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Vale Mais Dezembro & Janeiro 19'20

Published by info, 2019-12-04 07:25:10

Description: Vale Mais N.º70

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9 772183 750096 00070 PONTE DE LIMA CAPITAL DO SARRABULHO Comercializado desde 1860 VIANA DO CASTELO JOSÉ MARIA COSTA A defesa dos “Estaleiros” foi o período mais crítico da minha vida V. N. DE CERVEIRA BIENAL DE ARTE Sustentabilidade está em causa SENTIR O NATAL A magia e o simbolismo do Natal continuam a ser algo que o Alto Minho vive de forma intensa. É, por excelência, a época da confraternização, em que famílias e amigos distantes se reencontram, e se apela à solidariedade com os mais desfavorecidos. O frio não esmorece a animação e o encanto próprio da época. www.valemais.ptvisit#eN-n.º7o0s e::m#:dezembro’19/janeiro’20 :: 1#2019’20 :: #BIMESTRAL :: #PVP 1€ :: Diretor: José C. Sousa

Somamos famílias felizes Desejamos-lhe FELIZ NATAL E BOM 2020 Calvolima Monção Tlf :: 251 654 924 Calvolima Valença Tlf :: 251 002 131 2 visite-nos em: www.valemais.pt

Sumário Opinião Secções 14 | Adelino Silva Dos plátanos imponentes ao mercado altaneiro 18Futebol alto-minhoto: A reboque Desporto | 38 | Manuel Pinto Neves Valença e a Cultura III 20A importância do exercício especializado no pós-parto Saúde | 48 | Manuel Cunha_Pólen \"um pintor pinta imagens . . . 28Primeiro perguntar, depois fotografar Consultório Jurídico | 59 | Emília Cerqueira Assim vai o país 36Cheias e inundações. O que fazer? Proteção Civil | 62 | José Manuel Carpinteira Abraçar o futuro com esperança 46Temos turismo a mais? Turismo | 78 | M.ª Fátima Cabodeira Veneza e as Marés 54Tipo de relações Sexo & Amor | Reportagens CERVEIRA | 42 Um \"novo cunho\" 24 | ARCOS DE VALDEVEZ para o centro histórico Jacqueline Alves destaca-se em Concurso Internacional de Beleza 50 | MONÇÃO PONTE DA BARCA | 56 Entrevista a Zezé Fernandes CENSO destaca-se no envelhecimento ativo CAMINHA | 64 60 | PAREDES DE COURA I encontro de Ecoturismo & Gastronomia do Rio Minho Celebrou o 40.º aniversário do Serviço Nacional de Saúde PROPRIETÁRIA Calvolima, Lda | NPC 506 676 668 | Capital Social 50.000.00€ | Sede Avenida das Portas do Sol, n.º1047; 4950-500 Monção. DIRETOR José C. Sousa | DIRETOR ADJUNTO Manuel S. | REDAÇÃO José C. Sousa e Manuel S. | DESIGN GRÁFICO José C. Sousa. COLABORADORES Adelino da Silva (opinião); ANPC (proteção civil); Ao Norte (cinema); Brito Ribeiro (ambiente); Emília Cerqueira (opinião); Fátima Silva (opinião); José Emílio Moreira (opinião); José M. Carpinteira (opinião); Laura Couto (sexo&amor); Lígia Rio (saúde); Luís Ceia (opinião); Nelson Azevedo (turismo); Venâncio Fernandes (imobiliário); Lígia Rio (saúde); Luís Ceia (opinião); Nelson Azevedo (turismo); Venâncio Fernandes (imobiliário); Manuel Pinto Neves (opinião); Manuel Cunha (opinião); Paulo Gomes (desporto); Ana Rita Lebreiro (nutrição); VS Advogados (consultório jurídico); Manuel Pinto Neves (opinião); Manuel Cunha (opinião); Paulo Gomes (desporto); Ana Rita Lebreiro (nutrição); VS Advogados (consultório jurídico). | DEPARTAMENTO COMERCIAL Marta Tomé - Contactos: [email protected] | T. +351 925 987 617. | IMPRESSÃO Lidergraf Sustainable Printing - Rua do Galhano, 15 (EN13) - Árvore; 4480-089 Vila do Conde | DISTRIBUIÇÃO Vale mais | PERIODICIDADE Bimestral | TIRAGEM 5.000 exemplares | DEPÓSITO LEGAL 338438/12 | REGISTO na ERC 126166 | CONTACTOS: T. +351 251 654 927 | M. +351 925 987 617 | EMAIL: [email protected] | SITE: www.valemais.pt | REDES SOCIAIS Pode consultar o Estatuto Editorial em www.valemais.pt | O Acordo Ortográfico utilizado pelos colaboradores é da sua exclusiva responsabilidade. Os textos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores, não obedecendo, necessariamente, à linha editorial desta publicação. A Vale Mais é alheia ao conteúdo da publicidade externa. A sua exatidão e/ou veracidade é da responsabilidade exclusiva dos anunciantes e empresas publicitárias. visite-nos em: www.valemais.pt 3

Editorial aOnoNaatjaál está a chegar, com o entusiasmo e o movimento habitual nesta altura do se fazer notar. As ruas e praças das nossas urbes estão decoradas com os elementos icónicos da época e as autarquias apostam forte numa animação que pretende atrair locais e visitantes. Ocomércio também puxa os seus galões, A gastronomia é também um dos elementos procurando cativar os clientes, sabendo identitários mais icónicos da nossa região. Com quão importante é esta época para a um enorme potencial no turismo e na atividade sua atividade. A envolvência económica da região. Também não esquecemos favorece-os e a predisposição para o consumo isso e estivemos presentes em eventos realizados ajuda. Além da troca de presentes, o espírito em Caminha e A Guarda, onde a sua capacidade de confraternização e encontro de familiares de atração, no contexto da indústria do turismo, a distantes continuam a ser elementos dominantes sua sustentabilidade ambiental e as estratégias de da época natalícia. promoção estiveram em debate. O Alto Minho é uma das regiões onde este De igual modo, fomos a Ponte de Lima provar o espírito continua mais vivo e Valença, a que nos emblemático arroz de sarrabulho e descobrir as referimos nesta edição, é apenas um exemplo. suas origens, desde o mundo rural ao início da sua Isto sem que a mesma região deixe de ter outros comercialização, no setor da restauração, em 1860. elementos que lhe são identitários e fazem com Em Viana do Castelo, conversamos com o seu que se ufane da sua história e das suas vivências. edil sobre o seu lado mais humano e pessoal, o Essas mesmo que o melgacense Valter Alves da pessoa por detrás do político, e com o novo fala no seu blogue, já a caminho do milhão de presidente do Instituto Politécnico, acerca desta visitantes, onde nos dá conta de ‘estórias’, muitas instituição de ensino superior e dos projetos que delas ilustradas, que vão desde o séc XV até aos tem para a mesma. dias mais recentes. Fomos ainda conhecer um verdadeiro artista Da história também nos fala Nuno Correia alto-minhoto, o músico barquense Zezé Fernandes, na visita guiada que nos proporcionou ao e sublinhar a beleza das mulheres minhotas, centro histórico de V.N. Cerveira, agora que reconhecida a nível mundial, de que a arcuense esta se prepara para a aprovação final, que Jacqueline Alves é notório exemplo. deverá ocorrer este mês, com a sua integração Um tema que tem estado na berra, nos últimos na Associação Portuguesa de Municípios com tempos, é o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Centro Histórico. Se hoje estamos cá, é porque há Fala-se em falta de meios e suborçamentação, também um passado. mas há também quem, de forma avisada, faça A memória é, pois, importante para notar que a solução não passa, necessariamente, compreender o presente e antever o futuro. por “despejar dinheiro” em cima do problema, Nesse âmbito, não nos podemos esquecer ainda mas mais por uma gestão e organização capaz, dos seniores e da importância de preservar esforçada e despreconceituosa na defesa do o que estes nos podem transmitir. Como é interesse dos cidadãos. O 40º aniversário do SNS o caso dos utentes da CENSO, a instituição foi assinalado em Paredes de Coura e a VALE monçanense de solidariedade social que acaba MAIS marcou presença. de ser premiada e que a VALE MAIS visitou. Manuel S. 4 visite-nos em: www.valemais.pt

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Entrevista #Viana do Castelo Texto :: José C. Sousa JOSÉ MARIA COSTA 'A DEFESA DOS ESTALEIROS NAVAIS FOI O PERÍODO MAIS CRÍTICO DA MINHA VIDA' José Maria Cunha Costa nasceu em Moçambique, na antiga Lourenço Marques, hoje Maputo, a 5 de março de 1961. Casado, tem uma filha de 28 anos, viveu em Africa até aos 14 anos, Altura em que viajou, sozinho, para Portugal, ‘com uma mala maior do que ele, onde viveu com os tios enquanto os pais ficaram, mais uns tempos, em Moçambique. Formado em engenheira química, ingressou nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo onde chegou aos quadros superiores. Foi adjunto do presidente da Câmara de Viana do Castelo entre 1994 e 1997, vereador na mesma, entre 1998 e 2009, com os pelouros do Ambiente, Desenvolvimento das Freguesias, Área Social e Desenvolvimento Económico. 6 visite-nos em: www.valemais.pt

É presidente da Assembleia Geral da Rede Portuguesa das Cidades Saudáveis, do Eixo Atlântico, da Conferência das Cidades do Atlântico, da RIETE – Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriças e da CIM – Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, alem de membro Comité das Regiões da UE. Em 2009 atingiu a Presidência da Câmara vianense, cargo que ocupará até 2022, altura em que a sua retirada é “obrigatória”, por lei. Apesar de ainda não saber para onde, então, irá, sabe que não ai ter nada a ver com a vida autárquica. José Maria Costa recebeu a Vale Mais, no seu gabinete, e respondeu-nos a todas as perguntas, numa conversa franca e aberta. Nasceu em Moçambique e lá viveu grande parte da sua infância. Que memórias tem desses tempos? A minha infância foi normal, feliz. Nasci na antiga Lourenço Marques, hoje Maputo, e viajei bastante por Moçambique porque o meu pai era funcionário administrativo dos Caminhos de Ferro de Moçambique e, de três em três anos, tínhamos, obrigatoriamente, de mudar de local. A minha mãe era doméstica e costureira caseira. Vivi em Lourenço Marques até aos sete anos e depois, dos 8 aos 12, fui para Moatize, a 20 quilómetros de Tete, onde assisti à construção da ponte sobre o Rio Zambeze. Para ir para a escola, ainda atravessei o Rio Zambeze de barco. Tenho, de facto, uma imagem muito feliz desse tempo onde o contacto com a natureza era muito forte, o clima era totalmente diferente, os espaços naturais, na altura, eram muito bem cuidados. Lembro-me que tínhamos uma piscina no Clube Ferroviário, onde aprendi natação e fui colega de um grande atleta olímpico português, que, infelizmente, já faleceu. Era o Rui Abreu. Depois, aos 12 anos, regressei a Lourenço Marques (Maputo) e, nessa altura, dá-se o 25 de Abril em Portugal. Lembro-me que vim a Portugal por um ano, mais precisamente, em junho de 1974, mas regressei novamente a Moçambique para depois vir, definitivamente, para cá (Portugal) no dia 24 de novembro de 1975. Que recordações lhe vêm, imediatamente, à memória? Quando penso nesses tempos, uma recordação que me surge de imediato é a praia, o contacto com a natureza e com os animais. Tenho, ainda, a recordação de ter visitado o Parque Natural da Gorongosa, onde tive o privilégio de ver os leões, os elefantes e tantos outros animais no seu habitat natural. São imagens únicas, que tenho gravadas na memória. visite-nos em: www.valemais.pt 7

Ainda mantém alguma ligação familiar com Mas quando ingressei na vida política, entendi que me devia afastar Moçambique? para que não houvesse conflito de interesses. Aceitava alguns convites pontuais, sobretudo fora do concelho de Viana. Agora, tenho uma Hoje em dia não tenho ligação familiar, mas, há cerca de oito anos, frequência não tão assídua como gostaria, mas sigo com muita atenção regressei a Moçambique, ao abrigo da geminação entre Viana do a vida da Igreja, de uma forma global. Castelo e Matola, nos festejos dos seus 40 anos. Eles convidaram todas as cidades que estão geminadas e estive lá cinco dias. Tive Que opinião tem sobre a possibilidade a oportunidade de matar saudades e rever a escola primária onde do fim do celibato? andei, a Igreja onde fiz a minha primeira comunhão... enfim, foi uma experiência muito gratificante, sobretudo, a forma como fui acolhido e Acho que a Igreja sempre teve uma grande capacidade de adaptação recebido pelo povo moçambicano. aos sinais dos tempos. E acho que o Papa Francisco tem tido essa luz e essa visão de que a Igreja se tem de adequar aquilo que são as Com acontece a chegada a Portugal exigências modernas e os contextos da própria Igreja. e a Viana do Castelo? Se formos ler a teologia da libertação veríamos que, por exemplo, no Brasil, já havia as chamadas Comunidades Eclesiais de Base onde Cheguei à estação de caminhos de ferro, sozinho, e com uma mala que já não havia padres suficientes e os leigos tinham uma participação era maior do que eu. (risos) muito mais ativa. Portanto, diria que será uma sequência normal, na vida da igreja, uma E vim sozinho porque o meu pai ainda fez um contrato por mais um evolução normal, de adaptação dos tempos, de procurar as respostas ano, depois da independência, para assim garantir a integração, em adequadas para a sociedade dos tempos modernos. Portugal, no quadro da função pública, ou seja, para não perder os Se se avançar para o fim do celibato e se as mulheres também puderem direitos que tinha. aceder, penso que tem a ver com a dignidade da pessoa humana e a dignidade das mulheres dentro da própria Igreja. Eu vim mais cedo e estive de fevereiro de 1975 até junho de 76 a viver Aliás, se formos às redes históricas, as mulheres sempre tiveram um com os meus tios. papel muito importante na vida da Igreja primitiva. Depois houve algumas variações, onde foram um pouco afastadas, mas diria Como foi a adaptação a uma realidade que tem a consciência que hoje existe sobre o papel da mulher e a completamente diferente? importância desta, numa relação de igualdade e oportunidade para com os homens. É um percurso que tem de ser feito, com segurança, Foi difícil a todos os níveis. Primeiro, porque não tinha as ligações como a Igreja sempre diz, mas, sobretudo, com muito sentido de familiares mais diretas, não tinha redes de amizade, tudo era novo responder as questões fundamentais do homem. e a escala da cidade também era diferente. Apesar dessa dificuldade fui muito bem integrado, fiz grandes amigos, quer no liceu, em Viana do Castelo, onde terminei o secundário, quer quando fui estudar para o Porto, onde estudei engenharia química no Instituto Superior de Engenharia do Porto. Quando terminei o curso fui estagiar para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, onde mais tarde ingressei no respetivo quadro e aí trabalhei durante oito anos. Jogador de Xadrez Em Viana tive uma atividade desportiva muito importante, que foi o Xadrez. Aprendi em Moçambique e aqui fui jogador federado, pelo Viana Taurino Clube, tendo jogado em campeonatos regionais e nacionais. Era frequentador diário do clube onde tinha uma relação de amizade com as pessoas que lá estavam. Teve uma juventude muito ativa, sobretudo na Diocese... Iniciei a minha vida política, na Juventude Centrista, como militante e, mais tarde, dirigente, mas acabei por abandonar. Estive ligado à Diocese e, no Porto, também fiz parte do movimento associativo; ou seja, tive sempre uma vida muito ativa, do ponto de vista, da intervenção cívica. Mais tarde, na Diocese, fui convidado para participar num embrião das Comissões de Justiça e Paz. O Bispo da Diocese, na altura, D. Armindo, constitui um grupo (Grupo da Reflexão Cristã) para dinamizar as semanas sociais, na qual organizávamos seminários, encontros ligados à doutrina da Igreja e na qual eu participava. 8 visite-nos em: www.valemais.pt

