Revista Mais Educação Publicação da E.E.B São Tarcísio - São Bonifácio Nº 4 – Ano 2016 Egon Schaden Igualdade de Gêneros A visão dos alunos da Debates e enquete EEB São Tarcísio sobre o realizadas com os alunos Pai da Antropologia no Brasil. sobre o tema.
Editorial Expediente Diversidade: Respeito acima de tudo Diretor Marcelo Adami “Ver as coisas do mundo com relação entre elas. Ver que a verdade está mais no olhar que naquilo que é olhado“ Coordenadora do Programa Juliana Andozio Everardo Rocha (Antropólogo Brasileiro) Monitora da Oficina da Revista Como ESCOLA devemos trabalhar as diferenças com profissionalismo. Não se trata Daniela Brauner apenas trabalhar as relações étnico-raciais mas exaltar, sempre, o respeito, a alteridade, a ética e os direitos humanos. Precisamos atentarmos para as variações de tonalidades, Editoração nuances, ideias, gêneros, etnias, religiões, orientações sexuais, moda, estilos, pois todos Alessandro Gonçalves Ribeiro diferimos em algum aspecto. Somos parecidos no que tange a humanidade, mas nossa singularidade deve ser sempre posta à frente quando julgamos o outro por suas Fotografia e Textos diferenças. Não há melhores ou piores, apenas pessoas singulares, que devem respeitar Daniela Brauner o próximo, convivendo de maneira harmônica e solidária. Juliana Andozio Nesta edição, elaborada pela Oficina de Jornal dentro do Programa Mais Educação, foram abordados diversos temas. Dentre eles podemos destacar a matéria sobre o antropólogo Revisão Egon Schaden, a entrevista com o Pe. Sílvio sobre quem foi São Tarcísio, os bastidores da Daniela Bueno Coutinho Festa Junina e da Feira de Ciências e, além disso, uma análise sobre as palestras realizadas no primeiro semestre com os (as) alunos (as), nas quais assuntos importantes foram debatidos como os 10 anos da Lei Maria da Penha, a Semana da Pedofilia e, também, Igualdade de Gênero e a Lei do Bullying. Temos também outras seções sobre os acontecimentos na E.E.B. São Tarcísio. Boa leitura a todos! Prof. Marcelo Adami Crédito da Capa e Contracapa: Desenhos feitos pelos alunos do Programa Mais Educação na oficina da revista – Tema EGON SHADEN. Nota da Edição O Programa Mais Educação surgiu em 2007 com a finalidade de promover a educação em tempo integral nas escolas públicas. O Programa foi instituído pela Portaria Interministerial e integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como uma estratégia do Governo Federal para induzir a ampliação da jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da Educação Integral. O Programa Mais Educação busca trabalhar o direito à vida, à saúde, à liberdade, ao respeito, à dignidade e à convivência familiar e comunitária e como condição para o próprio desenvolvimento de uma sociedade democrática. Tudo isso de forma lúdica ampliando os conhecimentos que fazem parte do currículo das escolas. A base do Programa é o acompanhamento pedagógico a partir das oficinas interdisciplinares relacionadas ao: Meio Ambiente; Esporte e Lazer; Direitos Humanos em Educação; Cultura e Artes; Cultura Digital; Promoção da Saúde; Educomunicação; Investigação no Campo das Ciências da Natureza; Educação Econômica. Dessa forma, ressalto a importância da continuidade do Programa Mais Educação na EEB São Tarcísio, pois proporciona aos alunos (as) a Educação Integral, assim ampliando os conhecimentos e as diversas formas de integração social e ambiental. Professora. Juliana Andozio Coordenadora do Programa Mais Educação Formada em Pedagogia com Habilitação em Orientação Educacional pela Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) e Pós-Graduanda em Gênero e Diversidade na escola, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 02
EGON SCHADEN O pai da Antropologia no Brasil Egon Schaden foi aluno de Claude Lévi - Strauss, considerado fundador da antropologia estruturalista e um dos grandes intelectuais do Século XX. Disse Claude Lévi-Strauss, \"Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humanoe vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente\". Egon Schaden foi mestre de nomes como a ex-primeira dama RuthCardoso e é considerado um dos pais da antropologia no Brasil. Ajudou a criar a cadeira de antropologia na USP - Universidade Federal de São Paulo. Discutindo questões de imigração e conflito indígena, foi reconhecido no meio científico brasileiro e no exterior, viajando o mundo como professor residente. Egon é o filho mais velho do primeiro professor público de São Bonifácio. Francisco Serafim Guilherme Schaden, um imigrante alemão, autodidata, educou o filho em casa. Do aprendizado de astronomia, com direito a observação das estrelas mais brilhantes da cidade, passando por línguas universais como o esperanto. O filho parecia se interessar por tudo que o pai ensinava. Em 1935, matriculou-se no cursode filosofia da Faculdade de Filosofia,Ciência e Letras da Universidade Federal de São Paulo - USP, onde bacharelou- se em 1937. Criou a revista de Antropologia em 1953. Nos dias 25 e 26 de julho de 2013 em São Bonifácio, foi realizado o Seminário - Cem Anos de Egon Schaden. Com o objetivo principal de comemorar o centenário de seu nascimento. O evento foi proposto pela Associação Brasileira de Antropologia/ABA e organizado pela Prefeitura Municipal de São Bonifácio, Universidade do Estado de SantaCatarina/UDESC, Universidade Federal da Fronteira Sul/UFFS e Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC. Cerca de 500 pessoas estiveram presentes em diferentes momentos do evento. No ano seguinte foi fundado o IES - Instituto Egon Schaden,que tem por finalidade principal, zelar pelo legado do Professor Egon Schaden, com o propósito de incorporar a memória e a trajetória de Egon e Francisco Schaden ao Patrimônio Cultural de São Bonifácio. Buscando promover, coordenar ou executar ações. A memória deste estudioso nascido em São Bonifácio é imortalizado pela sua obra e reconhecido internacionalmente. Os alunos do programa Mais Educação, na Oficina de Mídias, foram convidados a pesquisarem sobre o tema e elaboraram uma entrevista com Rosane Schaden Preuss, sobrinha de Egon Schaden e hoje presidente do IES, que carinhosamente atendeu a nossa solicitação e fez sua apresentação ... 03
