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Os Versos da Idília - 168 Poemas

Published by D'Almeida ©, 2017-07-02 05:23:28

Description: Edição: Edição de Autor: * Autor: Idília Leocádio © * Capa: D'Almeida Ateliê © Ilustração da Autora * Ilustrações: Idília Leocádio © * Paginação, arte final, impressão e acabamento: D'Almeida Ateliê * Revisão: D'Almeida Ateliê

Keywords: livros poesia,versos populares,autores populares,autoras portuguesas,edição de autor,publicar o próprio livro,imprimir livros,diva almeida

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Já não gostam de mimSão bonitas e tão belasEstamos muito bem assimSe já não gostam de mimEu também não gosto delasEu também não gosto delasE tenho estado a pensarAgora está tudo verdeMas quando tiverem sedeNunca mais as vou regar.24.09.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |151

PARTISTE, FOSTE EMBORA Partiste, foste embora Já não estás a meu lado É Deus que marca a hora O teu tempo estava acabado O teu tempo estava acabado Eu fiquei triste a chorar Porque eu também um dia O meu tempo vai acabar Quero ficar juntinha a ti Por toda a eternidade Há tão pouco tempo partiste Já é tão grande a saudade Já é tão grande a saudade Seja de noite ou de dia Partiste, foste embora Já não tenho companhia Já não tenho companhia Só o que a gente sofreu Eu jurei por toda a vida Que o meu amor é só teu. 24.09.2009152 | IDÍLIA LEOCÁDIO

A SINCERIDADEOnde está a sinceridadeE aquela linda amizadeComo noutro tempo haviaHoje recordo com tristezaNo meio de tanta pobrezaHavia muita alegriaHavia muita alegriaCoisa que hoje não existeAgora já não me iludoPorque hoje temos quase tudoE quase tudo anda tristeE quase tudo anda tristeÉ assim no mundo inteiroHoje recordo com saudadeDaquela linda amizadeQue valia mais que o dinheiro.24.09.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |153

CONTO TUDO Conto tudo quanto vejo Ando sempre a contar Conto as pedras da rua As estrelas, o sol e a lua E conto as ondas do mar Conto as ondas do mar As grandes e as pequenas Eu conto as coisas mais belas Conto portas e janelas E conto até as antenas E conto até as antenas Que não são todas iguais Por onde eu tenho passado Conto as telhas do telhado E conto muitas coisas mais Conto muitas coisas mais Mesmo que não ache bem Quando eu vou a passar Começo tudo a contar Conto e não conto a ninguém Conto e não conto ninguém Acreditem que é assim Porque é este o meu desejo Conto tudo quanto vejo Mas conto só para mim. 24.09.2009154 | IDÍLIA LEOCÁDIO

NÃO SEI DE ONDE VIMNão sei de onde vimNem sei para onde vouNinguém se lembra de mimE eu nem me lembro quem souEu não sei se quero irOu se vou aqui ficarTenho medo de partirPara casa já não voltarPara casa já não voltarQue tu fiques aqui sozinhoTenho medo de partirE de me enganar no caminhoTenho dois caminhos em frenteNão sei por qual hei-de irPorque um tem ida e voltaE o outro é só para partirEles estão sinalizadosEu não conheço os sinaisTenho medo de partirE não voltar nunca mais.24.09.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |155

QUATRO NOMES Minha tia deu-me o meu nome Minha mãe o dela me deu O meu pai e o meu marido Cada qual me deu o seu Cada qual me deu o seu Eu sei bem onde fico Um nome só não diz nada Mas os quatro é tão bonito Mas os quatro é tão bonito Eu tenho estado a pensar Um dia quando eu partir Não tenho a quem os deixar Não tenho a quem os deixar Ouve bem o que te digo Um dia quando eu partir Dois eu levo comigo. 24.09.2009156 | IDÍLIA LEOCÁDIO

