EDUCAR PARA O PENSAR dOdOosPosPDoDoeePPbebneenressrnesasanesafoaraisoforraior 66ºº18ª Edição Alberto Thomal ano Mestre em Engenharia da Produção pela UFSC - SC Pós-graduado em Filosofia Clínica pela Faculdade Bagozzi - PR Formado em Filosofia e Teologia pela PUC - PR Conteúdos Digitais Florianópolis, 2019.
COLEÇÃO FILOSOFIA O INÍCIO DE UMA MUDANÇA Copyright © 1998, by Editora Sophos Ltda. Editora Sophos Rua Cristóvão Nunes Pires, 161 / Centro 88010-120 / Florianópolis / SC Fone: (48) 3222.8826 e 3025.2909 www.editorasophos.com.br E-mail: [email protected] Filiada ao Sindicato Nacional dos Editores de Livros – SNEL Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB - 14/071 W872m Wonsovicz, Silvio O Desafio do Pensar sobre o Pensar / Alberto Thomal - 18. ed. - Florianópolis: Sophos, 2019. 96 p.: il. - (Coleção Filosofia, O Início de uma Mudança: 6º ano) ISBN Coleção: 978-85-8037-049-2 ISBN Livro: 978-85-8037-055-3 1.Filosofia – Estudo e Ensino. 2. Ensino Fundamental I. 2.Ensino, Aprendizagem – Metodologia. 4. Pensamento filosófico e criativo. 5. Programa Educar para o Pensar I. Título. CDU: 1:37 FICHA TÉCNICA Editor Silvio Wonsovicz Revisão Contextuar Ilustração Rose Gaiewski FK Estúdio Capa FK Estúdio Projeto Gráfico FK Estúdio Diagramação COLEÇÃO FILOSOFIA O INÍCIO DE UMA MUDANÇA 1º ano O Meu Quintal 18ª edição 2º ano Minha História no Quintal 18ª edição 3º ano A Pequena Grande Marília 18ª edição 4º ano Uma Ideia Puxa Outra... 18ª edição 5º ano Os 422 Soldadinhos de Chumbo do Senhor General 18ª edição 6º ano O Desafio do Pensar sobre o Pensar 18ª edição 7º ano Pensar Lógica+mente 18ª edição 8º ano Aprendendo a Viver Juntos 18ª edição 9º ano Somos Filhos da Pólis 18ª edição CENTRO DE EDUCAÇÃO 2019 PARA O PENSAR Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto nº 1.825, de 20 de dezembro de 1907. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônicos ou mecânico, incluindo fotocópias e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora.
PLATAFORMA DO PENSAR O desafio de pensar sobre o pensar Seu livro digital em: www.editorasophos.com.br/pensar Ao participar do Programa Educar para o Pensar e estudar com a Coleção O Início de uma Mudança, você recebe uma CHAVE para acessar o livro digital do 6º ano, com mais conteú- dos e mídias digitais. No seu espaço virtual, o convite é para assistir a vídeos, pesquisar, participar de videoau- las - o capítulo 1 será com o autor do livro e o capítulo 5 será com o assessor para sua escola. Na Plataforma, interações com os colegas e o professor por meio de atividades, avaliações, pesquisas, avisos, fóruns... Tudo pensado para a sua aprendizagem, para o seu entendimento e desafios às ações como protagonistas. O seu livro possui conteúdos digitais. Por isso, sempre que aparecer um QR Code, coloque seu celular ou tablet para ler ou acesse no endereço da plataforma. Faça bom uso dos conteúdos digitais no seu livro e na PLATAFORMA DO PENSAR. Dúvidas? Procure-nos! Assessoria Pedagógica Ed. Sophos e Centro de Ed. para o Pensar [email protected]
Você tem em mãos um livro que faz parte da Coleção cocmoPmPeaaeçrrçoaao ddee O Início de uma Mudança. Este livro pertence à série coconnvveerrssaa “Investigação sobre…”, e investigação significa: Do latim, investigare, refere-se à ação de seguir os ves- tígios de algo ou alguém. Referindo-se à realização de ati- vidades intelectuais e experimentais de modo sistemático (= pesquisa), com o objetivo de ampliar os conhecimentos sobre determinado assunto. Uma investigação é a procura de conhecimentos ou de soluções para certos problemas. Uma investigação científica é todo um processo sistemá- tico, organizado e objetivo. As atividades realizadas em um processo investigativo incluem: a análise de fenômenos, a comparação dos resultados obtidos e a interpretação dos mesmos em função dos conhecimentos atuais. Há dois tipos de investigação: a investigação básica (pura ou fundamental), que costuma ocorrer em laborató- rios com a ampliação do conhecimento científico graças à criação ou modificação de teorias. A investigação aplicada, que consiste na utilização dos conhecimentos na prática. Também existem as investigações conhecidas como mul- tidisciplinar, transdisciplinar e interdisciplinar, nas quais várias áreas do conhecimento são utilizadas. O Início de uma Mudança A Coleção, que vai da Educação Infantil ao Ensino Médio, foi organizada e pensada para alunos e professores terem pistas investigativas, caminhos norteadores, entendimentos básicos e funda- mentais dos assuntos propostos, apresenta: investigação sobre o Conhecimento; investigação sobre a Lógica e a Linguagem; investigação sobre a Ética; investigação sobre a Política e a Estética. A intenção é apresentar caminhos para você e sua turma, em Comunidade de Aprendizagem Investigativa - COM.A.I., elaborem, a partir das ideias colocadas, um entendimento do mundo, do outro e de si mesmo, sempre com argumentos justificados (interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar). Bem como conhecerem pensadores que, com suas reflexões, ajudaram a desen- volver e ampliar a capacidade reflexiva diante dos temas que acompanham a humanidade.
Os caminhos do investigar e construir entendimentos estão abertos. Oferecemos um início com esta coleção, a partir do seu interesse e da sua turma por pesquisas, pelas discussões e pelos aprofundamentos, a conti- nuarem a investigação sobre o bem e bom pensar. Neste livro do 6º ano – “O desafio de pensar sobre o pensar” −, queremos entender como pensamos e de que maneira podemos externalizar nossos conhecimentos. Esse é um dos grandes temas que vem acompanhando a humanidade desde os primeiros pensadores no mundo ocidental. Existem muitas teorias e controvérsias filosóficas sobre esse assunto. Grandes fi- lósofos e escolas filosóficas, em todos os períodos históricos, detiveram-se em busca de explicações e entendimentos sobre o conhecimento humano. Atualmente, as pesquisas sobre o conhecimento humano estão muito avançadas e há diferentes entendimentos sobre o que é conhecer. Há en- tendimentos com relação ao conhecimento empírico, racionalismo etc., assuntos que você estudará neste ano, e muitos outros que podem ajudá-lo a entender a si mesmo, os outros e o mundo em que você vive. Ao iniciar essa caminhada, um grande desejo: Que você, junto com a sua turma de sala de aula, formando uma Comu- nidade de Aprendizagem Inves- tigativa - COM.A.I., realize bons trabalhos, com um grande senso de investigação, pesquisa, espíri- to de busca, discussão e aplicação na vida. Ótimos estudos! O autor Você pode enviar notícias e O desafio de pensar sobre o pensar se comunicar com o autor.
Nosso livro foi pensado em 7 capítulos, sendo que o último eennPtPteaannrradadeerr capítulo inicia aqui e termina na Plataforma do Pensar em oosseeuu lliivvrroo www.editorasophos.com.br/pensar. Veja, a seguir, a organi- zação dos capítulos do seu livro. Pensar, discutir e produzir na COM.A.I. Em todos os 7 capítulos, temos um texto motivacional que tem ligação com o conteúdo e serve como primeiro momento de reflexão nas aulas do Educar para o Pensar. Ampliação dos entendimentos É a parte teórica do capítulo. O assunto principal sendo apre- sentado e colocado de maneira bem didática. BÔNUS especial para você, aluno e professor(a): o capítulo 1 tem videoaula com o autor do livro. O capítulo 5, videoaula com o assessor da Editora para sua escola e seu professor. Para saber e refletir na COM.A.I. Reflexões e ações interdisciplinares na COM.A.I. Com objetivo de ampliar os entendimen- Aqui é o momento de registar as ativida- tos e despertar curiosidades, é um convite des individuais e coletivas para a fixação e para que você saiba mais e reflita sobre o ampliação dos entendimentos em COM.A.I. tema do capítulo. O Início de uma Mudança Pensar como PROTAGONISTAS Pensar “fora da caixa” e deixar marcas Sempre que aparecer esta chamada é para você e sua turma saberem que é uma ativi- Aqui, o encontro com pensadores que ti- dade em grupo, na qual cada um é chamado veram a coragem de pensar muito além do a ser autor de ideias e ações. seu tempo e deixaram marcas. Para ler e saber mais O convite para você, pelo celu- lar ou tablet, acessar, via QR Code, Um resumo de livro de quem pensou “fora os conteúdos disponibilizados (ví- da caixa” e deixou marcas. Um convite para deos, textos, conteúdos multimídia) você ler ou saber mais sobre as obras escritas. na Plataforma do Pensar. Comunidade de Aprendizagem Investigativa – COM.A.I. É nossa intenção transformar a sala de aula, em todas as disci- plinas, em uma comunidade que aprende e investiga. Saiba mais na Plataforma do Pensar.
