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ubirajara-1

Published by Alan Xavier, 2023-05-02 15:27:04

Description: ubirajara-1

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["v\u00e1rzea. Eles esperam o aceno de Ubirajara para inundarem teus campos. \u201cA na\u00e7\u00e3o tocantim carece neste momento do bra\u00e7o de seus maiores guerreiros; vai levar-lhe o socorro de teu valor, para que se aumente a gl\u00f3ria de Ubirajara, seu vencedor. \u201cTu \u00e9s livre, Pojuc\u00e3; parte e voa, que a guerra dos araguaias te segue os passos.\u201d O semblante do filho de Itaqu\u00ea ficou sombrio - Pojuc\u00e3 \u00e9 um chefe ilustre; n\u00e3o merece esta desonra. Tu lhe prometeste a morte dos bravos. Ele exige o combate. O chefe araguaia contou a maranduba da hospitalidade - Ubirajara n\u00e3o sabia que Pojuc\u00e3 era filho de Itaqu\u00ea; pois ele nunca pisaria como h\u00f3spede a cabana de um guerreiro, a quem tivesse decepado um filho. \u201c\u00c9 preciso que recuperes a liberdade para que n\u00e3o se diga que Ubirajara surpreendeu a hospitalidade do grande chefe dos tocantins.\u201d Pojuc\u00e3 n\u00e3o respondeu. Ele reconhecera que a honra do seu vencedor exigia sua volta \u00e0 taba dos seus. - Parte. N\u00f3s combateremos \u00e0 frente das na\u00e7\u00f5es. Ubirajara pertence a Itaqu\u00ea; mas depois dele, ter\u00e1s a gl\u00f3ria de ser vencido outra vez por este bra\u00e7o. - Ubirajara \u00e9 um grande chefe e maior guerreiro. Se Tup\u00e3 n\u00e3o consente que Pojuc\u00e3 seja vencedor, ele n\u00e3o quer maior gl\u00f3ria do que a de morrer combatendo Ubirajara. Pojuc\u00e3 foi \u00e0 cabana de seu vencedor buscar as armas. Ubirajara arrimou-se ao tacape, como o rochedo que se ap\u00f3ia ao tronco do ip\u00ea, e meditou. Quando passou o chefe tocantim que voltava \u00e0 sua taba, Ubirajara levantou a cabe\u00e7a e disse: - Os olhos de Ubirajara te acompanham; tu \u00e9s irm\u00e3o de Araci e vais para junto dela. Dize \u00e0 estrela do dia que seu esposo est\u00e1 com ela. O conselho dos abar\u00e9s se reunira para meditar sobre a guerra. O velho Maj\u00e9, a quem irritava o desaparecimento da filha, reparou que sem o voto do carbeto se convocasse a na\u00e7\u00e3o. Veio um mensageiro chamar o grande chefe para o carbeto. Ubirajara chegou. Antes que falasse a voz dos anci\u00f5es, o guerreiro levantou o arco e disse - O conselho dos anci\u00f5es governa a taba e medita nas coisas da paz Toda a na\u00e7\u00e3o respeita sua prud\u00eancia e sabedoria. \u201cMas enquanto Ubirajara brandir o grande arco dos araguaias, tem a guerra fechada em sua m\u00e3o.","\u201cQuando ele soltar o grito do combate, a voz que falar da paz, emudecer\u00e1 para sempre, ainda que venha da cabe\u00e7a do abar que a lua j\u00e1 embranqueceu. \u201cQuem n\u00e3o quiser assim, venha arrancar da m\u00e3o de Ubirajara, este arco que ele conquistou por seu valor.\u201d Os abar\u00e9s estremeceram. Mas o carbeto meditou e decidiu que a maior gl\u00f3ria e sabedoria da na\u00e7\u00e3o era ter o seu grande arco de guerra na m\u00e3o de um chefe como Ubirajara. Camac\u00e3 tratou com os anci\u00f5es acerca da defesa das tabas; e o grande chefe abriu o caminho da guerra. *** Quando Ubirajara desdobrou sua guerra pela margem do grande rio, ele viu que uma na\u00e7\u00e3o tapuia preparava-se para assaltar a taba dos tocantins. O grande chefe tocou a in\u00fabia, cuJa voz chamava o jovem Murinh\u00e9m, primeiro dos cantores araguaias. Correu o nhenga\u00e7ara \u00e0 presen\u00e7a do grande chefe, e dele recebeu a mensagem que devia levar ao campo inimigo. Os cantores eram respeitados por todas as na\u00e7\u00f5es das florestas como os filhos da alegria; porque serviam de mensageiros entre as na\u00e7\u00f5es em guerra. Eles penetravam no campo inimigo, entoando o seu canto de paz; e nenhum guerreiro