O MEU CORAÇÃOO meu coração abalouE levou uma florEu atrás dele não vouPorque sei que ele abalouÀ procura de outro amorAbriu a porta do peitoSaiu e foi-se emboraEu não sei a hora certaQue a porta ficou abertaE deitou a chave foraE ele andou correndo o mundoDeu tantos passos sem fimVoltou chorando de dorNão encontrou outro amorE deu-me a flor a mimBateu-me à porta do peitoE ela estava encostadaPerguntou se podia entrarE começou a chorarE eu fiquei encantadaAgora ficou vadioFaça eu o que fizerFoi sol de pouca duraEstragou a fechaduraEntra e sai quando quer.28.11.2004 OS VERSOS DA IDÍLIA |101
SETE DIAS DA SEMANA Ao Domingo sou inventora À Segunda baronesa À Terça sou pensadora E à Quarta uma princesa À Quinta vou passear Que não se pode estar parada Na Sexta vou descansar No Sábado não faço nada No Sábado não faço nada Sou assim desde criança Dizem que não quero trabalhar Mas a todos vou contar Isto pensar também cansa Dizem que não quero trabalhar Que não gosto de fazer nada Há anos que estou a pensar Será que eu nasci cansada? 16.12.2004102 | IDÍLIA LEOCÁDIO
A ROSEIRA IIEu dei uma rosa à rosaA roseira não gostouE até me chamou vaidosaPor eu dar uma rosa à rosaDa rosa que ela criouAgora eu fiquei tristeA roseira também ficouSó a vejo da janelaNunca mais falei com elaE a roseira quase secouUm dia ia a passarLogo de manhãzinhaOuvi a roseira chorarE a mim se veio abraçarE ofereceu-me uma rosinhaEu fiquei muito contenteMas já não vou em cantigasVou dizer a toda a genteQue agora somos amigasComo era antigamente.05.02.2005 OS VERSOS DA IDÍLIA |103
ERRAR É HUMANO Os erros pagam-se caros Nem todos os erros são iguais Erraste que não me amaste Eu errei por te amar demais Dei-te o meu coração Deus sabe quanto sofreu Ainda hoje estou pensando Do tempo que estive amando Um amor que não era meu O que temos para pagar Não fica para depois Tu dizes que já pagaste Eu errei e tu erraste Assim pagamos os dois. 26.02.2005104 | IDÍLIA LEOCÁDIO
UM BEIJO À BEIRA DO RIOO primeiro beijo que me desteNão sabes o que fizesteQue a mim não me soube a nadaFoi um beijo tão descaradoComo ninguém me tinha dadoEu fiquei envergonhadaAbraçaste-me com ternuraAo veres a minha figuraEu com vontade de fugirFicou tudo admiradoE quando olhei para o ladoO Sado estava a sorrirFoi uma noite de frioAli à beira do rioQue ficou muito diferenteE eu abalei como loucaDeste-me um beijo na bocaÀ vista de toda a genteFui para a Tróia dormirE a minha irmã a sorrirFoi até de madrugadaComo se passou não seiDe manhã quando acordeiAinda estava corada.05.04.2005 OS VERSOS DA IDÍLIA |105
O SEGREDO I Ouvi chamar o meu nome Levantei-me e abri a porta Depois saí à rua Quem me chamava era a lua De noite, a hora morta A lua estava a chorar Queria comigo falar Para me contar um segredo Eu até entristeci De tudo aquilo que ouvi Confesso que tenho medo Confesso que tenho medo Até de sair à rua Vou guardar este segredo Porque eu prometi à lua Porque eu prometi à lua Não sei se eu fiz bem A lua desabafou Tudo o que ela me contou Não vou contar a ninguém. 14.05.2005106 | IDÍLIA LEOCÁDIO
A MINHA RUA IA minha rua é pequeninaNão tem muito p’ra contarAs pedrinhas são singelasE tem flores nas janelasEu gosto de cá morarÉ a rua dos bombeirosPequena, mas não tem fimEste nome é verdadeiroO meu marido era bombeiroE a rua se chama assimNão sujes a minha ruaQuero que seja diferentePorque ela é minha e tuaA rua é de toda a genteQuando alguém cá passaE que eu a ando a varrerAté me dizem por graçaAssim num ar de chalaçaNão tens nada p’ra fazer?Eu quero-a sempre limpinhaDebaixo da minha asaPorque ela é minha e tuaLembra-te que a nossa ruaÉ parte da nossa casa.20.06.2005 OS VERSOS DA IDÍLIA |107
