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Índice1. Introdução............................................................................................................................. 6 1.1 Método de Planejamento e Gestão Estratégica de Sistemas Agroindustriais (GESis)........ 92. A Cadeia Produtiva de Hortaliças e suas Dimensões .............................................................. 12 2.1 Antes das Fazendas ........................................................................................................... 16 2.1.1 Empresas Fornecedoras de Insumos.......................................................................... 17 2.1.2 Equipamentos e Materiais de Consumo .................................................................... 23 2.2 Nas Fazendas..................................................................................................................... 25 2.3 Após as Fazendas .............................................................................................................. 28 2.3.1 Indústria ..................................................................................................................... 28 2.3.2 Distribuição ................................................................................................................ 29 2.4 Agentes Facilitadores ........................................................................................................ 34 2.5 Mão de Obra ..................................................................................................................... 35 2.6 Impostos............................................................................................................................ 36 2.7 Limitações da Quantificação ............................................................................................. 363. Desafios e tendências na cadeia produtiva de hortaliças ....................................................... 37 3.1. Desafios e tendências....................................................................................................... 37 Antes da Fazenda .................................................................................................................... 37 Nas Fazendas........................................................................................................................... 40 Depois das Fazendas ............................................................................................................... 45 Distribuição ............................................................................................................................. 46 Consumo ................................................................................................................................. 49 Mão de Obra ....................................................................................................................... 54 Regulamentação.................................................................................................................. 55 3.2. Uma agenda estratégica................................................................................................... 554. Tendências do setor agro para os próximos 25 anos.............................................................. 57 4.1 O Combate aos Crescentes Custos de Produção .............................................................. 57 4.2 Entender as Mudanças Estruturais da Agricultura do Futuro........................................... 58 4.3 Estar Atento às Tendências do Consumidor, do Marketing e da Estratégia em Alimentos e Agronegócios........................................................................................................................ 61 4.4 Aproveitar as Imensas Oportunidades no Curto, Médio e Longo Prazo........................... 645. Sugestões de Leituras Adicionais ............................................................................................ 67Referências Bibliográficas ........................................................................................................... 68Anexo I. Memória de Cálculo ...................................................................................................... 72 5
1. Introdução detectados por Goldfray et al. (2010) em seu estudo o desafio deO principal objetivo deste relatório alimentar 9 bilhões de pessoas –é mostrar a importância econômicae social de uma cadeia produtiva “The Challenge of Feeding 9 Billionmuito particular na agricultura People”. Os autores enfatizam abrasileira, a cadeia das hortaliças. necessidade de se mudar a dieta para conter mais alimentos vegetaisO termo hortaliça pode ser e em reduzir o desperdício dosentendido como qualquer planta alimentos que está na ordem de 30-comestível que se cultiva em horta, 40%.possui ciclo curto e tem intensanecessidade de mão de obra para De um ponto de vista de negócios,os tratos culturais, ou seja, quando o setor de hortaliças vemse trata desta cadeia, entende-se transformando as relações entre osque diversos produtos estão sendo agentes do agronegócio,contemplados, que vão desde aumentando o número defolhosas como alface e repolho, até contratos envolvendo a produção,raízes de importante papel na marketing, alianças estratégicas ealimentação humana e animal, tal fusões (PEREIRA, 2005). Estacomo a cenoura. perspectiva tem deslocado a comercialização das formas públicasO ciclo de vida da hortaliça pode ser tradicionais de abastecimento paraconsiderado como o espaço de novas estruturas privadas.tempo entre o plantio e a colheita,que no segmento varia de 30 dias a Ademais, estudos realizados nano máximo 360 dias, com a grande África do Sul, América Central emaioria das espécies tendo um ciclo Argentina mostram um fortede vida ao redor de 90 dias. Os posicionamento do varejo natratos culturais são os serviços que tentativa de controlar a cadeia deprecisam ser realizados para que a produção de hortaliças (GHEZÁN;planta se desenvolva até chegar ao MATEOS; VITERI, 2002; BERDEGUÉponto de consumo, transformando- et al., 2005; MASPERO; VAN DYK,se em alimento. 2004). Nos trabalhos dos autores ficou claro que o varejo tende aEm uma perspectiva global, o setor excluir os pequenos produtoresde hortaliças ou “Salad Business” perante os grandes produtores, quetem sido visto como uma possível é necessário fazer maissolução para dois problemas investimentos e coordenação de6
produção para garantir hortifrutis e Belo Horizonte, onde se consumecom qualidade e segurança para a aproximadamente 70% dos legumespopulação, e que a infraestrutura e verduras produzidas no país (POFdo país está diretamente - IBGE - 1996 apud FARINA;relacionada com o sucesso e o MACHADO, 2000).fracasso das iniciativas paramelhorar este cenário. Espera-se que o varejo de hortaliças cresça 8% de 2015 até 2020 nosO setor varejista tem se mostrado Estados Unidos (PBHF, 2015). Lá acomo um dos principais canais de tendência está mais concentrada nodistribuição de hortaliças. Os aumento de compra da hortaliçasupermercados constituem o fresca do que no aumento doprincipal canal de distribuição de plantio para consumo doméstico.FLV nas principais áreas Ademais, as principais hortaliçasmetropolitanas (FAULIN; AZEVEDO, consumidas nos Estados Unidos são2003). O consumo se concentra nas as batatas seguidas por alface ecidades de São Paulo, Rio de Janeiro vegetais para salada (Gráfico 1).Gráfico 1. Consumo anual de hortaliças frescas e processadas - porções per capita (EUA,2014) Batata 75 Alface/Saladas de folhas 69 Cebola 44 Tomates (excl. cereja) 39 Cenoura 29 Milho 28 25 Feijões verdes 21 Molhos de salada 17 15 Pimentas 15Legumes/Grãos descascados 15 Couve-florMistura/Combo de hortaliçasFonte: elaborado por Better Health Foundation, 2015Dados da Nielsen (2016) apontam também concluiu que apenas aque 60% da população da América saudabilidade pode não ser ado Norte tenta comer mais principal razão ao se consumirsaudavelmente quando comparado hortaliças. Aspectos comoao passado. A organização Produce facilidade no preparo, gosto e preçofor Better Health Foundation (2015) também são considerados. Sendo7
assim, é importante observar o que Tendo em vista a grandetem sido feito para se oferecer um quantidade de itens existentesproduto melhor ao consumidor. quando se fala em hortaliças, para prosseguir com tal quantificação foiQuanto à situação do mercado fundamental a definição de um escopo. Nesse sentido, entende-seconsumidor de hortaliças no Brasil, por escopo a definição das hortaliças que seriam contempladaseste se apresenta segmentado, no trabalho.estão surgindo novos canais de A seleção das hortaliças que viriam a fazer parte do trabalho se deucomercialização para consumidores levando em consideração a relevância das mesmas no mercadointeressados em menores preços, brasileiro. Optou-se pelas hortaliças que hoje têm maior participação nomaior qualidade e incorporação de mercado ou que possuem tendência de crescimento para osserviços (JUNQUEIRA, 1999). Desta próximos anos. Dessa maneira foram selecionadas as seguintesforma, o mercado de hortaliças é cadeias como escopo do trabalho: alface, tomate, batata, alho,um dos menos desenvolvidos no cenoura, beterraba, abóbora, cebola, abobrinha, pimentão,Brasil, e entre os principais couve-flor e coentro.problemas encontrados estão a Ainda assim, vale destacar que as doze hortaliças selecionadas fazemfalta de garantia de um suprimento parte de um segmento com mais de cem tipos de cultivos, ou seja, osregular de produtos de qualidade números aqui apresentados, apesar de representarem parte(FARINA; MACHADO, 2000) e as significativa, não representam 100% do setor de hortaliças.perdas inerentes aos processos de O estudo da cadeia de hortaliças écomercialização (VILELA; LANA; fundamental para aumentar a organização da cadeia, mostrar suaMAKISHIMA, 2003). Ademais, importância no contexto nacional e internacional, aumentar suapercebeu-se que existe uma grande divulgação e favorecer o conhecimento da comunidade,carência de informações dosmontantes financeirosmovimentados na cadeia.Quantificar a cadeia de hortaliças éum grande desafio, uma vez quegrande parte da produção no Brasilé realizada por pequenos e médiosprodutores. A agricultura familiartem papel fundamental nessacadeia e dados secundários dessesegmento são restritos. Assim comoesse desafio, diversas outraslimitações foram encontradas,tendo em vista a variedade deprodutos que compõem essacadeia, suas particularidades e seucaráter descentralizado.8
identificar oportunidades e gargalos 1.1 Método de Planejamento ee, consequentemente, aumentar a Gestão Estratégica de Sistemasforça política da cadeia. Agroindustriais (GESis)A condução do estudo se deu apartir da utilização do Método O método de Planejamento e Gestão Estratégica de SistemasGESis – Planejamento e Gestão Agroindustriais, o GESis, começou a ser desenvolvido em 2004 porEstratégica de Sistemas Neves (2004) e desde a sua criação vem sendo aperfeiçoado.Agroindustriais, o qual já foiutilizado na quantificação de outrosSistemas Agroindustriais, como acana de açúcar, citros, flores, carne,leite, trigo e algodão. Na etapa de O método já foi aplicado diversas vezes em outros Sistemascoleta de dados primários, foram Agroindustriais (SAG), como trigo em 2004 (Rossi e Neves, 2004);realizadas 124 entrevistas com citros em 2005 (Neves e Lopes, 2005) e replicado em 2010 (Neves eempresas fornecedoras de insumos, Trombin, 2010); leite em 2006 (Cônsoli e Neves, 2006); cana deórgãos de pesquisa, setor público, açúcar em 2010 (Neves, Trombin e Consoli, 2010) e replicado em 2014associações, cooperativas, revendas (Neves et al, 2014); carne bovina (Neves, 2012) e algodão em 2012agrícolas, Ceasas, supermercados, (Neves e Pinto, 2012).produtores, entre outros agentesde grande importância na cadeiaestudada, com a intenção de seobter informações comprofissionais de cada elo. Emparalelo, igualmente foramcoletados e analisados diversos O método também foi aplicado emdados secundários oriundos de SAGs no exterior, como o estudo dafontes variadas. As transações dos cadeia do leite na Argentina (2007)principais produtos da cadeia foram e do trigo (2007) e leite (2010) noquantificadas isoladamente, Uruguai. A consolidação do métodopossibilitando ao estudo apresentar no setor público e privado senúmeros de empregos e impostos confirma no meio acadêmico. Ogerados. método GESis já foi publicado emA organização do estudo se dá por diversas revistas científicaselos, sendo que insumos sãotratados no elo “antes das nacionais e internacionais, sendofazendas”, a produção agrícolaaparece no elo “nas fazendas” e reconhecido internacionalmenteposteriormente entendem-se oselos da “indústria” e “distribuição”. pela International Food and Agribusiness Management Association (IFAMA) e pela European Marketing Academy (Emac).9
