EB 2,3 de RUY BELO ANO LETIVO 20__/20__ FICHA INFORMATIVA DE PORTUGUÊS 9.º ano EDUCAÇÃO LITERÁRIA NOME: DATA: Prof.ª Lara Cunha Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente Sistematização da cena do Corregedor: Símbolos cénicos: - processos judiciais («feitos») e uma vara na mão (representam a sua atividade profissional). Personagem tipo: - juiz corrupto, representa os oficiais de justiça que se deixam corromper. Características da personagem: - autoritário; altivo; lisonjeiro. Argumentos de acusação: - aceitação de subornos (dos judeus); - parcialidade (explorou os lavradores e nem ouviu as suas queixas); - corrupção (na aplicação da justiça); - confissão pecaminosa (confessou-se, mas mentiu). Argumentos de defesa: - apelo à sua condição de corregedor; - agiu com justiça e imparcialidade; - foi a sua mulher que aceitou subornos; - espera por Deus; - morreu confessado. Percurso cénico: - cais, barca do Inferno, barca do Paraíso, barca do Inferno, embarque. Destino final e respetiva justificação: - condenação ao Inferno devido à corrupção e à má consciência religiosa. Objetivos de Gil Vicente: - crítica à prática fraudulenta da justiça; - denúncia da justiça corrupta que se deixava comprar e espoliava o que podia. Processos de cómico: - linguagem (quer o Diabo, quer o Joane pretendem usar uma língua que não dominam, ou seja, o latim); - situação (o Corregedor, habituado às formas processuais e recursos legalistas, pretende neste julgamento um oficial de justiça, considerando a atitude do Diabo prepotente); - caráter (o Diabo afirma desconhecer outra língua, a não ser o português, mas continua a responder ao Corregedor no mesmo tipo de latim; o Joane a falar latim macarrónico).
Sistematização da cena do Procurador: Símbolos cénicos: - livros de Direito (representam a sua atividade profissional). Personagem tipo: - representa os oficiais de justiça que se deixam corromper. Características da personagem: - servil; convencido. Argumentos de acusação: - parcialidade; - corrupção; - não quis confessar-se. Argumentos de defesa: - não se confessou porque achava que ainda não tinha chegado a hora; - hierarquia social (a sua condição profissional); - espera por Deus. Percurso cénico: - cais, barca do Inferno, barca do Paraíso, barca do Inferno, embarque. Destino final e respetiva justificação: - condenação ao Inferno devido à corrupção. Objetivos de Gil Vicente: - crítica à prática fraudulenta da justiça; - denúncia da justiça corrupta que se deixava comprar e espoliava o que podia. Processos de cómico: - linguagem (latim macarrónico); - situação (o Procurador quer assumir ainda a postura que lhe era habitual na sua vida profissional). Considerações finais sobre a cena do Corregedor e do Procurador: Como personagem secundária, Joane funciona como testemunha e advogado de acusação. Assume a posição do Diabo, confundindo-se com ele, quer enquanto insulta e injuria os protagonistas, quer enquanto profere a acusação e dita a sentença. A crítica dirigida ao Corregedor alarga-se ao grupo social/profissional a que este pertence («Irês ao lago dos cães / e verês os escrivães / como estão tão prosperados.» vv. 69-71). Gil Vicente critica os católicos que encobrem os seus pecados ao confessor, na esperança de continuarem a viver, sem assumirem a responsabilidade pelos seus maus atos, embora continuem a afirmar que têm esperança na salvação divina. Por este motivo, acentua as diferenças entre a justiça humana (corrupta, injusta, parcial, temporária, regulada pelos homens) e a justiça divina (honesta, justa, imparcial, eterna, regulada por Deus). Bom trabalho!
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