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Revista Viaje pelo Amazonas - Ano 4 - Nº13

Published by viajeplamazonas, 2017-02-16 20:00:50

Description: Revista Viaje pelo Amazonas - Ano 4 - Nº13

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dos mais exitosos.O poder público precisa estimular a iniciati-va privada a investir no setor. Essa sintonia éo casamento perfeito para que haja um cres-cimento com reflexos na qualidade de vidadas populações, especialmente àquelas quevivem nas regiões mais distantes dos centrosurbanos.Percebe-se que a insatisfação é geral. O tradebrasileiro reclama da falta de estratégiasapropriadas para a exploração do grandepotencial do segmento. Para se ter uma ideia,segundo a Embratur, o Brasil só recebe cercade 5 milhões de turistas, enquanto a Françarecebe 60 milhões, uma diferença gritante. Viaje pelo Amazonas 51 16/02/2017 09:12:42

Pioneirismo As duas entidades acreditam Nailze Pereira Porto que o turismo com­ unitário éNão é exagero dizer que, à base do desenv­ olvimento do tossustentáveis sem riscos de na Amazônia tudo é segmento no Amazonas. Com perderem seus hábitos, costu- superlativo, grandioso essa visão, elas deram-se as mes e seus valores cult­urais,e numeroso, por isso mesmo, mãos e estão desenvolvendo já são os primeiros passos, deeste cenário atrai diferentes esse trabalho em comunida- uma caminhada que necessi-olhares. Apostando em alguns des localizadas na região do ta do apoio das autoridades,números motivadores do Baixo Rio Negro, nas proximi- para que, em pouco tempo,segmento no Brasil, essa dades de Manaus. essas popula­ções possamreportagem levará você a um seguir com as suas própriastrabalho pioneiro de turismo “Aqui, na comunidade São pernas.visto por um ângulo bem Sebastião a gente fomenta um Isso é possível? Sim. Em todosdiferente do convencional. projeto com o clube de mães, os ecossistemas da Améri-Trata-se do turismo de base chamado Nossa Senho­ra de ca Latina, o Turismo Ruralcomunitária, desenvolvido Nazaré com frutas re­gionais Comunitário (TRC) está empela ONG Nymuendaju, em compotas, geléias e balas ascensão graças à valorizaçãocom o apoio do Instituto de de produtos regio­nais”, dos locais de beleza paisagís-Prevenção Ambiental (IPÊ), complementa Nailze Pereira tica excepc­ ional, dotados deque atua na região desde Porto, coordenadora do IPÊ, vida selvagem e de atrativos2002, ajudando com trabalhos no Amazonas. culturais únicos como flo­voluntários a desenvolver As ações ainda são embrio­ restas primárias ou secun­modelos inovadores de nárias, mas a vontade de darias. Detentoras dessespráticas sustentáveis por fazer e levar a essas co­ poten­ciais, diversas comu-meio da ciência, negócios munidades a esperança desustentáveis e capacitação. que elas poderão ser au­ 52 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 52-53

Professor Cláudio Costa (centro), em reunião com as comunidades do roteiro Tucorinnidades estão se abrindo eentrando no mercado gra-ças a “um turismo com selopróprio”, ou seja, atributosoriginais e autênticos estãovirand­ o valiosos produtossem perder a sua alma.Prática semelhante vemsendo imp­ lantada no Ama-zonas. O professor CláudioCosta de Araújo, diretor-presi­dente da ONG Nymuendaju,explica que essa modalidad­ eé uma das práticas que emcurto prazo suprem as neces-sidades econômicas de umaregião. Dentro disso, o turis-mo comunitário nada mais édo que a própria comunidadese articulando para definir eexecutar plan­ os turísticos deforma mais justa e sustentá-vel. “Nesses locais você nãoencontra hotéis cinco estrelas,restaur­ antes de luxo, mas tema oportunidade de vivenciar omodo de vida dessas popula­ções”, argumenta Ruth Neves,operadora do roteiro. Comunidade São Sebastião 16/02/2017 09:12:47

ROTEIRO TUCORIN Parcerias O roteiro foi elaborado pela ONG Nymuen­daju e tem por missão A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e promover à integraç­ ão das co- Desenvolvimento Sustentável (SDS) por meio do Centro munidades ribeirin­ has, rurais e Estadual de Unidades de Conservação (CEUC) tenta indígenas locali­zadas na margem viabilizar alternativas de incentivos às ações para o esquerda do baixo Rio Negro aos fortalecimento das peculiaridades de comunidades que se roteiros de visitação, incluindo encontram dentro de unidades de conservação. nele, princip­ almente, o acolhi- A partir dessa demanda foi criado um fórum composto por mento. vários parceiros para discutir a execução do turismo de Nesses locais, os visitantes base comunitária nesses locais. conhecem o modo de vida, as tradições e as práticas mantidasEntre as várias parcerias e projetos voltados a valori­zação do por essas populações, além deturismo comuni­tário, destacam-se o Instituto de Pesquisas Eco- conferir in loco a convivêncialógicas (IPE) e a ONGNymuendaju que em Tupi Guarany signi- harmônica entre o homem e afica “aquele que constrói o seu próprio caminho”. Foi desenvol- natureza.vido um roteiro para visitações nas comunidades ribeirinhas, O meio de transporte para aces-além da promoção de cursos de capacitação juntamente com sar as comunidadesé fluvial, como Instituto de Pesquisa Ecológi­cas para que os comunitários a duração de 30 minutos a 1 horapossam receber de forma mais profissional os turistas, com a e trinta minutos (de lancha) de­expectativa de serem independentes no futuro. Órgãos oficiais pendendo da comunidade a serde meio ambiente tentam viabilizar alternativas de incentivos visitada, partindo da Marina doàs ações para o fortalecimento das peculiaridades de comuni- Davi, na Ponta Negra, Manaus.dades que se encontram dentro de unidades de conservaç­ ão As comunidades que compõem opara discutir a execução do turismo nesses locais. Roteiro TUCORIN estão situ­adas nas áreas protegidas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, onde estão situadas as comunidades divididas em setor sul e setor norte: Setor sul em área do Parque Esta- dual do Rio Negro, ficam as co- munidades de São João do Tupé, Colônia Central e Julião. Setor norte, ficam as comunidades de Bela Vista do Jaraqui, na área de Proteção Ambiental da Mar­gem Esquerda do Rio Negro, Colônia Central e São Sebastião do Rio Cuieiras.Observa-se que todas as áreas estão inseridas no mosaico de unidades de conservação do baixo Rio Negro. 54 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 54-55