SANTO ANDRÉ E SETÚBALSanto André é meu amorSetúbal a minha amadaSanto André me criouSetúbal me deu moradaSetúbal me deu moradaEstou-lhe muito agradecidaSanto André e SetúbalSão parte da minha vidaSão parte da minha vidaVejam bem como isto éQuando a saudade apertaVou visitar Santo AndréVou visitar Santo AndréTerra que me viu crescerVim morar para SetúbalOnde gosto de viverOnde gosto de viverPorque este amor nunca findaSanto André e SetúbalEu não vi coisa mais linda.06.10.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |157

SANTO ANDRÉ Quero ir a Santo André Para passar lá um dia Quero ir matar saudades Do tempo que lá vivia Do tempo que lá vivia Quando era rapariga Quero ir a Santo André Porque a saudade me obriga Quero correr estradas e caminhos Do vale subir ao monte E ouvir os passarinhos E trazer água da fonte E trazer água da fonte Como noutro tempo fazia Quero ir a Santo André Para passar lá um dia Para passar lá um dia Acreditem que é verdade Que eu já não moro no monte Ao lado daquela fonte Eu passei a mocidade Eu passei a mocidade E a gente se divertia Eu quero ir a Santo André Para passar lá um dia. 15.10.2009158 | IDÍLIA LEOCÁDIO

O DIA DA MULHERNo dia da mulherFui passear ao jardimEstava pensando na vidaCom medo de ficar esquecidaApanhei flores para mimApanhei flores para mimVim para casa devagarinhoO que se passou não seiQuando a casa chegueiNa jarra tinha um raminhoNa jarra tinha um raminhoFeito de várias floresNão sei o que se passouMas sei quem lá as deixouForam os meus quatro amoresForam os meus quatro amoresEu vou ali e já venhoHá quem tenha dois amoresMas quatro amores eu tenho.17.11.2009 OS VERSOS DA IDÍLIA |159

PASSARINHO Passarinho na gaiola Que cantava noite e dia Partiu seu companheiro Já não canta nem assobia Já não canta nem assobia Já nem se quer divertir Abriu-se a porta da gaiola E ele nem quer sair E ele nem quer sair O pobre do passarinho Partiu o seu companheiro Ele está triste e sozinho Ele está triste e sozinho De noite e dia a pensar Está tão triste o passarinho Já nem se ouve cantar Já nem se ouve cantar De tanto que ele sofreu Agora lhes vou contar Que o passarinho sou eu. 23.12.2009160 | IDÍLIA LEOCÁDIO

UMA ROSEIRAUma roseira com seis rosasPedi uma, não me quis darEu fui lá, apanhei-as todasFicou a roseira a chorarFicou a roseira a chorarVoltei lá de manhãzinhaFui-lhe devolver as rosasE ela deu-me uma rosinhaE ela deu-me uma rosinhaFicou para mim a sorrirQuando quiseres leva umaNem é preciso pedirNem é preciso pedirOuvi o que tu dissesteOuve o que eu te vou dizerMas não voltes a fazerAquilo que me fizesteAquilo que me fizesteAinda hoje estou pensandoLevaste as minhas filhinhasE eu fiquei triste chorandoEu fiquei triste chorandoDas minhas filhas mimosasTu já imaginasteO que é uma roseira sem rosas?12.03.2010 OS VERSOS DA IDÍLIA |161

MORO NA RUA DOS BOMBEIROS Moro na Rua dos Bombeiros Onde fiz amizades Já cá não mora o Bombeiro E a Rua tem saudades E a Rua tem saudades Nunca mais o viu passar Ela chora muitas vezes Porque me ouve chorar Porque me ouve chorar Está triste de eu estar velhinha Morava com o Bombeiro E agora moro sozinha E agora moro sozinha No meu mundo de escuridão Porque tenho sempre a meu lado A tristeza e a solidão. 12.03.2010162 | IDÍLIA LEOCÁDIO

