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edição 2 final

Published by Núcleo de Tecnologia, 2021-06-07 12:45:02

Description: edição 2 final

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JORNAL Fo r m i g u e i r o |EDIÇÃO02| Brasil 2021 Uma nova página FOTO: EDIANE NASCIMENTO na história do MTST Hoje um terreno até então baldio, localizado na zona leste de são Paulo, se mostra símbolo do sonho da casa própria por redação FOTO: DAYANE SILVA | FOTO CAROLINA: REPRODUÇÃO Hoje, um terreno até então baldio localizado na Ficar em casa neste que o Brasil ganhou em 2020, Cerca de duas mil zona leste de São Paulo surge momento tão drástico o desemprego e a miséria famílias já estão hoje como mais um símbolo do da nossa história é só aumentam, chegamos no terreno, que estava sonho da casa própria, sonho essencial, mas, e quem não ao número de 14,4 milhões abandonado desde os anos tal que agora é uma luta tem casa? Ou tem que sair de brasileiros sem emprego 90, sem cumprir sua função coletiva. O espaço já tem para procurar emprego? e sem qualquer garantia, social e devendo mais 3 uma cozinha comunitária, Ou ir trabalhar sem qualquer por parte do governo, de milhões de Reais em IPTU. É atividades para as crianças, garantia de segurança segurança para se alimentar uma covardia que áreas como brigadas do MTST prestando sanitária nos transportes e morar com dignidade. essa, que poderiam servir auxílios jurídicos e de saúde, e no próprio ambiente de moradia (ou um posto de além de oferecer uma de trabalho, faz o quê? Com esse cenário saúde, um centro de cultura oportunidade para debater desastroso o MTST arregaçou e lazer, uma escola), fiquem política e melhorias para A pandemia afetou as mangas e tomou diversas abandonadas, tornando-se a comunidade local. grande parte da população atitudes, uma delas aconteceu inclusive um local perigoso brasileira, mas há muita na madrugada do sábado do para as pessoas que moram A nova ocupação gente que lucra com isso. Em dia 15 de maio de 2021: uma na região. ganhou o nome de Carolina meio aos novos bilionários nova ocupação! Maria de Jesus, fantástica escritora brasileira, negra, pobre e periférica. A Ocupação Carolina Maria de Jesus chega para reafirmar e escrever mais um capítulo da história de luta e resistência do MTST que, em meio à grave pandemia de COVID e ao descaso por parte do governo Bolsonaro, vem se mostrando bem mais do que um movimento social que luta por moradia, colocando-se como linha de frente nos atos contra o governo e atuando para matar a fome nas periferias.

