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Portugues - 6 ano (4)

Published by lucasgrisotti15, 2023-08-12 12:51:20

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6 SER conexão com o mundo: linguagem Coleção SER a arte da reflexão Rosane Hart Livro Digital Florianópolis, 2024.

COLEÇÃO SER COM O MUNDO: LINGUAGEM Coleção SER: a arte da reflexão Copyright © 2024, by Editora Sophos Ltda. Editora Sophos Rua Cristóvão Nunes Pires, 161 / Centro www.editorasophos.com.br 88010-120 / Florianópolis / SC E-mail: [email protected] Fone: (48) 3222-8826 e 3025-2909 Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB - 14/071 D273l Day, Doris SER conexão com o mundo: linguagem / Rosane Hart. – Florianópolis : Sophos, 2024. XXXp : il. – (Coleção SER a arte da reflexão; 6o ano) SER: Sistema de Ensino Reflexivo Inclui bibliografia ISBN: 978-85-85913-73-1 1. Linguagem – Estudo e Ensino. 2. Língua portuguesa (Ensino fundamental). I. Hart, Rosane. II. Título. III. Série. CDU: 806.90:37 Coleção SER a arte da reflexão FICHA TÉCNICA Supervisão Editorial Lucas Grisotti Wonsovicz Conselho Editorial Prof. Dr. César Nunes Prof. Dr. Adriano Machado Edição Prof. Dr. Silvio Wonsovicz Pesquisa iconográfica e Ilustração Lucas Grisotti Wonsovicz Silvio Wonsovicz Revisão Hatsi Rio Apa Projeto gráfico e diagramação Isabel Maria Barreiros Luclktenberg FK Estudio 2024 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônicos ou mecânico, incluindo fotocópias e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora.

Conheça o seu livro SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano MOTIVANDO A PENSAR Abre todos os capítulos da coleção SER conexão com o mundo: linguagem e representa uma “primeira conversa” sobre um determinado tema. Serve de “aque- cimento” para um debate mais amplo e qualificado. PROBLEMATIZANDO São questões propostas em torno do assunto em foco com o objetivo de levar você a pensar cri- ticamente e considerar os seus diversos aspectos, atentando para os desdobramentos e alcançando um maior domínio da complexidade que os caracteriza. INVESTIGANDO E REFLETINDO Propostas de registros e atividades, ampliando o conteúdo.

Coleção SER a arte da reflexão APROFUNDANDO O PENSAR Traz questionamentos mais aprofundados sobre o tema do capítulo e possibilidades de respostas através de textos e outras formas de registro. É o momento em que você poderá exercitar a prática da produção de co- nhecimento através de atividades no caderno ou elabo- rando cartazes, painéis, vídeos, varais de exposição. CONECTANDO COM O MUNDO Aqui é fundamental o exercício de intertextuali- dade, em que você, com o auxílio do(a) professor(a), buscará novas fontes de pesquisa sobre o tema es- tudado e realizará um “confronto de ideias”. As fontes de pesquisa poderão ser retiradas de sites da Internet, registros musicais, livros paradidáticos etc. SITUANDO-ME Espaço destinado a levar você a elaborar posiciona- mentos próprios sobre o tema em estudo, aprendendo a apresentar argumentos, justificativas para a defesa de suas ideias. Inclui atividades de debate, trabalhos em grupo, dissertações individuais. COLOCANDO A MÃO NA MASSA Este é o momento culminante de cada capítulo; poderíamos dizer que é a etapa mais empírica do processo de aprendizagem, em que professores e estudantes, em determinadas situações poderão fazer intercâmbios com outras escolas da rede de ensino, promovendo um debate mais consistente.

MOSTRANDO A LÍNGUA SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano Neste espaço apresentamos a você a possibilidade de, a partir da análise dos usos da língua, construir e/ou reconstruir conceitos e regras gramaticais que consti- tuem a base para a compreensão lógica da linguagem e o desenvolvimento da competência comunicativa. LINKS COM OUTRAS DISCIPLINAS Traçam relações do tema em estudo com abordagens do mesmo assunto sob o enfoque de outras disciplinas; podem conter questões para pesquisa em outra área do conhecimento ou mais informações produzidas pela in- vestigação dos profissionais de outras especialidades. O objetivo é que você desenvolva uma visão interdisci- plinar do conhecimento. VOCÊ SABIA? Traz mais informações e curiosidades sobre o tema estudado.