EGON SCHADEN além de pacientemente, responder as várias perguntas formuladas pelas cabecinhas muito curiosas e interessadas dos alunos da EEB. São Tarcísio. \"Nasci e moro na cidade de São Bonifácio, estado de Santa Catarina.Sou mãe de dois filhos e uma filha, funcionária pública municipal há vinte anos e atualmente trabalho na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Sou uma das sobrinhas do professor e antropólogo Egon Schaden. Tenho lembranças fortes do Tio Egon. Lembro que ele veio visitar minha querida vó (Grosmutter) quando eu era criança na década de 1970. Egon estava sentadona cadeira de descanso na sala e eu o olhava apreensiva. Queria me aproximar para cumprimentá-lo, pois meu pai Balduino falava muito sobre ele. Quando se referia ao seu irmão o chamava de Catedrático Professor Egon. Eu era criança e não entendia o que era isso. Grande Tio! Com o apoio da família Schaden, de antropólogos da universidade e de vários amigos conseguimos repatriar para este município, sua terra natal, sua biblioteca e arquivo pessoal. Falo repatriar, pois parte do arquivo são escritos e obras de meu avô Francisco Serafim Guilherme Schaden. Quem diria, seus livros que tanto consumiram suas horas de estudos e dedicação ao conhecimento científico agora estão em São Bonifácio. O Instituto Egon Schaden - IES foi criado em 2014 a partir de uma proposição do professor João Baptista Borges Pereira (antropólogo e amigo do tio Egon) e tem sede em São Bonifácio. Este instituto surgiu com a finalidade de zelar pelo legado do professor Egon e de incorporar a memória e a trajetória dele e do professor Francisco Schaden ao patrimônio cultural de São Bonifácio.\" Rosane Schaden Preuss Presidente - Instituto Egon Schaden Revista Mais Educação: Qual nome do pai e da mãe de Revista Mais Educação: Egon era muito sério? Egon? Resposta Rosane: Sim ele tinha uma fisionomia séria, Resposta Rosane: O pai de Egon se chamava Francisco mas também tinha bom humor, fazia brincadeiras e Serafim Guilherme Schaden e a mãe Catharina Roth contava piadas e por vezes, levava tempo para o outro Schaden. entender. Mas sempre foi muito responsável, barba sempre feita, cabelo bem penteado. E era muito Revista Mais Educação: Que dia e onde Egon Schaden modesto. nasceu? Resposta Rosane: Egon nasceu em 4 de julho de 1913 Revista Mais Educação: Ele foi uma pessoa saudável? e nasceu aqui em São Bonifácio – Santa Catarina. Resposta Rosane: Sim, cuidava da alimentação e foi uma pessoa saudável sim, mas comenta em uma de Revista Mais Educação: Quem foi o primeiro professor suas cartas, “quando a medicina falhava com os de Egon Schaden? remédios artificiais era preciso experimentar os Resposta Rosane: O primeiro professor de Egon, foi o produtos da natureza”, foi quando ficou próprio pai dele, Francisco Serafim Guilherme aproximadamente 1 mês no sul de Minas Gerais Schaden. O pai de Egon, foi professor na cidade de São tratando de um problema de saúde na Estação das Bonifácio desde 1912, até se aposentar, em 1938. Águas. Revista Mais Educação: Quando ele foi morar em Revista Mais Educação: Ele tinha tempo para ficar Florianópolis para estudar, quem o abrigava e onde com a família? ele estudou? Resposta Rosane: Ele realmente foi um homem muito Resposta Rosane: Os primeiros anos de estudo foi ocupado. Passava longos períodos com os índios. Na aqui mesmo em São Bonifácio, na época só tinha os 4 década de 50 e 60, trabalhava, pesquisava, escrevia anos primários e seu pai, foi seu primeiro professor. muito, mas ainda assim, tinha tempo para a família. Ele ficou 3 anos sem estudar, pois já tinha terminado Muitas vezes, quando viajava ao exterior, levava a as séries iniciais e foi quando conseguiu uma bolsa de esposa, que inclusive era natural da Alemanha. E estudos no Colégio Catarinense. Ele foi então estudar sempre que possível, os filhos também. Todos em sistema de internato. Era um adolescente e viajaram com Egon a Alemanha, Colômbia e muitos morava na própria escola, que na época, abrigava os outros países. Houve um período pela década de 80, bolsistas. Estudou no Catarinense de 1928 a 1932 e já aposentado, onde conseguiu dar muita atenção, em 1933 matriculou-se em São Paulo - Capital; e assim inclusive ao seu neto e esteve mais disponível a continuou seus estudos. Nada foi fácil, ele trabalhava família. para custear seus estudos, que iniciou na Faculdade Revista Mais Educação: Ele era alemão ou tinha Paulista de Letras e Filosofia e depois na USP. Fora descendência alemã? outros cursos, mas a carreira universitária foi em São Paulo. 04
EGON SCHADEN Resposta Rosane: Confundiam muito e alguns Revista Mais Educação: Ele se casou alguma vez? acreditavam que ele era alemão, pois ele se Resposta Rosane: Sim, ele se casou sim, em interessava pela imigração e falava fluentemente o dezembro, no ano de 1939 com Margarida, conhecida idioma alemão. Egon tinha jeito de alemão e uma por tia Margarida, mas o nome era Margarete Regina criação e educação alemãs. Lia e escrevia em alemão. Sauff, natural da Alemanha. Se conheceram em São Segundo um antropólogo amigo dele, o João Baptista Paulo e aí se casaram. Ela foi aluna de Egon e segundo Borges Pereira, contou que até a casa dele tinha estilo relatos, em um aniversário dele, por ele estar só em alemão, a decoração e a gastronomia também. São Paulo, ela neste dia, levou um bolo e nisso surgiu uma afinidade e um amor, casaram-se, prosperaram Revista Mais Educação: Como ele viveu? e tiveram filhos. Resposta Rosane: Ele teve a infância em São Bonifácio, uma pequena cidade entre colinas. Muita Revista Mais Educação: Egon tinha filhos e tinha natureza, uma família grande e muitas dificuldades, irmãos? mas de certa maneira, ele aproveitou muito este Resposta Rosane: Sim, Egon teve 3 filhos, Reimar tempo para chegar onde chegou. Aprendeu muito Schaden, que vive em Brasília, Érica Schaden e Marina com o pai dele, o grande incentivador da carreira dele, Schaden Couto, que moram em São Paulo. Egon teve da