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Livro - 8 ano - CIM

Published by lucasgrisotti15, 2022-11-26 18:24:10

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Coleção O Início de uma Mudança 8 Programa Educar para Pensar Aprendendo a Viver Juntos: investigações sobre ética e política Silvio Wonsovicz Livro Digital 19a edição Florianópolis, 2023.

COLEÇÃO O INÍCIO DE UMA MUDANÇA Copyright © 2017, by Editora Sophos Ltda. Editora Sophos Rua Cristóvão Nunes Pires, 161 / Centro www.editorasophos.com.br 88010-120 / Florianópolis / SC E-mail: [email protected] Fone: (48) 3222-8826 e 3025-2909 Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB - 14/071 W872f Wonsovicz, Silvio Aprendendo a Viver Juntos / Silvio Wonsovicz - 19. ed. - Florianópolis: Sophos, 2023. 80 p.: il. - (Coleção O Início de uma Mudança: 8o ano) ISBN: 978-85-8037-062-1 1. Filosofia - Estudo e Ensino. / 2. Ensino Fundamental II. / 3. Ensino, CDU: 1:37 Aprendizagem - Metodologia. / 4. Pensamento filosófico e criativo. I. Título. Ficha Técnica Editor Silvio Wonsovicz Capa FK Estúdio Revisão Tony R. M. Rodrigues Projeto Gráfico FK Estúdio Acervo da Editora Diagramação FK Estúdio Ilustração e fotos Coleção O Início de uma Mudança COLEÇÃO O INÍCIO DE UMA MUDANÇA 1o ano O Meu Quintal 19a edição 2o ano Minha História no Quintal 19a edição 3o ano A Pequena Grande Marília 19a edição 4o ano Uma Ideia Puxa Outra... 19a edição 5o ano Os 422 Soldadinhos de Chumbo do Senhor General 19a edição 6o ano O Desafio do Pensar sobre o Pensar 19a edição 7o ano Pensar Lógica+mente 19a edição 8o ano Aprendendo a Viver Juntos 19a edição 9o ano Somos Filhos da Pólis 19a edição 2023 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônicos ou mecânico, incluindo fotocópias e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora.

Livro Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano Digital SEU LIVRO DIGITAL E ESTRUTURA DO LIVRO FÍSICO Você tem, junto com este livro, acesso ao seu livro digital. Neste ano, com a chave de acesso abaixo, você entra no livro digital em: www.editorasophos.com.br/pensar Feito seu cadastro e entrando no livro a partir do endereço ou via QR Code, você terá nos capítulos: aula com o autor; acompanhamento do filósofo referência (Filo Filósofo) em seu livro; conteúdos para pesquisa; vídeos; avaliações; mídias digitais (podcast, info- gráficos, gameficação, jogos); e outras surpresas que encontrará no seu livro digital. Como nosso livro físico e digital estão estruturados? O livro híbrido (físico e digital) Aprendendo a Viver Juntos, está estruturado em três unidades que totalizam sete capítulos.

Como entender a estrutura das unidades e capítulos no livro impresso e no livro digital? UNIDADES Conteúdos trabalhados a cada trimestre. CAPÍTULOS Estruturados em: Em cada capítulo, esse é o texto que tem liga- MOTIVANDO A PENSAR ção com os conteúdos. É o primeiro momento - SOCIEMOCIONAL de reflexão (histórias para despertar o socioe- mocional). AMPLIANDO OS Os conteúdos sobre o tema do capítulo. Um en- ENTENDIMENTOS tendimento das ideias estruturadas. CONECTANDO Despertar a curiosidade para ver onde esses COM O MUNDO conteúdos são utilizados no dia a dia. LINKS COM OUTRAS É a ligação dos conteúdos do capítulo com os outros conhecimentos escolares. DISCIPLINAS Coleção O Início de uma Mudança SENDO É a chamada para a ação (individual e/ou coletiva), PROTAGONISTAS um momento para pensar e organizar ações a partir das descobertas e investigações. DESAFIO AOS PROTA- É a chamada para a ação enquanto alunos que GONISTAS: PENSANDO pensam e agem. NO PROJETO DE VIDA PENSANDO É o convite para perceber como os pensadores “FORA DA CAIXA” fazem diferenças e deixam marcas. LENDO PARA O desafio para o aprofundamento, leitura e pes- SABER MAIS quisa sobre o pensamento dos pensadores que marcam a história da humanidade. FILO FILÓSOFO O pensador que será o mentor e que conhe- DE OLHO NO ceremos. Ele dará ideias sobre os conteúdos, SEU FUTURO questionando e desafiando. Um convite, no livro digital, para você pensar sobre como os conteúdos lhe ajudarão nas decisões de sua vida.

PARA COMEÇO DE CONVERSA: Você tem em mãos o livro Aprendendo a viver juntos. Este livro faz parte da Coleção O Início de uma Mudança e vamos estudar os conteúdos: “Investigação sobre Ética e Política”. Nesta Coleção temos caminhos organizados e pensados para alunos e professores encontrarem pistas investigativas, norteadoras, e os entendimentos básicos e fundamen- tais dos assuntos propostos: Investigação sobre a Teoria do Conhecimento (6o ano); Investigação sobre a Lógica e a Linguagem (7o ano); Investigação sobre a Ética e a Política (8o ano); Investigação sobre a Política e a Estética (9o ano). No livro do 8o ano – Aprendendo a Viver Juntos, a No livro digital, Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano partir de investigações éticas e políticas, você perce- em vídeos: assista berá que é importante fazer uma diferenciação entre os Acolhida aos alu- termos e que a atitude ética é, antes de tudo, pessoal, nos, professores e cada indivíduo escolhe atendendo ao que é melhor e pais e apresen- para o seu bem-estar. Com a escolha feita, que é uma atitude política. Com essa atitude temos acordos, exis- tação do autor. tem os outros, e é preciso haver a coordenação, a orga- nização, pois há fatos que afetam a muitos. Onde está a ligação entre ética e política? A ética para o filósofo Immanuel Kant, fundamenta-se única e exclusivamente na razão, e as regras são estabelecidas de dentro para fora a partir da razão humana e de sua capacidade de criar regras para sua própria conduta. Portanto, o alerta e o desejo que você, junto com sua turma de sala de aula, realize bons trabalhos neste ano. Com grande senso de investigação, pesquisa, es- pírito de busca, discussão e aplicação desses conhe- cimentos. O autor No livro digital, em podcasts: ouça A Comunidade de Aprendizagem Investigativa: O que faremos?

Coleção O Início de uma Mudança FILO FILÓSOFO = AMIGO DA SABEDORIA — 8O ANO IMMANUEL KANT Vou acompanhar VOCÊ neste ano. Deseja ser sábio, pensar sobre o pensar? Vamos jun- tos ter ideias, conhecimentos e saber defendê-los. Afinal, todos quere- mos VIVER BEM! Filósofo alemão, fundador da “Filosofia Crítica”, sistema que procurou determinar os limites da ra- zão humana. Sua obra é considerada a pedra an- gular da filosofia moderna. Immanuel Kant nasceu em Königsberg, na Prússia Oriental, então Império Alemão, no dia 22 de abril de 1724. Filho de um ar- tesão de descendência escocesa, era o quarto de nove filhos. Passou grande parte de sua vida nos arredores de sua cidade natal. Na escola local, es- tudou latim e línguas clássicas. Serei seu Amigo da Sabedoria no 8o ano. Vou me apresentar colocando ideias e opinando sobre os assuntos que estudaremos. Darei dicas para aprofundar conhecimentos, e quero você apren- dendo e tendo suas ideias sobre conhecimentos essenciais do nosso livro. Afinal, todos somos “filo- -filósofos”, amigos dos amigos da sabedoria. No livro digital, em Filo Filósofo: assista ao vídeo em que Kant se apresenta.