Casado, tem uma filha de 28 anos que está, E a sua esposa. Como a conheceu? neste momento, a viver em Londres. Conheci a minha esposa, aqui, em Viana do Castelo. Também ela Sim. Formou-se em História de Arte e terminou o curso na altura da tinha vindo de Angola, na altura da independência e dos conflitos Troika, onde houve mesmo algum incentivo do anterior Governo para que houve. os jovens emigrarem e, naturalmente, foi com muita pena que vi a Conheci-a no Liceu, engraçamos um com o outro e, entendemos, fazer minha filha sair daqui. o percurso comum (risos). Agora tem uma vida amorosa lá e prevejo que o retorno seja mais Ela é psicóloga e, atualmente, é professora na Universidade do Minho. difícil. Já estamos juntos há cerca de 32 anos. Esta distância afeta? O que mudou na sua vida desde que chefia o Município? Naturalmente que esta situação acaba por nos afetar muito. Apesar dos meios tecnológicos e do contacto, quase permanente que temos, Desde que entrei na vida política tentei manter o mesmo padrão de gostaríamos muito que ela estivesse próxima. vida que tinha. Nunca me subiu nada à cabeça. Acho que a nossa Mas, de qualquer forma, esta situação concreta, leva-me, tanto a mim, participação deve ser entendida com um serviço público e tem sido como à minha esposa, a ter uma perceção daquilo que é a realidade da sempre essa a minha preocupação. Procurei estar nos locais sem nunca nossa emigração e da nossa diáspora, totalmente diferente do passado. esquecer de onde vim. Sem nunca deixar de falar aos amigos, sem Este é um tema central na vida dos portugueses, porque sendo nós um nunca deixar de ir aos locais que ia, mas, naturalmente, a própria país de emigração temos, de facto, esta relação com a nossa diáspora exigência da vida política e a forma como eu a entendo leva-me a que, muitas vezes, não é tão sadia como gostaríamos que fosse. exagerar no que é a minha dedicação em prejuízo daquilo que é a Portanto, esta situação da minha filha leva-me a ter uma visão minha vida familiar e, até, na minha relação com os amigos. diferente daquilo que é a nossa emigração e do grande respeito que Tenho muita pouca disponibilidade, porque tenho os fins-de- tenho pelo trabalho que essas pessoas fazem. semana quase sempre ocupados e, nesse sentido, a minha relação de sociabilidade com os amigos foi-se, infelizmente, diluindo ao longo do Vai a Londres, muitas vezes, matar saudades? tempo. A minha mulher costuma brincar comigo e diz que quando eu não Infelizmente, fruto da minha atividade, ela vem mais vezes cá do que tenho nenhum fim-de-semana ocupado, nem sei o que fazer, porque eu lá. Vou algumas vezes, por exemplo, as minhas férias, este ano, não estou habituado a ter tempo livre. (risos) foram em Inglaterra para puder estar com ela; e vai havendo aqui alguma permuta para que haja aqui algumas vezes por ano para nos encontrarmos. visite-nos em: www.valemais.pt 9

Mas gosto de passear, gosto de ler livros e revistas, compro muita coisa e vou dando uma vista de olhos às publicações que vou adquirindo. Muitas delas em viagens, onde compro muitas revistas para depois ler. Quanto ao passear, vou muitas vezes à Galiza, e, também, ao interior Gosta de ser presidente da Câmara? do país. Faço, quando possível, umas escapadelas com a minha mulher Gosto muito daquilo que faço. E acho que, para quem não gostar da para descansar. vida autárquica, isto deve ser um pesadelo. Porque, de facto, é uma vida muito exigente. Esta exposição pública fez com que ganhasse Eu entro aqui, normalmente, às 8h30 e sou dos últimos a sair, quase ou perdesse amigos? sempre depois das 20h00, 20h30. E com uma vida com muitas Fez-me perder, porventura, relacionamento com amigos. Eu acho que reuniões, muitas deslocações. Mas faz parte, gosto daquilo que faço, as amizades não se perdem. sinto-me bem e enquanto sentir que estou a ser útil, procurarei fazer o melhor que sei e Amigos também acho que ganhei alguns, \"Amigos acho que ganhei que posso, sempre com critério, com sentido mas temos de perceber que quando estamos alguns, mas temos de de justiça, embora nem sempre acerte, na vida política, muitas vezes, há relações perceber que quando mas, pelo menos, tenho a consciência de de conveniência. Temos de ser claros nisto. que não faço as coisas premeditadas ou Mas os verdadeiros amigos não se perdem. estamos na vida política, para prejudicar alguém. Faço com sentido Podemos é não ter o contacto frequente, daquilo que é o interesse público. muitas vezes, há relações mas eles estão lá quando precisamos deles. de conveniência. Temos Considera-se exigente e Mas também não seria justo dizer que não autoritário ou tolerante com ganhei novos amigos na política. Acho que de ser claros nisto\". as pessoas que trabalham a vida política nos dá uma visão muito consigo? alargada daquilo que é a nossa presença no mundo e contactos com pessoas fantásticas que, de outra forma, Tenho as duas vertentes. De manhã, quando chego, e como durmo nunca teríamos conhecido. pouco, chego muito stressado para fazer muitas coisas ao mesmo tempo Conheci personalidades muito importantes que me marcaram e que, e, portanto, o meu gabinete, de manhã, é um rodopio de pessoas. naturalmente, ficam como uma grande referência. Outras vezes sou um pouco impulsivo, mas depois as coisas passam- me; portanto, eu diria que tenho uma mistura das duas, tolerância e Por exemplo, António Guterres, quando se teve o privilégio de privar exigência. com o D. Mário Soares ou falar e conhecer o Edgar Morin, uma grande figura internacional; portanto, diria que se não fosse esta vida Do que é que mais gosta em Viana do Castelo? política, possivelmente, não teria possibilidades de contactar com estas Gosto de tudo. Uma das coisas que me dá muito gosto é quando personalidades. entramos na cidade, tanto pela Ponte Eiffel, como pela nova, e vemos E, até, os contactos que temos com as instituições europeias da qual esta silhueta de Viana. A gente relaxa. Viana do Castelo é uma faço parte dá-nos, de facto, um grande enriquecimento profissional e cidade única, do ponto de vista do seu enquadramento natural, e acho pessoal, sabendo que, depois, existe a outra parte que vamos perdendo, que fomos bafejados pelos deuses. E gosto, a cima de tudo, por sermos porque o tempo é curto e a vida familiar e a relação com os amigos uma cidade média, onde é possível andar pela rua, com segurança, acabam bastante prejudicadas. onde conhecemos as pessoas, os locais dizem-nos sempre alguma coisa e não nos sentimos anónimos. E essa é uma vertente importante. Diria Que vida pública costuma fazer? que é uma cidade muito convivial, onde as pessoas se conhecem e Vai ao cinema, ao café? ainda há muita cumplicidade do ponto de vista da cidadania. Isso faz com que as pessoas se sintam em casa. Portanto, se não é a mais bonita Não vou ao cinema tantas vezes como gostaria. Mas, enfim, tenho de Portugal, é das mais bonitas. as minhas rotinas normais, tenho o café onde costumo ir; nem sempre diariamente, mas quase sempre. Há algum local especial para si? Mas deixei de passar os quatro ou cinco dias que tenho de férias, por Há um local mítico que acho que tem a ver com todos nós que é Santa ano, em Viana, e tento refugiar-me um pouco, em locais onde não Luzia. Quando chegamos lá à cima, por mais preocupações que uma haja muita confusão. pessoa tenha, por mais chatices que existam, olhando para aquela Depois tenho um problema. A minha mulher não gosta de fazer paisagem fabulosa e para aquela imensidão da natureza, tudo passa. compras comigo. Porque quando entro num supermercado, fico logo à Muitas vezes vou lá para pensar na vida e naquilo que tenho de porta, porque aparece alguém para conversar e, portanto, tenho esse fazer. problema. Mas é normal essa relação, porque um autarca está 24 horas por dia, E o que é que gostava de mudar em 365 por ano, sempre ao serviço dos cidadãos. Viana do Castelo? Só desligo o telemóvel quando ando de avião. Gostava que a cidade fosse, do ponto de vista social, mais solidária, Mas quando vai de férias, o que gosta de fazer? mais coesa, porque temos de ter a noção que ainda existem algumas fraturas sociais, problemas de pobreza que, naturalmente, gostava que Gosto muito de visitar cidades e museus. Normalmente vou de férias não existissem. Aquilo que procuro, na minha atividade, é encontrar depois das Festas da Agonia, aproveitando o facto da minha esposa ser caminhos para que a cidade seja cada vez mais atrativa e sustentável professora e só ter férias em Agosto. Normalmente vou descansar, para do ponto de vista económica e, assim, fixar os nossos jovens. um local calmo, e, depois, aproveito para visitar e conhecer outros locais. 10 visite-nos em: www.valemais.pt

Neste momento, tem algum livro de cabeceira? Não nego que a questão da defesa dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo foi, porventura, o período mais crítico e mais difícil da Se for a minha casa vê montes de livros, mas tenho de ser honesto minha vida. Muitas vezes me questionei sobre aquilo que estava a e dizer que livros não tenho lido. Leio mais revistas do que fazer. Se estava a fazer bem ou não. Mas procurei, sempre, seguir a propriamente livros, até porque não tenho muito tempo. No entanto, minha consciência em todo o processo. Mas foi, de facto, um período quando vou de férias, aí, sim, levo um livro para ler. \"ainda não sei para Tem algumas superstição? onde vou, mas sei que não vou ter nada a ver Nenhuma. com a vida autárquica\" E de comida. É amante? muito complexo, difícil, de uma grande exigência pessoal, familiar e política, correndo muito riscos, dos quais não me arrependo. Acho que, com a idade, vamos gostando cada vez mais de comer. Gosto de quase tudo; só não gosto de raia. Em 2022 termina o seu mandato e não se pode Gosto muito de cabrito, de robalo e de peixe em geral. recandidatar. Já sabe o que vai fazer? O Natal é importante para si? É verdade. Daqui a dois anos terminarei a minha missão enquanto autarca e há uma coisa que sei. Como diz o poema: “Não sei para Na minha infância, o Natal tinha um peso muito grande. Era uma onde vou, mas sei que não vou por aí”. festa da família, muito vivida e em Moçambique era um Natal Eu digo: ainda não sei para onde vou, mas sei que não vou ter nada muito familiar. Por isso, dou um grande valor ao Natal. Sempre a ver com a vida autárquica. Ou seja, farei um corte, total e absoluto, me habituei a ter o presépio. Para mim, a árvore de Natal é um com a vida autárquica, até porque há exemplos anteriores, não só pouco secundária, dou mais valor ao presépio e simboliza muito a em Viana, mas também noutros concelhos, que deram sempre mau minha infância. É um tempo especial, um tempo de reflexão, onde resultado. Por isso, há uma coisa que sei que não vou fazer - vida aproveitamos para pensar na vida e naquilo que temos pela frente. política autárquica. Agora o futuro a Deus pertence. Tenho alguns E é sempre passado em família. pensamentos, mas ainda não decidi. Qual o momento mais marcante da sua vida política? Tive momentos muito fortes na minha vida política, que me marcaram e que tiveram um significado muito grande para mim, e acima de tudo, pelo meu envolvimento pessoal. visite-nos em: www.valemais.pt 11

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texto :: Adelino Silva Opinião DOS PLÁTANOS IMPONENTES AO MERCADO ALTANEIRO A culminar o século XIX e na entrada do século XX, Ponte de Lima assiste a uma profunda mudança na sua morfologia urbana com a edificação de novos empreendimentos, desde a abertura de ruas, ruelas e avenidas, à reconfiguração de praças, ganhando a estrutura medieval e o espaço cénico frontal ao Lima uma nova fisionomia arquitetónica que perdurou até aos nossos dias. Nestes empreendimentos, que transformaram a aprazível DOS PLÁTANOS… frente ribeirinha, nasce uma majestosa Avenida — a “Avenida dos Plátanos” — que recebeu o aplauso de todos e, A forte e original paixão — uma paixão sinestésica — do povo na conjugação das décadas de 20 e 30, em espaço contíguo, pela majestática Avenida, transformou a sua inauguração num é edificado o Mercado Municipal (MM), hoje visto como uma bela acontecimento marcante para a orgulhosa população da “vila peça da arquitetura civil, mas que, à época, gerou uma ardente e realenga”. prolongada controvérsia na comunidade limiana. A Avenida foi inaugurada em 08/10/1901, pelo Príncipe D. Luís Filipe, A fonte de discórdia assentava, sobretudo, no local escolhido para a então com 14 anos de idade, no âmbito de uma visita que o herdeiro implantação do Mercado, particularmente na mácula que a nova do trono fez ao Norte, tendo passado por Viana, Ponte de Lima, Ponte construção provocaria na bem-querida “Avenida dos Plátanos”. da Barca, Monção e Caminha. 14 visite-nos em: www.valemais.pt