Fala aí, sem teto! por Framcis Duarte Leon Cunha: os pássaros não serão mais proibidos Para entendermos a importância desta homenagem no Jor- Leon partiu no dia 31 de março, mesma data do início da nal “O Formigueiro”, é importante destacar que durante o ditadura no Brasil. Seu último protesto foi silencioso, mas tempo em que conhecemos e compartilhamos a amizade e reforça o quanto os guerreiros e resistentes pela Democra- o aprendizado com a militância do nosso companheiro Leon cia são eternos. Nascido com o nome de Orliano Trindade Cunha, ouvimos muitas de suas histórias e e leituras de tre- Cunha, ou, simplesmente, Leon, foi um militante fundamen- chos de livros. Uma delas foi de um texto de Eduardo Galeano, tal da comunicação do MTST, em São Paulo. presente na trilogia Memória do Fogo, que aborda a ditadura militar uruguaia e a proibição de que os prisioneiros recebes- Dedicou grande parte de sua trajetória política e so- sem determinadas visitas e, inclusive, desenhos de pássaros. cial, ao lado de trabalhadores e trabalhadoras das ocu- pações, à construção de uma comunicação que fosse di- Numa dessas visitas, um professor não pôde receber o versa nas muitas vozes e lutas das diferentes regiões que desenho de pássaros feito pela filha, mas a garotinha, mui- compõem o movimento, e à valorização da experiência de to esperta, refez sua arte, colocando uma árvore com vári- vida de nossos acampados. os pontos coloridos na copa. O pai perguntou que frutas eram aquelas e a menininha, num tom de segredo, afirmou: Nascido no Sul do país, sua atuação comunicacional, em “Fale baixo. São os olhos dos pássaros do outro desenho parte, se desenvolveu em São Paulo, onde construiu, com que eu fiz pra você.” inúmeros companheiros, a fundação do PSOL e atuou in- cansavelmente nas campanhas de Plínio Arruda Sampaio Seu último protesto à presidência da República em 2010, e na comunicação da foi silencioso, campanha de Guilherme Boulos em 2018. mas reforça o quanto Leon, tal como um pássaro, “voou junto” e registrou lutas que guerreiros do movimento sindical e momentos de conquista da classe trabalhadora. Proporcionou registros de grande beleza e im- e resistentes pela pacto, como a entrega das moradias de nossos guerreiros Democracia, e guerreiras, motivo de orgulho e força para resistirmos na são eternos. luta, pessoal e coletiva, por justiça social. Infelizmente, nos últimos tempos, seu corpo, acometido por um câncer agressivo, o impedia de voar pelos espaços físicos de luta, mas, assim como os olhos dos pássaros da história narrada por Galeano, manteve-se presente e guian- do nossos passos. Agradecemos os tantos aprendizados e nos sol- idarizamos com a perda da família e dos inúmeros amigos. Seguimos, juntos e juntas, ocupando lugares que nos são de direito e sabendo que enquanto estivermos lutando por justiça, os pássaros não serão mais proibidos! Obrigado por tudo! LEON, PRESENTE! AGORA E SEMPRE!

Da esquerda para a direita: Companheira Maria posando com demais cozinheiras e Pai Ronaldo cozinhando com mais uma companheira OS CORAÇÕES DAS COZINHAS Como todos os companheiros e companheiras sabem, as esse projeto da cozinha solidária, tivemos algumas reuniões e cozinhas são os corações das ocupações. Agora, com o eu participei, eles estavam atrás de um espaço para a cozinha agravamento da pandemia do novo coronavírus aqui no Bra- solidária no bairro, e eu disse a eles que eu tinha um espaço sil e com o triste aumento da fome que vem atingindo milhões para a cozinha, se topassem estaria à disposição. Eles viram o de famílias em todo o país, nós, enquanto movimento social espaço, acharam legal, e passaram para a coordenação, daí fiz- que tem como principal luta a moradia, mas que também eram mais uma inspeção, dessa vez fazendo medidas e tal, daí luta para que nosso povo tenha segurança, saúde, educação e foi aprovado. Por que eu cedi o meu espaço? Porque a minha alimentação de qualidade, tivemos que arregaçar as mangas e casa de Candomblé está parada, a gente não está tocando o fazer o que o governo não faz. Com isso levamos os corações Candomblé então eu falei “nada mais justo que usar esse espaço das ocupações para além delas. para ajudar o próximo”. Eu cedi o espaço que é uma cozinha bem top, de grande sucesso, e eles me convidaram para cozin- As cozinhas solidárias do MTST têm sido um impor- har, porque como eu disse anteriormente eu tinha feito algumas tante instrumento na luta contra a fome nas periferias do comidas para a associação, e eles gostaram da minha comida e Brasil e, nesta edição, o Jornal “O Formigueiro” ouviu duas me convidaram e eu falei “topo, com certeza”. pessoas das inúmeras que têm um trabalho essencial para o f: qual a importância de trabalhar na cozinha solidária as cozinhas: são eles que preparam os alimentos que serão neste momento? servidos para centenas de pessoas. Companheira Maria: Aqui em Roraima a gente funciona de segunda à sexta com uma refeição por dia com apoio O Pai Ronaldo, de uma das cozinhas solidárias de São apenas do MTST. Aqui é bem difícil de conseguir apoio, é Paulo, e a Maria, da cozinha lá de Roraima, falam um pouco muito gratificante dar comida a quem tem fome e esse é o pra gente como é essa experiência para eles, confira a seguir: nosso foco, o foco do MTST, em estar ajudando o próximo. o formigueiro: fale um pouco sobre você. Companheiro Ronaldo: É de ver as pessoas na fila chegando Companheira Maria: Eu sou a Maria Ferraz, moro em aqui com fome, chegando aqui pedindo “pelo amor de deus, põe Roraima há 27 anos, sou coordenadora do movimento dos um pouquinho a mais na minha marmita porque esse aqui é trabalhadores sem teto em Roraima já há 14 anos. meu almoço e minha janta”, as crianças que chegam aqui dizen- Companheiro Ronaldo: Meu nome é Ronaldo, tenho 46 do que almoçam e não jantam, que a mãe muitas vezes nem fica anos, sou um babalorixá, sou um sacerdote, tenho uma casa em casa para dar comida ou fazer comida, e isso tudo acaba me de Candomblé que é o Ilê Asé Omo Ogum Onirê, situado no comovendo e, de uma forma ou de outra, eu digo que é uma bairro do Jardim Damasceno. felicidade e uma tristeza, tristeza de ver esse povo aqui chorar o f: como chegou à cozinha do mtst? com fome e a felicidade é de ver você matar a fome das pessoas. Companheira Maria: Eu vim parar na cozinha solidária É gratificante falar “venha almoçar com nós, temos uma comida devido à pandemia. Desde 2020 nós organizamos, através do gostosa, uma comida saborosa”, isso é muito gratificante. Porque MTST e a partir do apoio que veio da vaquinha online e de hoje em dia, com essa pandemia, está tudo muito difícil, o de- amigos, a distribuição de cestas básicas e nesse ano de 2021 semprego cresceu, a fome aumentou e as pessoas estão carentes entregar as cestas básicas já não era, do meu entender, não de tudo, carentes de salário, carentes de comida, carentes de era apenas o foco, mas achamos por bem fazer a cozinha amor, então é uma forma de trazer alegria. solidária para atender às famílias com a refeição. Companheiro Ronaldo: Participo muito feliz da cozinha, como cheguei nela? Eu faço parte da associação Ousadia Popular aqui do bairro Jardim Damasceno e quando tem algum evento nessa associação sempre sou convidado para cozinhar. Quando iniciou