ousava ofender aquele a quem Tup concedera a fonte da alegria. Murinh\u00e9m atravessou r\u00e1pido a campina e apresentou-se em frente de Canicr\u00e3, chefe dos tapuias. - Ubirajara, o senhor da lan\u00e7a, que empunha o arco da poderosa na\u00e7\u00e3o araguaia, te manda, a ti, quem quer que sejas, e a todos quantos te obedecem, a sua vontade. O tapuia rugiu; mas seus olhos viam o mar dos guerreiros araguaias que o cercava, e na frente o grande vulto de Ubirajara, semelhante ao rochedo sombrio e im\u00f3vel do meio dos borbot\u00f5es da cachoeira. - Os guerreiros de Canicr\u00e3 s\u00f3 conhecem a vontade do seu chefe; e Canicr\u00e3 afronta a c\u00f3lera de Tup\u00e3 e das na\u00e7\u00f5es que ele gerou. Dize, mensageiro, o que pede Ubirajara ao grande chefe dos tapuias. - Ubirajara te manda que encostes o tacape da guerra. A na\u00e7\u00e3o tocantim aceitou a sua flecha de desafio, e ele n\u00e3o consente que ningu\u00e9m combata seu inimigo, antes de o ter vencido. - Torna e dize ao grande chefe araguaia, que Canicr\u00e3 veio trazido pela vingan\u00e7a. Pojuc\u00e3, um dos chefes tocantins, penetrou em sua taba e incendiou a cabana do paj\u00e9, que foi devorado pelas chamas.","\u201cUbirajara \u00e9 um grande chefe; ele que diga se o pai da na\u00e7\u00e3o pode sofrer t\u00e3o dura afronta. Canicr\u00e3 escutar\u00e1 a voz de sua amizade. \u201c O chefe tapuia tomou uma de suas flechas; arrancou o farp\u00e3o e deu ao mensageiro a haste emplumada com as asas negras do anum, que era o emblema guerreiro de sua na\u00e7\u00e3o. - Toma; entrega ao grande chefe araguaia o penhor da alian\u00e7a. Murinh\u00e9m partiu e foi \u00e0 taba dos tocantins levar igual mensagem. Itaqu\u00ea escutou o que lhe mandava Ubirajara e respondeu. - Antes que Itaqu\u00ea trocasse com Ubirajara a seta do desafio, Pojuc\u00e3 tinha levado a guerra \u00e0 taba dos tapuias. \u201cCanicr\u00e3 veio trazido pela vingan\u00e7a; e a na\u00e7\u00e3o tocantim n\u00e3o pode recusar o combate. Mas Itaqu\u00ea sabe honrar seu nomese Ubirajara quer, ele combater\u00e1 juntamente os dois inimigos.\u201d O mensageiro tornou ao campo dos araguaias com as respostas dos dois chefes. Ubirajara ouviu e meditou. - Escuta a vontade de Ubirajara para lev\u00e1-la aos inimigos. O grande chefe araguaia n\u00e3o roubar\u00e1 a Canicr\u00e3 a gl\u00f3ria da vingan\u00e7a; ele respeita a honra da na\u00e7\u00e3o tapuia, mas rejeita sua alian\u00e7a. Restitui o penhor que recebeste. \u201cItaqu\u00ea pode aceitar o combate que Pojuc\u00e3 foi buscar; Ubirajara n\u00e3o ofende o nome de um guerreiro, ainda mais de um morubixaba, e do pai de Araci. \u201cO chefe dos araguaias n\u00e3o carece de aux\u00edlio para triunfar de seus inimigosdeseja que a na\u00e7\u00e3o tocantim derrote aos tapuias, para ter ele a gl\u00f3ria de vencer ao vencedor. \u201cSe Itaqu\u00ea n\u00e3o pode repelir os tapuias, Ubirajara toma a si castigar os b\u00e1rbaros; e depois de varr\u00ea- los das florestas, combater\u00e3o as duas na\u00e7\u00f5es. \u201cSe os tocantins necessitam de aliados para resistir ao \u00edmpeto dos araguaias, Ubirajara espera que Itaqu\u00ea os chame e que eles venham. \u201cMurinh\u00e9m falar\u00e1 assim a um e outro chefe; a ambos dir\u00e1 que a cabana onde estiver Araci fica sob a guarda de Ubirajara; quem nela penetrar como inimigo, sofrer\u00e1 a morte vil do covarde.