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Vale Mais Agosto & Setembro'17

Published by info, 2017-08-23 06:02:28

Description: Vale Mais n.º56

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V. N.Cerveira Raul Costa ‘conquista’ o Qatar Ponte da Barca Rusgas candidatas a Património da Humanidade Paredes de Coura ‘Estórias’ de um festival queViana do Castelo começou numa brincadeira de amigosJÓIA DO ALTO MINHO Chakall vai cozinhar no Gil Eannes # N.º56 #AGOSTO E SETEMBRO # 2017 # BIMESTRAL # PVP :: 1€1MELGAÇO :: PAREDES DE COURA :: VILA NOVA DE CERVEIRA :: PONTE DA BARCA :: VALENÇA :: CAMINHA :: MONÇÃO :: ARCOS DE VALDEVEZ :: PONTE DE LIMA :v: aVleIAmNaAis.pDtO CASTELO

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O SONHO DA ANDREA Este é o artista internacional que registamos. Porque, sobretudo, as nossas sinergias concentram-se na Península Ibérica. Mas todos osA organização calcula que, ao longo das quatro edições anos convidamos outros artistas.anteriores, o IKFEM acolheu mais uma centena de alunos de Muitos dos artistas, espanhóis ou portugueses, vivem no estrangeiro.nove países diferentes. Pelos vários espaços da Eurocidade Há também muitos alunos e artistas de Valença e Tui. Tivemos concertoValença-Tui passaram nomes prestigiados de artistas nacionais de músicos, tanto do Conservatório de Tui, como da Academia dae internacionais, nomeadamente, de Itália, Lituânia, Israel, Fortaleza de Valença. Penso que é importante dar-lhe um espaço paraBélgica, Áustria e, claro, Espanha e Portugal a terem a sua eles também se mostrarem.representação na Eurocidade Tui-Valença. A ponte foi uma declaração de três mil pessoas. Um espetáculo especial com 10 pianos, a celebração de cinco anos do festival. MasA jovem diretora Andrea González tem já um currículo queremos continuar com este formato, de qualidade, íntimo - hojeassinalável. Pianista e gestora musical, é master temos um público maior, mas continua a ser este conceito íntimo -em Music Business Management pela University onde a amplificação dos instrumentos não ajuda, mas não desvirtue oof Westminster, em Londres, Inglaterra; Biennio som, a pureza e a qualidade artística. Para nós, é importante seguir aSpecialistico em piano, pelo Conservatório Giuseppe qualidade artística em tudo que fazemos.Verdi; e formada em Gestão Musical pela Academia de TAMBÉM HOUVE MASTERCLASSES, WORKSHOPS, AINDA HÁ POUCOTeatro do Scala, ambos em Milão, Itália. ASSISTIMOS A UM PIANO EM QUE UM PROFESSOR CONVIDAVA PESSOAS, ALUNOS, PRESENTES NA PLATEIA… ISSO É IMPORTANTE?Preside à Juventude Musical de Tui, é membro das Juntas Sim. Fizemos um concerto com alunos das masterclasses e, penso,Diretivas das Juventudes Musicais de Espanha e da é uma oportunidade única. São músicos, pianistas. Também fiz issoAssociação de Amigos da Fundação Fundación Barrié. quando fui aluna, agora estou do outro lado… sou professora. Mas,Organizou a 86ª edição do Concurso Permanente de recordo, quando ia aos festivais, era um momento único para aprender,Juventudes Musicais de Espanha, efetuado em Tui, em para controlar os nervos, experimentar.novembro de 2016. Nesses mesmo ano realiza uma tournéede concertos em Austrália. INTELIGENTE E ESTRATÉGICOA VALE MAIS esteve à conversa com ela durante esta 5ª PORQUE SURGIU O IKFEM?edição do IKFEM. Surgiu porque… penso já desde pequena, desde que sou música, pianista,COMO TEM SIDO A EVOLUÇÃO DO IKFEM AO que tenho essa motivação pela divulgação da cultura. Para unir pessoas,LONGO DO TEMPO? QUAIS OS RESULTADOS para transmitir, sobretudo… penso fazê-lo na “minha casa”… levo muitosPRODUZIDOS? anos no estrangeiro, formando-me, estive na Austrália, Itália, Londres, mas sempre tive um pé na minha terra. Que de formosa tem tudo, só necessitaA evolução tem sido progressiva, em crescendo. Já tinha de pessoas que realmente tenham uma ideia e tempo para fazê-la.as ideias, mas sempre pensei que as coisas têm de crescer Mas este evento é único, temos um diamante em bruto. Esta misturalentamente, pouco a pouco. Os crescimentos que são de da Eurocidade é muito boa porque estamos no marco europeu,forma rápida, depois, podem não ter bons resultados. Tem turisticamente belíssimo, atrativo e a utilizar a música como ferramentade ser mais uma coisa feita com solidez, feita com os pés para chamar os turistas aqui, para dar a conhecer o nosso território, éna terra, com pilares, para ter um futuro mais assegurado. muito inteligente e estratégico. E já está dando frutos.A evolução decorre sempre com o crescimento dos valemais.pt 15concertos. Agora fazemos em espaços maiores. Foram 3mil pessoas na ponte, na Fortaleza conseguimos misturaro público espanhol com o português, coisa que estávamostrabalhando e a procurar estratégias para conseguir isto.Porque todos os anos fizemos os concertos dentro dafortaleza de Valença, do mesmo modo que o de Tui. Mas eraum bocadinho difícil misturar tanto público, sobretudo, àsvezes, notávamos da parte de Portugal… agora vemos quehá uma participação bastante equitativa. A qualidade dosartistas, penso, mantivemos, pois sempre foi muito boa.DECLARAÇÃO DE TRÊS MILPESSOASQUANTOS PAÍSES JÁ PARTICIPARAM?Ui… Teria de fazer muitas contas. Posso dizer que, nestascinco edições, tivemos já 100 alunos de nove paísesdiferentes. Nesta temos espanhóis, portugueses e umvenezuelano, Carlos César Rodriguez.

UM AUTARCA CORTAR PONTE NÃO FOI FÁCILENTUSIASMADO “Foi a primeira vez que nos autorizaram a fazer uma coisa destas,Satisfeito com os resultados estava também o edil de cortar a ponte. Isto não é fácil, são dois países e quatro entidadesValença, município envolvido na organização. responsáveis pela ponte. E, depois, há questões, como a da Agência Portuguesa do Ambiente, que também tem de dar a sua opinião;“A primeira conclusão é que, passados cinco anos, portanto, ter todas as entidades públicas, portuguesas e espanholasconseguimos ter um festival de referência. De música de acordo, não foi fácil”- salienta.clássica, piano, mas também de jazz. Passou a ser umareferência internacional. Temos de louvar o trabalho de Todavia, “há sempre da nossa parte, também, o receio de que numtodos aqueles que estiveram, desde a primeira hora, à evento destes, por questões de segurança, possa haver um azar. Saberfrente deste evento, em especial, os dois municípios que como é que aquilo ia correr, como é que era a segurança na ponte, sepatrocinam o evento (Valença e Tui) e os organizadores – houvesse um momento de pânico como é que as pessoas iriam reagir;um conjunto de jovens – que há cinco anos nos desafiaram tudo isso foi calculado, e, portanto, se alguém tinha algumas dúvidaspara avançarmos para este projeto “ – refere-nos. nesta matéria, uma área em que a GNR e Guarda Civil nos exigiram…. estão criadas as condições para um próximo evento, no próximo ano,Jorge Mendes considera: “Em termos de público, todos os a ponte estar cortada mais horas. Porque, até, neste aspeto não houveanos, praticamente todos os espetáculos estão esgotados, nenhum problema de trânsito.”em vários momentos do dia; e, este ano, com o eventoda ponte internacional, correu muito acima das nossas “A ponte esteve cortada até à meia-noite. O objetivo é que seja até às 3hexpetativas. Criamos aqui uma experiência única – não da manhã, por exemplo. Para podermos prolongar o espetáculo, porqueé todos os dias que se corta uma ponte, ainda por cima as pessoas vieram para a ponte e depois não queriam ir embora. Como separa um evento cultural. Portanto, essa surpresa, aliada verificou, ficaram ali, enquanto se ia desmobilizando, os músicos e afinsà qualidade da dos músicos, nesse dia, superou todas as em amena cavaqueira. Temos possibilidade de, para o ano, prolongar onossas melhores expetativas. evento por mais duas ou três horas” – adianta. A afluência também superou as previsões. “Na ponte esperávamos entre 1000 a 1500 pessoas e mais do que duplicamos. Os outros concertos estiveram todos esgotados. Cada um tinha capacidade para 200/300 pessoas. A estimativa da organização anda pelas sete mil pessoas”.16 valemais.pt

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Reportagem #Arcos de valdevezJosé C. Sousa Direitos Reservados & Fotoclick ATLÉTICO DOS ARCOSÚnico clube do distrito no Campeonato de PortugalO Clube de Arcos de Valdevez sagrou-se campeão distrital na última jornada, Carlos Caçador não tem dúvidas que essa foi a situação mais negativa ganhando, ao sprint, a corrida ao Clube que o clube viveu.Desportivo de Cerveira. Apenas um ponto separou asduas formações – 62 do Atlético contra 61 do Cerveira “O clube atingiu uma dívida incomportável e chegou a um ponto que– o que bastou para que a turma arcuense terminasse não tinha capacidade para a suportar [...] Acabou por dar insolvência e,o campeonato na 1.º posição, tornando-se, assim, na em 2012, começou do zero”.única equipa do Alto MInho a disputar o Campeonatode Portugal Prio, na época 2017 – 2018. Nessa altura, era secretário técnico do plantel sénior mas, no ano seguinte, acabou por chegar a presidente. “A gestão do clube deve ser feita conforme as suas possibilidades, comFomos ao Etádio Municipal da Coutada para conversar com os apoios dos patrocinadores, dos sócios e adeptos, mas sempre numaJosé Carlos Caçador Marinho, o atual presidente do Clube. base de sustentabilidade. Porque, se assim não for, as loucuras levam a caminhos que já conhecemos”.Com 62 anos de idade, Carlos Caçador está ligado ao IDENTIDADE E BOA GESTÃOfutebol e ao Atlético desde os 14 anos, quando começou adar os primeiros ‘toques’ na bola. “Considero que estes cinco anos foram muito bons, tanto a nível desportivo - com bons resultados e boas condições para as equipas dosAlém de presidente deste clube, também o é na Associação vários escalões -, como a nível financeiro”.de Pesca Desportiva do Vez e selecionador nacional dePesca Desportiva, na vertente Isco Artificial. “Isto envolve muito trabalho, muita dedicação, muito tempo e, apesar de haver pessoas que entendem o esforço que é feito, há outras que julgam“O futebol sempre foi uma paixão e a pesca também. Às que as coisas caem do céu. Há sempre aqueles que criticam, mas nãovezes, não é fácil conciliar, porque ambas me ocupam muito aparecem para ajudar”.tempo e tenho a consciência que as minhas obrigações, emcasa e na família, são, por vezes, esquecidas”. Segundo o presidente, a base deste clube tem de ser os elementos da terra.CLUBE COMEÇOU DO ZERO “Desde o início da nossa gestão que tivemos a nossa identidade. QueremosEm 2009, a equipa arcuense viveu o seu episódio mais negro. que os adeptos venham ao estádio e se identifiquem com os jogadores quePouco depois de ter realizado uma campanha fantástica na estão a representar o clube. Claro que isso não é suficiente e temos de recorrerTaça de Portugal (2008/2009), onde atingiu os quartos-de-final, a alguns jogadores de fora. Nesse aspeto, para além de serem bons jogadores,o então Atlético ClubeValdevez, agora extinto, suspendeu a sua têm de ser pessoas que se integrem no espírito do grupo e que sintam o clube”.atividade devido às elevadas dívidas acumuladas. “A outra regra fundamental na nossa gestão é a sustentabilidade financeira do clube. Os nossos compromissos estão todos regularizados”.18 valemais.pt