O MEU AMOR VEIO DE LONGE O meu amor veio de longe Ficou a mim abraçado Há muito que não o vejo Eu dei-lhe o primeiro beijo Ali à beira do Sado Ali à beira do Sado Fui esperar o meu amor E era esse o meu desejo Do gosto daquele beijo Ainda tenho o sabor Ainda tenho o sabor E nunca mais vou esquecer Era quase de madrugada E ela envergonhada Parece que a estou a ver. 03.08.2005108 | IDÍLIA LEOCÁDIO
FUI À PRAIAFui à praia passearUm dia, quase à noitinhaEu não sei a hora certaA praia estava desertaE eu tomei banho sozinhaEu tomei banho sozinhaE comecei a cantarO sol ia dormirE a lua estava a chegarA lua estava a chegarPara me fazer companhiaFicámos a noite inteiraAndámos na brincadeiraSó voltei no outro dia.18.10.2005 OS VERSOS DA IDÍLIA |109
QUEM SOU EU Chamava filho ao meu marido Em tempo que já lá vai Não me meto em sarilhos Depois nasceram meus filhos Passei a chamar-lhe pai Passei a chamar-lhe pai Às vezes nem sei quem sou Eu sempre lhe dei afecto Depois nasceu meu neto Agora chamo-lhe avô Agora chamo-lhe avô Nem tinha percebido Muita coisa não sei Qual é que é o meu marido Afinal com quem casei Eu não tinha percebido Muito tempo já passou Agora é meu marido Filho, pai e avô. 18.11.2005110 | IDÍLIA LEOCÁDIO
AS FONTES DA MINHA TERRAEu fui à fonte da quintaE à fonte da capelaIa entre os sobreirosFui à fonte dos olheirosTu estavas ao lado delaIsso não fazia malToda a gente se admiraFui à fonte da luziraE à fonte do arealQuando a casa chegueiJá ia muito cansadaDe tanto correr nos montesNão encontrei mais fontesE eu fui ao poço da estradaIa com a minha manaE já tinha os pés em brasaTenho água para uma semanaJá posso ficar em casaJá posso ficar em casaMas corri muito nos montesAgora posso dizerQue tenho água para beberMas água de sete fontes.18.11.2005 OS VERSOS DA IDÍLIA |111
O CASAMENTO DA ROSA Há uma rosa caída Ao lado da mãe roseira A rosa está esmorecida Não encontra quem a queira Não encontra quem a queira Dizem que está encalhada Ao lado da mãe roseira A rosa está desmaiada E eu lhe molhei as folhinhas Cheguei naquele momento Juntei-a com um raminho Estava lá um cravinho Que a pediu em casamento A rosa que andava triste Até lhe chamavam vaidosa Hoje anda só a sorrir E toda a gente quer ir Ao casamento dela. 27.03.2006112 | IDÍLIA LEOCÁDIO
DEI-TE TUDO NA VIDATu fizeste um poemaCom cheirinho a alfazemaRosmaninho e alecrimE um pouquinho de erva doceQuem me dera que fosseEsse poema para mimEsse poema para mimIa ficar encantadaEu sei que tu és assimDavas-me o poema a mimQue nunca me deste nadaEu dei-te tudo na vidaE o que me deste, tirasteEu vivia iludidaAté o gosto pela vidaTu um dia me levasteQuando te fui encontrarPara contigo falarE contar-te o meu sofrerTu não quiseste ouvirViraste as costas a rirE não quiseste saber.20.09.2006 OS VERSOS DA IDÍLIA |115
NUMA NOITE OUVI CHORAR Numa noite ouvi chorar No meio da escuridão Acordei assustada A cama estava molhada Chorava o meu coração Chorava o meu coração Estava muito esmorecido Eu chorei e ele chorou Que o meu coração sonhou Sonhou que eu tinha morrido Sonhou que eu tinha morrido E que ele estava sozinho Dizia, não pode ser Como é que eu vou viver Sem ter amor nem carínho E eu lhe respondi Com um ar assim risonho Deixa-te estar descansado Que eu estarei sempre a teu lado Que aquilo foi só um sonho. 20.09.2006116 | IDÍLIA LEOCÁDIO