\u201d O guerreiro deixou a voz do chefe e falou com a voz de esposo - AAraci levar\u00e1s o canto de amor de Ubirajara. Tu lhe dir\u00e1s que arme a rede nupcial e n\u00e3o deixe nossa cabana, enquanto Ubirajara n\u00e3o a for buscar. \u201cConta-lhe tamb\u00e9m que o canitar que ela teceu, ainda n\u00e3o deixou a cabe\u00e7a do seu guerreiro e h\u00e1 de acompanh\u00e1-lo sempre. \u201c","ABATALHA A um lado da imensa campina move-se a multid\u00e3o dos guerreiros tocantins, do outro lado, a multid\u00e3o dos guerreiros tapuias. As duas na\u00e7\u00f5es se estendem como dois lagos formados pelas grandes chuvas, que se transformam em rios e atravessam o vale. De um e outro campo levantou-se a pocema guerreira; e os dois povos arremetendo travaram a batalha. Itaqu\u00ea achou-se em frente de Canicr\u00e3. Ambos se buscavam; dez vezes tinham combatido; vencedores ambos, nenhum fora vencido. Enquanto viverem os formid\u00e1veis guerreiros, n\u00e3o \u00e9 possivel quebrar a flecha da paz entre as duas na\u00e7\u00f5es. Era preciso que um deles morresse para que o vencedor encostasse o tacape do combate e desse repouso \u00e0 sua na\u00e7\u00e3o para reparar os estragos da guerra. Quando os dois chefes se encontraram, os guerreiros de um e outro campo ficaram im\u00f3veis, contemplando o pavoroso combate. Ubirajara de longe, apoiado em seu grande arco, admirava os dois guerreiros e pensava qual n\u00e3o seria o seu orgulho em venc\u00ea-los ambos. Durava a peleja o espa\u00e7o de uma sombra. Em torno dos chefes lastravam o ch\u00e3o os tacapes e escudos que se tinham espeda\u00e7ado aos golpes de cada um. Im\u00f3veis no mesmo lugar, s\u00f3 agitavam a cabe\u00e7a e os bra\u00e7os; semelhantes a dois condores, que de garras presas aos p\u00edncaros do rochedo, se dilaceram com o bico adunco. Um rugido espantoso atroou pela campina, que estremeceu a batalha e rolou pelas profundezas da floresta. Pah\u00e3, a seta, era o \u00faltimo filho de Canicr\u00e3. Ainda curumim, pelejava ao lado do irm\u00e3o, o guerreiro Creb\u00e3, cujo ombro mal alcan\u00e7ava com o bra\u00e7o. Ele tinha nos olhos a vista da gaivota, e nas setas de seu arco, feitas de espinho de ouri\u00e7o, a velocidade e a certeza do v\u00f4o do guanumbi. Quando ca\u00e7ava na floresta, divertia-se em matar as mutucas traspassando-as com suas flechas, que voavam mais r\u00e1pidas e certeiras que as vespas venenosas. Pah\u00e3 saltara sobre os ombros do guerreiro Creb\u00e3 para assistir ao combate. Admirando o valor de Canicr\u00e3, teve orgulho e inveja do pai.","Itaqu\u00ea desfechara t\u00e3o formid\u00e1vel golpe, que o tacape e escudo de Canicr\u00e3 se espeda\u00e7aram em suas m\u00e3os, deixando-o \u00e0 merc\u00ea do inimigo. O chefe tocantim arrojou-se, e j\u00e1 sua m\u00e3o descia sobre a esp\u00e1dua do tapuia para faz\u00ea-lo prisioneiro. O arco de Pah\u00e3 sibilou duas vezes. Os olhos de Itaqu\u00ea, os olhos do var\u00e3o forte que nunca umedecera uma l\u00e1grima, choraram sangue. As setas do curumim tinham vazado as pupilas do fero guerreiro, cuja vista era raio. Assim a jandaia r\u00f3i o grelo do pr\u00f3cero coqueiro. Foi ent\u00e3o que Itaqu\u00ea soltou o rugido pavoroso que fez tremer a terra. Mas o grito de espanto so\u00e7obrou no peito dos guerreiros e rompeu em um grito de horror. Itaqu\u00ea estendera os bra\u00e7os, hirtos como duas garras de condor. A m\u00e3o direita abarcou o penacho e a cabeleira de Canicr\u00e3, a esquerda entrou pela boca do tapuia e travou-lhe o queixo. Separaram-se os bra\u00e7os do guerreiro cego, e a cabe\u00e7a de Canicr\u00e3 abriu-se como um coco que se fende pelo meio. Agitando no ar o cr\u00e2nio sangrento como um marac\u00e1 de guerra, Itaqu\u00ea arrojou-se contra os inimigos, buscando a morte que lhe fugia. Quando o sol entrou, n\u00e3o havia na campina a sombra de um tapuia. O velho her\u00f3i voltou \u00e0 cabana conduzido por Pojuc\u00e3 - Tup\u00e3 viu que Itaqu\u00ea n\u00e3o podia ser vencido pela m\u00e3o dos homens; e quis venc\u00ea-lo ele mesmo pela m\u00e3o de um menino. *** Quando Ubirajara viu o \u00eaxito do combate, lamentou que dos dois grandes guerreiros n\u00e3o restasse nenhum, para que ele o vencesse. Seus olhos descobriram Pah\u00e3 que fugia no meio dos destro\u00e7os de sua na\u00e7\u00e3o. Ergueu a m\u00e3o, mas