|3OS VERSOS DA IDÍLIA
FICHA TÉCNICA TÍTULO ORIGINAL OS VERSOS DA IDÍLIA 185 POEMAS AUTORA IDÍLIA LEOCÁDIO ILUSTRAÇÕES E CAPA IDÍLIA LEOCÁDIO TÉCNICA DE CAPA E PAGINAÇÃO DIVA ALMEIDA ARTE FINAL, IMPRESSÃO E ACABAMENTO D’ALMEIDA ATELIÊ www.divalmeida.com 1.ª EDIÇÃO (NUMERADA) DEZEMBRO 2015 NÚMERO 14 | IDÍLIA LEOCÁDIO
Este livro é dedicado aosmeus filhos e aos meus netos. |5OS VERSOS DA IDÍLIA
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Nota BiográficaIDÍLIA LEOCÁDIO DE SOUSA nasceu emMaio de 1936, em Santo André. Estevetoda a sua vida ligada ao campo e comnove anos andava na monda do arroz, jáfazendo letras para músicas conhecidaspara o «cantar ao despique».Aprendeu a ler sozinha, embora não sai-ba escrever.Radicou-se em Setúbal em 1966, tendopublicado o seu primeiro livro de poesiade raiz popular, «Os Meus Versos», aos64 anos. |7OS VERSOS DA IDÍLIA
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VOU CONTAR A MINHA VIDAVou contar a minha vidaPara toda a gente saberMesmo que me chamem patetaSei ler, mas não sei escreverEu sou meia-analfabetaCom um pouquinho de esforçoTalvez chegasse láJá passou a mocidadeAgora com esta idadePaciência, já não dáEu nunca andei na escolaNão podia lá andarEsta foi a minha sinaLogo desde pequeninaComecei a trabalharQuando eu aprendi a lerAcreditem, podem crerNão há coisa mais bonitaÉ difícil de dizerAcreditem, podem crerEu julguei que estava rica. |11OS VERSOS DA IDÍLIA
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ENCONTREI NA MINHA RUAEncontrei na minha ruaUma mulher quase nuaQue de mim se aproximouProcurei quem era elaRespondeu-me sou aquelaQue tanto na vida pecouAssim vivo abandonadaNa beira de uma estradaSem carinhos de ninguémTanto que eu tenho sofridoE muito tenho percorridoNunca encontrei o bemDeixa de ser pecadoraSe queres ser uma senhoraE arranjares um bom maridoDar-te um pouco de carinhoTens de mudar de caminhoAnda que eu dou-te um vestidoEu não sei o que fazerO que me está a dizerNão pensei ouvir de alguémEu sou uma pecadoraObrigado, minha senhoraNão faço feliz ninguémSe quiseres anda jantarPara dormir te dou camaOlha, nunca fui vaidosaMas vou ficar orgulhosaSe te levantar da lama.22.07.1988 |13OS VERSOS DA IDÍLIA
QUANDO EU ERA MIÚDO Quando eu era miúdo De calções e de sacola E quando eu dava tudo Para não ir à escola A minha mãe me levava E eu ia contrariado Meu Deus, o que eu dava Só para a ter a meu lado Pegava na minha mão Levava a minha sacola Ai o que ela me ensinava No caminho da escola Respeita sempre os velhinhos E não trates mal a ninguém Lembra-te dos teus paizinhos Que vão ser velhinhos também Eu sei que depois não gostas De me veres maltratada Ou de me virarem as costas Ao atravessar uma estrada Tudo o que ela me ensinou Eu tenho estado a pensar Quando filhinhos tiver A eles vou ensinar14 | IDÍLIA LEOCÁDIO
O seu olhar era doceE a sua voz tão queridaCarinhos como os de mãeNunca mais vou ter na vidaIsto minha mãe me diziaMesmo depois de rapazPorque tu também um diaOlha, velhinho serás.21.06.1991 |15OS VERSOS DA IDÍLIA
PEDIDO AOS MEUS FILHOS Quando eu morrer Não chorem muito por mim Que eu sou alegre Toda a vida fui assim Sejam amigos Lembrem-se da mãe querida É um pedido, meus filhos Que eu faço em vida Dêem-se bem E não me façam penar Para que a mãe Enfim possa descansar Vivam a vida Não a deixem estar sozinha Ela é tão linda Que eu também vivi a minha E quando um dia Algum de mim se lembrar Com alegria Que nunca seja a chorar E o vosso pai Se ele ainda cá ficar Tratem-no bem Mas não o ponham num lar.16 | IDÍLIA LEOCÁDIO