E aqui, na confluência destes empreendimentos, surgem apontamentos Afinal, no meio de tão calorosa e comovente manifestação popular, nunca referidos — porventura — em documentos conhecidos, mas que concluiria o Príncipe que PL o presenteara com a mais honrosa e integram o acervo de memórias conservadas e contadas pela mais sábia generosa receção, com a mobilização de multidões em festa, empolgadas depositária — minha mãe — de episódios singulares e imperecíveis, por pelo interminável “efeito da multiplicação das filarmónicas”, que vezes epigramáticos, vividos no dia a dia de sucessivas gerações, na propagavam pelos ares, ao jeito da leveza das mais finas plumas, sociedade limiana, durante o século XX. exaltantes sinfonias, com doces e alegres sonoridades, vindas de Afinal o passado nunca morre! “números incontáveis” de bandas musicais… O povo limiano — cioso de expressar, com fervor, os seus excecionais “Ponte de Lima tem tantas filarmónicas! — diria, com a alma embebida predicados de bem receber —, quis deixar ao Príncipe, aquando da de espanto, o jovem Príncipe para a sua comitiva, também ela envolta inauguração da encantadora alameda, uma impressão memorável e numa gigantesca onda de ovação e empatia, não evitando o seu aio, enternecedora, produzindo, com colossal sumptuosidade, uma receção Mouzinho de Albuquerque, um aberto e estendido sorriso paternal. sentimental, cénica, festiva e musical — quiçá única na sua visita ao Tudo isto, perante o regozijo borbulhante das autoridades locais! Norte. E é aqui — e este é um dos apontamentos —, que se verifica uma AO MERCADO desconcertante imaginação do povo limiano e uma capacidade singular de construir o instantâneo, o dissemelhante e o burlesco. Ao contrário da criação da “Avenida dos Plátanos”, a construção À medida que a “comitiva real” avançava, em jubilosa aclamação, do Mercado constituiu um foco de rija polémica, mormente pela pelos velhos arruamentos lajeados da antiga vila, pequenos grupos da perspetiva do encurtamento da venerada alameda. banda filarmónica limiana — previamente divididos e astuciosamente dispersos pelo percurso régio — circulavam num volutear vertiginoso, Ao contrário da criação por ruelas e atalhos, colocando-se mais à frente, no itinerário do vistoso da “Avenida dos Plátanos”, “cortejo”, para “Príncipe ver e ouvir”, na sequência certa, as mais castiças a construção do Mercado melodias, ampliando, deste modo, o brilhantismo da receção limiana constituiu um foco de rija à visita real. polémica, mormente pela perspetiva do encurtamento da venerada alameda. Enquanto uns argumentavam com uma “calamidade”, caso se efetuasse o corte de “duas linhas de plátanos”, a edilidade defendia que “alguns plátanos ocultam parte da frontaria do Mercado” e “pouco influem na extensão e na visão geral da álea arborizada”. No final prevaleceu a opinião dos autarcas! Perante a resistência geral — este é outro apontamento — quanto a um provável corte de vários dos sagrados plátanos, a edilidade recorreu, com determinação, ao “efeito surpresa”, tendo ordenado a execução do corte, de uma mão cheia de exemplares do divinal conjunto arbóreo, no escuro e no silêncio da noite. Com esse ato, evitou-se uma revolta popular e, só assim, a vereação conseguiu dar continuidade à edificação do MM, no espaço que os técnicos haviam determinado, erigindo um “edifício elegante e bem trabalhado”, que veio a ser inaugurado em 1931. Hoje, já com outras variações estéticas, o atraente Mercado lá se encontra, altaneiro, a irradiar todo o seu encanto, mas também a contemplar as serenas águas do Lima e a observar, enlevado, a “poesia visual” dos triunfais plátanos, com as abas da Serra d’Arga a servir de retábulo de fundo ao mais esplendoroso quadro da cenografia paisagística. Com esse ato, evitou-se uma revolta popular e, só assim, a vereação conseguiu dar continuidade à edificação do MM, no espaço que os técnicos haviam determinado, erigindo um “edifício elegante e bem trabalhado\". visite-nos em: www.valemais.pt 15

Reportagem #Valença Pai Natal, Neve, Chocolate, Duendelândia e Pista de Gelo para diversão de miúdos e graúdos Valença vai surpreender este Natal com uma Pista de Gelo em Valença programação mágica para as famílias entre 1 de dezembro e 7 de janeiro. A ‘Cidade Natal’ A pista de gelo vai apaixonar os entusiastas da patinagem no durará 38 dias, sempre, com algo a aconte- gelo, para as primeiras patinadelas ou desfrute desta atividade. Em cer e a surpreender. Fortaleza de Chocolate, Pista Valença, a pista de gelo terá recinto coberto, no Jardim Municipal, de Gelo, Duendelândia, Cidade Presépio, Neve na abre a 5 de dezembro e prolonga-se até 6 de janeiro. Praça, Passagem de Ano e Cavalgata de Reis, desta- cam-se de um pacote com várias experiências. Trata-se de uma bela oportunidade para passar momentos divertidos em família ou com os amigos. Fortaleza de Chocolate Os pinguins vão ajudar a dar as primeiras patinadelas, a Durante quatro dias Valença será a Fortaleza de Chocolate, o pequenos e graúdos, com a toda a segurança. À disposição destino para saborear e sentir o chocolate de várias formas. De 5 dos praticantes existirão patins do número 26 ao 48. a 8 de dezembro, quem gosta de chocolate, tem aqui uma feira / A pista estará aberta a praticantes com ou sem experiência, de mostra dedicada, em exclusivo, à degustação e compra de produtos todas as idades. à base de chocolate conta com a presença de doceiros, pasteleiros, produtores de chocolate e chocolatiers portugueses e espanhóis. A época convida a umas patinadelas, numa pista com 300 m2, animada com os sons natalícios. A pista permitirá a permanência Cascatas, bombons e bombocas, trufas, torrões, espetadas de fruta, de dezenas de patinadores em simultâneo. tabeletas, pizzas de chocolate, crepes, waffles, ginjas e licores e tantos outros produtos em que o chocolate é rei. A feira contará, A utilização da Pista de Gelo, tem um preço, por hora, de 4 euros ainda, com produtos à base de chocolate, sem gluten. para as escolas, 5 euros para as crianças até 13 anos, no pack família (2 adultos + 1 criança) cada adulto pagará 6 euros e os Entre 5 e 8 de dezembro, das 10h00 às 20h00, a feira estará adultos sozinhos pagarão 7,5 euros. aberta ao público e com acesso gratuito. Duendelândia – o Encanto dos Pequenotes A Fortaleza de Chocolate vai-se desenvolver na Fortaleza de Valença, em especial na Praça da República, no Largo do Governo A Duendelândia é a oportunidade para os mais pequenos Militar, Rua Conselheiro Lopes da Silva e Largo do Bom Jesus. desfrutarem de um mundo mágico, com o duende tubbing, o percurso duende aventura/arborismo, eco carrossel, eco tronco, insuflável temático, bosque encantado e Casa do Pai Natal. Os pequenos aventureiros são convidados a ultrapassar os mais diversos obstáculos, entre as árvores e plataformas suspensas, com vários graus de dificuldade, mas acessíveis a todos os meninos. 16 visite-nos em: www.valemais.pt

Entre troncos de árvores, pontes de cordas, redes e tantos outros obstáculos, as aventuras serão muitas. O Duende Tubbing é um percurso que convida para a aventura da descida de uma rampa, nos famosos “donuts”. Neve na Praça É uma das novidades deste ano. São 12 canhões que, em três períodos de 15 minutos, irão projetar a magia branca na Fortaleza de Valença os canhões de neve que prometem uma nuvem de magia branca na Fortaleza de Valença, entre 5 e 15 de dezembro, na Praça da República e rua Conselheiro Lopes da Silva. Um pouco por todo a cidade as decorações de Natal vão dar um brilho diferente à cidade fazendo a delícias dos milhares de visitantes que por esta época passam por cá. Por estes dias, em Valença, tem a oportunidade para adquirir os Presentes de Natal numa cidade onde o comércio é uma marca de tradição, prestígio e preços competitivos. Considerado um dos maiores shoppings a céu aberto da Europa, Valença destaca-se pelos seus têxteis- lar, vestuário, calçado, artesanato e souvenirs. Para o Presidente da Câmara Manuel Rodrigues Lopes “Este Natal Valença vai surpreender os valencianos e turistas com uma programação rica e acolhedora que convida a desfrutar da nossa cidade. Venham e divirtam-se”. Passagem de Ano Valença começa o novo ano com muita animação! O largo da Estação irá receber uma festa animada pelo grupo Kalhambeke, vários Dj’s, e fogo de artifício. No recinto haverá serviço de bar e muita animação pela noite dentro. Uma opção para todos aqueles que desejam passar o Ano Novo em Valença.   Cavalgata Internacional dos Reis A magia dos Reis Magos volta à Eurocidade Valença Tui, num percurso onde a cor, os sons e a magia dos três Reis Magos proporciona, ano após ano, uma grande festa. Os Reis Magos e seus pajens, fazem a alegria, sobretudo, dos mais jovens, num fim de tarde e início de noite recheado de cor e alegria. Os carros alegóricos, adornados, levando suas majestades os Reis Magos, vão sobressair numa cavalgata que conta, ainda, com carros alegóricos de várias instituições de Tui e Valença. visite-nos em: www.valemais.pt 17

Desporto texto :: Paulo Gomes FUTEBOL ALTO-MINHOTO A REBOQUE Nos últimos anos, temos vindo a assistir a um claro decréscimo de capacidade das equipas do distrito de Viana do Castelo em competirem nos campeonatos nacionais seniores. Na época 2015-2016, a Associação de Futebol de Viana, tinha três representantes garantidos: Limianos, Neves e Vianense. Na época seguinte, descem de escalão Neves e Vianense. Junta-se ao Limianos o A.D. Ponte de Barca. Na época 2017-2018, a AFVC fica reduzida a um único representante que, por obrigatoriedade regulamentar, tem sempre de ascender dos campeonatos distritais para os nacionais. De lá para cá nada se alterou. O “nosso” futebol não tem demonstrado capacidade para se afirmar no campeonato mais representativo da Federação Portuguesa de Futebol. Que ilações poderemos retirar destes dados objetivos? Se fizermos uma análise superficial aos campeonatos regionais Será que clubes como Vianense, Limianos, Atlético dos da Associação de Futebol do Porto e de Braga rapidamente Arcos, Desportivo de Cerveira, Neves, A.D. Ponte da percebemos que tem características e condições muito diferentes do Barca, Valenciano não têm capacidade para disputar campeonato regional de Viana. A dimensão das cidades, o maior e serem competitivos em campeonatos nacionais?! Será que a número de habitantes, maior poder económico, mais indústria, são diferença qualitativa do campeonato regional de Viana do Castelo fatores económico-sociais de grande relevância e que permitem e os campeonatos regionais dos nossos vizinhos Porto e Braga é que os clubes tenham outro tipo de apoio que na nossa associação assim tão acentuada?! Será falta de qualidade dos jogadores? Falta não existe. de qualidade dos treinadores? Falta de capacidade e de estrutura dos clubes? Falta de capacidade organizativa da Associação de Futebol de Viana? 18 visite-nos em: www.valemais.pt

Para além disso, e este parece-me ser o factor decisivo, estas duas Qual a interação da Associação de Viana com o desporto escolar? associações têm clubes de grande e média dimensão a competir ao De que forma se fomenta a prática do desporto, neste caso concreto, mais alto nível, nacional e internacional. Ter clubes como Futebol o futebol, e qual a ligação com os clubes? Estará a fomentar-se Clube do Porto, Boavista, Braga ou Guimarães, entre outros, como a prática desportiva ao ar livre, à semelhança de países como a membros, quer se queira quer não, fortalece institucionalmente Holanda, Alemanha e Espanha, que já o fazem há décadas, em qualquer associação, garantindo um maior grau de importância e condições de segurança e em bons recintos. poder de decisão dentro dos órgãos federativos. As associações não deveriam servir unicamente para pagar A nível desportivo e competitivo a diferença também é notória. as inscrições, multas ou o quer que seja. Dou um exemplo muito Competem hoje na chamada “Divisão de Elite” da Associação concreto de uma situação que eu tenho conhecimento e só acontece de Futebol do Porto clubes históricos como Salgueiros, Tirsense, na Associação de Viana. Um clube inscreve um jogador, será a Freamunde, Marco, Maia, todos eles habituados a campeonatos primeira inscrição da época, se por acaso esse mesmo jogador quiser profissionais. Depois, um sem número de equipas que militaram sair desse clube posteriormente, o clube que o receber terá de pagar quase sempre em campeonatos nacionais, antiga 2ª e 3ª divisão, novamente a inscrição na Associação! Ou seja, dois clubes pagam como o Infesta, Lousada e Lixa no Porto e Ribeirão, Esposende, ou duas vezes inscrição do mesmo jogador! Isso para não falar de todos Vilaverdense em Braga, entre muitos outros, já com uma grande os problemas burocráticos ainda existentes. bagagem, que deriva de anos a fio a competir a bom nível. Clubes que ao longo dos anos souberam desenvolver-se também a nível Não seria mais benéfico ter de infraestruturas, onde predominam os campos de relva sintética uma associação que sirva e natural, bancadas com um nível bastante aceitável, a nível de os clubes do que ter uma organização também souberam, na sua maioria, dar um passo em que se serve dos clubes? frente em relação à gestão desportiva do passado. Ao nível dos campeonatos distritais seniores, de que forma é Arriscaria dizer que 35 a 45% das equipas que militam nas promovido este campeonato? É um produto como outro qualquer, divisões que dão acesso ao campeonato de Portugal destas deveria ser promovido e publicitado de forma mais profissional, associações, reúnem capacidades para subir de divisão e poderem fomentando e divulgando jogos, jogadores e atletas ou qualquer ser competitivas, pese embora, com alguns acertos de constituição referência de interesse. Não me parece que esteja a ser conseguido de plantel e de organização. e pior ainda não me parece que haja essa preocupação. Não será à toa que, por exemplo a serie A do campeonato de Umas das decisões que surge após outra Associação (Braga) o Portugal seja constituído por 8 equipas da Associação de Braga, ter feito, foi a de decretar o fim dos campos de terra batida nas quase todas elas em posição confortável na tabela classificativa, 2 duas divisões distritais. Não foi feito o estudo necessário e vendo equipas da Associação de Vila real e mais 2 duas da Associação de que corriam um sério risco de fechar as portas a uma boa parte Bragança. Juntam-se a estas, esta época, 3 equipas da Madeira, onde dos clubes da associação, recuaram na decisão. Só a primeira se destaca, um ex. primodivisionário, União da Madeira, 1 equipa da divisão tem obrigatoriedade de ter campos em relva natural ou Associação do Porto (a maioria das equipas desta associação estão sintética. Muito boa medida. Poderia agora passar-se para a fase na serie B) e um único representante da Associação de Viana, o seguinte. Balneários condignos para atletas e bancadas dignas Clube Desportivo de Cerveira. para os espectadores poderem assistir aos jogos de futebol. Qual a ligação e interação da associação com a autarquia local? Qual a O que poderá fazer a Associação de Viana para poder pressão existente deste organismo para com a autarquia no sentido aproximar-se qualitativamente e quantitativamente destas de haver mais ajudas nas infraestruturas dos clubes, sejam elas “super-associações”? Serão os factores acima mencionados motivos camarárias ou particulares? dissuasores ou motivadores para se trabalhar com qualidade? Porque não começar do 0? Porque não reformular, de uma vez Entendam este artigo de opinião como uma mera critica por todas os campeonatos mais jovens, onde época após época, o construtiva e opinativa no sentido de dar ao futebol vianense o número de equipas inscritas desce consideravelmente, como por reconhecimento que ele poderia ter se houvesse vontade de mudar exemplo, o campeonato de sub-19. O ano passado competiam e acompanhar aquilo que outras associações por esse país fora vão 17 equipas e esta época já só competem 14. Esta reformulação fazendo. Se assim não for, temo infelizmente pelo destino do futebol não deverá ser feita em função daquilo que outras associações já alto-minhoto e dos seus clubes. fizeram. Este é, do meu ponto de vista, um erro crasso cometido sistematicamente por esta associação. Andar sempre “a reboque” das opções que outros já fizeram anteriormente. Seria mais inteligente fazer uma reformulação com base nas características dos nossos clubes e na atual capacidade de evolução. Mudar todas as épocas de formato competitivo, por si só, baralha e atrapalha a programação e estruturação dos clubes, que, já por si, têm muitas dificuldades nesse aspeto. visite-nos em: www.valemais.pt 19