O método GESis possui a Empresas, de buscar desafios ecaracterística de ser flexível, oportunidades adicionais para osportanto adaptável em sua agentes do sistema, uma vez queaplicação, uma vez que a depender seu objetivo é operacionalizar umdas particularidades do SAG a processo de Gestão Estratégica noequipe pode fazer uso de análises Sistema. O método (GESis) écriativas. Este método traz a formado por cinco etapas (Figuravantagem, quando comparado com 1).o método de Gestão Estratégica de ETAPA 1 ETAPA 2* ETAPA 3 ETAPA 4 ETAPA 5Iniciativas de Descrição, Criação de uma Montagem de Administração mapeamento e dos projetos líderes, quantificação organização plano estratégicos do governo, vertical para o estratégico institutos de do SAG para o SAG SAG pesquisa e SAGuniversidadesem planejar ofuturo do SAGFigura 1. Método de Gestão Estratégica de Sistemas Agroindustriais (GESIs)*Foco do estudo de mapeamento e quantificação da cadeia de hortaliças do BrasilFonte: Neves, 2008Considerando o objetivo principal Agroindustrial de Hortaliças nodesta pesquisa, foi realizada Brasil”. Desta forma, é preciso aquiexclusivamente a Etapa 2 do detalhar essa etapa do método. Amétodo, que visa “descrever, Etapa 2 do método é dividida emmapear e quantificar o Sistema seis fases (Figura 2). FASE 1 FASE 2 FASE 3 FASE 4 FASE 5 FASE 6 Workshop deDescrição do Apresentação Pesquisa de Entrevistas Quantificação sistema da descrição dados de com validação vendas emagroindustrial para especialistas e executivos e associações, executivos de outros instituições e empresas especialistas, publicações visando ajustes na estruturaFigura 2. Método para Mapear e Quantificar Sistemas AgroindustriaisFonte: Neves, 2008As seis fases que compõem a Etapa 2estão resumidas no Quadro 1.10
Fases da Etapa 2 Procedimentos1. Descrição do Sistema Desenho do Sistema Agroindustrial por meio de caixas(Cadeia) Agroindustrial (fluxograma), respeitando o fluxo dos produtos, dos insumos até o consumidor final.2. Apresentação da A partir da primeira versão da descrição (desenho) do Sistemadescrição para executivos Agroindustrial, deve-se realizar algumas entrevistas emdo setor privado e outros profundidade com especialistas do setor, sejam eles executivosespecialistas, visando de empresas atuantes no sistema ou outros especialistasajustes na estrutura (pesquisadores, lideranças setoriais, entre outros), visando ao ajustamento do desenho.3. Pesquisa de dados Busca por dados sobre vendas e outros números do setor.secundários em Associações privadas podem disponibilizar para seus membrosassociações, instituições e dados sobre vendas, algumas vezes até na internet. Pode serpublicações realizada também uma cuidadosa revisão bibliográfica na busca por dissertações/teses recentes, além de artigos acadêmicos4. Entrevistas com ou revistas e jornais de grande circulação.especialistas e executivosde empresas Devem-se realizar entrevistas com gerentes, na busca por levantar o montante financeiro vendido pelas empresas do5. Quantificação setor em estudo. Realizar entrevistas com diretores de compras, visando estimar o mercado a partir do lado oposto de um sistema. Este é o ponto central da metodologia. Nesta fase, devem ser processados todos os dados recebidos para, na sequência, inseri-los na descrição do sistema, logo abaixo o nome da indústria ou do elo. Os dados devem ser enviados às empresas que colaboraram com a pesquisa para serem analisados os valores. As empresas deverão reenviar os dados, com as suas contribuições e comentários. Nesta fase já se tem um grande número de materiais para se elaborar sugestões de estratégias que podem ser apresentadas no workshop final.6. Workshop Nesta fase final é realizado um workshop para se apresentar os resultados e discutir os números.Quadro 1. Descrição resumida das fases da metodologia para Descrição, Mapeamento eQuantificação de um Sistema AgroindustrialFonte: Neves, 200811
Da sua origem e no decorrer das suas 2. A Cadeia Produtiva dediversas aplicações, o processo de Hortaliças e suas DimensõesQuantificação de SistemasAgroindustriais permitiu identificar O capítulo que segue traz aalgumas vantagens, como: radiografia da cadeia produtiva de (i) Aplicação de uma metodologia relativamente simples e direta, com hortaliças no Brasil. Vale lembrar baixa dependência no processo de coleta de dados de informações que, para a quantificação, foram concentradas em fontes públicas. consideradas hortaliças (ii) Desenho completo da cadeia produtiva, permitindo visualizar a selecionadas, sendo elas: alface, Cadeia de Valor por meio do posicionamento e da relevância dos tomate, batata, alho, cenoura, diferentes setores de produção. beterraba, abóbora, cebola, (iii) Credibilidade aos resultados da pesquisa devido à validação dos abobrinha, pimentão, couve-flor e dados coletados em workshop. coentro. (iv) Processo de validação (workshop) que proporciona maior Devido às particularidades de cada comprometimento entre os participantes, uma vez que há uma dessas culturas, optou-se por formação de grupos focais heterogêneos, com elaboração de apresentar uma cadeia única, onde uma lista de problemas e ações coletivas já existentes no sistema. os volumes faturados para cada um (v) O ambiente de validação sendo dos produtos estudados foram utilizado como forma de integração. consolidados. Durante a descrição Há de destacar que a sexta etapa do método permite total transparência dos elos, as principais aos atores do sistema produtivo, permitindo que a coordenação seja particularidades encontradas para um resultado bem acordado e definido (NEVES, 2004; 2008). cadeias específicas serão destacadas. A análise estendeu-se do elo de insumo até os produtos disponíveis para ao consumidor nos supermercados, Ceasas, etc. A figura 3 representa o desenho da cadeia de hortaliças, contando com os principais valores estimados. Figura 3. Cadeia produtiva de hortaliças no Brasil e os principais valores movimentados.12
Mapeamento e Quantificação da Cadeia PFigura 3: Mapeamento e quantificação da cadeia de hortaliças no Brasil, em 2Fonte: elaborado pelos autores a partir de fontes diversas 13
Produtiva de Hortaliças no Brasil em 20162016
Como pode ser visto na figura 3, a procedimentos, o faturamentocadeia de hortaliças foi dividida em deste segmento não foi separado,quatro principais elos: Antes das estando contido no valor do elofazendas, nas fazendas, Indústria de “Nas Fazendas”.Alimentos, Distribuição e AgentesFacilitadores. No elo \"Depois das Fazendas\" foram considerados todos osO elo “Antes das Fazendas” destinos das vendas dos produtorescompreende as empresas de hortaliças assim que elesfornecedoras de insumos, as quais transferem a posse do seu produto.são responsáveis pelo material Esse elo compreende as indústrias eutilizado na produção e as os canais de distribuição.empresas fornecedoras deequipamentos e itens de As indústrias de alimentos, queinvestimento. Os insumos e compõem o próximo elo mapeado,equipamentos considerados nesse compram as hortaliças doselo foram: Fertilizantes, Corretivos, produtores para a produçãoIrrigação, Defensivos, Tratores, industrial e podem ser classificadasMudas, EPI (equipamentos de em: indústrias de processados eproteção individual), Sementes, indústria de minimamenteCombustível, Implementos, Adubos, processados. Com relação àsEstufas, Ferramentas e Utensílios e indústrias de processados, dentreEnergia Elétrica. as hortaliças presentes no escopo do trabalho, tomate e batata são asNo elo “Nas Fazendas” foi mais representativas. Já paraconsiderada toda a produção minimamente processados, aagrícola da cadeia produtiva de maioria das culturas avaliadashortaliças do Brasil. Algumas podem ser consideradas.hortaliças contam com um primeirobeneficiamento, que acontece nas O elo da distribuição compreendePacking Houses, sendo que muitas todos os canais responsáveis porvezes essa estrutura e os processos levar os produtos (in natura,desempenhados estão dentro das processados e minimamentefazendas. Atividades simples como processados) ao consumidor final,pesagem, pré-lavagem, seleção, seja por meio do atacado, varejo ouresfriamento e embalagem estão via exportações.concentradas nas Packing Houses.Entendendo-se que, para algumas Os produtos que chegam aoculturas, essas atividades são atacado podem ser provenientesrealizadas ainda no elo de produção diretamente de produtores oue que, o preço pago ao produtor já indústrias de alimentos e sãocontempla o produto após tais revendidos para o varejo, food services ou para o consumidor final.14
Os agentes facilitadores são aqueles Considerando todos os elosque prestam alguma espécie deserviço na cadeia das hortaliças, descritos, exportações eporém não compram ou vendem oproduto principal da cadeia importações, estima-se que aprodutiva. No presente estudoforam considerados os seguintes cadeia de hortaliças no Brasilagentes facilitadores: Laboratório eAnálises, Assistência Técnica e (considerando os produtos doTreinamentos, Associações eSindicatos, Assessoria e Consultoria escopo do trabalho), no ano deem Gestão, Seguro de Máquinas eBenfeitorias, Frete/Carregamento. 2016 movimentou cerca de US$ 19 bilhões. A tabela 1 mostra o faturamento geral estimado em cada um dos elos estudados.Tabela 1. Faturamento da cadeia de hortaliças por elo e representatividade no total MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Elo Valor (US$ milhões) Representatividade (%)Antes das Fazendas $3.209,12 17%Dentro das Fazendas $5.084,05 27%Indústria de alimentos $1.928,46 10%Distribuição $8.582,63 45% Atacado $2.437,19 13% Varejo $6.145,44 32%Agentes Facilitadores $227,96 1%TOTAL $19.032,22 100%Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de fontes diversasDe acordo com a tabela, nota-se Com base nos valores levantados aferiu-se também o Produtoque o elo com maior Interno Bruto (PIB) da Cadeia Produtiva de Hortaliças no Brasil.representatividade na Para tal cálculo é necessário considerar a soma das vendas dosmovimentação financeira da cadeia produtos finais da cadeia produtiva, seja para o mercado interno oué o elo da distribuição, externo. Desse total, é descontado o valor das importações.representando 45% do total Seguindo esse racional, no ano demovimentado. Ainda dentro do elo 2016, o PIB da cadeia produtiva de hortaliças no Brasil foi de cerca deda distribuição, as vendas no varejo US$ 5,3 bilhões. A tabela 2 mostraaparecem com granderepresentatividade.É interessante notar que, mesmosendo o Brasil um grandeexportador de produtos do agro,para hortaliças este cenário não serepete.15
