivirais orais. O tratamento pode retardar a progressão da Cirrose, reduzir a incidência de Cancro do Fígado e melhorar a sobrevivên- cia a longo prazo. Em 2021, a OMS estimou que 12 a 25% das pessoas com in- feção crónica por Hepatite B necessitariam de tratamento, dependendo do estabelecimento e dos critérios de elegibili- dade. 20

Como se pode prevenir? A OMS recomenda que todos os bebés recebam a vacina contra a Hepatite B o mais cedo possível após o nascimento, de preferência dentro de 24 horas, seguida de 2 ou 3 doses de vacina contra a Hepatite B com pelo menos 4 semanas de intervalo para completar a série de vacinas. Em Portugal, a vacina da Hepatite B foi incluída no Programa Nacional de Vacinação de 1999 e, a partir do ano 2000, todas as crian- ças passaram a ser vacinadas. A proteção dura pelo menos 20 anos e é provavelmente vi- talícia. A OMS não recomenda vacinações de reforço para pessoas que tenham completado o calendário de vacinação em 3 doses, salvo algumas excepções. Além da vacinação infantil, a OMS recomenda a utilização de profilaxia antiviral para a prevenção da transmissão da Hepatite B de mãe para filho. A implementação de es- tratégias de segurança do sangue e práticas sexu- ais mais seguras, incluindo a utilização de medidas de proteção de barreira (preservativos), também protegem contra a transmissão. 21

Hepatite 22

Factos-chave • A Hepatite C é uma inflamação do fígado causada pelo vírus da Hepatite C. • O vírus pode causar tanto Hepatite aguda como crónica, variando em gravidade desde uma doença ligeira a uma doença grave e duradoura, com possível evolução para Cir- rose Hepática e Cancro. • O vírus da Hepatite C é um vírus transmitido pelo sangue e a maioria das infeções ocorre através da exposição ao san- gue, por práticas de injeção inseguras, cuidados de saúde inseguros, transfusões de sangue não rastreadas, uso de drogas injetáveis ou práticas sexuais. • A nível mundial, estima-se que 58 milhões de pessoas têm infeção crónica pelo vírus da Hepatite C, com cerca de 1,5 milhões de novas infeções que ocorrem por ano. • A OMS calculou que, em 2019, cerca de 290.000 pesso- as morreram devido à Hepatite C, na sua maioria devido a Cirrose e Carcinoma Hepatocelular (Cancro Primário do Fígado). • Os medicamentos antivirais podem curar mais de 95% das pessoas com infeção pela Hepatite C. • Não existe atualmente uma vacina eficaz contra a Hepatite C. 23

O que é a Hepatite C? É uma doença inflamatória aguda ou crónica do fígado cau- sada pelo vírus da Hepatite C (VHC). As infeções agudas pelo VHC são geralmente assintomáticas e a maioria não con- duzem a uma doença potencialmente fatal. Cerca de 30% das pessoas infetadas eliminam espontaneamente o vírus no prazo de 6 meses após a infeção, sem qualquer tratamento. Os restantes 70% das pessoas desenvolverão a infeção cró- nica pelo VHC. Das pessoas com infeção crónica pelo VHC, o risco de Cirrose varia de 15% a 30% no prazo de 20 anos. 24

Como se transmite? O vírus da Hepatite C é um vírus transmitido pelo sangue. É mais comummente transmitido através de: • Reutilização ou esterilização inadequada de equipa- mento médico, especialmente seringas e agulhas em ambientes de cuidados de saúde; • Transfusão de sangue e produtos sanguíneos não ras- treados; • Uso de drogas injetáveis através da partilha de equi- pamento de injeção; • O VHC pode ser passado de uma mãe infetada para o seu bebé e através de práticas sexuais que levam à exposição ao sangue (por exemplo, pessoas com múl- tiplos parceiros sexuais e entre homens que têm rela- ções sexuais com homens), no entanto, estes modos de transmissão são menos comuns; • A Hepatite C não se propaga através do leite mater- no, comida, água ou contacto casual como o abraço, o beijo e a partilha de alimentos ou bebidas com uma pessoa infetada. 25