Coleção SER a arte da reflexão EXERCÍCIOS A intenção com os exercícios não é ser somente ati- vidades para fixação do(s) conteúdo(s). Serve para si- nalizar a ampliação de ideias e discussões que podem ser trilhadas a partir de todo contexto. É um importante momento para trabalhar o Método NeuroSer. FINALIZANDO SEM FINALIZAR São propostas de tarefas para casa, registros finais das discussões, análise e síntese do que foi aprendido, anotações de perguntas ou questões que surgiram e poderão ser investigadas posteriormente. Também são esboçadas relações do tema abordado com o próximo capítulo. ABERTURA DE UNIDADE Indica o início da matéria que será estudada. Serão 10 capítulos de estudo divididos em 3 unidades, sendo cada unidade diferenciada por cores marcantes.

Apresentação SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano da obra Nossas coleções de livros didático-reflexivos do S.E.R. - Sistema de Ensino Reflexivo apresentam os conteúdos das disciplinas do Ensino Fundamental 2. São livros do 6o ao 9o ano, escritos por professores in- vestigadores e que estão em salas de aula. Apresentam uma aborda- gem dinâmica, interdisciplinar, propiciando o desenvolvimento de visão crítica, criativa e ampla dos temas estudados. Todos em conformidades com a Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Objetivamos que tanto os conteúdos quanto as atividades propos- tas desloquem o olhar dos estudantes do ponto de vista acostumado, habitual, do senso comum. Estamos buscando um patamar de partici- pação por meio do estudo ativo, investigador, movido pela curiosidade a respeito do mundo, estudo em que experiência vivida e embasamento teórico apresentem-se imbricados. Mais que um conjunto de respos- tas prontas, fechadas, queremos que os estudantes apreendam a arte da pergunta diante do conhecimento que lhes é oferecido, que possam aprender a aprender e, que tenha domínio do processo de produção de novos conhecimentos. Temos, para além do comprometimento com o desenvolvimento cognitivo dos estudantes, um comprometimento com a sua formação ética e política, com a preparação para o exercício da cidadania, com o aprimoramento do poder pessoal do cidadão que está, por sua vez, intrinsecamente ligado ao acesso à informação e ao preparo para julgar sua relevância e confiabilidade, ao pensar autônomo e crítico. Exercer o papel de sujeitos críticos exige a competência da com- preensão, que está vinculada ao saber escutar, observar, pensar e ao saber comunicar-se com o outro, dialogar. Compreender a si mesmo, ao mundo, ao outro e às interações entre esses e, ser capaz de usar as diversas formas de linguagem são fundamentais para sermos cidadãos.

Coleção SER a arte da reflexão Nosso material didático convida professores e estudantes a mudarem de perspectiva em relação ao processo de aprendizagem, passando de uma pedagogia da dependência para uma pedagogia da autonomia. Cabe a você professor neste caminho para um Ensino Reflexivo a realização desse posi- cionamento pedagógico porque, estudantes envolvidos nessa linha com con- teúdos pertinentes, tendem a: diminuir a dependência da ação do professor; demonstrar maior grau de autodeterminação e de consciência crítica; apresentar maior capacidade de resposta perante diferentes situações; expressar o prazer alcançado com a percepção do próprio pro- gresso; desenvolver o espírito científico e o gosto pela criatividade; passar a delinear os próprios objetivos como sujeitos do pro- cesso de aprendizagem; e organizar Comunidades de Aprendizagem Investigativa para a pesquisa de soluções para os problemas propostos. Professores, estudantes e pais reunidos em um projeto de Ensino Refle- xivo podem modificar paradigmas do conhecimento, éticos, políticos e eco- nômicos, influindo no curso dos acontecimentos. Esse é o poder que provém da reflexão, da compreensão, da organização do pensamento e da imagina- ção humana. Desejamos um bom trabalho a você. Que você e seus alunos se iden- tifiquem e produzam mais conhecimentos. Coordenação Pedagógica do S.E.R.