O TRABALHOÓ trabalho, vai-te emboraQue eu já estou desesperadoSó de pensar em trabalhoFico logo cansadoFico logo cansadoA todos eu vou contarInventaram o trabalhoMas não querem trabalharMas não querem trabalharO que é que eu faço agoraEstou cansado de gritarÓ trabalho, vai-te emboraÓ trabalho, vai-te emboraQue eu já estou desesperadoEu não posso trabalharPorque já nasci cansado.07.12.2006 OS VERSOS DA IDÍLIA |117
PERDI MEU CORAÇÃO Convidaram-me para uma festa Foi uma grande confusão O que se passou não sei Quando a casa cheguei Não tinha meu coração Não tinha meu coração E nem sei que se passou Que mal teria eu feito Ou ele fugiu do peito Ou alguém que mo roubou Voltei de novo à festa E abalei a chorar Quando ia pelo caminho Encontrei um rapazinho Com o meu coração a brincar Eu fiquei muito feliz Mas ele ficou zangado E me respondeu assim Não quer mais p’ra mim Não gosta de estar fechado Não gosta de estar fechado Faça eu o que fizer Diz que não gosta de mim Que eu não faço o que ele quer. 27.09.2006118 | IDÍLIA LEOCÁDIO
TENHO CIÚMESTenho ciúmes de tudoAté das pedras da ruaElas me fazem lembrarDo tempo que eu era tuaDo tempo que eu era tuaE que tu nem me ligavasMas com as pedras da ruaSempre as acarinhavasSempre as acarinhavasE eu via passar o tempoEm que tu não te importavasDe todo o meu sofrimentoDe todo o meu sofrimentoDo tempo que eu era tuaPor isso eu tenho ciúmesAté das pedras da rua.29.09.2006 OS VERSOS DA IDÍLIA |119
AS PEDRAS DA MINHA RUA I As pedras da minha rua Entendem tudo o que eu digo Quando vou a passar Se elas me ouvem chorar As pedras choram comigo As pedras choram comigo Porque é sua a minha dor Elas estão magoadas Tristes de serem pisadas E eu triste, sem ter amor E eu triste, sem ter amor Porque é que a vida é assim? E eu vivo desiludida Eu dei tanto amor na vida Que hoje não tenho amor p’ra mim. 02.11.2006120 | IDÍLIA LEOCÁDIO
FUI PROCURAR AO TEMPOEu fui procurar ao tempoQuanto tempo o tempo temO tempo não tinha tempoPara falar com ninguémPara falar com ninguémE eu fiquei amarguradaPerdi o tempo com o tempoNão tenho tempo para nadaNão tenho tempo para nadaE o tempo nem se comoveuO tempo tem que devolverTodo o tempo que era meuTodo o tempo que era meuO tempo tem que devolverPorque perdi o meu tempoE sem tempo não sei viverE sem tempo não sei viverSem tempo não posso amarSem tempo não sei correrSem tempo posso pararEu pedi mais tempo ao tempoE o tempo me respondeuO tempo não me dá mais tempoPorque o tempo não é só meuO tempo não é só meuFiquei no tempo a pensarO tempo que o tempo me deuEu não o soube estimar OS VERSOS DA IDÍLIA |121
Todos têm o seu tempo E eu tempo tenho o meu Estimem muito bem o tempo O tempo que o tempo deu O tempo que o tempo deu Eu dou suspiros e ais Eu pedi mais tempo ao tempo E o tempo não me deu mais. 17.01.2007122 | IDÍLIA LEOCÁDIO
SETÚBAL, ÉS TÃO BONITASetúbal, és tão bonitaGosto muito de te verTens uma paisagem tão belaÉs uma linda aguarelaAi, se eu soubesse escrever!Eu escrevia uma históriaComo ainda ninguém escreveuQue guarde na minha memóriaEu escrevia a tua históriaComo Setúbal nasceuEla nasceu pequeninaCresceu e fez-se mulherA ela ninguém ensinaQue logo desde pequeninaSabe bem o que quer.Sabe bem o que querE nunca fica indiferenteÉ uma linda aguarelaSejam ou não filhos delaAma e estima toda a gentePara todos está a sorrirÉ tão bonita e belaMas se dizem mal delaAi eu não gosto de ouvirDizem que ela anda sujaDe quem é a culpa afinalCulpados são os que sãoQue atiram tudo para o chãoPara depois dizer mal.28.01.2007 OS VERSOS DA IDÍLIA |123