Tratem-no bemDêem-lhe todo o carinhoQue ele sem mimVai ficar triste e sozinhoP'ra que eu no céuAinda me possa orgulharDos meus filhinhosQue deixei em meu lugar.22.11.1991 |17OS VERSOS DA IDÍLIA
EU OUVI BATER À PORTA I Eu ouvi bater à porta Por favor vai ver quem é É o menino Jesus Sua mãe e São José Não os deixes estar ao frio Por favor, manda-os entrar Ponho mais pratos na mesa Venham connosco cear Ponham lenha na lareira Para aquecer Jesus Das suas divinas mãos Saíram raios de luz Oh, que presente tão lindo Não posso pedir mais nada Ter o menino Jesus Na noite da consoada Eu fui à porta espreitar Vi uma estrela dançando Contente porque sabia Que Jesus estava ceando. 12.12.199118 | IDÍLIA LEOCÁDIO
PERDOA-ME, QUERIDAMÃEZINHAPerdoa-me, querida mãezinhaSe alguma vez te fiz chorarAqui te peço perdãoNão era minha intençãoUm dia te magoarMuito obrigado, mãezinhaTudo o que por mim fizesteE o que me fazes aindaTu foste a mãe mais lindaPelo amor que me desteSó uma esperança me restaSe eu não tiver pecadoPeço a Deus se puder serUm dia quando eu morrerQueria ficar a teu lado.31.08.1992 |19OS VERSOS DA IDÍLIA
CANÇÃO A SETÚBAL Setúbal, cidade linda Eu te faço esta canção Eu te amo, eu te adoro Do fundo do coração Do fundo do coração Já não há quem assim pense Estou aqui há trinta anos Eu já sou Setubalense Eu já sou Setubalense Cada vez te amo mais Aqui nasceram meus filhos E aqui perdi meus Pais E aqui perdi meus pais Eu não estou desiludida Uns nascem e outros morrem Tudo faz parte da vida Tudo faz parte da vida E não me digam que não Setúbal, cidade linda Eu te fiz esta canção. 26.10.199620 | IDÍLIA LEOCÁDIO
QUANDO VOU À MINHA TERRAQuando vou à minha terraLevo sempre um garrafãoP'ra trazer água da fonteLevo amor no coraçãoLevo amor no coraçãoQuando lá vou passearLevo sempre um garrafãoE muito amor p'ra lá deixarTerra minha, terra lindaTerra minha e dos meus paisTenho muito amor p'ra darQuando eu voltar trago maisA água daquela fonteÉ cristalina de verdadeE quando chega a noitinhaBebo sempre uma pinguinhaPara matar a saudade.30.09.1997 |21OS VERSOS DA IDÍLIA
MEU PAI E MINHA MÃE O meu pai e a minha mãe Foram eles que me criaram E eu não os posso deixar Porque nunca me abandonaram Tanto trabalho que eu dei E ninguém os ouviu queixar Agora eu trato deles P'rá vida continuar Para tratar dos paizinhos Nem todos tratam iguais Dêem-lhes amor e carinho P'ra não ser tarde demais Amem-nos enquanto é tempo E não os ponham num lar Depois quando eles morrerem Não adianta chorar Não quero que lhes chamem velhos Como dantes se dizia Porque eles são senhores De grande sabedoria E quando eu for velhinha E p'ra um lar for viver Eu cantarei a minha dor P'ra todo o mundo saber Tive filhos, tive netos E tanto amor que eu lhes dei Dediquei-lhes a minha vida Olhem lá o que eu ganhei. 30.09.199722 | IDÍLIA LEOCÁDIO
O VENTO IEu fui procurar ao ventoQual o seu sofrimentoPorque me andava sempre a soprarO vento me respondeuDiz que a culpada sou euQue não o deixo passarE eu fiquei a olharSem saber o que falarDisse, esta é a minha sinaSei muito bem o que façoEu ocupo pouco espaçoE minha mãe é pequeninaPor isso podes passarNão andes sempre a soprarQue já me faz confusãoOuve bem o que te digoVieste falar comigoCom sete pedras na mão.07.05.1998 |23OS VERSOS DA IDÍLIA
OH, MINHA QUERIDA MÃEZINHA Oh, minha querida mãezinha Tanto amor que me tens dado Faço-te o melhor que posso Mãezinha, muito obrigado Tu que me deste a vida Sofreste para me criar Minha mãezinha querida Nunca te posso pagar Quando a tua alma chora E não falas com ninguém A alegria vai-se embora E eu fico triste também. 29.04.200024 | IDÍLIA LEOCÁDIO