VENTO DO SULO vento sopra do SulComo eu gosto de verVem encostadinho à SerraNotícias da minha terraO vento me vem trazerFalou-me da minha genteE tudo o que eu lá deixeiE da casa onde eu moravaDisse-me que ainda lá estavaMuito contente eu fiqueiMuito contente eu fiqueiFoi esse o meu desejoO vento me veio trazerSaudades do AlentejoSaudades do AlentejoE de todas as vizinhasDisse-me que o AlentejoTambém tem saudades minhasTambém tem saudades minhasIsso já tu sabiasSaudades do AlentejoEu tenho todos os diasEu tenho todos os diasDo meu pai e da minha mãeDe tudo o que lá deixeiSaudades de mim também.15.03.2010 OS VERSOS DA IDÍLIA |163

O MEU ROSTO O meu rosto está velhinho E o corpo transformado Tenho o cabelo branquinho E saudades do passado E saudades do passado Quando era rapariga E das crianças que eu amei E agora ninguém me liga E agora ninguém me liga Acredita que é assim Um dia tenho que partir Não quero que chorem por mim Não quero que chorem por mim A vida é tão pequena Nunca se lembraram de mim Não chorem, não vale a pena. 06.04.2010164 | IDÍLIA LEOCÁDIO

PASSEI A PONTE A PÉFui ao Jumbo de manhãVejam bem como isto éNão arranjei boleiaE passei a ponte a péE passei a ponte a péPorque faz muito bem andarQuando não tiver boleiaA ponte a pé vou passarA ponte a pé vou passarDizem que não tenho juízoPasso a ponte a péSempre que seja precisoSempre que seja precisoPorque a vida é muito duraDe passar a ponte a péToda a gente me censuraToda a gente me censuraEu já estou desesperadaEu passo a ponte a péPara não atravessar a estrada.14.04.2010 OS VERSOS DA IDÍLIA |165

FUI À PRAIA VER O MAR Fui à praia passear Era só para ver o mar Eu vi as ondas bater Uma vai e outra vem Não estava lá mais ninguém Sozinha gostei de ver Agora quando estou triste Se alegria não existe Vou para a beira do mar Ali acaba a tristeza Que a força da Natureza Faz a água dançar Eu gosto de ver o mar Em noite de lua cheia Quando se vem espreguiçar E dar beijinhos na areia Eu já tinha percebido Em noite de lua cheia Deu beijinhos na areia E molhou o meu vestido. 15.04.2010166 | IDÍLIA LEOCÁDIO





MALMEQUERMalmequer, ó malmequerEstás sempre a ser desfolhadoTu dizes que bem me querQuem está de mim separadoQuem está de mim separadoNão sei se é assimE dizes quem me quer malA quem está juntinho a mimA quem está juntinho a mimFala com sinceridadeEstás sempre a ser desfolhadoMalmequer, diz a verdadeMalmequer, diz a verdadePara ver se te dá gozoSe continuas assimVou-te chamar mentiroso.15.04.2010 OS VERSOS DA IDÍLIA |169

A MINHA AVÓ A minha avó era Custódia A outra era Bibiana E muita gente não sabia O meu pai era António Minha mãe era Maria Minha mãe era Maria Sei tudo desde pequena Tenho uma irmã Dionísia Tenho uma outra Madalena Tenho uma outra Madalena Dizem que é um nome fino Tinha um irmão José E outro irmão Idalino E outro irmão Idalino Uma irmandade tão linda Tinha uma irmã Hermínia E a outra era Gracinda E a outra era Gracinda Que toda a gente conhecia Os meus avôs eram Josés E eu sou Idília Maria E eu sou Idília Maria Que todos sabem quem é Do mais velho ao mais novo Todos nascemos em Santo André Todos nascemos em Santo André Éramos cinco raparigas Da família dos Leocádios E da família dos Cantigas. 27.05.2010170 | IDÍLIA LEOCÁDIO

ALENTEJO É UM JARDIMSe gostas do AlentejoTambém gostas de mimTem um manto de floresO Alentejo é um jardimO Alentejo é um jardimEm dias de soalheiroPara tratar as floresO sol é o jardineiroO sol é o jardineiroE trata-as muito bemPara regar as floresÀs vezes a chuva vemÀs vezes a chuva vemSem veres nem acreditasÉ um lindo jardineiroQue tem as flores tão bonitasQue tem as flores tão bonitasSei muito bem que é assimSou filha do AlentejoEu nasci no Jardim.09.07.2010 OS VERSOS DA IDÍLIA |171