AI, QUE SAUDADES Ai, que saudades Da casa onde nasci Tenho tantas saudades Só porque gosto de ti Gosto de ti Eu gostei de lá viver Porque ainda dentro dela Está um pouco do meu ser Ai, que saudades Dos caminhos que percorria Até tenho saudades Da fonte onde eu bebia Ai, que saudades do meu pai De minha mãe Dos meus irmãos pequeninos Saudades de mim também. 07.02.2007124 | IDÍLIA LEOCÁDIO
OS PASSARINHOSVi um bando de passarinhosNa rua aqui do meu monteBebendo água dos meus olhosPensavam que era uma fontePensavam que era uma fonteE eu ali fiquei olhandoBeberam as minhas lágrimasE eles voaram chorandoE eles voaram chorandoPara longe da minha casinhaVoaram os passarinhosE eu fiquei triste e sozinhaE eu fiquei triste e sozinhaNão tenho com quem falarOs passarinhos voaramJá não os oiço cantarJá não os oiço cantarE sofre o meu coraçãoVoaram os passarinhosE eu fiquei na solidãoE eu fiquei na solidãoJá não falo com ninguémNão cantam os passarinhosE eu já não canto também.27.06.2007 OS VERSOS DA IDÍLIA |127
NUNCA ANDEI NA ESCOLA Gostava de saber escrever O que guardo na memória Para todos poderem ler A triste da minha história A triste da minha história Que não esqueço o momento Passei muita miséria E uma vida de sofrimento E uma vida de sofrimento Que eu não consigo esquecer Eu nunca andei na escola Por isso não sei escrever Eu nunca andei na escola E nunca pude estudar Para cumprir a minha sina Logo desde pequenina Comecei a trablhar Os meus pais era pobrezinhos Nada tinham para me dar Deram-me a vida, coitadinhos E eu não lhes pude pagar Eu não lhes pude pagar Ainda hoje estou sofrendo E um pouco desiludida Se ainda eu tenho vida Aos meus pais estou devendo. 27.06.2007128 | IDÍLIA LEOCÁDIO
A SOLIDÃO IPara aliviar minha dorFaço versos de amorE triste os vou cantarPara oferecer à solidãoPorque ela me deu a mãoE já não quer abalarE já não quer abalarNem faz caso do que eu digoDiz-me que estou velhinhaQue não posso estar sozinhaA solidão ficou comigoA solidão ficou comigoAcreditem que é verdadeQue eu nunca vivi sozinhaLogo desde criancinhaMora comigo a saudade.15.09.2007 OS VERSOS DA IDÍLIA |129
JUREI CANTAR UM FADO Eu jurei cantar um fado Dos meus versos inventei Só falava no passado Não pude cantar, chorei Não pude cantar, chorei Quebrei o meu juramento O fado que eu inventei Voou nas asas do vento Voou nas asas do vento Não sei onde foi parar Ficou perdido no tempo Ou está nas ondas do mar Ou está nas ondas do mar Nunca mais o encontrei Quebrei meu juramento Não pude cantar, chorei Não pude cantar, chorei Fiquei no tempo parado Nesse momento jurei Nunca mais cantar o fado. 30.10.2007130 | IDÍLIA LEOCÁDIO
À SOMBRA DO TEU CHAPÉUHá um rosto tão bonitoÀ sombra do teu chapéuOs teus olhos, nem acreditoParecem estrelas do céuParecem estrelas do céuQuando à noite sais à ruaOs teus dentes são diamantesE a tua boca é luaE a tua boca é luaPara à noite iluminarOs teus braços são dois naviosE o teu corpo é um marE o teu corpo é um marE tu és o meu amorOnde gosto de nadarQuando está muito calor.17.11.2007 OS VERSOS DA IDÍLIA |131