SSuummáárriioo 01 Pensar, discutir e produzir na COM.A.I. 10 Intenção e confiança 12 O QUE É TEORIA DO 13 CONHECIMENTO? Ampliação dos entendimentos 14 Pensamento reflexivo e investigativo 16 02 Teoria do Conhecimento? 17 Dar boas razões 17 O QUE EXISTE ALÉM 19 DO QUE VEMOS? Para saber e refletir na COM.A.I. 22 OBSERVAÇÃO – Pensamento abrangente do mundo 23 PERCEPÇÃO – 25 SENSIBILIDADE Reflexões e ações interdisciplinares na COM.A.I. 26 Pensar como PROTAGONISTAS 27 03 27 O poder de partilhar ideias 29 ONDE ESTÁ O NOSSO Pensar “fora da caixa” e deixar marcas 30 CONHECIMENTO? Sócrates – “O diálogo como caminho para o conhecimento” 31 Pensar, discutir e produzir na COM.A.I. - O toque da mão do mestre Ampliação dos entendimentos Símbolos e signos A senha de entrada para o mundo Comunicação A linguagem humana Para saber e refletir na COM.A.I. A linguagem como instrumento de comunicação Reflexões e ações interdisciplinares na COM.A.I. Pensar como PROTAGONISTAS Exercitando a observação, percepção e sensibilidade Pensar “fora da caixa” e deixar marcas Os primeiros pensadores – “A sensibilidade dos primeiros filósofos na busca da origem das coisas” Pensar, discutir e produzir na COM.A.I. 35 O desafio de pensar sobre o pensar Ousar para mudar 37 38 Ampliação dos entendimentos 40 Como surge o conhecimento? 41 Como o cérebro evoluiu? 42 Para saber e refletir na COM.A.I. 44 O homem que deixou de ser ele mesmo Reflexões e ações interdisciplinares na COM.A.I. Pensar como PROTAGONISTAS Estabilidade e mudança Pensar “fora da caixa” e deixar marcas Piaget – “A capacidade cognitiva humana nasce e se desenvolve, não vem pronta”
04 Pensar, discutir e produzir na COM.A.I. – As sete maravilhas do mundo 46 Ampliação dos entendimentos O MAPA DA REALIDADE: O CONHECIMENTO E AS Fundamentação histórica do conhecimento 47 SUAS FORMAS O que é conhecer? 48 05 Formas de conhecimento 49 O HOMEM POSTO À PROVA Para saber e refletir na COM.A.I. – Outras formas de conhecimento 53 AS CORRENTES Reflexões e ações interdisciplinares na COM.A.I. 54 FILOSÓFICAS SOBRE O CONHECIMENTO Pensar como PROTAGONISTAS 06 As consequências das opções que fazemos 54 A NATUREZA Pensar “fora da caixa” e deixar marcas HUMANA Platão – “O mito da caverna” 55 07 Pensar, discutir e produzir na COM.A.I. – O crédulo e o incrédulo 59 OS RISCOS DE SE CONHECER? Ampliação dos entendimentos DESAFIOS – ATITUDES – REALIZAÇÕES Correntes filosóficas sobre o conhecimento 60 Conteúdo Dogmatismo − Empirismo − Racionalismo − Materialismo − disponível na PLATAFORMA Ceticismo − Subjetivismo − Relativismo − Probabilismo 61 DO PENSAR! Para saber e refletir na COM.A.I. É ou não possível conhecer a realidade? 63 Reflexões e ações interdisciplinares na COM.A.I. 65 Pensar como PROTAGONISTAS – Existe ou não garantia de conhecer? 65 Pensar “fora da caixa” e deixar marcas Descartes – “O discurso do método” 67 Pensar, discutir e produzir na COM.A.I. – O pequeno conto chinês 69 Ampliação dos entendimentos 71 72 O natural e a natureza 73 Natureza humana 73 A segunda natureza 74 Tradição 75 Para saber e refletir na COM.A.I. – Amala e Kamala 76 Reflexões e ações interdisciplinares na COM.A.I. 77 Pensar como PROTAGONISTAS – Sou o reflexo do que sou Pensar “fora da caixa” e deixar marcas Rousseau – “A natureza e a educação” Pensar, discutir e produzir na COM.A.I. – Coragem 79 Ampliação dos entendimentos 80 81 Os desafios de se conhecer 82 Atitude O Início de uma Mudança Saber ousar Para saber e refletir na COM.A.I. A menoridade segundo Kant Reflexões e ações interdisciplinares na COM.A.I. Pensar como PROTAGONISTAS O amor sem ilusão Pensar “fora da caixa” e deixar marcas Kant – “Ensinar a pensar” AVALIAÇÕES - FORMATIVA E REFLEXIVA - 6º ANO 84
O que é Teoria do Conhecimento? 01
O Início de uma Mudança10 ddPiPisseeccnnuuststaiairrrr,e,e pprordoudzuirznira CCOOMM.A.A.I..I. Comunidade de Aprendizagem Investigativa INTENÇÃO E CONFIANÇA Um homem sentado na calçada tinha uma placa que dizia assim: “Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem-humorado.” Alguns passantes olhavam-no intrigados, outros, o achavam doido e outros, até davam-lhe dinheiro. Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que, a cada dia, a quantia era maior. Em uma bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava havia algum tempo, aproximou-se e lhe disse: – Você é muito criativo! Não gostaria de colaborar em uma campanha da empresa? – Vamos lá. Só tenho a ganhar! – respondeu o mendigo. Após um caprichado banho e com roupas novas, o mendigo foi levado para a empresa. Daí para frente, sua vida foi uma sequência de sucessos e, em certo tempo, ele tornou-se um dos sócios majoritários da firma. Em uma entrevista coletiva à imprensa, esclareceu como conseguira sair da mendicância para tão alta posição. Contou ele: – Bem, houve época em que eu costumava me sentar nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia:
11 “Sou um nada neste mundo. Ninguém me ajuda! Não tenho onde morar! Sou um homem fracassado e maltratado pela vida! Não consigo um míse- ro emprego que me renda alguns trocados! Mal consigo sobreviver!” – As coisas iam de mal a pior quando, certa noite, achei um livro e nele atentei para um trecho que dizia: “Tudo que você fala a seu respeito vai se reforçando. Por pior que esteja sua vida, diga que tudo vai bem. Por mais que você não goste de sua aparência, afirme-se bonito. Por mais pobre que seja você, diga a si mesmo e aos outros que você é próspero.” Aquilo me tocou profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa para: “Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem-humorado.” A partir desse dia, tudo começou a mudar, a vida me trouxe a pessoa certa para tudo de que eu O desafio de pensar sobre o pensar precisava, até que cheguei onde estou hoje. Tive apenas de entender o “poder das palavras”. E o homem continuou: – O universo sempre apoiará tudo o que dissermos, escrevermos ou pensarmos ao nosso res- peito, e isso acabará se manifestando em nossa vida como realidade. Enquanto afirmarmos que tudo vai mal, que nossa aparência é horrível, que nossos bens materiais são ínfimos, a tendência é de que as coisas fiquem piores ainda, pois o universo as reforçará. Ele materializa todas as nossas crenças em nossa vida. Uma repórter, ironicamente, questionou: – O senhor está querendo dizer que algumas palavras escritas em uma simples placa modifi- caram a sua vida? Respondeu o homem, cheio de bom humor: – Claro que não, minha ingênua amiga! Primeiro, eu tive de acreditar nelas! Autor desconhecido A história lida expõe algumas ideias interessantes que podemos relacionar com o conheci- mento: a Reflexão sempre foi um desafio para o homem e para a sociedade. Ela provoca uma inquietação, porque evita simplesmente aceitar o que é comum e corriqueiro. Iniciar um estudo sobre a Teoria do Conhecimento é uma aventura, é um desafio que começa com questionamentos e investigações. Algumas ideias ou o conceito de Reflexão já deve ser do conhecimento de todos, por isso, escreva alguns entendimentos que surgiram na sua COM.A.I. e coloque a sua conclusão a partir do texto Intenção e confiança.
12 PENSAMENTO REFLEXIVO AAmmdpdpololisiasaççããoo E INVESTIGATIVO eenntteennddiimmeennttooss Iniciando o tema sobre o Conhecimento, vamos Aula com o autor do livro conhecer alguns aspectos de um conhecimento mi- lenar que leva para a reflexão. Em seguida, veremos a definição e o papel da Teoria do Conhecimento no dia a dia. Filosofia Palavra que significa amigo do saber, isto é, aque- le que procura o conhecimento. Este termo foi adotado Assista utilizando o leitor de código por Pitágoras, um dos primeiros filósofos gregos, que ten- QR em seu celular ou conectan- tava descobrir as causas primeiras da origem das coisas e do do-se na Plataforma do Pensar. mundo. As pessoas o chamavam de sábio. Ele recriminava di- zendo: “não me chamem de sábio, mas de filósofo: amigo do saber”. O filósofo é aquele eterno inquieto por conhecer e descobrir mais sobre o mundo e sobre si. Está sempre atento ao mundo e aos Philos: Amigos + acontecimentos para descobrir suas causas. Por isso, a Filosofia é Sophos: Sabedoria – desafiante, questionadora, intrigante e empolgante. FILÓSOFO O estudo filosófico sempre foi um desafio para os homens e para as sociedades. Não é sem razão que muitos governantes mantêm certo receio de que ele esteja presente em nosso meio, devido aos seus questionamentos. A Filosofia pode provocar uma inquietação, tanto nas pessoas como na sociedade, porque ela evita simplesmente aceitar o que é comum e corriqueiro. Procura desven- dar o que está encoberto e que pode ser melhor esclarecido. Assim como a coruja vê no escuro, o filósofo tenta, na obscuridade de uma situação, trazer a luz ou desvendar o que não aparecia. O Método da Filosofia Investigar e provocar questionamentos são características da Filosofia. Mas, para isso, é impor- tante ver o seu método de trabalho e estar atento a ele. Atenção (silêncio), observação, reflexão e comparação são ingredientes importantíssimos para o bem filosofar. Hábitos para bem filosofar: O Início de uma Mudança Pare. Observe. Anote. Compare. Reflita. Tire suas conclusões.
13 Desvendar e descobrir o que existe de extraordinário na natureza é uma das preocupações mais antigas do homem. A fascinação pelo desconhecido e o senso de aventura levam o homem em busca da descoberta do mundo e de si mesmo. As tentativas para explicar tantas interro- gações não diminuíram nossas dúvidas. Continuamos insatisfeitos. TEORIA DO CONHECIMENTO? Paralelamente aos questionamentos sobre a origem das coisas, o homem também levantou uma série de perguntas sobre a origem de seu conhecimento: O que eu conheço é o que realmente é? Como eu conheço as coisas? Por que há duas ideias diferentes sobre a mesma coisa, sendo esta uma só? Como se produz o conhecimento? O conhecimento é igual para todos? A Teoria do Conhecimento foi uma tentativa de respon- Teoria: estudo, tratado der a essas e a muitas outras perguntas. Conhecimento: é desco- berta, consciência, ciência, Iniciar um estudo sobre Teoria do Conhecimento é co- ideia, noção, informação, meçar uma aventura para dentro de si mesmo. Mais do que informe, saber, instrução, uma aventura, é um desafio. Poucos são os interessados em experiência. aceitá-lo, porém ele é muito importante para nossa vida. Vivemos em uma sociedade de resultados. Estamos sem- pre interessados em saber para que serve estudar isto ou aquilo. O maior benefício de estudar a Teoria do Conhecimento é o de provocar em nós o hábito de questionar sobre o mundo, sobre o conhecimento e sobre o que está por trás das coisas mais corriqueiras. Portanto, convida a sair do senso comum para chegar a pensamentos e conclusões mais elaborados e consistentes. Os grandes benefícios deste estudo para alunos do 6º ano: O exercício de orde- Possibilita visão nação do pensamento, mais ampla de mun- isto é, determina a pa- do e de suas relações. lavra e o conceito certo para cada argumento. O desafio de pensar sobre o pensar Amplia nossos con- ceitos e nos ensina a dar boas razões.
O Início de uma Mudança14 A Teoria do Conhecimento possibilita, portanto, tomar consciência sobre o que pensamos, como pensamos e sob quais perspectivas vemos as coisas. Melhora nossa capacidade de expressar nossos argumentos com clareza, pois abre caminho para a estruturação do pensamento, além de permitir maiores argumentos para juízos de valores e mostrar a força da nossa ação no ambiente em que vivemos, a comunidade e a cidade, para, assim, sermos bons cidadãos. DAR BOAS RAZÕES Alguns elementos em nosso dia a dia são importantes para o desenvolvimento de um pen- samento reflexivo e crítico. Todo ato de pensar é um ato de observação e relação. Um bom pen- samento se desenvolve pelas observações feitas e o abundante número de relações entre essas observações. Justamente por esse motivo, o conhecimento exige boa dose de silêncio, observação e reflexão. Este assunto já foi visto e trabalhado nos livros do 3º e 4º anos da Coleção “O Início de uma Mudança”. O que vamos expor aqui será apenas uma chamada para recordar e tentar ir um pouco mais além. Bases para o desenvolvimento do Pensamento Reflexivo e Crítico O que é uma boa razão? É um argumento que tem uma coerência, sobretudo, consistência. Para ter uma boa razão, são necessários fatos concretos nos quais baseá-la e espírito curioso e in- vestigativo que amplie a visão de todas as possibilidades de situações. O homem simples dá suas explicações às coisas a seu modo, como ele as vê. Em nossos estudos, propomos que as coisas e os fatos têm sempre algo que os transcende. Transcender significa ir além do que eles apresentam. Por isso, observar uma pedra, uma formiga, uma flor, um ponto ou risco na folha branca não é uma atitude inútil. Uma vez, um jovem discípulo per- guntou ao sábio: – Mestre, por que olhas para o infi- nito? Pareces tão perdido! Ao que o sábio respondeu: – Procuro ver o que os outros não veem. Algumas vezes, as pessoas falam que os filósofos, os pensadores, são loucos, que andam no mundo da lua. Isso não é verdade. Eles é que vivem voltados para a realidade, só que vão além daquilo que ela apresenta. Suas conclusões e descobertas podem ser muito fortes e abalar o mundo.