FUI CRIANÇA, FUI MENINA Fui criança, fui menina Rapariga e mulher Aos vinte e oito casei Fiz tudo como Deus quer Fiz tudo como Deus quer Não falo com altivez Aos trinta anos fui mãe Aos quarenta mãe outra vez Aos quarenta mãe outra vez Nunca mais me senti só Agora já sou velhinha Aos cinquenta e oito fui avó Aos cinquienta e oito fui avó Cada um diz o que pensa Agora que sou velhinha Voltei de novo a criança Voltei de novo a criança Mas já não tenho os meus pais Ser criança uma vez é bom Ser duas já é demais Ser duas já é demais É-se criança diferente Quase não podemos andar E não sabemos mandar Mas todos mandam na gente Mas todos mandam na gente Penso isto muita vez Eu fui avó novamente Agora aos setenta e três. 09.07.2010172 | IDÍLIA LEOCÁDIO

ONDE ESTÁS, CORAÇÃO?Onde estás, coraçãoEstou cansada de chamarJá não te oiço baterNem sinto o teu palpitarNem sinto o teu palpitarSabes que eu estou velhinhaAbalaste, coraçãoEu fiquei triste e sozinhaEu fiquei triste e sozinhaTu sabes, eu também seiEras a minha companhiaE tanto amor que eu te deiE tanto amor que eu te deiTu sabes que é assimSe não for pedir demaisCoração, volta para mimCoração, volta para mimPorque é grande o meu sofrerTu abalaste assimE sem ti não posso viverE sem ti não posso viverEstou muito esmorecidaCoração, volta para mimVem dar vida à minha vida.09.07.2010 OS VERSOS DA IDÍLIA |173

A MISSA Estive a assistir à missa Que deu na televisão Assisti à missa sozinha Não tinha a quem dar a mão Chegou o momento do abraço Pensei em todos os meus Não tinha a quem abraçar E dei um abraço a Deus E dei um abraço a Deus E Deus se abraçou a mim E Deus me respondeu Não chores, que a vida é assim Não chores, que a vida é assim Lembra-te que eu aqui estou Quando precisares de ajuda Chama por mim que eu vou. 17.10.2010174 | IDÍLIA LEOCÁDIO

UM SONHOUma noite tive um sonhoQue andava passeandoSonhei que tinha asasE abalei voandoE abalei voandoSem ver ninguém, acreditaTudo o que vi lá de cimaUma paisagem tão bonitaUma paisagem tão bonitaEu tenho estado a pensarAgora na minha vidaNão quero deixar de sonharNão quero deixar de sonharA ideia não é tuaEu abracei as estrelasE dei beijinhos à LuaE dei beijinhos à LuaEla ficou a sorrirEu queria beijar o solMas ele estava a dormirMas ele estava a dormirIsto é a realidadeEste sonho que eu sonheiQuem me dera ser verdade.17.10.2010 OS VERSOS DA IDÍLIA |175

A MINHA CASA A minha casa é tão longe Fica para lá do mar Chegas lá em segundos Se começares a cantar Se começares a cantar Ganhas um lindo troféu A porta está sempre aberta É um cantinho do céu É um cantinho do céu Onde gosto de morar Estou triste de estar sozinha Não tenho com quem falar Não tenho com quem falar Porque estou longe dos meus Sinto sempre uma presença Muito obrigado, meu Deus Muito obrigado, meu Deus Pela tua companhia Sei que estás sempre comigo Seja de noite ou de dia. 17.10.2010176 | IDÍLIA LEOCÁDIO

A ROSEIRA E O CRAVEIROÉ uma linda roseiraQue tem um craveiro ao ladoO craveiro disse à roseiraQue está por ela apaixonadoQue está por ela apaixonadoEle ficou a pensarE perguntou à roseiraTu comigo queres casar?Se contigo quero casar?Respondeu-lhe no momentoOlha, eu já sou casadaE o meu marido é o ventoE o meu marido é o ventoE temos nossos filhinhosEle olhou para a roseiraEstava cheia de botõezinhos.24.11.2010 OS VERSOS DA IDÍLIA |177