SENTEI-ME À BEIRA DO SADO Sentei-me à beira do Sado Um dia de manhãzinha E a Tróia estava a seu lado A Sapec e a Figueirinha Estava a Vila Maria Para o Sado a olhar E a Serra da Arrábida A ver o Sado passar A ver o Sado passar Uma paisagem tão bela Que eu não tinha visto ainda Vi a Serra de Sesimbra E o Castelo de Palmela E o Castelo de Palmela Eu fiquei admirado Com muita saudade Eu vi a nossa Cidade Dando beijinhos ao Sado. 01.03.2008132 | IDÍLIA LEOCÁDIO
A TRISTEZAÓ tristeza, vai-te emboraNão quero contigo morarNão me deixas ser alegreEu triste não quero ficarEu triste não quero ficarPorque o meu coração choraTens asas, podes voarÓ tristeza, vai-te emboraÓ tristeza, vai-te emboraLá diz o velho ditadoSegue lá o teu caminhoVale mais ficar sozinhoDo que mal acompanhadoDo que mal acompanhadoFica bem longe de mimPorque eu sempre fui alegreQuero continuar assim.31.03.2008 OS VERSOS DA IDÍLIA |133
VAI-TE EMBORA, SOLIDÃO Tu vieste, solidão Magoar meu coração E ele está triste e chora Que eu perdi o meu amor Eu te peço, por favor Ó solidão, vai-te embora Ó solidão, vai-te embora Gostas de me ver sofrer Eu quero ficar sozinha E chorar para ninguém ver E chorar para ninguém ver A triste da minha dor Eu não quero a tua mão Vai-te embora solidão Que eu perdi o meu amor. 14.11.2008134 | IDÍLIA LEOCÁDIO
AS FLORES DO MEU QUINTALAs flores do meu quintalSão minhas, de mais ninguémSe eu canto, elas cantamSe choro, choram tambémSe choro, choram tambémSão o meu ombro amigoAs flores do meu quintalEntendem tudo o que eu digoEntendem tudo o que eu digoSão bonitas e tão belasGostam muito de mimE eu gosto muito delasE eu gosto muito delasSeja de noite ou de diaAs flores do meu quintalSão a minha companhia.17.02.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |137
O SEGREDO II Tenho um segredo guardado Bem lá no fundo do mar Numa caixinha fechado Para ninguém o levar Para ninguém o levar O segredo que é só meu Voltei ao fundo do mar E a caixa desapareceu E a caixa desapareceu Não obtive resposta Quando à praia cheguei O segredo deu à costa O segredo deu à costa Bem perto do meio-dia O segredo que era meu Já toda a gente sabia Já toda a gente sabia Eu fiquei triste de verdade Um segredo que guardava Desde a minha mocidade. 19.02.2009138 | IDÍLIA LEOCÁDIO
VEJO A SERRA DA ARRÁBIDAVejo a Serra da ArrábidaNão há outra como elaEu vejo o Sado passarA Tróia e vejo o marTudo da minha janelaEla é pequeninaMas eu gosto dela assimDas outras é diferenteFecha-se para toda a genteSó se abre para mimVejo o céu, vejo as estrelasE vejo o sol e a luaÉ uma paisagem tão belaQue vejo da minha janelaNem preciso ir à rua.28.06.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |139
FUI ESCONDER OS MEUS SEGREDOS Fui esconder os meus segredos Enterrados na areia A maré estava vazia Em noite de lua cheia Em noite de lua cheia Fui meus segredos esconder Ninguém sabe onde eles estão Só a Lua estava a ver Só a Lua estava a ver Eu sei que ela achou bem Que a Lua me veio dizer Que não diz nada a ninguém Que não diz nada a ninguém Eu fiquei agradecida Os segredos que eu escondi São todos da minha vida. 28.06.2009140 | IDÍLIA LEOCÁDIO
TENHO MEDOTenho medo de partirE medo de não voltarTenho medo de dormirE medo de não acordarE medo de não acordarCada um consigo gozaEu tenho estado a brincarPorque nunca fui medrosaPorque nunca fui medrosaAcredita que é assimVou-te contar um segredoEu às vezes tenho medoAté tenho medo de mim.04.08.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |141