CORAÇÃO DISTRAÍDOÓ coração distraídoVê o mal que me tens feitoAgora andas fugidoDesde que saíste do peitoTantas promessas fizesteVieram os desenganosFoi a paga que me desteDe eu te amar há tantos anosPor isso, meu coraçãoPelo mal que me tens feitoDeixa de ser fugitivoMora de novo em meu peitoÓ coração distraídoTanto me tens magoadoEu não tinha percebidoQue não estavas a meu ladoCorre logo, coraçãoE não me faças esperarPorque se tu te demorasMeu peito vai-se fecharMeu peito vai-se fecharE eu vou ficar caladaCorre logo, coraçãoQue a porta vai ser fechada.12.06.2000 |25OS VERSOS DA IDÍLIA
AS CRIANÇAS QUE EU AMEI As crianças que eu amei Todas me abandonaram Tanto amor que eu lhes dei Pouco a pouco me deixaram Já não se lembram de mim Nem dos carinhos que eu lhes dava Dei-lhes aquele amor sem fim E as histórias que eu inventava Quando as vejo passar Eu sofro, mas não as chamo As crianças que eu amei E que continuo a amar São os adultos que eu amo Só uma coisa ficou Esta paixão dolorida Amar as crianças eu vou O resto da minha vida Dizer nomes eu não digo P'ra não causar confusão Eu trago-as sempre comigo Juntinho ao meu coração. 02.08.200026 | IDÍLIA LEOCÁDIO
SE EU CONTASSE AMINHA VIDASe eu contasse a minha vidaDesde o dia em que nasciAté as pedras da ruaTeriam pena de mimUma vida amarguradaVivia tão pobrezinhaSou pobre, não tenho nadaMas tenho a minha casinhaO que está lá dentro delaÉ pouco, quase nada prestaTenho uma grande riquezaSou pobre, mas sou honestaÉ tudo o que Deus me deuE que eu tenho conservadoEu venho-te agradecerMeu Deus, muito obrigado.02.09.2000 |27OS VERSOS DA IDÍLIA
NO MEU QUARTO No meu quarto Tenho duas fotografias Do meu pai e minha mãe Com quem falo todos os dias Vou-me deitar Dou-lhes sempre um beijinho Ao meu pai e minha mãe Que me deram tanto carinho Tão pobrezinhos Nada tinham para me dar Davam-me amor e carinho Quando me viam chorar Ambos partiram E eu não tenho alegrias P'ra minha recordação Eu tenho as fotografias. 02.09.200028 | IDÍLIA LEOCÁDIO
O PASSEIO NA PRAIAEu um dia fui à praiaFui de carro e vim de motaQuando vi estava voandoNas asas de uma gaivotaEla era tão bonitaQue me levou a passearE me mostrou os peixinhosE eu vi as ondas do marFoi um passeio tão lindoComo eu nunca tinha dadoNas asas de uma gaivotaFui passear pelo Sado.02.09.2000 |29OS VERSOS DA IDÍLIA
O MEU AMIGO MENINO Eu queria fazer um verso A uma senhora tão bela E vou a ver se consigo Que eu não sei o nome dela Ela é uma simpatia E traz no dedo um anel O seu nome eu não sabia É a mãe do Rafael É um amigo que eu tenho Que eu conheci no jardim E eu gosto muito dele E ele gosta de mim Pode até ser traquino Mas maldade não existe O meu amigo menino Tem sempre um olhar tão triste. 19.09.200030 | IDÍLIA LEOCÁDIO
O MEU QUINTALEu tenho no meu quintalUm pezinho de alecrimEu trato muito bem deleE ele gosta de mimTenho cravos, tenho rosasTodos no mesmo canteiroE o pezinho de alecrimÉ o que eu rego primeiroAté parece mentiraComo a gente se dá bemO pezinho de alecrimNão vou dar a ninguém.13.10.2000 |33OS VERSOS DA IDÍLIA
VIVER SOZINHA Tive muitas alegrias Posso dizer com franqueza E isso já tu sabias Também tenho muitos dias Mais tristes do que a tristeza É triste viver sozinho Sem amor e sem carinho Ao lado de outra pessoa Viver assim é tão triste Onde o amor não existe Até o silêncio magoa E quando vou caminhando Na minha vida pensando Cada vez fico mais triste Percorrendo este caminho Sinto-me sempre sozinho Porque o amor não existe. 13.10.200034 | IDÍLIA LEOCÁDIO
MINHA MÃE TÃO POBREZINHAMinha mãe tão pobrezinhaPouco tinha para me darDeu-me a vida, coitadinhaE eu não lhe pude pagarJá é uma grande riquezaTer uma mãe como aquelaViveu sempre na pobrezaE eu sou pobre como elaPor isso agradeço a DeusDe me ter dado aquela mãezinhaPouco tinha para me darE eu para lhe dar não tinha.01.11.2000 |35OS VERSOS DA IDÍLIA