A SUBIDA DE DIVISÃO pelas viagens, pelo tempo que iam estar ocupados e pela exigência deste campeonato, decidiram declinar o convite.“Fazemos, sempre, uma equipa para tentar ganhar todos os jogos. E O treinador teve, também, autonomia para contratar cincoesta subida de divisão já podia ter surgido antes. Há dois anos tivemos ou seis jogadores dentro de uma verba que nós estipulámos”.uma finalíssima que nos deixou com alguma revolta, mas isso é passadoe soubemos esperar pelo nosso momento. Este ano, a equipa tinha um E o campeonato?orçamento abaixo de muitas equipas que ficaram no meio da tabela ,mastínhamos a consciência que os jogadores tinham qualidade e sentem o “Sabemos as dificuldades que vamos encontrar a nívelclube. Isso é fundamental para o sucesso”. monetário e temos de trabalhar muito mais para obter fundos que suportem as despesas que vamos ter, nomeadamente,E aquela última jornada ... transportes, realização de jogos, entre outros\".“Infelizmente não estava cá.Estava no Campeonato do Mundo de Pesca,em \"E de certeza absoluta que vamos ter o orçamento maisItália; por isso acompanhei o jogo à distância e num misto de sentimentos barato deste campeonato, em termos de plantel, mas-satisfação enorme / frustração de não conseguir estar presente”. estamos a construir uma equipa para nos mantermos nesta divisão”.“No entanto houve gente que estava, constantemente, a ligar e, assim,pude escutar a festa em direto, pelo telefone”.A chave para o sucesso foi a união. O ESTÁDIO E O CONCELHO“A nossa equipa venceu devido à intensidade com que os jogadores “Estamos a proceder à mudança de relva. Fez-se uma análiseviveram este emblema e a família que se criou ao longo da época. ao relvado e verificou-se que tinha uma praga ou algo doJuntando o crer, a vontade e a identidade que este plantel demonstrou, género. A Câmara Municipal achou por bem remover oconseguimos atingir o objetivo”. tapete e colocar um novo. Isso permitiu, também, colocar rega automática o que nos permite melhorar, ainda mais,PRÓXIMA ÉPOCA as nossas infraestruturas. Além disso, podemos utilizar o campo sintético, onde existem condições excelentes tanto deO treinador anterior apesar de ser campeão, não permaneceu no relvado sintético como de balneários.plantel. Porque? Em suma, estamos muito contentes com as condições que“Por vontade própria e porque abraçou outro projeto. O Leandro Morais, temos aqui”.a quem desejo as maiores felicidades, foi uma peça fundamental. É umapessoa que sabe estar no desporto e que, desde o início, se identificou com Questionado sobre o a dedicação do adepto no futebolo clube dando um contributo enorme para este êxito”. distrital, Carlos Caçador está satisfeito com o movimento dos arcuenses em torno do clube.E o próximo plantel? valemais.pt 19“Todos os jogadores que foram campeões foram convidados para integraro plantel da próxima época. Uns por falta de tempo para treinar, outros

PLANTEL ÉPOCA 2017 -2018 * AMARAL Renovação ÂNGELO REGO Contratação BONERA Renovação CESTEIRO Contratação FLÁVIO Renovação GUILHERME Renovação GUIMA Renovação HÉLDER FEIJÓ Renovação HUGO REIS Renovação IVAN MACHADO Contratação JAKE BARROS Renovação LICAS FEIJÓ Renovação NELSON AMORIM Renovação NELSON VENTURA Renovação PATRICK Renovação PEDRO ROCHA Renovação RUI PEREIRA Renovação TIAGO LETRAS Contratação * Até à data desta reportagem“O Atlético foi o clube com maior assistência nos jogos MENSAGEM AOS ADEPTOSem casa e, também, nos jogos fora. Aliás, os campos quevisitávamos tinham quase sempre uma sobretaxa no preço “Vamos fazer tudo para manter o clube nesta divisão e podem contar comdos bilhetes, o que fez com que os nossos adeptos chegassem o nosso trabalho para continuar a desenvolver um clube com identidade,a pagar oito euros para ver o jogo. Acho que esse valor é responsável, que assume os seus compromissos e que fomenta a amizade eexagerado para este campeonato. Aqui, nunca o fizemos e a união entre todos os atletas e entre as outras coletividades”.isso refletiu-se no número de adeptos nas nossas bancadas.Tanto a nível sénior, como nas camadas jovens, vejo um \"Aproveito para fazer um chamamento às pessoas para que, este ano,bom envolvimento do município com as nossas equipas”. apoiem, ainda mais, este clube, porque essa ajuda será necessária”.A SAD“Quando surgiu a ideia da SAD ainda não havia direção.Houve essa intenção, de pessoas que não estavam ligadas aoclube; no entanto, essa proposta teria sempre de ir a votaçãodos sócios. Entretanto, esta direção tomou posse, e depois deuma troca de impressões mais acaloradas, na AssembleiaMunicipal, esse assunto acabou por ser declinado” , afirmao presidente do Atlético dos Arcos.Mas qual era o principal objetivo dessa SAD?“Penso que o objetivo passava por colocar jogadores noclube, fazendo com que as despesas deste fossem menores.No entanto, quem faz a gestão do clube é a direção, quemmanda neste clube é a direção e não existe aqui nenhumaSAD”, asseverou.\"Além disso, tivemos, também, propostas de vários agentesque queriam trazer futebolistas para cá, mas nós optámospor recusá-las porque o clube tem uma equipa técnicaresponsável. Eles sabem que podem trazer cinco ou seisjogadores para colmatar as posições mais necessitadas,dentro de uma determinada verba”.20 valemais.pt

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Reportagem #Monção José C. Sousa Direitos ReservadosBanda e escola musical em MonçãoA expressão musical desempenha um importante papel na vida recreativa de NOVAS INSTALAÇÕES adultos e crianças, ao mesmo tempo quedesenvolve a criatividade, promove a autodisciplina, No passado dia 25 de abril foi inaugurada a nova sede da Banda,ajuda na concentração e na autoconfiança, desperta no edifício da antiga estação da CP, numa cerimónia presidida peloa consciência rítmica e estética. ministro de Educação, Tiago Brandão Rodrigues.A Banda Musical de Monção, que conta com cerca de 80 A solenidade surgiu integrada nas comemorações do \"25 de Abril\" emúsicos, participa regularmente em múltiplas festividades e contou com a presença de milhares de pessoas que quiseram observarem todo o tipo de eventos culturais como: romarias, procissões, as novas instalações deste antigo edifício.concertos, encontros (de Bandas), concursos, gravações,receções oficiais, homenagens e atos solenes, entre outros. João Manuel Silva esclareceu-nos que “era algo que aguardávamos há muitos anos e que, finalmente, se tornou realidade”.O seu presidente, João Manuel Silva, falou-nos da Banda eda Escola que conta com mais de 60 alunos. “As condições são ótimas para a aprendizagem e para os ensaios da Banda. Temos uma sala de ensaios excelente, com ótima acústica,“São crianças que entram na nossa escola, muitas vezes temos várias salas de aula individuais e uma sala de aula coletiva”.sem saber nada, e saem autênticos músicos”. Com estas instalações, o presidente não tem dúvidas que o número de“A Escola de Música da Banda de Monção tem como alunos vai aumentar.principal missão a formação contínua dos executantesda Banda e instrução de novos aprendizes, de modo a “No ano que findou a escola teve cerca de 60 alunos, mas, com as novasrejuvenescê-la gradualmente. instalações, acreditamos que esse numero vai evoluir. Além disso, contamos com oito professores, de diversos instrumentos”, que dão asPara além disso, o estudo da música, em grupo, e em ambiente máximas garantias no ensinamento das crianças.social, melhora a autoestima das crianças, ajudando-as aenfrentar desafios e a assumir riscos. As crianças aprendemdinâmicas de trabalho de grupo, alimentando a amizade eo companheirismo, atingindo assim o bem-estar essencialpara um crescimento saudável”.22 valemais.pt

Viver AgostoemMonção1 7 a 10 12 e 1332º FOLKMONÇÃO VIII SEMANA MOURO“O MUNDO A DANÇAR” DA JUVENTUDE SUMMER FEST Monção Sago Ponte do Mouro4 9, 11 e 12 17 a 21XXIII FESTA DO LINHO XXXV FESTA DO LINHO FESTA EM HONRACONCERTINAS, BOMBOS DO VALE DO GADANHA À VIRGEM DAS DORESE CAVAQUINHOS Moreira Monção Barroças e Taias 12 26 e 275 CONCERTO DE PIANO FEIRA DO 27III FEIRA TRADICIONAL AMÍLCAR VASQUES-DIASLÁ DE RIBA Ceivães Cine Teatro João Verde Riba de Mouro 26 125e6 CONCERTO DE GUITARRA TRILHO JOÃO LIMAFEIRA DO PRODUTOR DAS PESQUEIRASXXVI FESTIVAL Cine Teatro João VerdeFOLCLORE DE PINHEIROS Bela 27 Pinheiros 12 FEIRA DE ARTES6 XLI FESTIVAL DE FOLCLORE E VELHARIAS “MERUFE 2017”32º FOLKMONÇÃO Monção“O MUNDO A DANÇAR” Merufe MonçãoO melhor de nós. A pensar em si. valemais.pt 23

PublicidadeAGRUPAMENTOS ENSEMBLE DE CLARINETES No seio da banda nasceram pequenos agrupamentos. São Deste grupo fazem parte nove clarinetes da Banda: músicos que se juntaram e criam um grupo musical, onde todos David Piñero (dirigente), João Valinho, André os seus elementos fazem parte da banda. Regatão, Jacinta Miguel, Carla Filipa , Bárbara Rego, Inês Temporão, Renata Lourenço e Sara Vilarinho. “Quando não há concertos da banda principal, estes grupos Este grupo criado recentemente tem já um leque de participam em festividades, e, assim, estão sempre em atividade, atuações realizadas. Pretende continuar a crescer, o que é muito importante e muito saudável”. dando os seus melhores contributos e fazendo levar o público à descoberta de vários estilos de música. QUINTETO DE METAIS E PERCUSSÃO GRUPO DE METAIS Este visa realizar espetáculos musicais em inaugurações, eventos culturais, casamentos, etc. Elementos: trompete - João Lourenço; trompete - André O Grupo de Metais da Banda Musical de Monção foi Pereira; trompa- Joel Santos; trombone - João Cardoso; bombardino - Hélder fundado desde a chegada do maestro José Vicente Fernandes; percussão - Caio Rodrigues. Simeó (2005) e tem, como principal missão, partilhar o excelente trabalho confecionado pelos seus BANDA INFANTIL executantes, elevando assim o nome de Monção. Como ponto alto deste percurso, foi a atuação em Tem em vista dar os primeiros França para um dos melhores trompetistas de passos para uma união musical, sempre, Maurice Andres, onde foi reconhecido o espiritual e acopladora. Serve talento de todos os músicos. também de alavanca para os jovens estudantes de música da escola ingressarem na banda sénior. No futuro, estes jovens representarão a Banda Musical de Monção (banda sénior). Essa é a sua principal motivação e crença por um objetivo comum a todos eles. 24 valemais.pt