Modo de vida mentais Nymuendaju e Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE)A população local vive da agri­ que visa à geração de trabalhocultura, do extrativismo, da caça e renda para os comunitáriose da pesca de subsistência, do promovendo seu protagonismoturismo ainda incipiente e da na gestão da atividade turísticaprodução de artesanato. A região local. Foram realizadas oficinasconta com diversos atrativos de qualificação na prestação denaturais, dentre eles praias, serviços turísticos e elaboradostrilhas ecológicas, lagos, igapós, roteiros de visitação que respei­igarapés e cachoeiras, além de tassem os espaços privados dosfauna e flora abundantes. Dentre moradores.os atrativos culturais, os visi­tantes têm a oportunidade de Programaçãoparticipar e vivenciar o modo devida dos comunitários (caboclos, As propostas de visitaçãoagricultores familiares, ribei­ ofertadas pelo Roteiro TUCO­rinhos) e dos índios das etnias RIN variam desde visitas deDessana, Tukano, Tuyuka, Tatuia curta duração até visitas de 3e Uanano, que ainda mantêm dias onde os visitantes podemsuas tradições. conviver de modo mais intensoA discussão sobre o fomento ao com as comunidades, partici­turismo de base comunitária na pando de trabalhos agrícolas eregião teve sua origem vinculada artesanais; celebrações e ritos,ao aumento dos fluxos de visi­ musicais e festas, mercados etação na região e a consequente feiras tradicionais, cerimôniasdegradação da qualidade de vida religiosas, visitas a sítios arque­e ambiental a eles associados. ológicos, dentre outros. AlémDevido a sua proximidade com disso, o turista pode visitar asa cidade de Manaus, a região do casas de farinha, as casas de mo­baixo Rio Negro é muito procu­ radia tradicional do agricultor,rada por moradores da cidade e as roças de produção agrícolaturistas para a prática de ativida­ tradicional, e realizar caminha­des de turismo de massa conven­ das longas ou curtas, atividadescional, como a pesca esportiva recreativas ou esportivas.e a recepção de cruzeiros. Oturismo desordenado não traziaos benefícios esperados de modoque a organização comunitáriafoi o caminho encontrado para aproposição de um novo ordena­mento para as atividades.A abertura dessas comunidadespara a recepção de visitantesfoi consequência de um intensotrabalho de suas Associaçõesde Moradores em parceria comas organizações não governa­ Viaje pelo Amazonas 55 16/02/2017 09:12:52

Fábia Braga, consultora do SEBRAE NacionalCentral de Turismo ComunitárioCriada pra atender grupos e Tucorin”, destaca Ruth Neves, Sustentável Mamirauá, nointeressados nesses roteiros. responsável pela negociação Rio Solimões, no municípioA Central de Turismo Comu- do roteiro. de Tefé, AM; a Pousada Aldeianitário da Amazônia reúne Seus fundadores vislumbram dos Lagos, situada às margensum grupo de entidades com a necessidade de fornecer do Lago Canaçari, reserva deatuação junto a várias comu- às comunidades instrumen- manejo do Pirarucu, situadanidades da região amazônica tos e ocasiões para divulgar no Rio Amazonas, no muni-que, coordenadas pela orga- aos turistas mais atentos ao cípio de Silves (AM); o Rotei-nização não governamental ambiente, a natureza e as ro Arapiuns, que envolve aICEI- Instituto Cooperação pessoas que moram na maior visitação de 4 comunidadesEconômica Internacional, floresta tropical do mundo, ribeirinhas às margens do riopropõe um modo inovador que existe uma maneira Arapiuns, nas proximidadespara viabilizar viagens de diferente, mais respeitosa, de da Floresta Nacional do Rioturismo responsável. Seu entrar em contato com esta Tapajós, perto de Santarémobjetivo principal é fortale- porção do planeta. (PA); a Pousada Vintequilos,cer as iniciativas de turismo A Central atua em parceria nas comunidades indígenascomunitário desenvolvidas com cinco iniciativas comu- Sateré-Mawé, localizadas nona região por pequenas co- nitárias que representam a Rio Andirá aos arredores domunidades ou grupos orga- riqueza da sociobiodiversi- município de Parintins (AM);nizados. “A Central tem uma dade dessa imensa região: a e por fim, o Roteiro TUCORIN,participação muito importan- Pousada Uacari, situada na realizado em 9 comunidadeste na divulgação do Roteiro Reserva de Desenvolvimento da região do baixo Rio Ne- gro, no município de Manaus (AM). 56 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 56-57

MTur de olho no roteiroNo período que antecedeu um dos mais bonitos roteirosa Copa de Futebol no Brasil, indicados pelo Ministério doem 2014, o Sebrae nacional Turismo”. Entre os principaisvisitou o local e enviou diag- destaques, a consultoranóstico ao Ministério do apontou a recepção oferecidaTurismo para este estudar pelos comunitários. “Eles nosa possibilidade dessas acolhem nas suas própriascomunidades entrarem no casas. É uma coisa gostosa,roteiro turístico do Brasil. você sente a essência do queA consultora do Sebrae/ é ser o turismo comunitário.Nacional, Fábia Braga, Fora a beleza natural semque esteve nesses locais, igual, uma beleza que aindaidentificou os pontos fortes não é conhecida em todo oe alguns gargalos que Brasil. Porque, quando se falaimpediam o crescimento do em Amazonas, em Manaus,roteiro. “Os pontos fracos em Rio Negro, não se imaginaexistem em função da falta que vai encontrar aqui umde experiências com a ativi- turismo tão sustentável, tãodade”, frisou. Otimista bom de desfrutar”, frisou.em relação ao potencial Outro ponto favorável nessaencontrado na região, modalidade é a inclusãoFábia disse na ocasião que social.“se depender dos pontos Márcio Teixeira Ferreira épositivos, o roteiro Tucurin agente de endemias na re-poderá se transformar em gião e atua no turismo há 35 Viaje pelo Amazonas 57 16/02/2017 09:13:05

