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Revista Pentagrama 2016_site

Published by Pentagrama Publicações, 2016-11-04 08:27:12

Description: Qual seria a origem de nossos ancestrais?
O Projeto Genográfico tenta responder a essa pergunta, exatamente como o buscador espiritual deseja saber de onde veio, para poder responder à questão de por que está aqui e para onde vai.
Aos poucos, vamos percebendo uma realidade totalmente nova e tomamos consciência de que somos Um, compartilhamos o mesmo DNA e temos um ancestral comum: o Homo sapiens. Além do DNA, temos em comum cada partícula de nosso ser, cada molécula, cada átomo.

De onde viemos? De todos os lugares. Aonde vamos? Para todos os lugares. Quem somos nós? Uma maravilhosa expressão do Uno.

Nesta edição, a vivência mostra que, no fundo, sabemos a resposta para todas essas perguntas: basta despertar a reminiscência latente em nós. É essa a conclusão de um relato muito interessante de uma jovem aluna em país estrangeiro que tece conclusões a respeito da busca de si mesma.

Keywords: pentagrama,espiritual,renovação,rosacruz,aurea

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um idealista de olhos fixos em outro realizar sua tarefa a serviço exclusivomundo e sem os pés fixos na terra, da comunidade. É inútil dizer que esseslembremo-nos de como ele também princípios da sociedade platônica nãose ocupa das questões referentes aos fazem da classe dirigente a mais afor-deveres e à sociedade, conforme vemos tunada; por outro lado, ela pode ser ana alegoria da caverna, em Político. Nesse mais feliz se a considerarmos do pontoconto, ele nos faz compreender justa- de vista da luz operante em seus siste-mente que, tendo escapado da profunda mas esclarecidos. Uma luz que, partin-obscuridade da caverna, o filósofo se do desses homens, irradiará inevitavel-sente obrigado a retornar a ela para mente ao redor deles.revelar a seus companheiros de infor-túnio a verdade e a realidade que viu e Manifestamos nosso reconhecimentovivenciou fora dela. pela autorização de publicar este artigo,Em Político, Platão diz que é esse tipo traduzido de uma monografia intituladade homem – os filósofos – que deve Dois ensaios referentes a Platão, previstoconstituir a classe dirigente. Para dirigir para uso interno na Escola de Filosofia nocom justiça, é preciso que os homens qual é retomado o capítulo V da obra Ostenham alcançado certo grau de sa- filósofos gregos de Tales até Aristótelesbedoria quase divina, pois a tarefa e (1950), de W.K.C. Guthrieo dever dos dirigentes, na sociedade,consistem em levar as consciências a * O mito de Er, o Panfílio; cf. Pentagramacontemplar o puro Bem, o qual eles 2 de 2014devem primeiro possuir em si mesmos.Em outras palavras: eles precisam redes-cobrir a Ideia pura e perfeita, da qualtodas as coisas criadas são apenas umfraco reflexo. É por isso que os jovensdevem ter uma educação e uma disci-plina severas antes de serem julgadosaptos para ser dirigentes. Até a idadede dezoito anos, diz ele, eles devemreceber uma formação geral, seguidade treinamento militar e esportivo. Aseguir, durante dez anos, devem serinstruídos nos ramos da matemáticasuperior e, por fim, durante cinco anosainda, nos ramos mais elevados dafilosofia. O processo todo deve com-preender, além disso, uma seleção, e éno mínimo aos trinta anos que esseshomens podem ser julgados dignos deocupar funções regulares no aparelhodo Estado. Resulta desse ponto de vistaque os filósofos nada podem possuirde seu; e que o poder político é maisum fardo que uma tentação. Eles devem 49

Dispelling Wetiko – Rompendo a MaldiçãoPaul Levy, nasceu em Nova Ior- “Dispelling Wetiko é um desses raros livros corajosos que nutrem o vírus, o qual vaique em 1956, estudou Economia têm a intenção de nos levar aonde preferimos não ir: até o matar o portador – que somose Belas Artes. Nos anos 1990 âmago de nossa própria escuridão. No entanto, trata-se de nós. O wetiko se alimentatrabalhou na Fundação Jung. uma das viagens mais essenciais de nossa época (...) Sem fartamente com a imagina-Depois de passar por intensas ex- dúvida alguma, é uma leitura indispensável.” ção criativa que lhe falta. Éperiências espirituais, montou os (Caroline Myss) por isso que, ao não utilizar-grupos Awakening in the dream mos o dom divino de nossa(Despertar no Sonho), nos quais No Dispelling Wetiko (esconjurando e expulsando o wetiko, imaginação criativa a serviçoacompanhava pessoas na desco- rompendo a maldição), o artista-pesquisador Paul Levy desperta da vida, o wetiko empregaberta da verdadeira natureza de nossa atenção para o tema de uma doença psíquica, uma psi- nossa imaginação contra nóssuas realidades. É conferencista e cose coletiva que atingiu a humanidade e é chamada de wetiko mesmos – e a consequênciaprofessor, praticante do budismo pelos indígenas americanos. Uma pessoa que sofre de wetiko é é a morte. Esse predador, otibetano, e autor de dois livros: acometida por um desejo insaciável e um egoísmo extremo. Ela wetiko, luta conosco: ele tentaThe Madness of George Bush: passa a explorar a energia vital dos outros e é incapaz de se arre- se apropriar de uma parte deA Reflection of our Collective pender disso. O autor descreve o wetiko como um vírus secular nosso espírito, a fim de ocuparPsychosis (A Loucura de Georges alojado em nossa psique, que se comporta como um anticorpo nosso espaço. Então, ao invésBush: uma reflexão sobre nossa desajustado que ataca as partes saudáveis, como um tumor. de sermos seres soberanos quepsicose coletiva) e Wetiko: The Ampliando sua visão, Paul Levy explica como essa “doença” criam conscientemente porGreatest Epidemic Sickness está se espalhando visivelmente em escala mundial, dando como meio de seus pensamentos,Known to Humanity (Wetiko: exemplo a destruição da Terra, que começou com o desmata- somos inconscientementea maior doença epidêmica mento da Amazônia (considerada o pulmão do planeta); a polui- condicionados e formados porconhecida pela humanidade). ção dos oceanos com petróleo; a avidez desmedida do sistema esses pensamentos. Quem de Wall Street; as guerras atrozes; e ainda os atos de violência literalmente pensa em nosso que são manchetes dos jornais. lugar é o wetiko.” (Paul Levy – Tudo isso por causa do fator humano, que está contaminado Rompendo a Maldição) pelo “câncer da alma” e já não sente a mínima empatia pela humanidade. Esse fenômeno já é conhecido e explicado há Esse livro também aborda a Fí- muito tempo pelos gnósticos, na doutrina dos Arcontes (ver sica Quântica, que nos ensina Pentagrama nº 6 – 2015). que não existe separação entre o observador e o observado. Não se diminuir a ponto de se tornar alimento do demônio Tudo está interligado, como Na visão do autor, as manifestações do espírito humano com em um sonho; todos os fenô- tendência psicótica adquirem certa autonomia e obrigam o ho- menos estão indissociavelmen- mem a se comportar em um nível subliminar, até fazê-lo adotar te conectados uns aos outros e um modo de vida que contraria seu mais profundo ser. Com a cada instante. Esse conhe- essa conduta, toda energia vital se reduz, a ponto de se tornar o cimento é fundamental para alimento do demônio, uma noção que remete a C.G. Jung. termos uma compreensão “Sem que a pessoa perceba, o wetiko também é capaz de gerar adequada de nossa realidade. formas-pensamento inconscientes e crenças que, ao surgirem, Quando entendermos como nossa realidade individual e 50 Lciovnroteúdo