UNIDADEÉTICA? SUMÁRIO O QUE É ISSO? 01 CAPÍTULO 1 – A importância da educação ética nos dias atuais 10 Motivando a pensar — Socioemocional: Lição de Sabedoria Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano UNIDADE Ampliando os entendimentos: 02 11 — Aprender sobre ética no 8o ano? 13 — Sobre os valores universais O 14 — A importância dos valores considerados universais COMPORTAMENTO 14 Conectando com o mundo – Declaração do Parlamento das Religiões do Mundo E A LIBERDADE 15 Links com outras disciplinas 16 Sendo protagonistas — Só mudo o mundo se eu me conhecer 17 Pensando “fora da caixa” — Sócrates (470-300 a.C.) 18 Lendo para saber mais 18 De olho no seu futuro 18 Avaliação CAPÍTULO 2 – Hábitos, costumes, normas — bem e mal 19 Motivando a pensar — Socioemocional: Os macacos e as bananas Ampliando os entendimentos: 20 — Podemos realmente escolher e fazer o que queremos? 21 — O que isso tudo tem a ver com a Moral e a Ética? 24 Conectando com o mundo — Sobre o bem e o mal 25 Links com outras disciplinas 27 Sendo protagonistas — Construção de uma comunidade 28 Pensando “fora da caixa” — Platão (427-347 a.C.) 29 Lendo para saber mais 29 De olho no seu futuro 29 Resumo com o autor — Unidade 1 CAPÍTULO 3 – Liberdade de ação e decisão 31 Motivando a pensar — Socioemocional: O pote e o furo Ampliando os entendimentos: 32 — Ser livre? 32 — Podemos escolher viver situações? 33 — Uma escolha feita implica em uma responsabilidade 34 Conectando com o mundo — As três peneiras 35 Links com outras disciplinas 35 Sendo protagonistas — Jogo da NASA 37 Pensando “fora da caixa” — Aristóteles (384-322 a.C.) 38 Lendo para saber mais 38 De olho no seu futuro 38 Avaliação CAPÍTULO 4 – Fundamentos do modo de ser (ethos) 39 Motivando a pensar — Socioemocional: O discípulo honesto Ampliando os entendimentos: 40 — Éticas 41 — Filósofos e suas reflexões sobre a ética 41 — A ética e a análise metafísica do seu fundamento 43 Conectando com o mundo — Ideal ético ao longo da História 43 Links com outras disciplinas 44 Sendo protagonistas — A maleta: eu tenho ética e sou cidadão 45 Pensando “fora da caixa” — Immanuel Kant (1724-1804) 46 Lendo para saber mais 46 De olho no seu futuro 46 Avaliação

UNIDADE CAPÍTULO 5 – Comportamento humano e convivência social 02 47 Motivando a pensar — Socioemocional: Amizade, amor, generosidade Ampliando os entendimentos: O 48 — Comportamentos humanos COMPORTAMENTO 49 — Comportamento moral para quê? E A LIBERDADE 51 Conectando com o mundo — Comportamento moral = conhecimento e liberdade 52 — Conhecimento e liberdade 53 Links com outras disciplinas 53 Sendo protagonistas — Dificuldades nas escolhas 55 Pensando “fora da caixa” — Jean-Paul Sartre (1905-1980) 56 Lendo para saber mais 56 De olho no seu futuro 56 Resumo com o autor — Unidade 2 UNIDADE CAPÍTULO 6 – Nós somos responsáveis por nossas ações? 58 Motivando a pensar — Socioemocional: O rouxinol e o caçador 03 Ampliando os entendimentos: Coleção O Início de uma Mudança 59 — A ignorância e a responsabilidade moral 60 — A questão da força externa e a responsabilidade moral A ÉTICA NA 61 — A questão da força interna e a responsabilidade moral VIDA DIÁRIA 61 — As três posturas e a responsabilidade moral 64 Conectando com o mundo — Livre-arbítrio na literatura 65 Links com outras disciplinas 66 Sendo protagonistas — O caso das laranjas Ugli 66 Pensando “fora da caixa” — Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) 67 Lendo para saber mais 68 De olho no seu futuro 68 Avaliação CAPÍTULO 7 – Ser feliz, ou por uma ética emancipatória 69 Motivando a pensar — Socioemocional: O gigante e as crianças Ampliando os entendimentos: 70 — A ética nos vários ramos do conhecimento 70 — A ética hoje 72 — A cidadania e a sociedade tecnológica 74 Conectando com o mundo — A ética e a emancipação humana 75 Links com outras disciplinas 75 Sendo protagonistas — Emancipação pelos valores: axiologia 77 Pensando “fora da caixa” — Theodor Adorno (1903-1969) 77 Lendo para saber mais 78 De olho no seu futuro 78 Resumo com o autor — Unidade 3 79 AVALIAÇÕES — Reflexivas: durante 8o ano

01UNIDADE Ética? O que é isso?

1Capítulo A importância da educação ética nos dias atuais Coleção O Início de uma Mudança MOTIVANDO A PENSAR — SOCIOEMOCIONAL Lição de sabedoria Um cientista, muito preocupado com os problemas No livro digital, do mundo, passava dias em seu laboratório, tentando em Atuando no encontrar meios de minorá-los. Socioemocional: assista ao vídeo Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu san- e leia a história tuário decidido a ajudá-lo. O cientista, nervoso pela in- terrupção, tentou fazer o filho brincar em outro lugar. completa. Percebendo que seria impossível removê-lo, procurou algo que pudesse distrair a criança. De repente, depa- rou-se com o mapa do mundo. Estava ali o que procu- rava. Recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho, dizendo: [...]

AMPLIANDO OS ENTENDIMENTOS Aprender sobre ética no 8o ano? Com os avanços sociais, tecnológicos e econômi- No livro digital, em cos, enfrentamos cada vez mais situações nas quais é Videoaula: assista preciso tomar decisões e planejar ações, tanto indi- à aula com o autor vidualmente como em comunidade. Por isso, o ponto central da aprendizagem e da vivência ética está em do seu livro. ter consciência e responsabilidade, condições indis- pensáveis para uma vida ética. É fundamental que, na escola, haja espaço para a aprendizagem e para um viver como cidadão. Por isso, a afirmação e a defesa do Estado brasileiro sobre a importância de uma educação ética. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exerci- tando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. (6a competência específica de Ciências Humanas para o Ensino Fundamental - BNCC, 2017) É forte e muito difundida a afirmação de que a ética é hoje a arte da convivência. Isso se deve a muitos fatores, inclusive o de que cada vez mais princípios e objetivos fixos es- tão em falta no mundo. Não há respostas prontas para as grandes questões nem certezas que sustentem o viver de todos. Nada que seja capaz de explicar e justificar as angústias, as injustiças, as carências e as frustrações do tempo presente. Há cada vez mais perguntas, e não temos mais garantias. Esse é o mundo em que vivemos hoje – um tempo de incertezas. A ética das sociedades tradicionais era vista como um código de rigidez, um repertório de valores normativos, de- veres e prescrições. Essa ética não dá voz, muitas vezes, às aspirações de crescimen- to, mudanças e compreensão do tempo atual. 11

Coleção O Início de uma Mudança Em toda a existência humana, nunca se foi tão longe no universo em termos de dis- tância. Alcançamos Júpiter, Marte, conhecemos as partículas subatômicas... Pensando na velocidade com que se ampliam os conhecimentos, até onde devemos ir? Aonde deve- mos chegar? Vamos cada vez mais viver a ousadia? Ou seria melhor voltar para a tradição? Hoje são polêmicos os assuntos que eram vistos como ficção ou considerados tabus em discussões éticas. Muitas vezes, os assuntos eram abafados, pois havia um código de rigidez, de valores normativos. Atu,almente estão na ordem do dia as discussões e inves- tigações sobre temas que envolvem questões éticas, tais como: Globalização, clonagem, mudança de sexo, transplantes, mutações genéticas, gestações in vitro, banco de espermas, armas químicas, armas biológicas, dro- gas (LSD, ecstasy, crack etc.), destruição da natureza, mudanças climáticas, ali- mentos transgênicos, eutanásia... Por meio desses assuntos e também de outros igualmente polêmicos, os nossos entendimentos, e com eles a nossa capacidade de escolha e ação, são constantemente desafiados. O grande avanço que nos diferencia das gerações anteriores e da natureza é a opor- tunidade de reflexão. No tempo dos nossos pais, com a idade que temos hoje e no 8o ano, esses assuntos não podiam ser, ou apenas não eram discutidos nas escolas. Porém, so- mente pela reflexão e aprendizagem ética é que conseguiremos realizar um mundo melhor (= ético, político e estético). Uma educação ética precisa refletir sempre sobre as possibilidades e ações para um mundo melhor. Essa é a proposta do nosso estudo deste ano: “Fazer um contraponto num mundo em que a indiferença, o cinismo, o ceti- cismo, o ‘levar vantagem’ e o deboche ce- gam a visão e abrem espaços para o sur- gimento da discriminação, do bullying, do totalitarismo, de fanatismos, fundamenta- lismos, partidarismos e xenofobias”. A necessidade urgente de termos uma educação ética e crítica sistematizada implica refletir: Sobre as consequências das escolhas, individuais e coletivas; Sobre as condições para uma ética do nosso tempo e aberta aos novos desafios. 12

Sobre os valores universais Após o término da Segunda Guerra Mundial (1939– No livro digital, 1945), os países começaram a discutir sobre a neces- em Vídeos: sidade de uma Declaração Universal para garantir o direito de igualdade entre os povos sem ir contra a di- A história dos versidade das muitas culturas espalhadas pelo mundo. direitos humanos. Os valores universais são os pilares para a convi- Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano vência entre os cidadãos de todo o mundo. Eles foram apresentados na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e adotados e proclamados na As- sembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), de 10 de dezembro de 1948. Os valores descritos na declaração têm como ob- jetivo principal ajudar no entendimento das diferenças entre o certo e o errado. Buscam também, alertar para a melhor maneira de agir e conviver bem com as pes- soas e culturas diferentes. No primeiro artigo, a Decla- ração diz que “todos os seres huma- nos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, são “dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. Tais palavras que se tornam cada vez mais fortes e importan- tes no mundo globalizado, no qual reconhecer a igualdade entre os indivíduos, independentemente de cor, raça, religião, condi- ção social ou opção sexual é a base para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária. Essa é uma atitude que deve começar dentro de cada um. Com a publicação da Constituição Brasileira, em 5 de outu- bro de 1988, os Direitos Humanos receberam mais atenção em nosso país. Pela primeira vez na história das constituições na- cionais, os Direitos Humanos foram regulados no início do docu- mento, após a declaração dos princípios fundamentais. “A digni- dade da pessoa humana” é considerada fundamento do Brasil no artigo primeiro da Constituição. A nossa Constituição Federal aponta que princípios éticos, como a solidariedade, o cul- tivo da liberdade de opinião e discussão e uma série de direitos econômicos e sociais são fundamentais para a vida em sociedade. 13