os principais valores consideradospara o cálculo do PIB.Tabela 2. Estimativa do Produto Interno Bruto da Cadeia Produtiva de Hortaliças no Brasilem 2016 PRODUTO INTERNO BRUTO - PIB (US$ milhões)Tipo de Negócio Mercado Exportações Importações (I) Total Interno (MI) (E) (MI+E-I)Hortaliças In Natura $2.900,75 $15,08 $416,33 $2.499,50Produtos Minimamente $300,75 $1,72 $18,82 $283,64ProcessadosProdutos Processados $2.943,94 $6,60 $379,16 $2571,37TOTAL $6.145,44 $23,43 $814,32 $5.354,52Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de diversas fontes2.1 Antes das Fazendas Tais empresas foram subdivididas em empresas fornecedoras deO elo “antes das fazendas” insumos e empresas de equipamento e investimentocorresponde ao conjunto de essenciais. As empresas fornecedoras de insumos sãoempresas fornecedoras de insumos, responsáveis pelo material utilizado na produção que não énecessárias para que o produtor de reaproveitado, ou seja, a cada novo ciclo ou nova safra, deve-se fazerhortaliças inicie a produção. Este novos investimentos nesses materiais. Por outro lado,elo foi responsável por uma equipamentos e materiais de consumo são aqueles que têm vidamovimentação de útil mais longa, ou seja, são utilizados por diversos ciclos ouaproximadamente US$ 3,2 bilhões, safras. Para esses itens, que figuram como investimento, o cálculo dolevando em consideração todas as valor anual considera a sua depreciação. O faturamento comempresas envolvidas. cada uma dessa subdivisão é mostrado na tabela 3.Para um melhor entendimento decada componente do elo, serãodadas as características gerais decada tipo de empresa.O faturamento de cada grupovendedor de insumos para aprodução de toda a cadeiaprodutiva foi estimado a partir dacoleta de dados com produtores,empresas e órgãos de pesquisaespecializados.16
Tabela 3. Faturamento do elo Antes das Fazendas FATURAMENTO ANTES DAS FAZENDAS Setor Faturamento (US$ MILHÕES) Representatividade (%)Insumos $2.945,70 92%Equipamentos e Materiais de $263,42 8%ConsumoTOTAL $3.209,12 100%Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de Agrianual-FNP, CEPEA, CONAB,EMATER, ABCSEM e entrevistasComo pode ser visto na tabela, os característica o uso singular de seuinsumos representam cerca de 92%do faturamento no elo Antes das produto comercializado,Fazendas, enquanto que osequipamentos e materiais de destacando assim a não reutilizaçãoconsumo responderam por 8%. do mesmo. Esses tipos de empresa2.1.1 Empresas Fornecedorasde Insumos somaram uma movimentaçãoAs empresas fornecedoras de financeira de aproximadamenteinsumo são aquelas que têm como US$ 3 bilhões com a venda de produtos destinados à cadeia de hortaliças em 2016. A tabela 4 mostra a divisão da movimentação financeira entre os insumos considerados no estudo.Tabela 4. Movimentação financeira das empresas fornecedoras de insumos para o setorde hortaliças em 2016 EMPRESAS FORNECEDORAS DE INSUMOInsumo Faturamento (US$ Milhões) Representatividade (%)Fertilizantes $603,37 20,5%Corretivos $45,01 1,5%Defensivos $464,00 15,8%E.P.I. $10,18 0,3%Combustível $374,07 12,7%Sementes $446,04 15,1%Mudas $461,34 15,7%Energia Elétrica $541,71 18,4%TOTAL $2.945,72 100%Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de Agrianual-FNP, CEPEA, CONAB,EMATER, ABCSEM e entrevistas17
Por possuírem características eFertilizantes necessidades específicas e estaremO uso de fertilizantes no cultivo das inseridas em modelos de produçãohortaliças é fundamental para seubom desenvolvimento e variados, algumas culturasconsequente aumento norendimento e produtividade. demandam maior volume deAs empresas de fertilizantes foram fertilizantes que outras. A tabela 5responsáveis por umamovimentação financeira de cerca mostra a representatividade dede US$ 600 milhões com hortaliças.Esse faturamento considera todas cada cultura estudada no total daas formas do produto (granulados,solução, solúvel, etc). movimentação financeira com fertilizantes. Vale lembrar que a representatividade na movimentação total varia de acordo com a taxa de adoção do fertilizante por hectare e com a área plantada da cultura no país.Tabela 5. Participação das culturas estudadas no faturamento com fertilizantes FERTILIZANTES Cultura Participação ParticipaçãoAbóbora Cabotiá $29,25 5%Abobrinha $15,17 3%Alface $90,33 15%Alho $23,16 4%Batata $162,90 27%Beterraba $14,38 2%Cebola $37,29 6%Cenoura $25,59 4%Coentro $70,54 12%Couve-Flor $23,46 4%Pimentão $20,68 3%Tomate de mesa $31,08 5%Tomate indústria $59,54 10%TOTAL $603,37 100%Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de Agrianual-FNP, CEPEA, CONAB,EMATER e entrevistasComo pode ser visto na tabela, a figurar com maior participação nobatata corresponde cerca de 27% total, a sua taxa de utilização pordo total da movimentação hectare não é a maior. O valorfinanceira do segmento de reflete a área de grandefertilizantes, porém, apesar de representatividade da cultura.18
Se considerada apenas a taxa de categorias principais: herbicidas,utilização por hectare, de acordo com fungicidas, inseticidas e acaricidas.as estimativas, as culturas que maisdemandam fertilizantes são: alho, Atualmente, o controle biológico decouve-flor e pimentão. Segundo as pragas tem crescido em importânciaestimativas, culturas como abóbora técnica e econômica em diversascabotiá, abobrinha e cebola têm um culturas, incluindo hortaliças. Contudo,uso menor de fertilizantes por hectare. devido à difusão relativamente baixa desta técnica entre os produtores e doCorretivos uso de soluções/produtos caseiros, os métodos de entrevistas e utilização deO valor total da movimentação dados secundários empregados nestefinanceira com corretivos para a cadeia trabalho não permitiram que sede hortaliça no Brasil em 2016 foi de chegasse a estimativas confiáveis sobreUS$45 milhões. Dentre os insumos o faturamento deste negócio na cadeia.estudados, depois dos EPIs, oscorretivos representam o segmento de O levantamento de dados do presentemenor faturamento. Para o cálculo dos estudo permitiu estimar o valorcorretivos, o calcário foi o principal movimentado com esses importantesproduto considerado. produtos na cadeia de hortaliças no Brasil. Dessa maneira, em 2016 estima-Defensivos se que foi movimentado um valor total de US$464 milhões.A utilização de defensivos nos cultivosestá diretamente relacionada com a A participação das culturas estudadasmanutenção da sanidade da cultura, no total faturado é baseada no valorsendo uma ferramenta importante para por hectare com defensivos e na áreao controle de pragas e doenças nas que a cultura ocupa. A tabela 6 mostraculturas agrícolas. Podem ser a movimentação de cada uma dasclassificados os defensivos em quatro culturas estudadas com defensivos e o valor por hectare gasto com essa categoria.19
Tabela 6. Movimentação financeira da cadeia de hortaliças com defensivos DEFENSIVOS Cultura Faturamento (US$ Valor (US$)/ha Milhões)Abóbora Cabotiá $2,56 $60,15Abobrinha $7,44 $355,98Alface $25,62 $281,04Alho $14,27 $1.259,03Batata $208,65 $1.554,30Beterraba $4,39 $401,05Cebola $33,72 $794,23Cenoura $13,05 $586,40Coentro $16,51 $223,35Couve-Flor $1,98 $178,95Pimentão $16,93 $1.513,34Tomate mesa $50,26 $1.684,35Tomate indústria $68,61 $1.477,04TOTAL $463,99Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de Agrianual-FNP, CEPEA, CONAB,EMATER e entrevistasA partir da tabela, nota-se que Estimou-se que a movimentaçãoalgumas culturas possuem maior financeira na cadeia de hortaliçasnecessidade da utilização de no Brasil com Equipamentos dedefensivos que outras. Alho, Proteção Individual (EPIs) foi debatata, pimentão e tomate são cerca de US$10 milhões. Para oexemplos de culturas mais cálculo foram consideradassensíveis a pragas e doenças com culturas com alta tecnificação, quevalores movimentados por utilizam maior volume dehectares com defensivos equipamentos de proteção, taissuperiores a mil dólares. como alho, batata e tomate e culturas com mais baixaEquipamentos de Proteção tecnificação, que têm uma adoçãoIndividual menor desse tipo de insumo.Os Equipamentos de Proteção CombustívelIndividual são fundamentais paramanter a segurança do trabalhador Figurando como importanteno campo frente a diversas componente do custo de produçãoatividades desenvolvidas, sejam dos agricultores, os combustíveiselas aplicação de produtos nas são fundamentais para aslavouras ou até a condução de operações nas fazendas quemáquinas e equipamentos. necessitam de máquinas agrícolas.20
O presente estudo fez uma sementes para o seu plantio. Essasestimativa da movimentação sementes podem ser cultivadasfinanceira referente ao consumo de diretamente pelo produtor ouóleo diesel e lubrificantes pela podem passar por viveiristas, quecadeia de hortaliças em 2016. comercializarão as mudas para o produtor. No caso da cenoura, porPara o cálculo foi considerado o exemplo, a semeadura diretaconsumo de combustível de acordo ocorre em praticamente todas ascom a potência dos tratores plantações. Já nas folhosas, autilizados nas operações agrícolas utilização de mudas chega a quasemapeadas. Dessa maneira, chegou- 100% dos casos.se a um valor estimado demovimentação financeira para óleo Além de sementes e mudas,diesel de US$ 325 milhões e para hortaliças como a batata e o alholubrificantes de US$ 50 milhões, necessitam de manejo diferenciadototalizando US$ 375 milhões no elo para seu plantio. No caso do alho, ade combustíveis. Esse valor “semente” utilizada nada mais érepresenta cerca de 13% do valor que um de seus bulbilhos, maistotal movimentado no elo dos conhecidos como “dente do alho”.insumos. Apesar da prática de plantio mais convencional dessas hortaliças nãoSementes e Mudas contemplar o uso de sementes de fato, o valor das hortaliçasPor possuírem características destinadas ao plantio também foiespecíficas, são muitas as considerado nesse elo (MATHIAS,diferenças nas formas de produção 2016).das hortaliças consideradas noestudo. O plantio é etapa A tabela 7 mostra a movimentaçãofundamental para se iniciar o ciclo financeira da cadeia de hortaliçasde produção dos vegetais, sendo com sementes no ano de 2016, osque as práticas agrícolas nesta percentuais estimados de produçãoetapa diferem de acordo com a de mudas por cadeia e ocultura. faturamento com a venda das mudas de viveiristas para oA grande maioria das culturas produtor final.presentes neste estudo utiliza21
Tabela 7. Movimentação financeira da cadeia de hortaliças com sementes e mudas FATURAMENTO COM SEMENTES E MUDAS (US$ milhões) Cultura Sementes % viveiristas MudasAbóbora Cabotiá $6,83 10% $0,11Abobrinha $5,68 10% $0,52Alface $17,07 70% $52,48Beterraba $5,40 10% $3,15Cebola $29,10 30% $126,21Cenoura $14,96 0% -Coentro $10,99 50% $243,57Couve-Flor $7,21 90% $6,21Pimentão $10,87 90% $10,41Tomate mesa $60,51 90% $18,68Tomate indústria $3,92Alho* $76,20 0% -Batata* $197,30 0% -TOTAL $446,04 $461,34*Inclui a comercialização de bulbos e tubérculos e os custos de produção de sementes nasfazendas.Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de ABCSEM, Agrianual/FNP, CEPEA,CONAB e entrevistasSomando-se as movimentações se o produtor faz irrigação durantefinanceiras desses dois importantes a noite, o valor gasto com energiasegmentos, chega-se a uma elétrica será inferior ao valor norepresentatividade de cerca de 30% caso da utilização durante o dia,sobre o total movimentado no elo devido às variações nas tarifas.dos insumos. Essas empresasrepresentaram uma movimentação Para estimar o valor gasto comfinanceira de pouco mais de energia elétrica nos sistemas deUS$900 milhões em 2016. irrigação, considerou-se um valor médio de R$350,00 por hectare porEnergia Elétrica mês. Também levantou-se que a cadeia de hortaliças no Brasil temO principal consumo de energia uma taxa de utilização de irrigaçãoelétrica no cultivo de hortaliças é de 80%. Esses valores são oriundosaquele destinado aos sistemas de de entrevistas com empresasirrigação. O valor consumido é especializadas em irrigação.altamente variável de acordo com aestratégia de irrigação utilizada Partindo-se dessas premissas, nopelos produtores. O período que o ano de 2016 o setor de produção desistema é utilizado influencia hortaliças movimentou cerca dediretamente no gasto, por exemplo, US$541,7 milhões com energia elétrica.22