livroPaul Levycoletiva se manifesta, nesse ser “possuída”, que é o nosso submeter à prova da verdademomento preciso de nossa Self, ou “a integralidade de inúmeros sinais durante suatomada de consciência, temos nosso ser, como ele diz. Desse caminhada. Vale destacar queem nossas mãos o ponto modo, já não lutamos contra Paul Levy nos traz ideias quecentral a partir do qual as o mal, mas nos ligamos com podem ser utilizadas concre-coisas podem mudar. Segundo aquilo que não pode ser per- tamente para revirar nossoo autor, essa compreensão turbado – e que é a plenitude! mundo de cabeça para baixopermite uma visão mais ele- Ou seja: “Estar no mundo sem – o que, nesse caso, por si sóvada, que possibilita a ação. É ser do mundo”. já oferece uma perspectivaassim que temos a chance de Ainda uma última palavra libertadora.restabelecer a ligação com “o de Paul Levy: “Apesar de ovácuo quântico”, esse campo wetiko estar na origem dainfinito de energia viva, de po- desumanidade do homemtencialidade incomensurável; contra si mesmo, ele é parapodemos nos tornar o Homo a humanidade, ao mesmoMaximus, o homem perfeito tempo, o maior acelerador quedescrito por Swedenborg. a evolução já conheceu (mas nunca reconheceu), pois, paraVamos deixar que ele nos a natureza adormecida do Uni-possua ou permitir a cura? verso, ele representa o impulsoO autor propõe uma solução: necessário para o despertar.como a origem dessa doença Assim como normalmente umestá em nosso espírito, é nele vírus se transmuta para resistirque devemos encontrá-la. o máximo possível às nossasGeralmente pensamos que a tentativas de exterminá-lo, oiluminação significa a desco- vírus wetiko em coloração comberta da luz em nós mesmos – Mercúrio nos força a passardiz Paul Levy – mas, como esse por uma mutação e por umapensamento pode ser parte evolução superior. Paradoxal-integrante da nossa realidade mente, não nos curamos dowetiko, seria mais produtivo wetiko, mas somos curadosobservarmos nossas próprias por ele”.trevas reativadas por essa luz. Em sua exposição final, o au-O autor descreve como o we- tor narra ainda como chegoutiko nos obriga a prestar aten- às suas próprias tomadas deção ao papel do espírito na consciência – e esse é, semcriação da realidade: da nossa dúvida, o trecho de maior des-e do mundo ao nosso redor. taque do livro. É uma históriaEle nos chama para voltarmos na qual todo buscador poderáà parte em nós que não pode se reconhecer, pois terá de 51

Viver de verdade é voltar a tudo o que é natural, A armadilha da atual situação econômicasem ficarmos colados à Natureza, sem dar a elauma aura romântica, mas também sem considerá-laum adversário do gênero humano e daqueles queseguem o Caminho. Afinal, por si mesma, a naturezanão tem nada de adversário. OOs rosa-cruzes clássicos tinham uma visão positiva da Natureza.Por isso, inspirados por Paracelso, estimulavam as pessoas a realiza-rem o estudo do livro M – o Livro do Mundo, o Livro da Natureza. Deum modo geral, nos séculos 16 e 17, a Natureza era uma fonte deinspiração importante para muitas grandes correntes espirituais, etambém para os cientistas.Para que possamos explorá-la como um “livro”, é preciso primeiroreconhecer nosso desvio em relação a tudo o que é natural. Mesmoque essa tarefa somente possa ser realizada de maneira subjetiva, ofato de observarmos o que nos separa da Natureza Original vai per-mitir que ela nos inspire mais corretamente.A primeira coisa que salta aos olhos é que a Natureza está conta-minada.Talvez fosse mais exato dizer que ela já não é virgem. Nospaíses ocidentais, não sobrou nada da Natureza Original.Tudo foitrabalhado ou até totalmente transformado, principalmente por cau-sa de nossos sistemas econômicos que a exploram não somente para Saudação ao Sol, obra do arquiteto Nikola Bašic, irradia com todas as suas cores na Península de Zadar, na Dalmácia (Croácia-Sul). Trezentas lajes de vidro com células fotossensíveis reagem simbolicamente, da mesma forma que, não muito longe, os “órgãos marinhos” respondem ao ruído das ondas 52