Saúde texto :: Lígia Rio A IMPORTÂNCIA DO EXERCÍCIO FÍSICO ESPECIALIZADO NO PÓS PARTO É indiscutível que durante a gravidez o corpo da mulher passa por várias modificações. Mas... será que podemos melhorar alguns desses efeitos no pós parto? Claro que sim! Desta vez vou dar enfase à parte física da mulher. Durante a Normal Diástase gravidez, os músculos abdominais e pélvicos são alongados, perdem força, abrem e afastam a meio – linha alba ou linha Tipos de diástase branca – linha do umbigo. Tudo isto acontece para dar espaço para o bebe se desenvolver. Após o parto, a barriga fica com aquela característica típica de flacidez, descaída, “barriga de avental”, “segunda gravidez”, por vezes com estrias, bem... já perceberam não é? E a pergunta é sempre a mesma, será que vou ficar assim para sempre? Quando vou poder voltar a fazer exercício e voltar a estar como antes? Em primeiro lugar, é importante ser seguida por um profissional habilitado para lidar com gestantes e recém mamãs. Isto porque os exercícios tradicionais de abdominais estão completamente contraindicados! Em segundo lugar é preciso avaliar a presença ou não de diástase que não é mais que o afastamento dos retos abdominais – afastamento da linha alba (podem ser de vários tipos) durante a gravidez e que pode manter-se após o parto. Se não houve rompimento de tecidos ela regride gradualmente. Mas, na maioria dos casos, ela não desaparece sozinha! 20 visite-nos em: www.valemais.pt

Como fazer o teste da diástase? Os exercícios ditos “tradicionais” como pranchas, agachamentos, torções em contração abdominal, crossfit e exercícios com cargas e 1. Deitada de barriga para cima com joelhos dobrados e pés no chão; alta intensidade não são recomendados numa fase inicial. Pioram 2. Deve contrair o abdominal como para fazer um crunch/um o quadro de diástase. Podem posteriormente retomar assim que a diástase esteja resolvida, porém, podem ser necessários alguns meses. abdominal tradicional; O corpo da mulher é sujeito a tantas modificações em 9 meses, não vai recuperar de um momento para o outro! 3. Colocar os dedos acima e abaixo do umbigo; 4. Percorrer toda a linha alba com os dedos e perceber em que OS EXERCICIOS TRADICIONAIS NÃO RECUPERAM DIASTASE zona os dedos afundam – isso é a diástase; NEM A BARRIGA DE GRAVIDA! 5. Se afundarem, avalie o comprimento (quantos dedos consegue É então possível recuperar uma diástase e a barriga flácida mesmo depois de vários anos após a gravidez? Sim, é possível! Não importa colocar) e a largura (quantos dedos consegue colocar) e a quanto tempo passou depois do parto. É sempre possível melhorar e profundidade desse rompimento. com resultados incríveis. Os tratamentos estéticos não curam diástases! Em quarto, quinto, sexto... Para além da melhoria física que Atenção que não só as gravidas têm diástase, um abdominal proporcionamos às mães, que como digo é evidente, conseguimos algo definido (forte) tem muitas vezes diástase associada. Por vezes é maravilhoso que é uma mãe confiante e com gosto no seu corpo, sem de tal forma significativa que se nota uma depressão nessa zona dores, sem limitações para estar plena para cuidar do seu bebé. ou até uma proeminência. Em terceiro lugar, após se identificar a presença de diástase, vamos ao que interessa: Como se recupera a barriga? É impossível para mim explicar aqui, pormenorizadamente, como executar os exercícios, no entanto, os exercícios devem atuar no sentido de “fechar ou aproximar” os músculos abdominais. São exercícios que atuam a 360°, no sentido de modelar toda a cintura, afinando-a. Assim como as costelas também “fecham”. Com a gravidez as costela abrem para aumentar o espaço de desenvolvimento do bebe. O plano especializado que é elaborado para cada caso, engloba É possível evitar a diástase? exercícios de pavimento pélvico (períneo), de core e posturais e são evolutivos. Infelizmente não, é um processo normal que ocorre pelo crescimento do Este tipo de exercícios especializado para recuperação pós parto é bebe mas é possível minimizar a gravidade não engordando muito fundamental. Com resultados surpreendentes e evidentes que começam durante a gravidez. Uma alimentação saudável e equilibrada (5/6 a sentir-se em 7-10 dias apos o início do plano. É maravilhoso ouvir as refeições por dia) + água, manter um plano de exercícios adequado, mães dizerem “estou melhor que antes de engravidar”. E é verdade, controlar o estado emocional – MULHER ANSIOSA COME MAIS! este tipo de exercícios trabalha o músculo transverso abdominal que Enfim, manter um estilo de vida saudável o que vai fazer uma faz o efeito barriga lisa tao desejado pelas mulheres, trabalha o tónus recuperação mais fácil também no pós parto. muscular que faz com que a barriga se mantenha lisa mesmo em pé De forma conclusiva, posso dizer que a mãe fica efetivamente mais sem contrair os abdominais. “magra” pelo efeito modelador destas técnicas mas de ressalvar que Estes planos podem ser executados tanto em casos de parto normal é SEM DIETA. A amamentação não é uma boa altura para fazer ou cesariana. É recomendável que se aguarde entre 30-40 dias para restrições alimentares, evitar os alimentos industrializados é para partos normais ou após aval do médico e entre 40-60 dias para sempre, mas de resto não! Afinar a cintura depende dos exercícios cesarianas. Uma palavra para as cintas pós parto: cada vez menos certos e não da dieta. Todas as mulheres merecem sentir-se bem com prescritas pelos médicos e quando são, são para conforto numa fase o seu corpo! Bons treinos! inicial ou situações especiais. visite-nos em: www.valemais.pt 21

Imobiliário Ao invés de corrigir as distorções já existem, o nosso Governo opta mais uma vez por penalizar aqueles que são titulares texto :: Venâncio Fernandes de património Imobiliário, sobretudo os que no seu legitimo direito constitucional optaram por comprar um imóvel para NOVA LEI DO arrendamento, com recurso a financiamento e ou a economias ENGLOBAMENTO. que amealharam fruto de muito sacrifício , cujo intuito meritório MAIS DO MESMO... tem sido o de apenas melhorar a sua qualidade de vida quando atingem a idade de reforma, reforçando o seu orçamento familiar Tenho neste espaço manifestado o meu desacordo com as rendas que auferem. com a carga tributária que é aplicada aos imoveis, e seus rendimentos. Não falamos de um novo imposto é certo, mas de um agravamento de impostos resultante da obrigatoriedade de englobar rendas prediais com os restantes rendimentos. 84.000.00€ 85.000.00€ 75.000.00€ AV 4392 :: Lavradas :: Ponte da Barca AV 4490 :: Rio Frio :: Arcos de Valdevez AV 4531 :: Rio Frio :: Arcos de Valdevez Moradia T2 com vistas fantásticas Moradia T2 com terreno Propriedade rural com duas casas para recuperar 194 2 2 620 B- 164 2 2 6600 E 183 4866 n/d 195.000.00€ 98.000.00€ 119.000.00€ AV 4533 :: Penso :: Melgaço AV 4539 :: Soajo :: Arcos de Valdevez AV 4544 :: Linahres :: Paredes de Coura Moradia T3 com terreno e vistas fantásticas Moradia na vila de Soajo com ruína + espigueiro Moradia T2+ em lote com 850 m2 260 3 3 3000 n/d 211 2 2 222 F 200 2 1 850 A 79.000.00€ 100.000.00€ 195.000.00€ AV 4546 :: Geraz do Lima :: Viana do Castelo AV 4551 :: Entrimo :: Espanha AV 4553 :: Gemieira :: Ponte de Lima Quinta rural com 3 casas para restauro 296 1600 n/d Moradia em pedra restaurada Moradia térrea T2 + 1 com terreno 363 3 2 1297 B 182 2 2 1848 E 22 visite-nos em: www.valemais.pt

Embora ainda não esteja completamente definido consta do Um outro argumento é o de que irá contribuir para aumentar a programa do actual Governo, e como todos já temos experiência, oferta de habitação na vertente de arrendamento; puro engano, tudo o que seja para cobrar mais impostos é para avançar rápido, a consequência mais obvia é a penalização dos senhorios que no e se fosse possível com retroactivos. seu legitimo direito, não estejam disponíveis para afectar os seus imóveis ao programa de arrendamento acessível. O argumento é o de que não vai existir agravamento para os escalões mais baixos; provavelmente não, mas pêlo que conheço e Engrossamos de novo num erro, nenhum problema poderá ser pêlos estudos que tenho acompanhado, vai seguramente penalizar solucionado penalizando aqueles que podem contribuir para a rendimentos a partir de aproximadamente 1.000€ mensais, como sua solução, é assim em todas as áreas, e não é excepção na da que se este valor fosse um rendimento de gente rica. habitação. O englobamento em si até poderia ser benéfico, e simplificaria Haja seriedade e vontade, que seguramente existem o actual sistema tributário dos escalões do IRS, mas para isso era alternativas de maior equidade. Este caminho não nos leva a necessário aplicar em simultâneo um sistema de taxas médias nenhum sucesso, o estranho é que todos continuamos a conviver completamente diferente daquele que existe no nosso pais, a não pacificamente com estas decisões. ser feito, e não vai seguramente, estamos de novo perante mais um aumento de impostos, e de novo suportado no imobiliário. 225.000.00€ 64.000.00€ 96.500.00€ R 3420 :: São Julião e Silva :: Valença R 2868 :: Moreira :: Monção R 3417 :: V.N.Cerveira e Lovelhe :: V. N. Cerveira Apartamento a 2 min. do centro e com vistas para o rio Moradia com acabamentos de qualidade em zona residencial Moradia mobilada, com jardim 165 2 2 460 C 110 2 1 E 182 3 3 322 B- 90.000.00€ 35.000.00€ 150.000.00€ R 3400 :: Fontoura :: Valença R 3413 :: Vila e Roussas :: Melgaço R 3401 :: Gandra e Taião :: Valença Propriedade vedada com jardim e terreno para cultivo Apartamento T3 duplex, no centro, junto e comercios e serviços Casa de 2 pavimentos para restauro a 4 km's do centro 162 5 2 2886 142 3 2 E 96 2250 109.000.00€ 100.000.00€ 134.000.00€ R 3416 :: Valença, Cristelo-covo e Arão :: Valença R 1249 :: Monção e Troviscoso :: Monção R 3399 :: Pias :: Monção Moradia com garagem fechada e jardim no centro de Valença Apartamento próximo das escolas, comercios e serviços Moradia com jardim e garagem fechada 132 3 2 61 E 140 3 2 C 168 3 2 470 CONFIE EM QUEM MAIS SABE. CONFIE NA CALVOLIMA www.calvolima.com | [email protected] Monção Valença Avenida Porta do Sol, n.º1047 Largo da Esplanada, s/n +351 251 002 131 visite-nos em: www++3355.v11 29a5611le6665m14791a257is.pt 23

Reportagem #Arcos de Valdevez Texto :: Manuel S. JACQUELINE ALVES DESTACA-SE EM CONCURSO INTERNACIONAL DE BELEZA \"Isto das misses é enquanto as coisas funcionarem\" Jacqueline Alves é uma jovem arcuense de 23 anos Da sua parte, há sequência? que se está a destacar, a nível internacional, em concursos de beleza. Estudante na Universidade Não. O concurso fica por aqui. do Minho, acaba de se classificar no TOP 10 no concurso Miss Asia Pacific, disputado nas Filipinas. Começou a participar neste género de concursos em 2018? Trata-se de uma competição que se efetua desde 1968 e é, reconhecidamente, uma das maiores competições Estes concursos começaram a nível distrital, com Miss Viana, internacionais na área. Nele participaram, este ano, 55 que pertence ao concurso Miss Queen Portugal. Miss Viana era candidatos de todo o mundo. Antes, em 2018, foi Miss Viana a fase distrital. Venci essa fase tive entrada automática para a e Segunda Dama de Honor Miss Queen Portugal, troféu que final de Miss Queen Portugal. Nesse mesmo ano, em 2018. a levou até aquele país asiático. Nessa final nacional consegui o lugar de 2ª dama, 3º lugar A tirar o curso superior de Educação Básica, a Jacqueline a nível nacional, o que, nesse caso, me deu entrada para confessa-nos que adora crianças e o convívio com os amigos, o concurso Miss Asia Pacific. Fui selecionada para ser a manifestando, ainda, o orgulho de ser voluntária na Cruz representante portuguesa nesse concurso. Vermelha. Foi a 1ª vez que participou num concurso Como é estar no Top 10 de Miss Asia Pacific? de beleza quando foi eleita Miss Viana? Foi um orgulho ter trazido Portugal a este patamar. Já, no No Miss Viana foi a primeira vez. Já tinha participado ano passado, a nossa representante conseguiu também o Top noutro concurso, para outra entidade organizativa, em 2017. 10. É o segundo ano consecutivo a conseguirmos top 10 para Portugal, o que nos eleva, para o ano, possivelmente, a uma maior fasquia. 24 visite-nos em: www.valemais.pt

CRIANÇAS E JOVENS EM RISCO Neste Miss Asia Pacific, uma das provas consistiu na apresentação de um projeto social de valorização das diferenças? Que projeto é esse que apresentou? Tivemos que apresentar um projeto novo para demonstrar que o temos ou estamos inseridos nalgum. Neste caso, como sou voluntária da juventude na Cruz Vermelha, em Braga, estou no projeto Mais Atitude. É um dos projetos q trabalha com crianças e jovens em risco. Tanto as comunidades ciganas, como raparigas em lares, órfãs, uma infinidade de crianças e jovens que estejam em situações de risco. Apresentei este trabalho que realmente faço ao longo de três ou quatro anos. Mostrei que já faço um trabalho que não decidi realizar agora por causa do concurso. ESTADIA NAS FILIPINAS Conte-nos um pouco como foi a estadia nas Filipinas? Gostei muito. O povo filipino é muito amável. Mesmo em casa com eles. Tudo que falam sobre eles é verdade. Estão sempre disponíveis. Fomos 55 candidatas de várias partes do mundo. Fiz muitas amizades. Conheci outras culturas. Os filipinos são muitos hospitaleiros, como os portugueses. Já o país já não tem nada a ver. Por exemplo, o clima é muito quente, húmido, esteve sempre à volta dos 30 graus. A comida também é diferente. Eles comem arroz de manhã até à noite. Ao pequeno almoço, almoço, jantar, sempre… A sua estadia foi mais em Manila ou andou por outras partes? Tivemos que fazer a programação que eles tinham para nós. Uma vez que éramos tantos candidatas, temos de nos focar no que eles precisam que façamos. Aos patrocinadores, fazer algumas das competições preliminares que nos levaram à final… como eramos tantas, eles tinham muita segurança para connosco e estivemos sempre rodeadas de pessoas para que não houvesse problemas com fãs e todos esses que estavam lá para nos ver. Não poderíamos sair daquele círculo e daquela programação para, propriamente, termos momentos de lazer. visite-nos em: www.valemais.pt 25