2.1.2 Equipamentos e Materiais presente estudo foram consideradosde Consumo nesse segmento irrigação, tratores,Equipamentos e materiais de consumo implementos, estufas, ferramentas esão entendidos como itens de utensílios. A tabela 8 resume ainvestimento da produção agrícola. No movimentação financeira total estimada para a cadeia de hortaliças no Brasil em 2016.Tabela 8. Movimentação financeira com equipamentos e materiais de consumo na cadeia dehortaliças em 2016 FATURAMENTO DAS EMPRESAS FORNECEDORAS DE EQUIPAMENTO E ITENS DE INVESTIMENTOInsumo Faturamento (US$ milhões) Representatividade (%)Irrigação $189,60 72%Tratores $38,76 15%Implementos $2,72 1%Estufas $27,47 10%Ferramentas e utensílios $4,87 2%TOTAL $263,42 100%Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de Agrianual-FNP, CEPEA, CONAB,EMATER e entrevistasDe acordo com a tabela nota-se que os somente com o uso da irrigaçãoitens de maior representatividade no (TESTEZLAF et al. 2002). Vale destacarsegmento analisado são irrigação, com que o sucesso das estratégiascerca de 50% do total movimentado e envolvendo sistemas de irrigação estátratores com participação de cerca de diretamente relacionado com o40% no total. dimensionamento e manejo adequados, a qualidade da águaIrrigação utilizada e a aplicação uniforme, no momento oportuno e na quantidadeA irrigação é uma técnica que se aplica desejada (MAROUELLI; SILVA; SILVA,na produção agrícola, a fim de garantir 2008).o fornecimento hídrico necessário àsculturas. O principal objetivo é A irrigação por gotejamento consisteproporcionar humidade adequada para em um sistema onde mangueirasas culturas inclusive em períodos secos aplicam a água, gota a gota, próxima à(SEBRAE, 2016). raiz da planta, sendo que as culturas que mais utilizam esse tipo de sistemaEm se tratando de hortaliças, pode-se são alface, abóbora cabotiá, abobrinha,dizer que culturas de ciclo curto, como coentro, couve-flor e tomate.tomate, alface e outras com alta Alternativas à irrigação porexigência hídrica, são viabilizadas23
gotejamento, algumas culturas utilizam De acordo com entrevistas comirrigação por pivô central, cujo especialistas, chegou-se a umamecanismo utilizado é o de aspersão. estimativa de que 80% do total da áreaDentre essas culturas destacam-se de hortaliças no Brasil já conta comalho, batata, beterraba, cebola, algum sistema de irrigação, seja ele porcenoura, pimentão e tomate (SEBRAE, gotejamento ou por pivô central.2016). Para estimar a movimentaçãoOs sistemas de irrigação por aspersão financeira do setor de hortaliças comsão amplamente utilizados no cultivo irrigação, foram utilizados os valores dede hortaliças por se adaptarem com depreciação e manutenção anual demaior facilidade a questões como tipo cada um dos sistemas, multiplicadosde solo, topografia e características pela estimativa de área irrigada. Aagronômicas específicas de algumas tabela 9 mostra a estimativa dehortaliças. Já os sistemas de movimentação financeira com osgotejamento podem ser mais viáveis sistemas de irrigação analisados.técnica e economicamente paracondições específicas (MAROUELLI;SILVA; SILVA, 2008).Tabela 9. Movimentação financeira com sistemas de irrigação para hortaliças no Brasil MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA COM IRRIGAÇÃOTipo de Depreciação* Manutenção Área Total FaturamentoSistema (R$/ha) (R$/ha) Irrigada (ha) (US$ milhões)Gotejamento R$ 350,00 R$ 2.240,00 206.756 $153,73Pivô Central R$ 400,00 R$ 160,00 223.090 $35,86Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de entrevistas com especialistas* Investimento inicial / vida útilTratores e Implementos considerou o total de horas utilizadas na produção das hortaliças e aOs tratores e implementos são quantidade de tratores e implementosessenciais para a produção de algumas agrícolas necessária, tendo como basehortaliças. O nível de tecnologia de um a vida útil e o valor unitário de cadacultivo está diretamente ligado ao uso trator ou implemento agrícola.de máquinas em todo o ciclo deprodução. Do total movimentado, 93% correspondem a tratores e 7% estáO faturamento do setor com o mercado relacionado aos implementos.de hortaliças foi de aproximadamenteUS$ 41,5 milhões, sendo que a Estufasestimativa de movimentação financeira24
As estufas são importantes para a diferentes culturas difundidas porprodução de algumas hortaliças. A quase todo território nacional, sendopartir delas, é possível que a produção algumas mais concentradas e outrashortícola seja constante e em todas as menos.épocas do ano. Além disso, as estufasproporcionam produtos de maior As regiões Sudeste e Sul, por exemplo,qualidade, padronizados e o aumento são destaque na produção de alface,da produtividade (RESENDE, 2013). principalmente pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ePara se chegar à movimentação Paraná. (CASA DO PRODUTOR RURAL,financeira do setor de hortaliças com 2015).estufas, foram levantados valores juntoa produtores e especialistas, dessa No caso da beterraba, o Paraná é omaneira, chegou-se a uma líder em produção, onde em suamovimentação financeira total de maioria, é feita por pequenosaproximadamente US$ 27,5 milhões. produtores buscando alternativas para a sua renda, investindo em tecnologiaFerramentas e Utensílios para competir com o restante da produção nacional. Outros estadosAs ferramentas e utensílios são importantes para a produção daessenciais, principalmente para as hortaliça são: São Paulo, Minas Gerais,culturas menos tecnificadas e que Rio Grande do Sul e Bahia (TIVELLI etutilizam pouca tecnologia em seu al., 2011).manejo. O faturamento desses itenschegou a aproximadamente US$ 5 O alho tem sua produção concentradamilhões. nas regiões Sul, Sudeste e Centro- Oeste, partindo dos estados de Goiás,2.2 Nas Fazendas Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. A cidadeO elo aqui nomeado “Nas Fazendas” goiana de Cristalina se destaca nocontempla a produção de hortaliças no cenário nacional do bulbo, sendocampo e o faturamento dos produtores conhecida como a “capital do alho”,com a venda dessas hortaliças, seja onde há grandes investimentos empara o atacado, varejo ou mercado tecnologia, proporcionando uma altainternacional. produtividade na região (ARAÚJO, 2011; BRAGA, 2016).A produção das hortaliças no Brasilconfigura-se por ser um mercado O cálculo da estimativa da produção dealtamente diversificado, contando com hortaliças no Brasil levou emmais de 100 cultivares, de alta consideração a área estimada de cadaperecibilidade, com predominância de uma das culturas presentes no escopomão de obra familiar e com suas do estudo e suas respectivas produtividades médias. A multiplicação 25
desses dois fatores tem como resultado A tabela 10 mostra as áreas ea estimativa do volume produzido no produtividades consideradas para aBrasil no período analisado. estimativa da produção de hortaliças no Brasil em 2016.Tabela 10. Área, produtividade e produção de hortaliças ÁREAS, PRODUTIVIDADE E PRODUÇÃO Cultura Área (ha) Produtividade (t/ha) Produção (ton)Abóbora Cabotiá 42.538 16,0 680.613Abobrinha 20.904 18,0 376.268Alface 91.172 18,6 1.701.872Alho 11.334 11,3 133.217Batata 134.243 34,6 3.934.288Beterraba 10.938 20,0 218.765Cebola 42.458 35,4 1.578.554Cenoura 22.254 48,3 752.196Coentro 73.938 15,0 1.109.063Couve-Flor 11.079 29,7 329.047Pimentão 11.188 49,6 554.904Tomate mesa 18.814 81,9 1.538.070Tomate indústria 46.448 81,8 3.803.167TOTAL 537.308 16.710.024Fonte: estimativas elaboradas a partir de ABCSEM; LPSA/IBGE; CAMARGO, 2011; CONAB;Agrianual, 2017; CNA/CEPEAComo pode ser visto na tabela, dentre transporte nas fazendas e aas culturas estudadas, a batata é a que classificação, são contabilizadas perdaspossui maior área de produção, seguida de produção, sejam elas por efeitospela alface e pelo tomate (industrial e climáticos, pragas, doenças, pisoteio demesa). Por outro lado, estão entre as máquinas, problemas com transporte eculturas de menor representatividade até mesmo inconsistência do produtoem área a beterraba, couve-flor, final com o padrão consumido no elopimentão e alho. final da cadeia. No setor de hortaliças, as perdas são altamente impactantesPara a análise do volume total na cadeia, sejam elas na produção ouproduzido e da movimentação na comercialização. A tabela 11 mostrafinanceira do elo é necessário ainda os percentuais estimados de perdas naconsiderar um aspecto de grande produção agrícola das hortaliçasimpacto na produção, que são as selecionadas para o estudo. A médiaperdas. Durante todo o processo de ponderada levou em conta oprodução, passando desde tratos percentual de perda de cada cultura eculturais, plantio e colheita até o sua área.26
Tabela 11. Estimativa de perdas na produção agrícola PERCENTUAL DE PERDAS NA PRODUÇÃO AGRÍCOLAAbóbora Cabotiá 20%Abobrinha 20%Alface 35%Alho 5%Batata 10%Beterraba 20%Cebola 5%Cenoura 30%Coentro 35%Couve-Flor 35%Pimentão 20%Tomate mesa 10%Tomate indústria 10%MÉDIA PONDERADA 20%Fonte: estimativas Markestrat baseadas em entrevistas com produtores.Analisando as culturas separadamente, batata e tomate, a perda por falta deconstata-se a existência de valores padrão é minimizada, sendodiferentes. As folhosas, por exemplo, contabilizadas majoritariamente assão menos resistentes e mais perdas no processo de produção esusceptíveis a mudanças ambientais, transporte. Para tomate e batata, comdessa forma, sua perda é elevada. No base nas entrevistas realizadas, foipresente estudo foi considerada perda considerada uma perda média de 10%.de 30% para folhosas. Tendo estimados os volumes totaisApesar de serem mais resistentes, produzidos e as perdas no elotubérculos, raízes e bulbos também produtivo, pode-se estimar o volumecontabilizam altas perdas no campo. total comercializado pelos produtoresGrande parte dessa perda é oriunda do de hortaliças no ano de 2016. A médiapadrão de consumo final dessas de preços levantada pelo estudohortaliças. Parte significativa da permite que seja estimada aprodução de cenoura, beterraba e movimentação financeira total do elo.batata para consumo in natura é A tabela 12 mostra a relação entredeixada no campo ou descartada no esses fatores e o valor totalmomento da classificação por não estar movimentado.no padrão desejado pelo consumidorfinal.No caso de hortaliças destinadas àindústria de processamento, tais como27
