A Medalha Fields, prêmio concedido a matemáticos que fizeram descobertas extraordinárias e relevantes para as áreas de ciência e de engenharia, era, até o ano de 2014, uma regalia apenas conquistada por homens. Mais tarde nesse ano, Maryam Mirzakhani, matemática iraniana-americana, torna-se a primeira mulher a ser condecorada com esse prêmio, inspirando muitas pessoas a seguirem seu caminho. Figura 1. Maryam Mirzakhani, 2014. [Fonte: https://www.britannica.com/biography/Maryam-Mirzakhani] Maryam nasceu em 1977 em T eerã, capital do Irã. Desde a sua infância, p ossuía tamanha imaginação e desejava se tornar uma escritora, acreditando que esse seria seu destino antes de conhecer seu talento no universo matemático. No ensino médio, passara a se interessar pela área e logo mais, aos 17 anos, t ornou-se a primeira mulher iraniana a receber a medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática, em 1994, recebendo o mesmo prêmio no ano seguinte. Posteriormente, ingressou na Universidade Tecnológica de Sharif, no Irã, onde graduou-se como bacharel em matemática no ano de 1999. Logo mais, na Universidade de Harvard, concluiu seu doutorado, no qual foi orientada por Curtis McCullen, ganhador da Medalha Fields em 1998, o mesmo afirmara que Maryam se distinguia dos outros estudantes por sua capacidade de formular questões que exigiam bastante imaginação. Por tamanha dedicação e reconhecimento a seu trabalho, a jovem matemática logo se tornou professora na Universidade de Princeton, sendo convidada a lecionar, anos depois, na Universidade de Stanford.
Figura 2. Math Pioneer: M aryam Mirzakhani “Pioneira matemática: Maryam Mirzakhani”. [Fonte: h ttps://125.stanford.edu/math-pioneer-maryam-mirzakhani/] Seus trabalhos incluíam diversas áreas. Dentre elas, estão o estudo de superfícies hiperbólicas, geometria complexa, diferencial, sistemas dinâmicos, probabilidade e topologia de dimensão baixa. No entanto, seu maior reconhecimento foi pelo trabalho envolvendo “a d inâmica e a geometria das superfícies de Riemann”, o qual, mais tarde, condecoraria-lhe com a Medalha Fields. As superfícies de Riemann podem ser entendidas como versões deformadas de um plano complexo. Considerando o fato de que uma reta seja o menor caminho entre dois pontos em um plano, geodésicas seriam, semelhantemente, curvas com menor comprimento que ligariam dois pontos em uma superfície complexa. Um de seus primeiros trabalhos envolvia a dedução de uma fórmula que pudesse calcular o número de geodésicas em uma certa superfície. Além disso, Maryam pôde resolver um dos problemas mais desafiadores d a área da matemática, analisando “as bolas de bilhar e as superfícies de Riemann”, trabalho no qual pôde investigar como acontecem os ricochetes em uma mesa de sinuca, envolvendo seu estudo de geometria complexa.
Figura 3. B illiards and Riemann surfaces “Bolas de bilhar e as superfícies de Riemann”. [Fonte: h ttps://impa.br/noticias/a-matematica-inspiradora-de-maryam-mirzakhani/] Finalmente, no ano de 2014, Maryam recebeu a Medalha Fields, prêmio concedido a matemáticos com menos de quarenta anos a cada quatro anos, no Congresso da União Internacional de Matemática (IMU) realizado em Seul, capital da Coréia do Sul. Mirzakhani recebeu seu prêmio juntamente com outros três estudiosos, Manjul Bhargava, matemático estadunidense de origem indiana, Martin Hairer, matemático austríaco e Arthur Ávila, matemático brasileiro e primeiro latino a receber a medalha. Figura 4. Da esquerda para a direita, Martin Hairer, Manjul Bhargava, Maryam Mirzakhani, ao lado da presidente da Coréia do Sul, e o último à direita, Arthur Ávila, recebendo a Medalha Fields. [Fonte: https://blogs.ams.org/phdplus/2014/08/20/leveling-the-playing-fields/]
A conquista que acabara de receber se tornou um símbolo de inspiração e conquista para muitas mulheres, principalmente no Irã. Por aparecer sem véu cobrindo a cabeça (hijab), considerado um tabu, pois se trata de um uso obrigatório, vários jornais acabaram publicando fotos antigas, nas quais ainda o usava. Para a surpresa de todos, o próprio presidente, Hassan Rouhani, publicou uma foto da matemática sem o véu em uma de suas redes sociais, mostrando o poder de transformação agregado ao seu triunfo. Por infortúnio, Maryam foi diagnosticada com câncer de mama no ano de 2013. Antes de ganhar a medalha, já realizava sessões de quimioterapia, no entanto, a doença acabou se espalhando para o fígado e ossos, resultando em seu falecimento n o dia 14 de Julho de 2017, aos quarenta anos de idade. A notícia foi lamentada por toda a comunidade acadêmica, pois, além da sua morte deixar uma lacuna na ciência e na matemática, sua presença era apreciada por todos os seus colegas, alunos e admiradores. Mirzakhani acreditava que era só uma questão de tempo para que muitas mulheres começarem a se destacar nessa área, pois as observava fazendo trabalhos de grande notoriedade e o crescimento de sua participação. Maryam era matemática, mas muitas vezes se comportava como artista, gostava de encher enormes folhas de papel, cheios de rabiscos, desenhos e corpos sem forma, tratando os objetos matemáticos os quais estudava como protagonistas, sempre em evolução, de livros, como dizia em suas mais famosas frases “A beleza da matemática só se mostra aos seus seguidores mais pacientes”. Referências: Artista dos Números. Alexandre Rodrigues. Disponível em https://piaui.folha.uol.com.br/materia/artista-dos-numeros/. Acesso em 30 de outubro de 2019. A matemática inspiradora de Maryam Mirzakhani. Impa. Disponível em https://impa.br/noticias/a-matematica-inspiradora-de-maryam-mirzakhani/. Acesso em 30 de outubro de 2019. Mulheres que mudaram a engenharia e a ciência: Maryam Mirzakhani. Larissa Fereguetti. Disponível em https://engenharia360.com/mulheres-que-mudaram-a-engenharia-e-a-ciencia-maryam- mirzakhani/. Acesso em 30 de outubro de 2019. A tribute to Maryam Mirzakhani. American Mathematical Society. Disponível em http://www.ams.org/profession/mirzakhani. Acesso em 31 de outubro de 2019.
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