A armadilha da atualsituação econômica 53

servir às nossas necessidades, mas também mas, desde o século 17, já havíamos intro-para lucrarmos com ela. A ganância é tão duzido em nossa cultura o conceito de “na-antiga quanto a humanidade! tureza humana”, psíquica e espiritual, de tal modo que o espírito teve de legitimarO lucro esse modo econômico capitalista e seusFoi no século 17 que começamos a valo- objetivos. O comércio mundial florescenterizar a relação entre comércio e lucro. O na Europa do século 17 não foi conduzidoamor pelo lucro era considerado uma vir- pela “Mão invisível”, como Adam Smith,tude cívica, e buscar seu próprio interesse o filósofo da economia, teve a audácia detinha o sentido de dar vitalidade ao “corpo confessar, mas sim por contratos, firmadoscomum”, ou seja, à sociedade. sob a pressão e ameaça da artilharia naval,Esse conceito foi retomado no decorrer com sultanatos, chefes, soberanos, tanto nodo século 20, principalmente pela autora Oriente como na América do Sul.e filósofa americana Ayn Rand, em seuromance TheVirtue of Selfishness (A virtude do A relação perdida entre microcosmo eegoísmo), no qual ela escreve: “Para tudo macrocosmoo que vivemos ´em comum` na sociedade, Mais do que nos oferecer uma com-seria melhor que cada um buscasse seu preensão aprofundada ou “iluminada” dabenefício, deixando prevalecer seu próprio Natureza, muito aprecidada pelos rosa-cru-interesse. No fim, o benefício para a co- zes clássicos e muitos outros, a cultura nosmunidade será o melhor possível.” Aí está afastou dela. Ela já não é capaz de nos ofe-como o interesse individual tornou-se uma recer uma visão mais profunda da relaçãovirtude cívica e como o espírito mercantil entre microcosmo e macrocosmo – pelofoi assimilado a uma qualidade mercurial menos não enquanto a ganância pessoalpositiva, muito distante, no entanto, do continuar sendo a motivação principal deMercúrio da mitologia grega conhecido nossas ações.por ser o deus dos ladrões. E também aí É exatamente isso que faz a sociedade ficarestá a razão pela qual o comércio foi colo- cada vez menos humana e mais polarizada.cado em uma perspectiva cultural unilateral A armadilha sufocante do consumismoque já há muito tempo estava caminhando impede os indivíduos de descobrir por silado a lado com ameaças e violências. mesmos uma nova visão de mundo, umaA ganância é “natural”? Esse aspecto do inspiração, uma luz. A liberdade está cadaegoísmo tem alguma coisa a ver com uma vez menor e já consegue favorecer umnatureza humana inalterada? projeto de desenvolvimento pessoal. AoO professor Inger Leemans, em seu contrário: há cada vez mais situações delivro The Nature of the Economy (A natureza dependência de “produtos”, mais do queda Economia), afirmou: “Além disso, o dependência da “terra” e da “matéria”,capitalismo é o produto da imaginação. É como em outras épocas. Estamos seguindopreciso um verdadeiro arsenal de conceitos trilhos que estão nos levando à fascinaçãopara dar a ele uma aparência natural, para a partir do interesse, e depois ao hábito, atéinspirar os comerciantes, dando-lhes plena que, por fim, alcançamos a dependência,confiança nesse processo econômico e, correndo o risco de ficarmos viciados.mais ainda, oferecer uma imagem motiva- Nos anos 90, um celular era algo prático.dora desse processo”. Aos poucos, ele foi se tornando indispensá-Nós não apenas contaminamos a natureza vel e absolutamente desejável do ponto defísica para tirar dela cada vez mais lucro, vista social. Hoje, falta pouco para sermos 54 A armadilha da atual situação econômica