trajetória dele. Egon lutou muito, mas sabia o que 10 irmãos, o mais velho nasceu dois anos certinho queria e foi atrás, foi a luta. após o nascimento dele. O Balduíno era o meu pai e dos 10 irmãos, só sobreviveu Luzia, que vive em São Revista Mais Educação: Quem eram os amigos de Bonifácio até hoje. Egon? Resposta Rosane: Ele tinha vários amigos, mas vale Foto usada pelos alunos para composição dos desenhos que citar o próprio pai de Egon. Francisco, foi o grande se encontram na capa e contracapa da Revista. incentivador de Egon. Apostou no filho, eles eram muito amigos e confidentes. As provas estão no Revista Mais Educação: As coisas preferidas de Egon? museu. As cartas que escreviam um para o outro, com Resposta Rosane: Ele valorizava muito a família. intervalos de apenas 5 ou 10 dias, uma troca intensa Valorizava também o estudo, ele optou por estudar e de muita afinidade. antropologia, que estuda o ser humano e escolheu a Egon foi muito amigo de nosso pároco também, o padre Sebastião, na década de 70 e também se questão dos índios. Como eles viviam, os costumes correspondiam. No centenário de Egon, em 2013, deles, o idioma deles. Chegou a passar meses com os tivemos aqui a presença de alguns de seus amigos e índios nas tribos e aprendeu a falar seu idioma, a colegas de profissão mais queridos, como o apreciar a suas comidas e costumes. antropólogo João Baptista Borges Pereira, e Antônio Cândido, hoje com 97 anos que vive em São Paulo, Revista Mais Educação: Qual era a profissão dele? que impossibilitado de estar presente no evento Resposta Rosane: Ele foi escritor, escreveu vários gravou um vídeo que foi transmitido, o Professor Bartomeu Meliá, que vive hoje no Paraguai, também livros e foi também professor. Palestrava no Brasil e Roque de Barros Laraia, Júlio Cezar Melatti, todos fora do país também. Dava aulas de Antropologia, em antropólogos. relação as questões indígenas, Antropologia da Comunicação e Sociologia. Revista Mais Educação: Ele tinha um livro favorito? Resposta Rosane: Tinha muitos livros que gostava e Revista Mais Educação: Ele gostava de desenhar? autores, mas da literatura brasileira, gostava muito de Jorge Amado. Ele ficava à espera do lançamento do Resposta Rosane: Sim, gostava de desenhar. No próximo livro. museu estão guardados os primeiros cadernos Revista Mais Educação: E as músicas que gostava? Resposta Rosane: Sei que ele gostava de música escolares dele, inclusive seu primeiro caderno de clássica, mas para cantar não era nem um pouco afinado. Revista Mais Educação: Qual era a religião de Egon? Resposta Rosane: Ele era católico, mas não praticante. Na realidade era contra a política da igreja católica, com muitas coisas, ele não concordava. Revista Mais Educação: Ele lutava contra o racismo? Resposta Rosane: Sim, ele lutou contra todas estas questões, inclusive dentro do próprio curso de antropologia e ainda hoje, é uma batalha grande. desenho. 05 .
Revista Mais Educação: Por que ele gostava de ajudar os índios? EGON SCHADEN Resposta Rosane: Imagino que isso nasceu na sua infância. O pai dele se interessava muito com o resgate da colonização alemã e os índios viviam aqui antes dos homens brancos. E nesta pesquisa que o pai fazia, Egon acompanhava e ali o menino Egon se colocava no lugar dos índios. Como os colonizadores massacraram os índios, houveram situações que marcaram muito Egon. Um caso acontecido para exemplificar e entender um pouco seu amor e interesse pelas questões indígenas, foi em uma localidade próxima. No Rio Canudos, havia um rancho mata adentro e o pai colecionava objetos indígenas, haviam falado que neste rancho haviam índios, então Francisco e seu filho Egon, foram na localidade para ver se conseguiam algum objeto para resgatar e foi muito triste, os bugreiros, já haviam passado por lá e havia um índio assassinado em estado de decomposição e isso impressionou muito ao menino Egon. Desde então, ele sempre ficou a favor dos índios. Ele foi conviver, conhecer seus hábitos e estudar sobre eles e principalmente, sobre a dificuldade de se manterem em suas terras e outras Revista Mais Educação: Gostaríamos que falasses algo tantas questões. sobre o Museu da cidade e também sobre o novo prédio que está sendo finalizado. Revista Mais Educação: Por que ele quis estudar Resposta Rosane: Sim, o museu foi fundado em 1980, Antropologia? uma batalha do Padre Sebastião. Pertencia a Resposta Rosane: Desde criança a influência do pai Comunidade Católica de São Bonifácio e estava em sobre ele foi decisiva e o interesse, era estudar os um espaço físico pequeno, passando por longos povos, seus costumes e culturas. Ele pensou que períodos fechado. sabendo mais, se aperfeiçoando, poderia ajudar os A prefeitura se envolveu, teve interesse e hoje o índios e a antropologia no Brasil e isso foi a sua museu é da Prefeitura Municipal de São Bonifácio. O vocação, sua vida. prefeito atual, Sr. Laurino Peters, fez projeto e encaminhou a Brasília, para conseguir recursos. A O RESGATE É IMPORTANTÍSSIMO E A Deputada Federal na época, Romanna Remor de MEMÓRIA DEVE SER MANTIDA !! criciúma, casada com Gileno Schaden Marcelino, meu primo, que sempre teve um carinho enorme por São Bonifácio, esbarrou neste projeto pedindo recursos Revista Mais Educação: A coordenadora do Projeto para o museu e colocaram-se à disposição do Prefeito Mais Educação, Juliana Andozio, pergunta a Rosane para ajudarem a captar recursos, para a construção de sobre o IES - Instituto Egon Schaden. um novo prédio. Com o esforço de todos, saíram os Resposta Rosane: Vamos ter agora uma assembleia recursos e o prédio está sendo finalizado. O museu da geral, em 10 de setembro de 2016. Vamos reunir o Colonização Prof. Francisco Serafim Guilherme colegiado. Schaden trará também pesquisadores e estudantes, O IES, foi fundado em 2014, no centenário de Egon aquecendo o setor turístico e cultural da região. Schaden. Com a família reunida, conseguimos trazer para São Bonifácio, o acervo de Egon Schaden, a Revista Mais Educação: Quando ele nasceu tinha biblioteca particular de Egon. São inúmeros eletricidade? documentos e