OS MEUS NOVOS VIZINHOS O Luís e a Natália São os meus novos vizinhos Deus lhes dê saúde e sorte Para criarem os seus filhinhos Para criarem os seus filhinhos Com amor, todos os dias A primeira vez que me viram Eles me deram os bons dias Eles me deram os bons dias Que hoje já pouca gente diz Desejo-lhes felicidades À Natália e ao Luís À Natália e ao Luís E também aos seus filhinhos Eu estava aqui sozinha E já tenho quatro vizinhos. 24.11.2011178 | IDÍLIA LEOCÁDIO

O CORAÇÃO DA ROSEIRAO coração de uma roseiraQue tenho no meu quintalÉ um coração diferenteAinda só vi um igualAinda só vi um igualSempre comigo viveuÉ um coração tão lindoMas é triste, igual ao meuMas é triste, igual ao meuE dele ouvi um lamentoO meu trabalha no peitoE ele trabalha ao ventoE ele trabalha ao ventoE anda num rodopioCanta em dias de solE chora quando tem frioChora quando tem frioJá muito ele sofreuAquele lindo coraçãoQuer trabalhar junto ao meuQuer trabalhar junto ao meuE pediu-me com jeitinhoAbre a porta do meu peitoQue eu quero ficar quentinhoEu quero ficar quentinhoFoi assim que ele falouAbri a porta do peitoE o coraçãozinho entrou OS VERSOS DA IDÍLIA |179

E o coraçãozinho entrou E ficou encantado Ao meu coração se abraçou E disse muito obrigado E disse muito obrigado Foi isto que eu sempre quis Agora estou quentinho Não choro e sou feliz Não chora e é feliz Já não vive de ilusões E agora no meu peito Eu tenho dois corações Eu tenho dois corações Isto não é brincadeira Tenho o meu coração E o coração da roseira. 27.12.2011180 | IDÍLIA LEOCÁDIO

A SOLIDÃO IIBateram à minha portaÀ noite, já ao serãoE a porta fui abrirQuem batia era a SolidãoQuem batia era a SolidãoE ela nem me falouAssim que abri a portaLogo a Solidão entrouLogo a Solidão entrouE eu fiquei a olharPerguntei à SolidãoQuem é que te mandou entrar?Quem é que te mandou entrar?Olha para ti que és velhinhaVenho-te fazer companhiaPara não estares sozinhaPara eu não estar sozinha?Fazes o que te convémEu não quero a tua mãoVai-te embora, SolidãoNão és boa para ninguémNão sou boa para ninguém?Estás num sofrimento sem fimVinha-te fazer companhiaE porque me tratas assim?Porque te trato assim?Do mal nunca te esquecesNão fazes bem a ninguémTrato-te como mereces.27.12.2011 OS VERSOS DA IDÍLIA |181

ARRÁBIDA Arrábida está florida Com um manto de flores Contou-me uma história antiga Que aprendeu com seus amores Quando os namorados lá vão À noitinha passear Ficam sentadinhos no chão Só para ver o luar Ouvem as ondas do mar E vêem o Sado correr Ficam sentadinhos no chão Até a maré encher Eu quero ir à Arrábida Um dia pela tardinha Senão arranjar namorado Eu vou lá mesmo sozinha. 04.03.2012182 | IDÍLIA LEOCÁDIO

BOM DIA, SETÚBALBom dia, SetúbalEstou aqui para te verO meu nome é Santo AndréEu quero-te conhecerEu quero-te conhecerNão te tinha visto aindaDiziam-me que eras bonitaMas tu és muito mais lindaMas eu sou muito mais linda?Tu estás a imaginarLogo de manhãzinhaTu me fizeste corarTu me fizeste corarE eu estou envergonhadaCom tantos elogiosNão consigo dizer nadaNão consigo dizer nadaVejam bem como isto éSó te quero dizerMuito obrigado, Santo AndréMuito obrigado, Santo AndréE levas muitos beijinhosPodes ir descansadoQue eu trato bem os teus filhinhos OS VERSOS DA IDÍLIA |183