Poesia Aconteceu no MTST 2 3 4 Um formigueiro de gente 1 veio de cá e de lá, cantavam alto pedindo FOTOS: MTST por moradia popular. Amanheceram nesse canto, cabanas enlonadas coberta de orvalho e coragem. Uns pouco 5 de madeira, virou cozinha; 78 grandes corações dotados em mãos solidárias, 6 serviram centenas de bocas com fome. O capim alto 9 10 11 curvou- se diante da classe trabalhadora, que tudo fabrica, constrói. Transoformou-se em almofadas, colchões, cadeiras. Mulheres pretas 1- Montagem do acampamento Maria Carolina de Jesus | 2- Assinatura dos contratos do Dandara | 3- periféricas Distribuição de máscaras em Guarulhos | 4-Entrega de ovos de páscoa | 5- Ato em frente à Cosan | 6- Ato invisibilizadas, do dia 7 de maio | 7- Assistência jurídica prestada na Cozinha Solidária do Jd. Damasceno | 8- Ato no mães solo, vitimas Hospital Menino Jesus | 8- Ato do dia 7 de maio | 10- Construção de Cozinha Solidária no Jd. Iguatemi (SP) da violência, opressão:- | 11- Ação de saúde na Cozinha Solidária do Jd. Damasceno. Ganharam o reconhecimento neste dia, CAROLINA MARIA DE JESUS, PRESENTE, AGORA E SEMPRE! Poeta MTST O FORMIGUEIRO É UMA PUBLICAÇÃO DO MTST Queremos te ouvir MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM-TETO Textos: Coordenação do MTST | Revisão: Equipe de Texto envie fotos, textos, comentários / Comunicação MTST | Diagramação: Equipe de Arte / e sugestões de pauta para: Comunicação MTST | Tiragem: 20 mil exemplares Site: www.mtst.org | Facebook: www.facebook.com/mtstbrasil A LUTA É PRA VALER!


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