O guia Manoel e a familia atuam na região desde os anos 70anos. “Fui criado dentro do profissional, de uma manei-ramo do turismo”, afirma. ra comunitár­ ia, mantendoSegundo ele, o pai, Manoel a substância e a essência doTeixeira, trabalha no ramo projeto”, desta­cou. “A gentedesde os anos 70. A heran­ encontra aqui autodidatas.ça desses anos é uma boa Seu Manoel é um autodida-experiência, garante. Mas, ta, ele domina aquela selva,com muita humildade, Már­ aprende tudo que quer semcio faz um apelo aos órgãos saber ler nem escrever”, rela-oficiais: “Precisamos de tou impress­ ionada, acrescen-capacitação. Desde os anos tando que, apesar dos pontos70, quando meu pai come­ fortes, o roteiro precisa deçou, a gente já melhorou maior reconhecimento damuito. Mas precisamos de parte do governo para traba-apoio dos órgãos. As maio­ lhar as agências, no sentidores dificuldades é o mercado de evitar desrespeito a essaspra absorver a produção de características locais.artesanatos”, citou.Essas pessoas de certa formaestão produzin­do de umamaneira sustentá­vel, ou seja,elas tiram da flor­ esta o seupróprio sustento sem destruirnada. “Fazem tudo de forma 58 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 58-59

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ENCONTRO DE DUAS RAÇAS Viajar pelo interior do Amazonas é sem- pre gratificante e inesquecível. O contato direto com a natureza é uma terapia, alivia qualquer estresse. Sempre que posso, vou ao interior do Estado passear. Desta vez, o destino foi o município de Manaquiri. Cidadezinha pacata, com menos de 20 mil habitantes. Fica a duas horas de barco veloz, tipo a jato. Pequena, mas aconchegante. É cliente dos noticiários globais por alguns marcos. Um deles por ter dado ao presidente Lula quase 100% de votação nas eleições de 2006 e outro, pela mortandade de peixes na época da vazante. Além de visitar os familiares, aproveito para desfrutar das belezas naturais da região. Faço isso como terapia. A sensação é de leveza. Tudo de ruim, como o estresse, por exemplo, vai embora. Até a irritante espera na fila para embarcar na balsa, que faz a travessia de Manaus ao porto do Careiro da Várzea, se desfaz tão logo a balsa começa a singrar as águas do rio Negro. Realmente, é um privilégio desfrutar plenamente da natureza. A experiência é única. Desculpem os exageros mas não encontro outros adjetivos à altura. Era sábado, por volta das 12horas, eu e minha irmã Zê, fomos para o porto da Ceasa. Às 14 horas embarcamos na balsa. Depois de 1h30 flutuando, chegamos do outro lado, já no rio Solimões. Só nesse começo de trajeto a sensação já é de alívio, de liberdade. Também pudera: passamos pelo Encontro das Águas (fenômeno natural onde as águas de cores amarelada e negra se encontram, mas não se misturam), sem contar com as cenas dos botos tucuxis que pareciam se exibir para nós. Logo que a balsa atracou, o impacto: o cenário de alagação era assustador. 60 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 60-61

Descemos da balsa e pegamos a BR-319,rodovia federal, que dá acesso ao municípiode destino. Lá vamos nós. Ao longo dela,tive que reduzir a velocidade em váriostrechos porque os lagos transbordaram,atravessando a estrada de um lado paraoutro.Mas nada que tirasse o prazer de admirara beleza das paisagens das margens daestrada. Depois de uma hora de rodoviafederal, chegamos à AM-542 e mais 43quilômetros pela frente. Nesse momento, asensação é de que entramos no paraíso. Aconservação da estrada deixa o motoristamais à vontade para seguir e contemplar agenerosidade da natureza amazônica.Já no fim da tarde, chegamos, finalmente.Opção na cidade é quase zero. À noite,cumprimos uma programação de visitaaos parentes. Mais tarde, um passeio pelapracinha da frente da cidade e um sorveteà luz de vela, porque a energia funcionavaigual pisca-pisca com vindas e idasdemoradas. Mas nada que tirasse o prazerde estar lá.No dia seguinte, lá vamos nós de voadeira eem 10 minutos chegamos a uma localidadechamada Fuxico. No trajeto muitaspaisagens de campos, árvores frondosas ematas fluviais. Encostamos no porto ondehavia crianças pulando n’água, uma dasprincipais diversões e lazer da criançadaribeirinha. Pensei: oh coisa boa, um dia jáfiz isso também. Logo fiquei sabendo queali era uma comunidade indígena de etniasBaré e Munduruku.A recepção, como é de praxe, foi calorosa.A mesa já posta com muito peixe assado efarinha amarela na medida para saborearaquele banquete amazônico. Achei queali terminaria um passeio maravilhoso einesquecível pela floresta.Mas logo ouvi alguém dizer que aindafaltava a sobremesa. O encontro dessas duasraças: a indígena e a cabocla terminaria comum delicioso e irresistível vinho de açaí,fruto extraído de uma palmeira nativa. Abebida foi feita por um mutirão de homens Viaje pelo Amazonas 61 16/02/2017 09:13:16

que se reuniu em volta de uma enorme bacia que se encontrava em outra cabana. Um deles, tomou a iniciativa de amassar os grãos que antes, devem ser colocados de molho em água morna. Peguei minha câmera fotográfica e fui atrás deles. Em menos de 30 minutos, estava pronto o saboroso vinho. Festejamos! Mais delicioso que o vinho é a sensação de bem-estar, de ver e sentir de perto a hospitalidade dessa gente que precisa de tão pouco pra ser feliz. É muito bom poder desfrutar desses ambientes saudáveis com gente simples e humilde. Pensei: isso aqui parece ser a essência da felicidade! Mara Matos (A editora)Revista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 62-63

Conte aqui a sua história na Amazonia. Envie pelo endereço abaixo: [email protected] Encontro das Águas Foto: Chico Batata 16/02/2017 09:13:17