n\u00e3o chegou a retesar a seta. A \u00e1guia n\u00e3o persegue a andorinha. Era indigno de um guerreiro, quanto mais de um chefe, empregar seu valor contra um menino. O chefe chamou \u00e0 sua presen\u00e7a Tubim, um dos jovens ca\u00e7adores, que tinham acompanhado a guerra para prover o alimento.","- Tubim tem as asas da abelha; se ele alcan\u00e7ar o curumim tapuia que eu estou olhando, Ubirajara lhe dar\u00e1 o nome de Abeguar. O jovem ca\u00e7ador seguiu o olhar do chefe e sumiu-se num turbilh\u00e3o de poeira. Quando os vaga- lumes come\u00e7aram a luzir no escuro da mata, ele estava de volta ao campo dos araguaias; e trazia o curumim fechado nos bra\u00e7os. Nessa mesma noite, Tubim recebeu o nome de Abeguar, senhor do v\u00f4o, em honra da fa\u00e7anha que tinha realizado. Os cantores entoaram seu louvor; e o jovem ca\u00e7ador teve a gl\u00f3ria de receber os aplausos dos moacaras de sua na\u00e7\u00e3o, e de um chefe como Ubirajara. Ao raiar da manh\u00e3, Murinh\u00e9m foi \u00e0 taba dos tocantins, acompanhado por vinte guerreiros que conduziam o curumim. Quando chegou em frente \u00e0 cabana do grande chefe, o cantor viu Itaqu\u00ea no terreiro, sentado em uma sapopema. O guerreiro fitava os olhos no c\u00e9u, onde o calor lhe dizia que estava o sol. Mas n\u00e3o encontrava a luz que para sempre o abandonara. Ent\u00e3o o velho guerreiro abaixava os olhos para a terra, como se buscasse o lugar do repouso. Quando soaram longe os passos dos estrangeiros, o chefe alongou a fronte para ver pelo ouvido o que os olhos lhe recusavam. Murinh\u00e9m chegou e disse - Ubirajara envia a Itaqu\u00ea o resto da vingan\u00e7a. Este \u00e9 Pah\u00e3, o filho de Canicr\u00e3. Ele te roubou a vista; mas n\u00e3o salvou o pai de tua m\u00e3o terr\u00edvel. Faze do curumim tapuia um mancebo tocantim; e ele ser\u00e1 a luz dos teus olhos e caminhar\u00e1 na frente do grande chefe para abrir-lhe o caminho da guerra. Pah\u00e3 avan\u00e7ou - O filho de Canicr\u00e3 jamais ser\u00e1 escravo; nasceu tapuia e tapuia morrer\u00e1, como o grande chefe que o gerou. Enquanto o ouri\u00e7o viver nas florestas, ele roubar\u00e1 seus espinhos para furar os olhos dos tucanos. Itaqu\u00ea pousou a palma da m\u00e3o na cabe\u00e7a do menino - O curumim que ama seu pai \u00e9 filho de Itaqu\u00ea. Tu \u00e9s livre, Pah\u00e3; vai ca\u00e7ar o ouri\u00e7o. Quando fores um guerreiro, achar\u00e1s cem mancebos do sangue de Itaqu\u00ea para castigarem tua aud\u00e1cia. O chefe voltou-se para o cantor. - Tup\u00e3 tirou a luz dos olhos de Itaqu\u00ea; mas aumentou a for\u00e7a de seu bra\u00e7o. Ubirajara ter\u00e1 para","combat\u00ea-lo um inimigo digno de seu valor. Murinh\u00e9m tornou ao chefe araguaia com esta resposta. *** Quando partia o cantor, chegaram \u00e0 cabana de Itaqu\u00ea os abar\u00e9s da na\u00e7\u00e3o tocantim. Os anci\u00f5es sentaram-se em torno do guerreiro cego; e bebendo a fuma\u00e7a da sabedoria, formaram o carbeto. Falou Guaribu - O grande arco da na\u00e7\u00e3o carece de uma m\u00e3o robusta para brandir sua corda; e de um olho seguro para dirigir sua seta. Itaqu\u00ea \u00e9 o maior guerreiro das florestas; seu nome faz tremer aos mais valentes dos inimigos; seu bra\u00e7o fere como o raio. Mas a luz fugiu de seus olhos e ele n\u00e3o pode mais abrir o caminho da guerra. O velho chefe ergueu-se com o passo tr\u00f4pego. Alcan\u00e7ando o grande arco dos tocantins abra\u00e7ou- se com ele e falou-lhe. - Quando Itaqu\u00ea te recebeu da m\u00e3o do grande Javari, ele pensava que s\u00f3 a morte o separaria de ti, para transmitir-te a um guerreiro de seu sangue. Mas Itaqu\u00ea ficou na terra, como um tronco levado pela corrente, que n\u00e3o sabe onde vai. Um esguicho de sangue saltou dos buracos, onde o velho tivera os olhos. Era a l\u00e1grima que a desgra\u00e7a lhe deixara. Os