REGISTOS DA HISTÓRIA 1970 gravou diversos discos (maestro Miguel de Oliveira).O registo mais antigo que se conhece está inscrito numa 1971 classificou-se em 3.º lugar no Concurso de Bandas Civis de 1ªata da Santa Casa da Misericórdia de Monção, de 25 deFevereiro de 1792, e nessa época, era conhecida por Banda Categoria (Palácio Cristal/ Porto).de Muzica da Vila, presumindo-se, contudo, que a suaexistência seja ainda anterior. 1980 a Câmara Municipal de Monção, em sessão pública, outorgou-1792 Gonzallo José de Moiños, de nacionalidade lhe a medalha de ouro do Município pelos seus mais de 150 anos ao serviço da Cultura.espanhola, foi o primeiro maestro. 1984 gravou a sua 1ª cassete (maestro Viriato Araújo). 1996,1830 já a Banda abrilhantava festividades, sendo classificou-se em 3.º lugar na participação na RTP2, programa “À VoltaMaestro o abade D. Lourenço, também, de nacionalidade do Coreto”.espanhola e capelão do Palácio da Brejoeira. A Filarmónicaera constituída por 15 músicos. De maestro em maestro, 1998 pela declaração nº 134/98 e nos termos do Decreto-lei nº 460/77,quer formados em Monção, quer outros contratados, civise militares, chegou-se ao ano de 1918. foi declara pelo governo Instituição de Utilidade Pública.1890 foi feita a primeira fotografia da Banda da qual já 2005 gravação do 1.º CD (maestro Prof. José Vicente).faziam parte 20 músicos. 2006 dirigida pelo maestro José Vicente Simeó, a Banda Musical de1918 passou a chamar-se Banda dos Bombeiros Monção foi vencedora do Concurso de Bandas Filarmónicas da Cidade de Aveiro.Voluntários de Monção, por deliberação da Direção. 2009 gravação do CD “Contrastes Sinfónicos” (maestro Prof. José1933 a Comissão Administrativa da Câmara Municipal Vicente).de Monção deliberou, em reunião do executivo, outorgar-lhe o titulo honorífico de Banda Municipal de Monção, De 1792 a 2014 conhecem-se 23 maestros, destacando-se entrepelos brilhantes serviços prestados à cultura. outros: Gonzallo José de Moiños (1792), abade D. Lourenço(1830),1945 participação na inauguração do Estádio de Futebol Miguel Maria Pereira (1880), sargento músico Luis José Gonçalves (Mestre Luis – 1897 a 1928), sargento músico Sebastião José Passosdo Riazor, Corunha, Espanha. (1928 a 1952), Óscar Ferreira, Luis Lourenço, sargento músico Manuel Ferreira Pais, Miguel António Peixoto de Oliveira (1964 a 1983), Manuel1969 por força de lei, foram elaborados os seus Silva Lourenço (1983), Ssrgento chefe, Viriato Carneiro Araújo (1983 a 1986), sargento chefe, Domingos José Campos Cardoso (1986 a 2003) eprimeiros Estatutos, e inscreveram-se os primeiros 120 atualmente, professor Dr. José Vicente Simeó Mañez (desde 2003), este,sócios fundadores, passando a chamar-se Banda Musical de nacionalidade espanhola.de Monção, titulo que mantém. valemais.pt 25

MAESTRO JOSÉ VICENTE SIMEÓ Realizou cursos de aperfeiçoamento comNasceu em Llíria (Valência), onde iniciou os seus estudos Jan Cober, Bernardomusicais com Pablo Sánchez Torella, na União Musical Adam Ferrero, Rafaelde Llíria, em trompete. Aí finalizou as suas primeiras Sanz, Leopoldo Vidal,aprendizagens, ampliando-os no Conservatório Superior Guy Touvron, Josede Música de Valência, onde atingiu o grau médio com a Vicente Egea, J. Ortí,classificação de Excelente, com Vicente Prats. PierreThibaud, Hakan Handerberguer, E.Aos 15 anos, ingressou na Banda Municipal de Castellón Rioja, Jim Litterford,como Fliscorno solista. No ano seguinte obteve o 1.º Spanish Brass.prémio no “Concurso Nacional para Jovens intérpretes”,celebrado em Valência, e ingressou na Orquestra Sinfónica Foi professor dedo Conservatório Superior de Música de Valência. Com 17 trompete e música deanos entrou na Armada, como Sub-oficial Músico. câmara na Fundação Átrio da Música deAtuou como concertista no programa de Rádio TVE “El Viana do Castelo,mundo de la música”, acompanhado da Orquestra da durante 10 anos, e no Conservatório superior de Alicante.RTVE. Finalizou o curso de Professor Superior de Trompeteem Madrid com José Ortí, com a classificação de Excelente. Como compositor, tem diversas obras para ensemble de metais, bandaAos 20 anos, por concurso, ingressou no Conservatório sinfónica e concertos para trompete e piano, ventos, etc. Alguns deles,Superior de Música de Vigo. estão gravados em vários discos no Japão e outros países, pelo seu filho, Rubén Simeó, trompetista.Foi solista convidado de várias Orquestras Sinfónicas(Galícia, Valência, Astúrias, Bilbau). Como professor Dirigiu diversas filarmónicas, destacando-se: Banda Municipal delecionou cursos de Vento Metal nos Conservatórios Ourense, Banda de Tui, Agrupación Musical do Rosal, Banda Sinfónica deSuperiores da Coruña, Ourense, Lugo, Alcañiz, Murcia, Alacuás (Valencia), nas quais gravou 10 discos e ganhou vários prémiosentre outros. em certames e concursos. Atualmente é maestro da Banda Musical de Monção (desde o ano 2003), compositor e professor superior de trompete26 valemais.pt e música de câmara no Conservatório Superior de Música de Castellón.

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Reportagem #Paredes de CouraManuel S. Direitos Reservados & Manuel S.'Estnóurmiaas'bdreinucmadfeeisrtaivdael qaumeigcoosm. .e.çouCalor pode significar praia,gelados,esplanadas… e também sersinónimo de festivais de verão. Em Paredes de Coura,é tudo isso.É nas idílicas margens da praia fluvial do Tabuão que, desde há 25 anos,conhecemos o Festival de Música de Paredes de Coura. Um certame que, aolongo dos anos, atingiu um prestígio e notoriedade que o coloca num lugarde topo a nível nacional e, mesmo, internacional.O diretor do evento, João Carvalho, é um dos jovens courenses que, desdeo início, está na organização do evento que começou numa brincadeira deamigos; iniciada numa noite de fados de Coimbra que o executivo camaráriode então promoveu ao inaugurar a requalificação das margens do Tabuão.Foi, pois, neste espaço, que a VALE MAIS esteve, num destes dias, com JoãoCarvalho - a respirar a sua Paredes de Coura por todos os poros, a contar as'estórias' à volta do festival e a falar do que ele vai ser este ano, entre 16 e 19do corrente mês de agosto.AFIRMAR FOI DIFÍCILJOÃO, QUAIS VÃO SER AS NOVIDADES DESTA EDIÇÃO, A DASBODAS DE PRATA DESTE FESTIVAL?A novidade mais esperada é sempre o cartaz. Conseguimos, este ano, juntar umleque de artistas para fazer mais uma edição de sucesso. A prova disso é queestamos com vendas record em relação a qualquer outro ano,mesmo daquele emque esgotamos (2015). Um cartaz que junta, entre outros, Benjamin Clementine,Shauf, At The Drive-In, Beach House, Chet Faker..., há realmente um leque deartistas muito interessante e que vai fazer, desta, uma edição histórica.Outra coisa não seria de esperar, uma vez que comemoramos os 25 anos. Masquando se assinala uma data destas também se olha pelo retrovisor. É, comenorme satisfação, que construímos algo único.Este tipo de eventos fazem-se, normalmente, nas grandes cidades. Hojetemos o respeito de toda a gente, mas há 25 anos não tínhamos… nem há20. Foi um caminho penoso realizar um evento desta dimensão, numa terraque hoje é sinónimo de festival, mas, na altura, tínhamos as dificuldades detodas as que são interior. Afirmarmo-nos foi uma coisa complicada.EM 1993, FOI UM GRUPO DE AMIGOS... AMADORES. COMO EVO-LUIU ISSO ATÉ UMA ESTRUTURA PROFISSIONALIZADA COMOA DE HOJE?Eramos quase adolescentes, queríamos passar um bom bocado juntos, decidimosfazer uma noite com bandas de garagem (a 1ª edição não passou disso, emborativesse alguns nomes conhecidos), mas foi o que deu impulso a isto tudo.Gostamos da experiência, fizemos a 2ª edição. No 3º ano já passamos paradois dias, isto sempre com entradas grátis; depois, foi aquele efeito doentusiasmo, mas nunca pensávamos fazer disto vida. 28 valemais.pt

PONDERAR ACABAR Depois, passamos para a cabine telefónica, comprávamos aqueles cartões e contratávamos a partir desta.NUNCA PENSOU EM SER EMPRESÁRIO DO SETOR DA MÚ-SICA E DOS ESPETÁCULOS? Hoje em dia, o festival tem uma dimensão estratosférica em comparação com o que era. Só paraNão. Quando começamos, foi para fazer um evento no verão e, como ter uma ideia, o primeiro festival custou 160 contosestava toda a gente a estudar fora, quando nos encontrássemos, (800 euros) e hoje ultrapassa os 3 milhões de euros.tínhamos alguma coisa que fazer, ocupar o tempo…. Portanto, não tem nada a ver.Só em 1997 é que vimos que o festival poderia ter continuidade para QUANTAS PESSOAS ENVOLVE, AGORA, Afazer daquilo vida… mas sentir, ok, que temos aqui um evento que vai ORGANIZAÇÃO?ocupar o nosso tempo e que podemos fazer disto mesmo vida foi em1999. A grande primeira enchente - falamos de 15 a 20 mil pessoas - foi A trabalhar, nos quatro dias do festival, mais de mil pessoas.nesse ano, em que veio Suede, Lamb e uma série de bandas. E NA ALTURA?Depois dessa edição, o festival não parou de crescer; uns anos commuita chuva, outros sem chuva; uns com patrocínios, outros sem Eramos 20 e poucos. Eramos nós que fazíamos tudo.patrocínios; uns com muitos bilhetes vendidos, outros nem por isso; Montávamos o palco, que era da Câmara, ajudávamos ae, portanto, houve altos e baixos, ponderamos mesmo algumas vezes fazer as vedações, a colar cartazes, isso tudo…acabar com o festival. Por exemplo, em 2004, tivemos uma intempérie,numa edição que deu imenso prejuízo, mas decidimos continuar a Mas – voltando à pergunta que me fez no início –fazer o festival e a verdade é que hoje é uma história de sucesso, um relativamente às novidades, o Festival de Paredes defestival que se faz de uma forma descontraída, tem um público fiel, Coura tem andado à frente. Todos os anos fazemosum patrocinador que está muito contente com o impacto. estudos e, os destes últimos 2/3 anos, dizem-nos que o nível de aceitação é elevado: 80 a 90 por cento das pessoasQUANTAS PESSOAS TEM, EM MÉDIA, O FESTIVAL? está contente com o festival assim como está.Atualmente, nos quatro dias deste festival, passam mais de 100 mil No entanto, isso não nos impede de todos os anos fazermospessoas por Paredes de Coura. Digamos que a média diária está entre alterações e o melhorarmos. Quando, economicamente, oos 20 e os 27 mil. festival está numa fase boa, é mais fácil investir; não só na contratação das bandas,mas também a melhorar condições.DIMENSÃO ESTRATOFÉRICA Este ano vamos criar uma nova zona de alimentação;NO INÍCIO, A ORGANIZAÇÃO ERA AMADORA…. praticamente todas as casas de banho (no campismo e zona do festival) estão ligadas à rede de esgoto, criamos maisCompletamente amadora... na altura, os primeiros grupos que chuveiros com melhores condições, apostamos na zonacontratamos até foi num café, ao telefone, com contador de períodos, da restauração (no campismo e no recinto). Gostamos detendo alguém ao lado a dizer que já estávamos a gastar muito. Não ver um sorriso de satisfação na cara das pessoas quandotínhamos dinheiro, o café era de um amigo que nos fazia o período mais chegam a Paredes de Coura. Gostamos de surpreender!barato. Contratávamos a olhar para os contactos que, na altura, vinhamno jornal Blitz. valemais.pt 29