15 Observar e relacionar as coisas e os fatos são exercícios mentais para fundamentar um bom argumento. Por isso, um bom pensador procura munir-se de boas razões e não se deixar levar pela simples impressão ou emoção. O DIÁLOGO E O GRUPO Os primeiros filósofos, sobretudo Sócrates, foram dos mais significativos na arte de dialogar. Seria interessante ler Pesquise mais sobre alguns diálogos de Platão, que ressalta a figura importantís- “Os diálogos de sima do mestre Sócrates sobre o diálogo. Platão” utilizando o No dia a dia, é comum termos que dar nossa opinião so- leitor de código QR bre os mais diferentes assuntos, e nem todas as pessoas pen- ou na Plataforma sam do mesmo modo. Assim, cada um de nós tem opiniões do Pensar. diferentes sobre as coisas e, nas conversas e discussões de que participamos, é comum cada um defender sua ideia, seu ponto de vista, isto é, o modo como vê determinado assunto. A opinião e a discussão fazem parte do processo do nosso conhecimento. Discutir adequada- mente é ouvir e ser ouvido, conhecer e respeitar as opiniões do outro, pois aprendemos com elas. O diálogo nos ajuda a tirar nossas emoções e os ímpetos mais imediatistas para realizar algo ou até de praticar uma ação precipitada, em que muitas vezes dizemos: “Fiz sem pensar”. Quando há uma solicitação para que as pessoas discutam as ideias, a intenção é exercitar a arte do diálogo, isto é, abrir-se para os pontos de vista dos outros; perceber outras visões das coisas; aprender a ouvir o outro e as suas ideias e respeitá-las; dividir o sabor da conquista da verda- de; socializar ideias que, muitas vezes, ficam restritas a nós; descobrir a riqueza que cada pessoa traz. Outro ponto importante a ressaltar é que, em grupo, aprendemos a nos organizar, estabele- cer regras e dividir as tarefas – assim formamos a Comunidade de Aprendizagem Investigativa – COM.A.I. Pois é, amigos, este é um convite para nos embrenharmos nesta aventura do conhecimento, para isso, é necessário organização, método, disposição e amor à sabedoria. Somente os amigos correm riscos, somente os amantes se apaixonam. Somente os amigos e amantes (portanto Filos – Sofos) é que enfrentam as dificuldades e o desânimo, buscando cami- nhos. O desafio de pensar sobre o pensar
16 PPaarraa ssaabbeerr e refletir Pensamento abrangente do mundo nnaaCCOOMM..AA..II.. No texto abaixo de Karl Jaspers* “A filosofia no mundo”, são destacados alguns pontos importantes neste capítulo. Percebe-se como uma boa razão pode mudar o significado do que pensamos. O uso da linguagem, do significado das palavras, a compreensão da linguagem, da interpretação, são alguns dos aspectos estudados neste livro. Este texto, além de responder a muitos questionamentos a respeito do pensar filosófico, sua utilidade e importância, ressalta a praticidade da atividade reflexiva nas várias ins- tâncias da nossa vida. A FILOSOFIA NO MUNDO Comunidade de Aprendizagem Investigativa Por força da tradição, a Filosofia é polidamente respeitada, mas, no fundo, é objeto de desprezo. A opinião corrente é a de que a Filosofia nada tem a dizer e carece de qualquer utilidade prática. É nomeada em público mais como retórica ou para evocar um palavreado rebuscado, mas existirá realmente? Sua existência prova-se mais por aquilo que ela não é, do que por aquilo que ela é. A Filosofia não é como a matemática, a física, a química, que têm suas utilidades práticas mais facilmente verifi- cáveis. Contudo, a Filosofia é prática sim, na vida, na estruturação do pensamento, no descobrir a ori- gem das suas dúvidas, das suas ações, do seu modo de pensar a vida. Na história do homem, en- contramos várias situações a respeito da importância da Filosofia. Há os que são favoráveis a ela e destacam seu papel fundamental na vida do homem e há, também, os que se opõem às práticas da Filosofia. A oposição à Filosofia traduz-se em fórmulas como “a Filosofia é demasiado comple- xa; não a compreendo; está além de meu alcance; não tenho vocação para ela e, portanto, não me diz respeito”. Ora, isso equivale a dizer: “é inútil o interesse pelas questões fundamentais da vida; cabe abster-se de pensar no plano geral para mergulhar, por meio do trabalho, e empenhar-se em qualquer atividade prática ou intelectual; quanto ao resto, bastará ter “opiniões” e contentar-se com elas. Não é necessário pensar ou fazer elucubrações sobre a vida”. Elucubrações: meditação “A Filosofia é perigosa. Se eu a compreendesse, teria de al- profunda, estudo ou tra- terar minha vida, adquiriria outro estado de espírito, veria balho prolongado. Também as coisas a uma claridade insólita, teria de rever meus juízos. pode ser significado de de- Melhor é não pensar filosoficamente.” vaneios, não é o caso neste O problema crucial é o seguinte: a Filosofia aspira à verda- artigo de Jaspers. de total, que o mundo não quer. A Filosofia é, portanto, per- turbadora da paz. Quem se dedica à filosofia põe-se à procura O Início de uma Mudança do homem, escuta o que ele diz, observa o que ele faz e se in- teressa por sua palavra e ação, desejoso de partilhar, com seus concidadãos, o destino comum da humanidade. Eis por que a Filosofia não se transforma em credo. Está em contínua luta consigo mesma. JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. São Paulo: Cultrix, 1965. p. 138 * Karl Theodor Jaspers foi filósofo e psiquiatra alemão. Preocupou-se em estabelecer as relações entre existência e razão. Para ele, a verdade é antes uma espécie de ambiente que envolve todo o conhecimento. Saiba mais na Plataforma do Pensar.
17 1. Após ler a definição de Filosofia e Teoria do Conhecimento, escreva com suas palavras o seu próprio entendimento sobre: ReflexõesReflexões e Filosofia: interdisci-ações inter- Teoria do Conhecimento: dnpiCaslicCOnipOaMlMirne.aA.sArne..IIs..a 2. Você acredita que há necessidade de dar boas razões para suas ideias? Procure exemplificar com algo que você gosta muito de fazer mas as pessoas o criticam. Comunidade de 3. Procure dar um exemplo de como se pode argumentar com boas Aprendizagem razões com relação aos itens a seguir. Investigativa a. Na proibição ou não do porte de armas: b. Dizer uma verdade a um amigo, mesmo que venha a perdê-lo: c. A corrupção é uma boa razão para se obter vantagem? PcPecoeonmnmssaoaorr O PODER DE PARTILHAR IDEIAS O desafio de pensar sobre o pensar PPRNRNOIOSITSTTTAAAAGGSSOO- Vimos, neste capítulo, alguns aspectos impor- tantes para nossa aventura desafiante de pensar por nós mesmos. Tivemos a noção do que significa a Filosofia, como também dos seus primeiros te- mas: a natureza e a descoberta de si mesmo. Porém, é necessário conhecer alguns instrumentos impor- tantes para o exercício do bem pensar: o diálogo, as boas razões. Esta atividade tem o objetivo de anali- sar e praticar o diálogo e as boas razões.
18 Desenvolvimento: a partir da citação abaixo, quatro voluntários vão à frente do grupo e tro- cam ideias sobre as afirmações de Karls Jaspers. “Por força da tradição, a Filosofia é polidamente respeitada, mas, no fundo, é objeto de desprezo. A opinião corrente é a de que a Filoso- fia nada tem a dizer e carece de qualquer utilidade prática.” “A Filosofia é perigosa. Se eu a compreendesse, teria de alterar mi- nha vida, adquiriria outro estado de espírito, veria as coisas a uma claridade insólita, teria de rever meus juízos. Melhor é não pensar filosoficamente.” Anotar: os demais participantes da sala observam e anotam o desenvolvimento da conversa, respondendo e justificando as perguntas abaixo. Com relação aos quatro participantes: Todos respeitam as ideias colocadas? Houve diálogo entre eles? Justifique. As afirmações dos quatro participantes foram baseadas em boas razões? Surgiram novas ideias no diálogo? Cite algumas. Comentários a. Foi fácil ou difícil fazer esta dinâmica? Por quê? b. Com esta atividade, pode-se dizer se é fácil ou difícil realizar o diálogo? c. Este exercício pode favorecer o diálogo entre as pessoas e o enriquecimento de ideias? Ao final das colocações e discussões, os alunos, em Pesquise mais ações grupos de cinco, escrevem um relatório detalhado das para serem desen- ideias apresentadas, citando as que tiveram mais im- volvidas utilizando portância, bem como sobre a participação do grupo o leitor de código QR e de toda COM.A.I. Este relatório será entregue ao(à) ou na Plataforma professor(a) que, junto com o responsável pela disci- plina de Redação (ou Produção textual), selecionará os do Pensar. melhores relatórios para divulgá-los no seu colégio. O Início de uma Mudança DESAFIO AOS PROTAGONISTAS Em grupos, os alunos do 6º ano pro- curarão em revistas ou jornais algumas frases ou propagandas que apresentam boas razões ou induzam a ideias enga- nosas ou tenham duplo sentido. A ação é organizar um mural na sua escola com uma frase que chame a atenção das pessoas e tenha as gravuras como ilustração.
19 PPeennssaarr SÓCRATES (459-399 a.C.) “O diálogo como caminho para o conhecimento” ““ffoorraaddaa Nasceu em Atenas. É o marco divisório da filosofia gre- ga. Não consta na história que tenha deixado algo escrito. ccaaiixxaa””ee É por relatos de seus discípulos, sobretudo de Platão, que mmddeeaaiirxrxccaaaarrss conhecemos seus dizeres e pensamentos. Sócrates trabalhou mais a questão do diálogo para de- senvolver questões morais. Sua filosofia era desenvolvi- da mediante diálogos críticos com seus interlocutores. Esse diálogo tem dois momen- tos básicos: a Ironia e a Maiêutica. A ironia era o método usado pelos sofistas, mas cuja originalidade foi atribuída a Sócrates. Consiste em fazer interrogações. Sócrates interrogava seus interlocutores sobre aquilo que eles pen- savam saber. Com as indagações, Sócrates objetivava demolir o or- gulho e a arrogância de seus interlocutores para que declarassem: “Sei que nada sei”, chegando ao momento depurativo de seu método, a maiêutica. Maiêutica quer dizer parto, a arte de trazer à luz. Este era o segundo momento de seus diálogos, o parto das ideias. Libertados do orgulho e da presunção de que tudo sabiam, os discípulos podiam, en- tão, iniciar o caminho da reconstrução de suas próprias ideias. O objetivo de Sócrates com este método era o de ajudar seus discípu- los a conceberem suas próprias ideias. SÓCRATES PlPleeaarrrreeaa O desafio de pensar sobre o pensar ssaabeerr Vida: seu pai era escultor, sua mãe, parteira. Deles, mmaaiiss recebeu a herança que iria ser a estrutura da sua filo- sofia: esculpir uma representação autêntica do homem, fazendo-o dar a sua luz às suas próprias ideias. Iniciou sua vida filosófica com os sofistas, tanto que seu esti- lo de vida pareceu muito semelhante ao deles, embora não vendesse seus ensinamentos. Sua preocupação era desenvolver o saber filosófico entre os jovens, sempre em praça pública, dando demonstrações de que era pre- ciso unir a vida concreta ao pensamento, unir o saber ao fazer, a consciência intelectual à consciência.