Tabela 12. Movimentação financeira do elo “Nas Fazendas” MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DO ELO \" NAS FAZENDAS\" Cultura Produção (ton) Perdas (%) Valor ao Faturamento Produtor (R$/kg) (US$ milhões)Abóbora Cabotiá 680.612,80 20% R$ 1,05 $164,29Abobrinha 376.267,50 20% R$ 1,20 $103,80Alface 1.701.872,38 35% R$ 1,21 $384,63Alho 133.217,00 5% R$ 10,75 $390,94Batata 3.934.288,00 10% R$ 1,58 $1.607,63Beterraba 218.765,40 20% R$ 1,09 $54,82Cebola 1.578.554,00 5% R$ 1,12 $482,64Cenoura 752.196,35 30% R$ 1,16 $175,51Coentro 1.109.063,25 35% R$ 2,78 $575,88Couve-Flor 329.046,60 35% R$ 1,00 $61,46Pimentão 554.903,97 20% R$ 1,58 $201,55Tomate mesa 1.538.069,84 10% R$ 1,72 $684,18Tomate indústria 3.803.167,15 10% R$ 0,20 $196,72TOTAL 16.710.024 $ 5.084,05Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de ABCSEM, LSPA/IBGE, IEA, CEPEA,EPAGRI, SEABA área total considerada no estudo movimentação financeira da cadeia dechega a aproximadamente 540 mil hortaliças, tendo em vista que ohectares, sendo a batata e alface os de consumo de produtos processados estámaior representatividade. Vale pontuar cada vez mais presente no dia a dia dosque a área contabilizada considera o consumidores, seja pela praticidade ounúmero de safras da cultura em um pela sua maior durabilidade.ano, ou seja, se determinada cultura écultivada e colhida duas vezes ao ano, A indústria de minimamentesua área total contabilizada será amultiplicação da área nominal por dois. processados contempla processosConclui-se, assim que, no ano de 2016, como seleção, classificação, lavagem,o elo produtivo do setor de hortaliçasobteve uma movimentação financeira embalagem, congelamento, entrede aproximadamente US$ 5 bilhões. outros, a depender da hortaliça em2.3 Após as Fazendas2.3.1 Indústria questão (MELO et al., 2012). O volumeO elo da indústria engloba os produtos produzido que é destinado paraminimamente processados e produtosindustrializados. Este elo possui uma minimamente processados varia degrande representatividade na acordo com a cultura. Estima-se que hortaliças como cenoura, beterraba e cebola têm cerca de 5% de seu total produzido, destinado a minimamente processados. Já as culturas como alho, batata e28
abóbora contam com desidratados chegam ao consumidor final em forma de fatias finas (batataaproximadamente 10% destinados a chips) ou raladas (batata palha) e possuem uma forte aceitação doesse tipo de processamento. consumidor brasileiro. Os produtos congelados englobam as batatas pré-Os processados ou industrializados são fritas e congeladas, podendos estar naaqueles que passam por algum forma de purês ou de batata palitoprocesso de transformação, sendo que (BERBARI e AGUIRRE, 2002).para fins deste estudo, as hortaliçasmais representativas consideradas Dada a grande dificuldade em acessarforam o tomate e a batata (MELO, et dados das indústrias de processados, aal., 2012). estimativa da movimentação financeira com o elo industrial partiu daOs produtos processados do tomate estimativa de vendas de produtosvariam desde purês e extratos de processados e minimamentetomate, até produtos com maior nível processados nos supermercados. Ode transformação como o ketchup, por cálculo descontou o markup estimadoexemplo (TETRAPAK, 2017). para a distribuição. A tabela 13 mostra o montante movimentado no eloPara a batata, os produtos industrial.industrializados podem ser divididosem desidratados e congelados. OsTabela 13.Faturamento da Agroindústria Processadora de Hortaliças FATURAMENTO INDÚSTRIA Tipo de produto Faturamento Representatividade (%) (US$ milhões)Minimamente Processadas $214,82 11% Processadas $1.713,64 89% TOTAL $1.928,46 100%Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de entrevistas com empresasprocessadoras de hortaliças e especialistasComo pode ser visto, o elo da indústria cadeia chegar até o consumidor final.movimenta um total de Até a década de 80, as vendas deaproximadamente US$2 bilhões, sendo hortaliças eram realizadas em feirascerca de 10% com minimamente livres, pequenos mercados e quitandas,processados e 90% com processados. sempre próximos ao consumidor final. Após esse período, com o crescimento2.3.2 Distribuição das cidades e expansão de supermercados e hipermercados, aO elo da distribuição é aquele distribuição de hortaliças passou a serresponsável por fazer o produto da realizada por diferentes canais que29
podem se relacionar de formas diversas produtores, com pouca concentração(LUENGO, et al. 2007). da produção.O modelo mais simples é a Para se chegar numa estimativa maiscomercialização direta do produtor ao próxima da realidade no elo daconsumidor final. Isso pode ser feito distribuição, foram feitas estimativasem bancas próprias e feiras livres, sem com base nas vendas dos Ceasas para ointermediários. Outra modalidade é a atacado e nas vendas dosvenda dos produtores diretamente supermercados para o varejo.para as redes varejistas, que por suavez acessam o consumidor final. Essa É importante pontuar que existem háforma de comercialização é mais diversas configurações de canais decomum para hortaliças altamente distribuição atualmente. Existemperecíveis, como folhosas, por exemplo grandes redes de supermercados, por(LUENGO, et al. 2007). exemplo, que já possuem centrais de distribuição próprias, onde as comprasO fluxo mais comum para que a são feitas diretamente dos produtoreshortaliça chegue do produtor ao seu e distribuídas para todas as suas lojas.consumidor final é a passagem por Em um cenário de verticalização aindaalgum tipo de atacado. Nesse sentido, maior, podem-se ver redes deos Ceasas figuram como importantes supermercado com produção própriaplayers no segmento atacadista de determinadas hortaliças. No(LUENGO, et al. 2007). presente estudo, essas particularidades não foram mapeadas, sendo que essasOutra modalidade que tem crescido modalidades estão contempladas nocom a expansão das redes de elo do varejo.supermercados são as distribuidoras,que recebem as hortaliças tanto dos Atacadoprodutores como dos Ceasas e asredistribuem para o varejo. Grandes Considerando o elo do atacado, éredes varejistas têm atuado também importante destacar um importantecomo uma dessas centrais de player de comercialização que são asdistribuição que atendem suas próprias Centrais Estaduais de Abastecimentolojas e podem até criar marcas próprias ou CEASAS. Na década de 60, o Brasil separa revender em lojas menores viu na necessidade de regulamentar o(LUENGO, et al. 2007). comércio hortigranjeiro, pois o setor passava por uma crise e falta deEstimar qual percentual das hortaliças padronização. As perdas eram elevadascomercializadas passaram por cada um e os produtores não tinham espaçodos canais é um desafio, tendo em vista para comercializarem seus produtos,a variedade de hortaliças presentes no causando um desestímulo dos mesmos.escopo do trabalho e a característica Sendo assim, os CEASAS surgiram edessas cadeias de pequenos 30
passaram a assumir um papel aos CEASAS, apenas 70% éimportante não só para a comercializado de fato.comercialização das hortaliças, mastambém na geração de empregos Considerando as perdas, esse(MOURÃO, 2008). importante player foi responsável porAtualmente, cerca de 28% de todas ashortaliças comercializadas passam movimentação financeira depelos CEASAS, sendo que foramestimadas perdas de cerca de 30% nas aproximadamente US$ 2 bilhões.mesmas, ou seja, de tudo que chega A tabela 14 mostra o volume de hortaliças que passaram pelas CEASAS em 2016, o total comercializado e os preços médios praticados.Tabela 14. Volume de hortaliças que passaram pelas CEASAS em 2016, perda média,quantidade comercializada, preço médio e valor total movimentado MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NOS CEASAS % produção Quantidade de Perdas Quantidade R$/kg Valor totalCultura destinada aos entrada nos CEASAS consideradas Comercializada movimentado CEASAS (t) nos CEASAS (t) (mi US$)Abóbora cabotiá 13% 87.081,97 60.957,38 1,90 33,3Abobrinha 38% 144.034,80 100.824,36 1,77 51,14Alface 6% 105.207,15 73.645,01 2,38 50,32Alho 62% 82.724,46 57.907,12 16,91 281,14Batata 30% 1.177.269,33 824.088,53 2,47 584,45Beterraba 62% 135.189,18 94.632,43 1,79 48,51Cebola 33% 524.466,58 30% 367.126,61 2,16 227,39Cenoura 50% 375.356,11 262.749,27 2,04 153,83Coentro 1% 8.354,46 5.848,12 5,87 9,86Couve-flor 25% 83.163,52 58.214,47 2,59 43,37Pimentão 30% 164.313,30 115.019,00 3,53 116,57Tomate 68% 1.039.944,90 727.961,43 2,34 488,24TOTAL 2.088,12Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de SIMAB/PROHORT e ABCSEM eLPSA/IBGENota-se que, com o passar dos anos, certa estabilidade nesse canal deapesar dos CEASAS aumentarem seu distribuição. O gráfico 2 mostra avolume de vendas, esse aumento não é evolução das vendas em volume e valoraltamente significativo, o que indica dos últimos 5 anos.31
Gráfico 2. Histórico dos últimos 5 anos de vendas dos CEASAS4.000.000 12.000,00 10.000,003.900.000 8.000,00 6.000,003.800.000 4.000,00 2.000,003.700.000 ,00Toneladas R$ milhões3.600.0003.500.0003.400.0003.300.0003.200.000 2012 2013 2014 2015 2016 Quantidade (t) Valor (R$) MilhõesFonte: elaborado pela Markestrat a partir de SIMAB/PROHORTNos últimos 5 anos, as vendas dos que cerca de 8,5% de todo valorCEASAS aumentaram cerca de 5% em faturado pelos supermercados tenhavolume, porém, em valor, esse sido de origem do setor de FLV.percentual foi de 80%, ou seja, ospreços pagos pelas hortaliças Esse setor se enquadra dentro de umaumentaram em proporções muito segmento muito analisado nosmaiores, indicando a tendência de que supermercados, que é o segmento deos produtos hortícolas têm se perecíveis. Outros itens consideradosvalorizado no mercado consumidor. nesse segmento são flores, itens de padaria e açougue.Varejo Os itens perecíveis dentro dosPara o cálculo da movimentação supermercados são responsáveis porfinanceira no varejo, foi considerada a grande parte da movimentação internaparticipação das hortaliças do presente de pessoas, tendo em vista queestudo no total do setor de FLV periodicamente eles devem sercomercializado pelos supermercados, repostos nos lares. Nota-se que os diasestando subdivididas em in natura, de maior movimento nas lojasminimamente processadas e varejistas acontecem juntamente comprocessadas. as promoções de itens perecíveis, tais como FLV. Quando o cidadão vai até oO primeiro número de destaque supermercado para se abastecer delevantado foi o percentual que o setor itens como hortaliças e frutas, elede FLV representou nas vendas totais acaba por consumir outros itensdos supermercados em 2016. Estima-se diversos ali presentes.32
Vale destacar também a importância faturamento das hortaliças emdos itens perecíveis na atração e questão. Já para minimamentefidelização do consumidor ao ponto de processados, o percentual consideradovenda. O consumidor tende a retornar foi de 3,5% sobre o total de FLV.em locais onde encontra frutas,verduras, legumes, carnes, etc de mais O índice utilizado para o cálculo dosalta qualidade ou em linha com o industrializados foi o valor da venda depadrão de consumo desejado. produtos selecionados, tais como ketchups, batata chips, batataEstimou-se que do total de FLV in congelada, massa de tomate, entrenatura e minimamente processado outros, sobre o valor total decomercializado pelos supermercados faturamento dos supermercados noem 2016, as hortaliças in natura ano de 2016. Esse índice foi de 3%. Épresentes no escopo do projeto importante destacar que todos essesresponderam por cerca de 35%. Vale percentuais foram validados porlembrar que as frutas têm grande entrevistas com varejistas. A tabela 15representatividade nesse segmento, o mostra a movimentação financeira dasque reduz a representatividade do hortaliças no varejo.Tabela 15. Movimentação financeira de hortaliças in natura, minimamente processadas eindustrializadas MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO VAREJO Tipo de Produto Faturamento (US$ milhões) Representatividade (%)In natura $2.900,75 47%Minimamente Processados $300,75 5%Industrializados $2.943,94 48%TOTAL $6.145,44 100%Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de entrevistas com empresas eespecialistas do varejoNa tabela, nota-se que, apesar do Mercado Externoconsumo ser crescente, osminimamente processados ainda Quando se fala de mercado interno erespondem por parte pequena da externo devem ser considerados osmovimentação financeira do varejo. produtos da cadeia que foramProdutos in natura e industrializados exportados e aqueles que entraram nocontabilizam movimentação financeira país para suprir alguma demanda nãocompatível, sendo que os três atendida pela produção interna.segmentos juntos movimentaram em2016 cerca de US$ 6 bilhões. Na cultura do alho, por exemplo, embora o Brasil tenha todas as características de clima e solo propícias para o cultivo, a produção interna33