Tratas bem os meus filhinhos? Eu disso estou informado Também te quero dizer Setúbal, muito obrigado Setúbal, muito obrigado Também agradeço a Deus Tratas os meus filhinhos Tal como tratas os teus. 27.12.2012184 | IDÍLIA LEOCÁDIO

É TRISTEÉ triste andar a penarÉ triste o que a gente senteAinda mais triste é gostarDe quem não gosta da genteÉ triste viver sozinhoPobre e abandonadoÉ triste não ter carinhoÉ triste andar enganadoÉ triste não termos mãePara poder desabafarÉ triste não ter ninguémÉ triste andar a penar. OS VERSOS DA IDÍLIA |185

NUM JARDIM NA PRIMAVERA Num jardim na Primavera Eu plantei dois craveiros E ambos deram flor Cada um tem seu cheiro Cada qual a sua cor No meio daquele canteiro Há uma roseira triste Só aos cravos dá carinho No meio daquelas flores Dois cravos são dois amores Dois amores são meus filhinhos Eu não os quero deixar Não os posso abandonar Por ora não o farei Tenho que os aconselhar Também lhes quero ensinar Tudo da vida que eu sei A vida não é só rosas Não se alimenta de amores Não se vive só de carinhos Tem-se muitos dissabores Que no meio daquelas flores As rosas têm espinhos Agora neste canteiro Apareceu lá outro craveiro Não fui eu que o plantei Trato-o com todo o carinho No meio daquelas flores Três cravos são três amores Meus filhos e meu netinho.186 | IDÍLIA LEOCÁDIO

A INFUSINHA DE BARROA infusinha de barroQue eu tinha para ir à fonteA casa onde eu moravaFicava acima do monteNum dia de vendavalA infusinha quebrouE eu nunca mais fui à fonteE ela de triste chorouHá dias fui visitá-laEla não me conheceuDepois eu dei-lhe um abraçoFicou a chorar mais euFicámos abraçadinhasVer quanto nos queríamos bemDesde que deixei de lá irNunca mais lá foi ninguém. OS VERSOS DA IDÍLIA |187

LUA DO MEU CORAÇÃO Lua, dá-me a tua mão Ilumina o meu caminho Roubaram-me o coração E eu fiquei triste e sozinho Com ele foi o meu amor Eu não sei onde eles estão Ilumina o meu caminho Lua do meu coração.188 | IDÍLIA LEOCÁDIO

QUANDO EU ERA PEQUENINAQuando eu era pequeninaEu cantava todo o diaCantigas da minha avóE que a minha mãe sabiaE que a minha mãe sabiaPouco a ouvia cantarEla não tinha alegriaEu sempre a via a chorarEu sempre a via a chorarPerante a sua pobrezaEra os desgostos que tinhaJuntos à sua tristezaJuntos à sua tristezaPobre mãe, como sofriaComo eu era pequeninaEu cantava todo o dia. OS VERSOS DA IDÍLIA |189

SE ESTOU ALEGRE Se estou alegre Canto e torno a cantar E se estou triste Canto para não chorar Porque a alegria Pode vencer a tristeza Ela vai-se embora E não volta com certeza Por isso eu canto Que assim me sinto bem Porque não penso Nas mágoas que a vida tem Não vale a pena Levar a vida chorando Desde pequena que eu vivo A minha cantando.190 | IDÍLIA LEOCÁDIO

O MEU NETINHOO meu netinho é traquinoPara mim é uma riquezaÉ uma jóia de meninoO meu netinho é uma lindezaÉ assim que eu lhe chamoLogo desde pequeninoÉ uma jóia que eu amoO meu netinho é traquino. OS VERSOS DA IDÍLIA |191