A importância dos valores considerados universais A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem No livro digital, valores que são a base de toda a sociedade e precisam em Vídeos: assista ser considerados, além de cada vez mais entendidos. Os 30 artigos da Valores universais comuns às várias culturas e religi- ões, às vezes com outros nomes ou diferentes classi- DUDH. ficações. Por isso, é importante saber o que vem a ser: verdade, ação correta, paz, amor e não violência. Verdade: a busca da verdade nos diferencia dos animais, porque temos condições de questionar o que é certo ou errado, e podemos optar por seguir o caminho que o entendimento nos indicar. A verdade é um valor humano, uma vez que o homem, mes- mo conhecendo e emitindo julgamentos variáveis sobre as coisas, pode fazer dela a motivação para a busca constante. Coleção O Início de uma Mudança Valores relacionados à Verdade: otimismo, discernimento, interesse pelo conhecimento, autoanálise, espírito de pesquisa, perspicácia, atenção, reflexão, sinceridade, otimismo, honestidade, exatidão, coerência, imparcialidade, sentido de realidade, justiça, lealdade, liderança, humildade etc. No livro digital, em Pesquisas: veja os demais conteúdos (ação correta, amor, paz, não violência). CONECTANDO COM O MUNDO Declaração do Parlamento das Religiões do Mundo A Declaração do Parlamento das Religiões do Mundo No livro digital, é um dos documentos mais importantes do final do sé- em Vídeos: assis- culo XX. ta Diversidade Ocorreu de 28 de agosto até 4 de setembro de 1993, religiosa e em Chicago (EUA). Participaram 6.500 pessoas e, no en- cerramento, foi aprovada uma declaração, assinada por direitos humanos. 14 125 líderes e representantes de 17 tradições religiosas.

LINKS COM OUTRAS DISCIPLINAS Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano Língua Portuguesa – Ensino Religioso – História 1. Conforme o vídeo no livro digital, reescreva dois valores que estão presentes na De- claração do Parlamento das Religiões do Mundo e que você considera fundamentais nos dias de hoje. 2. A necessidade de haver uma educação e uma vivência ética na escola é urgente. Seguem algumas propostas do autor para que você, aluno do 8o ano, leia e escreva sua ideia para ampliar as apresentadas: Realizar o acolhimento dos alunos pela escola, em todas as situações, com momen- tos especiais no início do ano letivo; Criar espaços para que a comunidade viva a escola e participe dela; Resolver todos os conflitos por meio do diálogo; Criar código de ética da classe e também da escola; Estabelecer conjuntamente normas de condutas, periodicamente revistas; Respeitar as diferenças; Organizar a participação efetiva dos alunos nos Conselhos de Escola; Estimular a criação do Grêmio Estudantil; Instituir as representações de classes; Eleger temas para os projetos de turma com pesquisas e estudos sérios, sem perder o objetivo final de toda ação educativa; Trabalhar os fatos e conceitos científicos que estão sempre relacionados à organiza- ção da vida humana e ao mundo dos valores; O que o 8o ano vai propor à Direção da Escola com a finalidade de ajudar a melhorar a convivência ética na escola e dentro dos valores universais? 15

Coleção O Início de uma Mudança SENDO PROTAGONISTAS Só mudo o mundo se eu me conhecer Desenvolvimento: a partir da ilustração colocada abaixo, cada aluno está convidado a responder às perguntas, baseando-se em suas características e ideias, tendo sempre justificativas para sua escolha. Anotar na ilustração. Após responder, em dupla, apresente suas colocações. Diante dos olhos: as coisas que vejo e mais me impressionam no mundo em que vivemos. Diante da boca: três expressões (palavras, atitudes) as quais se arrependeu de dizer até este momento da sua vida. Diante da cabeça: três ideias das quais não abre mão. Diante do coração: três grandes amores. Diante das mãos: ações inesquecíveis que realizou. Diante dos pés: piores enrascadas em que se meteu. 16

DESAFIO AOS PROTAGONISTAS: PENSANDO NO PROJETO DE VIDA Pensando no Projeto de Vida Neste capítulo, vimos a defesa e a importância de uma aprendizagem e discussão sobre a vivência ética e o comportamento, pois, vivemos em sociedade. Com essa ativi- dade e todo o conteúdo do capítulo, que tal reforçar a convicção de que a sociedade irá modificar-se na medida em que cada pessoa possa se conhecer e mudar a si mesma? Diante disso, a turma deve pensar e propor uma ação para concretização dessa ideia forte: “a sociedade irá modificar-se na medida em que cada pes- soa possa se conhecer e mudar a si mesma”. PENSANDO “FORA DA CAIXA” Sócrates (470-300 a.C.) Há quem diga que, a partir de Sócrates, começou de Há uma ligação Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano fato a existir a Filosofia, pois ela chegou à sua maturidade. entre bondade, co- Sem dúvida, ele é o destaque da filosofia clássica grega. nhecimento e felicidade. Não escreveu nada, mas falava, e muito, interrogava as O homem sempre age pessoas sobre suas crenças, buscava um conhecimento certo quando conhece mais elaborado. Percebia e fazia perceber que quanto mais o bem e, conhecendo o conhecia mais tinha consciência de que sabia muito pouco. bem, não pode deixar de praticá-lo; da mesma A ética socrática é racionalista, pois nela encontramos: forma, quando deseja o bem, sente-se dono de Uma concepção do bem (como felicidade si mesmo e, assim, é da alma) e do bom (como o útil para a fe- licidade); feliz. Uma tese da virtude (conhecimento do vício como ignorância — quem age mal é porque desconhece o bem; assim, nin- guém faz o mal voluntariamente); Que a virtude pode ser transmitida ou ensinada. 17

LENDO PARA SABER MAIS A Defesa de Sócrates Sócrates foi condenado sob a acusação de cor- No livro digital, romper a juventude e ter atitudes e ideias contra os em Pesquisas: deuses da pólis. leia Apologia de Sócrates (1a parte). Nesse julgamento, Sócrates não queria con- vencer o júri de sua inocência nem buscar ajuda de outros para tal fim. Ele mesmo faz a exposição da verdade, com toda sua crueza. Por isso, não satisfei- to em mostrar que as acusações eram tolas, assu- me o papel que escolheu cumprir na cidade. Assim, propõe que a cidade, em reconhecimento aos seus serviços, viesse a sustentá-lo gratuitamente. É óbvio que tal proposta soou como provocação e contribuiu para sua condenação à morte pela maioria dos juízes. Coleção O Início de uma Mudança DE OLHO NO SEU FUTURO No livro digital, em Projeto de Vida: pesquise como esse conteúdo pode ser útil em sua escolha profissional. No livro digital, em Avaliações: capítulo 1. 18

2Capítulo Hábitos, costumes, normas – bem e mal MOTIVANDO A PENSAR — SOCIOEMOCIONAL Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano Os macacos e as bananas Em um laboratório de estudo do comportamento No livro digital, animal, um grupo de cientistas colocou quatro gori- em Atuando no las em uma jaula. No meio da jaula, foi colocada uma Socioemocional: escada que permitia que os gorilas alcançassem um assista ao vídeo suculento cacho de bananas. e leia a história O experimento consistia em jogar um forte jato de completa. água fria nos quatro gorilas quando algum deles ten- tasse subir a escada para pegar as bananas. Depois de alguns dias, nenhum deles se atrevia a tocar na es- cada para não ser atingido pela água fria. [...]