A FORÇA DO DESTINO Isto está tudo mudado Não há Inverno nem Verão E está tudo misturado Que já me faz confusão Quando está um dia lindo E começa a choviscar Parece que vai chover E o sol fica a brilhar Estas coisas do destino Só Deus as pode entender O que ele deixou lá em cima Ninguém deve ir mexer. 01.11.200036 | IDÍLIA LEOCÁDIO
NA RUA ONDE EU MORONa rua onde eu moroPassa sempre um rapazinhoAnda vendendo jornaisEu vejo-o sempre sozinhoProcurei-lhe pela mãeDisse-me que ela morreuSe vivia com o paiDisse-me que nunca o conheceuAssim vivo abandonadoVivendo por todo o ladoE não tenho lado nenhumTenho primas e primosMas são todos muito finosPobre nasceu só um.03.11.2000 |37OS VERSOS DA IDÍLIA
DUAS BALANÇAS Fui comprar duas balanças Que estão sempre ao pé de mim Foi tão grande a confusão Uma balança pesa o não E a outra pesa o sim Estão sempre em desacordo Porque os salários são iguais Foi maior a confusão A balança que pesa o não Queixa-se que trabalha mais Agora fui-las mudar Achei que era bem assim Foi tão grande a confusão A balança que pesava o não Agora pesa o sim E a outra ficou zangada Diz que não achou graça Já não suporto esta gente Diz que ficou doente Foi-se embora, está de baixa. 06.01.200138 | IDÍLIA LEOCÁDIO
EU GOSTO DAS DUASEu nasci na aldeiaVim morar para a cidadeLá era a luz da candeiaE aqui electricidadeEsta é uma cidade lindaQue eu amo, estimo e adoroMas é a realidadeQuando me chega a saudadePela minha Aldeia eu choroE quando a vou visitarSó regresso ao serãoPara estar à vontadeLevo comigo a CidadeJuntinho ao meu coraçãoSe estou com uma quero outraE cada qual faz as suasNão sei o que dizerOu o que possa fazerSó sei que gosto das duasEsta é a realidadeAcreditem porque é verdadeO que eu penso é mesmo assimÉ como lhes vou dizerQuem me dera poder terAs duas juntinho a mim.21.01.2001 |39OS VERSOS DA IDÍLIA
AMOR PERDIDO Onde andará o amor E também a alegria Devem andar de mãos dadas Hei-de encontrá-los um dia Hei-de encontrá-los um dia Nunca mais os vou deixar O amor e a alegria Comigo irão ficar Comigo irão ficar Vejam se alguém percebe Quero o amor e a alegria Para poder andar alegre Para não arrefecer O meu coração magoado Que o meu amor abalou E anda com outra ao lado. 03.04.200140 | IDÍLIA LEOCÁDIO
A MOCIDADEVi partir a mocidadeNa pétala de uma florSó deixou a saudadeE levou o meu amorDepois fiquei a olharVendo ela se aproximarDe uma linda nuvenzinhaE ali fiquei a chorarQuando vi ela abalarE que me deixou sozinhaA mocidade abalouTudo o que era meu levouAté o gosto de viverEncontrá-la agora é tardeAdeus, adeus mocidadeNunca mais te torno a ver.09.05.2001 |41OS VERSOS DA IDÍLIA
À MINHA MÃEZINHA Ouve lá, querida mãezinha O que eu tenho para te falar Como trataste a avozinha Igual eu te vou tratar Nunca a abandonaste Eu não te vou abandonar Sempre bem a trataste Eu bem te vou tratar Não dizias mal dela Nem te queixavas a ninguém Ficaste sempre com ela Fico contigo também Faço a minha obrigação Vou minha dívida pagar Descansa, querida mãezinha Nunca te ponho num lar. 09.05.200142 | IDÍLIA LEOCÁDIO
SE EU SOUBESSE ESCREVERSe eu soubesse escreverMuita coisa eu escreviaEscrevia a minha tristezaE também a minha alegriaNão posso pôr num papelPorque eu não sei escreverGuardo na minha memóriaMas isso não dá para lerJulgam que eu estou alegrePorque me ouvem cantarMuita gente não percebeQue eu canto p’ra não chorarFaço os meus versos cantandoE eu não sou cantadeiraPorque não os sei escreverFaço-os à minha maneira.09.05.2001 |43OS VERSOS DA IDÍLIA