Mas deu para conhecer um pouco das Filipinas? Mais ou menos ! No hotel onde estivemos, apenas os patrocinadores... Não foi muito além disso. Mas deu para perceber que é um país pobre e com uma realidade muito diferente da portuguesa. Quer dizer, se formos a um daqueles bairros da periferia de Lisboa, a realidade é parecida. Mas, aqui onde vivo, é muito diferente. As pessoas lá vivem nas ruas, em qualquer lado. Há sempre criticos destes concursos. Dizem que só valorizam a aparência física quando haveria coisas mais importantes. Como responde a quem assim pensa? Que mais valia trazem estes concursos? As pessoas precisam de desmistificar. Esses concursos, antigamente, eram muito à base da beleza física. Só! Hoje em dia já são feitos para que possamos dar voz à nossa opinião e aos nossos projetos. Possamos ter uma voz. Ao contrário de mostrar só a nossa beleza e de desfilar. Muitos pensam que é isso, que continua a ser só uma cara bonita ou corpo bonito. Que somos uma mente fechada, oca. Hoje em dia valoriza-se muito os concursos de misses; têm, todos, um lema. Este ano foi “amar a diferença”. Essencialmente, as meninas que iam para lá era com a advocacia de amar a diferença. ESTUDAR E TRABALHAR Em que medida este destaque no concurso mudou a sua relação com os amigos e, até, com a própria universidade? Não muito. Tirou-me um bocadinho de tempo. Fez-me ter mais organização ainda. Já, por mim, sou muito organizada; estou a estudar e, ao mesmo tempo, a trabalhar. Também sou voluntária. Foi só arranjar mais um tempinho para isto. Os seus amigos e colegas não a começaram a ver de forma diferente? Não. Os meus amigos acompanham o meu percurso e estão lá para mim. Se eu não tiver um tempinho para eles agora, sabem que é para um bem maior. E o seu namorado? Bem.! Acompanhou o meu percurso desde o início; namoramos há alguns anos e ele só tem orgulho em mim. Também me dá forças para continuar e chegar mais longe. Ele compreende, se tiver de ficar uns dia sem estar comigo, como já aconteceu nas duas semanas em que estive fora.. 26 visite-nos em: www.valemais.pt

A Jacqueline também trabalha? Sou hospedeira de eventos. Trabalho em conferências, congressos, estou à porta das salas a fazer check in e uma variedade de coisas. E os seus tempos livres? Ora aí está a pergunta. Os meus tempos livres é com os meus amigos, namorado e família. Ir ao cinema, tentar aproveitar em conjunto, fazer algo divertido. Aprecia a gastronomia minhota? Não sou muito influenciada, por acaso, pela gastronomia aqui do Minho. A verdade é que sou muito de comer massa. Qualquer prato com massa é bom. Pratica desportos e atividade física? Neste momento, não. Não tenho muito tempo. Só mesmo o ginásio. As questões relacionadas com a vida pública, preocupam-na? No ano passado, quando me candidatei a Miss Queen Portugal, o foco era representar Portugal neste concurso que escolhe a Miss Earth. Além do foco social, há também o ambiental. A preservação do ambiente era um dos temas do ano passado, por exemplo. E continua a ser este ano, neste concurso. Portanto, eu também, inclusive, fiz e continuo a fazer várias ações e tudo o que puder no sentido de consciencializar para o ambiente, limpeza de rios, etc.. SER PROFESSORA Está a tirar curso de educação básica. Que pretende seguir em termos profissionais? Inicialmente fu i tirar o curso por estar muito ligado à parte social. Adoro crianças, já fui educadora em anos passados, acho que ganhei esse bichinho, o que sempre quis foi isso ou professora primaria. É para isso que eu continuo a estudar. Isto aqui das misses e o meu trabalho como hospedeira é enquanto as coisas funcionarem. É um aparte! Arcos de Valdevez é a sua terra. Os Arcos são um sítio muito bonito, essencialmente no verão. Como é obvio, toda a gente poderá dizer isso. Traz turistas, emigrantes à terra novamente, às festas e romarias que toda a gente conhece. É disso que gostamos, da praia fluvial, das ecovias, de podermos reunir com toda a gente nessas romarias, nessas diferentes culturas. Também vêm os emigrantes. Podermos reunirmos à volta de uma festa. Divertimo-nos. Isso é os Arcos. visite-nos em: www.valemais.pt 27

Consultório Jurídico texto :: VS Advogados Paula Viana & Janine Soares Largo 5 de outubro nº 22, 4940-521 Paredes de Coura Av. 31 de Janeiro nº 262, 4715-052 Braga PRIMEIRO PERGUNTAR, DEPOIS FOTOGRAFAR Sou professora universitária e durante uma aula um aluno tirou-me uma fotografia. Na altura não reparei, só me apercebi quando o aluno publicou a fotografia nas redes sociais e me vieram mostrar. Fiquei bastante desagrada e incomodada, será que existe algo que possa fazer? Existe algum crime previsto para estas situações? Cara leitora, Na mesma pena incorre também quem, contra vontade, fotografar ou filmar outra pessoa, mesmo em eventos em que Odireito à imagem é um dos direitos liberdades e garantias tenha participado. consagrados na Constituição da República Portuguesa que Já em relação ao crime de devassa privada, falamos de um crime tem proteção penal. A Constituição reconhece a todos os que é significativamente mais abrangente e foi pensado para punir direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da as mais diversas situações em que alguém se tencione intrometer personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e na vida privada de outra pessoa. Neste tipo de ilícito incluem-se reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida comportamentos que vão desde a captação de fotografias e gravação privada e familiar e à proteção legal contra quaisquer formas de de conversas telefónicas, até à divulgação de factos que só a essa discriminação. pessoa pertençam, como sejam, por exemplo, doenças graves. A Além disso, também o Código Civil preceitua que o retrato de uma prática deste crime é punível com pena de prisão até 1 ano ou com pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou lançado no comércio pena de multa até 240 dias. sem o seu consentimento. Porém, a lei refere que não é necessário o Assim, relembramos que o direito à imagem abrange dois direitos consentimento da pessoa retratada quando assim o justifiquem a sua autónomos: o direito a não ser fotografado e o direito a não ver notoriedade, o cargo que desempenhe ou quando a reprodução da divulgada a fotografia. O visado pode, portanto, autorizar ou imagem vier enquadrada em lugares públicos, ou em ocasiões que consentir que lhe seja tirada uma fotografia e pode não autorizar que tenham decorrido publicamente. No entanto, o retrato não pode ser essa fotografia seja utilizada ou divulgada. exposto, se isso significar a ofensa à honra, reputação ou simples decoro Nesse sentido, cada pessoa tem a faculdade de recusar a exibição da da pessoa retratada. sua imagem ou a utilização da sua palavra, por serem reflexos da Assim, não obstante o direito à imagem ser um direito identidade pessoal. Ninguém pode ser de tal modo exposto sem o seu indisponível, e por isso irrenunciável, a lei permite, dentro de consentimento. No caso de ser permitido o uso de uma fotografia ou determinados limites, a captação o, reprodução e publicitação da imagem, desde que o titular do direito – quem tenha sido de uma gravação, estas têm de ser utilizadas co todo o rigor fotografado - anua ou consinta essas atividades. e a autenticidade que merecem, não podendo ser, por isso, Exige-se que o consentimento seja expresso e é importante descontextualizadas nem alteradas. perceber que, uma vez declarado, esse consentimento Por último, importa salientar que, quer o crime não é extensível a toda e qualquer situação, o de gravações e fotografias ilícitas como o que significa que a imagem não poderá ser crime de devassa da vida privada, não utilizada para fins diversos daqueles que foram pressupõem a exibição das fotografias ou consentidos. dos filmes a terceiros. Continua a haver No que respeita à punição do crime se o agente guardar as fotografias comportamento do aluno, e pressupondo para si. Significa isto que basta que o que tem idade igual ou superior a um aluno lhe tire uma fotografia, sem dezasseis (16) anos, podemos entender sua autorização e o faça forma livre, que se pode tratar, tanto de um crime voluntária e consciente, sabendo que o de gravações e fotografias ilícitas, como não podia fazer, para que se dê início um crime de devassa da vida privada. ao procedimento criminal. O crime de gravações e fotografias Para tal, deve formular uma ilícitas pune quem, sem queixa ou participação consentimento, gravar ou criminal junto do Ministério fotografar determinada Público ou junto dos pessoa. Nesse caso, o infrator órgãos de polícia criminal, pode ser punido com pena fazendo-se representar de prisão de um ano ou com preferencialmente por um pena de multa até 240 dias. advogado. 28 visite-nos em: www.valemais.pt

Dra. Stephanie Araújo da Costa Psicóloga-Clínica ESPECIALIDADES MÉDICAS: Pediatria; Ginecologia/Obstetrícia; Cardiologia; Medicina Interna; Dermatologia; Ortopedia; Medicina estética; Oftalmologia; Neurologia; Medicina Geral e familiar; Nutrição clínica e de emagrecimento; Psicologia Clínica e da Saúde; Podologia; Terapia Ocupacional; Osteopatia; Psiquiatria; Fisioterapia; Terapia da Fala; Acupuntura; Medicina Dentária; GAES – Centros auditivos (Parceiros); Bébé-vida (Parceiros); Massoterapia ESTÉTICA AVANÇADA: Laser Fisioterapeutico (podológico e vascular); Criolipólise; Shapemed; Depilação a laser; Máscara LED; Jato de plasma; Pressoterapia com infravermelhos; Botox e ácido hialurónico; Micro pen; Tratamentos Faciais PROCEDIMENTOS MÉDICOS: Electrocardiograma; Ecografia ginecológica AM SHAPE MED A tecnologia do futuro . . . para tratar o presente! A Clínica Curae é o único espaço onde pode ter acesso a este inovador equipamento, no Alto Minho. PLATAFORMA TECNOLÓGICA TRATAMENTOS CORPORAIS: TRATAMENTOS FACIAIS: 5 EM 1: Remodelação corporal; Lifting facial; Anti-rugas; Vácuo; Tratamento anti-celulite; Tratamento flash - Lifting 24h; Melhoria da textura da pele; Massagem Mecânica; Redução de volume; Contorno de olhos e lábios. Radiofrequência; Atenuação de estrias; Led; Refirmar/ Redensificar/ Tonificar; Relaxamento; Infravermelhosv. isite-nos em: www.vDraenlaegmemaliinsf.páttica29

Publirreportagem #IPVC VCPINOAIASSLTNTITIAETÉLUDCOOTNOICO DE O grande pilar deste instituto é o ter uma relação de grande proximidade e cumplicidade com a região e com os seus atores O IPVC é uma instituição pública de ensino superior, ao serviço incentiva o empreendedorismo com vista à empregabilidade, numa do desenvolvimento da pessoa e da sociedade, que cria e partilha lógica de cocriação de valor. conhecimento, ciência, tecnologia e cultura. É uma instituição empenhada na internacionalização através da Promove a formação integral dos estudantes ao longo da vida, partilha de conhecimento, formação, mobilidade e desenvolvimento combinando ensino com investigação, numa atitude pró-ativa de projetos, sendo reconhecida na cooperação internacional, em de permanente inovação, cooperação e compromisso, centrado no particular com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. desenvolvimento da região e do país, e na internacionalização. O IPVC é uma instituição que se afirma pela qualidade dos seus Carlos Rodrigues é o presidente modelos organizacionais e de governança alicerçada numa oferta formativa diversificada, inovadora, profissionalizante, global e versátil, Carlos Manuel da Silva Rodrigues é, desde julho de 2019, o presidente em plena articulação com a investigação aplicada e em permanente da instituição. compromisso com a região e o país. Com 56 anos e natural de Ourém, Carlos Rodrigues ingressou no Constitui-se como uma comunidade dinâmica, centrada na Instituto Politécnico de Viana do Castelo em 1989, depois de se promoção do potencial humano e que através de redes colaborativas, licenciar em Engenharia da Cerâmica e do Vidro na Faculdade de Aveiro, com mestrado em Engenharia e Tecnologia dos Materiais e doutoramento em Ciências e Tecnologias de Materiais. 30 visite-nos em: www.valemais.pt

ESA Escola Superior Agrária Ponte de Lima ESCE Escola Superior Ciências Empresariais Valença ESDL Escola Superior Desporto e Lazer Melgaço ESE Escola Superior de Educação Viana do Castelo ESS Escola Superior de Saúde Viana do Castelo ESTG Escola Superior Tecnologia e Gestão Viana do Castelo visite-nos em: www.valemais.pt 31

“Posso dizer, com alguma propriedade, que sou que se traduzirá num aumento da procura dos nossos uma das pessoas que melhor conhece o IPVC quer cursos. Ser também uma instituição onde se queira e pelas funções que desempenhei, quer pelo cargo goste de trabalhar. que ocupo atualmente na presidência”, começou por afirmar Carlos Rodrigues Presidente do Gostariamos que a população mais jovem do Alto Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Minho visse o instituto como uma opção, porque queremos aumentar o número de alunos vindos da “Conheço bem os pontos fortes e os menos fortes nossa região. da instituição, aquilo que é o entorno nacional e internacional no que diz respeito ao ensino Vivemos tempos Neste momento cerca de 50% dos alunos do Alto superior, assim como as particularidades de cada complicados, de Minho que andam no ensino superior estão no IPVC, uma das seis escolas do IPVC. A experiência incertezas, de mas nós gostaríamos de aumentar esse número\" anterior fez com que conheça bem a evolução dos ambiguidades conta o presidente. alunos do IPVC e as suas especificidades. e isso leva-nos A instituição tem mais de 90% dos docentes Carlos Rodrigues considera que “o grande pilar” do doutorados, os laboratórios estão altamente equipados IPVC é o “ter uma relação de grande proximidade a pensar em e, tudo isto, faz com que o IPVC seja uma instituição e cumplicidade com a região e com os seus atores”. abordagens de qualidade reconhecida. O presidente do IPVC é categoria ao afirmar que que não são as “o IPVC está ao serviço da Comunidade!”. Um tradicionais. E é Projetos pilar que, garante, continuará a fazer parte da isso que vamos estratégia para os próximos anos. Uma estratégia tentar fazer com Para além das atividades de ensino/aprendizagem, que será sustentada: que constituem o seu principal objetivo, o Instituto • No profundo conhecimento da realidade da Politécnico de Viana do Castelo desenvolve, ainda instituição e na identificação dos seus pontos fortes através das suas Escolas Superiores, outras ações nos e fracos; domínios investigação e desenvolvimento, prestação de serviços à comunidade, constituição de parcerias nacionais e internacionais e outras ações de índole cultural. • Na ideia clara da evolução que se pretende o nosso Plano A criação, em 2006, da Oficina de Transferência de fazer e do caminho a traçar; Estratégico para Tecnologia, Inovação e Conhecimento é a face mais • Na consciência dos fatores condicionantes ao visível do enorme esforço que o IPVC se encontra desenvolvimento pretendido, mas também, com os próximos a desenvolver na aproximação às empresas e à a perceção das oportunidades que existem, ou se quatro anos. comunidade em geral. adivinham, e que podem concorrer para o atingir Apesar da sua ainda curta existência, são já dos objetivos traçados. Este plano passa Se não estiver assente nesses pilares e numa ideia pela afirmação inúmeros os projetos desenvolvidos por esta oficina, clara do percurso, a Visão Estratégica é uma do IPVC como quer nacionais, quer internacionais, muitos dos quais expressão vã de conteúdo e de sentido. coordenados pelo IPVC. Contribuir para o desenvolvimento uma Instituição Destes destacam-se projetos internacionais e bem-estar das pessoas de referência coordenados na área de e-Learning, Fibra Ótica ou de Inovação para o Comércio Tradicional, bem nacional e como de projetos nacionais na área dos Sistemas de \"A nossa missão é contribuir para o internacional, informação Geográficos, Tecnologias de Informação desenvolvimento e bem-estar das pessoas, com intimamente e Comunicação, Materiais Cerâmicos, fomento de principal enfoque, no Alto Minho. A sociedade relacionada inovação para as PME, entre outros. tem de perceber que é uma parte muito com a sociedade De referir que, em áreas como as redes de fibra ótica importante na formação daquilo que são os seus civil e com um ou Sistemas de Informação Geográficos, o IPVC futuros ativos. forte impacto no tem assumido um papel de liderança tecnológica, Somos uma instituição que trabalha para o desenvolvimento conseguindo, por exemplo, criar a primeira rede de mundo, mas que tem de estar focada em servir, fibra ótica numa cidade portuguesa para fins não se possível, aqueles que nos são próximos e nos comerciais e o mais potente Sistema de Informação suportam\" explicou. Geográficos transfronteiriço entre Portugal e Espanha. Desde 2010/2011 que o número de alunos tem vindo a aumentar, sistematicamente. regional. No atual ano letivo (2019/2020) o Instituto Politécnico de Viana do Castelo tem inscritos 4485 Carlos Rodrigues FEIRA DE EMPREGO/CIMEIRA IPVC alunos. Uma aposta diferente para 2020 \"O IPVC é uma instituição reconhecida, nacional A Cimeira e feira de emprego do IPVC realiza-se a 18 e internacionalmente, pela qualidade da sua de março de 2020. formação. Qualidade assente num corpo docente Um evento que se encontra aberto a toda a técnica e pedagogicamente qualificado, em comunidade em geral e em particular a todo o processos formativos inovadores, suportada por atividades de IDI&T desenvolvidas numa Alto Minho. A par da feira de emprego (com parceria simbiótica com os atores da comunidade, ofertas de emprego e sessões temáticas) o evento irá mostrar toda a oferta formativa do IPVC às escolas secundárias e profissionais. 32 visite-nos em: www.valemais.pt