Palavras SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano ao estudante Doris Day 1 Rosane Hart 2 O livro “Linguagem: conexão com o mundo” pretende ajudá-lo(a) em sua jornada de reconhecimento da linguagem como rota principal no pro- cesso comunicacional e de construção do conhecimento. Nossa viagem percorre o universo, o nosso mundo (exterior e interior), as Américas e, por fim, o Brasil. Nesse percurso, apresentamos persona- gens que contribuíram para que a língua portuguesa fosse tal como a te- mos hoje. Essa viagem procura resgatar as histórias dos diversos grupos que habitam o mundo e que hoje, podemos dizer, são também minhas, suas, enfim, a nossa história. E, falando no mundo das histórias, selecionamos textos diversos para que você possa se transportar para outros mundos através da reflexão, da sua imaginação e da sua criatividade. Boa viagem... As autoras 1. Graduada em Letras Português pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (1998), com habilitação em Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa e Brasileira. Atualmente leciona no Ensino Fundamental e Médio as disciplinas de Lín- gua Portuguesa, Literatura, Interpretação de Textos e Redação no Colégio Catarinense, em Florianópolis. Atuou também como professora e na área de revisão de textos e produção de materiais didáticos em diversos cursos pré-vestibulares. Desde os primeiros estágios procurou se dedicar aos processos de construção de texto, trabalhando na área de revisão e produção textual. O ambiente de sala de aula, entretanto, capta totalmente sua atenção e é no trabalho diário que vem aprendendo a ensinar. 2 Graduada em Letras Português e Alemão pela Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC (2000) e em Letras Inglês pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL (2005). Mestra em Literatura Brasileira pela Universidade Fe- deral de Santa Catarina – UFSC (2008). Leciona no Ensino Fundamental e Médio as disciplinas de Língua Portuguesa, Lín- gua Inglesa, Literatura e Redação, tendo atuado também como Assessora de Direção (2006-2009). Atualmente trabalha na Rede Estadual de Ensino em Florianópolis e atua como professora formadora no Programa Gestar II, promovido pelo MEC/ UNB/SED.

Coleção SER a arte da reflexão

Quem sou eu? SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano Olá, alunos do 6o ano. Que bom estarmos juntos neste ano, sou Anne Marie Frank, nasci em 1945 em Frankfurt na Alemanha e, vivi até 1929, portanto 16 anos. Tenho um pouco mais de idade do que você. Sou de uma família judia e, por causa da guerra fui vítima do nazismo. Fui enviada ao campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha. Quando completei 13 anos de idade ganhei dos meus pais um dos presentes mais significativos para mim, um diário. Adorei este presente que sempre es- teve comigo. Quero que você me conheça mais durante este ano em que estaremos juntos aqui no nosso livro. Gostaria muito de conhecer você também, por isso o convite para participar ativamente de cada aluna em nosso livro – SER conexão com o mundo: Linguagem no 6o ano. Quer saber mais sobre quem sou eu? Então entre no seu livro digital com sua senha e login ou pelo QRCode – Nos vemos lá!

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Sumário Unidade 1 Capítulo 1 - Ei! Alguém aí? 15 Capítulo 2 - Somos muitos em um só planeta 35 Universos Capítulo 3 - Meu mundo 52 Unidade 2 Capítulo 4 - Mundo antigo 70 SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano Capítulo 5 - Novo mundo 87 Mundos Capítulo 6 - Mundo contemporâneo 104 Unidade 3 Capítulo 7 - Eles já estavam aqui?! 123 Capítulo 8 - Eles chegaram em caravelas 139 Brasil Capítulo 9 - Quem mais está aí?! 154 Capítulo 10 - Brasileiros?! 164

Unidade 1 Universos \"A natureza é a única coisa para a qual não existe substituto!\" Anne Frank