Qual é o período de incubação? O período de incubação da Hepatite C varia de 2 semanas a 6 meses. Após a infeção inicial, aproximadamente 80% das pessoas não apresentam quaisquer sintomas, até às fases avançadas de doença. Quais são os sintomas? Em alguns casos, os indivíduos infectados podem apresentar febre, fadiga, diminuição do apetite, náuseas, vómitos, dor abdominal, urina escura, fezes pálidas, dores articulares e ic- terícia (incluindo coloração amarelada da pele e dos olhos). 26

A infeção pelo VHC é diagnosticada em 2 etapas: 1. Testar para anticorpos anti-VHC com um teste sero- lógico que identifica as pessoas que tiveram contacto com o vírus; 2. Se o teste for positivo para anticorpos anti-VHC, é necessário um teste de ácido nucleico para o ácido ribonucleico (RNA) do VHC para confirmar a infeção crónica. Cerca de 30% das pessoas infetadas com o VHC eliminam espontaneamente a infeção através de uma forte resposta imunitária sem necessidade de tratamento. Embora já não estejam infetadas, ainda assim testarão positivo para anticorpos anti-VHC. Após uma pessoa ter sido diagnosticada com infeção crónica pelo VHC, deve ser realizada uma avaliação para determinar o grau de lesão hepática (Fibrose e Cirrose). Isto era antiga- mente feito através de biopsia hepática, mas atualmente é suficiente realizar alguns testes não invasivos. O grau de dano hepático é utilizado para orientar as decisões de tratamento e a gestão da doença. O diagnóstico precoce pode prevenir problemas de saúde que podem resultar da infeção e impedir a transmissão do vírus. A OMS recomenda que se testem pessoas que possam estar em risco acrescido de infeção. 27

Existe tratamento? Uma infecção aguda com VHC nem sempre requer trata- mento, uma vez que a resposta imunológica em algumas pessoas irá eliminar a infeção. No entanto, quando a infeção pelo VHC se torna crónica, é necessário um tratamento. O objetivo do tratamento da Hepatite C é a cura da doença. A OMS recomenda a terapia com antivíricos pan-genotípicos de ação direta para pessoas com mais de 12 anos de idade. Os antivíricos pan-genotípicos de ação direta podem curar a maioria das pessoas com infeção pelo VHC, e a duração do tratamento é curta, geralmente, na grande maioria dos casos, 8 ou 12 semanas. 28

Como se pode prevenir? Não existe vacina eficaz contra a Hepatite C, pelo que a pre- venção depende da redução do risco de exposição ao vírus em ambientes de cuidados de saúde e em populações de maior risco. Isto inclui pessoas que injetam drogas e homens que fazem sexo com homens, particularmente os infetados com VIH ou os que estão a tomar profilaxia pré-exposição contra o VIH. As intervenções de prevenção primárias recomendadas pela OMS incluem: • O uso seguro e apropriado de injeções de cuidados de saúde; • Manuseamento e eliminação segura de ma- terial cortante e resíduos; • Prestação de serviços abrangentes de re- dução de danos a pessoas que injetam dro- gas; • Análise de sangue doado; • Formação do pessoal de saúde; • Prevenção da exposição ao sangue durante o sexo. 29