considerados antissociais quando alguém cimento permitiria o acesso à Sabedoria. em obstáculo, pois ele nãonão consegue nos encontrar via celular. Mas, na realidade, quanto mais conheci- consegue estabelecer ligações mento adquirimos, mais perdemos em entre os diversos elementosO esquema do desvio Sabedoria, pois quando nos limitamos à que a constituem. Ele é privado“Da Natureza à cultura, da cultura à reali- primeira, perdemos a segunda. Essa sepa- da força que coloca tudo emdade virtual”: eis como um pensador con- ração dos dois domínios deve-se à perda relação com o Todo: ele já nãotemporâneo esquematizou o processo de da ligação entre elas – e esse laço é o amor. sabe usar o pedal de embrea-desenvolvimento do homem moderno. Em Por meio do amor, os elementos de Sabe- gem. Ele fica prisioneiro doum contexto como esse, que possibilidade doria incluídos no conhecimento podem crescimento exponencial dasde sabedoria pode restar para quem deseja ser trazidos ao domínio humano, pois o informações específicas queser “natural”? conhecimento é então visto com base na dizem respeito à sua disciplina.A resposta é: ter acesso a uma Sabedoria razão. Ora, a razão é inseparável do amor.(Gnosis) que oferece o conhecimento Por outro lado, o processo de desenvol- A informação faz queda relação entre o microcosmo e o vimento que parte da Natureza Original acabemos por perdermacrocosmo. para chegar unicamente à cultura dos fatos nossa consciênciaDurante os quatro últimos séculos, a possi- é um desvio. Realmente: o conhecimento Em termo de desvio, per-bilidade de nos aprofundarmos na relação “objetivo” ligado a esse tipo de cultura cebemos que o pior éentre Sabedoria e Conhecimento sempre não constitui um enriquecimento para a quando observamos comoesteve presente, sem que fosse necessário consciência que deseja alcançar a Sabe- a consciência degenera emfazer qualquer violência contra a Natureza doria. A Sabedoria é o poder de observar informação. Hoje em dia,por motivos econômicos ou de poder. Que as causas e os resultados, de fazer a liga- naufragamos em um volumetipo de desenvolvimento resultou disso? ção entre eles, levá-los em consideração, incomensurável de informa-Para começar, não podemos confundir Sa- para poder apreciá-los – às vezes em uma ção com conteúdo cada vezbedoria com conhecimento: seus domínios fração de segundo – a fim de escolher a mais pobre. Dissemos acima:são diferentes. Os “fatos”, as descrições ação mais adequada. Quando a biblioteca a Sabedoria tem a capacidadede acontecimentos espaço-temporais, as cerebral transborda, o sabiozinho erudito de fazer conexões, enquan-situações, os processos e suas propriedades a quem ela pertence se distrai. Sua cultura to o conhecimento é o queforam tidos como “a verdade”, cujo conhe- baseada em fatos pode até se transformar incluímos ao nosso acervo eTEMOS UM CORAÇÃO DURO COMO PEDRA O que chamamos de “educação” consiste, na maior parte doHoje, a consciência humana é muito individualizada. Somos muito tempo, em aprender a regular seus instintos por meio do quematerializados, temos um ego duro como pedra. Temos cons- sentimos e pensamos. É assim que o eu pouco refinado torna-ciência de nosso eu no mundo material e o observamos com os -se “educado”. Motivado pelo medo de perder o afeto,sentidos, como se fosse exterior a nós. Esse “eu” só percebe o que a ternura, o amor, ele acaba assimilando o modo de se adaptarsente como diferente dele: contrastes e oposições. Ex.: observamos aos outros eus. Desse modo, cria-se um equilíbrio no sera luz porque conhecemos a escuridão. Com relação às outras pes- humano entre sua qualidade de indivíduo e de membro de umsoas, coisas e fenômenos, somos observadores exteriores. Vamos grupo. Sabemos o quanto esse equilíbrio é instável e vemosimaginar três “eus”. O primeiro: é o “eu” da barriga, instintivo que, em caso de ameaça, quem comanda é o eu impulsivo.e animal – é claramente o mais poderoso e luta para satisfazer As teorias científicas ocidentais modernas explicam o compor-necessidades vitais elementares. Graças a ele, o ser humano pode tamento humano em parte por fatores hereditários, em partesubsistir, pois é esse “eu” que sai em busca do indispensável: pelas circunstâncias. É assim que aprendemos a levar a vida.alimento e calor. O segundo é o “eu” do coração: cria regras e Se o resultado de um comportamento for gratificante, elecerta sociabilidade. O terceiro é o “eu” da cabeça, do pensamento: será repetido. Essas ideias simples nos fazem compreender ocontribui para fornecer certa cultura. Geralmente, o primeiro entra comportamento humano.em conflito com um dos outros dois ou com os dois. 55

sabemos por nós mesmos, sem necessi- Já não temos nenhuma noção da realidade época já não se trata tanto dedade de uma fonte externa. Por que será que quando mergulhamos administrar a energia, mas simA informação é outra coisa ainda: ela na realidade virtual o real foge de nossa de administrar a informação.oferece fatos e evidências, por mais consciência? Em primeiro lugar, porque E a produção de informaçãoabstratos que às vezes sejam, que pre- estamos muito afastados da natureza. precisa ficar completamentetendem ser um relato da realidade. Mas Depois, porque essas informações que sob a bandeira do consumo-jamais leremos no Google: “Trata-se pretendem nos oferecer uma imagem da -produção, circulando o maisapenas de uma opinião; realidade não a tornam mais compreensível rapidamente possível.isto reflete apenas minha realidade”. para nós, pois são complexas e redundan- Para tanto, os “produtos” deÉ que tomamos as informações do tes. Elas nem chegam a se alojar em nossa informação e de comunica-Google como realidades indiscutí- biblioteca cerebral, que já está lotada. Para ção precisam ser distribuídosveis e assim tornamos nosso próprio dizer como o filósofo e ativista antinuclear gratuitamente.conhecimento um pouco mais pobre, alemão Günther Anders: “Não consegui- Em troca, o consumidor pagae também nosso autoconhecimento. mos refletir sobre aquilo que não podemos por isso dando sua atençãoA enxurrada de informações choca-se captar. Uma coisa sobre a qual não refleti- e seus dados pessoais. Essescom a ordem “Homem, conhece-te a mos, na verdade já não existe...”. dados vão servir para alimentarti mesmo!”. Ou seja: vai contra a pos- novas ofertas “sob medida”.sibilidade de conhecimento de nosso A administração da informação Tudo isso acontece fora depróprio microcosmo e sua relação A alma começou sua descida aos infernos nosso campo de observação,com o macrocosmo. com a Revolução Industrial. Desde essa como se existisse uma fábrica 56 A armadilha da atual situação econômica