abar\u00e9s meditaram. Guaribu falou de novo - O grande arco da na\u00e7\u00e3o que tu recebeste do grande Javari, teu pai, n\u00e3o te abandonar\u00e1. Ele fica em tua m\u00e3o invenc\u00edvel; haver\u00e1 outro arco na m\u00e3o do mais valente guerreiro, que abrir\u00e1 o caminho da guerra. Mas enquanto Itaqu\u00ea viver, sua voz governar\u00e1 a na\u00e7\u00e3o que ele defendeu com seu bra\u00e7o. O semblante do velho chefe cobriu-se de um sorriso, como o negro rochedo sobre o qual desliza um raio de luar. - Pais da sabedoria, abar\u00e9s, olhai aquele jatob\u00e1 que se levanta no meio da campina, e que eu s\u00f3 posso ver agora na sombra de minha alma. \u201cEle tem muitas ra\u00edzes que o sustentam nos ares, tem muitos galhos que o cercam e estendem ao longe a sua rama. Mas o tronco \u00e9 um s\u00f3. \u201cAs grossas ra\u00edzes s\u00e3o os abar\u00e9s que sustentam o chefe com o seu conselho. Os galhos fortes s\u00e3o os moacaras que cercam o chefe e geram a multid\u00e3o de guerreiros mais numerosa que as folhas das \u00e1rvores. O tronco \u00e9 o chefe da na\u00e7\u00e3o; se ele se dividir, o jatob\u00e1 n\u00e3o subir\u00e1 \u00e0s nuvens, nem ter\u00e1 for\u00e7as para","resistir ao tuf\u00e3o. \u201cO lugar de Itaqu\u00ea \u00e9 no conselho. O \u00faltimo dente de seu colar de guerra foi o que ele arrancou da boca de Canicr\u00e3. Convocai os guerreiros, e o que for mais forte e mais valente empunhe o grande arco da na\u00e7\u00e3o.\u201d O trocano chamou a na\u00e7\u00e3o ao carbeto. Vieram os moacaras, conduzindo suas tribos. O velho Itaqu\u00ea contava pelos passos os guerreiros que chegavam. O grande arco da na\u00e7\u00e3o, que ele segurava direito, parecia um dos esteios da cabana, e tinha a corda t\u00e3o grossa como a da rede do chefe. Os mais famosos guerreiros tocantins se apresentaram para disputar o grande arco; muitos conseguiram verg\u00e1-lo, mas a seta n\u00e3o partiu. Itaqu\u00ea escutava com o ouvido atento; o som dele conhecido n\u00e3o feriu os ares. - Onde est\u00e1 Pojuc\u00e3? perguntou o velho chefe. O valente guerreiro do sangue de Itaqu\u00ea estava de parte, grave e taciturno. Algum motivo o separava do arco-chefe, que ele devia ser o primeiro a disputar. - Teu filho te escuta; respondeu. - Empunha o arco-chefe; se h\u00e1 um guerreiro tocantim que possa conquist\u00e1-lo, esse deve ser do sangue de Itaqu\u00ea. Pojuc\u00e3 recebeu o arco. Fincando nele os p\u00e9s, o guerreiro arrojou-se para tr\u00e1s como a jib\u00f3ia quando se enrista para armar o bote. A seta partiu, e foi cravar a cabe\u00e7a de um chefe tapuia, fincada na estaca, \u00e0 entrada da taba. Itaqu\u00ea curvara a cabe\u00e7a. Ele ouviu brandir a arma; n\u00e3o era, por\u00e9m, aquele o zunido da corda do arco, quando o vergava sua m\u00e3o possante. Pojuc\u00e3 dep\u00f4s o arco-chefe aos p\u00e9s de Itaqu\u00ea e disse - Pojuc\u00e3 mostrou que em suas veias corre o sangue generoso de Itaqu\u00ea. Mas o grande arco pesa em sua m\u00e3o. S\u00f3 h\u00e1 um guerreiro na terra que o possa brandir como Itaqu\u00eae esse n\u00e3o cinge a fronte com o cocar das penas de tucano. - Pojuc\u00e3 negou a Itaqu\u00ea esta \u00faltima consola\u00e7\u00e3o. O arco invenc\u00edvel do grande Tocantim, que foi o pai da na\u00e7\u00e3o, vai sair de sua gera\u00e7\u00e3o. Tocantim o transmitiu a seu filho Javari, que me gerou; mas eu n\u00e3o soube gerar com seu sangue um guerreiro digno deles. UNI\u00c3O DOS ARCOS Os tapuias voltaram; com eles vinha Agnin\u00e1 \u00e0 frente de sua na\u00e7\u00e3o, para vingar a morte de Canicr\u00e3, seu irm\u00e3o.","Era grande a multid\u00e3o dos guerreiros; e maior a tornavam a sanha da vingan\u00e7a e a fama do chefe que a conduzia. N\u00e3o eram tantos os tocantins; mas bastaria seu valor para igual\u00e1-los, se n\u00e3o lhes faltasse a cabe\u00e7a, que rege o