Coleção O Início de uma Mudança AMPLIANDO OS ENTENDIMENTOS Podemos realmente escolher e fazer o que queremos? Vivemos e buscamos ser autores da nossa existência no mundo em que estamos. Queremos fazer as coisas, escolher o que é melhor, ser livres para responder pelas nos- sas ações. Enfim, somos diferentes das outras pessoas porque pensamos de forma di- ferente. A inteligência e a razão nos diferenciam. Isso é bom, mas também exige mais de cada um. Por isso, algumas coisas são essenciais para vivermos em comunidade. Quase sempre não pode- mos escolher o que acontece conos- co, mas podemos escolher o que fazer a partir do que aconteceu. Muitas vezes, somos obrigados a escolher entre duas ou mais possibilidades, embora preferís- semos não precisar escolher, pois, feita uma escolha, deixamos outras de lado. Não passamos a vida só pensando nas escolhas que temos ou não que fazer. Muitos dos nossos atos são automáticos, fazem parte de regras da casa, da socie- dade e das normas estipuladas para vivermos em grupo. Agimos e escolhemos sem muito pensar, sem refletir, pois vivemos situações que passaram a ser regras e/ou nor- mas. Por exemplo: levantar no horário por causa das obri- gações diárias, fazer a higiene pessoal, tomar café, vir para a escola, respeitar os outros etc. Essas ações repetidas no dia a dia podem ser en- tendidas como regras/normas de convivência social e/ ou familiar. Por isso, quando fazemos escolhas a partir do que aconteceu, por exemplo, de não seguir o estipulado quanto aos horários, invertemos nossas ações rotineiras e isso pode ou não nos fazer sentir bem. Em algumas situa- ções, parar para pensar a respeito de tudo o que fazemos ou não acaba por nos paralisar, e isso também não é bom. Podemos nos perguntar: 20

— Por que fiz o que fiz? Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano — Por que tomei aquela atitude e não outra? Isso nada mais é do que querer saber os motivos que nos levam a agir ou não agir. O sentido da palavra “motivo”, aqui colocado, é a razão que existe, ou se acredita existir, para se fazer algo. Uma das prováveis respostas é a da existência de regras/normas. Em algumas ações, o motivo é o hábito (“sempre fiz assim” ou “todos fazem dessa forma”), e muitas vezes nem pensamos o porquê. Como todos fazem, dizemos que passou a ser um costume (exemplo da história inicial − Os macacos e as bananas). Os costumes dão certa comodidade ao nos per- mitirem seguir uma rotina e também por não contra- riarem as demais pessoas, por conta disso não sofre- mos pressões ou represálias. Os costumes também implicam certa obediência a algumas regras. Um exemplo é a moda: um tipo de roupa que você é obri- gado a vestir porque é comum entre amigos e você não quer destoar deles. Por isso, podemos entender que regras/normas e hábitos/costumes parecem ter algo em comum: vêm de fora e não costumamos nos posicionar contra por uma série de razões. Os hábitos são a repetição de costumes, que podem tornar-se regras/ normas, as quais, pela repetição (muitas vezes mecânica), estranhamos quando não são realizadas. O que isso tudo tem a ver com a Moral e com a Ética? Em princípio, queremos dizer que os termos “moral” e “ética” são usados muitas ve- zes de forma confusa. Como é nosso objetivo iniciarmos uma investigação sobre ética, cabe aqui entendermos o significado etimológico dessas palavras. MORAL: vem da língua latina, mos – mores. Significa costumes ou regras que determinam a vida. Por essa razão, dizemos que a moral indica normas e valores que orientam a vida do homem dentro de uma sociedade. 21

Assim, a moral busca distinguir o certo do erra- Quem diz quais do, o justo do injusto, o permitido do proibido, o bem são os deveres morais do mal. Procura determinar quais ações e atitudes devem ser adotadas diante das situações. de uma pessoa? A primeira resposta parece ser o grupo social, a turma à qual a pessoa pertence. Como cada grupo, cada turma, tem ideias e pode ter interesses diferen- tes, percebemos a existência de várias regras mo- rais em uma mesma sociedade. Coleção O Início de uma Mudança ÉTICA: vem da palavra grega ethos, significando modo de ser. Refere-se à forma usada por uma pessoa para organizar a vida em sociedade. É o modo como a pessoa transforma em normas/regras as práticas e os valores do grupo e da cultura em que está inserida. Portanto, a ÉTICA tem a MORAL como base de estudo. Seu papel é o de analisar as escolhas feitas pelas pessoas, avaliar os costumes. É a reflexão crítica da moral do grupo no contexto social e histórico em que ele se encontra. Busca questionar os fundamentos da moral e sua validade. Sendo assim, a ética preocupa-se em analisar, na ação e na re- flexão, os conflitos do dia a dia. Há um fio muito tênue que separa a ética da moral, então, vamos estabelecer a se- guinte distinção. MORAL: são os valores ou as normas práticas que se propõe a conduzir ou nortear a vida social de uma coletividade. ÉTICA: é a análise e a reflexão sobre o comportamento do homem na vida social de uma coletividade. Ter a capacidade para analisar uma conduta moral requer que haja uma pessoa cons- ciente, que conheça as diferenças entre: Bem / mal; Certo / errado; Pode ou não pode; Virtude / vício; Direitos / deveres. 22

A consciência ética é a capacidade de jul- O que caracteriza gar o valor dos atos e das condutas e ter uma uma vida ética? ação que está de acordo com os valores mo- rais. Chegamos ao ponto central do assunto, Quem pode dizer que as suas que são a consciência e a responsabilidade, ações são moralmente condições indispensáveis para uma vida ética. corretas? Procurando respostas, podemos dizer que uma pessoa ética, ou uma pessoa moral, tem que preencher alguns requisitos, como os apontados a seguir. Capacidade de reflexão e reconhecimento da Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano existência do outro (= consciência de si e dos outros). Capacidade de dominar-se, controlar-se e também decidir e deliberar entre alternativas (= domínio da vontade, do desejo, dos senti- mentos etc.). Ser responsável (= assumir as consequências da ação ou não, respondendo pela escolha). Ser livre (= conseguir autodeterminar-se, fa- zer suas regras de conduta). Uma pessoa pode, diante dos comportamentos humanos e da sociedade em que vive, ter uma atitude ética passiva ou ativa. A atitude ética passiva é quando a pessoa se No livro digital, em deixa governar por impulsos, inclinações e Infográficos: o re- paixões, isto é, balança conforme o momento, sumo do conteúdo deixando-se levar pela boa ou má sorte, pelas opiniões alheias, pelo medo e pela vontade deste capítulo. dos outros, não tendo consciência, vontade, liberdade e responsabilidades. 23 A atitude ética ativa é a da pessoa que contro- la seus impulsos, suas inclinações e paixões, daquela pessoa que questiona o sentido dos valores e dos fins estabelecidos, que avalia as ações diante das regras de conduta e age conscientemente, que é responsável, respeita os outros e é autônoma.

Coleção O Início de uma Mudança CONECTANDO COM O MUNDO Sobre o bem e o mal O que é o bem? O que é o mal? São perguntas feitas ao longo da história da humani- dade. Perguntas que são “problemas filosóficos”. As respostas são muitas, e alguns filósofos acharam que encontraram a solução de- finitiva. Pensadores buscaram respondê-las a partir de um código de mandamentos ou princípios de conduta, assim como os Dez Mandamentos do povo hebreu. Tais respostas são entendidas por muitos como vindas da autoridade divina, portanto, com força sufi- ciente para estenderem-se a todos os tempos e lugares. Vejamos o que alguns filósofos responderam e quais as suas teorias e respostas so- bre o que é o bem e o mal: FILÓSOFOS CRISTÃOS Santo Agostinho – Incomodava-o o fato de Deus, todo bonda- de e perfeição, criar o mundo com o mal. Afirmava que tudo no mundo é bom. O mal é relativo, é a ausência do bem, da mesma maneira que as trevas são a ausência da luz. Agora, esse mal que encontramos foi posto por Deus para tornar o mundo bom. Tomás de Aquino – Deus criou o homem para um determina- do fim e o bem maior é a concretização desse fim. Dizia que a melhor maneira de atingir a bondade é abandonar os bens mundanos e procurar viver para Deus. O mal é a privação, a fal- ta daquilo que é bom. FILÓSOFOS MODERNOS Thomas Hobbes – O bem e o mal são uma questão de movi- mento. Quando o movimento é bem-sucedido, gera prazer; o contrário resulta em dor. O bem e o mal são relativos para cada indivíduo, dependendo da natureza de cada um e da ocasião. Descartes – Deus é perfeito, e, por isso, incapaz de nos fazer errar. O erro não está nos atos de Deus, mas em nós, pois to- mamos decisões e agimos sem provas suficientes. 24

KANT Acreditei ser o imperativo categórico “Age somente de acordo com uma máxima que possas, ao mesmo tem- po, querer que se converta em uma lei geral; age de modo a poderes desejar que todo o mundo siga o princípio do seu ato” um critério seguro sobre o que constitui o bem e o mal. CORRENTES FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS Os pensamentos dos filósofos mais recentes acerca do bem e do mal têm em conta as relações sociais do ser humano. Por esse motivo, vemos uma ética mais relacionada aos grupos humanos do que às leis divinas. Vemos, então, a questão da bondade e da maldade tornar-se qualidade dos atos, dependendo da situação em que são praticados. A Escola Utilitarista – Os filósofos desta corrente afirmam que o bem é medido em termos de “o maior bem para o maior número possível de pessoas”. O grupo social é o objetivo final da moralidade. A Escola Pragmática – Os filósofos desta corrente definem o bem como aquilo que atende aos objetivos do grupo e do indivíduo nesse grupo. Ato bom é aquele que considera o indivíduo como fim em si mesmo e não como meio. Podemos dizer que, nas questões éticas relacio- No livro digital, Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano nadas ao bem e ao mal, ao longo da história da huma- em Pesquisas: veja nidade, percorreram-se dois caminhos: um absoluto e outro relativo. Ambos os caminhos precisam ser re- Os problemas descobertos, porém o ponto de vista relativo é o mais éticos e filosóficos acentuado. Hoje, quando a ciência e a razão humana têm certo destaque, torna-se difícil encontrar argu- no Século XXI. mentos para a defesa de uma ética absoluta sobre o bem e o mal. A tendência é termos colocações relati- vas sobre essas questões éticas. LINKS COM OUTRAS DISCIPLINAS Língua Portuguesa – Ensino Religioso – História 1. Escreva algumas regras e normas presentes em sua escola. Depois, responda às duas perguntas a partir do seu entendimento e das discussões em sala de aula. Regras Normas 25