NOSSO PENSAR, SENTIR E QUERER SÃO CONSTRUÍDOS POR NÓS ou repele uma energia emocional. Com isso, criamos ao nossoMESMOS redor um campo emocional, consciente ou inconscientemente.Além do aspecto físico, a vida humana compreende outros É nesse campo emocional que vivemos, pois nós o inspiramos easpectos que são ligados ao nosso corpo: a sensibilidade e o pen- expiramos. O mesmo acontece com o pensar e o agir. Atraímos esamento. O pensar e o querer são realidades em si mesmas, pro- repelimos forças.cessos energéticos interiores. Somos o que pensamos, sentimos Assim vai se engendrando uma realidade completamente par-e queremos. Um mundo de energia específica aos pensamentos ticular: a nossa realidade, que se compara a uma ilha em ume às emoções assegura nossa ligação com o mundo que nos arquipélago, no mar do mundo físico, mas também no mar dasenvolve. Podemos considerar que as leis inerentes a esses proces- emoções e dos pensamentos. Todos nós temos nosso passadosos são compreensíveis graças à Psicologia Esotérica – ou seja, à vivido pessoalmente, nossas interpretações da realidade. Nossoobservação da relação que temos com essas forças e energias. ego tem seus próprios interesses muito marcados, que se opõemO que pensamos, sentimos, queremos? Como isso acontece? aos interesses de outras pessoas.Qual é nossa posição nesse jogo? Sentimos algo que nos fazmergulhar no desejo, ou, ao contrário, na repulsa, e isso atrai57

invisível, com linhas de produção onde as jogos, voyeurismo, abandono dos estudos,almas dos consumidores fossem controla- depressão... Apenas isso!das e transformadas.Tudo acontece automaticamente e so- Recriar a Natureza?mente pode ser reproduzido com base Ah, como estamos afastados da Natureza!nos dados coletados. Tão afastados que desejamos recriá-la! MasIntegrado ao labirinto invisível dos servido- o filósofo inglês John Gray nos adverte:res, cada emissor é um receptor e todas as “No entanto, precisamos reconhecer que,saídas são entradas.Assim, a materia-prima e se recriarmos a Natureza adaptando-a aoso produto final dessa cadeia industrial digital nossos próprios desejos, correremos o riscoé o ser humano como um todo. Ele é ao de fazê-la à imagem de nossas patologias”.mesmo tempo o input quanto o output desse Em dois decênios, os serviços e produtosprocesso. Músculos, sistema nervoso, ima- digitais modificaram radicalmente nossasginação, capacidade de pensar, desejos e os condições de vida. Se amanhã aconte-mais íntimos segredos – nada que é humano cesse um blackout da Internet, ou se apode ser perdido: tudo precisa ser utilizado “nuvem” desaparecesse em um “buracono processo de produção-consumo. negro”, sem dúvida haveria um “infartoA alma inteira e tudo o que representa sua coletivo” mundial! A vida sobre a Terrasalvação precisam ser transformados em pararia, em grande parte, segundo Hansproduto, em mercadoria. Schnitzler. A infraestrutura digital, esse império atual, não somente dominaPerturbações psíquicas e desvios de com- nossas ocupações cotidianas como atingeportamento ligados à era digital certas condições fundamentais específi-Essa instrumentalização do ser huma- cas da vida humana.no corre o risco de reduzi-lo a um novo As garras do mundo digital vão deforman-gênero de “proletário”, como explica Hans do nossa natureza até alcançar esse núcleoSchnitzler em seu livro O Proletariado Digital. de dignidade pessoal.O regime “info-crático” ao qual o homemestaria submisso estaria baseado no poder Retornar à Natureza. Mas qual delas?de sobrecarga de informações. Será que ainda poderemos voltar atrás?Mas a expansão invasiva e infinita da es-fera informativa caminha ao lado de uma CARMAhiperestimulação do cérebro que pode, de Todo comportamento humano, com seus pensamentos e emoções, produz obriga-acordo com Hans Schnitzler, produzir per- toriamente alguns efeitos; tudo é, de algum modo, memorizado. O que fazemos aturbações psíquicas: problemas de atenção, nós mesmos e aos outros dá forma a linhas de força e a tensões que um dia deverãoegocentrismo exacerbado, perturbações se descarregar no espaço-tempo. Essa regra elementar da Lei do Carma pode serde indentidade, perda de memória, solip- designada por uma expressão moderna: a Lei da Conservação de Energia.sismo (quando o indivíduo acredita que Sendo um fator de equilíbrio, o carma protege os seres e o mundo. Alguns o con-somente ele existe e tudo ao redor é sua cebem como o conjunto de acontecimentos que se apresentam a nós no decorrercriação), dissociações, sintomas de regres- do tempo. Mas o carma é também um fluxo de emoções e a coloração, por nossassão, fantasmas, violência, megalomania emoções, de tudo o que nos acontece e a tudo o que estamos ligados, pois é difícil,(quando o indivíduo dá exagerado valor a para nós, fugir das emoções. Em casos extremos, trata-se realmente de depen-si mesmo), neuroses que obrigam a pessoa dências e até mesmo de obsessões que envolvem os planos do pensamento, doa clicar e a navegar, fetichismo e exibicio- sentimento e da ação. Essas dependências e obsessões nos governam a partir do eunismo com Twitter e Facebook, demência subconsciente que é a soma de nosso passado.digitais, digi-estresse, sede de informação, 58 A armadilha da atual situação econômica