EntrevistaAmazônia: “Aprendemos a conhecê-lacom os outros que escrevem sobre nós”Professor Renan Freitas Manaus, a capital do maior estado da nação brasileira, oPinto, titular do Amazonas, completou 347 anos, em 24 de outubro de 2015.Departamento de Ao longo da sua história, sofre agressões de toda ordem:Ciências Sociais da discriminação, racismo como as veiculadas fartamenteUniversidade Federal do pela imprensa e redes socais em função da cidade ter sidoAmazonas (Ufam), autor escolhida para sediar os jogos de um dos grupos da Copa dodas seguintes obras: Mundo de Futebol de 2014. Sabe-se que depois do ciclo daViagem das Ideias e A borracha, Manaus cresceu desordenadamente. Sua popu-Sociologia de Florestan lação aumentou assustadoramente nos últimos 40 anos.Fernandes. Hoje, Manaus tem mais de dois milhões de habitantes (IBGE 2015), muito deles migrantes atraídos por inúmeras oportu- nidades de emprego com o advento da Zona Franca, princi- palmente. Mesmo assim, a impressão que se tem é que tanto a Manaus do século XIX quanto a que se projetou depois da decadência da borracha, são totalmente desconhecidas do brasileiro. Neste número especial, Viaje pelo Amazonas leva você a uma viagem ao passado para mostrar o embrião dessas difi- culdades que o brasileiro tem em aceitar a Região Amazônia como parte do Brasil, respeitá-la e defendê-la como um dos seus maiores patrimônios natural, cultural e arquitetônico. E quem conduz a essa leitura é o professor titular do De- partamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Renan Freitas Pinto, autor das seguintes obras: Viagem das Ideias e A Sociologia de Florestan Fer- nandes. Tem participação como co-autor e organizador em várias obras com temáticas relacionadas especialmente com a Amazônia. O sociólogo desenvolve projeto de pós-doutorado na USP sob a orientação do prof. Willi Bolle sobre A recepção de Theodor W. Adorno no Brasil. Nesta entrevista, ele faz reve- lações importantes que podem ser úteis na construção das políticas incentivadoras do segmento turístico e cultural do Amazonas. Confira. . 64 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 64-65

Viaje pelo Amazonas: Onde está a raiz dessa ignorân- afirmar, infelizmente, que essa ignorância é maiscia em relação à Amazônia? gravemente nossa, mas não podemos ser pessimistas,Renan Freitas Pinto: Essa dificuldade que o Brasil pois é possível reconhecer que muita coisa estáenfrenta em reconhecer a Amazônia como parte de mudando em relação a tudo isso.sua totalidade enquanto nação e enquanto povo possuiraízes históricas profundas e ainda deverá demorar Viaje: Em que sentido?certo tempo para que isso se resolva. A origem reside Renan: Há movimentos afirmativos, sobretudo em faceno fato de que, desde a formação colonial brasileira, do que chamamos de globalização e mundialização. Érepresentávamos um país à parte, ou seja, existia o fato inconteste que esses processos de há muito vêmBrasil e ainda uma outra colônia, que correspondia em envolvendo a Amazônia. Mas para nos referirmos aosalguma medida à província do Grão-Pará. processos mais recentes e que estão em pleno movimen- to sob as nossas vistas, podemos dizer que existe umViaje: E esse processo de formação da nação brasilei- correspondente movimento de valorização de algunsra, ainda não está concluído? elementos da cultura regional, no plano material eRenan: O processo de constituição da nação ainda está imaterial.por ser concluído, se é que algum dia será. O que seria oprojeto de formação de uma nação que corresponderia Viaje: O senhor pode citar um deles ou mais?à totalidade do Brasil sempre encontrou dificuldades Renan: Talvez o primeiro deles seja o da culinária, quede se concretizar, exatamente por causa das grandes implica numa valorização visível da gastronomia e dasdiferenças existentes entre suas diferentes geografias. cozinhas locais. Com a forte presença dos fastfoods, dosDessa forma, o norte foi constantemente visto com pratos congelados produzidos pela indústria brasileira,uma região de florestas, de inúmeros rios, povoados da mcdonaldização, das redes de franquias de restau-por diferenciadas etnias indígenas, portanto, um rantes, sorveterias, lanchonetes etc., vemos se desenvol-espaço onde sempre predominou a natureza, o mundo ver um movimento de afirmação identitária de nossasnatural. Os povos indígenas e as próprias populações variadas cozinhas locais, com o surgimento de novosditas caboclas estavam identificadas com o mundo restaurantes típicos, do sanduíche caboclinho e de umada natureza. E isso está na origem de todas essas valorização de nossas comidas e bebidas. Mesmo comafirmações e ideias que continuam a aparecer na mídia tudo isso, ainda estamos muito longe do que poderíamosem relação a nós, da Amazônia. fazer nesse sentido, ou seja, de transformar a Amazônia e suas cidades em grandes pólos de atração do turis-Viaje: Essa ignorância está mais centrada no sul ou os mo gastronômico, que é facilmente considerado comoamazônidas também desconhecem a própria região? o mais forte e o mais diversificado do mundo. Dize-Renan: Não é apenas o jovem ou a jovem do sul do mos isso baseados na convicção de que temos um dosBrasil que em geral possuem uma ideia estereotipada maiores potenciais nesse sentido, com nossa riqueza dee quase sempre negativa do Norte e Nordeste do país peixes, especialmente, e os inúmeros modos de preparo- diga-se de passagem- tratados como se fossem uma que encontramos em cada localidade da região norte.só geografia, ou seja, os lá do norte. Não são apenaseles que desconhecem a Amazônia. Na verdade, nós Viaje: O senhor pode citar outro potencial poucotambém não a conhecemos, nem a reconhecemos explorado na região?como algo positivo. Nós aprendemos com os outros queescrevem sobre nós - desde o passado até o presente - a Renan: Outro aspecto certamente de grande potencialnos vermos como uma região distante, desconectada do e muito pouco explorado também é o do patrimônioBrasil moderno, atrasada e assim por diante. histórico e cultural. Não apenas pelo fato de possuirmos uma grande riqueza de patrimônio histórico no sentidoViaje: O que se pode fazer pra mudar essa realidade? tradicional e reconhecido do termo, mas de diversasRenan: Para esse quadro se modificar é necessário que formas de patrimônio natural e imaterial, ou seja,ele comece aqui, conosco, pois uma visão afirmativa, daquele patrimônio referente às nossas populaçõespositiva da Amazônia, de seus povos, de suas cidades indígenas, rurais, de novos contingentes migrantes, quee de seus indivíduos só pode existir se nós mesmos representam um repertório cultural e artístico único emodificarmos o nosso modo desinformado e descrente que não encontram reconhecimento por nossas políticasde nos vermos a nós mesmos. Portanto, tentando de incentivo à cultura e pelo próprio conceito e noçãoresponder ao que consideramos uma ignorância grave que temos de patrimônio imaterial, do qual somos, semdo resto do Brasil em relação à Amazônia, podemos dúvida, os maiores detentores em termos de Brasil. Nesse sentido, é bastante pobre e incipiente nossa política de implantação e manutenção de museus. Há museus que são óbvios quanto ao fato de que deveriam existir e que seriam procurados por turistas e Viaje pelo Amazonas 65 16/02/2017 09:13:17