livros. E não queríamos deixar isso Resposta Rosane: Não, não tinha, só lamparinas de encaixotado, queríamos disponibilizar este rico querosene. A eletricidade só chegou aqui, na década material para pesquisas. Foi o professor de 50 e ele nasceu em 1913. e antropólogo João Baptista Borges Pereira, quem disse que necessitávamos zelar pelo legado de Egon. Revista Mais Educação: Ele foi um bom aluno? Ele foi o grande incentivador. Também quero citar Resposta Rosane: Sim, excelente aluno. E existem os Pedro Martins e Tânia Welter, que deram muito apoio cartões com notas de excelência ainda guardados. também. Estão trabalhando na Alemanha no momento, a quase um ano, resgatando a trajetória de Revista Mais Educação: Com qual idade ele faleceu? Egon e de Francisco. Estão trazendo este material Resposta Rosane: Ele morreu com 78 anos. Faleceu para o IES. Temos aproximadamente 17 mil títulos em 1991. A causa da morte foi atropelamento e o para dispor aos pesquisadores e estudantes. corpo está enterrado em São Paulo. 06
Promovendo Igualdade de Gênero na EBB São Tarcísio Por Juliana Andozio Docentes, escola e carga horária excessiva de trabalho , O projeto tem a intenção de divisão dos cuidados com filhos, etc. comunidade tem o dever de construir debater as questões de gênero entr e Sendo assim, na escola, todos uma gestão democrática e promotora (as) professores (as) começaram os crianças e jovens que estão em trabalhos em sala de aula. A da igualdade de gênero, pois sabemos professora de Letras em Português desenvolvimento, formação cognitiva Adriana Céspede através de redações, que durante séculos as mulheres, trabalhos, cartazes e filmes, debateu e intelectual, sendo a escola um dos os conceitos com as turmas do ensino negros (as), indígenas e homossexuais médio e do ensino fundamental dos poucos locais onde podemos anos finais, e continuará o trabalho foram excluídos da vida social por até o final do ano letivo de 2016. Além conscientizar de forma coletiva. Além disso, o professor de Letras em diversas práticas discriminatórias. Português Luan Xavier trabalhou a disso, eliminar práticas questão das músicas sexistas e de que Assim, devemos correr contra o forma estas influenciam nos preconceituosas em relação a mulher , preconceitos e violência contra a tempo promovendo o acesso a mulher. A Professora de História arraigado durante séculos, assim Josieli H. Buchner, deu maior ênfase diversidade e o respeito na sociedade nas Leis e as formas de denúncias que como o machismo, a cultura do podemos recorrer caso haja violências à todas as pessoas. Portanto o domésticas, violências de gênero ou estupro, violência de gênero e a qualquer tipo de violência contra o ser semestre foi cheio de novidades. O humano. gravidez precoce. Dessa forma, foram feitos cartazes programa Mais Educação, alunos, alertando os tipos de violências e as alunas e professores (as) do ensino leis promotoras de direitos. Assim médio (EMI, 1º, 2 eº 3º anos) e ensino como o DISQUE 100 para direitos humanos e o DISQUE 180 para fundamental dos anos finais (6º ano a Pedofilia qualquer tipo de violência contra 9º ano) se envolveram no projeto de O mês de julho foi destinado para o mulher. Vale destacar a qualidade das combate a Pedofilia, onde os alunos igualdade de gênero. alunas e dos alunos do 7º Ano que, na e alunas de forma lúdica, através de brincadeiras e desenhos, tomar am Foram muitas as ações e o IV Feira de Ciências da EEB São consciência sobre a pedofilia e de Tarcísio, apresentou o trabalho sobre como podem pedir ajuda caso primeiro passo foi introduzir os aconteça crime ou abuso igualdade de gênero, com cartazes, envolvendo crianças e adolescentes. conceitos sobre gênero através de questionários, frases e explicações Nesses casos também usamos o DISQUE 100 para denunciar. palestras com a professora Juliana sobre gênero e diversidade, o que demonstrou o fruto desse trabalho. Andozio, orientadora do programa O professor e a professora de Mais Educação. A palestra, mostr a Artes, Eliana Hawerroth Muller e Arnaldo Ricardo Ern, também como o preconceito e a falta de participaram do projeto com belíssimos cartazes feitos por alunos cidadania, principalmente com as (as), os quais foram expostos na IV Feira de Ciências da escola. mulheres, são construídos e Dessa forma, notamos que a escola é um reflexo dos hábitos e das culturas reproduzidos durante séculos. As da sociedade, onde as práticas sociais e também as músicas fazem o papel famílias são identificadas como de unir ou separar alguns grupos. patriarcais pelas diversas formas de discriminação e de violência contra as mulheres, a qual chamamos de violência de gênero. As mulheres brasileiras aparecem em vários momentos da “Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos história se organizando para mudar inferioriza. Daí a necessidade de uma igualdade que essa realidade, contudo no século XIX, reconheça as diferenças e de uma diferença que não a medicina afirmava a fragilidade, o produza, alimente ou reproduza as desigualdades” recato, entre outras atribuições sobre Boaventura de Sousa Santos, as mulheres, caracterizando-as como 1997. biológicas, contudo sabemos que hoje as culturas são a base de todas nossas escolhas. Destacam-se na história o movimento sufragista, que lutou pelo direito de voto no ocidente. No Brasil, nós mulheres adquirimos o direito de voto somente em 1932, mas ainda lutamos por igualdade entre outros fatores como: salários mais altos, divisão dos afazeres domésticos, 07