O PRATINHO O pratinho que era do meu pai Foi dos meus irmãos também Agora ele é só meu Foi a minha mãe que me deu E não o vou dar a ninguém Quando eu lá ponho comida Já a minha mãe o dizia Tem o mesmo sabor Ao que a minha avó fazia Ninguém pode imaginar Como eu estimo este pratinho Cada vez que eu olho para ele Eu lembro do meu paizinho.192 | IDÍLIA LEOCÁDIO

A NUVEMNuvem, não tapes o solDeixa passar o calorQue eu estou tremendo de frioÀ espera do meu amorAbalou de manhãzinhaNão há meio de voltarNuvem, não tapes o solAté o meu amor chegar. OS VERSOS DA IDÍLIA |193

AMOR AOS PAIS Quem não deu a mão ao seu Pai Nem estimou a sua Mãe Se nunca lhe deu carinhos E os deixou sempre sozinhos Fica sozinho também Que isto sirva de lição Embora tarde demais É o que eu digo, porém Quem não deu amor aos Pais Não recebe amor de ninguém.194 | IDÍLIA LEOCÁDIO

OS VELHINHOSNão chames velhos aos velhinhosE não vás continuandoNem faças sacrifícioPorque tu sem dares por issoPara lá vais caminhandoUm dia quando fores velhoTambém te irão chamarAí começas a sofrerQue o tempo passa a correrQuando a velhice chegarUm dia me chamaram velhaEu fiquei triste, porémAgora o tempo passouE quem velha me chamouJá está velhinha tambémDêem-lhe amor e carinhosE não os tratem diferenteNão os deixem estar sozinhosTratem bem os velhinhosPorque eles também são gente. OS VERSOS DA IDÍLIA |195

EU SOU O SOL Eu sou o sol Sabem lá o que eu queria Ia-me juntar à lua Para não brilhar só de dia Estou farto de me esconder Todos os dias à noitinha E fiquei triste em saber Que a lua andava sozinha Eu queria dar-lhe a mão E ficarmos agarradinhos E brilhar de dia e noite Andarmos sempre juntinhos Andarmos sempre juntinhos À vista de toda a gente Queria casar com a lua Pr’ò mundo ficar contente.196 | IDÍLIA LEOCÁDIO

O BARCOEu tenho um barco à esperaQue é para eu embarcarOh, meu amor, quem me deraQue eu te pudesse levarEu não sei se quero irOu se vou aqui ficarMeu amor, não quero partirSe comigo não te levarNão quero que fiques sozinhoSem amor e sem carinhoEu chorando vou aos aisOuve bem o que eu te digoSe não quiseres vir comigoAdeus, até nunca maisAssim está tudo acabadoCada um para seu ladoÉ o que eu te vou dizerEu te queria explicarSe não me queres acompanharEu ficar não pode ser. OS VERSOS DA IDÍLIA |197

À BEIRA DO MAR ESCONDIDA À beira do mar escondida Um dia dormi a sesta Estava bem adormecida À sombra de uma giesta Aí o sol abalou E a lua vinha a chegar Um peixinho me acordou Quando saltava no mar Acordei sobressaltada Fui seguindo o meu caminho Abalei, não disse nada Só fiz adeus ao peixinho Mais à frente adormeci E não sei dizer mais nada Veio de novo o peixinho Mas não me deu acordada.198 | IDÍLIA LEOCÁDIO

A PENSAR NA VIDAEu estive a pensar na vidaEm tudo o que eu já viviHá quanto tempo não seiO que em muitos anos junteiEm pouco tempo perdiPerdi a minha mocidadeE também a alegriaSó ficou a saudadeComigo de noite e diaComigo de noite e diaNão me deixa sossegarO que é que eu faço agoraQue mando a saudade emboraE ela não quer abalar. OS VERSOS DA IDÍLIA |199

VERSOS NA AREIA Com a pena de uma gaivota Escrevi um verso na areia Com letra miudinha Porque a maré estava cheia Veio uma onda e levou O que eu estava a escrever Só o teu nome ficou O resto não dá para ler Era um verso bonito A quem dediquei não sei Veio uma onda e o levou Nunca mais o encontrei.200 | IDÍLIA LEOCÁDIO


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