20 Prática ou moral: o autoconhecimento era um dos pontos fundamentais da filosofia socráti- ca – “Conhece a ti mesmo”. Por estes motivos, e sobretudo pela inveja dos seus contemporâneos, acusaram-no de aliciador de jovens e de ensinar a adoração a outros deuses. Filosofia: sua filosofia era desenvolvida mediante diálogos críticos com seus interlocutores. Este diálogo tem dois momentos básicos: Ironia e Maiêutica. Ironia (método usado pelos sofistas, mas é uma apropriação que coube a Sócra- tes a sua originalidade). Consiste em fazer interrogações. Sócrates interrogava seus interlocutores sobre aquilo que pensavam saber. Com as interrogações, Sócrates objetivava chegar a demolir o orgulho e a arrogância dos seus inter- locutores a declararem: “Sei que nada sei”. Era o momento depurativo do seu método. Maiêutica (parturição, arte de trazer à luz). Este era o segundo momento de seus diálogos, o parto. Libertos do orgulho e da presunção de que tudo sa- biam, os discípulos podiam, então, iniciar o caminho da reconstrução de suas próprias ideias. O objetivo de Sócrates aqui era de ajudar seus discípulos a conceberem suas próprias ideias. Foi o criador da dialética. Para ele, este era o único caminho para chegar à verdade. O “Gnosce te ipsum” (conhece a ti mesmo) significa o penetrar na alma para descobrir o mundo idêntico e permanente. Estabelece que, no diálogo, há um caminho para levar ao conhecimento, que é o método (ca- minho) Indutivo. O método indutivo consiste em partir da observação particular para chegar a uma conclusão universal. Com este método, Sócrates descobria o conceito que reivindicara. A descoberta de Sócrates de que sabia muito pouco. Neste trecho, vemos o caminho que o levou a descobrir quão é importante posicionar-se em uma atitude de humildade e de reconhecimento de que, mesmo que os outros o considerassem sábio, percebeu que pouco sabia. “Concluindo, fui até os artesãos. Com efeito, eu estava perfeitamente consciente de não saber nada disto, para dizê-lo brevemente, enquanto estava convencido de que encontraria estes com convencimentos de muitas e belas coisas. Quanto a isso, não me enganei. De fato, eles tinham conhecimento que eu não tinha e, em relação a mim, nisto eram mais sábios. Todavia, cidadãos atenienses, pareceu-me que os poetas e vários artífices tinham o mesmo defeito. Com efeito, pelo motivo de saberem exercitar bem sua arte, cada um deles estava convencido de ser sapientíssimo também em outras coisas grandessíssimas, e justamente este defeito punha em segundo plano a sabedoria que de fato possuíam. Por isso, considerando o responso do oráculo (Querefontes perguntou, de fato, se existia alguém mais sábio do que eu. A Pítia respondeu que, mais sábio do que eu, não havia nin- Pensaram “fora da guém.), coloquei a mim mesmo a pergunta se teria aceito permanecer no caixa” e deixaram estado em que me encontrava, ou seja, de ser nem sábio na sabedoria marcas. E você? deles, nem ignorante na ignorância deles, ou de ser ambas as coisas que O Início de uma Mudança eles tinham. A resposta que dei a mim e ao oráculo foi que, para mim, era melhor permanecer no estado em que me encontrava”. Platão, Apo- logia de Sócrates. Leia o texto “Conhece a ti mesmo” e amplie o seu conceito sobre o tema, utilizando o leitor de código QR ou na Plataforma do Pensar.
O que existe além do que vemos? Observação Percepção Sensibilidade 02
O Início de uma Mudança22 ddPiPisseeccnnuuststaiairrrr,e,e pprordoudzuirznira CCOOMM.A.A.I..I. Comunidade de Aprendizagem Investigativa O TOQUE DA MÃO DO MESTRE – Quanto me oferecem, meus amigos? – falou. Quem dará o primeiro lance? Um dólar, um dólar e meio, e, então, dois! Apenas dois? Três dólares? Dou-lhe uma, três dólares; dou-lhe duas; dou-lhe três... Mas não. Do salão, lá no fundo, um homem grisalho veio à frente e tomou do arco; então, tirou a poeira do velho violino e, afinando as cordas frouxas, tocou uma doce e pura melodia como canta um anjo que gorjeia. Cessa a música, e o leiloeiro, em voz suave e calma, diz: – O que me oferecem pelo velho violino? E segura-o no alto, juntamente com o arco. – Mil dólares, e quem oferecerá dois? Dois mil, alguém dá três? Três mil, dou-lhe uma, três mil, dou-lhe duas, dou-lhe três: vendido! As pessoas aplaudem, mas algumas gritam: “Não compreendemos nada! O que alterou seu va- lor?” A resposta vem imediata: “O toque da mão de um mestre”. Muitas vezes, um homem com a vida fora de tom é maltratado e marcado pelo destino. É ven- dido barato para a multidão descuidada. Assim como o velho violino, um prato de sopa, um cálice de vinho, um jogo. E ele segue viajan- do, vai uma e vão duas, vai a terceira e foi. Mas vem o Mestre e a tola multidão nunca compreende o valor de uma alma e a mudança operada pelo toque da mão do Mestre. WELCH, Myra B., Canja de galinha para a alma. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995. p. 280 A partir do texto “O toque da mão do mestre”, podemos perceber que o valor está nas coisas ou no modo como vemos as coisas? Vamos pensar e discutir em COM.A.I. e, ao final, junto com o professor, escreveremos a síntese do que pensamos e descobrimos com essa história.
23 AAmmpplliiaaççããoo SÍMBOLOS E SIGNOS ddooss Há fatos e objetos que, mesmo quando os vemos, eenntteennddiimmeennttooss ouvimos ou tocamos, não nos revelam o que real- mente são. Essa ausência de comprovação pelos nossos sentidos levou pensadores, filósofos e cien- tistas a explorarem o mundo fora do físico, ou seja, do que simplesmente vemos, tocamos ou sentimos. A nossa comunicação se faz pela linguagem falada, escrita ou simbólica. Os fatos, objetos e acontecimen- tos, tanto naturais e históricos, são instrumentos que nos possibilitam fazer uma leitura. Não existe apenas a lei- tura escrita, mas a leitura de todos os elementos da natureza. Por exemplo, ler o tempo (previsão); ler os fatos (causa de um aciden- te: a velocidade ou a embriaguez etc.). Há muitos tipos de leituras. É o que vere- mos ao longo deste capítulo. Os filósofos e cientistas são exímios exemplos de leito- res da natureza. De fato, é o que fazem, na pesquisa que se propõem para um desenvolvimento das suas indagações. A primeira constatação dessas experiências é de que nossa mente trabalha com símbolos. Os sím- bolos fazem parte de nossa estrutura de conhecimen- to. Aliás, toda linguagem é simbólica. O homem é, por excelência, um animal simbólico. Toda nossa estrutura de conhecimento, de descoberta e de relacionamento se dá por meio dos signos. Nossa tentativa de obter novos conhecimentos é sustentada pela prática men- tal de relacionar os signos. O desafio de pensar sobre o pensar Quando se fala de signo, aqui, não se refere aos signos do zo- díaco, mas aos sinais. O signo é qualquer objeto ou acontecimen- to usado como menção a outro objeto ou acontecimento. Basta ver uma flor ou sentir a brisa leve do mar para tornar presente um acontecimento marcante e signi- ficativo na vida de uma pessoa. Em uma flor, pode estar um mundo de representações. Pelo signo, presenciamos o passado para previsão e planejamento do futuro. O signo é uma poderosa arma e um instrumento forte de manipulação dos meios de comunicação social e das indústrias, que descobriram seus poderes sobre nós e utilizam os signos para fazer-nos identificar marcas, rótulos, vinhetas, cartazes.
24 O filósofo Kant, percebendo o poder dos signos, desencadeou uma ferrenha crítica, dizendo que eles nos empobrecem intelectualmente: “Quem só sabe se expressar de modo simbólico tem poucos conceitos intelectuais”. Os signos tomam-nos a palavra. Basta observar a conversa entre dois jovens: – Isto aí é maneiro, meu! – É dez, cara! – Só! Todavia, essa chamada de atenção de Kant não desmerece o poder e a importância dos sig- nos em nossa vida e para o nosso conhecimento. Precisamos estar atentos para perceber como o mundo se manifesta e como nós nos manifestamos no mundo. “É ELEMENTAR, MEU CARO WATSON!” O Início de uma Mudança Nós, seres humanos, vivemos tentando descobrir os A expressão “É elementar, signos dos fatos, dos acontecimentos ou dos objetos que meu caro Watson” foi muito estão ao nosso redor ou que nos apresentam, ou seja, se usada na coleção sobre o de- aquilo que vemos está no lugar do objeto que ele repre- tetive Sherlock Holmes, para senta ou se ele representa o objeto. Uma pegada na areia concluir a observação que ele da praia significa que ela é a marca de algo que percebe- obteve dos fatos vistos e apre- mos ou conhecemos. sentados. O trabalho dos detetives é um constante desafio de descoberta sobre determinado fato. É um trabalho pa- Tales, da cidade de Mile- ciencioso, cheio de melindres, de constantes relações e, to, um dos primeiros filósofos sobretudo, de intuição. ocidentais que deixou regis- tradas suas pesquisas. A arché Os pensadores também foram e são exímios pesquisa- (princípio de tudo), para ele, é a dores de signos. Eles não aceitam a explicação de senso água. Saiba mais na Platafor- comum, aquela que é perpetuada simplesmente porque assim se ensinava ou nisso se acreditava (= mitologia). ma do Pensar. Procuravam outros elementos que explicassem me- lhor a que o objeto de atenção referia-se. Foi observando a presença da água – onde havia água havia vida – que descobriram a importância da água como o princípio de tudo (Tales de Mileto). Sem a água, não há vida. No deserto, há pouca vida e mesmo essa pouca vida só se sustenta com um mínimo de água, como os cactos, alguns animais e as vegetações nos oásis. Não foi difícil para Tales de Mileto, depois dessas ob- servações e da combinação desses sinais com a realidade, chegar à conclusão de que o princípio de tudo era a água. Outros filósofos tiveram outras leituras de sinais da natureza e diferentes interpretações:
25 Anaxímenes − o Ar, Heráclito − o Fogo, Pitágoras − o Número, Empédocles − os quatro elementos (Água, Terra, Ar e Fogo). Como podemos notar, os signos dependem de quem procura fazer melhores relações e interpretações, pois um signo não tem um único significado. Nossa imagi- nação e criatividade fazem novas interpretações. Uma das tarefas dos pesquisadores e dos cientistas é sempre interpretar os signos e daí procu- rar soluções ou, melhor, tirar conclusões. Eis por que sempre estamos metidos em novas desco- bertas de coisas que já conhecemos e que pensamos ser a última palavra. Em breve, vem outro alguém e veremos que pode haver outra forma de interpretar um signo. Eis um bom motivo para aguçar os nossos sentidos e criar nossas próprias interpretações das coisas. “A atitude reflexiva é a arte de fazer ligações dos signos para melhor compreender nossa própria vida.” A SENHA DE ENTRADA Conheça mais so- O desafio de pensar sobre o pensar PARA O MUNDO bre Francis Bacon utilizando o leitor Desde o início da história, as pessoas criaram formas para de código QR ou estabelecerem comunicação entre si, seja por grunhidos, por na Plataforma do gestos ou por desenhos. De uma forma ou de outra, o homem sempre procurou comunicar-se, e a palavra certamente foi pri- Pensar. vilegiada. A comunicação é a chave que abre a porta a novas possibilidades para o homem. É claro que uma das formas mais características de o ser humano comunicar-se, e que o distingue dos demais animais, é a fala. A palavra é uma forma de ter domínio sobre algo. A escritora Clarice Lispector diz: “A palavra é o meu domínio sobre o mun- do”, mostrando a consciência que ela tem do poder da palavra. Não foi à toa que Francis Bacon disse que “saber é poder”. Sa- ber é ter ciência do que está diante de si. É apossar-se do obje- to, do fato, é conhecer. Plagiando o filósofo, podemos dizer que “comunicar é poder”. Os meios de comunicação têm essa cons- ciência. Podemos comprovar quanta influência eles exercem na sociedade e em nossas vidas. Ter a palavra é a maneira mais prática para controlar o outro. Nos contos antigos e nas histórias em quadrinhos, vemos sem- pre alguns de nossos heróis com uma palavra mágica, que é a senha para conquistar seus desejos, seu poder ou seus sonhos.