pesquisadores de todo o mundo e que simplesmente não “Os povos indígenas e as pró-existem. Por exemplo, sendo a Amazônia o maior espaçode biodiversidade do planeta, não possuímos, para falar prias populações ditas cabo-só em Manaus, um museu botânico, um museu ictiológico, clas estavam identificadasum grande zoológico organizado segundo as técnicas com o mundo da natureza. Eexigidas pelo conhecimento atual da vida animal. Mesma isso está na origem de todaspobreza encontramos no campo de grandes museus como essas afirmações e ideias queum Museu do Homem para reunir elementos da cultura continuam a aparecer namaterial e imaterial dos povos indígenas e das formas mídia em relação a nós dade vida rural da Amazônia em sentido amplo. Da mesmaforma, o mundo sente falta na Amazônia, de Museus da Amazôniahistória de seus rios, Museus de embarcações, Museude história do extrativismo em suas diferentes versões e ”e o resto dos municípios da região. É claro queassim por diante.Então, seria por esse caminho que estaríamos dando interiorizar a educação em todos os níveis é algoresposta à questão de políticas diferenciadas voltadas que deve ser feito em uma ampla operação depara a questão do patrimônio. Mas poderíamos incluir implantação de todos os serviços e oportunidades,também em uma política de museus, um Museu da existentes hoje somente nas grandes capitais.Imagem e do Som mais potente, pois essa seria uma É necessário que se criem, em todos os nossosforma de fazer com que grandes empresas que têm seus municípios, as condições de habitação, transporte,nomes ligados ao desenvolvimento tecnológico e científico infraestrutura de serviços culturais e artísticos,pudessem contribuir para a criação de um grande e atual oportunidades reais de renda e emprego, enfimmuseu de tecnologias que estão identificadas hoje com a levarmos todos os componentes para umacidade de Manaus, em especial. cidadania plena a todos os nossos municípios.Viaje: Então, Manaus poderia ser a capital cultural dopaís?Renan: A presença de atividades da Copa do Mundo emManaus poderia ser utilizada como um estímulo parafazermos a cidade avançar na direção de uma capitalcultural, desde esses aspectos mais tradicionais, aquibrevemente apontados, até aspectos de tecnologia deúltima geração que marcam a identidade industrial denossa cidade. Sim, porque hoje essa identidade industrialé bastante forte e diferenciadora, até sob o aspecto deque esse modelo, mesmo com todos os seus problemas,pode oferecer algumas lições ao Brasil em termos dedesenvolvimento urbano, em geração de riqueza, emvalorização de bens culturais.Viaje: E a educação, onde entra no processo demudança?Renan: Não podemos nos esquecer de incluirnessa abordagem das potencialidades culturais daAmazônia e de suas cidades, papel crescente desuas universidades, destacadamente as federais eestaduais, que tem sido responsáveis por uma novacultura da pesquisa e da difusão do conhecimento,com uma visível interiorização de oportunidadesde ensino e pesquisas para os nossos estudantes efuturos intelectuais, cientistas e técnicos que estãoem distantes cidades do resto do Brasil. Talvez esseseja o acontecimento mais duradouro que estamosassistindo, sobretudo diante da indiferença quesempre marcou as relações entre as cidades capitais 66 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 66-67

“Sendo a Amazônia o maior Amazônia não deverá estar no extrativismo, mas na criação de oportunidades para novas espaço de biodiversidade do tecnologias, para a inovação em sentidoplaneta, não possuímos, para abrangente, envolvendo sobretudo a formação falar só em Manaus, um mu- adequada, através de investimentos emseu botânico, um museu ictio- educação e cultura. lógico, um grande zoológicoorganizado segundo as técni- Viaje: O que mais o senhor pode citar comocas exigidas pelo conhecimen- riqueza cultural não valorizada? Renan: Vamos nos referir a um dos exemplos to atual da vida animal mais marcantes de nossa riqueza multicultural, que tem a ver com a cultura dos povos ”Viaje: Hoje, qual é a real situação em termos de indígenas da Amazônia. É sabido que das três mil línguas existentes no mundo, apenas cerca investimentos neste setor? de oitenta delas possuem uma literatura escrita e, a esses dados, vem imediatamente uma Renan: Hoje a situação é desafiadora. Os nossos pergunta que diz respeito a nós da Amazônia. municípios são ainda os campeões brasileiros em Ou seja, como fica a situação das línguas que, déficits educacionais e da saúde pública, como tem apesar de vivas, não possuem escrita? sido amplamente noticiado pela grande imprensa brasileira. Viaje: E aqui, qual é a realidade? Alguns avanços possuem um custo extremamente Renan: Aqui, por exemplo, todos os povos da baixo e seus resultados são transformadores da Amazônia que detém uma parte significativa situação atual. das línguas indígenas sobreviventes no Precisamos considerar que o desenvolvimento da mundo possuem em correspondência aos seus sistemas linguísticos, sistemas simbólicos e de representação do cosmos. Em função de desenvolvimentos da ciência linguística e de tecnologias que podem auxiliar suas metodologias, é perfeitamente possível fazer com que essas línguas e suas respectivas literaturas possam se tornar visíveis, e o silêncio que até hoje tem envolvido essas culturas, passaria a enriquecer o patrimônio cultural de nossa região e, em amplo sentido, o patrimônio cultural da humanidade. Assim, de posse de seus próprios meios, os povos indígenas poderiam assegurar o uso e a propriedade de conhecimentos que seriam fundamentais para seu reconhecimento enquanto culturas autônomas e descolonizadas. Precisamos, portanto, como já afirmamos em outra ocasião, em nos empenharmos em uma descolonização profunda de nossos povos e de suas culturas. Viaje pelo Amazonas 67 16/02/2017 09:13:18