Coleção O Início de uma Mudança Qual é a definição de regras? O que você entende por normas? 2. Leia, pense, discuta e escreva a partir desse fato real em um 8o ano numa escola do nosso País. Tendo presente os pontos centrais, consciência e responsabilidade, como condições indispensáveis para uma vida e ações éticas. UMA DISCUSSÃO SOBRE REGRAS E NORMAS Numa aula, em uma sala de 8o ano, alunos que estudam no Pro- grama Educar para Pensar desde as séries iniciais, discutiam sobre regras e normas. Ao final da aula, o professor solicitou que os alunos levantassem as normas e regras do colégio. Depois de alguns exem- plos, o assunto predominante foi o uniforme escolar (= fardamento). O professor solicitou bons argumentos contra e/ou a favor. Após alguns instantes, um aluno expôs um argumento contrário, com a justificativa: O primeiro parágrafo do capítulo dois diz que todos somos dife- rentes porque pensamos diferente. Por que precisamos então usar a mesma roupa na escola se somos diferentes? O professor concordou com o aluno, e a justificativa foi aceita. Em seguida, vieram duas outras colocações, com argumentos. Quando a escola quer fazer propaganda na mídia, compra espa- ços em jornais, televisão, rádio, outdoors, revistas etc. E investe muito. Quando eu uso uniforme, ao vir para escola e voltar para casa, sou uma propaganda ambulante. A escola não deveria pagar para eu usar uniforme? Meu pai trabalha em uma empresa que exige uniforme no traba- lho. Pela legislação trabalhista, a empresa deve dar o uniforme. A es- cola é uma empresa e exige uniforme, então deveria dar os uniformes aos alunos. O professor, então, elogiou os argumentos e solicitou uma ação. De- pois de algumas discussões, surgiu a ideia de toda a turma assinar um abaixo-assinado contra o uso do uniforme na escola. O documento foi entregue à direção, e o professor, com o aceite da direção, propôs que, na semana seguinte, os alunos desse 8o ano viessem sem uniforme. Ao final da semana sem uniforme, todos os professores e alunos daquele 8o ano se reuniram para conversar e mostraram que outros “uniformes” são usados. Uniformes impostos pela sociedade – calças de grife, camisetas, bonés, tênis, pulseiras, tatuagens etc. E usaram os três mesmos argumentos colocados contra o uso do uniforme escolar. 26

Terminaram a discussão reforçando a importância de pertencer Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano a um grupo, ter regras e normas de convivência e de questionar e ser livre para fazer escolhas, com consciência e responsabilidades. DESAFIO AOS PROTAGONISTAS: PENSANDO NO PROJETO DE VIDA Construção de uma comunidade Objetivos: Reflexão prática sobre a realidade, relacionando-a com os conteúdos dos Capítulos 1 e 2. Preparação da turma para a importância de pertencermos a um grupo que pense bastante. Material: Fichas com nomes de profissões (criadas pelo professor). 1o passo − Cada participante recebe uma ficha com o nome de uma profissão e deve incorporá-la. Individualmente e em poucos minutos, cada aluno deve ana- lisar a importância da sua profissão nessa cidade, levantando argumentos, de- fendendo sua importância e escrevendo na sua ficha. Em seguida, cada um lê ou defende no grupo a sua profissão e a importância de sua existência. 2o passo – O professor coloca a seguinte situação para toda turma: – Vamos viajar por mar, porque a cidade em que gostaríamos de ter todas essas profissões fica distante. Depois ele alerta que haverá um problema, o navio pode- rá afundar, e só há um bote capaz salvar sete pessoas. 3o passo − O grupo deverá decidir quais profissões devem ser salvas com mais urgência. Obs.: é importante que todos os alunos tenham conhecido todo o conteúdo e todas as discussões dos capítulos trabalhados. Deve-se escolher um alu- no que terá a função de secretariar, registrando os argumentos e fazendo uma síntese das discussões e das decisões e escolhas. Estas são as sete profissões escolhidas por nosso grupo: Nossas ideias sobre esta atividade relacionada com os conteúdos deste capítulo e a importância da afirmação “Chegamos aos pontos centrais do assunto, que são a consci- ência e a responsabilidade, condições indispensáveis para uma vida ética”. 27

DESAFIO AOS PROTAGONISTAS: PENSANDO NO PROJETO DE VIDA Pensando no Projeto de Vida A partir das discussões e dos exemplos abordados em sala e neste capí- tulo, a tarefa é: pensar em como fazer com que esse entendimento possa ser repassado para outras turmas do nosso colégio. Vocês devem usar a criativi- dade para que haja envolvimento. PENSANDO “FORA DA CAIXA” Platão (427-347 a.C.) Coleção O Início de uma Mudança Como seu mestre, ele tem críticas à vida po- Pensou “fora da caixa”? lítica e cultural de Atenas, tanto pelo falso saber Deixou marcas? E você? quanto pela questão dos valores humanos. Em seus escritos, temos críticas à política de Atenas, que tinha orgulho de que seu modo de governo era o mais justo, mas desgastava-se de injustiça em injustiça. Escreveu ele: “A legislação e a morali- dade estavam a tal ponto corrompidas que eu, an- tes cheio de ardor para trabalhar para o bem públi- co, considerando essa situação e vendo que tudo rumava à deriva, acabei por ficar aturdido”. A ética, em Platão, está ligada à sua filosofia po- lítica, pois a pólis é o terreno próprio da vida mo- ral. Pela razão, o homem eleva-se ao mundo das ideias e, dessa forma, alcança seu fim último, que é libertar-se da matéria e contemplar a ideia do bem. Chega-se a essa ideia praticando várias virtudes, tais como: a virtude da razão, que é a prudência; a da vontade ou do ânimo, que é a fortaleza; a do apetite, que é a temperança. A harmonia entre as virtudes constitui a quarta virtude, a justiça. Afirmava Platão que sozinho o homem não conseguiria aproximar-se da perfeição, ele preci- sa do Estado ou da comunidade que vive na pólis. Homem bom é um bom cidadão; aqui, temos o en- trelaçamento entre a ética e a política. 28

LENDO PARA SABER MAIS A República, ou sobre a Justiça É considerada uma das principais obras de Platão. No livro digital, em É a obra da maturidade. Abrange toda sua filosofia, da Vídeos: assista ética à política e à metafísica. Inicia-se, assim, a maiori- dade das problemáticas filosóficas. Sua obra divide-se A República de Platão em dez livros, originalmente apresentada em forma de e um texto explicativo. conversas entre Sócrates e um pequeno grupo de dis- cípulos e amigos sobre a natureza política. Avaliação da DE OLHO NO Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano Unidade 1 SEU FUTURO No livro digital, No livro digi- em Resumo com tal, em Projeto o Autor: assista à de Vida: pesqui- síntese dos princi- se como esse pais conteúdos da conteúdo pode Unidade 1 e faça a ser útil em sua escolha pro- Avaliação. fissional. 29

02UNIDADE O comportamento e a liberdade

3Capítulo Liberdade de ação e decisão MOTIVANDO A PENSAR — SOCIOEMOCIONAL Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano O pote e o furo Certa vez, Deus resolveu descobrir quem era o No livro digital, ser humano mais inteligente e livre de todo o univer- em Atuando no so. Ele estava cansado de ver os seres que havia feito Socioemocional: com tanto amor transformarem-se em criaturas pre- assista ao vídeo guiçosas, complicadas, desanimadas com a vida. Seu e leia a história maior desejo era encontrar um ser humano que, além de inteligente, fosse corajoso, leal, livre, sincero e ho- completa. nesto. Então, Deus apanhou um pote de argila e fez um buraco no fundo. Depois, sempre que encontrava uma pessoa, dizia-lhe: — Por favor, traga um pouco de água para mim. A primeira pessoa a quem Deus fez esse pedido correu para atendê-lo. [...]