Retornar à Natureza que nos liga à nossa Não conseguimos nos apoiardignidade humana? na herança cultural, na memóriaSerá que isso ainda é possível atualmente, coletiva, nem no imenso tesouroquando o mercado – por mais que tenha esotéricosido desmascarado em seu “legítimo”egoísmo – continua dominando e dita mesmo escravizados, se tivéssemos cedido construir nossa consciênciacada vez mais as condições sócio-econô- à tentação dessa escravidão moderna, tentar pode provocar uma reflexão,micas de nossa existência, de acordo com retornar à Natureza Original seria um mis- um sobressalto interessante naum regime infocrático totalitário? Nesse são perdida. situação quase desesperadoracontexto, ficaríamos tentados a acreditar Mas quem ainda sente sede de Sabedoria? que já descrevemos. Sabemosque retornar à Natureza Original e respirar Para utilizar como? A Sabedoria geralmente que, perdidos na variedade ede acordo com suas leis tornou-se real- vem associada à ideia de “transparência”. na complexidade infinitas dosmente impossível. Mais ainda se pensar- Ah, quantos inconvenientes a transparência dados que são colocados àmos que as áreas da cultura que gostaría- traz com ela! nossa disposição, já não temosmos de aprender, de boa fé, por razões de “As coisas se tornam transparentes quan- a possibilidade de nos ligarespiritualidade, conceitos filosóficos ou do elas são niveladas, alisadas e dobradas novamente à Natureza Origi-artísticos (e a Arte alia nobreza e inspi- suavemente, se acomodando naturalmente, nal. Mas, graças à convicção daração) estão sendo mais do que nunca sem pregas de capital, de comunicação e de unidade do Todo, da insepara-negligenciados. Mal conseguimos nos informação.” bilidade dessa grande reali-apoiar em uma herança cultural, em uma É assim que o filósofo coreano Byung- dade da qual fazemos partememória coletiva; menos ainda no imenso -Chul Han faz um resumo desse conceito, enquanto seres humanos,tesouro esotérico dos últimos séculos. de modo lapidar e caricatural. Já o filóso- poderemos estabelecer umaEvidentemente, hoje podemos sempre fazer fo francês Jean Baudrillard diz: “Com o ligação com a Natureza – auma pesquisa no Google! E, no entanto, fim do segredo, essa hiper-transparência Natureza Original – que foi acada vez mais, parece que só vale o que co- é nossa condição fatal. Quando todos os primeira fonte de inspiração, anhecemos e vivemos no instante presente. enígmas forem resolvidos, as estrelas se suprema realidade de Sabedo-Há quinze anos, o autor americano Philip apagarão. Quando todo e qualquer segredo ria e de Conhecimento que osRoth explicava que, infelizmente, as pessoas for desvelado – mais do que isso, quando o rosa-cruzes clássicos chama-haviam perdido o interesse pelas verdades segredo tornar-se obsceno – e cada ilusão vam de “a Rosa Mística”.elevadas oferecidas pelo esoterismo. Elas for percebida, então o Céu abandonará amal eram referências para nossas cons- Terra à sua sorte”. E isso confirma o que os Em busca de uma Escadaciências – e isso porque vinham de uma rosa-cruzes dizem: “Uma vez desvelados, de Mercúriorealidade oculta, diferente da realidade em os mistérios perdem seu valor; dessacraliza- Essa Rosa Mística poderia,que vivemos. Ora, os jovens estão buscando dos, eles perdem sua força”. apesar de tudo, florescer nestaviver e experimentar essa realidade mais nossa situação, graças a umaampla, não a partir de textos, mas sim de A conexão indispensável mística diferente daquela que,imagens. Além disso, as grandes ideologias No entanto, o fato de saber que o excesso por ser muito natural, se perdee os ensinamentos sincréticos já não têm de informação já não permite que nos- em um encantamento român-grande demanda, como acontece com a so cérebro se conecte à nossa alma para tico estático e que se mostrouideologia ligada à economia de mercado.Será que o Céu irá abandonar aTerra?Se, depois de tudo o que falamos sobre arealidade virtual na tela e o que se segue noplano técnico e econômico, nos sentís-semos um tanto aprisionados e talvez até 59