Hepatite 30

Factos-chave • O vírus da Hepatite D (VHD) é um vírus que requer o vírus da Hepatite B (VHB) para a sua replicação. • O vírus da Hepatite D (VHD) afeta globalmente quase 5% das pessoas que têm uma infeção crónica com o vírus da Hepatite B (VHB). • A infeção pelo VHD ocorre quando as pessoas são infeta- das simultaneamente com Hepatite B e D (co-infeção) ou contraem Hepatite D quando já estão infectados pelo vírus da Hepatite B (super-infeção). • As populações com maior probabilidade de terem co-in- feção com VHB e VHD incluem migrandes de países en- démicos, recetores de hemodiálise e pessoas que injetam drogas. • A nível mundial, o número de infeções pelo VHD diminuiu desde os anos 80, devido principalmente a um programa global bem sucedido de vacinação contra a Hepatite B. • A combinação da infeção pelo VHD e VHB é considerada a forma mais grave de hepatite viral crónica, devido a uma progressão mais rápida para a Cirrose Hepática e Carci- noma Hepatocelular. • A infeção pela Hepatite D pode ser prevenida através da imunização contra a Hepatite B. 31

O que é a Hepatite D? É uma doença inflamatória aguda ou crónica do fígado cau- sada pelo vírus da Hepatite Delta (VHD), na dependência da existência de uma infeção pelo VHB. A co-infeção VHD-VHB é considerada a forma mais grave de Hepatite viral crónica devido a uma progressão mais rápida para Cirrose, Carcino- ma Hepatocelular e morte relacionada com o fígado. A vacinação contra a Hepatite B é o único método para pre- venir a infeção pelo VHD. 32

Como se transmite? As vias de transmissão do VHD, como o VHB, ocorrem por via percutânea (como é o caso das injeções e tatuagens) ou através do contacto com sangue ou produtos sanguíneos in- fetados. A transmissão da mãe para o filho é possível, mas rara. A vacinação contra o VHB impede a co-infeção do VHB e, consequentemente, a expansão dos programas de imuni- zação contra o VHB infantil resultou numa diminuição da in- cidência da Hepatite D em todo o mundo. Os portadores crónicos de VHB estão em risco de infeção com VHD. As pessoas que não são imunes ao VHB (quer por doença natural ou imunização com a vacina da Hepatite B) estão em risco de infeção com o VHB, o que as coloca em risco de infeção com o VHD. As pessoas com maior probabilidade de terem co-infeção com o VHB e o VHD incluem algumas populações migrantes de países em que esta infecção é endémica, as pessoas que injetam drogas e as pessoas com o vírus da Hepatite C ou infeção pelo VIH. O risco de co-infeção também parece ser maior nos doentes em hemodiálise, nos homens que fazem sexo com homens e nos profissionais do sexo. 33

Qual é o período de incubação? A infeção simultânea com VHB e VHD pode levar a uma He- patite aguda de ligeira a grave com sinais e sintomas indis- tinguíveis dos de outros tipos de infeções virais agudas pela Hepatite. Estas características aparecem, normalmente, 3 a 7 semanas após a infeção inicial. 34

Quais são os sintomas? Uma co-infecção VHB/VHD aguda ligeira ou grave apresen- ta sinais e sintomas indistinguíveis dos de outros tipos de He- patite, e incluem febre, fadiga, perda de apetite, náuseas, vó- mitos, urina escura, fezes de cor pálida e icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos). A recuperação é geralmen- te completa e a progressão para Hepatite D crónica é rara (menos de 5% dos casos). Numa superinfeção, o VHD pode infetar uma pessoa já cronicamente infetada pelo VHB. A superinfeção do VHD na Hepatite B tem grande probabilidade de se tornar numa co- -infecção VHB/VHD crónica e acelera a progressão para uma doença mais grave em todas as idades e em 70% a 90% das pessoas. A superinfeção do VHD acelera a progressão para cirrose, comparativamente aos mono-infectados com VHB. Os doentes com Cirrose induzida pelo VHD têm um risco acrescido de Carcinoma Hepatocelular (CHC). 35

Como se faz o diagnóstico? A infeção pelo VHD é diagnosticada por níveis elevados de anticorpos anti-VHD e confirmada pela deteção de RNA do VHD no soro. 36