Arena da Amazônia na rota dos grandes eventosOLIMPÍADAS 2016Depois de sediar quatro jogos capital amazonense ficou de de 2016, no Rio de Janeiro,da Copa do Mundo de 2014, fora. Em 2015, no entanto, o Brasil. A escolha foi feita du-a bela Arena da Amazônia Comitê Organizador solicitou rante a 121ª Sessão do ComitêVivaldo Lima, em Manaus, a inclusão de Manaus como Olímpico Internacional, queentra novamente na rota dos subsede, e depois a FIFA aconteceu em Copenhague,grandes eventos. Desta vez confirmou que o torneio de Dinamarca, em 2009. Os Jogosem agosto, como subsede futebol será disputado nas Paralímpicos de Verão dedo Torneio de Futebol das quatro cidades originais, 2016 serão sediados tambémOlimpíadas de 2016, no Brasil. além de Manaus e do Estádio no Rio, em setembro. SeráOs jogos serão realizados Olímpico João Havelange, no a primeira vez que os Jogosnos dias 4, 7 e 9 de agosto, próprio Rio de Janeiro, que na Olímpicos serão sediados naem rodadas duplas. Quatro segunda semana dos jogos irá América do Sul e a segundacidades, que também sediar o atletismo, totalizando vez na América Latina, depoisforam subsedes da Copa do sete estádios em seis cidades. da Cidade do México 1968.Mundo FIFA de 2014, foram A XXXI Olimpíada, que no Será também a terceira vezoriginalmente designadas Brasil virou “Rio 2016”, é um que acontecerão no hemisfé-a receber as partidas evento multiesportivo rea- rio sul, depois de Melbournepreliminares do futebol. A lizado no segundo semestre 1956 e Sydney 2000. 68 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 68-69

Mais de 10 mil atletasesperadosOs Jogos Olímpicos serão abertos ao estádio Castelão. O museu Foto: Museu de Futebolno dia 5 de agosto, no estádio do FootFame deve vir à capitalMaracanã (RJ) e encerrados no do Amazonas com novidades brasileiros Pelé, Ronaldinho edia 21 de agosto no mesmo local. como uma inédita galeria Neymar. Mas a ideia é que aEm seguida, as Paralimpíadas de chuteiras de craques e calçada da fama também conteserão abertas em 7 de Setembro exposições permanentes com com a pegada dos craquese finalizadas em 18 de Setembro peças do Museu Pelé. amazonenses. O acervo atual,do mesmo ano. A expectativa do Governo criado com autorização dosCerca de 200 nações de todas amazonense é que o museu atletas, é composto por mais deas partes e continentes do ajude a consolidar a Arena 500 peças. Além dos craques demundo enviarão atletas para a da Amazônia como espaço ídolos da geração, o materialcompetição em suas diversas multiuso incluindo o estádio é formado por estrelas domodalidades. Estima-se que mais amazonense, que vai receber passado que fazem parte dode 10.500 atletas tomarão parte seis jogos de futebol das acervo do Guardiões de Ídolos,e milhares de profissionais de Olimpíadas Rio 2016, na museu montado pelo artistaimprensa, das áreas de apoio, rota do turismo esportivo plástico mato-grossense Sullivanfãs de esportes e turistas de nacional. Oliveira com os pés de craquestodos as partes da terra estarão O museu do esporte reúne do passado. Esse material estáno Rio para o grande evento. a reprodução dos pés dos sendo restaurado para entrar emSerão disputados 28 esportes maiores atletas do futebol, exposição.totalizando 42 modalidades, como é o caso dos craquesduas a mais em relação aosJogos Olímpicos de Verão de2012. O Comitê Executivo doCOI sugeriu as inclusões dorugbysevens e do golfe, e foramaprovados durante a 121ª Sessão.Mais de 140 mil pessoas estarãotomando parte diretamente naorganização desse evento noBrasil, sendo 7 mil integrantesdo Comitê Organizador, 65 milpessoas contratadas e mais 70mil voluntários.Em razão dos jogos olímpicos,dos quais Manaus será umadas subsedes, as secretariasde Educação do Estado e domunicípio estipularam comodatas de recesso do meio do anoo período de 4 a 9 de agosto.Museu do FutebolArena da Amazônia pode ganharmuseu e calçada da fama dofutebol. As negociações estão emandamento entre o governo doEstado do Amazonas e a direçãodo FootFame. A referênciapara a proposta é a experiênciade Fortaleza (Ceará) onde ainiciativa incrementou emquatro vezes o número de visitas Viaje pelo Amazonas 69 16/02/2017 09:13:19