AMPLIANDO OS ENTENDIMENTOS Ser livre? Coleção O Início de uma Mudança Quem não quer ser livre? Esta é uma aspiração Ser livre é classificado pela fi- que faz parte do ser humano. Na história da huma- losofia como a independência nidade, lutas, guerras e revoluções foram deflagra- do ser humano, o poder de ter das buscando a liberdade. Quantas vezes recla- autonomia e espontaneidade. mamos, brigamos e até nos magoamos em defesa A liberdade é um conceito utó- da liberdade que queremos ou que achamos ser pico, uma vez que é questioná- de nosso direito? vel se realmente os indivíduos têm a liberdade que dizem ter Desejamos a condição de sermos livres. Po- e se ela existe ou não. Muitos rém, como falar da liberdade humana não levando em conta uma condição concreta, histórica e so- filósofos pensaram sobre o cialmente localizada? Liberdade é só aquela que conceito de liberdade, como: existe realmente, e ela é possível dentro dos condi- Sartre, Descartes, Kant, Marx. cionamentos humanos, sociais e políticos. Liberdade significa o direito de agir segundo o seu livre arbí- Em busca do seu significado, dá para contra- trio, de acordo com a própria por liberdade ao que é não ter liberdade de ação, vontade, desde que não preju- de pensamento, de desejos. Na busca de um pon- dique outra pessoa, é a sensa- to comum, pode-se dizer que liberdade é, por es- ção de estar livre e não depen- sência, a capacidade de escolha. Por isso, onde der de ninguém. Liberdade é não há possibilidade de escolha, não há liberdade. também um conjunto de ideias liberais e dos direitos de cada Outra questão apresentada é sobre o signi- ficado do termo “liberdade”. Existem definições cidadão. históricas, concepções particulares, dogmáticas e ideológicas em que a vida e a liberdade estão muito próximas – “Eu sou a minha liberdade”, já dizia um dos personagens na peça As Moscas, de Sartre. Podemos escolher viver situações? Seres humanos vivem determinadas circunstâncias. Somos levados a fazer algumas coisas, defendemos e escolhemos outras. Muitas vezes, a realidade em que vivemos obriga-nos a realizar ações contra a nossa vontade, pois estas são necessárias. Aqui, entra outra questão para pensar. As necessidades da No livro digital, vida, as regras sociais, não em Pesquisas: são maiores e mais fortes do Os conteúdos deste que o desejo de ser livre? tema: Podemos esco- lher viver situações? 32

Uma escolha feita implica em uma responsabilidade A palavra “responsabilidade” deriva da palavra “resposta”. Assim, dar uma resposta a um fato, a uma situação, é dar o consentimento, o aceite, a palavra; e somos responsáveis por tal situação. Ao escolher algo, deixo imediatamente outra possibilidade de lado. Isso implica em consequências, resultados. Uma vez feita a escolha, pela ação dela, tenho responsabili- dades. Também tenho responsabilidade sobre as consequências de minha ação. Liber- dade e responsabilidade estão sempre juntas. Detectar o progresso moral é ter como índice a responsabilidade moral das pessoas ou dos grupos sociais. Porém, falar de responsabilidade moral é relacionar as ações com a necessidade e a liberdade humanas. A pessoa só pode ser cobrada por seus atos quan- do tem certa liberdade de opção e decisão. Nesse sentido, só posso julgar uma ação, um ato, No livro digital, como responsável ou não ao examinar as condições em Pesquisas: concretas em que ele ocorreu. Somente assim é pos- sobre Responsabi- sível perceber se existe a possibilidade de opção, de lidade Moral decisão, de escolha (= liberdade), para cobrar uma res- ponsabilidade moral. Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano 33

CONECTANDO COM O MUNDO Certa vez, um homem esbafo- rido aproximou-se de Sócrates... As três peneiras Na condição de teu amigo, tenho algo muito grave para dizer-te, em particular. e sussurrou-lhe nos ouvidos: Espera! Já passaste o que vais Sim, meu caro amigo, três dizer pelas três peneiras? peneiras. Observemos se tua confidência passou por elas. A primeira peneira é a da verdade. Guardas absoluta certeza quanto àquilo que pretendes comunicar? Coleção O Início de uma Mudança Três peneiras? Bem, assegurar mesmo, não Exato. Decerto peneiraste o assunto pela se- posso, mas ouvi dizer… gunda peneira, a da bondade. Ainda que seja Ah! Então recorramos à terceira real o que julgas saber, será pelo menos bom peneira, a da utilidade, e diz-me o que me queres contar? o proveito do que tanto te aflige. Útil? Útil não é. Isso não! Muito pelo contrário. Bem, aquilo que pensas confiar não é verdadeiro, nem bom, nem útil, portanto esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que de nada valem casos sem edificação para nós. 34

LINKS COM OUTRAS DISCIPLINAS Língua Portuguesa – Artes – História 1. Assista a programas de auditório na televisão. Após, No livro digital, analise e registre no espaço abaixo se está sendo de- Links com outras fendido ou não algum tipo de liberdade. Procure justifi- disciplinas: faça car suas anotações. outras relações. Programa: Quais liberdades observei que estão sendo defendidas? Quais liberdades observei que não estão sendo defendidas? 2. Junto com o professor de História, a turma deverá fazer um levantamento de mo- Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano vimentos, revoltas populares e guerras que ocorreram na história do Brasil, que tinham como finalidade a conquista de liberdades. 3. Uma pessoa pode considerar-se livre mesmo com os seus direitos de ir e vir retirados temporariamente (ex.: exilados políticos, presos...)? SENDO PROTAGONISTAS Jogo da NASA 35 Desenvolvimento: Você faz parte da tripulação de uma nave espacial que deveria encontrar-se com a na- ve-mãe na superfície iluminada da lua. Entretanto, devido a um defeito mecânico, sua nave foi obrigada a alunizar em um ponto distante, cerca de 200 milhas (= 322 km) do local do en- contro. Durante a alunissagem, a maior parte do equipamento a bordo foi danificada. Uma vez que a sobrevivência da tripulação depende da chegada até a nave-mãe, devem ser escolhidos os utensílios mais importantes e necessários para a viagem de 200 milhas.

A seguir, são apresentados os 15 utensílios que ficaram intactos apesar da queda. Sua tarefa consiste em classificá-los por ordem de importância para a sua tripulação al- cançar o ponto de encontro. Coloque o número 1 no mais importante, o número 2 no segundo mais importante e assim por diante, até o número 15, o menos importante. Lembre-se de que você tem liber- dade para escolher em um primeiro instante, depois irá discutir com a sua turma sobre o que realmente levará. Acima de tudo, é preciso estar consciente da sua responsabilidade. MINHA DECISÃO NASA GRUPO Coleção O Início de uma Mudança 1. Caixa de fósforos 2. Comida concentrada 3. 20 metros de corda de náilon 4. Seda de paraquedas 5. Estufa portátil 6. Duas pistolas calibre 45 7. Uma lata de leite desidratado para animal 8. Dois tanques com 50 kg de oxigênio 9. Mapa das estrelas 10. Barco salva-vidas 11. Bússola 12. Cinco galões de água 13. Sinais luminosos (com chamas) 14. Estojo de primeiros socorros 15. Rádio com bateria solar 36

DESAFIO AOS PROTAGONISTAS: PENSANDO NO PROJETO DE VIDA Como lemos e discutimos neste capítulo, “somente quando a pessoa tem certa li- berdade de opção e decisão pode ser cobrada por seus atos”. Agora, é hora do 8o ano pensar uma atividade concreta que envolva a liberdade de escolha (ação e decisão) e que tenha uma responsabilidade moral. PENSANDO “FORA DA CAIXA” Aristóteles (384-322 a.C.) Realizou seus estudos na Academia e foi dis- PDeenixsoouum“faorrcaadsa?cEavixoac”ê??Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano cípulo destacado de Platão, permanecendo ali 37 até a morte do mestre. Funda, então, sua própria escola, situada nos arredores de Atenas, o Liceu, um centro de estudos de ciências naturais. Aristóteles defendia que a causa final do ho- mem, seu objetivo supremo, é a felicidade. Não como um prazer que se desmancha logo, mas como algo perene e tranquilo, sem excessos, pois o excesso faz com que a boa ação acabe sendo o oposto. Dizia que uma pessoa amável em demasia não passava de umincômodo baju- lador. Como conseguir a felicidade? Tendo uma conduta moral moderada, sem excessos, no “meio-termo”. Esse modo de viver consegue-se pelo hábito, como o atleta que se forma pelos exercícios repetidos. Portanto, habituar-se a uma boa conduta é ter bons costumes. Os hábitos, obtidos mediante a aquisição de certos modos repetidos de agir, tornam-se virtu- des, conseguidas pelo exercício do homem que é, ao mesmo tempo, racional e irracional. Mesmo sendo a felicidade uma busca que se alcança pela virtude, há algumas condições ne- cessárias para seu alcance, como a maturidade, os bens materiais, a liberdade pessoal, a saúde etc., que sozinhas também não deixam ninguém feliz.

Coleção O Início de uma Mudança LENDO PARA SABER MAIS Ética a Nicômaco Obra em dez livros, escrita por Aristóteles e ende- reçada ao seu filho Nicômaco. O título indica o tema éti- ca, designando as concepções morais nas quais o ser humano deve acreditar. Nela, o autor fala das virtudes humanas, que se dividem em dois tipos: as que nascem do hábito e as virtudes dianoéticas, que decorrem da inteligência e podem ser desenvolvidas por um ensinamento (Livro I). Todo o Livro II discorre sobre as virtudes: “A virtude é uma qualidade que se adquire voluntariamente, mas é preciso ser justo, comedido e razoável. A virtude não é nem um dom nem uma paixão, mas um ato perfeito”. No livro digital, em Vídeos: assista Ética a Nicômaco. DE OLHO NO SEU FUTURO No livro digital, em Projeto de Vida: pesquise como esse conteúdo pode ser útil em sua escolha profissional. No livro digital, em Avaliações: capítulo 3. 38

4Capítulo Fundamentos do modo de ser (ethos) MOTIVANDO A PENSAR — SOCIOEMOCIONAL Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano O discípulo honesto Uma vez, um rabino decidiu testar a honestidade de No livro digital, seus discípulos; por isso, os reuniu e fez-lhes uma pergunta: em Atuando no Socioemocional: — O que vocês fariam se estivessem caminhando e assista ao vídeo achassem uma bolsa cheia de dinheiro caída na estrada? e leia a história — Eu a devolveria ao dono – disse um discípulo. completa. “A resposta dele foi muito rápida, preciso descobrir se ele realmente pensa assim”, pensou o rabino. — Eu guardaria o dinheiro se ninguém me visse en- contrá-lo –, disse um outro. “Ele tem uma língua fraca, mas um coração mau”, o rabino falou consigo mesmo. [...]