Você sabe o que é o Programa de Combate à Intimidação Sistemática? Por Juliana Andozio O programa de combate à intimidação sistemática é Vale ressaltar, que a Lei nos protege também em o que conhecemos como BULLYING. Nem tudo mundo sabe, nossa vida virtual. Como assim? Diz no parágrafo único da mas o Bullying é caracterizado crime. O Congresso Nacional Lei que “existe intimidação sistemática na rede mundial de em 6 de novembro de 2015 decretou e sancionou a Lei nº computadores (cyberbullying), quando se usarem os 13.185 que “considera-se intimidação sistemática (Bullying) instrumentos que lhe são próprios para depreciar, incitar a todo ato de violência física ou psicológica, intencional e violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por criar meios de constrangimento psicossocial.” Portanto, indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o antes de zombar, caluniar, difamar ou causar injúrias nas objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia redes sociais com qualquer pessoa, pense bem, você estar á à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as infringindo uma Lei Federal, portanto, passível de responder partes envolvidas. ” judicialmente por seus atos. No artigo 2º desta Lei caracteriza-se a intimidação Vale ressaltar o trabalho realizado em nossa escola sistemática (Bullying) quando há violência física ou pelo Professor de Ensino Religioso Sérgio de Moraes psicológica em atos de intimidação, humilhação ou Pimentel que, através do Programa de Combate ao Bullying, discriminação e, ainda: I - ataques físicos; II - insultos adotou medidas de conscientização e prevenção. O trabalho pessoais; III - comentários sistemáticos e apelidos realizado resultou em belos cartazes de alerta pela escola, pejorativos; IV - ameaças por quaisquer meios; V - grafites que, por sua vez, constroem no cotidiano uma nova cultura depreciativos; VI - expressões preconceituosas; VII - fundamentada nos direitos humanos, no respeito e na isolamento social consciente e premeditado; VIII - pilhérias. responsabilidade pelo outro. Lei Maria da Penha Por Juliana Andozio No dia 7 de agosto de 2016, comemoramos 10 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). Essa Lei é um fôlego para nós mulheres que sempre apanhamos, não caladas, mas tendo que aguentar a tortura sem proteção legal por uma Lei Federal, Lei essa que reconhece nossas lutas e nossos pedidos de ajuda contra a violência doméstica e familiar. A escola, por sua vez, fez um trabalho detalhado sobre as mulheres que lutaram para ter visibilidade contra a violência doméstica, onde muitas eram assassinadas por seus maridos. A violência contra as mulheres caminha em um contexto cultural, por isso, quando falamos em cultura, precisamos de uma lei que garanta nossos direitos para diariamente mudarmos nossos hábitos, discursos, e práticas machistas e sexistas construídas ao longo de séculos, contudo com respaldo jurídico. Valorizar, divulgar, discutir e fazer cumprir essa Lei é nosso dever como cidadãos e pedagogos (as). Lembrando sempre que a violência contra a mulher é uma violação de direitos humanos, portanto um crime. Mais informações sobre a Lei e os Direitos Humanos acesse o site http://www.onumulheres.org.br/ 08
Enquetesobre ostemas: Lei MariadaPenha,BullyingeHomofobia!! Os questionários foram elaborados por estudantes do Programa Mais Educação e levantaram questões sobre os trabalhos realizados nesse 1º semestre/2016 sobre Preconceitos, Gênero, lei Maria da Penha, lei do Bullying, Machismo, Sexismo e Homofobia. Confira algumas das perguntas e respostas dos alunos e alunas da E.E.B. São Tarcísio do trabalho realizado com as turmas do 6º ao 9° anos (matutino e vespertino). A primeira pergunta foi: Você conhece a Lei Maria da Penha? Outra pergunta foi a seguinte: Você já fez ou faz Bullying? O que você acha sobre a Lei? Você acha que a Lei funciona? Conhece a Lei do Bullying? As respostas foram na maioria positivas, 100% das respostas As respostas ficaram divididas. 40% dos entrevistados disseram que conhecem a Lei. No entanto, não responderam afirmaram já ter praticado Bullying e 60% já presenciaram se a Lei funciona e 80% acredita que a Lei deve ser mais esse tipo de agressão. No entanto, 90% não conhece a Lei do divulgada e firme com os agressores. Bullying. Resposta da Aluna do 6º ano: “Sim, que a lei ajuda a não Resposta da aluna 7º ano: “Já fiz sim por brincadeira, mas a agredir as mulheres. Quando as mulheres forem agredidas pessoa pode ter ficado ofendida. Conheço um pouquinho da elas deveriam ir direto denunciar e tem algumas mulheres lei. ” que não denunciam”. Resposta do aluno do 6º ano: “Já fiz. E ainda faço um pouco.” Resposta do Aluna 8º ano: “É uma lei que proíbe violentar a mulher. Sim, é uma lei muito importante para todos. Ajuda as Resposta do aluno do 6º ano: “Nunca vou falar.” mulheres violentadas em alguns casos. E melhoraria com projetos que ensinam desde criança para os homens respeitá - Resposta da aluna do 7º ano: “Já fiz. Todo mundo já fez algum las. Lugares espalhados por aí para ajudar as mulheres dia.” violentadas”. Resposta do aluno do 6º ano: “Eu faço Bullying, mas entre Sobre o machismo 80% responderam que nunca praticou, amigos, e eles levam tudo na brincadeira” mas que conhece algum caso de machismo na escola ou na comunidade. E 20% já praticou o machismo. Quanto a questão: “Você já presenciou Homofobia, Bifobia e Transfobia na escola? Sabe as consequências de praticar a A pergunta sobre o assunto foi: Você já praticou machismo? homofobia? Dê exemplos.” Conhece algum caso de machismo na escola ou na comunidade? 80% dos (as) entrevistados (as) afirmaram não ter presenciado nenhum caso desse tipo, e a maioria relatou que Resposta do aluno do 6 º ano: “Na comunidade as pessoas sabe das consequências de praticar este tipo preconceito. acham que a mulher tem que viver na cozinha, e também tem muitos preconceitos com homossexuais.” Resposta do aluno do 6º ano: “Sim já presenciei e sei as consequências. Ex: Ser preso”. Os preconceitos foram construídos na história e nas culturas durante séculos. Questionados sobre programas de TV e músicas sexistas, a maioria citou o programa Pânico na Band, Na última pergunta os (as) estudantes perguntaram: “Você a maior parte das músicas citadas como sexistas são não acha que quebrar essas barreiras sociais faria o mundo dos gêneros: funk e sertanejo, como por exemplo, as melhor? ” Praticamente 99% responderam que sim. músicas “Bumbum Granada”, “Roça Roça 2”, “ Baile Reposta do aluno do 7º ano: “Sim com certeza. Faria sim o de Favela” e “Quer andar de meiota”. mundo muito melhor. ” 09 Resposta do aluno do 6º ano: “Sim todos devemos ser livres”.