ESTA ANIMAÇÃO QUE O FESTIVAL TRAZ A PA- Conheço muitas histórias de pessoas da aldeias próximas do festivalREDES DE COURA REPRESENTA O ABONO DE que oferecem os seus campos para as pessoas acamparem, em queFAMÍLIA PARA A ECONOMIA LOCAL? fazem e oferecem sopa… isto é uma forma de conviver. Portanto, há uma unanimidade muito grande em torno do festival. E isso deixa-meSem dúvida nenhuma. Na economia local e na realmente orgulhoso, mas não é algo que surge por acaso.notoriedade do concelho. Temos um presidente deCâmara – Vítor Pereira – que era nosso sócio e saiu para As pessoas… veja, o festival dura quatro dias e as pessoas vêm acamparabraçar esse novo desafio, achou e bem que a autarquia 15. Para muita gente, esta é a melhor “semana” do ano.merecia sangue novo; com a saída do Pereira Júniorhouve ali um vazio que tinha de ser aproveitado. Ele está Fazemos o “Sobe à Vila”, que é um festival dentro do festival – antesa capitalizar muito bem esse nome mediático que tem o quatro dias deste começar temos concertos grátis na vila, de forma aconcelho. Tem feito imenso e, quando a terra é conhecida que o comércio aumente também os dias de lucro, com as pessoas ae as pessoas sabem aproveitar isso politicamente, as virem mais cedo e conviverem com Paredes de Coura. Promovemoscoisas tornam-se mais fáceis. essa cumplicidade entre as pessoas.MAIOR ORGULHO SEM FESTIVAL FECHAVA PORTASO PÚBLICO DO FESTIVAL É, CONSTITUÍDO, SO- É A SOBREVIVÊNCIA DE MUITO PEQUENO COMÉRCIO?BRETUDO POR JOVENS, MAS, AQUI, OS MAISVELHOS TAMBÉM SE IDENTIFICAM COM ELE? As pessoas vão contando histórias e já ouvi algumas dizerem que, se não fosse o festival, já tinha fechado portas.Esse é o meu maior orgulho. Não há aqui ninguém queseja contra o festival. O que é uma coisa maravilhosa. As E O NOME QUE DÁ A COURA EM TERMOS TURÍSTICOS?pessoas percebem a dimensão, têm vaidade pela terraandar nas bocas do mundo e gostam dele. Todos os fins de semana há muita gente que vem ver onde se faz o Festival de Paredes de Coura. Também as que vêm cá recordar,Temos a vantagem do público, também pelo estilo almoçar, jantar, passar o fim de semana, até há as que trazem os filhosde música que temos e o nosso historial, ser bem para mostrar o local onde os pais se conheceram. Há muitas históriascomportado, a maior parte com formação universitária, de casamentos que foram feitos em Paredes de Coura.pessoas que sabem estar, que convivem e criam relaçõesde cumplicidade e de amizade com os courenses; e os PODE CONTAR UMA?mais idosos adoram esse convívio. Vêm para a vila,gostam do colorido, gostam de conversar. Recentemente, alguém que conheceu o seu par em Paredes de Coura, enviou-me uma mensagem para ver se lhes podia arranjar o poster de30 valemais.pt 2011. Foi nesse ano que se conheceram e estavam a decorar a casa; e a peça que mais queriam ter na parede era o da edição do ano em que se conheceram. Histórias destas há dezenas.

DOS MAIS SEGUROS Percebo esta preocupação da comunicação social, mas a verdade é queDO MUNDO temos precauções, sempre tivemos. Não é, agora, porque aconteceu um atentado em Inglaterra à porta de um evento (não foi lá dentro),EM TERMOS DE SEGURANÇA E AS QUESTÕES À que nos vamos preocupar com a segurança. É um investimento queVOLTA DESTA, COMO É? está orçamentado.Os festivais são, indiscutivelmente, os eventos mais AO LONGO DOS ANOS, COM CERTEZA, REGISTARAM-SEseguros do país. Juntam milhares de pessoas. Não SITUAÇÕES CARICATAS E ENGRAÇADAS. ALGUMA QUEconheço nenhum que seja tão seguro como os festivais. NOS POSSA CONTAR?!Têm polícia, fardada e à civil, têm segurança. Muitas. E a satisfação dos músicos… não propriamente engraçadas,No S. João, o S. António, nas feiras de gastronomia, até mas reais.nas feiras do alvarinho, que juntam milhares de pessoas,essa pergunta não é colocada. Os festivais estão sempre AS SUAS EXIGÊNCIAS!..-na moda, precisamente por serem eventos mediáticose, portanto, sempre que há qualquer coisa, perguntam: Mais a satisfação. Quanto às exigências, não gosto de as propagandeare, agora, como vai ser? Os festivais são dos eventos mais porque, numa banda em digressão durante meio ano, é natural al-seguros que há no país e no mundo. Conheço um pouco a guém querer uma marca de cerveja, outro uma marca de vinho, outrorealidade de outros festivais internacionais. de bolachas, outro de bolo de chocolate…Além da segurança – que é contratada por nós –, tem Se olharmos para uma lista de exigências de uma banda, sãoa polícia. Há também um acordo com os bombeiros. realmente muitas, mas são todas compreensíveis. Porque os artistasPortanto, são eventos muito policiados, há revista à trabalham imenso. Pergunto-lhe: se estivesse seis meses sem ir aentrada. Quantas vezes vamos a eventos em que não há casa, não gostava de chegar a determinado país e comer a comida quequalquer revista e entram milhares de pessoas? você aprecia, beber o que você gosta? É perfeitamente normal que as bandas procurem esse comodismo, não é uma coisa que me chateie…. bem sei que há colegas promotores que gostam de aproveitar isso para promover o festival. Nós raramente divulgamos. valemais.pt 31

SACUDIR AS CALÇAS PARA IR Olhando para trás, são coisas que têm piada. Hoje em dia, temosAO BANCO pessoas responsáveis só pela logística das dormidas, as bandas ficam todas em hotéis de cinco estrelas no Porto e é preciso motoristas paraE, ENTÃO, OUTROS CASOS ENGRAÇADOS OU cada uma delas. Mas é uma coisa tão profissional que nem me chega.CURIOSOS? São já empresas contratadas para isso.Há tantos. Olhe, no início do festival, tínhamos de ser A história mais engraçada é começar isto do nada e hoje Paredes denós a fazer tudo. Desde comprar aquela farinha, juntá-la Coura ser sinónimo de música. Às vezes, estou a lembrar às pessoascom água para fazermos a cola, pedirmos uma carrinha que Paredes de Coura existe para além da música. Que tem genteemprestada e andarmos a colar os cartazes, a montar dentro, com as dificuldades dos concelhos do interior. Este festivalo palco… e a sacudir as calças porque, entretanto, era tem uma programação que se faz em Paredes de Coura, mas, se sepreciso ir ao banco assinar uma letra por ser preciso fizesse em Nova Iorque, em Tóquio ou Londres, era a mesma coisa. Éum empréstimo. Esses são os anos de ouro e os que um festival de tendências e não tem nada de regionalista. Faz-se aqui,reforçaram não só a nossa amizade, como a vontade de mas podia-se fazer noutra qualquer parte do mundo.fazermos as coisas bem feitas. PERDURAR PARA ALÉM DE NÓSHoje em dia, a estrutura é muito maior e, portanto, tudoé contratado, planeado em grande, porque o festival tem QUE VAI CONTINUAR A EXISTIR POR MUITOS E BONSoutra dimensão. “Estórias” há muitas. Desde bandas que ANOS?pediam determinados quartos e a gente se esquecia deum ou dois e era preciso distrair os artistas enquanto O festival vai perdurar para além de nós. Não tenho dúvidas. Hojearranjamos mais uma cama para eles dormirem. já não somos propriamente novos, também não somos velhos, masAconteceu, por exemplo, com os Tindersticks, que é uma tenho a certeza que depois de nós alguém assumirá o festival. Se megrande banda e que, na altura, ficou em Paredes de Coura. perguntar se vamos fazer os próximos, claro que sim; mais uns 20 anosPediam seis quartos e nós só tínhamos cinco… garantidamente. Vejo-me velhote e a estar ainda a contratar bandas e à frente do festival.32 valemais.pt

FESTAS DO CONCELHO PA R E D E S DE COURA 31 JUL A 13 AGO 2017 valemais.pt 33

Reportagem #Vila Nova de CerveiraJosé C. Sousa José Sousa & Direitos reservados RAUL COSTA De Cerveira para o QatarR aul Jorge Esmeriz Costa, 42 anos de idade, Escreveu uma carta ao coordenador do F. C. Porto, na altura, Ilídio Vale natural de Vila Nova de Cerveira. Há um para que o deixassem acompanhar um escalão de formação do clube. ano, decidiu deixar a sua ‘zona de conforto’ Foi aceite e começou a trabalhar nos juvenis.e rumar ao Qatar. A experiência mostrava-setentadora, mas não foi fácil dizer que sim. Para trás, Entrou como observador, mas, desde logo, teve a possibilidade de se-teria de deixar 16 anos de Futebol Clube do Porto, guir a equipa no campo, como um treinador adjunto. Esta situação per-“um dos clubes mais organizados do mundo” para mitiu-o assistir a todos os processos de gestão da equipa.‘descobrir’uma nova realidade, num país longínquo,onde o futebol não é como na Europa. Trabalhou, então, com José Guilherme, treinador principal, e André Villas-Boas e José Mário como adjuntos. A proposta era sedutora e Raul Costa aceitou. Quando che- gou ao país do Médio Oriente . . . No ano seguinte propuseram-lhe trabalhar numa das escolinhas do Porto (Escolinha Artur Baeta) e nos sub-12, mas volvido um mês foi in- Esperem, vamos por partes. Primeiro, vamos falar de Raul formado de que iria novamente para os juvenis a pedido do treinador Costa, em Portugal. (José Guilherme). Formou-se na Faculdade de Ciências do Desporto e Educa- Mas, qual era o trabalho que realizava em campo? Raul Costa responde-nos: ção Física (FCDEF), agora FADEUP (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto). O futebol sempre foi uma paixão “O meu trabalho consistia em apresentar um plano semanal, explicando e, então, não foi difícil escolher essa modalidade como ver- o que achava do mesmo e realizar uma conclusão semanal e um relatório tente de alto-rendimento a trabalhar, no 3.º ano da faculdade. do jogo expondo os resultados atingidos em função do que foi trabalhado nessa semana”.34 valemais.pt