Como se pode prevenir? Embora a OMS não tenha recomendações específicas sobre a Hepatite D, a prevenção da transmissão do VHB – através da imunização contra a Hepatite B, profilaxia antiviral adi- cional para mulheres grávidas elegíveis, segurança do san- gue, práticas de injeção seguras em ambientes de cuidados de saúde e serviços de redução de danos com agulhas e se- ringas limpas – são eficazes na prevenção da transmissão do VHD. A imunização contra a Hepatite B não proporciona proteção contra o VHD para as pessoas já infetadas com VHB. 37

Hepatite 38

Factos-chave • A Hepatite E é uma lesão do fígado causada por infeção pelo Vírus da Hepatite E (VHE). • Todos os anos são estimados 20 milhões de infeções pelo VHE em todo o mundo, levando a uma estimativa de 3,3 milhões de casos sintomáticos com Hepatite E. • A OMS estimou que a Hepatite E causou cerca de 44.000 mortes em 2015 (representando 3,3% da mortalidade de- vida à Hepatite viral). • O vírus é transmitido através da via fecal-oral, principal- mente através de alimentos crus ou mal cozinhados, água e meio ambiente contaminados com fezes. • A Hepatite E é encontrada em todo o mundo, mas a doen- ça é mais comum nas regiões Leste e Sul da Ásia. • Foi desenvolvida uma vacina para prevenir a infeção pelo vírus da Hepatite E. Está licenciada na China, mas ainda não está disponível noutros locais. 39

O que é a Hepatite E? É uma doença inflamatória aguda do fígado causada pelo Vírus da Hepatite E (VHE). Alguns casos em doentes imuno- deprimidos podem evoluir para Hepatite crónica. O vírus tem pelo menos 4 tipos diferentes: genótipos 1, 2, 3 e 4. Os genó- tipos 1 e 2 foram encontrados apenas em humanos. Os ge- nótipos 3 e 4 circulam em vários animais, incluindo porcos, javalis e veados, sem causar qualquer doença, e ocasional- mente infetam os seres humanos. O vírus é eliminado nas fezes das pessoas infetadas e entra no corpo humano através do intestino. É transmitido princi- palmente através de água potável contaminada. A infeção é normalmente autolimitada e resolve-se no prazo de 2 a 6 semanas. Ocasionalmente, desenvolve-se uma doença grave conhecida como Hepatite Fulminante (insuficiência hepática aguda), que pode ser fatal. 40

Como se transmite? A infeção pela Hepatite E é comum em países de baixo e mé- 41 dio rendimento com acesso limitado a água essencial, sane- amento, higiene e serviços de saúde. Nestas áreas, a doença ocorre tanto como surtos, como casos esporádicos. Os sur- tos seguem geralmente períodos de contaminação fecal do abastecimento de água potável e podem afetar de centenas a vários milhares de pessoas. Alguns destes surtos ocorreram em áreas de conflito e emer- gência humanitária, tais como zonas de guerra e campos pa- ra refugiados ou populações deslocadas internamente, onde o saneamento e o abastecimento de água potável colocam desafios especiais. Acredita-se também que casos esporádicos estejam relacio- nados com a contaminação da água, embora a uma escala menor. Os casos nestas áreas acontecem principalmente por infeção com o vírus genótipo 1 e muito menos frequentemen- te pelo vírus genótipo 2. Em áreas com melhor saneamento e abastecimento de água, a infeção pela Hepatite E é pouco frequente, havendo apenas casos esporádicos ocasionais. A maioria destes casos são ori- ginados pelo vírus do Genótipo 3 e são desencadeados pela infeção com vírus originários de animais, geralmente através da ingestão de carne animal mal cozinhada, particularmen- te de porco. Estes casos não estão relacionados com a con- taminação da água ou de outros alimentos.