Quem foi São Tarcísio O nome da Escola estadual de São Bonifácio é uma homenagem ao Santo? Os alunos do programa MAIS EDUCAÇÃO foram pesquisar a origem do nome da Escola e elaboraram perguntas, realizando posteriormente, uma entrevista com o padre da Paróquia - Padre Sílvio, que recebeu a todos de braços abertos. O Padre Sílvio, trabalha na Paróquia de São Bonifácio, desde janeiro deste ano e completou 6 anos de padre na última festa do Padroeiro da cidade.Respondeu com alegria e entusiasmo, dando umaverdadeira aula sobre o tema, São Tarcísio, um dos tantos santos da nossaigreja, mas um santo mais especial por se tratar de alguém jovem e tão jovem, ter dado seu testemunho de vida a Deus. Revista Mais Educação: Padre Silvio, o que você sabe sobre no Tarcísio , que insiste poder ajudar , por ser apenas uma criança, acreditava que não chamaria atenção . São Tarcísio? O Papa, admirado com a coragem do menino, aceita colocá- Resposta Padre Silvio: São Tarcísio era uma criança, quando lo nesta missão. Então, Tarcísio leva em uma urna de prata o falamos em santos, a maioria são santos adultos ele é um dos pão de Jesus e sai rumo a prisão, só que no caminho ele poucos, mas existentes, santos bem jovens. encontra outras crianças, que brincavam e o convidam a brincar, mas ele estava em missão e não aceitou, os meninos Na verdade, era uma criança de 12 anos, que tinha uma vida insistem e ele nega outra vez, começam a ficar irritados e normal de uma criança, mas que vive em um contesto de alguém avisa aos mesmos que ele está em missão secreta perseguição. Para situar na história e no tempo, estamos no pela igreja e iniciam a jogar pedras no menino até tirar sua ano 260, depois dos acontecimentos da paixão morte e vida. Um soldado disfarçado, pois também era cristão, muito comum isso na época, se identifica ao menino e pede ressureição de Jesus, isso significa que estamos dentro dos caixinha. Tarcísio, ainda com vida, aliviado que sua missão 300 anos iniciais, os anos de maior testemunho dos cristãos, será cumprida, entrega a caixinha ao soldado e dá seu último são os anos da empolgação. suspiro, aí vem a falecer. O Império Romano, o império da época, não gostava dos Revista Mais Educação: O que é preciso fazer para tornar-se cristãos e não gostava de Jesus, por isso o condenou. Não padre? gostavam destes testemunhos vivos de fé e já haviam várias Resposta Padre Silvio: Primeiramente é dizer sim, não pessoas presas pelos soldados romanos, por conta do esconder, não ter vergonha nem medo e depois de dizer sim, quando já tem a escolaridade mínima que é a nona série testemunho que davam de Jesus. Essas pessoas presas, completa, aí pode ingressar no seminário que é a escola para mesmo na prisão, desejavam muito receber a Jesus. E Jesus ser padre. Onde vai fazer todo um caminho de uns 7 - 8 era recebido pelo pãozinho, vamos lembrar da ceia e da anos, para ser ordenado, dependendo da idade que o rapaz tiver. A menina também, só que a menina vai para o eucaristia. Esse pãozinho, no entanto, não se conseguia levar convento para ser freira. na prisão, quem levaria e se arriscaria a ir preso ou até mesmo, perder a vida. Então, surge essa necessidade, pois na época o Papa, era o Papa Sisto II e ele pensa estratégias para atender estes cristãos, justo ai, aparece esse menino, que pede pra falar com o Papa que o recebe, por fim. Tarcísio diz ao Papa, que pode entrar na prisão e o Papa fica surpreso com nosso meni- 10
Revista Mais Educação: Qual a diferença entre Padre e em aberto e pode ser atualizado, é o caso do Papa Francisco. Sacerdote? É um Papa aberto à discussão e que tem muita compaixão, Resposta Padre Silvio: Nenhuma diferença, a não ser a uma coisa que as vezes falta no padre da paróquia. É algo que nomenclatura e ainda poderá ser chamado presbítero, todos precisamos buscar e aperfeiçoar. A compaixão e significam padre. compreensão; e a igreja é isso, é constituída pelo diferente que vive na unidade. Revista Mais Educação: O que se aprende no Seminário? Resposta Padre Silvio: No meu caso, ingressei bem jovem, eu Revista Mais Educação: Qual a tua opinião sobre o Papa tinha 15 anos então fiz o segundo grau normal e estudei latim Francisco? e grego, depois estudei filosofia na Unisul e depois Resposta Padre Silvio: Eu acho ele fantástico, o ideal como fiz teologia, que é obrigatório para ser padre. No curso de pessoa. E a gente como padre quando o vê, o pastor maior, teologia, que é o mínimo necessário para ter uma base, para a gente é um referencial, ficamos muito empolgados estudamos a bíblia, ciências, história. e querendo repetir essas coisas boas aqui na base. Nos inspiramos nele. Revista Mais Educação: Qual a diferença entre Padre e Bispo? A igreja ama a pessoa sempre, o pecador é sempre amado, o Resposta Padre Silvio: Boa pergunta. O Bispo ele é padre pecado é ponderado, mas o pecador é amado. A igreja é a também. Se tornam bispos porquê foram padres muito bons instituição do perdão e do acolhimento, a igreja não tem e são convidados geralmente pela igreja depois de mais de como fechar a porta e discriminar a ninguém. E deve 15 anos de ministério, então na verdade é uma promoção. O promover os câmbios através da compreensão e do amor. padre em questão é convidado para subir um degrau a mais, ele vai tornar-se um pastor de uma diocese, um conjunto de Revista Mais Educação: Qual a função da Mulher na igreja? paróquias. É um padre com mais responsabilidades. Resposta Padre Silvio: No caso das mulheres, a Igreja só não aceita a ordenação, não podem ser diáconas nem