A ROSEIRA I Fui falar com uma roseira De manhã num certo dia Só para lhe perguntar Porque é que ela não abria E ela me respondeu Zangada e com sacrifício Que te importa a minha vida Pois não tens nada com isso Não tenho nada com isso Vê lá se me vês aqui Quero que abras depressa Sou eu que trato de ti Sou eu que trato de ti O meu recado aqui fica Não quero que estejas fechada Porque aberta és mais bonita Aberta és mais bonita Eu sei que és vaidosa O meu recado aqui fica Minha encarnada rosa Tudo o que eu estive a dizer A roseira estava a ouvir E os botõezinhos que tinha Começaram a abrir Foi um despique que eu tive Com esta linda roseira Agora somos amigas Quer ela queira ou não queira. 30.05.200144 | IDÍLIA LEOCÁDIO
QUATRO ROSASTenho uma rosa vermelhaE outra rosa cor-de-rosaUma branca e outra amarelaNão sei qual a mais cheirosaQuando eu passo por elasCada uma se agitaQuerem ouvir eu dizerQual delas é a mais bonitaE quando me vêem tristeE não digo nada a ninguémE se me vêem chorarAs rosas choram também.25.07.2001 |45OS VERSOS DA IDÍLIA
O MERCADO DA POESIA Fui ao mercado da poesia Certo dia passear Ia vender paciência Mas ninguém ma quis comprar Eu voltei a insistir E a pedir-lhe porém Leve um pouco de paciência Que não faz mal a ninguém No outro dia voltei Desta vez para comprar Vi lá uma janela Que eu gostava de levar Era a janela da esperança Que me mostrava o mundo inteiro Quando fui para pagar Não me chegava o dinheiro Não me chegava o dinheiro E eu fiquei arreliada Fiquei com a paciência Mas não me resta mais nada. 05.08.200146 | IDÍLIA LEOCÁDIO
Ó LUA, QUE VAIS TÃO ALTAÓ Lua, que vais tão altaBaixa mais um bocadinhoNa terra está muito escuroE eu não vejo o caminhoE eu não vejo o caminhoFaz-me lá este favorBaixa mais um bocadinhoQue eu perdi o meu amorEu perdi o meu amorE não posso descansarFaz-me lá este favorQue eu tenho de o encontrarEu tenho de o encontrarPara ficar descansadoFaz-me lá este favorÓ Lua, muito obrigado.02.10.2001 |47OS VERSOS DA IDÍLIA
SAUDADES Que saudades que eu tenho Da mocidade perdida Que tão cedo me deixou E disse-me que abalou Foi dos desgostos da vida Era a minha companhia Quer de noite quer de dia Estava sempre comigo Vou-te dizer a verdade Minha linda mocidade Deixaste-me por castigo Se tu puderes voltar Cá estou eu para te abraçar A qualquer hora do dia Digo com sinceridade Volta, linda mocidade E traz a minha alegria Sem ti não posso viver E não sei o que fazer Mas não falo com rancor Tenho tanta saudade Volta para mim, mocidade Traz contigo o meu amor. 17.10.200148 | IDÍLIA LEOCÁDIO
UMA FLOR ABANDONADATenho uma florzinhaQue se chama trepadeiraEstava triste e sozinhaEm cima de uma lixeiraNão sei quem a abandonouQuem ali a foi deixarA florzinha chorouQuando eu ia a passarApanhei-a devagarinhoEstava triste, quase mortaPlantei-a com jeitinhoEm frente da minha portaEm frente da minha portaAquela linda trepadeiraQue dava flores mimosasTrepou por uma roseiraPara ir beijar as rosasPara ir beijar as rosasE a roseira não gostouCada beijo que ela davaA roseira lhe picavaE a trepadeira secouE a trepadeira secouJá não dá flores mimosasAquela linda trepadeiraEu tenho estado a brincarQuem secou foi a roseira.17.10.2001 |49OS VERSOS DA IDÍLIA
A JANELA DA ESPERANÇA Vi a janela da esperança Que o bom Jesus me mostrou Eu lhe pedi paz para o mundo E depois a janela fechou Ouvi Jesus me pedir Que por ele tivesse respeito Que não brincasse com seu nome Como muitos têm feito Eu agradeci a Jesus Por ele me ter escutado E disse-lhe que o seu nome Para mim é sempre sagrado. 17.10.200150 | IDÍLIA LEOCÁDIO
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