“Tive a sorte de encontrar um treinador fantástico. O professorJosé Guilherme é, dentro de uma metodologia ‘Periodização Tá-tica’, onde a principal vertente é a tática e só depois a parte física,psicológica, técnica, um treinador fantástico. Conversámos muito,discutíamos o porquê das situações e, depois, experimentávamostudo. Experimentei vários sistemas para saber o que me dava um,o que me dava outro e, para mim, isso foi uma enorme aprendiza-gem. Essas experiências, ainda este ano no Qatar, fizeram-me faltae ajudaram-me muito”.A partir daí nunca mais deixou o F.C. Porto e tornou-se num ele-mento do departamento médico do clube (seniores), onde faziaa ligação entre e equipa médica e técnica.“Quando cheguei à equipa sénior do Porto, entrei como recupera-dor físico da equipa principal. Trata-se de um trabalho mais in-dividual, muitas vezes invisível, para prevenção de lesões e parapotenciar um jogador a nível individual, em função da sua posi-ção. Em concordância com o treinador principal, analisávamos oque era pretendido para o jogo e potenciávamos a parte física dojogador em função do que era exigido para aquela posição [...]Se ojogador viesse de lesão só integrava a equipa se fosse para jogar. Seestivesse pronto para jogar integrava a equipa, senão não entravano treino de equipa”.Na equipa principal esteve durante sete anos como recuperador/preparador físico, começando na última temporada de JesualdoFerreira, seguindo depois com André Villas-Boas, Vítor Pereira,Paulo Fonseca, Luís Castro, Julen Lopetegui, Rui Barros, José Pe-seiro e Nuno Espírito Santo.16 anos depois mudou-se para o Qatar, mais precisamente para acidade de Doha. Vamos, então, à aventura do Oriente.Raul foi abordado pelo Lekhwiya Sports Club. Esta é, ‘apenas’,uma das melhores equipas asiáticas, a equipa do EMIR (Ta-mim Bin Hamad Al-Thani), dono, também, do Paris Saint-Ger-main (PSG).O primeiro impacto foi . . . UM CHOQUE. Pela negativa. Mas estechoque tem uma explicação.“Também, José Mourinho, André Villas-Boas, Vítor Pereira, Jesual-do Ferreira, Paulo Fonseca, entre outros, depois de saírem do F.C.Porto levam esse choque. É que o F.C. Porto é de tal maneira or-ganizado, de tal maneira profissional, de tal maneira detalhista,que quando se partia para outro clube, tudo era desorganização.O F.C. Porto, há bem poucos anos, era o melhor em tudo. Era de talmaneira estruturado que conseguiu ganhar tudo que havia paraganhar. Essa é a realidade”.“ Vinha de um rigor enorme, onde se entrava às 08h30 e saía às18h00 e onde a comunicação era ponto de ordem; e encontrei ooposto. Foi um choque para mim ter de chegar apenas 30 minutosantes do treino começar. E preparar o treino? E discutir o treino? Eos jogadores, igual. Só tinham de chegar meia hora antes do treino.E mesmo assim, muitos, chegavam atrasados. E outros chegavam,equipavam-se a correr e iam para o treino. Isto é impensável. En-tretanto já consegui alterar algumas coisas”. valemais.pt 35

LIGA DO QATAR A ADAPTAÇÃO À VIDA SOCIAL E CULTURAL“A liga do Qatar é muito competitiva. E tem muito bons jogadores.Eu posso afirmar que os 11 jogadores da minha equipa jogavam, “Não foi difícil. Há muitos ocidentais e muitos portugueses lá.fácil, na liga portuguesa. Digo mais, cinco ou seis jogavam, fácil, Engenheiros, arquitetos, camera man, jornalistas, entre outros.nos três grandes de Portugal. Só para verem a qualidade que exis- Eu, como não sigo os costumes deles, consigo ter as rotinas quete lá. Isto na minha equipa. Depois ainda há a equipa do Jesualdo tinha em Portugal. Eles passam muito tempo a rezar. Como tême a do Laudrup que também têm muita qualidade”. muito dinheiro, não têm muitas regras. Se for preciso, ao peque-No entanto, este ano venceu a Supertaça e o campeonato ao lado no-almoço, comem comida normal, e, depois, passam o dia a co-de Bruno Oliveira, que é também adjunto, e de Djamel Belmadi, mer doces. Coisas desse género”.o treinador principal. EPISÓDIO CARICATOMUNDIAL DE 2022 Como eles têm muito poder monetário, a equipa vai para“O Qatar, neste momento, é um estaleiro. Estão a construir estágio, sempre, em grandes hotéis. E vamos para um,cidades para embelezar o Qatar. Haverá um metro de ponta o Marsa Malaz Kempinski, que é um monstro. Quandoa ponta. Num raio de cinco quilómetros, há quatro ou cincoshoppings. E muitos outros estão a ser criados. Tudo isso por- chegámos lá, subimos para o quarto, deixámos as coisasque eles querem fazer o melhor Mundial de sempre, a nível de e descemos para jantar. Quando chego à sala para jantar,infraestruturas. Os cidadãos do Qatar são apaixonados pelo eu julguei que estava num casamento. Valia tudo. Haviafutebol. No entanto, não vão ao estádio. Têm muito dinheiro,juntam-se com amigos, em tendas, e ficam horas a ver os jogos todo o tipo de comida e de doçarias. Fiquei abismado.na TV e a discutir o futebol. Depois, passam a semana a deba- Mas há mais. Imagine que dentro desse banquete nãoter o jogo e há programas de televisão só para analisar o que se há algo que um jogador gosta. O que é que eles fazem?!passou nos jogos. À imagem do que acontece cá”. Pedem essa comida para o quarto. Ora imagine colocar uma foto, nas redes sociais, às 2h00 da madrugada, a co-O CALOR mer uma bola de gelado e um crepe, no dia antes do jogo.Por exemplo, de 15 de junho a 15 de setembro, mais ou menos, as É normal!!! Devia ser impossível, mas é normal.temperaturas andam sempre nos 50º, 55º. Com sensações térmi-cas de 60º ou mais. O mínimo, mesmo no inverno, ronda os 20º.Mas como há vento, esses 20º são frios.36 valemais.pt

O REGIME ABSOLUTISTA QATAR UM PAÍS SEGURO“Não sinto. O Qatar é um país pequeno, com pouca popula- “O Qatar é um país seguríssimo. Eu posso estar a tomar café e esquecer-me dação. Os ocidentais, que vão para lá trabalhar, ganham bem carteira do telemóvel e dos óculos de sol em cima da mesa. Quando voltar, ase têm bons empregos. Depois, há os filipinos, os indianos e coisas vão lá estar. Podem estar outras pessoas a tomar café na mesma mesaalguns africanos, que têm trabalhos mais duros. E lá esse tra- que ninguém toca. Eu deixo o carro para limpar e deixo tudo dentro do carro.balho não é fácil, devido ao clima e às altas temperaturas”. Computador, carteira, telemóvel, tudo. Ninguém mexe”.AS NOTÍCIAS DE TRABALHOSESCRAVIZADOS“Eu próprio questionei isso a alguns portugueses que traba-lham lá. E o que me dizem é que, nos países deles, trabalhamo mesmo e ganham para uma refeição diária. Ou não. NoQatar ganham dinheiro. No país deles, não”.“E porque é que se fala em escravatura? Devido a uma leique existe e que todos temos de cumprir. Para eu sair do país,o meu sponsor (entidade) tem de autorizar.“Passo a explicar. Quem quiser abrir uma empresa no Qa-tar só pode deter 49% dessa empresa. Os restantes 51% têm,obrigatoriamente, de ser do Qatar. Ou seja, tudo é maiorita-riamente, deles”.\"O que por vezes acontece é que, essas pessoas, vão com apromessa de trabalhar num determinado local – nas limpe-zas, por exemplo – e terminam nas obras. Aí, eles podem sen-tir-se escravizados e querem sair do país. Para isso, o sponsortem de autorizar”.“Agora escravidão, ao nível de tortura ou algo do género,creio que não há. Agora nos países vizinhos, há”. valemais.pt 37

IDEOLOGIA E METODOLOGIA DE TREINO eles tenham convivido com grandes treinadores, têm dificuldades neste campo. Muitas vezes, por detrás desse ex-jogador, está alguém mais aca-“A minha metodologia de treino é a periodização tática. Tudo démico, que realiza um trabalho invisível, um trabalho de campo maisque fazemos é em função daquilo que pretendemos para o detalhado. Claro que, com o tempo, acabam por adquirir competênciasjogo. No entanto, como já passei por todas as vertentes (pre- para planificar esse trabalho”.parador físico; recuperador físico) considero que deve semprehaver algum trabalho de prevenção de lesão”. TRABALHO INVISÍVEL DA EQUIPA TÉCNICA“Hoje em dia, considero que já se está a exagerar, novamen- “Há treinadores muito fortes em termos de liderança mas não o são emte, na parte física, que, para mim, é prevenção de lesão. Por termos de pormenores e detalhes. Acabam por o ser graças à sua equipaexemplo, no F.C. Porto, antes de o treino começar, os jogadores técnica. E, muitas vezes, não se sabe quem são essas pessoas que executamjá levam uma hora de ginásio, onde trabalham essa parte de esse trabalho invisível durante a semana”.prevenção de lesão. Hoje em dia, já se está a exagerar nessetreino e já se está a ir para o treino físico outra vez. Passou-se GUARDIOLA E TUCHELdo 80 para o 8 e está-se a voltar ao 80. “O Guardiola é uma referência, porque é um detalhista do futebol. EleAntigamente,havia treinos que eram só físicos,e nem se tocava na não quer só ganhar. Ele quer que a equipa jogue bem, que dê espetáculo.bola. Como o Mourinho ganhou através da periodização tática, Ele vai ao pormenor para que o futebol nunca deixe de evoluir. O Thomasdeixou-se de fazer físico. Dentro dessa periodização tática deve Tuchel é igual. Pelo que lí e pelo que vejo, em termos de jogo, dá parahaver algum trabalho físico que,para mim,é prevenção de lesão”. perceber que é outro estudioso do futebol\".OBSERVAÇÃO/ANÁLISE DO ADVERSÁRIO JOSÉ MOURINHO\"É muito importante esse aspeto. Quanto mais soubermos “Quando o Mourinho chegou eu estava nos sub-17. Mas na primeira se-sobre o adversário (pontos fracos e fortes), melhor conse- mana dele no Porto tive a sorte de poder acompanhar os treinos. A treinar,guimos planificar, a nível semanal, o trabalho que preten- foi o que mais me marcou. A forma detalhista como ele potenciava o exer-demos para a equipa. E embora tenhamos o nosso modelo cício, a maneira como ele criava o exercício, foi tudo novidade para mim.de jogo, há a parte estratégica e o detalhe. Quanto mais ao Foi, também, a primeira pessoa que eu vi a ir ao detalhe na análise dodetalhe formos, mais fácil chegamos ao nosso objetivo. Por adversário. E foi por isso que ele ganhou. Ele ia tão ao detalhe na análisevezes, as equipas grandes não têm tempo para treinar entre e depois no exercício semanal, que se tornou muito melhor que os outrosos jogos. O que acontece é eles visionarem períodos compac- e acabou por ganhar. Agora, à medida que foi chegando a outras equipas,tos e detalhados sobre o adversário”. acredito que continue a fazer isso, mas está mais resultadista”.TREINADOR ACADÉMICO VS EX-JOGADOR JESUALDO, LUCHO E FALCÃO“São diferentes. Claro que são diferentes. Os ex-jogadores “Todos os treinadores com quem trabalhei aportaram-me coisas muitotêm um feeling inicial e a capacidade de identificar algu- importantes. No entanto, gostei de trabalhar com o Jesualdo Ferreira, pelamas coisas que nós não temos. Agora, na questão de me- forma como potenciava o jogador a nível mundial. Por exemplo: O Luchotodologia e planificação de treino, e na hora de escolher o Gonzalez foi o grande jogador que todos conhecemos porque apanhou oexercício ideal para determinada situação, por muito que Jesualdo com treinador. O Bosingwa igual. Mas sobretudo o Falcão, é o que é hoje, porque encontrou um treinador chamado Jesualdo Ferreira.\"38 valemais.pt