Revista Mais Educação: Como é feita a Óstia? sacerdotisas, no mais podem fazer tudo. E participarem de Resposta Padre Silvio: É bem simples e hoje é industrializada. todas as atividades. Podem ser ministras da palavra, É trigo, água e sal. cantoras, participar da eucaristia e participar das missas por enquanto. Todas essas regras podem mudar nos próximos Revista Mais Educação: Por que Padre não pode casar? anos. Resposta Padre Silvio: Nós chamamos isso na igreja de celibato. Ele abdica do casamento e a igreja pede que não se Revista Mais Educação: De onde era São Tarcísio? case, porquê acredita que o padre sendo solteiro, pode Resposta Padre Silvio: Nasceu e cresceu em Roma. A sede da dedicar-se melhor a comunidade e a família do padre é a sua Igreja Católica, onde o Papa tem a sua residência. Foi nesse comunidade. A única instituição que ainda mantém o mundo bastante intelectual, o mundo dos pensadores, que celibato é a igreja católica. Mas há grandes discussões e nasceu Tarcísio. Tudo isso estava na educação do podem haver mudanças nos próximos anos. menino Tarcísio que só tinha como ambição de fazer o bem. Revista Mais Educação: Quais são os milagres de São Imagem de São Tarcísio Tarcísio? Resposta Padre Silvio: O milagre maior, vai ser o amor que as outras pessoas perceberão sobre a eucaristia e o menino da o exemplo desse amor. Existe sempre na igreja, a linha conservadora sem abertura para discussões e a linha progressista que acha que tudo está Desenhos realizados pelas crianças do Mais Educação 11
Por Bruce Colombi No período matutino do dia 13 de agosto de 2016, com a parceria dos professores, funcionários da escola, alunos e familiares foi realizada e aberta à comunidade a 4ª Amostra Científica e Cultural da Escola de Educação Básica São Tarcísio. Os professores fundamentados pelas Leis, Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) atuaram como monitores e deram liberdade de criação aos alunos, que desenvolveram trabalhos relacionados a diversas áreas do conhecimento. Alguns trabalhos realizados na Amostra Científicas e Cultural, foram através de práticas educativas (jogos relacionados ao meio ambiente, matemática, produção de papel reciclado, compostagem, gêneros, etc.), exposições (artísticas, literárias, ambientais, étnicas, culturais, etc.) e experiências (Química e Física). Microscópio Digital com Lente de Webcam (Ensino Fundamental II) O projeto do Microscópio Digital foi realizado pelo grupo de alunos, Flávia Maria Preuss, Vanessa Hillesheim, Ana Paula Buss e Roberta Hawerroth contaram com a ajuda do Tiago Rohling e a contribuição do ex-aluno Luis Henrique Rohling. A utilidade e a razão ecológica do experimento foram as razões para a equipe desenvolver o projeto. O Microscópio Digital com lente de Webcam, além de ser feito em quase sua totalidade com materiais reaproveitados tem a mesma eficiência de um Microscópio Eletrônico de Laboratório que pode ser utilizado pelo corpo docente e discente da escola. O primeiro passo foi desmontar a Webcam e inverter a lente. Em seguida, os alunos confeccionaram um suporte de plástico rígido com dois andares sustentados por parafusos que serve como regulagem do foco do Microscópio. Além do baixo custo e da grande utilidade do projeto, o Microscópio com lente de Webcam proporciona outros recursos que os Microscópios convencionais não dispõem, como por exemplo, registrar através de fotografias e filmagens os micro- organismos presentes nos slides. 12
Gerador de Energia Movido a Manivela/Casa auto-sustentável (Ensino Médio) Para a 4ª Amostra Científica e Cultural foi feita a proposta de que os alunos desenvolvessem projetos auto- sustentáveis, dessa forma, foram escolhidos pela banca julgadora, para o Ensino Médio, duas equipes que se destacaram pelos seus trabalhos. A primeira equipe, formada pelas alunas Daiani Beatriz Steinheuser, Denise Meyer e Naiara Carolina Steinheuser, do 3º Ano Noturno, construíram uma casa com jornais, teto solar e um sistema que gerasse energia eólica. A segunda equipe, formada pelos alunos Luan Heinzen, Tiago Guilherme Nack, Bernardo Feuser, Roberto Guilherme Buchner e Uelinton Ricardo Maas produziram um gerador de energia movido a manivela. A fundamentação do projeto passa pelo encaixe dos motores nas engrenagens junto a manivela que irá gerar o eixo do motor, pois quando o motor é ligado na energia ele transforma energia elétrica em energia mecânica, então, corroborando com os estudos do químico Antonie Lavoisier e a Lei de conservação de massa representada pela célebre frase “na natureza nada se perde e nada se cria, tudo se transforma”, quando giramos o eixo do motor ele transforma a energia mecânica em energia elétrica. Com esse projeto a equipe conseguiu gerar energia para ligar lanternas de Led e carregar celulares. De acordo com a comissão julgadora, as equipes que se destacaram tiveram a oportunidade de representar a escola na Feira Regional, entretanto, foi proposto que as equipes realizassem um novo esboço dos projetos com adaptações. O esboço dos projetos modificados para a 13 Feira Regional, consiste em três casas recicladas com jornais e teto solar (que atuam como controladores de micro- organismos e economia de energia), quatro postes de luz que serão abastecidas pelo gerador de energia movido a manivela. Para que o gerador tenha força necessária e eficácia ao abastecer a cidade, os alunos reforçaram o projeto inicial substituindo as engrenagens de plástico por engrenagens de ferro, acrescentaram motores e substituíram a manivela por uma mais resistente.