insuficiente durante os três último sécu- LUTA OU RECONHECIMENTOlos? É necessário termos uma atitude de De que natureza é minha relação com o Cosmo, com o Todo, com o imenso e subli-Alma-Espírito que nos permita a possibi- me conjunto que é Deus, o Criador? Essencialmente, vejo duas possibilidades – e élidade de nos reapropriarmos da Natureza aí que está minha Liberdade.na Unidade mediante o Único, assim como 1. Luto contra a realidade, contra a Criação. Eu quero que ela seja diferente. Comredescobrir o que ela traz de mais precioso. isso, eu me isolo e provoco uma série de acontecimentos que terão consequênciasNão é a mística humana natural, mas sim no tempo e no espaço.a mística do ser que poderá nos colocar na Isso acontece porque a imensa Realidade não pode ser fragmentada. Deus é Um!atmosfera que qualificamos de “espiritual”: Mesmo fragmentada no tempo e no espaço, a Realidade continua Una, indivisível.a Rosa Mística. Na verdade, tudo o que consigo é fragmentar a mim mesmo – e isso acaba pro-É isso que objetivamos quando se trata de vocando minha morte. Poderíamos dizer, então, que “comi do fruto da árvore douma orientação místico-mágica. conhecimento do bem e do mal”.J. van Rijckenborgh explica o seguinte 2. Reconheço em mim meu Criador, outro ser além de mim. Assim, conheço o amor,sobre a nova diretriz a respeito da Natu- o Criador e tudo o que Ele me envia – ou seja, uma força que gera seu Filho, umareza, no capítulo “O livro maravilhoso”, força que cria seu Filho, a criação perfeita, que é o Amor. Essa força nos é ofereci-no livro Confessio Fraternitatis (A profissão da. Por ignorância, por lutar contra ela, eu a crucifico: eu combato e desconheço ode fé da Fraternidade): “Nós, que exami- Amor. Quando paro de lutar e me rendo, me entregando a esse Amor, ele se tornanamos as relações entre macrocosmo e Um comigo. Juntos, geramos o Dois, que é a Criação a partir da árvore da vida!microcosmo, vemos o grandioso equi-líbrio universal. Nós, que escalamos os O encontro em questão é um aconteci-degraus estreitos da escada de Mercúrio, mento interior, no centro do microcosmo:para elevar-nos, conscientemente, aos ele ressoa em total harmonia com o estadomundos invisíveis, vemos as correntes de natural original do macrocosmo.vida dos reinos da natureza ondularemno éter. A mística do ser no século 21 FontesEsses degraus estreitos da escada de Mer- Fonte de Sabedoria e de Conhecimento, a - Het digitale proletariaat (O proletariadocúrio não dizem respeito às influências Natureza Original, chamada de “Deus” por digital), H. Schnitzler, ed. De Bezige Bij,mercurianas que impulsionam os ladrões, Espinoza, não tem equivalente. A Sabedo- Amsterdã, 2015tais como os comerciantes e os espertos do ria dessa Natureza torna o Amor divino - Vrijheid, gelijkheid en gewinzucht (Liber-mercado, que fazem com que a espoliação manifesto e ao mesmo tempo ressalta a té, égalité et lucre), suplemento do jornaldo mundo perdure. Esses degraus tam- obrigação dos seres humanos de se mani- NRC-Handelsblad de 8-10-2015bém nada têm a ver com a falsa razão da festarem como reflexos do estado natural - Ruusbroec in gesprek met het Oostenintelectualidade. Essa escada representa divino, como microcosmos. Filhos e Filhas Boeddhisme en Christendom (Ruusbroeca subida mística do ser que pertence à de Deus. Segundo Paulo, a natureza inteira dialoga com o Oriente – Budismo e cris-Razão – uma subida comparável às núpcias aspira intensamente a essa manifestação. tianismo),alquímicas espirituais. Um dos primeiros a Definitivamente, para aqueles que estão P. Mommaers e J. van Bragt, ed. Averbode/descrevê-la foi J. van Ruusbroec, religioso totalmente atolados na realidade virtual – Kok Kampen, 1995reno-flamengo de Brabant. No século 13, da qual eles são co-autores – percorrer esse - The Nature of the Economy (A naturezaele viu os perigos da mística natural que caminho, realizar essa completa transfor- da Economia), I. Leemans, Amsterdã, 2015se comprazia ao Sol do Espírito sem se mação, na força crística não somente é umaenvolver com a ação. Ele descreveu isso em solução atraente como, do ponto de vistasua obra Die Gheestelike Bruloght (As Núpcias da Sabedoria que é Amor, é uma necessida-Espirituais), cujo tema principal se resume de absoluta.na injunção que contém a necessária mís-tica mágica: ”Vede! Lá vem o Esposo: ideao seu encontro!” 60 A armadilha da atual situação econômica

crônicaO ponto cegoA partir de um reflexo instintivo, minha percepção clas- da qualidade excepcional de conciliar os contrários, desifica entre o bem e mal, a favor e contra, forçando-me construir pontes.constantemente a tomar partido. Será que sou obri- Então, reconheço a força do princípio hermético “Assimgado a suportar esse tirano que me faz aceitar e depois como é em cima, é embaixo”. Sim: descubro isso emrejeitar aquilo que devo viver? É exatamente isso que mim mesmo. Embaixo, sou dominado pela contrariedadeeu faço! E isso sempre cria um ponto cego, uma zona exercida por minhas opiniões. Mas, assim que me abro,que escapa à minha visão. É que, no ponto exato situado elas se dissolvem como se fossem penetradas pela forçaentre as visões opostas, existem – além daquilo que sou unificadora, que nunca dorme nem cochila. Em todas as– minhas razões pessoais, que encobrem minha obser- contradições, ela absorve o remédio que me convém. Bas-vação. Então, a zona central fica no escuro e me vejo ta eu ficar atento e colocar “um pouco de água em meuem um campo de batalha de opiniões e escolhas, onde (suposto) vinho” – em quantidade suficiente, no entanto!preciso aceitar fazer uma revisão, passo a passo. No fim, – para chegar a tempo ao caminho do meio.acabo me perguntando qual o verdadeiro resultado A vida perfeita é inspirar e expirar, receber e doar. Quan-daquilo que considero sucesso ou fracasso. Sem a Terra, o Céu é insípido,Afrente da medalha, que conheço muito bem, é a sem o Céu, a Terra é inabitável que mais me convém. Mas quando viro do outro lado, as duas faces mudam de título e de (suposta) do ligo minhas percepções ao pensamento hermético,qualidade! Desse modo, sempre acontece que bem e mal, toda ilusão se dissipa e me coloco frente a frente comigoa favor e contra, trocam de lugar. O amigo vira inimigo; mesmo. Assim, me torno o cadinho do Céu e da Terra. Oa proibição, permissão. Minhas convicções vão gostando ponto cego que eu era se dissolve gradativamente. Então,cada vez mais dos muros que eu mesmo construo e con- uma centelha da eternidade se revela! O que inicialmentetra os quais, sem refletir, sempre me choco. Isso dura até era pedra de tropeço se transforma em degrau: passa a sera hora em que renuncio a meu ponto de vista para adotar um chão firme onde a vida se manifesta e sobre o qualoutro. Assim, questiono o justiceiro impulsivo e ilumino posso fazer escolhas livremente.o outro lado da medalha, deliberadamente dissimulado Sem a Terra, o Céu é insípido. Sem o Céu, a Terra é inabi-desde o início. tável. Olhe à sua volta: observe quantas pessoas se esque-Essa face oculta sempre me faz compreender: “Considere ceram disso!Quando reúno as duas esferas e abandono aso assunto por outro lado”. Nem sempre é fácil, mas vale contradições, vejo em minha frente um novo Céu-Terra.a pena! É nesse ponto exato, quando eu temia perder Então, assumo minhas responsabilidades: sou um co-meu prestígio, que meu campo de visão se amplia. Não -construtor do Todo!dizem que é preciso “fazer da necessidade uma virtude”?Ou que “Nada é tão ruim que não sirva para alguma Ilustração: Peça de ouro na esfinge de Filippe II da Macedônia, com Apolocoisa”? Essas expressões nos mostram de imediato quenecessidade e virtude são conceitos relativos, dotados no verso (359-356 a.C.)61