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Opinião #José Manuel CarpinteiraA democracia é o melhor dos regimes que conhecemos, pois permite com regularidade periódica avaliar, de forma livre e mais ou menos justa, o desempenho dos líderes políticos e premiá-los ou penaliza-los eleitoralmente. Para tal é necessário transparência e clareza nas promessas eleitorais.As eleições autárquicas do próximo dia 1 de outubro Aos autarcas é exigido uma visão estratégica do território e queconstituem mais um combate político. Um combate compreendam os desafios que se colocam à sua frente. Conscientes dopolítico da maior importância, para o qual estamos todos valor destes argumentos, a Comunidade Intermunicipal e os municípiosconvocados. O Partido Socialista parte para esta disputa do Alto Minho, em 2012, desenvolveram um plano estratégico designadoeleitoral com a vantagem de ter a presidência da Associação por ‘Alto Minho 2020’ e lançaram uma brochura sobre a atratividadeNacional de Municípios Portugueses, já que em 2013 empresarial ‘Alto Minho para viver, visitar e investir’.conquistou 149 Câmaras, contra as 106 do PSD (20 das quaisem coligação com o CDS). Quando temos o desemprego a Penso que o caminho vai sendo trilhado, mas há dois temas que nosbaixar, o investimento privado a aumentar, as exportações impõem a uma reflexão cuidadosa: o problema do despovoamento ea crescer e sobretudo a confiança dos cidadãos a aumentar, a oportunidade da cooperação transfronteiriça. O despovoamento e oo PS está confiante em alcançar mais uma grande vitória envelhecimento demográfico são um assunto que deve merecer uma maiorque se deverá traduzir na manutenção da liderança das atenção dos novos autarcas. Ao invés a cooperação transfronteiriça é umaassociações nacionais de municípios e de freguesias. excelente oportunidade para iniciativas mais arrojadas de cooperação, valorizando este território comum e fomentando novas centralidades.Contudo, o futuro de cada município, apesar de estarligado ao futuro do país, pertence a uma dimensão Steve Jobs, conhecido fundador da Apple e descrente dos estudos dediferente. Na era da globalização, a proximidade é um mercado, disse um dia que «as pessoas não sabem o que querem atévalor em política que muito valorizamos e sei também, tu lhes mostrares». Era importante que todos os candidatos tivessematé pela minha experiência de autarca, que o papel das sempre presente esta máxima.nossas autarquias é indispensável na afirmação deprojetos e decisões locais. Assim, até ao próximo dia 1 de outubro, esperamos uma campanha muito animada e muito dinâmica, porque não há nunca vitóriasNesse sentido, o partido socialista aprovou uma ‘Carta de antecipadas, nem há derrotas que não possam ser evitadas.Princípios’ que constitui um importante instrumento parao trabalho que os autarcas socialistas irão desenvolver nopróximo mandato ao serviço das populações.Com esta ‘Carta de Princípios’ pretende-se estabelecer umcontrato social entre autarcas e eleitores, onde constam20 compromissos que visam atingir 4 desígnios, a saber:1. Afirmar a autarquia local como agente de democracia,transformando as autarquias em agentes pró-ativos dedemocratização da sociedade e da economia;2. Afirmar a autarquia local como entidade responsável,pautando o seu funcionamento por critérios éticos detransparência, equidade e sustentabilidade;3. Afirmar a autarquia local como agente de coesão ede desenvolvimento local, reforçando a eficiência dasrespostas de proximidade num mundo crescentementeinterativo e complexo;4. Afirmar a autarquia local como parceiro de mudança evoz do Município, reforçando o papel do Poder Local comop4r0omvaolteomradisa.pitnovação social, cultural, económica e ambiental;

Opinião #Maria Fátima CabodeiraO CANTO DA SERRADois pares de gaivotas voejam, descontraidamente, na hora em que assoma o crepúsculo, algures próximo da linha de costa, rochosa e bravia.Está um final de tarde fresco, corolário dos ventos marinhos Também em Vila Nova de Cerveira foi inaugurada, recentemente, a XIXtípicos dos verões alto-minhotos, que durante a semana Bienal Internacional de Arte, que se prolonga até 16 de setembro. Estatem varrido o monte de Santa Tecla, ora pintalgado de edição homenageia a artista Paula Rego e remerora os seus fundadores.nuvens ora encoberto por densas brumas de nevoeiro. Intitulada “Da Pop Arte às Transvanguardas, apropriações da arte popular”,Não me zango com o tempo, antes procuro vislumbrar para além dos vários núcleos instalados na “Vila das Artes” estende-senele alternativas úteis para deambular pelos lugares de ainda pelos pólos de Caminha, Paredes de Coura, Ourense e Vigo.sempre, se possível sem horários rígidos, deixando-meenlear pelas manhas da natureza: ter tempo é hoje em dia Nos jardins das Piscinas de Vila Nova de Cerveira, a fadista Marisaum luxo, talvez o maior de todos. “construiu”, conforme fez questão de salientar, um concerto, no dia inaugural da Bienal, tendo encantado e contagiado os presentes,Em pleno estio, vale a pena subir à serra de Arga, por exemplo, do norte de Portugal e da Galiza, com a sua energia transbordante epara visitar a “Arte na Leira”, uma mostra de artes plásticas imensa generosidade.muito abrangente, que inclui pintura, escultura, fotografia,cerâmica, nascida do sonho do pintor Mário Rocha. A artista, cada vez mais do mundo, carrega na voz a expressão da sua vida pessoal e familiar, que cruza afetos de vários continentes.Por entre muros de lages verticais e o estrepitar dosrebanhos, edificou uma iniciativa que remonta a 1999. Os exemplos de que vos falei são sulcados pela perseverança dos seusNo coração de Arga de Baixo, na Casa do Marco, teima em mentores, e das autarquias que os têm sabido acarinhar.exibir obras de arte multifacetadas. Situado no Lugar de Venade, na Freguesia de Ferreira, concelhoA genuinidade das gentes e a autenticidade das paisagens são de Paredes de Coura, o Centro de Estudos Mário Cláudio (foiatrativos que complementam essa proposta. A título de mera inaugurado em 2013) inscreve-se na mesma filosofia. Com umacuriosidade, refira-se que o bagaço com mel é um aperitivo agenda cultural diversificada, constitui um espaço patrimonial, defamigerado dessa localidade, imperdível para os forasteiros. discussão e de encontro.Note-se, a propósito, que aquela cadeia montanhosa Já aqui o disse noutras ocasiões: da praia de Moledo à montanha é umfoi terreno fértil, durante o século XX, para renomados instantinho, que se pode traduzir numa experiencia transformadora - seetnólogos e demais estudiosos, de que são exemplo soubermos e quisermos reparar.paradigmático José Rosa de Araújo, Pedro Homem deMello e Artur Coutinho (Padre), na tentativa de descortinarusos, costumes e modos de vida identitários. valemais.pt 41

Opinião #Luís CeiaA CEVAL em parceria com a CIM Alto Minho, Destaque especial para os vencedores, mas muita honra também para realizaram recentemente as IV jornadas os nomeados e para aqueles que este ano não foram nomeados, mas Empresariais do Alto Minho. Destaque especial, seriam certamente também merecedores de enorme destaque.não descurando a qualidade dos oradores que intervieram A vertente solidária, com a oferta de um cheque de 1.000€ a favor da APCVC – Associação de Paralisia Cerebral de Viana do Castelo, não foino congresso da tarde, vai inteirinho para a gala Alto Minho mais do que repetição de outros atos solidários que as empresas, muitas vezes no anonimato, vão por este Alto Minho praticando. A DimensãoBussiness Awards ambiental também foi chamada à “mesa” com a parceria entre a CEVAL e a Quercus, apadrinhada pelo Secretario de Estado Adjunto doManifestações deste género, feitas por empresários e Ambiente, o Professor Doutor José Mendes, um amigo do Alto Minho,direcionadas para os empresários da região, constituem um diga-se em abono da verdade.momento único de justa celebração, parabenização, de umaclasse, que apesar das dificuldades conjunturais que tiveram A cerimónia foi presidida pelo Secretário de Estado Adjunto do Comércio,de atravessar continuam a ser a mola real do crescimento Dr. Paulo Ferreira, que enalteceu a parceria entre instituições, neste caso asustentado da região e do País. São estas contribuições, CEVAL e a CIM Alto Minho, como num exemplo de articulação e integraçãode muitos empresários, que pagando os seus impostos, dos atores territoriais. Foi, como referiu, o senhor SEC, um belo exemplo dereinvestindo na empresa grande parte dos seus lucros, trabalho conjunto em prole de uma região mais sustentável e coesa.quando existem, vão enchendo de esperança muitos lares.São estas famílias, cujo agregado muito depende do bom Uma palavra final para o novo embaixador da Marca 100% Alto Minho, odesempenho e risco assumido por muitos dos empresários, comentador desportivo e cronista social João Malheiro, que como ele próprioque mais gratas se sentirão por tal desempenho. fez questão de afirmar, nasceu em Santa Luzia, e que na sua intervenção questionou como é possível uma região com gente tão importante no mundoAo contrario do que à primeira impressão, a gala possa do futebol não tenha um clube nas divisões de Elite. Ficou o desafio…parecer uma feira de vaidades, foi antes, sim, um desfilarda coragem, do risco e porque não dizê-lo do altruísmoempresarial. Sem estes empresários, sem a criação deemprego e de riqueza, as politicas ambientais e sociais,que a todos nos são tão caras, seriam impraticáveis.42 valemais.pt

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Opinião #Mário Garrido44 valemais.pt

Opinião #Manuel Pinto Neves Arde gente no meu País!A época oficial de incêndios florestais em Portugal começou este ano a 15 de Maio, e os meios de combate, na sua capacidade máxima, só estava previsto funcionarem entre 1 de Julho e 30 de Setembro!P arece-me no mínimo bizarra a marcação do O Estado falhou. Ainda há dias um meu amigo me telefonava a dizer momento em que devem começar a prevenção que o ataque ao incêndio que lavrou próximo das casas de Portela e a disponibilização dos meios aéreos de ataque do Fojo (freguesia do concelho de Pampilhosa da Serra), fora uma verdadeira calamidade no que à coordenação diz respeito.aos fogos. A verdade é que este flagelo pode manifestar-se E os políticos, com o primeiro-ministro à cabeça, fogem de discutir estasem qualquer mês do ano, desde que não esteja a chover. O falhas e fragilidades inconcebíveis. E empurram as responsabilidades de uns para os outros. Provavelmente, daqui a pouco, o culpado teráconvencionar uma data assemelha-se ao início da época sido D. Afonso Henriques…da caça ou do campeonato de futebol… Tal situação seriacaricata se não fosse trágica.O nosso país tem vindo a ser corrido, como vem sendo No nº 22 da “Vale Mais” (2013), escrevi sobre este assunto dos foto :: direitos reservadoscostume, por uma onda de incêndios. A palavra fogo incêndios. Aí dizia que apesar de se apontarem sempre inúmerosescorre dos lábios exaustos das gentes, como se uma praga culpados, (desde as altas temperaturas aos inconfessáveis interessestivesse sido desenterrada para castigar a teimosia de um económicos; passando pela negligência das “queimadas” e dosqualquer faraó moderno. piqueniques ao desordenamento florestal) tinha a convicção de que a origem dos incêndios era, na sua esmagadora maioria, devida àNo entanto, este ano as coisas foram para além da habitual presença criminosa de pessoas. E, acrescentava que seria fundamentaldestruição de árvores e de casas. Na verdade, numa zona da a existência de eficiente política florestal.Região Centro do País, pereceram sessenta e quatro pessoas(ou terão sido sessenta e cinco?)! Muito se tem perorado, No entretanto, o tempo passou, houve mudança de mandantes, epor numerosos iluminados, chegando ao inacreditável tudo ficou na mesma, até que se deu a tragédia de que tanto se fala.ponto de identificar o começo exacto do incêndio iniciado Houve solidariedade e promessas de que agora é que vai ser… É muitoem Pedrógão Grande numa árvore atingida por um raio provável que voltemos a falar do mesmo assunto, porque tudo vai ficarprovindo de uma trovoada seca! igual, talvez com menos mortos, que estes já foram esquecidos.E, durante alguns dias, o que vimos? Os responsáveis pelos ARDE GENTE NO MEU PAÍS! SILÊNCIO…mais diversos sectores, quer operacionais, quer políticos,preocupados em mostrarem-se nos meios de comunicação valemais.pt 45social. E os “media” mais atentos à divulgação do“espectáculo” do fogo, na busca de maiores audiências, doque à transmissão da verdade.