Coleção O Início de uma Mudança AMPLIANDO OS ENTENDIMENTOS Éticas Com as reflexões surgidas da história inicial deste capítulo e para aprofundar o tema “Fundamentos da ética”, é importante relembrar o que já vimos no capítulo 2. Ética vem da palavra grega ethos, significando modo de ser, a forma usada pela pessoa para organizar sua vida em sociedade. É o processo a partir do qual transformamos os valores surgidos no grupo e na cul- tura em que vivemos em normas/regras práticas. É a análise e reflexão sobre o comportamento do homem na vida social de uma coletividade. A ética é vista como um estudo ou uma reflexão sobre os costumes ou sobre as ações humanas e também como a própria realização de um tipo de comportamento. Quando trata das regras de comportamento social, poderia ser chamada de ética normativa. Quando se refere aos costumes, é mais uma ética descritiva, especulativa. Assim, de maneira didática, costuma-se diferenciar os problemas éticos em dois seg- mentos: 1o O que trata dos problemas gerais e fundamentais, que são liberdade, consciência, bem, valor, lei etc.; 2o O que trata dos problemas específicos, que se aplicam nas ações indi- viduais, que são os da ética profissional, da ética política, da ética sexual, da bioética etc. Vale a importante observação de que essa separação é didática, pois, na vida real, os problemas éticos (gerais) estão juntos com os aspectos específicos. A ética, sendo uma reflexão sobre os costumes, as ações e as realizações, pode ser vista como uma arte que torna bom aquilo que é feito e também aquele que faz. Sendo uma arte, um hábito (ethos), é esforço repetido, cujo fim é a boa qualidade das ações e do próprio indivíduo como ser humano. Um comportamento ético exemplar deveria atender às pretensões de universalidade e explicar as variações de comportamento devido às formações culturais e históricas. 40

Meu imperativo categórico: No livro digital, em Games: As três formulações se complementam e formam o eixo central da minha moral. aprofunde os seus As ações devem ser orientadas pela razão, conhecimentos. sempre saindo do particular, da ação individual, para o universal, da lei moral: 1. Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da natureza. 2. Age de tal maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca como um meio. 3. Age como se a máxima de tua ação de- vesse servir de lei universal para todos os seres racionais. Filósofos e suas reflexões sobre a ética É importante saber que a reflexão ética foi pre- No livro digital, Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano ocupação de muitos filósofos. Também muito do em Pesquisas: que hoje é aceito como comportamento moral e Conheça as ideias postura ética foi discutido e vivido por filósofos. e defesas éticas Faz-se necessário saber que, desde a Grécia de filósofos. Antiga, no período clássico grego, filósofos con- solidaram pensamentos que fundamentam muitas ações hoje. A ética e a análise metafísica do seu fundamento O que é metafísica? Podemos entendê-la como uma maneira profunda, que vai além da física do objeto, de entender e encarar as coisas, os fatos, a realidade. Portanto, é uma investigação de tudo aquilo que pode ser experimentado, tanto na percepção sensível, na imaginação ou no sentimento, quanto em uma experiência mítica, pois sempre está perguntando: “o que está por trás disso tudo?” 41

Esta é a função do filósofo: refletir sobre os fatos e suas consequências. Filósofos modernos utilizam a palavra “me- tafísica” quando a reflexão busca o significado das coisas, dos seres. Como a filosofia, a metafísica leva o homem a “ler dentro” dos fatos acontecidos e que acontecerão. O “ler dentro” nada mais é do que investigar a base, o que sustenta, o que é permanente, para daí interpretar a dinâmica das coisas e dos homens (substância ou essência ou modelo de interpretação do mundo). Coleção O Início de uma Mudança Diante disso, é possível analisar o modo como pessoas veem o mundo e o que sus- tenta a sua forma de viver. Assim, temos que: Para uma pessoa religiosa, a base, o modelo, é Deus. Ex.: a vida é dom de Deus, é sagrada, intocável em embrião ou quando desenvolvida. Para uma pessoa que vê o mundo racionalmente, a base, o modelo é o Logos. Em outras palavras, uma inteligência ou ideia ou razão que está dentro do universo e manifesta-se, sobretudo, na mente e na história dos homens. Para uma pessoa materialista, a base, o modelo, é o trabalho. Por isso, as relações de trabalho são vistas em sua dimensão humana, e daí são anali- sados os problemas da sociedade e os caminhos de solução. Para uma pessoa pragmática, a base, o modelo, é o agir humano. É o futu- ro ou o resultado que dirá se a ação é boa ou má, verdadeira ou falsa. Para uma pessoa positivista, a base, o modelo, é o fato observado. Com as leis físicas, é possível entender toda a realidade. As leis naturais dão a ordem e, dentro desta, acontece o progresso da razão humana/científica. Assim, por meio da base ou do modelo, é possí- No livro digital, vel analisar as ações e a vivência ética das pessoas. em Vídeos: assista Sendo a ética a arte de realizar o bem, nada mais é Ética para meu filho. do que a realização plena da pessoa, tendo em vista o fim para o qual ela existe. Então, temos que definir primeiro o sujeito da ética e depois as normas de seu comportamento moral. 42

CONECTANDO COM O MUNDO Ideal ético ao longo da História A arte de realizar o bem, de viver dignamente na pólis, foi entendida das seguintes formas: Para os estoicos – O ideal ético era viver de acordo com a natureza, em harmonia com o universo. Para os epicuristas – O ideal ético era o prazer: “tudo o que dá prazer é bom”. Para Platão e Aristóteles – O ideal ético es- tava na busca teórica e prática do bem, que poderia ser obtida pela realidade do mun- do ou pela felicidade, entendida como uma vida bem organizada, virtuosa. Para o cristianismo − O ideal ético é o de uma vida espiritual, isto é, uma vida de amor e fraternidade, em que o homem viveria para conhecer, amar e servir a Deus. Para o Renascimento e Iluminismo (entre os No livro digital, Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano Séculos XV e XVIII) − O ideal ético era viver de em Infográfico: acordo com a própria liberdade pessoal e, esquema desses em termos sociais, com o lema da Revolu- ção Francesa – “liberdade, Igualdade e Fra- conteúdos. ternidade”. Para o século XX − Os pensadores existen- cialistas insistiram na questão da liberdade como ideal ético. Os pensadores sociais tinham como ideal ético a busca por uma vida social mais justa. Vemos, então, a ética voltar-se para as relações sociais, procu- rando construir um mundo mais humano. LINKS COM OUTRAS DISCIPLINAS No livro digi- Língua Portuguesa – Artes – História – Geografia tal, em Links com outras 1. Vamos analisar a letra da música Até quando es- disciplinas: perar?, da banda Plebe Rude. Em equipe, será feita faça outras a ilustração com base na letra, utilizando pequenos recortes de revistas e jornais, ou videoclipes. relações. No livro digital, em Vídeos: assista 43 ao videoclipe Até quando espera?

* É importante termos em conta que letra e música sur- No livro digital, giram nos anos 1980 e foram regravadas por várias bandas e em Vídeos: assis- músicos e continua atual. ta ao poema Só de sacanagem. 2. Junto com a disciplina de Língua Portuguesa, o tra- balho é analisar o poema “Só de sacanagem”, de Elisa Lucinda. Após a análise, cada aluno deve registrar o seu entendimento. Meu entendimento: Coleção O Início de uma Mudança SENDO PROTAGONISTAS A maleta: Eu tenho ética e sou cidadão Objetivo: Conscientização sobre a estrutura da sociedade que reforça a defesa dos interesses particulares, não estimulando o compromisso solidário. Material: Uma maleta chaveada, chave da maleta, dois lápis sem ponta, duas folhas de papel em branco, dois apontadores iguais. Desenvolvimento: O 8o ano é dividido em duas equipes. Para uma equipe, entrega-se uma maleta chaveada, que tem, no seu interior, dois lápis sem ponta e duas folhas de papel em branco. Para a outra equipe, entrega-se a chave da maleta e dois apontadores. O professor pede para as duas equipes negociarem entre si o material necessário para cumprir a tarefa, que é a seguinte: ambas deverão escrever nas folhas em branco, usando os lápis, um texto com o título “Eu tenho ética e sou cidadão”. Obs.: Professor, no seu livro digital, constam os encaminhamentos para continuidade da ati- vidade. 44