corpo. A poderosa na\u00e7\u00e3o estava como o bando de caitetus que perdeu o pai e desgarra-se pela floresta, correndo sem rumo. Os mais valentes moacaras, chefes das tribos, esperavam pelo grande chefe da na\u00e7\u00e3o para abrir- lhes o caminho da guerra. Os abar\u00e9s meditaram. Eles n\u00e3o podiam inventar um guerreiro capaz de suceder a Itaqu\u00ea; mas n\u00e3o se resignavam a abater a gl\u00f3ria da na\u00e7\u00e3o, trocando o arco invenc\u00edvel do grande Tocantim por outro arco mais leve, que Pojuc\u00e3 manejasse. Tamb\u00e9m Pojuc\u00e3 anunciara que, n\u00e3o podendo brandir o arco de Itaqu\u00ea, jamais empunharia outro arco-chefe, menos glorioso do que o do grande Tocantim. Abar\u00e9s, chefes, moacaras, guerreiros, toda a na\u00e7\u00e3o se reuniu em torno do her\u00f3i cego. Daquele que durante tantas luas defendera a na\u00e7\u00e3o com a for\u00e7a de seu bra\u00e7o e a protegera com o terror de seu nome, esperavam ainda a salva\u00e7\u00e3o. O velho ouviu a voz dos abar\u00e9s, a voz dos chefes, a voz dos moacaras, a voz dos guerreiros, e disse - Itaqu\u00ea ainda pode combater e morrer por sua na\u00e7\u00e3o; mas sem a luz do c\u00e9u, ele n\u00e3o pode mais abrir a seus filhos o caminho da vit\u00f3ria. \u201cO bra\u00e7o de Itaqu\u00ea defendeu sempre a na\u00e7\u00e3o tocantim; quer ela ser defendida agora pela palavra daquele, que n\u00e3o tem mais para dar-lhe sen\u00e3o a experi\u00eancia de sua velhice? \u201cPensem os abar\u00e9s, os chefes, os moacaras e os guerreiros.\u201d Guaribu respondeu - A na\u00e7\u00e3o pensou. Fala e todos obedecer\u00e3o \u00e0 tua palavra, como obedeciam ao bra\u00e7o de Itaqu\u00ea. - A voz do cora\u00e7\u00e3o diz ao neto de Tocantim que a gl\u00f3ria da na\u00e7\u00e3o que ele gerou n\u00e3o se pode extinguir. O sangue de Itaqu\u00ea, passando pelo seio de Araci, se unir\u00e1 a outro sangue generoso para brotar maior e mais ilustre. \u201cAssim a terra onde nasceu uma floresta de acaj\u00e1s, recebe o limo do rio e gera nova floresta mais frondosa que a outra.","\u201cJacamim, chama Araci, a filha de nossa velhice. E v\u00f3s, abar\u00e9s, chefes, moacaras e guerreiros, segui-me.\u201d O velho her\u00f3i atravessou a taba guiado por Araci. A na\u00e7\u00e3o o seguia em sil\u00eancio. Quando o guerreiro cego passava com a m\u00e3o no ombro da virgem formosa que dirigia o seu passo incerto, os guerreiros lembravam-se do tronco j\u00e1 morto que a rama do maracuj\u00e1 ainda sustenta de p\u00e9 junto ao penedo. Os cantores iam adiante e entoavam um canto de paz. *** Um mensageiro de Itaqu\u00ea o precedera no campo dos araguaias. Ubirajara, cercado de seus abar\u00e9s, chefes, moacaras e guerreiros, veio ao encontro do morubixaba dos tocantins. A alma do grande chefe araguaia encheu-se da alegria de ver Araci; mas ele retirou os olhos da esposa, para que o amor n\u00e3o perturbasse a serenidade do var\u00e3o. - Ubirajara est\u00e1 em face de Itaqu\u00ea; para combat\u00ea-lo, se trouxe a guerra; para abra\u00e7\u00e1-lo, se trouxe a paz. - Nunca Itaqu\u00ea pediu a paz ao inimigo que trouxe-lhe a guerra, antes de o vencer; nem teria vivido tanto para cometer essa fraqueza. Ele vem trazer-te a vit\u00f3ria para que tu a repartas com seu povo. O velho her\u00f3i avan\u00e7ou o passo - Chefe dos araguaias, tu levaste a guerra \u00e0 taba dos tocantins para conquistar Araci, a filha de minha velhice. \u201cPor teu hero\u00edsmo, e ainda mais pela nobreza com que restitu\u00edste a liberdade a Pojuc\u00e3, tu merecias uma esposa do sangue de Tocantim. \u201cMas desde que tu amea\u00e7aste tom\u00e1-la pela for\u00e7a de teu bra\u00e7o, Itaqu\u00ea n\u00e3o podia mais conceder-te a filha de sua velhice, sen\u00e3o depois que abatesse teu orgulho. \u201cEle preparava-se para te combater, e \u00e0 tua na\u00e7\u00e3o; mas fugiu-lhe dos olhos a luz que dirige a seta da guerra; e n\u00e3o h\u00e1 entre seus guerreiros um que possa brandir o arco do grande Tocantim.