Opinião #Adelino SilvaT PONTE DE LIMA O Esplendor de uma 'vila criativa' alvez Sophia — Sophia de Mello Breyner município em reagir à mudança, mas antecipando-se a ela de forma Andresen —, se percorresse hoje, tal convincente, determinando-a, e, através de uma expressiva “atitude como o fez no passado, o roteiro criativo pró-ativa”, converteu — com absoluto merecimento — o “velhinhoe cultural limiano e deixasse emergir o pulsar burgo medieval”, numa das mais vanguardistas e icónicas “vilasda sua pura e melódica  alma poética, com o criativas” e “vilas culturais” contemporâneas.esplendor das atividades do “cluster criativo”que nos últimos anos floresceu com sucesso OS VIAJANTES DA MINHA TERRAem Ponte de Lima, se sentisse influída para nosrecordar dois versos de um dos seus poemas — De facto, por todas as latitudes do País por onde nos deslocamos — e“Cantata da Paz”— que a tornou célebre:“Vemos, são muitas —, somos interpelados por cidadãos das mais imprevistasouvimos e lemos. Não podemos ignorar!”. povoações, que asseveram, numa sedutora e magistral narrativa de invejável orgulho — que nos enleva a alma —, que Ponte de Lima é umTalvez Sophia nos sugerisse — com a sua infinita ternura dos seus insubstituíveis e divinos lugares de encontro, enquanto territóriode veludo — que é forçoso “vermos, ouvirmos e lermos”, de eleição como destino turístico, não só pelo eterno encanto hipnótico ecom humildade e modéstia, para que a “lente” concetual onírico dos espaços, pela farta e balsâmica gastronomia, mas igualmente,de observação da realidade nos dê uma amplitude de pela existência de um eclético “roteiro cultural e criativo”, motivador devistas  que nos permita verificar, com lucidez — e sem a deslumbrantes aventuras e de inesquecíveis experiências.“obnubilação da consciência” das “papoilas saltitantes”que pululam, por aí, nos labirintos intricados da sociedade Todos esses apaixonados “viajantes” anunciam, com um jubiloso ee da política —, que os eventos, de matriz criativa e imensurável sentimento de ternura e de emoção, que já assistiram, nacultural, realizados continuamente em Ponte de Lima, não minha terra, às mais variadas feiras e aos mais invulgares e admiráveissão simples “festas e festinhas”. espetáculos; já percorreram o esplêndido roteiro museológico limiano; já mergulharam em cenários marcados pelo seu caráter exuberantePelo contrário, esses acontecimentos constam de e inovador e pelas doces exaltações paisagísticas; já pernoitaram, emprogramas de animação de excelsa nobreza, resultantes de serenidade contemplativa,  nas fidalgas casas de turismo rural, deuma conexão perfeita entre “pensamento e planeamento habitação ou de natureza, num aprazível bungalow da fulgente Quintaestratégico” (na linha de Mintzberg), não se confinando o de Pentieiros, no celebrado Albergue dos Peregrinos ou num dos elegantes e finos hotéis que envolvem o aristocrático burgo.46 valemais.pt

“EXCELÊNCIA”: A CHANCELA DASMANIFESTAÇÕES CULTURAISFinalmente examinamos as agendas culturais dos maisvariados municípios do nosso País, assistimos, in loco, adiversos eventos incorporados nesses roteiros, comparamose concluímos: Ponte de Lima apresenta — ao longo de todoo ano e por diferentes palcos — um conjunto de sublimesmanifestações culturais, integradas no “paradigma pós-moderno” de “cluster criativo”, que serve de “pedra basilar”ao magno conceito das denominadas “economias criativase culturais”, as quais, presentemente, se apresentam como“vantagens competitivas” indutoras do “efeito alavanca” deum prometedor desenvolvimento económico sustentável.Manifestações que apostam, estrategicamente, no paradigmada valorização e expansão da “imagem cultural e criativa”do município, potenciando a competitividade das suasincomparáveis “vantagens territoriais” — e não por qualquer“umbiguismo” —, e que têm como força motriz uma boagovernança e uma programação de prestígio, distintiva, genuína,pluridisciplinar e diferenciadora — que vai muito para além daslógicas e das tendências mainstream de outros municípios.Tudo isto com as impressões digitais de uma gestão culturalde onde emana um talento criativo  capaz de “silenciaro ruído”, … gerado pela “irmandade dos sábios” que seapresentam, na minha terra, como guardiões iluminados (eúnicos) do “limianismo”…Para que a inquestionável consagração deste dinâmico“eixo criativo e cultural” se tenha afirmado no amplo espaçoibérico correspondente ao mítico território da “GrandeGalécia”— que, no passado, se estendeu, até às terras davelha Coimbra —, a nobre “Capital dos Límicos” apontoua bússola da mudança para a revitalização dos maisdiferentes espaços e edifícios públicos, transformando asáreas abertas — ruas, praças, largos…— em auditórios degeometria variável, ciclicamente povoados por multidõesde paisagens humanas, incessantemente em êxtase com omaravilhoso e o fantástico.Ponte de Lima dotou o seu território com uma cuidadarede de infraestruturas culturais e criativas, enquantoinstrumentos de desenvolvimento, da qual despontamequipamentos multifuncionais, difusores de alegria, decor, de movimento e de encantamento e onde a animaçãojovial rivaliza com aquela que ocorre em Lisboa (BairroAlto) ou no Porto (Ribeira).Por outro lado, vários agentes criativos e produtoresculturais nas áreas da etnografia, da música, do design,das artes plásticas, da produção lúdica, literária, artísticae artesanal — e outros — têm sido apoiados nas suasatividades.Por isso, citando Sophia, “VEMOS, OUVIMOS E LEMOS. NÃO PODEMOS IGNORAR!”. valemais.pt 47

Ensaio #José Emílio MoreiraIMPRESSÕES DE UMA RELEITURA “Viagens na minha terra\" de Almeida GarrettT emos escritores portugueses contemporâneos extraordinários, uns com mais fama, outros Perante “As Viagens” não sei como classificá-las. Apresentam uma tessitura a afirmarem-se no mundo literário. Não falta original, mas muito heterogénea, com o autor a saltar de tema em tema (aparentemente!) ao correr da pena e a comunicar-nos o muito que lhe vaionde escolher. Eu, dentro do meu gosto e das minhas na alma e no coração. Garrett não vai fazendo só elogios pessoais de si ou da sua obra…um fraquinho tão característico dele. Com subtilidade de admirar,disponibilidades, aprecio passar pelas livrarias, misturada, por vezes, com afinada ironia ou mesmo certo humor, “constrói” asbisbilhotar e comprar alguns livros, ler já ou pô-los em suas críticas ao longo das suas “Viagens”:lista de espera nas estantes do meu “gabinete”. Mas 1. Crítica política: interna ou externa, não poupando o regime liberal vigente,como andam as nossas leituras dos nossos clássicos? pelo qual tanto lutara e sofrera;Alguns só foram lidos por obrigação no ensinosecundário. Depois, foram votados ao esquecimento. 2. Crítica social: costumes, educação, condições de vida do povo, guerra civil,Quem lê, hoje, Gil Vicente, Almeida Garrett, AlexandreHerculano, Bocage, Camilo, ou até mesmo Eça de polícia, etc, etc;Queiroz, para não citar outros importantes escritoresque fizeram a grandeza da história da nossa literatura? 3. Crítica religiosa, onde Garrett vasa o seu anticlericalismo que vem ao de cima, e também onde define a sua religiosidade que dominava profundamente e que o levava, por outro lado, a defender a mesma religião;De vez em quando, apraz-me visitar ou revisitar obras clássicas. De 4. Crítica literária: Garrett demonstra grande erudição clássica; não deixaduas (“Miguelim e Manuelsão” e “Os irmãos Karamazov) já dei conta da“minha impressão” em números anteriores da Vale Mais. Neste mês de também de focar o estado deplorável do teatro nacional. Pensa a literatura comoAgosto, vou falar-vos da minha releitura de um livro que julgo conhecido expressão social e expõe suas conceções de literatura romântica, à maneira depela maior parte dos portugueses, mas talvez more no domínio escuro doutrinador pioneiro, mas (e isto é engraçado!) com o propósito (fingido oudo inconsciente ou, quando muito, no limbo do subconsciente da maior real?) de «morrer na fé de Boileau».parte: ”VIAGENS NA MINMHA TERRA” de Almeida Garrett. Valerá apena gastar umas horas com esta obra “tão antiga”? Nesta linha diz-nos também o que entende por escritos românticos. Pessoalmente compara-se a Camões. Como um incompreendido. O poeta é como a namorada—Almeida Garrett tem toda a razão em chamar ao seu próprio livro ninguém o compreende e ele anda sempre enamorado. O romancista igualmente.“Viagens na Minha Terra” de “despropositado e inclassificável Senão, não pode escrever. Daí, resulta um individualismo e independência emlivro das minhas viagens”. De igual modo, também tem certa razão relação ao vulgo social que acabam de tornar o “romântico” vítima, mas sem culpa,para apelidar a sua obra de “douto livro” ou “erudito livro”. porque obedece a uma “fatalidade que me persegue e não é obra minha”. Esse “destino romântico” não é senão o ímpeto incontrolável da natureza.Na verdade, a “Viagem” não é senão um motivo, para, a propósito… 5. Crítica histórica e artística: Almeida Garrett vai “passando” por lugares que lheir expondo ideias de vária ordem. É, contudo, impressionanteo modo espontâneo como vai descrevendo e apresentando, ao recordam, como que em encadeamento, acontecimentos doutros tempos e sobreleitor, os seus assuntos numa conversa que chega a atingir as raias eles vai refletindo com uma intencionalidade crítica e relacionante.d4a8famvalielimaraiids.patde e simplicidade.