supre apenas cerca de 35% da cerca de US$ 23 milhões, sendo que asdemanda brasileira, obrigando o país a importações representaram poucoimportar cerca de 65% do total mais de US$ 800 milhões, ou seja,demandado da Argentina e, apesar do volume importado não serprincipalmente da China tão representativo no total consumido,(UNIVERSOAGRO, 2014). o Brasil ainda é um país importador de hortaliças. O gráfico 3 mostra aAs exportações de hortaliças, seja in evolução das exportações enatura, minimamente processadas ou importações de hortaliças ao longo dosprocessadas em 2016, movimentaram últimos 10 anos.Gráfico 3. Série histórica de exportações e importações de hortaliças 900 798 820 800 670 636 675 648 700US$ FOB (mi) 600 553 500 400 349 359 272 300 200 40 39 19 21 17 10 14 12 23 100 47 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 0 2007 Exportações ImportaçõesFonte: elaborado pela Markestrat a partir de Secex/MDIC, 2017Como pode ser visto no gráfico 2, vendem o produto principal dessaenquanto nos últimos 10 anos as cadeia produtiva.importações cresceram cerca de 200%,as exportações caíram pela metade. Os facilitadores considerados nesseEssa tendência indica que ainda existe estudo foram selecionados tendo comogrande oportunidade no mercadointernacional para as hortaliças do base o custo de produção das principaisBrasil. hortaliças estudadas, sendo que os agentes considerados no presente2.4 Agentes Facilitadores estudo foram: laboratório e análises, assistência técnica e treinamentos,Os agentes facilitadores são aqueles assessoria e consultoria em gestão,que prestam alguma espécie de serviço associações e sindicatos, seguro dena cadeia produtiva de flores e plantas máquinas e benfeitorias e frete eornamentais, porém não compram ou carregamento. Vale pontuar que, de acordo com a definição e a variedade 34
de hortaliças existentes no mercado, a A tabela 16 mostra os valorescadeia conta com diversos outros movimentados estimados para essefacilitadores que não foram importante segmento.considerados no estudo.Tabela 16. Movimentação financeira pelos agentes facilitadores considerados no estudo MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DE AGENTES FACILITADORES Setor Faturamento Representatividade (%) (US$ milhões)Laboratório e Análises $3,41 1%Assistência Técnica e Treinamentos $83,05 36%Associações e Sindicatos $11,57 5%Assessoria e Consultoria em Gestão $15,78 7%Seguro de Máquinas e Benfeitorias $19,46 9%Frete e Carregamento $94,69 42%TOTAL $227,96 100%Fonte: estimativas elaboradas pela Markestrat a partir de entrevistas com empresas dossetores, especialistas, Agrianual-FNP, CEPEA e CONABComo pode ser visto na tabela acima, específicas, o valor movimentado aindados agentes facilitadores considerados, é altamente significante.o que têm maior representatividade namovimentação financeira do segmento Para o cálculo da massa salarial, foisão o frete e carregamento, seguidos considerada a necessidade de mão dede assistência técnica e treinamentos. obra para cada uma das hortaliçasO total movimentado pelos agentes estudadas, sendo que o cálculo foifacilitadores foi de US$ 228 milhões. dividido por operações tais como plantio, tratos culturais e colheita. As2.5 Mão de Obra informações utilizadas nos cálculos foram oriundas de entrevistas eA massa salarial corresponde a toda diversas bases de dados secundários,remuneração dos colaboradores como Agrianual/FNP, CNA/CEPEA eenvolvidos diretamente na cadeia de EMATER. Vale destacar que, devido àshortaliças, sem considerar os encargos. limitações de dados e acesso àsApesar de existir informalidade na empresas dos setores da indústria econtratação desses colaboradores, distribuição, o presente estudo apontamuitas vezes pelo fato de parte dos somente a massa salarial no elo depostos de trabalho ser temporários, de produção agrícola da cadeia, que foiacordo com a safra das hortaliças estimada em US$ 892.433.172,00.35
2.6 Impostos impostos referentes à circulação de insumos agrícolas, evitando-se assimForam estimadas as arrecadações de uma dupla contagem desses tributos.impostos obtidas com a Chegou-se a um total de impostoscomercialização de produtos ao longo agregados de US$ 2 bilhões,de toda a cadeia produtiva de considerando que a arrecadação com ahortaliças ao longo do ano de 2016, comercialização de insumos foiconsiderando as 12 culturas contidas estimada em US$ 597 milhões.no escopo do estudo. Os tributosconsiderados foram: FUNRURAL, IPI,PIS, CONFINS e ICMS.A estimativa referente ao montantetotal de impostos sobre as vendas emtoda esta cadeia foi de US$ 2,6 bilhões.Para se chegar ao total de impostosagregados subtraíram-se deste valor osTabela 17. Impostos da cadeia de hortaliças (em US$ milhões) 2.602,99 Total impostos sobre Vendas 596,98 Imposto Elos iniciais - Insumos Agrícolas Equipamentos / Insumos Industriais 596,98 Total 2.006,01 Impostos AgregadosFonte: elaborada pelos autores2.7 Limitações da Quantificação diversas outras não foram consideradas, ou seja, já se tem umaQuantificar uma cadeia com uma gama lacuna de faturamento, seja comtão extensa de produtos, complexa, insumos agrícolas, no elo das fazendas,difundida em todo o território nacional com a venda dos produtos pelose com predominância de pequenos produtores e também na venda dosprodutores já é um desafio por si só. CEASAS.Vale destacar nesse item que, devido àslimitações encontradas no presente O acesso a dados primários também foitrabalho, as estimativas limitam-se ao uma limitação encontrada no estudo,escopo e método de trabalho. principalmente no que se diz respeito à indústria de alimentos processados.A escolha das doze culturas presentes Dessa maneira, as estimativas desse elono escopo do trabalho buscou foram baseadas nas vendas finais dacontemplar aquelas de maior cadeia, não obtendo outrasrepresentatividade no setor, porém, informações, tais como mão de obra utilizada nesse elo, insumos industriais, 36
canais de distribuição, entre outros. hortaliças, em seus diversos elos, comoDevido à diversidade de produtos insumos, produção agrícola, indústrias,industrializados que levam hortaliças distribuição e consumidor. Ao longoem suas composições, em diferentes deste estudo, foi mostrada apercentuais, foram inseridos os dados importância econômica e social destade faturamento com os processados cadeia para o Brasil, bem como umamais relevantes para o negócio dos estimativa de sua magnitude. Agoraentrevistados. cabe reconhecer quais são os desafios que esta cadeia tem enfrentado e quaisA grande diversidade de produtos da as tendências podem ser observadas.cadeia trouxe consigo a dificuldade de Ao final, é proposta uma agendase chegar a uma proporção de vendas estratégica visando superar os desafiosnos diferentes canais de distribuição. e aproveitar as tendências eDessa maneira, foi possível quantificar oportunidades. Este capítulo foias vendas nos CEASAS como atacado e construído com base em entrevistas,chegar-se a uma estimativa das vendas com agentes dos diversos segmentosdos supermercados por meio de dados da cadeia produtiva de hortaliças, bemprimários levantados com agentes como foi realizada uma extensadesse elo. pesquisa de dados secundários em bases científicas e comerciais.Apesar do grande desafio de sequantificar pela primeira vez a cadeia 3.1. Desafios e tendênciasprodutiva de hortaliças, os númeroslevantados pelo trabalho são Por figurarem como um mercadoestimativas consistentes produzidas por altamente diversificado, é possívelmeio da aplicação de um método elencar diversos desafios ecientífico publicado por periódicos oportunidades para essa cadeia. Paranacionais e internacionais e já aplicado efeitos didáticos, são tratados nesteem diversas cadeias produtivas. estudo ambos segmentados por elo daEntende-se que, novas pesquisas nesse cadeia produtiva, seguindo a ordem dosentido, tendo esse trabalho como capítulo anterior, de quantificação.ponto de partida, trarão cada vez mais Muito dos desafios e tendênciasdetalhes e mais assertividade, apresentados em um elo tambématingindo o seu objetivo de mostrar a dizem respeito a outros, porém, paragrandeza de um setor de tamanha melhor organização dos tópicos, foramimportância. pontuados no elo que mais se aproxima.3. Desafios e tendências nacadeia produtiva de hortaliças Antes da FazendaEste tópico trata dos desafios e O elo antes da fazenda, quetendências para cadeia produtiva de compreende os insumos agrícolas para a produção de hortaliças, possui alguns37
desafios e tendências, das quais se da cadeia de hortaliças comodestacam: um todo, maior importância Produtos fitossanitários: assim como as demais culturas tem sido dada a questões como agrícolas, as hortaliças também necessitam de produtos rastreabilidade e segurança fitossanitários que as protejam de pragas e doenças, garantindo alimentar. Nesse sentido, a produção e a produtividade desejadas. Exceções no uso diversas empresas já desse tipo de produto podem ser encontradas em cultivos começaram a olhar orgânicos. Além disso, a difusão de sistemas de produção em estrategicamente para o setor, ambientes protegidos (casas de vegetação controlada) também o que tem trazido evoluções contribui para a redução na utilização desses produtos. Para mais rápidas no sentido de a utilização de químicos nas diversas culturas é necessário desenvolvimento e registro de que os mesmos estejam registrados e regulamentados produtos para hortaliças. especificamente para a cultura alvo do produto. O grande Apesar da melhoria, muito desafio é a existência de relativamente poucos produtos ainda deve ser desenvolvido, registrados para hortaliças, o que restringe as alternativas principalmente no que diz para o produtor ou fazem com que sejam utilizados produtos respeito à velocidade e sem registro. Agravante dessa situação é o fato de que no investimento necessário para a passado as empresas de produtos fitossanitários tinham obtenção de um novo registro. poucos incentivos para o desenvolvimento e registro de Também com a publicação da IN produtos para hortaliças, pela baixa profissionalização e conjunta MAPA, Anvisa e Ibama volume movimentado pelo setor. Com as mudanças nos Nº 1/2014, que simplificou o hábitos de consumo e evolução registro para as pequenas 38 culturas, nas quais qual incluem as hortaliças, contribuiu para incentivar o registro para essas culturas. Controle biológico: seja pela pressão dos consumidores pela redução na utilização de defensivos químicos, ou pela queda da eficiência destes produtos diante do desenvolvimento de resistência pelas populações de pragas, a utilização de organismos vivos no controle de pragas e doenças tem se intensificado em diversos cultivos, inclusive na produção de hortaliças. Atualmente já existem mais de