Qual é o período de incubação? O período de incubação após exposição ao VHE varia de 2 a 10 semanas, com uma média de 5 a 6 semanas. As pessoas infetadas excretam o vírus a partir de alguns dias antes até 3 a 4 semanas após o início da doença. Quais são os sintomas? Em áreas com elevada endemicidade da doença, a infeção sintomática é mais comum em jovens adultos com idades compreendidas entre os 15 e os 40 anos. Nestas áreas, em- bora a infeção ocorra em crianças, muitas vezes não é diag- nosticada, porque normalmente não apresentam sintomas ou apenas têm uma doença ligeira sem icterícia. 42

Os sinais e sintomas típicos da Hepatite E incluem: • Uma fase inicial de febre ligeira, redução do apetite (anorexia), náuseas e vómitos com a duração de al- guns dias; • Dor abdominal, prurido, erupção cutânea, ou dores nas articulações; • Icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos brancos), urina escura e fezes pálidas; • Fígado ligeiramente aumentado e doloroso. Estes sintomas são muitas vezes indistinguíveis dos experien- ciados durante outras doenças hepáticas e duram tipica- mente 1 a 6 semanas. Em casos raros, a Hepatite E aguda pode ser grave e resul- tar em Hepatite Fulminante (insuficiência hepática aguda). Estes doentes estão em risco de morte. As mulheres grávidas com Hepatite E, particularmente no segundo ou terceiro trimestre, estão em risco acrescido de insuficiência hepática aguda, perda fetal e morte. Até 20- 25% das mulheres grávidas podem morrer se contraí- rem Hepatite E no terceiro trimestre. A infeção crónica por Hepatite E é mais comum em pessoas imunodeprimidas, particularmente recetores de transplantes de órgãos e a tomar medicamentos imunossupressores. 43

Como se faz o diagnóstico? Os casos de Hepatite E não são clinicamente distinguíveis de outros tipos de hepatite viral aguda. No entanto, o diagnós- tico pode ser fortemente suspeito em contextos epidemioló- gicos apropriados, por exemplo, quando vários casos ocor- rem em áreas de doença endémica conhecida, em contextos com risco de contaminação da água. 44

Existe tratamento? Não existe tratamento específico capaz de alterar o curso da Hepatite Aguda E. Como a doença é geralmente autolimi- tada, a hospitalização não é geralmente necessária. O mais importante é evitar medicamentos desnecessários. A hospitalização é necessária para pessoas com infeção gra- ve, particularmente Hepatite Fulminante, e também deve ser considerada para mulheres grávidas sintomáticas. Pode ha- ver indicação para tratamento antiviral (com ri- bavirina) e/ou ajuste da medicação imunossu- pressora. Pessoas imunodeprimidas com Hepatite Cró- nica E beneficiam de tratamento específico com ribavirina, um medicamento antiviral. 45

Como se pode prevenir? A prevenção é a abordagem mais eficaz contra a infeção. A nível da população, a transmissão da infeção pelo VHE pode ser reduzida através: • da manutenção dos padrões de qualidade do abas- tecimento público de água; • do estabelecimento de sistemas adequados de elimi- nação das fezes humanas. A um nível individual, o risco de infeção pode ser reduzido: • mantendo práticas higiénicas; • evitando o consumo de água e gelo de pureza desco- nhecida. As pessoas imunodeprimidas ou com doença hepática cróni- ca devem evitar o consumo de carne de porco ou javali crua ou mal cozinhada, e marisco. 46

Em caso de dúvida ou supeita de infeção por Hepatites víricas, deve consultar o seu médico. Não fique à espera. Atue. Faça o diagnóstico precoce desta doença! Bibliografia Complementar Programa Nacional para as Hepatites Virais – Relatório 2022 – disponível em: www.dgs.pt/hepatites/relatorios-e-publicacoes.aspx NOhep – disponível em: www.nohep.org World Hepatitis Day – disponível em: www.worldhepatitisday.org 47

Saiba mais em 48


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