26 A palavra representa, portanto, a coisa, ou seja, um objeto ou algo que está presente, diante de si. Não é preciso mais ter o objeto referido no momento, pois a palavra evoca a ideia que se tem dele. Mesmo a ideia que a pessoa possa ter em mente de algo que ainda não exista, não existe sem relação com outras já existentes e que constrói e faz existir. Um passo muito importante do homem foi conseguir usar a palavra, pois deixou de viver so- mente no presente, no aqui e agora, e passou a colocar diante de si o passado e o futuro. Registrou, fixou os fatos e pode tê-los novamente a qualquer hora. Por meio desse registro, o homem pode interpretar, refletir, decidir. O homem passou a dominar as coisas. Pela palavra, o universo ganha sentido. COMUNICAÇÃO Há várias formas de comunicação, a linguagem é uma delas. A linguagem é um sistema de sig- nos. “O signo é uma coisa que está em lugar de outra sob algum aspecto”, segundo Charles Pierce. Uma placa significa que algo pode estar próximo ou presente. Por exemplo: andando por uma estrada, encontro uma placa com Conheça mais um símbolo, por este signo, vou saber que existe um posto de ga- sobre Charles solina, um restaurante, um hospital, ou uma curva perigosa. Sanders Pierce utilizando o leitor O homem, ao comunicar-se com os demais, convenciona a re- de código QR ou lação entre sons e objetos. As relações chamadas onomatopeicas, como au-au = cachorro, miau = gato ou bem-te-vi = uma espécie na Plataforma de pássaro, são uma comprovação dessa habilidade tão primitiva do Pensar. e comum ao ser humano. Há muitas formas de comunicação que podem ser representadas por ícones, desenhos e gestos. Quando a relação é regida por convenção, temos o símbolo. Por exemplo, a bandeira brasileira é algo convencionado e aceito por todos. O símbolo é muito comum no nosso dia a dia. Uma cruz pode significar adição, igreja, fé, sacrifício, encruzilhada, hospital etc. O mesmo pode-se dizer dos gestos, dos ícones. O Início de uma Mudança
27 A LINGUAGEM HUMANA É ela que, por intermédio da comunicação, fornece a senha de entrada no mundo. O homem consegue, de forma efetiva, entrar no processo evolutivo pois, com a linguagem, pode comparar, registrar e manifestar sentimentos, sonhos e realizações. Por isso, a linguagem, além de ser sim- bólica, é social; caso contrário, não haveria condições de comunicação. A linguagem é um signo intersubjetivo que possibilita a comunicação, pois tem uma estrutura. Tal estrutura é feita ao longo do tempo e obedece a padrões semânticos, regionais, culturais, isto é, é formada por palavras, as quais farão parte de um discurso com função determinada. A palavra sozinha pode significar pouco, mas, unida a muitas outras, em uma ordem estruturada, pode ter outros entendimentos. As palavras são formadas pela união de fonemas ou sons, que po- dem ser representados graficamente pelo alfabeto. Com as 26 letras do alfabeto da língua portuguesa, pode-se criar uma infinidade de palavras. A letra “m”, por exemplo, pode levar a palavras e ideias, mas é simplesmente um “m”. Se a ela juntarmos as letras “a” e “r”, teremos “mar”. Quando escrevemos “mar”, um mundo de lembranças nos vem à mente. Quando escrevemos “mar”, essa palavra não é o mar, ela está no lugar dele. Uma única expressão de algo isolado e não iden- tificado pelo grupo não diz nada ou nada representa. Por exemplo, o que significa “urupê” e o que realmente esta palavra quer dizer? Nossa mente trabalha para que haja combinação de signos e, então, começa a surgir o enten- dimento na comunicação. É a criação da língua. PPeaarrraeafsslaaebbtieerrr A LINGUAGEM COMO O desafio de pensar sobre o pensar nnaaCCOOMM..AA..II.. INSTRUMENTO DE COMUNICAÇÃO Comunidade de O texto que segue é uma extensão do que foi apresen- Aprendizagem tado neste capítulo. É importante notar que este capítulo Investigativa é muito significativo para os anos seguintes desta coleção “O início de uma mudança”. A construção linguística é fundamental para nosso estudo da lógica, da ética e da política. Isso porque cada uma delas baseia-se em uma consistente estrutura linguística. O texto ainda apresenta esclarecimentos de alguns conceitos discorridos ao longo deste capítulo e elucida, com mais exemplos, as questões da linguagem.
28 A linguagem, como ins- trumento criado por con- venção humana, é flexível. Só o homem é capaz de criar, modificar e designar novas formas de linguagem, cons- cientemente, porque só o homem sabe que sabe. Por muito tempo, de- fendeu-se a ideia de que só podíamos pensar por meio da linguagem falada, isto é, uma relação entre sujei- to e objeto. Kant, filósofo alemão do século XVIII, na sua obra Crítica da Razão Pura, diz: “Pensar é conhecer mediante concei- tos”. A linguagem passa a ter um significado subjetivo, conceitual. Um pássaro e uma abelha têm linguagem estrutural fixa, ou seja, as abelhas só têm um modo de se comunicarem entre si. São instintivas. O cachorro tem sua linguagem, ele sabe das coisas, mas “não sabe que sabe”. Nós, seres humanos, interpretamos e vamos além, ou seja, temos a complexa forma de lingua- gem chamada língua. A língua, aqui referida, não é a língua física (órgão do corpo humano loca- lizado no interior da boca, que participa da articulação dos fonemas, da fala), mas instrumento de comunicação. Os poetas, os escritores, dão voz às pedras, às árvores, às flores etc., e, muitas vezes, nós mesmos transferimos a elas sentimentos e emoções para usar outras formas de expressar nossos senti- mentos. Este recurso linguístico é largamente usado em metáforas e fábulas nos escritos lite- rários. Os elementos da natureza comunicam algo por meio de seu estado físico. Uma planta sem água, murcha, e podemos dizer: “Olha, ela está pedindo água”. É a maneira física de ela se comuni- car. Uma pedra não “pensa” assim, um animal não “pensa” dessa maneira, nem um rio. A língua é humana. A língua é um conceito formulado pela filosofia da linguagem e pela lin- guística para se referir às linguagens desenvolvidas naturalmente pelo ser humano como instru- mento de comunicação. Só nós, homens, comunicamo-nos por meio de conceitos, isto é, damos significados às palavras. Podemos ver a comunicação entre os animais e entre as coisas, mas, en- tre os humanos, existe a linguagem. Ouve-se falar em linguagem animal e linguagem humana, em linguagem não verbal e lingua- gem verbal. O Início de uma Mudança O termo é comumente empregado para designar a apti- Assista o material dão humana que consiste em associar os sons produzidos sobre “Interpretação pelo aparelho fonador humano a um conteúdo significativo na comunicação” e utilizar o resultado dessa associação para a interação ver- utilizando o leitor bal. Trata-se, pois, da linguagem verbal. de código QR ou Se a linguagem é expressão do pensamento, quando as na Plataforma do pessoas não se expressam bem é porque não sabem elabo- Pensar. rar o pensamento.
29 Conseguimos nos comunicar de muitos modos. Isso nos distingue dos animais com sua linguagem formal e rígida. Não são só os ani- mais que têm linguagem rígida e inflexível: o computador também a possui. Ele só aceita aquilo que foi programado. Existe a linguagem artística, pela qual o artista se expressa, usando cores, ima- gens, encenações (gestos, mímicas etc.). Essa linguagem desenvolve a criatividade, novos estilos, novas técnicas e os transforma. Platão dizia que a linguagem é um pharmakon. Essa palavra possui três sig- nificados: remédio, veneno e cosmético. Ela pode ser um remédio, quando consolamos uma pessoa; pode ser um veneno, quando, por meio da palavra, difamamos alguém ou semeamos discórdia; e pode ainda ser um cosmético, quando utilizamos a palavra para elogiar alguém ou emoldurar uma realidade, como na poesia, fazendo com que ela seja até mais bela do que real- mente é. CONTRIBUIÇÃO DE ALGUNS PENSADORES SOBRE A LINGUAGEM: “A linguagem é a etiqueta das coisas ilusórias.” Parmênides “As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo.” Wittgenstein “A linguagem nasce de uma profunda necessidade de comunicação.” Rousseau “A música exprime a mais alta filosofia em uma linguagem que a razão não compreende.” Schopenhauer iaRRnçeeõtfeflelsrexdixnõieõtsescereis-- 1. Percebemos, ao longo do texto, que há vários tipos de O desafio de pensar sobre o pensar pdnCilasiOcnCipaOMlrMine.Asa.Arn.eI.I.sa. leituras. Cite os tipos de leituras que podemos fazer de um fato ou da observação da natureza. Comunidade de Aprendizagem 2. É possível ver algo que não é? Investigativa
30 3. O uso de símbolos é muito presente nos jogos, nas Olimpíadas. É importante, com a ajuda da disciplina de Educação Física, descobrir o significado destes símbolos e sua razão de ser. Anote-os abaixo. EXERCITANDO A OBSERVAÇÃO: PcPecoeonmnmssaoaorr PERCEPÇÃO E SENSIBILIDADE PPRNRNOIOSITSTTTAAAAGGSSOO- O Início de uma Mudança Este momento é para reforçar nossa capacidade de in- tuição e, ao mesmo tempo, exercitar a sensibilidade para o que não vemos ou percebemos, mas que comunica algo. Por isso, em COM.A.I., vamos investigar. Objetivos: desenvolver a sensibilidade, intuição e capa- cidade de observação. Desenrolar: o professor solicita para a comunidade ob- servar um quadro de um artista e que cada participante faça a leitura do quadro e anote no caderno. Após a ano- tação em grupo, cada um expõe suas anotações. O secre- tário do grupo anota, e o grupo entra em consenso sobre o que deve apresentar aos demais membros da COM.A.I. A partir do quadro colocado, com a contribuição da dis- ciplina de Educação Artística, cada aluno vai interpretar a obra e sua mensagem, tendo sempre o cuidado de justi- ficar suas afirmações. Logo a seguir, temos algumas dicas para podermos nortear nossas observações.
31 Anotar: a. O quadro apresenta algum significado com relação a cores? b. Traz referência simbólica no contexto da pintura? Quais? c. Diante do quadro, é possível ler a época que está retratada? d. Que mensagem o autor do quadro parece querer transmitir? e. Que tipo de leitura fizemos nesta atividade? f. Já havia feito exercícios deste tipo para ver o que existe além do que vemos? g. Este exercício pode ajudar em outras atividades de nossa vida? Como? DESAFIO AOS PROTAGONISTAS A partir das observações e percepções, a COM.A.I. irá eleger a melhor e mais criativa leitura da obra de arte. Esta será exposta na escola sem muitas explicações, solicitando que os interessados façam a “leitura da obra”. Ao final, poderemos fazer as relações entre a obra, a leitura da COM.A.I. e a aberta para a escola. “PPfoeernnassadarra OS PRIMEIROS PENSADORES caixa” e “A sensibilidade dos primeiros filósofos na busca da origem das coisas” Seguem alguns trechos dos primeiros pensadores ou de seus discípulos que, por intermédio da sensibilidade, da observação e da reflexão, chegaram a elaborar teorias que deixar ainda hoje são atuais e têm grande riqueza de pesquisa. mmaarrccaass TALES DE MILETO (624-562 a.C.) Matemático, físico, político, sábio e astrônomo. Prova- velmente, não escreveu nada. Do seu pensamento só res- tam interpretações formuladas por outros filósofos, que lhe atribuíram uma ideia básica: a de que tudo se origina da água. A Phisis teria como único princípio esse elemento natural que se en- contra em tudo. “Se a água resfria, torna-se terra; ao se aquecer, trans- forma-se em vapor e ar, que retornam como chuva quando novamente O desafio de pensar sobre o pensar esfriados...”. Tales preocupa-se com o cosmos, com o mundo exterior. A Terra, segundo Tales, é um disco que flutua sobre a água. “Tales, o iniciador deste tipo de filosofia, diz que tal princípio é a água (por isso, afirma também que a Terra navega sobre a água), deduzindo sua convicção indubitavelmente da constatação de que o alimento de todas as coisas é úmido, e que até o calor gera-se do úmido e vive no úmido. Ora, aquilo de que todas as coisas são geradas dá-se, justamente, o princípio de tudo. Ele deduz, portanto, sua convicção deste fato de que as sementes de todas as coisas têm natureza das coisas úmidas. Tales foi o primeiro a professar essa doutrina a respeito da causa primeira”. (Aristóteles, Metafísica, livro I, 3).