130 unidades de produção de importância da cadeia de organismos para controle biológico, que incluem os hortaliças no contexto alimentar microrganismos (bactérias, vírus e fungos) e macro-organismos da população, mais altos (insetos predadores e parasitas). Sendo este um investimentos têm sido mercado relativamente novo, o crescimento de sua penetração destinados para o entre os produtores brasileiros depende da superação de desenvolvimento desse alguns desafios, como a ampliação da oferta de segmento. Vale destacar que o soluções, a regulamentação da pesquisa e do desenvolvimento setor vivencia uma migração da de produtos, a formação de mais profissionais técnicos fonte de recursos para esse tipo capacitados na área e a difusão do emprego do controle de investimento. No passado, a biológico no âmbito do manejo integrado de pragas. verba destinada era majoritariamente pública, com institutos de pesquisa dedicados. Dado o aumento da importância do segmento, atualmente diversas empresas privadas vêm destinando altos investimentos para o melhoramento genético de hortaliças, fato que acelera ainda mais o desenvolvimento do setor. Novos hábitos de Novos produtos: uma questão consumo são fortes que segue a mesma lógica direcionadores para o descrita para produtos desenvolvimento de cultivares, fitossanitários é o que vão desde produtos mini, melhoramento genético, produtos com coloração contando também com diferenciada ou sabor lançamento de novas excêntrico. Estes produtos variedades. Desde o início da ganham destaque agricultura, essa sempre foi uma principalmente nas mãos de atividade fundamental para o grandes chefes culinários. desenvolvimento das diferentes culturas, contribuindo para o Máquinas e equipamentos: Apesar da utilização de aprimoramento das questões máquinas e equipamentos no cultivo de hortaliças ainda ser agronômicas das plantas e para baixo, uma vez que a cultura conta com muita mão de obra o desenvolvimento de novos direta no campo, já é uma tendência, principalmente para cultivares, cada vez mais alinhados com as preferências alimentares da população crescente. Com o aumento da39
médios e grandes produtores o de investimento dos produtores aumento da mecanização. Cultivos como tomate, batata, e a demanda de diferentes cenoura e cebola já contam com máquinas e equipamentos materiais devido às (mesmo que importados) que vêm automatizando cada vez características climáticas mais os processos. A tendência existe, porém ainda não é a brasileiras. Desta forma, torna- realidade da maioria dos produtores do segmento, que se mais difícil diluir o custo de são pequenos, com baixa escala de produção, grande produção. diversidade de cultivos e pouca capacidade financeira para Nas Fazendas investimentos mais altos. O desenvolvimento de novas Os produtores de hortaliças terão de tecnologias em máquinas e encarar diversos desafios no futuro. equipamentos adaptados a essa Seja a definição de um padrão para a realidade ainda é pequeno. A produção de orgânicos; o mecanização no setor de superdimensionamento do plantio que hortaliças, para cada cultura reduz o preço de venda; a necessidade especificamente, ainda tem do estabelecimento de um banco de muito a ser desenvolvida, dados sólido de informações; os altos porém, dado o aumento custos da terra; a constante constante da importância do necessidade pela redução nos custos; setor no cenário econômico, os altos custos com operações essa é uma tendência para os manuais; a baixa disponibilidade de próximos anos. crédito; e a redução dos recursos hídricos são alguns exemplos de Escala: existe um baixo problemas que constantemente investimento em geração e afligem os produtores. Neste tópico renovação de tecnologias no serão detalhados os desafios e setor de hortaliças quando tendências que estão relacionados comparado a outras cadeias diretamente à produção agrícola de produtivas. Uma das principais hortaliças: causas é a questão da pequena escala, tendo em vista o Agricultura de precisão: a tamanho restrito das áreas agricultura de precisão já é uma produtivas, a baixa capacidade realidade em diversas culturas agrícolas, tais como grãos, cana de açúcar, entre outras. Atualmente, a modernização das lavouras não está ligada somente a uma maior utilização de máquinas e equipamentos,40
mas sim de evoluções existe um aumento de tecnológicas tais como a preocupação da sociedade com agricultura de precisão. No o consumo racional da água. segmento de hortaliças, a adoção de agricultura de Mecanização: como já tratado precisão ainda é baixa, mas, com a profissionalização do em itens anteriores, a evolução, setor, existe grande potencial de utilização dado os benefícios a profissionalização e o trazidos, tais como melhor gerenciamento dos dados da aumento de escala de algumas lavoura, aplicação variável de defensivos com a diminuição e culturas trouxeram consigo racionalização do uso de insumos, melhor exploração do maior viabilidade de potencial produtivo da cultura, economia em custos e tempos investimentos na mecanização. de aplicação, monitoramento de patógenos e até mesmo maior Hortaliças como batata, tomate padronização do produto final, o que pode agregar mais valor à e cebola estão à frente nesse produção no momento da venda. Assim como a sentido. De acordo com as mecanização, a tendência é a agricultura de precisão ser entrevistas, existe a tendência adotada inicialmente por agricultores maiores, com maior de se mecanizar toda a capacidade de investimento, porém, com a evolução do produção destas culturas e segmento, essa será uma realidade para mais ampla gama aumentar a mecanização das de produtores agrícolas. demais com o desenvolvimento Disponibilidade de água: atualmente as pessoas vivem de novas tecnologias. Essas em um ambiente em que cada vez se tornam mais frequentes evoluções tendem a gerar os períodos de seca. Em algumas propriedades até diversos ganhos para o setor, mesmo a água de poços artesianos tem ficado escassa e tais como o aumento de41 produtividade e a maior profissionalização da mão de obra empregada. Concentração da produção: a característica de cultivo em pequenas áreas, apesar de hoje ainda ser significativa, tem tendência de declínio devido ao aumento da distância entre áreas de produção e áreas de consumo, profissionalização do setor com aumento das produções em escala visando a uma redução de custos e maior competitividade comercial e pressão imobiliária sobre os
\"cinturões verdes\" das grandes smartphones representam a cidades. De modo geral, no Brasil inexiste planejamento fusão de diversos segmentos urbano de médio prazo e há uma tendência de aglomeração em um só aparelho. Fazendo populacional ao redor de grandes cidades, devido à falta parte do dia a dia de grande de emprego e renda que a ausência de desenvolvimento parte da população, os regional ocasiona. aparelhos carregam funcionalidades que resolvem muitas das necessidades cotidianas. Para os consumidores e produtores, essas ferramentas são de extrema utilidade, atuando Tecnologia: cada vez mais se fortemente em seu processo de exige do produtor a fazer mais compra por exemplo. Além de com menos. Para tal, uma obter mais informações sobre a solução é a de ganhar escala na empresa, produto e opinião de produção com adoção de outros consumidores, o fácil tecnologias como irrigação acesso aos preços dos produtos localizada, plasticultura, e a possibilidade de comparação monitoramento remoto, entre trazem ao consumidor maior outros. Apesar de inovações segurança em sua decisão de tecnológicas ainda não serem compra. Cada vez mais, o amplamente difundidas na desenvolvimento de aplicativos cadeia de hortaliças do Brasil, vem simplificar operações que em outros países a alta anteriormente pareciam de alta tecnologia já é amplamente complexidade, e na agricultura adotada no segmento. o cenário não é diferente. Monitoramento dos campos, irrigação de precisão, robótica, internet no campo e Estufas e climatização: apesar dos altos investimentos conectividade, sistemas aéreos necessários, os cultivos em estufas com sistemas de não tripulados são exemplos de climatização permitem uma produção com redução de uso tecnologias que tendem a de produtos fitossanitários, além de maior controle de avançar nos sistemas ganhos de produtividade e padronização, o que se encaixa produtivos. Em breve, estas nas novas demandas dos consumidores. Assim como a tecnologias serão cada vez mais acessíveis e adotadas no Brasil para produção de hortaliças. O uso de smartphones: ainda na linha de tecnologias, os42
mecanização e as novas produtores que fazem mau uso tecnologias, o cultivo em ambientes controlados tende a dos produtos, não seguindo as crescer no segmento. boas práticas previstas para Valorização da terra: nos últimos anos o Brasil cada cultivo ou até mesmo experimentou uma grande valorização nas terras agrícolas. fazendo uso de produtos não De acordo com Agra FNP, as terras valorizaram no período registrados para a cultura. As de 2007 a 2016, na região de Campinas, entre 61% a 251%, exigências do consumidor com dependendo da cidade e da cultura. Esta valorização levou relação a segurança alimentar muitos agricultores familiares a venderem suas terras e se tendem a intensificar a mudarem do campo. Acredita- se que, no médio prazo, as necessidade de certificações e valorizações de terras sejam mais brandas e naturais, rastreabilidade, o que impacta reduzindo o fluxo de migração do campo para as cidades. positivamente na Porém, atualmente observa-se que hoje não existe muita terra responsabilidade do agricultor disponível para o cultivo próximo dos centros urbanos. quanto à aplicação de produtos. Aplicação de produtos Gradativamente, produtores fitossanitários: a aplicação de produtos fitossanitários na que não se adequarem às horticultura é essencial, tanto para uma melhor qualidade do normas e boas práticas de produto, quanto para aumentos de produtividade e viabilização produção perderão espaço no das culturas. Sendo necessária a utilização destes produtos, a mercado. Esse é um bom sinal aplicação deve ser feita de forma correta e responsável. para a cadeia como um todo, Ainda hoje existem relatos de pois aos poucos seu nível de43 profissionalização vai aumentando. Todos ganham com isso: produtores, consumidores, meio ambiente e a sociedade como um todo. Certificações: para aumentar sua competitividade no mercado, diversos produtores de hortaliças já têm investido em programas de certificação, com a obtenção de selos que são valorizados pelo consumidor final. Em um sentido mais amplo, o certificado é uma garantia de qualidade, no entanto é necessário estabelecer um padrão que seja de fácil adoção e que seja adotado pelo
mercado como um todo. O capacitar os produtores, dar treinamentos e conhecimento,segmento de orgânicos, por para que estes produtores continuem o abastecimento deexemplo, já possui diversas toda a cadeia de suprimento, que tende a ser crescente nosiniciativas altamente próximos anos. Também a intensificação do intercâmbioconsistentes nesse sentido. de conhecimento com produtores de países referênciaCada vez mais áreas produtivas no cultivo e comercialização de hortaliças ajudaria a difundir asvêm aderindo a produção melhores técnicas de produção e práticas de gestão, adaptadasorgânica e aumentando a às realidades de cada região do Brasil.preocupação com soluções parapragas e doenças. Ademais, osorgânicos têm sido desafiados auma maior produção e a maisqualidade do seu produto. NoBrasil, já podem ser vistos casosde produtores que, após acertificação, dobraram suasvendas. Esse processo trazganhos diretos ao produtor, Venda direta e marca própria: omas também à sociedade que, acesso direto e a criação decada vez mais, tem acesso a marcas próprias dos produtoresprodutos de maior qualidade e rurais ainda são muito poucomais seguros para o consumo. praticados no Brasil, porém em outros países, como EUA e países da Europa, é uma prática Capacitação do produtor: parte que vem crescendo. Marcas significativa do cultivo de hortaliças está nas mãos de próprias, principalmente de pequenos produtores, muitos deles praticando agricultura supermercados, ganharam fatia familiar, dessa maneira, a capacitação ainda é um item de mercado durante a crise da que tem muito a ser desenvolvido, seja ela última década. Foi quando os relacionada a temas técnicos, temas de gestão e até mesmo consumidores se acostumaram temas que deem maior conhecimento de mercado para a isso, percebendo o valor por o agricultor. Ainda há uma baixa capacitação da maioria destes trás de um possível preço mais produtores. É preciso, uma parceria público-privada para baixo por um produto quase44 igual ou igual. Nesses países, os produtores ou grupos de produção também passaram a criar suas próprias marcas como forma de agregar valor ao seu produto final. Normalmente esses produtos são reconhecidos pelos