\u201d Quando pronunciou estas palavras, a voz do velho guerreiro so\u00e7obrou-lhe no peito - O arco de Itaqu\u00ea \u00e9 como o gavi\u00e3o que perdeu as asas e n\u00e3o pode mais levar a morte ao inimigo. As andorinhas zombam de suas garras.","\u201cEmpunha o arco de Itaqu\u00ea, chefe dos araguaias, e tu conquistar\u00e1s por teu hero\u00edsmo uma esposa e uma na\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0 esposa far\u00e1s m\u00e3e de cem guerreiros como Itaqu\u00ea; e \u00e0 na\u00e7\u00e3o, conservar\u00e1s a gl\u00f3ria que ela conquistou quando o filho de Javari a conduziu \u00e0 guerra. \u201cTup\u00e3 dar\u00e1 a teu bra\u00e7o esta for\u00e7a para que o sangue de Itaqu\u00ea brote mais vigoroso e os netos de Tocantim dominem as florestas. \u201c Ubirajara sorriu - Chefe dos tocantins, teus olhos n\u00e3o podem ver o grande arco da na\u00e7\u00e3o araguaia; mas pergunta \u00e0 tua m\u00e3o se o arco que Camac\u00e3 brandia invenc\u00edvel e agora empunha Ubirajara, cede ao arco de Itaqu\u00ea. O velho her\u00f3i palpou o arco-chefe dos araguaias e vergou-lhe a ponta ao ombro, como se a haste fosse de taquari. Ubirajara travou do arco de Itaqu\u00ea e desdenhando finc\u00e1-lo no ch\u00e3o, elevou-o acima da fronte. A flecha ornada de penas de tucano partiu. O semblante de Itaqu\u00ea remo\u00e7ou, ouvindo o zunido que recordava-lhe o tempo de seu vigor. Era assim que ele brandia o arco outrora, quando as luas cresciam aumentando a for\u00e7a de seu bra\u00e7o. O velho inclinou a fronte para escutar o sibilo de sua flecha que talhava o azul do c\u00e9u. Os cantores n\u00e3o tinham para ele mais doce harmonia do que essa. Ubirajara largou o arco de Itaqu\u00ea para tomar o arco de Camac\u00e3. A flecha araguaia tamb\u00e9m partiu e foi atravessar nos ares a outra que tornava \u00e0 terra. As duas setas desceram trespassadas uma pela outra como os bra\u00e7os do guerreiro quando se cruzam ao peito para exprimir a amizade Ubirajara apanhou-as no ar. - Este \u00e9 o emblema da uni\u00e3o. Ubirajara far\u00e1 a nac\u00e3o tocantim t\u00e3o poderosa como a na\u00e7\u00e3o araguaia. Ambas ser\u00e3o irm\u00e3s na gl\u00f3ria e formar\u00e3o uma s\u00f3, que h\u00e1 de ser a grande nac\u00e3o de Ubirajara, senhora dos rios, montes e florestas. O chefe dos chefes ordenou que tr\u00eas guerreiros araguaias e tr\u00eas guerreiros tocantins ligassem com o fio do craut\u00e1 as hastes dos dois arcos. Quando o arco de Camac\u00e3 e o arco de Itaqu\u00ea n\u00e3o fizeram mais que um, Ubirajara o empunhou na m\u00e3o possante e mostrou-o \u00e0s na\u00e7\u00f5es - Abar\u00e9s, chefes, moacaras e guerreiros de minhas na\u00e7\u00f5es, aqui est\u00e1 o arco de Ubirajara, o chefe dos grandes chefes. Suas flechas s\u00e3o g\u00eameas, como as duas na\u00e7\u00f5es, e voam juntas.","Ambas as cordas brandiram a um tempo. A seta araguaia e a seta tocantim partiram de novo como duas \u00e1guias que par a par remontam \u00e0s nuvens. Quando calou-se a pocema do triunfo, Ubirajara caminhou para a filha de Itaqu\u00ea - Araci, estrela do dia, tu pertences a Ubirajara, que te conquistou pela for\u00e7a de seu bra\u00e7o. Agora que \u00e9 senhor, ele espera a tua vontade. A formosa virgem rompeu a liga vermelha que lhe cingia a perna e atou-a ao pulso de seu guerreiro. Ubirajara tomou a esposa aos ombros e levou-a \u00e0 cabana do casamento. O jasmineiro semeava de flores perfumadas a rede do amor. *** O outro sol rompia, quando os tapuias estenderam pela campina a multid\u00e3o de seus guerreiros. Na frente assomava Agnin\u00e1, a montanha dos guerreiros, ainda mais feroz do que o irm\u00e3o, o terr\u00edvel Canicr\u00e3. De um lado e do outro seguiam-se os chefes, cada