62 Círculo e ponto

símboloCírculo e pontoSol – Círculo – Espírito. O primeiro símbolo é um círculo simples (ser eterno infinito) – um símbolo antigo e universal de unidade, totalidade e infinito. O segundo símbolo arcaico é um círculo com um ponto no interior . É a primeira diferenciação: o Logos Solar, assexuado e infinito, conforme nos ensina ADoutrina Secreta de H.P. Blavatsky. O ponto é o começo – um ponto de transformação, oturning point, o ponto de conversão.Portanto, existem o ponto de partida e a expansão. O conjunto de ponto e círculotambém é o símbolo do sistema solar e do Sol, do microcosmo e do ser humano. Oponto é o espírito, a semente espiritual, onde e através do qual qualquer desenvol-vimento é possível. O círculo é a casca, que é o cosmos ou a matriz espiritual, umespaço sagrado.A tradição gnóstica associa o círculo fechado com a “serpente do mundo”, o ouro-boros, uma serpente que morde a própria cauda, formando um círculo. Nesse sen-tido, o ponto de partida universal está representado no símbolo da Escola Espiritualda Rosacruz Áurea. O novo símbolo apresenta nove elementos, dispostos em umaordem precisa. Essa sequência age em tudo que fazemos como Escola:• Comece pela simplicidade e singularidade do ponto, o ponto de transformação, o Espírito, e faça uma conexão consciente com o centro, com a rosa, com o coração de tudo o que foi revelado, que também está no centro de tudo o que você faz, mesmo nas coisas menores e aparentemente mais insignificantes;• Conecte as três forças de sua alma – o triângulo de fogo: seu coração, sua cabeça e suas mãos – com a fonte, que é a razão, o verdadeiro significado que está em tudo, e deixe o Espírito em você assumir a liderança de sua alma;• Sustente sua atividade principal (que é a construção de seu próprio ser, com base no quadrado) e aplique as quatro forças de sua personalidade a serviço do Espírito e da Alma: vontade, pensamento, desejo e ação – como os quatro cavalos da carruagem de Apolo;• Coloque-se em seguida na universalidade do círculo, que abrange tudo e todos, e que se estende a todos. Manifeste sua vida envolvendo até as menores coisas, na forma de uma ligação realmente vivente entre Espírito e vida, através das forças vivas de sua alma renascida!O ponto – o ponto de transformação – o EspíritoO triângulo da Alma-Espírito renascidaO quadrado da personalidade transfiguradaO círculo do novo campo de vida,tudo está aqui, manifestado nesta vida!63

imagens do mundo Angel´s Landing (Aterrisagem de anjos) 7 horas da manhã no topo do mundo (Utah, EUA). Direitos Reservados © Dong Nan Xi BeiO Espírito é o mais sutil de tudo o que pode ser percebido.O Espírito vai além de qualquer outra coisa e é maior:ele se subordina somente à divindade suprema, que é eterna,santa e sublime. 64 imagens do mundo

A revista Pentagrama é publicada quatro vezes por Diagramação Publicação digital Lectorium Rosicrucianumano em alemão, inglês, espanhol, francês, húngaro, Studio Ivar Hamelink Acesso gratuito Sede no Brasilholandês, português, búlgaro, finlandês, grego, Rua Sebastião Carneiro, 215, São Paulo - SPitaliano, polonês, russo, eslovaco, sueco e tcheco. Secretaria Responsável pela Edição Brasileira Tel. & fax: (11) 3208-8682 Kees Bode, Anneke Stokman - Griever Adriana Ponte www.rosacruzaurea.org.brEdição [email protected] Pers Redação Coordenação, tradução e revisão Pentagram Adriana Ponte, Rossana Cilento, Amana da Matta, Sede em PortugalRedação Final Maartensdijkseweg 1 Carlos Gomes, José de Jesus, Marcia Moraes, Praça Anónio Sardinha, 3A (Penha de França)Peter Huijs NL-3723 MC Bilthoven, Países Baixos Mariana Limoeiro, Marlene Tuacek, Mercês Rocha, 1170-022 Lisboa e-mail: [email protected] Rafael Albert, Ellika Trindade, Fernando Leite, Lino [email protected]ção Meyer, Luis Alfredo Pinheiro, Marcílio Mendonça e [email protected] Bode, Wendelijn van den Brul, Arwen Gerrits, Edição brasileira Urs SchmidHugo van Hooreweeghe, Peter Huijs, Frans Pentagrama Publicações © Stichting Rozekruis Pers . Proibida qualquerSpakman, www.pentagrama.org.br Diagramação, capa e interior reprodução sem autorização prévia por escritoAnneke Stokman-Griever, Lex van den Brul Nina Rimat, Missemota Arq‘Design ISSN 1677-2253

COLABORAÇÕES• O Sal da Terra• A atividade da Fraternidade Universal• Quem sou eu? O que é que me formou?• Saiba o que você tem de fazer• Pensamentos de Hermes• A armadilha da atual situação sócio-econômicaSEÇÕES• Crítica literária: Paul Levy, Dispelling Wetiko• Reportagem: Semana de Trabalho dos Jovens Rosa-Cruzes 2015• Rubrica: O ponto cego• Simbolismo: Círculo e pontoENSAIO• Platão e sua teoria da Ideia


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