Descrição do em Manaus com grandes Aprovada no testeprojeto craques da atualidade. “Nenhum outro País tem A Arena foi inauguradaConforme o projeto uma história como a com um clássico regionalem estudo, o museu nossa e o projeto surgiu entre o Nacional, dedo futebol da Arena da para resguardar a his- Manaus (AM), e o Remo,Amazônia deve contar tória dos nossos ídolos de Belém (PA), em jogocom galerias de mitos e e quem são os ídolos válido pelas quartas-de-lendas do esporte, dos brasileiros que ninguém final da Copa Verde, paramaiores treinadores do conhece. A gente quer um público de 20 milfutebol e homenagem resgatar essa história fa- torcedores, com empate deaos profissionais da zendo no Brasil a maior 2 a 2. Em seguida, sediouimprensa, como os calçada da fama do es- quatro jogos da primeiragrandes cronistas porte”, explicou. fase da Copa do Mundoesportivos do País. Em de 2014– Inglaterra xManaus, o espaço deve A bela Arena da Itália, Camarões x Croácia,oferecer interatividade Amazônia Estados Unidos x Portugalao público. Uma réplica e Honduras x Suíça. Osdo vestiário de seleções A Arena da Amazônia jogos do Mundial foramque jogaram pela Copa Vivaldo Lima foi a prova de fogo parado Mundo de 2014 no inaugurada no dia testar a funcionalidadeestádio deve ser recriada 9 de março de 2014, da arena em eventos decom peças usadas contrariando as críticasdurante as partidas negativas em relaçãopelos jogadores. O aos recursos destinadosmuseu das chuteiras a sua construção. Paratambém será interativo. muitos, depois daDescalços, os visitantes Copa, ela poderia sepoderão experimentar transformar em umréplicas das primeiras elefante branco. Com ochuteiras criadas para advento das Olimpíadas,jogar futebol e poderão a Arena está prontaconhecer, pelo formato para servir de palcodos próprios pés, qual de mais um grandeo esporte mais indicado espetáculo. A obra veiopara ser praticado. resgatar a autoestimaUm dos diretores do pro- dos amazonenses,jeto, Ângelo Neto, afirma principalmente dosque novas cerimônias simpatizantes de futebol.de registro serão feitas 70 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 70-71

grandes proporções.A da chuva foi usada na O projeto arquitetônicoobra custou R$ 669,5 irrigação do gramado – foi desenvolvido pelomilhões. O estádio com gerando uma economia renomado escritóriocapacidade para 44 de água tratada; há alemão GMP Archi-mil pessoas recebeu estações de tratamento tekten, que já assinouquatro partidas, de esgoto e ventilação projetos como o estádioinclusive de uma das natural para redução do de Durban, na África eseleções cabeças de consumo de energia. o estádio Olímpico dechave. A arena está Berlin, na Alemanha.estrategicamenteposicionada entre oaeroporto internacionale o Centro da cidade.O projeto da Arenada Amazônia foidesenvolvidovalorizando asustentabilidade. Todoo material geradocom a demolição doantigo Vivaldo Lima foireaproveitado: a água Foto: Nacional (AM) x Remo (PA) quartas-de-final da Copa Verde Viaje pelo Amazonas 71 16/02/2017 09:13:20

Inspiração Centro de regional Treinamento Carlos Zamith A concepção do projeto arquitetônico da Arena (Coroado) da Amazônia valoriza a cultura e elementos Centro de regionais amazônicos. Treinamento O formato entrelaçado Ismael Benigno da estrutura metálica da cobertura e fachada foi (Colina) inspirado no trançado de fibras naturais do paneiro, um tipo de cesto de palha (fibra vegetal) muito utilizada por indígenas e ribeirinhos no armazenamento da farinha, principalmente. As sete cores das cadeiras lembram frutas tropicais: banana, abacaxi, melão, manga, laranja, mamão e goiaba. A disposição das cadeiras varia do amarelo ao vermelho formando um mosaico vibrante de cores que conferem movimento e alegria ao mais belo estádio do Brasil. Manaus também conta com dois Centros de Treinamento: o estádio da Colina, localizado no bair- ro São Raimundo, na Zona Oeste, e o do Coroado, na Zona Leste da capital. 72 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 72-73

HOSPITALIDADE DOS MANAUENSES ENCANTA O MUNDOA cidade de Manaus abriu inglesa jogar em Manaus. do mundo inteiro, de 120os braços e encantou Mas, logo após o confronto mil para 260 mil visitantes,o mundo com a sua entre Inglaterra e Itália, a conforme os registros dehospitalidade. Ingleses, imprensa inglesa saiu com desembarque no aeroportoportugueses, italianos, suíços, essa manchete: “Englandfind internacional brigadeirohondurenhos, camaronenses, a warmwelcome in the Eduardo Gomes.croatas, norte-americanos Amazonjungle’ssearingheat”. Os portugueses tambéme outros turistas de várias Traduzindo: “Inglaterra marcaram presença emnacionalidades nunca encontra recepção calorosa Manaus, lotando o Largoesquecerão o calor humano no calor escaldante da selva de São Sebastião, além daque experimentaram em Amazônica”. participação expressivaManaus durante o período O gramado da Arena da na arena, comemora Joséem que as seleções dos seus Amazônia teve o privilégio Avezedo, cônsul de Portugalpaíses jogaram na Arena também de ser o palco das em Manaus. O país luso jogouda Amazônia pela Copa do exibições dessas grandes contra os Estados Unidos daMundo de 2014, no Brasil. equipes que trouxeram América, um dos maioresA recepção dada aos seus craques de renome emissores de turistas paravisitantes reverteu as críticas no futebol mundial como o Amazonas, segundo oque a imprensa nacional e Cristiano Ronaldo (Portugal), Ministério do Turismo. Masinternacional fizeram sobre o goleiro Gianluigi Buffon a partida mais esperada foio calor de Manaus e sobre a (Itália), do capitão Steven entre a Inglaterra e a Itália.sua capacidade para sediar Gerrard (Inglaterra), Clint Os dois gigantes do futebolo evento esportivo. Esses Dempsey (Estados Unidos), mundial abriram a rodadarótulos foram transformados Xherdan Shaqiri (Suíça), dos jogos da primeira faseem elogios inclusive pelo Mário Mandzuki (Croácia), na Arena da Amazônia,técnico inglês Roy Hodgson, Samuel Eto’ (Camarões), além arrastando pra Manausque chamou Manaus de das estrelas de Honduras dezenas de torcedorescidade “maravilhosa”. que mostraram um pouco do ingleses e italianos. O mesmoEle foi o pivô da polêmica futebol da América Central. ocorreu entre Camarões epor ter declarado logo As estrelas do futebol mundial Croácia. Espera-se que a belaapós o sorteio da FIFA, a atraíram para Manaus mais arena da Amazônia continueinsatisfação da seleção que o dobro de visitantes sendo palco de outros e outros eventos esportivos. Viaje pelo Amazonas 73 16/02/2017 09:13:23