Aconteceu... Campeonato de salto à distância na hora do Festa Junina do Mais Educação da EEB São Tarcísio recreio A Festa Junina da escola foi um sucesso e o programa Mais O projeto teve o intúito de diversificar os esportes na escola Educação aproveitou para trabalhar a literatura de Monteiro através da Oficina de Esportes do Programa Mais Educação com o Lobato, transformando a história em teatro e dança. A oficineira oficineiro Josué Rech May, conhecido pela criançada como Bruna C. Backes fez um belíssimo trabalho, envolvendo a dança e Zequinha. Os convites para participar do torneio, foi realizado o teatro de forma lúdica e divertida, trazendo para a festa os pelas crianças do Mais Educação, que, de sala em sala, chamaram personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo, com muita energia e os alunos a participarem. Na primeira etapa foram selecionados cores. As fantasias alegres relembraram cenas e contos vividos por os três primeiros lugares de cada ano - do 1° ao 9° do Ensino todas as gerações ali presentes na festa. Fundamental. Foram semanas de muita diversão durante os recreios na escola Rádio Mais Educação até chegarmos na premiação final. Ficando em 1º lugar, o aluno Robson Bruno da Luz de Lima do 9 º O projeto desenvolvido pelo oficineiro voluntário Luiz Miller, visa ano (vespertino), em 2º lugar, o aluno Alex Lehmkuhl do 9º ano a promover uma maior integração na comunidade escolar, criando (vespertino) e em 3º lugar o aluno Weliton Wenz Machado do 8º um canal de comunicação, onde os alunos possam interagir uns ano (matutino). Cada aluno recebeu sua premiação com muita com os outros e, também passar informações em sobre a rotina brincadeira e festa. Parabéns a todos e todas participantes. escolar. A Rádio Mais Educação tem uma importância Dessa forma aproveitamos para estudar e conhecer as fundamental na formação educacional dos alunos, pois trabalha modalidades olímpicas, além disso, também ressaltar a Olimpíada texto e pesquisa em reportagens, o que ajuda os participantes realizada no Brasil em 2016, incentivando cada vez mais as com gramática e observação crítica. Além disso, a participação na crianças e adolescentes na participação nos esportes olímpicos. locução dos programas faz com que os alunos obtenham mais desenvoltura na oralidade. Claro, não se pode deixar de destacar Grêmio Estudantil que a rádio também é um espaço para a música, deixando os recreios da EEB São Tarcísio mais relaxantes e alegres. O Grêmio é a organização que representa os interesses dos estudantes na escola. O Grêmio permite que os alunos (as) Soltando a voz discutam, criem e fortaleçam inúmeras possibilidades de ação, tanto no próprio ambiente escolar como na comunidade. O Ainda dentro da Oficina de Música, com oficineiro Luis Augusto P. Grêmio é também um importante espaço de aprendizagem, Degering, começamos nesse semestre o projeto The Voice Mirim, cidadania, convivência, responsabilidade e de luta por direitos. É que é uma forma dos (as) alunos (as) criar a confiança em seus importante deixar claro que um dos principais objetivos do talentos musicais, soltando a voz, perdendo a timidez, Grêmio Estudantil é contribuir para aumentar a participação dos incentivando a oralidade e a criatividade e tornando algo (as) alunos (as) nas atividades de sua escola, organizando prazeroso a apresentação em público. Na próxima edição campeonatos, palestras, projetos e discussões, fazendo com que conheceremos os (as) finalistas do The Voice Mirim. Aguardem! eles tenham voz ativa e participem, juntamente com pais, funcionários, professores, coordenadores e diretores, da programação e da construção das regras dentro da escola. No momento, estamos no processo de formação das chapas para promover as eleições. Participem! 14
Mais educação Sentando em roda Mais Amor: Sexta-feira é o dia do abraço Antes de começar qualquer atividade da Oficina de Jornal, estabelecemos uma forma criativa de comunicação entre os (as) alunos (as). Isso se dá através da meditação, onde sentamos em roda e durante dois minutos, ficamos em silêncio apenas sentindo nossa respiração. Notou-se, a partir desse exercício, que a concentração e o relaxamento faz toda diferença para realizar nossas tarefas cotidianas. Lembrando que a meditação acalma, relaxa, corrige a postura e proporciona maior atenção nas atividades realizadas. O “Mais Educação - Mais Amor”, surgiu na Oficina de Jornal com a Essa atividade é baseada na pedagogia de Célestin Freneit (1959), oficineira Daniela Brauner. Acontece todas sextas-feiras em nossa que se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir escola, e traz a importância do amor nas relações sociais, no o conhecimento em comunidade); a comunicação (para formalizá- cognitivo e intelecto das crianças e adolescentes que frequentam lo, transmiti-lo e divulgá-lo); a documentação, chamado livro da o Programa Mais Educação, assim, dessa forma, atingindo a todos vida (para registro diário dos fatos históricos); e a afetividade (as) da comunidade escolar. A ideia se expandiu para toda EEB São (como vínculo entre as pessoas, o amor ao próximo estabelecendo Tarcísio e disso surgiu o Dia do Abraço, onde todos (as) alunos (as) assim o conhecimento). da escola se abraçam estabelecendo o amor ao próximo e A partir do momento que foi colocado em prática a meditação no fortalecendo as amizades no espaço escolar. nosso dia a dia, houve uma melhora significativa nas ações e práticas educativas e sociais das crianças. Ritmos, ações e microfone A geografia através da dança A Oficina de Música e a Oficina de Dança, de forma interdisciplinar Aprendemos geografia através da oficina de dança com a durante o primeiro semestre, teve como objetivo trabalhar as oficineira Bruna C. Backes. Conversamos sobre a cidade de São diversas manifestações de músicas e sons corporais, vivenciados Bonifácio-SC, localizamos através da paisagem onde o sol nasce e por meios de exercícios, jogos e brincadeiras. Desta forma os onde o sol se põe e assim as crianças, além de cantar e dançar a alunos conheceram a relação entre o corpo e a produção de sons música pontos cardeais, memorizaram as coordenadas e ritmos musicais. Vivenciamos experiências que ajudaram a geográficas. entender como nosso corpo funciona, para que possamos ouvir e perceber o ambiente a nossa volta. Terça-feira é dia de Piquenique Conhecemos sons possíveis que podemos fazer com o nosso O piquenique é uma forma de interação entre as crianças e a próprio corpo, por exemplo, palmas, sapateados, sonoridades natureza. Buscando a responsabilidade sobre seus alimentos e a orais, etc. Colocamos em prática essa sonoridade em aulas- divisão, ensinando aos alunos (as) os princípios do cooperativismo passeios de forma lúdica, ouvindo os sons da natureza e assim e da sociabilidade, pois, quando realizamos essa atividade, os(as) explorando as possibilidades de timbres diversos de sonoridades alunos(as) dividem uns com os(as) outros(as) os alimentos corporais, fazendo um comparativo com os sons de pássaros, trazidos por eles. grilos, rios, entre outros. 15 No segundo momento confeccionamos instrumentos musicais com material reciclável, entendendo a complexidade e a importância da sustentabilidade e dos “3 Rs” - Reduzir, Reutilizar e Reciclar - do qual também foi o nosso tema na IV Feira de Ciências, realizada no dia 13 de agosto de 2016. Outra consequência da construção dos instrumentos musicais foi a de aprender e conhecer sobre outras culturas entre elas as indígenas e africanas
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