consumidores figurando como gradativamente, as mudanças um incentivo à produção local. de temperatura tendem a afetar Estes produtores, além da a dinâmica de desenvolvimento produção agrícola, criaram de patógenos. Sendo as produtos, já embalados para hortaliças culturas altamente venda direta para os susceptíveis a pragas e doenças, consumidores ou venda para institutos de pesquisa e grandes varejos. Outra desenvolvimento, bem como a tendência é a venda direta, do iniciativa privada, devem estar produtor para o consumidor atentos a essas mudanças para final. Nesse sentido cria-se a o desenvolvimento de novas ciência do movimento “compre tecnologias. local” para capturar oportunidade e a tendência de Depois das Fazendas conhecer seu produtor (onde meus alimentos são produzidos A partir do momento que o produto sai e por quem), construindo das fazendas, ele encontra outros ligações entre os consumidores desafios e tendências. É o que se trata urbanos e a vida rural. este tópico. Aqui serão apontados os desafios e tendências nas indústrias, na Organização dos produtores: distribuição e no consumo. diferente de outras cadeias, Indústria principalmente das de A indústria de processamento de hortaliças possui uma cadeia de commodities agrícolas, suprimentos muito delicada, com dificuldade no ajuste da oferta e geralmente os produtores de demanda. Ademais, os custos com mão de obra são elevados devido aos altos hortaliças não conseguem se custos de impostos; as hortaliças precisam de ambientes refrigerados organizar em entidades para manter o padrão de qualidade por um período maior; e existem vários representativas. Desta forma, pontos de contaminação que diminuem o tempo de prateleira dos produtos percebe-se um alto grau de processados; as hortaliças apresentam uma alta perecibilidade, o que competição entre os demanda agilidade em todo o processo produtores. Ademais, a falta de organização dificulta na capacidade de negociação com os distribuidores e com a indústria. Mudanças climáticas: estudos diversos (GUEDES, 2009) têm mostrado o impacto do aquecimento global nas culturas agrícolas. Indica-se que,45
industrial. Com base nisso destaca-se e na preferência do consumidor,como oportunidade de melhoria: tendem a continuar crescendo. Fornecimento de produtos e Produtos processados: os produtos processados seguem padronização: a capacidade de no mesmo sentido das demandas dos consumidores: uma indústria na área de produtos mais saudáveis, práticos, pré-preparados ou hortaliças é diretamente preparados, porções menores, rastreabilidade e certificações. restringida à quantidade e Os consumidores optarão cada vez mais por este tipo de qualidade de matéria-prima produto, seja para atender às “famílias de um” ou disponível. Os produtores de simplesmente para otimizar o tempo de preparo das refeições. hortaliça em geral são pequenos Esta é uma oportunidade para as indústrias de produtos e por vezes não conseguem processados investirem em inovação e criação de novos atender toda a demanda da produtos. indústria. Ademais, cada Comunicação: As empresas no setor de hortaliças têm a produtor adota manejos oportunidade de serem promotoras da saúde. Nesse diferentes um do outro, sentido, a indústria apresenta muitas oportunidades para ocasionando em produtos com criar, capturar e compartilhar valor em novos modelos de padrões físico-químicos negócio para o setor de hortaliças. diferentes. Isto dificulta a Distribuição industrialização, uma vez que os Os canais de distribuição têm desafios maquinários na indústria relacionados principalmente com a organização da cadeia produtiva de exigem uma uniformidade da hortaliças. Entre os fatores destacam- matéria- prima para melhorar o seu desempenho. No entanto, algumas cadeias conseguiram uma alta especialização e geralmente adotam áreas próprias ou altamente integradas de produção, como no caso do tomate rasteiro e da batata. Minimamente processados: a praticidade dos produtos minimamente processados continuará em linha com as demandas dos consumidores. Estes produtos que apresentaram um bom crescimento nos últimos anos, ganhando espaço de prateleira46
se as necessidades de diminuir a briga grande importância nesse sentidopor margens de comercialização; são a distância entre o local deestabelecer uma frequência de produção e o local de consumo, asuprimento; obter produtos com conservação das estradas e o custoqualidade; gestão de estoques; mix de dos combustíveis. Atualmente, oprodutos; previsibilidade de demanda e transporte de hortaliças no Brasil éadequação às novas formas de realizado majoritariamente porconsumo. Portanto, no setor de caminhões, com umadistribuição, os desafios e tendências predominância de caminhões baúencontrados são referentes aos canais ou cobertos com lonas, ambos semque vêm se destacando, conforme controle de temperatura, porémdetalhados a seguir: diversas empresas já têm investido na cadeia fria para o transporte Frequência e qualidade dos (LUENGO, et al., 2007). A tendência produtos: o setor de distribuição de aumento de caminhões depende da frequência do refrigerados é altamente benéfica fornecimento dos produtores para para a manutenção da qualidade e entrega aos consumidores. No durabilidade das hortaliças entanto, apesar das hortaliças transportadas. terem o ciclo produtivo curto, o tempo de prateleira também é Disputa por margens de muito pequeno. Desta forma, comercialização: os distribuidores necessita-se de produtos frescos nos centros de abastecimento por com grande frequência (em média vezes são considerados como 2x semana), o que nem sempre é detentores de um grande possível caso se tenha quebra no percentual da margem do produto ciclo do plantio ou até mesmo comercializado. No entanto, os redução na quantidade plantada altos custos de transporte, as com a redução no preço de venda. perdas na comercialização e os De outro lado, a qualidade dos prazos de recebimento por muitas produtos está sendo exigida além vezes são atribuídos a estes da aparência física, questões como agentes. Ademais, os distribuidores presença de defensivos e a também assumem o papel de presença de produtos químicos fornecedores de crédito para que proibidos tem adquirido cada vez os produtores também consigam mais importância. produzir e, desta forma, terem uma maior garantia de capacidade Transporte: outro fator que afeta de fornecimento. diretamente a qualidade e disponibilidade das hortaliças no mercado é o transporte. Fatores de 47
Consumo fora do lar: Com a commerce no Brasil deve dobrar mudança nos hábitos dos brasileiros, aumentou-se o de tamanho até 2021, chegando ao consumo de alimentos fora dos lares. De acordo com a pesquisa valor de R$ 84 bilhões. Neste encomendada pelo IFB (Instituto Foodservice Brasil), o setor de cenário, também ganha foodservice (alimentação fora de casa) vem crescendo no Brasil e, importância o comércio de nos últimos 5 anos, apresentou um aumento de 52% no período, alimentos on-line. Assim como o alcançando em 2016 um faturamento de R$ 184 bilhões. crescimento do consumo fora de Essa mesma pesquisa mostra que em 2002 a participação do casa e de novas demandas por foodservice na alimentação total do brasileiro foi de 24%. Já em parte do consumidor (que será 2016, este valor foi de 34%. Se comparar com os EUA, por mais detalhado no tópico de exemplo, a participação do foodservice na alimentação total consumo), o comércio on-line de do americano foi de 49%. Com esta tendência, canais como o alimentos tem apresentado foodservice, deverão ganhar mais importância na comercialização de crescimentos significativos. Ainda hortaliças. de acordo com pesquisa divulgada Compra on-line: o comércio on-line tem crescido bastante nos últimos pelo Google, os itens calçados, anos. De acordo com o estudo Webshoppers, realizado pela Ebit, roupas, beleza e alimentos o comércio on-line (e-commerce) no Brasil cresceu 137% em representavam, em 2010, 11% do faturamento nos últimos 5 anos, atingindo o valor de R$ 44,4 total de comercialização no e- bilhões, sendo os principais segmentos os eletrodomésticos commerce, porém deverão chegar (23%); telefonia/celulares (21%); eletrônicos (12,4%); informática a 25% em 2018. Há neste cenário (9,5%) e demais (34%). Ainda de acordo com o Google, o e- varejistas tradicionais, com a 48 prestação de venda e entrega de alimentos, mas que continuam com suas lojas físicas, mas também há varejistas puramente on-line, sem lojas físicas, apenas com depósitos e sistema logístico. Este segundo tipo deve ganhar importância. Apesar de não poder escolher os produtos fisicamente, o crescimento de produtos embalados e padronizados tende a dar maior confiança ao consumidor para fazer suas compras online, permitindo-lhe praticidade e garantia de produto. Ainda no sentido das compras on-line, a venda direta do produtor rural para o consumidor pode ser viabilizada desde que a logística e a
qualidade não sejam gargalos para movimentos por redução na ambos. pegada de carbono, que já são importantes na decisão de compra Redes sociais: o monitoramento em países mais desenvolvidos. das redes sociais pode fornecer uma fonte importante de Volatilidade nos preços: as informações para a empresa, tendo um feedback praticamente hortaliças têm uma alta instantâneo das reações dos consumidores frente às atividades volatilidade nos preços. Em da empresa. momentos de produção excedente Lojas próprias: existe forte tendência da indústria e até o preço inviabiliza até a colheita e mesmo de produtores acessarem os consumidores finais em momentos de falta algumas diretamente por meio de lojas próprias ou da união de produtores hortaliças ficam muitas vezes mais em feiras. Atualmente, a utilização de lojas próprias (integração caras de uma semana para outra. vertical) pelas empresas de alimentos também é vista como Esta instabilidade requer dos um laboratório de consumidores. As pesquisas ocorrem para distribuidores habilidades aumentar a experiência do consumidor e a percepção comerciais aguçadas, seja no gustativa até mesmo mudando texturas de alguns alimentos e momento da compra ou da venda. bebidas. Consumo Custos logísticos: estes devem ser constantemente monitorados. Para Em se tratando de consumo de algumas hortaliças existe um alto hortaliças, é importante destacar que o custo oriundo do frete da região Brasil ainda apresenta um consumo per produtora para a região capita inferior a diversos outros países, consumidora e desta para o isso se dá pela característica desse tipo consumidor. Algumas culturas de produto. São produtos com tiveram de migrar para regiões demanda de elevada elasticidade- com o custo da terra e a presença renda, ou seja, o aumento do consumo de pragas e doenças menores. por habitante supera o crescimento da Outro fator a se considerar são os renda per capita em termos percentuais, ou seja, com a melhoria na renda da população no país, a tendência é que o consumo também aumente. Essa relação está diretamente relacionada ao fato das hortaliças representarem produtos benéficos à saúde, com baixo nível calórico e altas taxas de vitaminas, fibras e sais minerais (ACCARINI, et al., 1999).49
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