Portugal,país-irmão“Sinto como se estivesse em casa”, Começamos por Lisboa, a capital dedeclara o ídolo português, Cristiano Portugal. O ocenário, a torre de Belém, aRonaldo sempre que vem ao Brasil. O ponte e o Shopping Center Vasco da Gamapaís de Pedro Álvares Cabral, o alferes são paradas obrigatórias. “Estar lá, édescobridor da pátria Canarinho, em uma sensação gostosa. Parece fortalecer1500, é encantador a começar por aí: nossos laços pátrios e as afinidades quebrasileiros que vão a Portugal dizem o torcedor brasileiro vascaíno, como eu,sentir a mesma sensação descrita pelo tem com o clube de futebol carioca”, diz ocraque do Real Madrid. As ligações repórter fotográfico, Alfredo Fernandes,históricas como as semelhanças que já experimentou essa sensação deculturais expressas nos casarios, bem estar, quando esteve na capitalnas ruas, vielas, cafés e pastelarias - portuguesa.celebradas em 2012 por ocasião do ano A mais populosa do país, com 547.733do Brasil em Portugal e vice-versa -, habitantes, Lisboa possui uma vistasão alguns dos fatores que contribuem deslumbrante para o rio Tejo, além depara fortalecer as relações de afinidade vários atrativos nos arredores da áreae afetividade entre as duas sociedades. portuária. O oceanário, no Par¬que dasViaje encerra essa edição com um giro Nações em Santa Maria dos Oli¬vais épor quatro cidades portuguesas de um mundo onde são encontradas váriasexpressivos conteúdos históricos. espécies animais e outros seres viventes do fundo do mar. O aquário público é também instituição de pesquisa sobre Biologia marinha e Oceanografia. Foto 1- Torre de Belém Foto 2- Alfredo Fernandes Foto 3- Teleférico no Parque das Nações Foto 4- Oceanário de LisboaRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 74-75

Alfredo Fernandes, fotógrafo profissional 16/02/2017 09:13:27

CoimbraO estado de preservação e conservaçãodas cidades portuguesas impressiona elogo nos remete às lembranças do passado,como Coimbra, por exemplo. Vendo aquelaarquitetura tão real, a imaginação começa acriar asas, levando o pensamento aos tempos docolegial, hoje o ensino médio, período em que osprofessores ensinavam na disciplina História,os descobri¬mentos portugueses e espanhóis.Coimbra é isso: historicamente, cidadeuniversitária. Essa Universidade, fundada em1290, a mais antiga e famosa do século, tornoudesde então, referên¬cia em educação naformação dos europeus.Coimbra é sede de um município de 143 396habitantes, dados de 2011, subdividido em18 freguesias. É consi¬derada uma das maisimportantes cidades portuguesas, devidoà infraestrutura, organi-zações e empresaspara além da sua impor¬tância histórica eprivilegiada posição geográ¬fica no centro daespinha dorsal do país. Foi Capital Nacionalda Cultura em 2003 e é uma das cidades maisantigas do país, tendo sido capital do Reino.Andar pelas ruas de Coimbra lembra muito oantigo centro de Manaus. Como em parte dacidade velha onde as lojas e o chão de pedrasparalelepípedos se assemelham com a antigarua Marechal Deodoro, construída no períodoáureo da borracha. Centro de Coimbra Fotos: Mara Matos 76 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 76-77

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Santuário de Nossa Senhora de MontAlto Fotos: Mara Matos Arganil É uma belíssima vila, sede do conselho, do Centro de Portugal, situada numa região serrana de grande beleza, de fértil vegetação e abundantes cursos de água pertencente a Coimbra. A região apresenta vestígios de ocupação romana desde tempos bem remotos, como da permanência dos povos primitivos naquela região. O Patrimônio de Arganil caminha de mãos dadas com a história e beleza da vila, dona de um invejável Centro Histórico, destacando-se monumentos como a Capela de São Pedro, a Igreja da Misericórdia, a Capela do Senhor da Agonia, ou o Pelourinho da Vila. A cerca de 2 quilômetros do centro, situa-se o Santuário de Nossa Senhora do Monte Alto, datado do século XVI. A região de Arganil inclui tanto os campos baixos do Mondego como as alturas da Serra do Açor, local de beleza severa onde aldeias isoladas se empoleiram sobre precipícios. É aí que nasce o rio Alva, descendo encostas para chegar a verdes campos de milho e hortas viçosas. 78 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 78-79

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Piódão Linda e impressionante. Forma- da por pequenas povoações com nomes curiosos que combinam com o cenário de granito como Pomares, Foz da Moura... Esta é Piódão, a mais antiga e surpre- endente região constituída de aldeias de xisto e lousa, que ainda mantém o seu encanto medieval. Para chegar lá, não é nada fácil. Mas pra quem é filho da terra como o nosso guia, Carlos Antô- nio Pinto, tudo ficou mais fácil e emocio¬nante. Sorte nossa! Segundo o material promocional distribuído lá, no século XX o estilo de vida que durante anos perdurou em Piódão sofre uma grande mudança, com a emigra- ção em massa para o local. Depois do abalo, Piódão renasceu com a força turística, preservando sempre a sua essência. O próprio conjunto arquitetônico e a sua disposição tão característica, é o maior atributo dessa aldeia. Como chegar - Depois de um per- curso inesquecível pelas estreitas estradas da Serra do Açor, Piódão surge aninhada no seu vale, com ruas estreitas e sinuosas e casas de pedra escura rematadas pelo azul das portas e das janelas em contraste com a alvura da Igreja Matriz bem no centro da aldeia. Vale a pena o sacrifício de subir a serra, pas-sando por nuvens ao seu alcance. E mais, as ruas bem conservadas e sinalizadas dão a certeza de que o turista ou visitante precisa para ir voltar em segurança. Piódão é assim: você sai de lá já com data marcada para voltar de tão atrativa que é, seja pela gastronomia, pelo artesanato, pelo vinho, pelo licor, huuummm ... deliciosos! 80 Viaje pelo AmazonasRevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 80-81

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Lendas da Amazônia em quadrinhos - Ano I Nº I 2016 A LENDA DORevista_Miolo_Grafica_JUNIOR 20.2cmX27.2cm.indd 82-83

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