um \u00e0 frente de seus guerreiros. Ubirajara escolheu mil guerreiros araguaias e mil guerreiros tocantins, com que saiu ao encontro dos tapuias. Depois que desdobrou sua batalha pela campina, o chefe dos chefes caminhou s\u00f3 para o inimigo. Quando chegava a meio do campo, os tapuias levantaram a pocema de guerra, que atroou os ares, como o estr\u00e9pito da cachoeira. Um turbilh\u00e3o de setas crivou o longo escudo do her\u00f3i, que ficou semelhante ao grosso tronco de ju\u00e7ara, eri\u00e7ado de espinhos. Ubirajara embra\u00e7ou o escudo na altura do ombro, e com o p\u00e9 brandiu sete vezes a corda do grande arco g\u00eameo. As setas vermelhas e amarelas subiram direitas ao c\u00e9u e perderam-se nas nuvens. Quando voltaram, Agnin\u00e1 e os chefes que obedeciam a seu arco, tinham cada um fincado na cabe\u00e7a o desafio do formid\u00e1vel guerreiro. Enfurecidos mais pelo insulto do que pela dor, arremessaram-se contra o inimigo que os esperava coberto com seu vasto escudo.","Agnin\u00e1 era o primeiro na corrida e o primeiro na sanha. Ap\u00f3s ele vinham os outros a dois e dois, lutando na rapidez. Quando o esposo de Araci viu que eles se estendiam pela campina, como dois ribeiros que se aproximam para confundir suas \u00e1guas; o her\u00f3i empunhou a lan\u00e7a de duas pontas e soltou seu grito de guerra, que era como o bramir do jaguar, senhor da floresta. Seu p\u00e9 devorou o espa\u00e7o; e a lan\u00e7a de duas pontas girou em sua m\u00e3o, como a serpente que enrosca-se nos ares, silvando. Caiu Agnin\u00e1 do primeiro bote; ap\u00f3s ele ca\u00edram aos dois os chefes tapuias, como caem os juncos talhados pelo dente afiado da capivara. Ent\u00e3o o her\u00f3i soltou seu grito de triunfo, que era como o rugido do vento no deserto - Eu sou Ubirajara, o senhor da lan\u00e7a, o guerreiro invenc\u00edvel que tem por arma uma serpente. \u201cEu sou Ubirajara, o senhor das na\u00e7\u00f5es, o chefe dos chefes, que varre a terra, como o vento do deserto.\u201d O her\u00f3i estendeu a vista pela campina, e n\u00e3o descobriu mais o inimigo, que sumia-se na poeira. Ubirajara lan\u00e7ou-lhe seus guerreiros, que tinham fome de vingan\u00e7a; por\u00e9m o terror de sua lan\u00e7a dava asas aos fugitivos. Desde esse dia nunca mais um tapuia pisou as margens do grande rio. Ubirajara voltou \u00e0 cabana, onde o esperava Araci. A esposa despiu as armas de seu guerreiro, enxugou-lhe o corpo com o macio cot\u00e3o da monguba, e cobriu-o do b\u00e1lsamo fragrante da emba\u00edba. Encheu depois de generoso cauim a ta\u00e7a vermelha feita do coco da sapucaia; e aplacou a sede do combate. Enquanto nas grandes tabas se preparava a festa do triunfo e o her\u00f3i repousava na rede, Araci foi ao terceiro e voltou conduzindo Jandira pela m\u00e3o. - Jandira \u00e9 irm\u00e3 de Araci, tua esposa. Ubirajara \u00e9 o chefe dos chefes, senhor do arco das duas na\u00e7\u00f5es. Ele deve repartir seu amor por elas, como repartiu a sua for\u00e7a. A virgem araguaia p\u00f4s no guerreiro seus olhos de cor\u00e7a - Jandira \u00e9 serva de tua esposa; seu amor a obrigou a querer o que tu queres. Ela ficar\u00e1 em tua cabana para ensinar a tuas filhas como uma virgem araguaia ama seu guerreiro. Ubirajara cingiu ao peito, com um e outro bra\u00e7o, a esposa e a virgem.","-Araci \u00e9 a esposa do chefe tocantim; Jandira ser\u00e1 esposa do chefe araguaia; ambas ser\u00e3o as m\u00e3es dos filhos de Ubirajara, o chefe dos chefes, e o senhor das florestas. *** As duas na\u00e7\u00f5es, dos araguaias e dos tocantins, formaram a grande na\u00e7\u00e3o dos Ubirajaras, que tomou o nome do her\u00f3i. Foi esta poderosa na\u00e7\u00e3o que dominou o deserto. Mais tarde, quando vieram os caramurus, guerreiros do mar, ela campeava ainda nas margens do grande rio."]


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