32 ANAXIMANDRO (610-545 a.C) De Mileto. Político, matemático e astrônomo. Provavelmente, discípulo de Tales. Na obra – So- bre a Natureza (Peri-phiseos), Anaximandro procura descobrir a “Arché” − Princípio das coisas. É o Ápeiron = vivente, eterno, divino que tudo contém e no qual tem origem sem que seja identificá- vel com algum dos corpos que são objeto da experiência sensível. Ápeiron quer dizer indetermi- nado. O Ápeiron está em contínuo movimento e isto constitui o mundo dos contrários. “Com toda razão, todos consideram o infinito como princípio, pois não é possível nem que ele exista em vão, nem que a ele convenha outra potência que a do princípio. Todo, com efeito, ou é um princípio ou deriva de um princípio: mas, do infinito, não há princípio, porque, nesse caso, haveria um limite. E também é não gerado e incorruptível, do mesmo modo que um princípio, pois o que é gerado tem necessariamente também um fim, e toda corrupção tem seu termo. Por isso, dizíamos que, do infinito, não há princí- pio, mas que ele parece ser o princípio de toda outra coisa e compreender em si todas as coisas e ser guia para todas as coisas, como dizem todos os que não admitem outras causas, como a mente ou o amor, além do infinito. E tal princípio parece ser o divino; e é, com efeito, imortal e imperecível, como dizem Anaximandro e a maioria dos filósofos da natureza”. (Aristóteles, Física, livro III, 4). ANAXÍMENES (VI a.C.) O meio termo entre Tales e Anaximandro, e representando o princípio de tudo pelo ar. Afirma que o princípio de tudo é o ar. O ar é um elemento que comanda o mundo. É um elemento não tão abstrato como o ápeiron nem tão palpável demais como a água. Tudo provém do ar, por meio de seus movimentos: o ar é respiração e é vida; o fogo é o ar rarefeito; a água, a terra, a pedra são formas cada vez mais condensadas do ar. “... Anaxímenes punha como substrato uma única substância primordial e ilimitada, mas não indeterminado como a de Anaximandro, e sim determinada: dizia, com efeito, que era o ar. Este se diferencia nas várias substâncias conforme o grau de rarefação e de con- densação: e assim, dilatando-se, dá origem ao fogo, enquanto condensando-se dá origem ao vento e depois à nuvem: em maior grau de densidade, forma a água, depois, a terra, e daí as pedras; as outras coisas derivam depois destas. (Teofrasto, Opinião dos físicos, fr. 2). “Como a nossa alma, sendo ar, nos mantém vivos, da mesma forma o sopro e o ar sus- tentam o cosmo inteiro”. (Anaxímenes, fr. 2). O Início de uma Mudança
33 HERÁCLITO (540-476 a.C.) Herda dos miletos o conceito de dinamismo universal, mas o aprofunda de modo conspícuo. O fluir dos Contrários. Nasceu em Éfeso, obscuro no estilo e de caráter austero. Princípio de tudo é o fogo. O fogo não é feito por ninguém; ele se acende e se apaga por si. A vida é o devir cósmico. Tudo se move, mas conforme uma ordem. “Não se pode descer duas vezes no mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado, mas, por causa da impetuosidade e da velocidade da mudança se espalha e se reúne, vem e vai”. (Heráclito, fr. 91). EMPÉDOCLES (século V a.C) Nascido na Sicília. Admite elementos imutáveis, mas em número de quatro: “água, ar, terra e fogo”. Tudo resulta da combinação dessas quatro raízes, todas elas imutáveis e indestrutíveis, em proporções maiores ou menores. “Ouve primeiro os quatro nomes que são as raízes de tudo: o resplandecente Zeus e Hera altiva, e Aidoneu e Néstide, que inunda de lágrimas a taça humana”. (Empédocles, Sobre a natureza, fr. 6). “O fogo, a água, a terra e o ar, à parte, proporcional a toda massa deles. Estes fatores todos se equi- valem, e tem igual idade, mas cada um possui a própria posição”. (Empédocles, Sobre a natureza, fr. 17). PITÁGORAS (582-497 a.C.) Nascido na Jônia, tinha um caráter exótico, secreto. Fundou uma escola filosófica com caráter de seita secreta. Aristóteles comenta algumas afirmações de Pitágoras e os pitagóricos. “O número é a chave do mundo. Tudo é número. Se o mundo é número, cabe então descobrir as características de cada número e a relações que existem entre eles. O ilimi- tado e ápeiron representam o mundo terreno com as suas corrupções sem fim. Cabe ao limitado estabelecer um freio a esta instabilidade constante, assegurando a ordem e a harmonia. O limite é o divino. O bem e o mal são os desequilíbrios”. (Aristóteles, Metafísica, livro 1.5). Pensaram “fora da caixa” e deixaram marcas. E você? O desafio de pensar sobre o pensar
Onde está o nosso conhecimento? 03
35 ddPiPisseeccnnuuststaiairrrr,e,e pprordoudzuirznira CCOOMM.A.A.I..I. Comunidade de Aprendizagem Investigativa OUSAR PARA MUDAR Um sábio passeava por um bosque com seu discípulo. O tema da conversa, naquela tarde, eram O desafio de pensar sobre o pensar os encontros que temos em nossa vida. Ensinava o sábio que um encontro é sempre uma surpresa que nos mostra o novo e o encanto das coisas que não conhecemos, dos caminhos que podemos descobrir. Um encontro é sempre uma oportunidade para aprender, para crescer e para ensinar. Em um determinado momento, passavam em frente a uma porteira com aparência miserável, que contrastava com uma propriedade bem situada, em um parque detentor de rara beleza. – Olhe este lugar, – comentou o discípulo – é mesmo como o mestre diz: muita gente está no paraíso, sem se dar conta disso. Em um belo sítio como este, vive-se miseravelmente. Mas o sábio explicou: – Não podemos julgar à primeira vista, precisamos verificar as causas, pois só entendemos o mundo quando entendemos as causas que o fazem mover-se. Bateram à porta e foram recebidos pelos moradores do casebre, um casal e três filhos, com as roupas sujas e rotas. – Vocês vivem aqui no meio da floresta, não há comércio por aqui perto – disse o mestre ao pai da família. Como vocês conseguem viver? – Meu amigo, – respondeu o homem – nós temos uma vaquinha, que nos dá uns litros de leite todos os dias. Vendemos uma parte do leite e compramos o que é necessário na cidade vizinha. Com a outra parte, fazemos queijo e manteiga para comer. E, assim, vamos vivendo e Deus é ser- vido. O mestre agradeceu a hospitalidade e a informação, e os dois prosseguiram sua viagem. Um pouco mais adiante, passaram ao lado de um poço. Disse o mestre ao discípulo: – Vai procurar a vaca daquele senhor e joga-a no poço. – Como assim, se ele só tem aquela vaca para a sua sobrevivência?
36 Porém, o mestre não deu resposta, e o discípulo lá foi procurar a vaca e jogou-a no poço. O discí- pulo nunca mais esqueceu-se daquela cena. Passados muitos anos, quando já era um empresário de sucesso, o discípulo decidiu voltar ao mesmo lugar, confessar àquela família o que tinha feito, pedir-lhe perdão e ajudá-la financeiramente. No entanto, qual não foi seu espanto ao ver aquele lugar transformado em um belo sítio, com árvores floridas, carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. O homem ficou ainda mais desesperado, pensando que aquela humilde família tinha sido obrigada a vender a proprie- dade para sobreviver. Apressou o passo e foi recebido por um caseiro muito simpático. – Para onde foi a família que vivia aqui há uns quinze anos? – Continua aqui, são eles os donos da quinta – foi a resposta. Surpreendido, quis falar com o proprietário. Ele logo o reconheceu e perguntou-lhe como es- tava o mestre. Todavia, o discípulo estava ansioso por saber como ele tinha conseguido melhorar de vida e mudar tudo por ali. – Bem, – disse ele – nós tínhamos uma vaca com a qual nos sustentávamos. Acontece, porém, que ela caiu no poço e morreu. Então, para manter a família, tive de plantar uma horta com le- gumes. As plantas levavam tempo para crescer e fui obrigado a cortar madeira para vender. Ao fazê-lo, tive de replantar as árvores e precisei comprar sementes. Ao comprá-las, lembrei-me da roupa dos meus filhos e pensei que pudesse cultivar algodão. Passei um ano difícil, mas, quando a colheita chegou, eu já estava vendendo legumes, algodão e ervas aromáticas. Nunca tinha me dado conta do potencial que eu tinha aqui. Foi uma sorte danada aquela vaca ter morrido! Autor desconhecido A descoberta do potencial humano é fruto de ousadia. Ao não nos arriscarmos, não podemos nos conhecer e saber do que somos capazes de fazer e até onde ir. Conhecer e saber onde ir é o nosso grande desafio. Comente a frase abaixo e relacione-a ao texto “Ousar para mudar”. “Só podemos medir nossa força quando nos defrontamos com um obstáculo.” (Saint-Exupéry) O Início de uma Mudança
37 AAmmdpdpololisiasaççããoo COMO SURGE O CONHECIMENTO? eenntteennddiimmeennttooss Há pessoas que afirmam mais ou menos assim: “Eu não posso ter certeza de que conheço algo, pois, quando penso que sei tudo, vejo que ainda co- nheço muito pouco do que pensava saber, portanto, não tenho condições de conhecer nada”. Outras se perguntam: “Podemos conhecer as coisas, sim, pois, se não as conhecêssemos, como poderíamos falar ou conver- sar com as pessoas?” O homem foi dotado pela natureza de um mecanismo poderosíssimo que determinou sua dis- tinção dos demais seres do mundo: o conhecimento e a consciência de si. Muitos podem perguntar que relação existe entre estas duas atitudes humanas: conhecimento e consciência. Vamos, primeiramente, ver o conceito de cada uma dessas atitudes e, posteriormente, estabe- lecer a relação entre elas. Conhecimento: é uma atividade mental por meio da qual o ser humano apropria-se do mundo ao seu redor. O conhecimento é sempre produto da interação entre sujeito e objeto. “Nesse sentido, a ação pode se transformar em uma ação interiorizada que modifica o objeto e o próprio sujeito, proporcionando-lhe uma coordenação de suas ações e, em outros níveis, uma coordenação das próprias coordenações de ações.” (Piaget)* Consciência: é um saber concomitante que acompanha e se pro- Consciência Consciência O desafio de pensar sobre o pensar duz ao mesmo tempo que outro. Por exemplo, ao conhecer algo, Fenomenal Funcional percebo que conheço, que sou, que existo. O processo de tomada de consciência pode ser iniciado quando a resistência oferecida pelos Estímulo Resposta objetos não é mais superada por meio de simples regulações auto- (saída) (entrada) máticas, passando a depender de escolhas mais ou menos delibera- das, ou seja, de regulações ativas. *Jean William Fritz Piaget - Biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço, considerado um dos mais importantes pensadores do século XX. Defendeu uma abordagem interdisciplinar para a investigação epistemológica e fundou a Epistemologia Genética, teoria do conhecimento com base no estudo da gênese psicológica do pensamento humano.