Igualmente não se limita a retratar os monumentos ou demais obras de arte que lhe de Carlos, diz expressamente que passou a vida a mentir, emboraé ocasionado observar. Também, neste campo, parece mostrar-se bom conhecedor e, nunca o fizesse voluntariamente. No íntimo era verdadeiro.para além da “visão”, ensaia uma interpretação artística, embora a crítica seja bastante Frente aos outros, era assim…falso, de carátar borboleteante,ao de leve, bastante superficial na sua feição expressa. Penso que a sua profundidade mesmo supersticioso, sem muita confiança em si.está, na maioria das vezes, nas entrelinhas, nos silêncios, nas reticências. Por isso pede compaixão e mostra-se um personagem lacrimoso.Com o que dissemos até aqui, podemos dar a parecer que as “Viagens na MinhaTerra”, afinal, são um livro de crítica e exposição sistematizada destes cinco 3. ANIMA ou o “EU PROFUNDO”: Mas o pedir compaixão, otemas. Nada disso! Como salientei no princípio, (aparentemente) o interessecentral está na “viagem”. O resto vem a propósito do que se observa pela janela próprio chorar são já uma “passagem” para dentro de si. É que ada carruagem ou de cima do burriquito…atentamente ou a sonhar e que Garrett ANIMA de Garrett é nobre e inocente, de altos ideais. Ela provocanos relata e comenta, conversando ou monologando. a sinceridade que abre o interior, brotando dele ternura humana e tudo o que o homem tem de bom. É o Garrett quando gosta deÉ interessante a maneira como constantemente (às vezes em excesso!) vai sonhar e voar pelas alturas, numa projeção total de si, embora,entabulando diálogos com o leitor, cheios de viveza e naturalidade, às vezes muito claro, o mais íntimo seja indescritível. E Carlos, depois de toda agraciosos. As descrições, sobretudo das paisagens, são impressionantes, pela sua aventura, acabou de revelar-se até ao fundo, sem pejo algum,simplicidade, pela leveza, por uma força interior que os anima (embora até caia, contra todas as forças do “ANIMUS”.certas ocasiões, no simplismo e trivial). Aqui, Garrett é , para mim um mestre: nassuas descrições não nos põe só frente à realidade, ele mete-nos dentro dela, ou 4. O AMOR: nesta “viagem” ao interior de Carlos (Garrett),antes, mete a realidade dentro de nós, obrigando-a a sentir, a pensar, a amar com onosso ser. Revela-nos a alma da paisagem para além da sua superfície; através dele, descobrimos também o género do seu amor: sentimental, massomos colocados a sintonizar com a paisagem. Para ele, Natureza e Interior são ideal. Parece contraditório, mas, nele, é assim. Carlos é impulsivo,sincronizantes. Claro está que a beleza das descrições são mais fantasiadas do que sentimental em extremo. Carlos tem coração a mais não só porqueobservadas! Releia-se, por exemplo, a descrição do Vale de Santarém e da “janela ama muito, mas porque a sua mulher terá de ser um anjo (porda menina dos olhos verdes” e verificar-se-á como é assim. isso ideal inacessível), jamais se decide a comprometer de vez o coração, ficando eternamente na indecisão de escolher. O seuPara além das descrições das paisagens, gostei de certos diálogos, entre os quais é de amor é um amor que mata os outros e a si próprio. São assim odestacar o diálogo travado entre Carlos e a Joaninha no capítulo XXV. É um diálogo-tipo! amor do frade, de Joaninha e, sobretudo, o de Carlos.Outra caraterística deste autor romântico que sobressai neste livro é o seu amor 5. A MORTE-E aqui outro ponto importante: a morte. A mortepelo “popular”. Prova-o a importância dada aos rifões populares, o valor concedidoao antigo, o especial sabor de penetrar no passado, nas tradições, o apreço pelos aparece como triunfo, como uma bem-aventurança. Ela é o único“romances populares”, pelas historietas e lendas populares, pelas bruxarias, etc. remédio do seu mal, a solução do fracasso amoroso, quer com as inglesas, que com Joaninha. E quando não acontece a morte, são raiosPara Almeida Garrett, o povo é o “grande poeta de todos”, cujo senso íntimo vem faiscantes emanados não sei de onde…que vem purificar. No fim deda “Razão Divina e procede da síntese transcendente, superior e inspirada pelas contas, ele era assim. A sua natureza não foi criada diferente. Comograndes e eternas verdades, que não se demonstram porque se sentem” e só romântico que era, não tinha senão a“desdita” de seguir o seu destino,não é compreendido pelos que vivem sob o signo da matéria…Por isso, o autor o destino que é sempre o ímpeto misterioso da misteriosa natureza.defende os simples e os inocente e critica o sistema político dos “barões”, a altasociedade presunçosa, o “malvado progresso”… E pronto! Eis as “impressões” que me ficaram da minha releitura das “VIAGENS NA MINHA TERRA” DE ALMEIDA GARRETT. Muitas outrasAinda não falei no “romance” entre Carlos e Joaninha. Em si, creio, que apresenta leituras podem ser feitas, com a estimulação de outras “impressões”.pouco valor romanesco. É muito ténue o alente psicológico que o sustenta. Basta ler também o que muito foi escrito pelos críticos literários.Contudo, é uma grande porta aberta que nos permite entrar, com certo à vontade,na psicologia garrettiana. Abordemos alguns aspetos: E o leitor? Leia ou releia esta obra clássica da nossa literatura. Vai descobrir e reter também outras “impressões”, possivelmente mais1. Sua conceção de “mulher”: não consegue conceber uma “mulher que não ricas e significativas. “Viagens Na Minha Terra” é muito mais do que os superficiais comentários que consegui sintetizar e escrever. Eu só quisseja um anjo, sempre içada a um plano superior, nimbada sempre da auréola provocar a lembrança deste valiosíssimo tesouro literário português.de perfeição no corpo e na alma. Parece que todas as mulheres lhe parecemanjos! Joaninha é um anjo. Repete-o tantas vezes! As “inglesas”, todas três”, são A MINHA SUGESTÃO DE ALGUMAS LEITURASanjos, qual delas a mais atraente! O rosto de qualquer delas era angélico, pela PARA FÉRIASformosura, pela”brancura”, pela “alvura” do semblante. Os olhos de todas elasincandesciam. Talvez Joaninha seja a personagem feminina de mais alto valor 1- Anselmo Borges, FRANCISCO, DESAFIO À IGREJA E AO MUNDO, grádivaideal, porque, a par da sua beleza física, ela é a rapariga simples, sentimental epura de alma por excelência. Mas as três irmãs inglesas não deixam de o atrair 2- Mia Couto, As areias do imperador, livro um(As Mulheres de Cinza) e livrocom impetuosidade, porque também, à sua maneira, são “belas”, “pombas”, dois( A Espada e a Azagaia), caminho“perfeitas”, “ideais”,“anjos”… Vê-se bem como Garrett atirava para bem alto oseu ideal amoroso! 3- James M. Russel- Um Breve Guia para Clássicos Filosóficos, círculo de LeitoresPoderemos penetrar mais no seu interior? Ele apela muito para a sua sinceridade. 4- Gonçalo M. Tavares, Jerusalém, caminhoDe facto, é sincero, mesmo até quando não dá por isso! Contudo, há nele doishomens, ou duas fontes justapostas no mesmo homem. 5- Seleção de José Fanha e J. Jorge Letria, Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer, terramar2. ANIMUS ou o “EU SOCIAL”: Carlos preocupa-se muito com o seu aspeto 6- Gabriel Garcia Marques, Cem Anos de Solidão, livros RTPexterior, social. A sua “honra” contava muito. Porém, como homem exterior, temmedo de se mostrar como é e é falso quantas vezes, mentindo. Igualmente o frade 7- Pedro Rabaçal, Os Grandes Ditadores da História, marcadortinha um medo terrível de se mostrar. Na carta a Joaninha, Garrett, na pessoa 8- Prosas e AlgunsVersos de JoãoVerde, Recolha de João Prego, C.M. de Monção 9- Jorge Costa e outros, Os Donos De Portugal, edições afrontamento 10- Thomas Piketty, Podemos Salvar A Europa?, marcador valemais.pt 49

Vale Mais aniversárioSEIS ANOS A DESCOBRIR O ALTO MINHO Já há meia dúzia de anos que andamos a divulgar o Alto Minho. Numa afirmação independente pelo que de melhor tem a região onde nos situámos, sem subterfúgios, mas observando a verdade e objetividade, com a marca própria que nos diferencia, afirma e credibiliza. Várias personalidades do Alto Minho, reconhecidas nas várias áreas da cultura e do património, da arte e do espetáculo, do desporto e da investigação, disponibilizaram-se para o seu testemunho sobre a (revista) VALE MAIS. Aqui fica. AGOSTINHO LIMA ENTUSIASMADO, DISSE-ME QUE ESSE ERA O CAMINHO A SEGUIR, QUE CONTASSE COM O SEU APOIO. ATÉ HOJE É Diretor da Vale Mais NOSSO ANUNCIANTE, DE FORMA ININTERRUPTA. EM 2011, FOI LANÇADA A PRIMEIRA EDIÇÃO DE REVISTA VALE MAIS. SEIS ANOS PASSARAM-SE, MUITO É UM DESAFIO PERMANENTE GARANTIR A SUSTENTABILIDADE DE UM PROJETO QUANDO HÁ QUE DEPRESSA, TALVEZ PORQUE AS DIFICULDADES REMAR CONTRA A MARÉ, COMO É O CASO DA COMUNICAÇÃO ENCONTRADAS OBRIGARAM A UM ALTO NÍVEL DE SOCIAL, SOBRETUDO, DESDE HÁ UNS ANOS A ESTA PARTE. CONCENTRAÇÃO E A UMA PERMANENTE PROCURA MANTER UMA INFORMAÇÃO RIGOROSA, PRÓXIMA DOS DE SOLUÇÕES. PARECE TER SIDO ONTEM A CONVERSA CIDADÃOS, OBJETIVA E ISENTA DE PRESSÕES POLÍTICAS E COM O MEU AMIGO JOSÉ EMÍLIO MOREIRA, ENTÃO ECONÓMICAS, ESTE É O CAMINHO QUE FOI TRAÇADO E QUE, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE MONÇÃO, EM COM MUITA DETERMINAÇÃO, ESTÁ A SER PERSEGUIDO. QUE COMENTEI O PROJETO. SENDO EU CONHECEDOR DURANTE ESTES ANOS COBRIMOS LACUNAS, EM TERMOS DE DO SEU GOSTO PELA LETRAS, DISSE-LHE QUE MEDIA, EXISTENTES NO ALTO MINHO, DANDO VOZ À CULTURA, GOSTAVA DE CONTAR COM ELE. RESPONDEU LOGO AOS MÚSICOS, AOS ARTISTAS, À GASTRONOMIA. NESTE CASO, AFIRMATIVAMENTE, INCENTIVANDO-ME, DIZENDO QUE EU ERA CAPAZ DE FAZER E BEM, ACRESCENTANDO O EXEMPLO É A PARCERIA COM O CHEF CHAKALL INICIADA NOS ARCOS DE VALDEVEZ, PARA PROMOVER A CARNE QUE ME DAVA TODO O SEU APOIO. CACHENA E, HÁ POUCOS DIAS, REPETIDA, EM VIANA DO RECORDO, TAMBÉM, UMA DAS PRIMEIRAS VEZES CASTELO, PARA DIVULGAMOS A GASTRONOMIA E A CULTURA QUE TROQUEI IMPRESSÕES COM O COMENDADOR RUI DESTA CIDADE. TEMOS O COMPROMISSO DO CHEF CHAKAL NABEIRO, PROPRIETÁRIO DA DELTA CAFÉS. MOSTREI- DE CONTINUAR COM A VALE MAIS, NESSA PROMOÇÃO DO LHE OS PRIMEIROS EXEMPLARES, APÓS UMA BREVE ALTO MINHO, NOS RESTANTES MUNICÍPIOS. EXPLICAÇÃO SOBRE O QUE TINHA PLANIFICADO E OS OBJETIVOS QUE ESPERAVA ALCANÇAR. QUERO, AINDA, DAR OS PARABÉNS À MINHA EQUIPA QUE, DESDE O PRIMEIRO MOMENTO, ACREDITARAM QUE50 valemais.pt ESTE PROJETO ERA POSSÍVEL. E, INTELIGENTEMENTE, SOUBERAM INTERPRETAR E DESENVOLVER O CAMINHO QUE TÍNHAMOS TRAÇADO. SEMPRE COM MUITA PAIXÃO, PORQUE QUANDO SE GOSTA DAQUILO QUE SE FAZ, ESTAMOS PREPARADOS PARA ULTRAPASSAR AS DIFICULDADES QUE VÃO SURGINDO. QUERO, AINDA, DEIXAR UM ‘MUITO OBRIGADO’ AOS COLABORADORES QUE TEMOS ESPALHADOS POR TODO O ALTO MINHO. TAMBÉM ELES CONTRIBUÍRAM, DE FORMA DETERMINANTE, PARA O DESENVOLVIMENTO DESTA NOSSA REVISTA… PORQUE É NOSSA, É DE TODOS NÓS E, COM ELA, TODOS VALEMOS MAIS.


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