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Reportagem #V. N. Cerveira Bienal de Cerveira excluída de apoios Texto :: Manuel S. SUSTENTABILIDADE da DGArtes DA BIENALDE CERVEIRA ESTÁ EM CAUSA Programa poderá ter de ser bastante reduzido A Bienal mais antiga da Península Ibérica fica, outra vez, fora dos apoios estatais para as artes. O presidente da Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC), Fernando Nogueira, também presidente da Câmara Municipal, teme um futuro “muito escuro, para não dizer negro” desta evento internacional que, desde 1978, tem projetado a Vila das Artes. À VALE MAIS não deixou de manifestar a sua preocupação. Manifestou recentemente a sua preocupação, Na bienal de 2018 foi a primeira vez que não temendo um “futuro muito escuro” para a bienal. se registou apoio estatal DG Artes? Para 2020, Continua a temer? Porquê? como Estado não apoia, quanto é que terá mais de colocar? Continuamos a temer o futuro da Bienal Internacional de Arte de Cerveira, uma vez que está em causa a sustentabilidade financeira da Em 2018, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira candidatou-se ao instituição que a organiza, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira. O Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021, Artes Visuais. apoio que temos obtido da administração central tem sido residual, tendo A candidatura ao Apoio sustentado foi elegível, mas careceu de em conta o importante trabalho que desenvolvemos em prol da cultura apoio financeiro por falta de verba. Posteriormente, em junho de e das artes a nível regional e, diríamos até, nacional e internacional. 2018, apresentámos a candidatura “XX Bienal Internacional de Arte 34 visite-nos em: www.valemais.pt

de Cerveira: das artes plásticas tradicionais às novas CIM E DEPUTADOS PREOCUPADOS tecnologias”, no domínio “Apoio a Projetos – Programação e Desenvolvimento de Públicos”, que resultou num apoio Já José Maria Costa, presidente da CIM Alto Minho e da Câmara financeiro de 40 mil euros. de Viana do Castelo, em declarações públicas, referiu ter sido com “estupefação” a decisão “incompreensível” da Direção-Geral das No ano passado, obtivemos ainda o apoio para a Artes (DGArtes) de não financiar a bienal de arte de Vila Nova candidatura “Fundação Bienal de Arte de Cerveira: de Cerveira. “Esta decisão prejudica a programação da mais antiga the Collection on the road”, no programa de bienal da Península Ibérica e de Portugal, mas lesa também uma Internacionalização 2018, que envolveu a realização afirmação cultural descentralizada e fora da capital do país”, afirmou. de uma exposição em San Sperate (Sardenha, Itália), uma conferência sobre arte contemporânea portuguesa A candidatura da bienal de Cerveira é uma das cinco que foram e um programa de visitas guiadas, maioritariamente consideradas elegíveis para apoio pelo júri, mas para as quais não destinado a públicos em idade escolar. O projeto foi há financiamento disponível. São “decisões destas que prejudicam apoiado no valor de 12.790 euros. a coesão territorial e aprofundam as fraturas culturais” no país, afiança o líder da CIM Alto Minho. Não obstante, estes apoios têm sido pontuais e não se traduziram no apoio continuado que consideramos que “O esforço para manter eventos culturais de qualidade fora da mereceríamos obter, tendo em conta o programa anual capital são muito maiores, pois não beneficiam da cobertura dos de atividades que desenvolvemos. órgãos de comunicação social da capital, não beneficiam dos mecenas da capital, nem das elites da capital”, sublinhou, adiantando que Para a XXI Bienal Internacional de Arte de Cerveira “decisões como estas de administrações centralizadas empobrecem (2020), não havendo comparticipação do Estado, o culturalmente o país”. programa terá de ser substancialmente reduzido, uma vez que, no orçamento municipal, estão consignados “A solidariedade dos municípios do Alto Minho e dos agentes 170 mil euros para a Fundação Bienal de Arte de económicos da região vão, estou certo, apoiar a Bienal de Cerveira”, Cerveira, verba manifestamente insuficiente para que afiançou. se possa organizar esta edição da Bienal. A concretizar- se a falta de apoio, terá a autarquia de fazer um Por sua vez, os deputados do PS eleitos por Viana do Castelo esforço para suportar o diferencial. Esta situação não questionaram a ministra da Cultura, Graça Fonseca, sobre a não poderá prolongar-se indefinidamente, uma vez que os atribuição de financiamento à candidatura da bienal internacional recursos da autarquia são escassos e fundamentais para de arte de Vila Nova de Cerveira. investimentos noutras áreas. No requerimento enviado à ministra, os deputados Marina Gonçalves, A que, acha, se deve esta atitude da Anabela Rodrigues e José Manuel Carpinteira, perguntam “se existe DG Artes perante um evento como margem para a reapreciação da continuidade do apoio da DGArtes a da mais antiga bienal da Península aquele projeto cultural de excelência para a vila das artes, para o Ibérica; e foram 177 candidaturas distrito, mas também para a promoção cultural do nosso país”. elegíveis a receber apoios? “A Bienal Internacional de Cerveira, que conta com mais de 40 anos Consideramos que se continuam a centralizar os de história e com 20 edições já realizadas, é indiscutivelmente um apoios na capital, como se verificava antes do 25 de dos grandes acontecimentos do nosso país e uma referência para abril. Apesar de, como refere, terem sido elegíveis 177 a cultura artística nacional”, argumentam os parlamentares eleitos candidaturas, no concurso das Artes Visuais ao qual pelo Alto Minho. concorremos, apenas foram aprovadas três candidaturas e as três destinam-se para a área de Lisboa. Estes lembram, a propósito, que “artistas de renome expuseram a sua arte em Vila Nova Cerveira, ao mesmo tempo que esta deu O facto da Bienal ter o Museu do Ano oportunidade a novos artistas para promoverem as suas criações”. não vale para nada? “Tendo a fundação Bienal Arte de Cerveira ficado entre as A distinção de Melhor Museu Português de 2019, candidaturas elegíveis para apoio, mas para as quais não há atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia financiamento disponível, é importante conhecer os motivos pelos (APOM), veio reconhecer o trabalho que se tem quais se priorizou o financiamento de outros projetos, em detrimento desenvolvido em Vila Nova de Cerveira há 40 anos. de um projeto que valoriza o Alto Minho, dignifica o setor e permite Atualmente, cabe à Fundação Bienal de Arte de dar continuidade a um trabalho de excelência reconhecido nacional Cerveira dar continuidade a este legado e esta distinção e internacionalmente”, reforçam os deputados no requerimento veio sublinhar o seu papel de entidade legitimadora no enviado à tutela. panorama cultural e artístico. Também o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, através, das Esta distinção é elucidativa do trabalho de excelência deputadas Beatriz Gomes Dias e Alexandra Vieira, questionaram o que temos vindo a desenvolver e sem apoios diretos do ministério da Cultura, se acham importante a Bienal de Cerveira Estado, com muito esforço de uma pequena equipa, da e se vai o governo corrigir o subfinanciamento dos apoios às artes autarquia, dos fundadores, dos artistas e também dos garantindo o financiamento de todas as candidaturas consideradas próprios cerveirenses. elegíveis para apoio da direção-geral das artes para o biénio 2020/21. visite-nos em: www.valemais.pt 35

Proteção Civil uma parceria :: Vale Mais| ANPC CHEIAS E INUNDAÇÕES O QUE FAZER O mês de Outubro marca o início do ano hidrológico, período em que importa estar preparado para pre- venção dos riscos de precipitação historicamente associada a esta altura do ano. Éatravés de adoção de medidas Bacias hidrográficas • As cheias, potenciadas pelo transbordo do de prevenção e autoproteção que leito de alguns cursos de água, rios e ribeiras se impõe a necessidade medidas Na bacia do rio Minho as áreas mais potenciadas pelo abandono dos resíduos das mitigadoras face à possível ocorrência afetadas pelas cheias dispõem-se ao longo da atividades agrícolas, florestais e extração de de episódios de precipitação intensa, por zona fronteiriça, ribeirinha do curso principal, inertes, junto às vias de comunicação e dentro vezes acompanhada de intensificação de destacando-se as localidades de Valença, Vila das linhas de água; vento e rajadas e agravamento da agitação Nova de Cerveira e Monção como as que • A instabilidade de vertentes, conduzindo marítima. sofrem mais problemas. É de registar a forte a movimentos de massa (deslizamentos; Face à situação torna-se necessário levar a dependência das vulnerabilidades nacionais derrocadas e outros) motivados pela efeito ações de limpeza e desobstrução das à situação hidrometeorológica espanhola. infiltração de água, podendo ser potenciadas linhas de água, desentupimento de sargetas, pela remoção do coberto vegetal na sequência sumidouros e esgotos, para além da promoção Na bacia do rio Lima, os concelhos de Ponte dos incêndios rurais ou por artificialização de ações de observação e monitorização de de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez do solo, com a possibilidade de provocar/ eventuais situações de instabilidade de são os mais afetados pelas cheias. O laminar aumentar a instabilidade de solos e rochas e taludes e perda de consistência dos solos, de caudais nas barragens hidroeléctricas taludes, com potenciais acidentes associados a reportando de imediato qualquer situação de existentes no rio Lima permite atenuar os riscos este tipo de evento; perigo às autoridades. de inundação nas duas primeiras localidades. • Arrastamento para as vias rodoviárias Algumas inundações podem prever-se através de objetos soltos, ou desprendimento de da análise das condições meteorológicas e dos Alguns dos efeitos expectáveis estruturas móveis ou deficientemente fixadas, níveis de água nos rios e barragens, contudo e típicos para esta época são por episódios de vento forte, que podem as chuvas repentinas geralmente não dão propícios a: causar acidentes com veículos em circulação tempo de para avisar a população. ou transeuntes na via pública; De forma a diminuir os prejuízos materiais, • As inundações em zonas urbanas, causadas • Aumento de acidentes rodoviários, devido ou perdas de vidas, especialmente quem por acumulação de águas pluviais por à existência de piso escorregadio e eventual vive numa zona de risco deve manter- obstrução dos sistemas de escoamento, devido formação de lençóis de água ou arrastamento se constantemente informado acerca dos ao arrastamento de resíduos sólidos até de materiais sólidos para a via; procedimentos adequados que lhe permitam locais inadequados (sargetas, sumidouros e • Degradação de troços de estradas; estar em segurança. esgotos), podendo provocar cortes de vias de comunicação ou mesmo inundações nos pisos mais baixos dos edifícios. 36 visite-nos em: www.valemais.pt

Recomendações A EQUIPA VALE MAIS A ANEPC recomenda à população um conjunto de medidas DESEJA-LHE prevenção necessárias a ter face aos efeitos expectáveis: • O cidadão deve ter uma atitude pró ativa, garantido a UM SANTO NATAL desobstrução dos sistemas de escoamento de águas pluviais dos quintais, varandas, caves e garagens, limpeza de sargetas e E UM 2020 caleiras dos telhados de habitações, bem como verificar os sistemas de bombagem existentes. CHEIO DE SUCESSOS • Desobstruir as linhas de águas principalmente junto a pontes, aquedutos e outros estrangulamentos de escoamento; • Repor coberturas de edifícios em obras; • Recolher ou triturar os resíduos resultantes do corte dos salvados das áreas ardidas localizadas nas margens das linhas de água e de catividades agrícolas e florestais existentes nas margens das linhas de água; • Regularização de eventuais situações de eventuais desmoronamentos das margens das linhas de água, de modo a evitar obstruções ou estrangulamentos; • Observação e inspeção de diques, aterros longitudinais às linhas de água, destinados a resguardar os terrenos marginais; • Identificação de novos pontos críticos (aglomerados populacionais, edificações, vias de comunicação, pontes, etc). visite-nos em: www.valemais.pt 37

texto :: Manuel Pinto Neves Opinião VALENÇA E A CULTURA I I I (Passado, presente e futuro) Opresente cultural de De referir que a 1ª Semana Cultural da A solidariedade também é cultura quando Valença poder-se-á Câmara (1990) teve como ponto alto a soubermos dar o salto para além deste enquadrar no lapso de homenagem ao Prémio Nobel da Literatura, tempo cibernético, cada vez mais à medida, tempo que abrange a Camilo José Cela, que esteve presente. e alcançarmos o outro tempo mais humano. 2ª metade do século XX. Outras manifestações culturais se seguiram ao longo da década, de que refiro, apenas os A Humanidade debate-se com questões que Na década de 60, merece destaque toda a lançamentos de vários livros sobre Valença têm vindo ser proteladas por não se encontrar revolução estrutural de um passado cultural e a criação de dois corais polifónicos (o de S. coragem para as enfrentar. Os prodígios que residia, fundamentalmente, nas formas Teotónio e o de Verdoejo). da técnica não resolvem, por exemplo, os arquitectónicas. buracos de ozono, o “stress” asfixiante e o Houve um abrir de novos caminhos e o E o futuro, como vai ser ele no aspecto materialismo desenfreado, e estão a tirar-nos sensibilizar para a restauração de algum cultural? A resposta não será dada aqui e uma coisa: o sermos pessoas. património em degradação: muralhas, igrejas e portas, por exemplo. agora. Porém, na minha perspectiva, ele terá Nem só do pão vive o homem, mas também É bem verdade que alguma história se de passar por três pontos essenciais, que a da educação e da cultura. Todo o ser perdeu aí, mas essa vasta obra de limpeza seguir se sintetizam: humano, para além dos recursos materiais, era necessária para deter um franco declínio precisa de uma razão espiritual para viver. da verdadeira feição monumental. 1º - A necessidade de continuar a Na década de 70, Valença atravessou 3º - O último ponto do futuro passa pela uma fase de indefinição que trouxe um redescoberta do passado, remoto ou negativismo amorfo também ao aspecto mais próximo, de modo a que não juventude. Ele depende dos jovens. É por cultural. sejamos apanhados, neste século XXI, eles, apesar da incontestável confusão de Na década de 80, abriu-se um pouco mais por um vazio desse conhecimento, e não ideias e de uma inegável crise de valores, à cultura, começando pela 1ª Semana consigamos dar às novas gerações uma que o porvir será construído. Cultural (1983), implementada pela resposta concreta do que foi Valença; então Escola Secundária, que teve uma Para isso é preciso que eles não se deixem abertura solene com um espectáculo de 2º - A sociedade de hoje chegou ao manipular e tenham sempre critérios sólidos alto nível dado pelo Coral das Letras da de conduta. Que trabalhem com o coração, Universidade do Porto. Esta ideia pioneira limiar de um tempo novo repleto de com a inteligência e com a fé abertos de teve continuidade nos anos seguinte e viria avanços tecnológicos incomensuráveis modo a que “o mundo, depois deles, fique a fundir-se, já na década de 90 (1991) com e assustadores para quem se detenha um pouco melhor por nele terem vivido”. a Semana Cultural da autarquia. um pouco a reflectir neles. É aqui que podemos perguntar: e o humanismo? Que os adultos saibam cumprir a sua parte, Qual vai ser o seu futuro? Ele deve passar que os jovens, estou crente, saberão construir pela cooperação e pela solidariedade. o futuro cultural e o outro. 38 visite-nos em: www.valemais.pt