DESAFIO AOS PROTAGONISTAS: PENSANDO NO PROJETO DE VIDA Como ideia forte deste capítulo, temos: “Sendo a ética a arte de realizar o bem, ela nada mais é do que a realização plena da pessoa, tendo em vista o fim para o qual ela existe”. Vamos cumprir a tarefa fazendo o contraponto da evolução em grupo com a par- ticipação de todos e capacidade de negociação. Como atividade prática, os alunos do 8o ano devem analisar uma situação da escola em que deva haver uma melhoria, tendo presente o imperativo categórico de Kant. O meu ideal ético é a au- tonomia individual, pois o homem racional e autônomo é aquele que age segundo a razão e a liberdade. PENSANDO “FORA DA CAIXA” Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano Immanuel Kant (1724-1804) Suas obras ética, Fundamentação da me- tafísica dos costumes (1875) e Crítica da razão prática (1788), antecedem a Revolução France- sa, de 1789. O próprio Kant acompanha de longe, com admiração, a revolução, querendo que esta viesse a acontecer na Alemanha, o que não era possível. Consegue, sim, que a revolução se ini- cie no campo do pensamento. Ele revolucionou a Filosofia ao inverter a ordem nas relações su- jeito-objeto. No aspecto do conhecimento, não é o sujeito que gira ao redor do objeto, mas o con- trário. Aquilo que o sujeito conhece é o produto de sua consciência. No campo moral, o sujeito (= consciência moral) dá a si mesmo a sua própria lei. Como su- jeito que pensa ou sujeito moral da ação, é cria- dor, autônomo e está no centro, tanto do conhe- cimento quanto da moral. 45

Sua ética é formal e autônoma. Por isso, PDeenisxoouu“mfoarracdaas?caEixvao”c?ê? dita um dever para todos os homens, inde- pendentemente de sua situação social. É uma ética de tendência antropocêntrica, pela qual o homem é, antes de tudo, ativo, produtor ou criador de seu pensar e de suas ações. LENDO PARA SABER MAIS Fundamentação da metafísica dos costumes Coleção O Início de uma Mudança Obra escrita em 1785, é a primeira especificamente dedicada por Kant à moral. No prefácio, Kant coloca a posi- ção que deve ser ocupada pela moral na Filosofia, justificando sua iniciativa com considerações teóricas e imperativos éticos. Esse livro está dividido em três seções. A primeira, Passagem do conhecimento racional comum da moralidade ao conhecimento filosófico, aborda principalmente que agir moralmente é agir por dever, o que não tem o mesmo valor de agir conforme o dever; por exemplo, posso pagar minhas dívi- das para ter mais crédito, ou evitar mentir para que sempre acreditem em mim, mas, nesses dois casos, não ajo moralmente. O dever é a necessidade de realizar uma ação unicamente por respeito à lei moral. A segunda seção, Passagem da filosofia moral popular para a metafísica dos costu- mes”, traz algumas fórmulas ou alguns imperativos categóricos: “Age unicamente segundo uma regra de conduta No livro digital, em Víde- que possas querer transformar em lei universal”. os: assista ao resumo da obra e leia o livro “Age como se a tua regra de conduta devesse ser Fundamentação da me- erigida por tua vontade em lei universal da natureza”. tafísica dos costumes. “Age de tal sorte que trates a humanidade, tanto em tua pessoa quanto na de outrem, sempre como fim, e jamais apenas como meio”. DE OLHO NO SEU FUTURO No livro digital, No livro digital, em Avaliações: em Projeto de Vida: pesquise como esse capítulo 4. conteúdo pode ser útil em sua escolha pro- 46 fissional.

5Capítulo Comportamento humano e convivência social MOTIVANDO A PENSAR — SOCIOEMOCIONAL Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano Amizade, amor, generosidade Um velhinho muito bondoso e trabalhador levava No livro digital, uma vida tranquila ao lado da mulher que adorava. Ha- em Atuando no via apenas um problema: eles não tinham filhos. Assim, Socioemocional: quando seu irmão caçula morreu, deixando três jovens assista ao vídeo órfãs, o velhinho rapidamente convidou as sobrinhas e leia a história para morarem na casa dele. completa. – Nós seremos sua nova família – ele lhes disse. Aqui, vocês terão tudo o que precisarem. Estamos mui- to felizes com a chegada de vocês. Durante alguns anos, a harmonia reinou naquele lar e o velhinho foi muito feliz. [...]

AMPLIANDO OS ENTENDIMENTOS No livro digital, uma aula especial Comportamentos humanos com um professor da Ed. Sophos. Coleção O Início de uma Mudança Somos racionais, e é da constituição da natureza humana nos relacionarmos com o mundo exterior de várias formas: conhecendo, contemplando, modificando, transforman- do e até mesmo ignorando-o quando ocasionamos sua destruição. Há quem afirme que o homem usa o mundo exterior conforme suas necessidades. Esse comportamento prático e utilitário transforma a natureza com seu trabalho, produzindo muitas vezes objetos úteis, mas outras vezes destruindo-a por causa de interesses eco- nômicos particulares ou de grupos. O homem é capaz de estabelecer uma relação de aprendizagem com os objetos do mundo exterior. Por isso, compreende o que e como as coisas são e estabelece compor- tamentos (lembra que você estudou investigação sobre a Teoria do Conhecimento no livro O Desafio de Pensar sobre o Pensar, no 6o ano?). Também é importante lembrar da capacidade de termos comportamentos políticos e estéticos (que veremos no livro Somos Filhos da Pólis – 9o ano). Podemos mudar, conhecer e reproduzir o mundo, o que chamamos de comporta- mento político e estético. Nesse aspecto, está colocada a capacida- de de expressar, exteriorizar ou mesmo reconhecer-se no mundo exterior e no mundo interior, seja por capa- cidade própria, seja via natureza ou obras de arte. No que se refere ao mundo interior, existe também um comportamento reli- gioso. Assim, homens com fé relacionam- -se indiretamente com o mundo mediante sua religação com um ser transcendente, com o sobrenatural ou com Deus. Esses comportamentos do homem, ou suas relações com o mundo, desencadeiam uma diversidade de relações entre si. Dessa maneira, temos diversos tipos de comporta- mentos humanos que se materializam na eco- nomia, na política, na educação, perante nas leis, na sociedade e nas questões morais. Diversificamos, então, o comportamento, de acordo com o objeto com o qual entra- mos em contato (a natureza, as obras de arte, Deus, outras pessoas). Isso acontece tam- bém com o tipo de necessidades que criamos diante do objeto (produção, conhecimen- to, formas de expressão, transformação ou manutenção da ordem social estabelecida, maneira de expressar o belo). 48

Precisamos estar atentos, pois Aprendendo a Viver Juntos / 8o ano as condições históricas e concretas determinam qual é o tipo de com- portamento humano dominante nas sociedades ou em épocas determi- nadas. Por isso, vemos que, na história, houve épocas em que o comportamen- to humano predominante era o religio- so, outras épocas em que era o político, outras em que o comportamento era de submissão. O comportamento humano dominan- te em todas as épocas históricas foi o da necessidade vital e inadiável de produzir os bens necessários para a sobrevivência, isto é, a estrutura econômica. Vendo as diferentes formas do comporta- mento humano na história, dentro de estruturas sociais e econômicas, podemos tentar entender o porquê de certos comportamentos hoje. Tam- bém devemos ter presente que o comportamento moral relaciona-se com os outros comportamentos humanos: religioso, político, jurídico, científico, social etc. No livro digital, em pesquisas: - Comportamento moral e religião; - Comportamento moral e política; - Comportamento moral e convivência social. Comportamento moral para quê? Partindo do princípio de que as ações são, em sua maioria, conscientes e que cada um é senhor de sua própria vida, surgem questões: Como resolver o que fazer? Quando tomo uma decisão, sei o que faço? O que dizer dos momentos em que a ação é um impulso? Costuma-se defender que, em uma sociedade na qual há progresso moral, acontece a elevação da responsabilidade moral das pessoas ou dos grupos sociais no comporta- mento moral. Isso só é possível havendo liberdade de opção, de decisão, lembra da afir- mação do nosso Amigo da Sabedoria, Immanuel Kant. 49

Coleção O Início de uma Mudança “Age de maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir se torne uma lei universal” Julgar um comportamento por uma norma ou regra de ação, sem examinar as condi- ções concretas em que ele se dá, pode ser um julgamento precipitado. Agora, examinan- do as condições concretas para ver se há possibilidade de opção e de decisão, podere- mos atribuir uma responsabilidade moral. Ficam, então, algumas questões: Em que condições podemos defender ou censurar um comportamento, uma ação? Em que condições podemos atribuir responsabilidade ou não ao compor- tamento de uma pessoa? Aristóteles respondeu a essas duas questões estabelecendo duas condições funda- mentais para o indivíduo assumir sua responsabilidade: Que seu comportamento apresente um caráter consciente; Que sua conduta seja livre. Dessa maneira, um comportamento, para ser julgado moralmente, precisa ter, de um lado, o conhecimento; de outro lado, a liberdade. Desse modo, é possível exigir e cobrar uma responsabilidade. No livro digital, em Info- gráficos: veja a síntese desses conteúdos. 50


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