38 Portanto, conhecimento não é consciência, embora um esteja em íntima relação com o outro. Pesquisas científicas têm demonstrado a evolução humana e o que definiu o O uso da homem como ser pensante. As últimas descobertas sobre linguagem, de símbolos, nosso cérebro fizeram com que percebêssemos uma série da escrita não vieram por de conclusões antes desconhecidas e derrubaram precon- acaso. Foram fruto de um ceitos adotados em nossa sociedade. Por exemplo, a ideia longo processo histórico de de que o cérebro é um órgão único e, afetando-se um pon- adaptação a seu ambiente, to do cérebro, afeta-se o todo. Isso levou muitos médicos a para sobreviver e se tratarem apenas dos aspectos curativos, nos casos de pa- organizar. cientes com lesão cerebral. Curada a lesão, estaria, assim, o paciente curado, um engano. Muitos destes pacientes, depois da dispensa médica, tiveram mudanças radicais de comportamento, e foram tratados como sabotadores de sentimentos, que queriam mais atenção para si. Segundo os médicos, essas pessoas gostaram de ser amparadas pelos paren- tes e quiseram continuar o mesmo tratamento como convalescentes. Há casos na literatura médica que mostram que uma área afetada não prejudica o funciona- mento de outras áreas do cérebro, e que a cura do ferimento ex- terno não é causa de cura do cérebro. Podemos conhecer vários Leia mais sobre “O casos desse tipo no livro “O erro de Descartes”, de Antônio Da- erro de Descartes”, másio. utilizando o leitor de código QR ou Todavia, embora possam haver efeitos colaterais (como mu- dança de comportamento, esquecimento ou apagão de memó- na Plataforma do ria sobre sua vida, amizade etc.), quando uma parte do cérebro é Pensar. afetada, isso nem sempre indica que todo o cérebro foi afetado. COMO O CÉREBRO EVOLUIU? O Início de uma Mudança Segundo explica o psicólogo Daniel Goleman, no texto a se- guir, a parte mais primitiva do cérebro, partilhada por todas as espécies que têm mais do que um sistema nervoso mí- nimo, é o tronco cerebral em volta do topo da medula es- pinhal. Esse cérebro-raiz regu- la funções vitais básicas, como a respiração e o metabolismo dos outros órgãos do corpo, e também controla reações e movimentos estereotipados.
39 O desafio de pensar sobre o pensar O CÉREBRO É A SEDE DO NOSSO PENSAMENTO Não se pode dizer que esse cérebro primitivo pense ou aprenda. Ao contrário, ele cons- titui um conjunto de reguladores programados, que mantém o funcionamento do corpo e reage de modo a assegurar a sobrevivência. Esse cérebro reinou supremo na era dos répteis. Imaginem o sibilar de uma serpente comunicando a ameaça de um ataque. Da mais primitiva raiz, o tronco cerebral, surgiram os centros emocionais. Milhões de anos depois, na evolução dessas áreas emocionais, desenvolveu-se o cérebro pensante ou neocórtex, o grande bulbo de tecidos ondulados que forma as camadas superiores. O fato de o cérebro pensante ter se desenvolvido a partir das emoções muito revela acerca da relação entre razão e sentimento. Existiu um cérebro emocional muito antes do surgimento do cé- rebro racional. Do lobo olfativo, começaram a evoluir os antigos centros de emoção, que acabaram tor- nando-se suficientemente grandes para envolver o topo do tronco cerebral. Uma camada de células recebia o que era cheirado e o classificava em categorias relevantes – comestível, tóxico –, dizendo ao corpo o que fazer: morder, cuspir, fugir, caçar. Com o advento dos primeiros mamíferos, vieram novas camadas. Uma delas é o sistema límbico, de limbus, palavra que, em latim, significa orla. Na medida em que evoluía, o sistema límbico aperfeiçoava duas poderosas ferramentas: aprendizagem e memória. Esses avanços revolucionários possibilitavam que os animais fossem muito mais espertos nas opções de sobrevivência e aprimorassem suas respostas para adaptarem-se a exigências cambiantes, em vez de terem reações invariáveis e automáticas. Se uma comida causava doença, podia ser evitada da próxima vez. Decisões como saber o que comer e o que rejeitar ainda eram, em grande parte, determinadas pelo olfato. Comparando-se um cérebro do passado com outro atual, verifica-se que os primitivos não conseguiam discriminar o bom do ruim, coisa que o cérebro atual faz, justamente por causa do desenvolvimento desse sistema. O neocórtex do homo sapiens acrescentou tudo o que é distintamente humano. O neocórtex é a sede do pensamento, contém os centros que reúnem e compreendem o que os sentidos percebem. Ele acrescenta a um sentimento o que pen- samos dele e permite que tenhamos senti- mentos sobre ideias, arte, símbolos, ima- gens. Adaptado de: GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995. p. 24-26
40 O texto que segue é um trecho do livro “O erro de Descartes”, de Antônio Damásio. Com ele, busca-se ilustrar o tema apresentado neste capítulo, reforçando que, muitas vezes, quan- PPaarraa ssaabbeerr do o cérebro é afetado, ele ainda continua com e refletir muitas atividades em pleno funcionamento. Só que, em algumas áreas afetadas, pode ser alte- rado o comportamento de uma pessoa, ou apa- gadas algumas de suas lembranças. O HOMEM QUE DEIXOU nnaaCCOOMM..AA..II.. DE SER ELE MESMO Comunidade de Aprendizagem “Pineas Gage, 25 anos, era capataz de uma empresa de Investigativa construção civil. Tinha corpo atlético, era vigoroso nos movi- mentos, admirado por seus patrões pela eficiência no trabalho e dotado de liderança inquestionável na Brigada da Empreiteira da Es- trada de Ferro Rutland & Berlington. Perfurava as rochas para colocar a pólvora como estopim para as dinamites, trabalho que fazia com maestria, e até tinha inventado um instrumento para que essa atividade tivesse maior êxito. Esse instrumento consistia em uma barra de ferro que servia para estocar a pólvora. Certa vez, alguém o chamou e ele virou-se, enquanto estocava a pólvora com a barra de ferro e, nesse átimo de desatenção, a barra bateu na pedra e o atrito provocou uma faísca. Houve um estampido e a carga de explosivo arrebentou-lhe diretamente no rosto, mas uma espécie de foguete foi lançada ao ar. A barra de ferro entrou pela face esquerda, atingiu o olho, atravessou a parte anterior do cérebro e saiu em alta velocidade pelo topo da cabeça. Morreu! Era o que todos pensavam. Poucos minutos depois, Pineas Gage exibiu alguns movimentos convulsivos nas extremidades dos membros e falou. Foi levado até a rua e co- locado em uma carroça. Chegando ao acampamento, a cerca de um quilômetro, desceu sozi- nho da carroça, conversou com seu chefe e esperou lucidamente até a chegada do médico, uma hora depois. Em pouco tempo, a recuperação física de Gage foi completa. Podia tocar, ouvir e sentir, e nem os membros, nem a língua estavam paralisados. Tinha perdido a visão do olho direito, mas a do esquerdo estava perfeita. Porém, algumas faculdades intelectuais e suas propensões animais foram destruídas. O Início de uma Mudança Tornou-se irreverente no linguajar, impaciente diante das restrições e de conselhos. Por vezes, era determinantemente obstinado; outras vezes, era caprichoso, vacilante, fazia mui- tos planos para ações futuras, que tão facilmente eram concebidos quanto abandonados. Os colegas e conhecidos dificilmente o reconheciam. Os patrões observavam entristecidos que “Gage já não era Gage”. Era agora um homem tão diferente que tiveram de dispensá-lo pouco tempo depois de ter regressado ao trabalho. Foi sua derrocada. Nunca mais se adaptou ao menor dos ofícios em sua vida”. DAMÁSIO, Antônio R. O erro de Descartes. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. p. 23-30
41 Fazendo uma relação com o conteúdo deste capítulo, quais são as conclusões que podemos tirar desta história? Já aconteceu de você conviver com uma pessoa e, depois de certo tempo, perceber que ela não é a mesma pessoa que pensava ser, mesmo não sofrendo nenhum acidente cerebral? Por que isso acontece? Elabore uma hipótese. Toda nossa atividade e nossa ação têm uma razão de ser. iaRRnçeeõtfeeflelsrexdixnõieõtsescereis-- Podemos não perceber ou não desenvolver sensibilidade pdilsicnipalrinesarnesa para perceber o que está por detrás de uma ação. Conhecer nCaOCOMM.A.A.I.I.. melhor uma realidade pode mudar nossa maneira de ser, independentemente de gostarmos ou de rejeitarmos tal ati- tude, mas se torna compreensível na medida em que temos consciência do que envolve cada atitude. A sensibilidade é uma palavra que foi apagada por muito tempo nas relações das pessoas. Algumas vezes, ela foi en- tendida como fraqueza. Por isso, ser sensível era motivo de riso entre colegas de turma. Hoje, há um movimento mui- to forte para que se reforce a sensibilidade de forma mais acentuada nas relações humanas. Como se pode analisar a sensibilidade em nosso ambiente? Comunidade de Aprendizagem 1. Diante do que foi apresentado nesta introdução, esperamos Investigativa que a COM.A.I. contribua dando sugestões para o desenvolvimen- to da sensibilidade em vários momentos de nossa vida. a. Entre amigos e amigas: b. Nas relações com deficientes: c. Pessoas que pensam diferente com relação a sexo, religiosidade, raça etc.: O desafio de pensar sobre o pensar d. Com a família: 2. Com o professor de Ciências, pesquise mais, em revistas e livros, vídeos etc., sobre o funcio- namento do cérebro. Tire suas conclusões a respeito do que aprendeu e do que significou este conhecimento.
42 ESTABILIDADE E MUDANÇA PcPecoeonmnmssaoaorr PPRNRNOIOSITSTTTAAAAGGSSOO- Neste capítulo, descobrimos o quanto é importante esta parte da nossa cabeça e do que podemos fazer com o cérebro. Sendo órgão central, torna-se motivo de pesquisa e de grande preocupação para que ele mantenha-se sem- pre ativo. Para ter um cérebro melhor e mais saudável, é preciso usá-lo. Quanto mais você usa, melhor ele fica. Mudança e estabilidade são dois extremos de uma mesma realidade. Estabilidade: muitos têm a estabilidade como algo negativo, que é estático, tradicional, parado e imóvel. Porém, a estabilidade gera confiança e abre perspectiva para conhecer melhor a realidade. A estabilidade é um ponto de equilíbrio energético que permite ao cérebro fazer mais coisas com a utilização de menos energia, e torna possível chegar à conquista da con- fiança para novos projetos e novas mudanças. Mudança: somos seres em contínua mudança. Ela nos proporciona a visão de transformação e progresso. É claro que muitas projeções de mudanças têm oferecido até frustrações, mas é algo que todos estamos sujeitos a realizar e desestabilizar novos paradigmas. A mudança dá ao ser pensante maior liberdade de escolha. Além de responder às perguntas abaixo, vamos, com a ajuda de outras disciplinas, procurar recursos para que nosso cérebro esteja sempre em contínua atividade. Conhecendo os dois con- ceitos de mudanças. O que mudou Consequências O Início de uma Mudança
43 b) O que não mudou e as consequências benéficas ou maléficas. O que mudou Consequências 2. Alguns dizem que o cérebro comanda a vida de uma pessoa. Você concorda? Justifique, basea- do no que diz o texto “Estabilidade e mudança”. 3. Leia os conceitos de consciência e conhecimento, destaque as diferenças entre eles e comente. 4. Pesquise, em jornais e revistas, alguns fatos em que os meios de comunicação influenciaram nas decisões das pessoas, da sociedade ou de hábitos e costumes. Exemplo: corte de cabelo, moda etc. O desafio de pensar sobre o pensar
44 “P“fPfoeoernrnaassadadrara ccaaiixxaa””ee JEAN PIAGET (1896-1980) mdmdeaeairixrxccaaaarrss “A capacidade cognitiva humana nasce Pensaram “fora da e se desenvolve, não vem pronta” caixa” e deixaram marcas. E você? Jean Piaget, um psicólogo suíço e importante estudio- O Início de uma Mudançaso do processo de aquisição do conhecimento, particular- mente em crianças, exerceu grande influência sobre a pe- dagogia moderna. A seguir, estão algumas frases que vêm elucidar ainda mais os conceitos estudados neste capítulo sobre o conhecimento e as nossas atitudes quando co- nhecemos algo da nossa vida. Pensar é agir sobre o objeto e transformá-lo. A inteligência é o que você usa quando não sabe o que fazer. Quando alguém se interessa pelo que faz, é capaz de empreender esforços até o limite de sua resistência física. A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmen- te repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A se- gunda meta da educação é formar mentes que este- jam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõem. O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximizar os resultados, mas é, antes de tudo, apren- der a aprender, é aprender a desenvolver-se e apren- der a continuar a desenvolver-se depois da escola. Se o indivíduo é passivo intelectualmente, não conseguirá ser livre moralmente. O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir. Cria situações-problemas. O ser humano é ativo na construção de seu conhe- cimento e não uma massa “disforme” a ser moldada pelo professor.