MÊS DAS ROSAS Mês de Maio, mês das rosas No mês de Maio eu nasci Aquelas rosas cheirosas Que eu comprava para ti Que eu comprava para ti E até ficava vaidosa No mês de Maio eu nasci E não tenho nome de rosa E não tenho nome de rosa Nem de qualquer outra flor Se o meu nome fosse Rosa Era a rosa do meu amor Era a rosa do meu amor Queria-o sempre ao pé de mim Se eu fosse uma flor A minha casa era um jardim. 04.08.2009142 | IDÍLIA LEOCÁDIO
FUI VIAJAR AO PASSADOFui viajar ao passadoNão sabes o que encontreiTudo o que eu tinha perdidoE uma coisa recupereiE uma coisa recupereiVai ficar na históriaFui viajar ao passadoRecuperei minha memóriaRecuperei minha memóriaQue há muito que tinha perdidoFui viajar ao passadoE gostei de lá ter idoE gostei de lá ter idoAinda lá quero voltarPorque há muita coisa perdidaQue eu quero recuperar.04.08.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |143
AS VOLTAS QUE EU DEI NUM DIA Um dia de manhãzinha Passei à Cascalheirinha E também à Cascalheira Fui à praia passear E depois quando voltar Vou a Brescos e à Panasqueira Aí mudei de camisa Já me dizem que é doidice Fui direitinha à Galiza E voltei à Parvorice Das caminhadas que fiz Já me dizem que não presto Fui passar pelo Giz E voltei ao Deixa-O-Resto Aí bebi um café Que até nem me soube mal Fui direita a Santo André E voltei ao Azinhal E voltei ao Azinhal Correr tanto eu não resisto A estrada não tinha luz Fui direita a Santa Cruz E voltei a São Francisco Aí eu vi tu passares Não estava lá mais ninguém Fui direita aos Catalares E Santiago do Cacém144 | IDÍLIA LEOCÁDIO
E Santiago do CacémAí era um mundo novoFui a Sines almoçarE jantar a Porto CôvoQuando a casa chegueiFui falar à minha manaDisso tu não sabiasDeitei-me na minha camaDormi três ou quatro dias.06.08.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |147
A MINHA IRMÃ Fui visitar a minha irmã Há tempo que lá não ia Encontrei uma amiga Que há muitos anos não via Que há muitos anos não via Alegrou meu coração A minha amiga que eu vos falo É a Maria da Conceição A Maria da Conceição Bonita e não é vaidosa Ainda gostava de ver A Soledade e a Preciosa A Soledade e a Preciosa Que sempre fomos amigas Íamos juntas à fonte Cantando nossas cantigas Cantando nossas cantigas Que ainda toda a gente sabe Eu já não moro no monte E nunca mais fui à fonte Mas é tão grande a saudade Quando lá não passo fico triste À fonte que foi tão amada Agora é diferente Deu água para muita gente Está velhinha e desprezada. 28.08.2009148 | IDÍLIA LEOCÁDIO
A ESCOLA DA VIDAAprendi na escola da vidaE ainda estou aprendendoTudo o que eu sei na vidaÀ vida eu estou devendoEla me ensinou a viverE me ensinou a amarAté me ensinou a sofrerE ensinou-me a perdoarA vida me deu a vidaPara eu a viver e estimarO que aprendi com a vidaTenho tendado ensinarQue a vida tudo me deuE tudo me tem levadoO que eu pensava que era meuAfinal era emprestado.28.01.2007 OS VERSOS DA IDÍLIA |149
FLORES ZANGADAS Eu fui regar o jardim Que tenho no meu quintal As rosas e o alecrim Até me trataram mal Até me trataram mal Estão comigo zangadas Que eu fui regar o jardim E ficaram todas molhadas E ficaram todas molhadas Deu-me vontade de rir Que eu fui regar o jardim Ainda estavam a dormir E o malmequer não gostou De eu virar as costas a rir Fizeram uma barulheira Cantaram a noite inteira E não me deixaram dormir Quando me levantei Ainda estava zangado Foi de qualquer maneira E eu abri a torneira Foi água por todo o lado Aquelas lindas flores Que eu tenho no meu jardim E a quem eu chamava amores Já não gostam de mim150 | IDÍLIA LEOCÁDIO
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