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Reportagem #Valença :: Tui :: Monção :: Salvaterra do Miño VALENÇA, TUI, MONÇÃO E SALVATERRA CRIAM CIRCUITOS TURÍSTICOS NAVEGÁVEIS NO RIO MINHO Foi apresentado, no Museu do Alvarinho, em Monção, o projeto Rio Minho: Um destino navegável que engloba quatro (4) planos de atividade com destaque para o melhoramento das condições de navegabili- dade do rio Minho, especialmente no espaço entre a ponte internacional de Valença-Tui e a ponte interna- cional de Monção-Salvaterra, para numa segunda fase, serem criados circuitos turísticos navegáveis, onde o navio constitua o principal meio de transporte. Oobjetivo deste projeto internacional lançando uma gestão PLANOS DE ATIVIDADE é criar um crescimento partilhada da rede Natura 2000 do sustentável através da Baixo Miño / Rio Minho aproveitando MELHORIA DA cooperação transfronteiriça a existência de um patrimônio cultural NAVEGABILIDADE para prevenção de riscos e melhoria e natural de alto interesse turístico DO MINHO RIO da gestão de recursos naturais tendo associado à especificidade da fronteira, como prioridade a conservação, transformando esse potencial turístico Esta atividade visa adaptar e proteção, promoção e desenvolvimento em uma vantagem competitiva em melhorar as atuais condições de do património natural e cultural, relação a outros destinos. navegabilidade do rio Minho, preservando e protegendo o meio especialmente no espaço entre a ambiente ao mesmo tempo que se Assim sendo prevê-se que estas ações ponte internacional de Valença-Tui promover a eficiência dos recursos. permitam o posicionamento do rio e a ponte internacional de Monção- Minho através das fronteiras, como Salvaterra, num total de 16 km, com Como resultado de um trabalho destino turístico único e diferenciador. o objetivo de criar as condições ideais de proximidade e cooperação para o pleno desenvolvimento das transfronteiriça entre instituições O projeto também aumentará a atividades náuticas de lazer e turismo locais e regionais com competências conexão entre a população as áreas no rio Minho. em desenvolvimento local, promoção ribeirinhas e os ecossistemas associados do turismo e conservação da e consciencializando a população Pretende-se lançar uma série de natureza, o projeto visa melhorar local sobre a necessidade da sua ações que permitirão, numa segunda a navegabilidade do rio Mino conservação e recuperação. fase, a criação de circuitos turísticos navegáveis, onde o navio constitua o principal meio de transporte. 40 visite-nos em: www.valemais.pt

AVALIAÇÃO DO CORREDOR AMBIENTAL DO RIO CRIAÇÃO DA ROTA MINHO FLUVIAL MINO INTERNACIONAL Esta atividade visa criar um produto de turismo náutico, Esta atividade visa promover o valor natural e paisagístico com referência ao rio Minho e aos principais recursos do corredor ambiental do rio Minho Internacional, uma área turísticos próximos (adegas, termas, centros históricos, classificada como Sítio de Importância Comunitária da Rede fortalezas, etc.). Natura 2000, nos dois lados da fronteira. Pretende-se iniciar uma ação piloto na seção fluvial do rio CONSOLIDAÇÃO DA MARCA Dois barcos, com Minho e criar as condições para VISIT RIO MINHO futuros projetos de investimento Essa atividade dará continuidade capacidade para 25 público e privado, visando o às ações realizadas no projeto pessoas, navegarão o desenvolvimento do potencial VISIT RIO MINHO, reforçando Rio Minho, nos meses de turístico do rio Minho, como destino o posicionamento da marca fluvial. no mercado aproveitando a colaboração iniciada pelos verão de 2020 e 2021 O rio Minho constituirá a rota municípios transfronteiriços envolvidos. principal da rota fluvial e o barco turístico, o seu principal meio de transporte, complementado Pretende-se converter a oportunidade da existência de em terra, por meio terrestre (minibus e minicomboio), que recursos endógenos e pontos de interesse turístico associados fará com que o visitante chegue aos principais pontos de à especificidade da fronteira (rio Minho, fortalezas da interesse ao longo da rota. raia, paisagem natural, patrimônio histórico e cultural dos centros históricos, diversidade cultural e linguística, contrabando, termalismo, adegas de alvarinho, etc.) numa vantagem competitiva sobre outros destinos. visite-nos em: www.valemais.pt 41

Reportagem #V. N. Cerveira Texto :: Manuel S. Adesão à APMCH deve ser ratificado este mês UM “NOVO CUNHO” PARA O CENTRO HISTÓRICO DE CERVEIRA Vila Nova de Cerveira decidiu integrar a Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico (APMCH). A decisão unânime do executivo camarário deverá ser ratificada, a 13 deste mês de dezembro, pela Assembleia Municipal. A adesão à APMVCH visa “potenciar a defesa, valorização, revitalização e animação” do centro histórico de Vila Nova de Cerveira, “que remonta ao século XIV, com a entrega da Carta de Foral de D. Dinis em 1321 (há 698 anos) e constituído por relevantes elementos patrimoniais”. foto: Gilberto Coutinho 42 visite-nos em: www.valemais.pt

“Sob proteção do Castelo D. Dinis surgiu, no uma fixação de povoação, ou seja, criada e Todos estes elementos se encontram em século XIV, o pequeno burgo que corresponde fixada uma comunidade populacional. Com estado de conservação bastante razoável. hoje ao centro histórico, demarcando-se um esse objetivo, a carta previa um conjunto de “Tenho verificado em tantos núcleos ou novo paradigma na história dos cerveirenses benefícios, ao nível dos impostos. centros históricos, até mesmo fortalezas e, sobretudo, da sua identidade. Aqui, a A partir daí, Cerveira começa a desenvolver- ou castelos, a existência de um índice de história e o património andam de mãos se como núcleo urbano. A carta de foral degradação muito maior”, observa o nosso dadas, com diversos edifícios com influência previu a constituição de três importantes cicerone, notando, porém, que, em termos de diferentes estilos arquitetónicos e épocas, tipos de poder: religioso, a parte militar e arqueológicos, há alguma preocupação que convidam a um roteiro histórico- administrativa; e o do desenvolvimento relativamente a algumas deficiências que as patrimonial, mas também artístico-cultural”, comercial da época. próprias muralhas já começam a apresentar observa o município cerveirense. “No âmbito do poder administrativo e militar que “não são muito preocupantes”. “O núcleo urbano histórico de Vila Nova é instituída em V N Cerveira a figura de Cerveira é enaltecido pela existência de do alcaide. Quando o rei D Dinis mandou MÍNIMO DE 100 uma harmonização entre o valioso legado e construir o castelo, foi com a intenção de HABITANTES as marcas que alguns dos mais importantes que este albergasse não só população, mas episódios da história nacional deixaram, também militares, que seriam para proteger Paralelamente, surgiu um pano de muralhas com as modernas intervenções urbanísticas e e defender parte do território nacional, e o a circundar todo o núcleo habitacional artísticas”, considera a autarquia. poder religioso”, explica-nos Nuno Correia. intramuralhas. “A carta de foral diz que Fundada por 15 câmaras em 1988, a Vários elementos associados surgiram então. tem de ter o mínimo de 100 habitantes. APMCH, com sede em Lamego, possui Desde logo a Casa do Alcaide (presidente Todavia, Cerveira tem um crescimento e um cerca de uma centena de concelhos e reúne da Câmara), o Pelourinho (símbolo do desenvolvimento rápido. Aqui (dentro do “municípios portugueses que possuam, nos poder judicial e administrativo), Igreja da Castelo) não cabiam muitas pessoas. Havia seus aglomerados urbanos, zonas antigas Misericórdia, Cadeia, Balcão virado ao rio uma outra muralha defensiva que não está merecedoras de preservação”. Minho e Capela da Senhora da Ajuda, os mais visível porque a população teve de crescer. Do Alto Minho, integram a APMCH os representativos elementos que encontramos E ela não podia crescer dentro da zona da concelhos de Viana do Castelo, Ponte de Lima, dentro do Castelo. Também aqui se situa 1ª muralha. Já não é possível ver, mas temos Caminha, Valença, Arcos de Valdevez, a cisterna cuja finalidade era aproveitar a o caminho da Barbacã, que está a pouca Melgaço e Ponte da Barca. água das chuvas (não tem ligação ao rio), distância da primeira”. A APMCH visa, entre outros objetivos, aquando dos cercos militares. Mais tarde, já no séc XVII, quando terminou “promover, em conjunto ou isoladamente, o período filipino em Portugal, surgiu uma 3ª todas as ações, com vista à defesa, muralha. Já não existe, até devido à expansão conservação, recuperação, reabilitação, da urbe, nomeadamente, com a passagem revitalização e animação desses centros dos caminhos de ferro e da estrada nacional. históricos, considerando-as zonas carecidas de proteção prioritária, como valores que são da maior importância nacional e de indiscutível interesse público e, principalmente, como fatores determinantes para o progresso e bem- estar das populações que deles desfrutam ou usufruem”. UMA VISITA CICERONEADA A VALE MAIS andou pelo centro histórico de V. N. Cerveira, tendo como cicerone Nuno Correia, antropólogo, chefe da divisão sócio- cultural da autarquia municipal, onde está há cerca de duas década, e que tem devotado muito do seu tempo ao estudo da história local A visita começou pelo Castelo, mandado construir por D. Dinis há 700 anos, à semelhança do que fez com outras localidades situadas em zonas de fronteira. Até então, V.N. Cerveira era apenas um aglomerado de pessoas, embora a sua ocupação remonte já à pré-história, conforme salientou o estudioso. A carta de foral outorgada em 1321 – em que era reconhecido o conceito de concelho - tinha como objetivo não só proteger a entrada de espanhóis através do curso do rio Minho, mas também era intenção de que houvesse visite-nos em: www.valemais.pt 43

EXTERIOR AO CASTELO DINAMIZAÇÃO Exemplificando: “Por um lado, neste roteiro patrimonial, existe um conjunto de pontos “Se lá dentro tínhamos o poder militar, Nuno Correia considera, porém, que a fundamentais para que possam conhecer administrativo e, também, o religioso, aqui revitalização, dinamização, animação e melhor o centro histórico. Na minha onde agora estamos, na praça central da vila requalificação do centro histórico não é perspetiva, essa viagem deve começar sempre (a que chamamos, hoje, Terreiro), temos a uma coisa que só vai arrancar agora que a pelo próprio Castelo de Cerveira, a génese Igreja Matriz”, observa o nosso interlocutor, Câmara adere à APMCH. onde se inicia esta história medieval; por notando que este era, já então, o ponto de “É uma coisa que tem decorrido e que está à outro lado, num sentido mais contemporâneo, encontro da população e onde decorriam as vista de todas as pessoas. Grande parte das fazer um roteiro artístico junta das imensas feiras medievais. iniciativas culturais decorrem, curiosamente, esculturas que, se calhar, as pessoas, que Ali na zona do Terreiro também se situa a na zona do centro histórico. Há todo um por aqui passam, já nem sequer conseguem CASA VERDE, construída no séc XVIII por trabalho de requalificação, dinamização e perceber que elas já fazem parte desta emigrantes do Brasil e propriedade privada, o atratividade desenvolvido. Que pretende o ambiência.” monumento A MEMÓRIA (homenagem aos executivo com esta adesão a esta associação? soldados que faleceram durante as invasões Dar uma ênfase distinta, um novo cunho, a APOGEU DE CERVEIRA francesas), e o SOLAR DOS CASTROS (onde todo o processo de dinamização do seu centro funciona a Biblioteca Municipal). histórico. À semelhança do que têm feito Instado sobre os períodos de maior apogeu da Percorremos, ainda, as ruas Queiroz Ribeiro outros concelhos”, refere. história do burgo, Nuno Correia hesitou, mas e César Maldonado, artérias que são acabou por citar alguns “e, certamente, há praticamente medievais. “Como todos os ROTEIROS outros que não ficam registados”. núcleos populacionais, Cerveira foi crescendo O primeiro momento, importante para e, evidentemente, as pessoas começaram a A pedido da VALE MAIS, Nuno Correia Cerveira e o seu centro histórico, é a atribuição construir as suas casas fora da fortaleza”. deixa duas sugestões de roteiro para percorrer da carta de foral de D. Dinis e a sua intenção Na última daquelas artérias (a César o centro histórico. de mandar construir o Castelo. Maldonado) situa-se um “edifício bastante “Por um lado, um roteiro patrimonial. Por Outro momento preponderante foram curioso”, uma antiga habitação senhorial, outro, um artístico. Pese embora exista “as invasões francesas e o papel que V.N. julga-se do séc XVIII, que tem um estilo uma simbiose e uma perfeita adequação e Cerveira teve em não permitir que as tropas neoclássico e que já teve várias utilizações. articulação entre a colocação escultórica que francesas de Soult entrassem por Cerveira”. Foi hospital da Misericórdia, como apoio ao existe de arte, resultado das bienais de arte Mais recentemente, todo este desenvolvimento caminho dos peregrinos, depois instalações internacionais, penso que as pessoas têm de harmonioso que existe entre o conceito de da GNR, atualmente a escola ETAP, como conseguir perceber ou interiorizar que existem Vila das Artes e o respeito que este tem pelo as “reconstruções e adaptações ao fim a que perspetivas e conceitos distintos”, considera. património existente. se destinou”. 44 visite-nos em: www.valemais.pt