O mapa da realidade: o conhecimento e as suas formas 04
46 12ª.3ª4.Vª5.Oª.Teª.PuroSrvceoainrvrtairr ddPiPisseeccnnuussttaiairrrr,e,e 67ª.ª.REiramar .. pprorodudzuirznira CCOOMM..AA.I..I. Comunidade de Aprendizagem Investigativa AS SETE MARAVILHAS DO MUNDO O Início de uma Mudança Um grupo de estudantes estudava as sete maravilhas do mundo. No final da aula, foi pedido a eles que fizessem uma lista do que consideravam as sete maravilhas. Embora houvesse algum desacordo, começaram os votos: 1º. O Taj Mahal 2º. A Muralha da China 3º. O Canal do Panamá 4º. As Pirâmides do Egito 5º. O Grand Canyon 6º. O Empire State Building 7º. A Basílica de São Pedro Ao recolher os votos, o professor notou uma estudante muito quieta. A menina não tinha vi- rado sua folha ainda. O professor, então, perguntou a ela se tinha problemas com sua lista. A menina quieta respondeu: - Sim, um pouco. Eu não consigo fazer a lista, porque são muitas. O professor disse: - Bem, diga-nos o que você já tem e talvez nós possamos ajudá-la. A menina hesitou, então leu: - Eu penso que as sete maravilhas do mundo sejam: 1ª. Ver 2ª. Ouvir 3ª. Tocar 4ª. Provar 5ª. Sentir 6ª. Rir 7ª. E amar ... A sala, neste instante, ficou completamente em silêncio. Autor desconhecido
47 Toda nossa atividade e nossa ação têm uma razão de ser. Podemos não perceber ou não des- envolver sensibilidade para perceber o que está por detrás de uma ação. Conhecer melhor uma realidade pode mudar nossa maneira de ser, independentemente de gostar ou de rejeitar tal ati- tude, mas se torna compreensível na medida em que temos consciência do que envolve cada atitude. Assista ao vídeo A sensibilidade é uma palavra que foi apagada por muito “A realidade e o Conhecimento” tempo nas relações das pessoas. Algumas vezes ela foi enten- utilizando o leitor dida como fraqueza. Por isso, ser sensível era motivo de riso de código QR ou entre colegas de turma. Hoje há um movimento muito forte para que se reforce a sensibilidade de forma mais acentuada na Plataforma nas relações humanas. Como se pode analisar a sensibilidade do Pensar. em nosso ambiente? 1. Diante do que foi apresentado nesta introdução, esperamos que a COM.A.I. contribua dando sugestões para o desenvolvimento da sensibilidade em vários momentos de nossa vida: a. Entre amigos e amigas: b. Nas relações com deficientes: c. Pessoas que pensam diferente com relação a sexo, religiosidade, raça...: d. Com a família: AAmmpplliiaaççããoo FUNDAMENTAÇÃO HISTÓRICA O desafio de pensar sobre o pensar DO CONHECIMENTO dos Foram tratados vários enfoques sobre o eenntteennddiimmeennttooss conhecimento e o nosso cérebro. É bom des- tacar temas, como a importância do cérebro e sua estrutura física; o conhecimento e as mu- danças que provoca em nós e na sociedade. Este capítulo aborda o conhecimento e as suas implicações históricas, contextualizando-o e analisando suas implicações na vida social. Quando o homem tomou posse de seu ins- trumento do saber, procurou outras formas de explicar seu mundo.
48 O que é mito? O mito é uma forma de organizar o caos de sua mente diante do inexplicável, em forma de narrativa. Primeiramente, o homem era dominado pela natureza e Aprofunde o tema temia raios, chuvas, trovões. Ele não conhecia de onde vinha lendo o texto so- tanta força da natureza, então, passou a construir narrativas bre Conhecimento ou inventar histórias para justificá-la. Criou, assim, os mitos. utilizando o leitor Os mitos são narrativas, com respaldo na comunidade, mas de código QR ou muito questionados pelos observadores da natureza que não na Plataforma viam relação entre os mitos e a realidade. Eles eram chamados de sábios ou filósofos. do Pensar. A filosofia nasceu justamente no momento em que o ho- mem procurava razões mais práticas e coerentes entre uma causa e um efeito para muitos fenômenos que apareciam. Não aceitava mais uma simples história fabulosa sem relação com o mundo em que vivia. Começou, portanto, uma busca por se apossar das coisas, conhecer melhor o movimento, a origem das coisas. A mais importante atividade do filósofo eram as muitas perguntas que habitavam na sua mente. É o processo do co- nhecimento. Ele precisava conhecer a natureza, seu princípio, conhecer o mundo, o homem, e fazer questionamentos sobre o mundo. O que dá origem às coisas? Como podemos ver, no começo, a preocupação era mais cosmológica. Somente mais tarde, a atenção passou do cosmo para o ser. O QUE É CONHECER? O Início de uma Mudança Os dicionários trazem uma série de significados para a pa- lavra conhecer ou conhecimento. Citaremos apenas algumas definições advindas das mais diversas fontes. Etimologicamen- te, conhecer quer dizer ter noção, informação, experimentar, sentir. Alguns filósofos definem conhecimento como um pro- cesso pelo qual se determina a relação entre sujeito e objeto, outros afirmam que é uma técnica para verificação de um ob- jeto qualquer, ou a disponibilidade ou posse de uma técnica se- melhante. Há, ainda, os que defendem que é o ato pelo qual o espírito ou o pensamento apreende o objeto ou o torna presen- te, esforçando-se para formar uma representação que exprime perfeitamente esse objeto.
49 Conhecer: é ter noção, informação, sentir, experi- mentar. Há, ainda, quem diga que é o ato pelo qual o espírito ou o pensamento apreende o objeto ou o torna presente, esforçando-se para formar uma represen- tação que exprime perfeitamente esse objeto. Para o conhecimento estar em plena ação, é preciso regularidade, estabelecer semelhanças e diferenças, sucessão de tempo, causalidade. Em síntese, podemos dizer que o conhecimento é a compreensão inteligível da realidade, que o sujeito adquire por meio de sua confrontação com essa mesma realidade. FORMAS DE CONHECIMENTO Quanto mais aprofundamos o tema sobre o conhecimento, mais percebemos novos desdobra- O desafio de pensar sobre o pensar mentos esclarecedores, que nos incitam a continuar o estudo de tal processo. É bom lembrar que este livro não pretende ser um tratado sobre o assunto, mas apresentar apenas uma síntese para favorecer mais a elucidação dos temas aqui tratados. COMO DEFINIÇÃO CIENTÍFICA O conhecimento se dá via métodos rigorosos, permitindo que a ciência atinja um tipo de saber sistemático, preciso e objetivo, segundo o qual são descobertas relações universais necessárias entre os fenômenos. Isso possibilita prever acontecimentos e também agir sobre a natureza de forma mais segura. É o conhecimento científico. A ciência vem comprovar que este tipo de co- nhecimento está baseado em fundamentos exatos e sólidos. COMO SABER ACUMULADO É o conhecimento adquirido pelo homem por meio das ge- rações, transmitido pela tradição ou pelo ensinamento de pai para filho. Entende-se como produto da relação sujeito-ob- jeto, que pode ser empregado e transmitido. Este tipo de conhecimento, muitas vezes, vem misturado com fontes de senso comum ou pela sabedoria popular. COMO ALGO CONCRETO É a posse e o manuseio de um objeto. É o conhecimento empírico. Empírico quer dizer o que se toma no contato di- reto com o objeto ou a realidade em questão. Parte do contato físico por intermédio dos sentidos (visão, tato, audição, paladar e olfato), como, por exemplo, conhecer o funcionamento de um relógio ou de um carro pelo contato.
O Início de uma Mudança50 COMO ALGO ABSTRATO Muitas sensações são percebidas não pelo contato, mas pelos conceitos. São abstratas. É um tipo de conhecimento em que a relação com o objeto se dá de forma genérica, universal. Por exemplo, eu conheço uma pessoa – Lucas, Sonia etc. – mas não conheço em forma real o homem. O homem é um termo universal, genérico. Mas posso dizer que conheço o homem e o conceito de homem. O mesmo se dá com palavras como Justiça, Amor, Humanidade. Este tipo de conhecimento é tido como algo abstrato. Mais adiante, veremos outras formas de conhecimento. OS PRIMEIROS FILÓSOFOS E O CONHECIMENTO Na história da humanidade, houve muitas formas de explicar a verdade de uma coisa, e o conhecimento não foi entendido do mesmo jeito pelos homens. A história divide a teoria do conhecimento em duas fases. A PRIMEIRA FASE Surgiu com os pré-socráticos, pela teoria da identificação: o semelhante conhece o se- melhante. O conhecimento faz-se pela formação de conceitos que são verdadeiros enquan- to são adequados à realidade existente. A primeira fase está ligada à observação das coisas naturais. Por meio delas, estendia-se o conhecimento por analogia1 com outros elementos que se comportavam de forma seme- lhante. No princípio da Filosofia, os gregos ocupavam-se da reflexão cosmológica, ou seja, trata- vam da origem e da ordem do mundo. Aos poucos, com suas indagações, passaram a ques- tionar o que é o próprio cosmo, as coisas ou o ser. Por isso, de uma investigação cosmológica (estudo do cosmo ou mundo) passou-se para um estudo ontológico (estudo ou conhecimen- to do ser ou sobre o ser). Para os gregos, havia harmonia entre o intelecto e a verdade. Conforme os primeiros filósofos gregos, o conhecimento não era um problema, pois o mundo era inteligível. Acre- ditavam que podiam conhecer as coisas diretamente e consideravam-se participantes de todas as formas da natureza. Ainda mais: na sua visão, o conhecimento era “Aletheia”, ou seja, manifestação do verdadeiro aos nossos sentidos. Era inquietante para eles conceber a ilusão ou o erro diante de um objeto. Perguntavam: como é possível ver o que não é ou pensar o que não é? Parmênides entendia que só poderíamos conhecer o idêntico e imutável. Parmênides perguntava-se: “Como podemos pensar o instável ou o que se torna oposto e contrário a si mesmo?”. Heráclito, na mesma época, dizia que a verdade é a harmonia dos contrários. Tudo se transforma perenemente. Como explicar o conhecimento das coisas? Daí estabeleceu a di- ferença entre o conhecimento que nossos sentidos oferecem (a imagem da estabilidade) e o conhecimento que nosso pensamento alcança (a verdade da mudança). 1. Analogia é uma habilidade mental para estabelecer relações de semelhanças entre coisas parecidas entre si ou entre elementos com composições diferentes. Por exemplo: ele é forte como um touro; ela é uma estrela.
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