HOTEL DE QUATRO ESTRELAS Barbacã de Porta: O castelo no seu todo não é obra de um único momento pelo que foi sendo melhorado em termos Entretanto, foi anunciado que o castelo de Vila Nova de Cerveira de eficácia militar. Um dos exemplos é a barbaca de porta, deverá reabrir portas em 2021, transformado em hotel de quatro onde ao ser construída uma segunda linha de muralha mais estrelas, num investimento privado estimado em cerca de três baixa, se criava um percurso sinuoso de acesso, em cotovelo. milhões de euros. O objetivo era retardar qualquer investida que fosse feita, A integração na associação dos municípios com centro histórico e mesmo a cavalo, fazendo com que o exército atacante o desenvolvimento harmonioso, acrescido com este facto, são uma ficasse retido entre portas e exposto a tiro das muralhas e mais valia para V. N. Cerveira. ambas as torres. O futuro, como prevê o nosso cicerone, poder-se-á traduzir em Casa da Câmara: Um dos principais símbolos de poder do desenvolvimento turístico, como consequência do histórico. “Acaba concelho, instituído pela carta de foral. Desta relação com o por ser extremamente relevante que o Castelo seja recuperado para poder régio destaca-se a coroa real sobre a porta principal uma funcionalidade própria. Sobretudo para uma que está em do edifício. A gestão da vida concelhia fez- se neste local constante desenvolvimento como é o turismo”, observa. até aos inícios do séc. XX, sendo que o edifício contíguo era a antiga cadeia. Pelourinho: Símbolo do poder administrativo e judicial. Aqui eram lidos os anúncios à população e as sentenças dos crimes. Também aplicadas algumas penas, como os acoites. Para a forca, localizada no exterior da vila, eram levados os criminosos para a aplicação de penas capitais. Igreja da Misericórdia: Construída em várias fazes, sendo que a mais recente corresponde ao corpo principal e data já de 1811. Desde o séc. XV que esta instituição vinha a desempenhar um papel cada vez mais relevante, principalmente no que toca à caridade e assistência a mendigos, viajantes e peregrinos, tendo chegado mesmo a ter um hospital, inicialmente dentro das muralhas do castelo. A construção deste templo tem inicio com o achamento miraculoso da imagem do Sr. ECCE Homo, que ainda hoje podemos admirar no topo do altar lateral. A profunda devoção desta imagem faria com que o templo fosse crescendo. A parte mais antiga corresponde á sacristia. Porta da Traição: é um dos elementos originais do castelo. Trata- se de uma porta de pequenas dimensões, colocada em local discreto e de difícil acesso. A sua missão não era mais que permitir um ponto de fuga para que alguém pudesse buscar ajuda no caso de cerco. Balcão: voltado ao rio: construído mais tardiamente, já durante as guerras da restauração, tinha por missão bater a tiro de canhão a fronteira fortaleza de Goian e a passagem do rio, que neste local é fácil. Este facto vez com que durante as invasões francesas e o general Soult tentar atravessar aqui. Capela da Sra. da Ajuda: Construída perto de 1650 pela guarnição militar do castelo, a par da constituição da confraria da mesma invocação. Largo do Terreiro: qualquer aglomerado urbano desenvolveu-se em torno de três polos. O religioso, sendo a igreja ponto essencial de referência e encontro da comunidade. O comercial: a praça onde decorria a feira, que durante toda a idade média foi o principal polo de atividade económica, e, neste caso, o Largo do Terreiro. O militar e administrativo, com o Castelo, albergava as principais instituições da época, que administravam e defendiam a vila. Foi com base nestes três polos e ao longo da estrada que ligava Valença a Viana do Castelo, que V. N. Cerveira se desenvolveu. Dentro desta lógica o Largo do Terreiro acabaria por se tornar na Praça central da urbe. visite-nos em: www.valemais.pt 45

Turismo texto :: Nelson Azevedo TEMOS TURISMO A MAIS? Ao longo dos últimos 2, 3 anos o país tem assistido a um debate importante sobre a percepção que existe sobre os constrangimentos que o afluxo de turistas tem trazido para algumas das cidades mais salientes do ponto de vista de atractividade turística como Lisboa, Porto, Sintra, Aveiro, Coimbra: há ou não turismo em excesso? O presente artigo tenta esclarecer o leitor da Vale Mais partindo de uma retrospectiva sobre o passado recente e tenta oferecer uma visão de futuro. Évoz corrente nos media e em várias redes sociais que existem As reacções dos vários organismos oficiais de turismo têm sido cidades que já há alguns anos sofrem de “turismite”, uma mais ou menos enérgicos, mais ou menos acertados, mais ou menos inflamação dos locais e das cidades mais turísticas do mundo, proporcionais: por um lado em várias cidades assistiu-se a várias em que os habitantes locais se vêem privados do seu conforto organizações e simples populares a hostilizarem a presença de e dos seus espaços em favor dos habitantes por umas horas, vulgo turistas e repudiarem a massificação turística em Barcelona, até turistas. porque tinha havido em 2017 um ataque terrorista nas Ramblas, Na verdade, o fenómeno intensificou-se nos últimos anos, mas já expoente máximo na cidade catalã desse fenómeno de excesso; por vem do início deste século, onde se assistiu a grandes sobreposições outro lado – e seguindo a máxima de “se a vida te dá limões, faz entre os residentes de cidades como Veneza, Amsterdão, Paris, limonada!”- algumas instituições e governos de cidades afectadas Barcelona que viram as suas cidades literalmente e fisicamente pela chegada de milhões de visitantes anualmente entenderam que invadidas por turistas e grandes multinacionais ao mesmo tempo se conhecerem melhor estas pessoas, serão capazes de os segmentar que viam desaparecer negócios familiares, pequenos lugares típicos em diferentes perfis, e com isso, oferecer-lhes outros tipos de lugares, e acarinhados durante décadas sucumbirem à falta de clientes e à serviços e até produtos que se podem encontrar noutra cidade / pressão imobiliária. região situada perto da cidade mais popular. 46 visite-nos em: www.valemais.pt

Finalmente, houve ainda cidades que encontraram na aplicação Podemos dizer que temos turistas a mais? de taxas uma solução mais matreira para contrabalançar o efeito Podemos dizer que nos incomoda que nas ruas negativo dos milhões de “novos habitantes temporários” nas suas de Viana do Castelo ou Ponde de Lima não se cidades. rompe? A verdade é que o futuro terá que ser necessariamente diferente. Por muito que o O que sabemos hoje sobre esta pressão (causas marketing se esforce, por muito que as cidades e efeitos) deve ajudar a planear de modo mais maiores coloquem restrições ao AL, a verdade eficiente os tempos que se avizinham. Em jeito é que a sustentabilidade do sector do turismo de resumo, podemos apontar as seguintes causas: em Portugal depende em larga medida das seguintes equações, que têm que ser resolvidas I. O poder das companhias aéreas de low-cost, transportando muito rapidamente: facilmente milhares; I. A promoção das regiões periféricas tem que ser feita de modo II. A amplificação da sensação de experiência através das redes desinibido: se se apostar na devida segmentação dos públicos, mais facilmente se atrairão novos públicos; sociais; II. Terá que haver uma concertação de esforços por parte das regiões III. O crescimento inegável das plataformas mais informais de em promoverem regiões, mais do que simples locais ou concelhos; alojamento (casos da Airbnb ou Booking); a probabilidade de atrair visitantes que fiquem por mais tempo aumenta quanto maior e mais diversificada for a oferta de regiões IV. O enorme crescimento nas rotas de cruzeiros, que significam geograficamente próximas; milhares de pessoas ao mesmo tempo a entrarem em cidades – já são III. O envolvimento das comunidades tem que ser muito mais visíveis esses efeitos em Lisboa e também no Porto/Matosinhos. efectivo e os benefícios da actividade turística têm que ser colhidos Quanto aos efeitos, colocaremos em dois tipos pelos habitantes locais, seja porque beneficiam de melhorias bem marcados; os efeitos negativos principais urbanísticas, seja porque encontram empregos ou têm oportunidades de serem eles próprios autores de experiências com turistas; I. Pressão física no espaço das cidades, com evidentes repercussões nos IV. Os frutos da actividade económica têm que se reflectir de centros históricos e nos sistemas de transporte; forma inequívoca também pelos trabalhadores de restauração, II. Aumento do consumo de água, energia e víveres, que contribui alojamento ou dinamização turística. Esse é um dos primeiros passos para manter os diversos intervenientes dentro do processo de para um aumento dos preços; simultaneamente, o lixo produzido desenvolvimento turístico. aumenta exponencialmente em determinadas épocas do ano; É certo de que Portugal tem muitas velocidades no que diz respeito III. Pressão imobiliária que transfere muitos dos habitantes dos à atractividade turística. Claramente estaremos perante cenários que podem perder fulgor, dada a concorrência existente neste sector. locais mais “turistificáveis” para as periferias, o que por sua vez faz Antecipar o futuro é responder à questão do título do artigo. Eu diria disparar o preço da habitação (compra/ arrendamento)- fenómeno “Não, se...” de gentrificação; IV. O aumento da poluição, barulho e outros factores percebidos como indutores de qualidade de vida e mesmo da experiência enquanto turista. V. Perda de identidade de muitos lugares devido à instalação de lojas de multinacionais Por outro lado, os efeitos positivos: I. A reabilitação urbana que se verificou em muitas cidades; II. A dinamização de sectores da economia e de muitas pessoas que se tornaram gestores hoteleiros (Alojamento Local); III. Recuperação de muitos locais, infraestruturas e recintos por via de receitas provenientes do turismo; IV. Veículo de geração de riqueza para os países por via do aumento das receitas externas e pelo aumento da actividade económica (que se reflecte num aumento da cobrança de IVA, IRS, IRC, e taxas). Este é o estado geral do fenómeno turístico. Como país continuamos a crescer para receitas na ordem dos 16.6 mil milhões euros, 24.8M de hóspedes e 66.1M de dormidas (2018); no Norte, o crescimento 2018- 2019 situa-se nos 12.8% no número de hóspedes para um total de 2.4M (Jan-Set 2019). visite-nos em: www.valemais.pt 47

texto :: Manuel Cunha_Pólen Opinião (Leopold Stokowski) Pai? Sabes o caminho para Vilar de Mouros? Portanto, agora com 60 anos estou de volta a um falso sonho, Vilar de Mouros pelas bórdinhas... Nenhuma banda me seduzia e troquei Sorri. Palpita-me que conheço todos os caminhos que desaguam a o bilhete por uma bela garrafa de maduro tinto e quatro horas à Vilar de Mouros. Tudo por causa dum gira-discos que comprei com procura dos meus fantasmas do passado. a minha primeira féria. E comecei a ouvir música e a escolher a Com a máquina fotográfica a bater estilo... A fugir das pessoas, escondido mensagem. E tudo descambou no rock sinfónico e progressivo... atrás do obturador. E o som fugia cá para fora a tentar respirar. Para a composição pictórica, o meio termo entre o clássico e o rock das O ambiente é de passarele a ver quem mais seduz. Truques do vazio. longas metragens para elevar o sonho da arte sublime; levitação e Ópios de contrafacção... de repente estilhaça uma memória no ar! cosmos... refiro-me a bandas como os Genesis, os King Crimson, os Van Ei! Eu conheço isto! Da primeira banda, House of Love, um hit der Graaf, os Jethro Tull, os Emerson, Lake & Palmer, os Yes, os Gentle das minhas andanças; the Beatles and the Stones! Dos nossos Giant, os Pink Floyd, os Tangerine Dream, o maluco do Zappa... acampamentos no Gerês com uma cassete gravada da rádio das Aconteceu porém que surgiu uma banda fora do contexto. E fomos, músicas mais batidas do momento. A comoção estacou, a prestar eu e meia dúzia de amigos, a Vilar de Mouros única e simplesmente atenção. Um copo foi servido a meu belo prazer. A noite ganhava por causa dos U2. Eram uns putos da nossa idade! Hoje rivalizam outra dimensão. Voltei a fugir para o monte. Depois houve o silêncio com os Stones para a melhor banda mundial. Adiante. para uma nova banda. Agora, não tinha vontade nenhuma de os voltar a ver. Nem de Quando os Sisters entram em palco dou comigo na represa. Há uma borla. É demasiado aparato bélico e humano que lhe rouba a luz estagnada no cantar da água e um jovem casal sentado tipo essência do meu conceito de ver um concerto e usufruir... Fomos de estátuas de mármore a complicar a paisagem... Era uma explanada comboio e tenda até Caminha. sem mais ninguém e um bar ausente... Acampei ali, tirei a boina E essa semana de fins de Julho de 82 foi o Woodstock da minha como tripé e fotografei o impossível silêncio. Até tenho a ligeira vida. Depois há um vazio d’alguns anos que demora a voltar ao impressão de uma estranha felicidade. Depois sentei-me a saborear local do crime. Já casado, a morar em Vizela, soube que o Bowie outro maduro copo. tinha cancelado um concerto no Porto. E as memórias, crianças nuas, a dançar ali à minha volta... Milhares Liguei a um amigo; e milhares de pessoas a meu lado, sentia o burburinho na pequena - Então? Sempre vais ver o concerto? distância, e eu ali, a fazer barcos de papel, aguarelas futuristas com – Não! Ele cancelou! vista para o eterno limbo... – Oh, que pena... e então? Quando comecei a descer, dei comigo a dançar a última música – Pois, está o Peter Gabriel em Vilar de Mouros, não é? dos Sisters of Mercy; This Corrosion, que tanto gosto e trago como – É... vamos? E fomos... Por outro caminho para Vilar de Mouros... piercing da alma, mas cantada pelos Lambchop... ah, eles que e o anjo Gabriel soube a pouco. Um concerto super formatado para venham que eu cá voltarei, para me esquecer das bórdinhas... maiorias... Não faz o meu género... e jurei que nunca mais. Mas Há uma geografia sentimental que me leva de olhos fechados a ainda hoje ouço o senhor Gabriel. Vilar de Mouros. E passou outra fornada de tempo. Agora, tempos modernos; - Ó pai, o Guga quer ir a Vilar de Mouros para ver os Sisters! – Vamos! disse eu. – E tu gostas disso? – Hum, não! Mas posso dar por lá umas voltas, de largo... E fomos por outro caminho que conhecia. 48 visite-nos em: www.valemais.pt

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Reportagem #Monção Texto :: Manuel S. COM ABORDAGENS E INICIATIVAS PIONEIRAS DESTACA-SE NO ENVELHECIMENTO ATIVO Aassociação CENSO acaba de ser, mais VALE MAIS quis conhecer melhor esta instituição monçanense, uma vez, premiada. Desta vez, é a única sediada na freguesia de Valadares e cuja atividade abrange do Alto Minho que está entre 27 institui- áreas dos concelhos de Monção e Melgaço. Estivemos lá e ções de Solidariedade Social galadoardas, conversamos com responsáveis da mesma – Sónia Durães, num conjunto de mais de duas centenas de candi- diretora técnica; Catarina Rodrigues, gerontóloga; e Maria João daturas. Foi distinguida com o prémio BPI La Caixa Carvalho, terapeuta ocupacional. Ainda com a animadora Sénior 2019, através do projeto “Memória e Mo- sociocultural, Ana Isabel, a mais antiga funcionária da vimento”. o qual visa promover o envelhecimento instituição (tem 18 anos de casa), e alguns utentes. ativo através de diferentes abordagens. 50 visite-nos em: www.valemais.pt


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