Capítulo 1 Ei! Alguém aí? Fonte: WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em: <http://commons.wikimedia.org/wiki/ File:Sig07-009.jpg>. Acesso em: 18 jul. 2009. Motivando a pensar SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano Muitos cientistas, escritores e cineastas tratam do assunto do surgimento da vida e da vida em outros planetas, despertando ainda mais nossa curiosidade sobre como os diferentes povos explicam o surgimento do mundo e também de como seriam os seres de outros mundos. E você já pensou o que um ser de outro planeta pensaria a respeito de nós, terráqueos? A seguir apresentamos algumas narrativas de povos que explicam o surgimento do mundo. Iniciaremos com o povo Iorubá, um dos maiores grupos étnicos do continente africano. Vários povos unidos pelo mesmo idioma: o Iorubá. O povo Iorubá está presente em países como Nígéria, Benim, Gana, Togo e Costa do Marfim e com o tráfico de escra- vos a partir do século XV chegaram a países como Cuba, Trinidad e Tobago, Haiti e Brasil. No Brasil, parte considerável da população negra carrega traços culturais deste grupo étnico. Como surgiu o mundo para o Povo Iorubá O mundo começou no Ilê-ifê quando o Fonte: WIKIMEDIA COMMONS. Areia. Disponível em: https://commons. orixá Obatalá comunicou ao deus supremo, wikimedia.org/wiki/File:Areia_(2107791485).jpg. Acesso em: 19 Mai. 2022. Olodumaré, o seu desejo de criar a Terra, chamada de Ilê Aiyê.

Como na época o Ilê Aiyê era apenas No livro digital, em água primordial, Oludumaré deu a Obatalá Saiba mais, aprofunde seu um punhado de areia, que deveria ser jogado conhecimento sobre “De sobre a água, e uma galinha ficaria encarre- onde vem o povo Iorubá?” gada de espalhá-la sobre a superfície, dando origem às porções de terra do planeta. Obatalá, embriagado com um vinho de palmenira emo, perdeu a oportunidade de ser o criador do mundo, restando-lhe a tarefa de criar a humanidade a partir do barro, enquan- to Olodumaré daria o sopro da vida aos indiví- duos. Por esta razão os filhos de Obatalá que se espalharam pelo mundo, foram proibidos de consumir bebidas alcoólicas. Coleção SER a arte da reflexão A seguir apresentamos a narrativa do Fonte: VERTENTES DO CINEMA. Disponível em: https://ver- surgimento do mundo sob a perspectiva de tentesdocinema.com/nheengatu-a-lingua-da-amazonia/ uma lenda indígena nheengatu, da Amazônia. Acesso em 07 MAI 2022. Você sabia que “nheengatu” é a Língua Geral Amazônica, também conhecida como Tupi Moderno? Há falantes no Brasil, Colômbia e Venezuela. Existe até um aplicativo para en- sinar o idioma: o Nheengatu APP. Disponí- vel em: https://nheengatu-app.web.app/#/. Acesso em: 7 MAI 2022. A origem do mundo No livro digital, em Saiba mais, aprenda sobre No princípio, contam, havia só água, céu. o Nheengatu? Tudo era vazio, tudo noite grande. Fonte: WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/ Um dia, contam, Tupana desceu de cima index.php?search=amazon+sun&title=Special:MediaSearch&go=Go&type=image. no meio de vento grande, quando já queria Acesso em: 7 MAI 2022. encostar na água saiu do fundo uma terra pe- quena, pisou nela. Nesse momento Sol apareceu no tronco do céu, Tupana olhou para ele. Quando Sol chegou no meio do céu seu calor rachou a pele de Tupana, a pele de Tupana começou logo a escorregar pelas pernas dele abaixo. Quando Sol ia desaparecer para o outro lado do céu a pele de Tupana caiu do corpo dele, estendeu-se por cima da água para já ficar terra grande. 16

No outro Sol [no dia seguinte] já havia ter- No livro digital, em ra, ainda não havia gente. Atividades, teste seu conhecimento sobre o Quando Sol chegou no meio do céu Tu- assunto. pana pegou em uma mão cheia de terra, amassou-a bem, depois fez uma figura de Fonte: WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em: https://commons.wikime- gente, soprou-lhe no nariz, deixou no chão. dia.org/w/index.php?search=amazon+sun&title=Special:MediaSearch&- Essa figura de gente começou a engatinhar, go=Go&type=image. Acesso em: 7 MAI 2022. não comia, não chorava, rolava à toa pelo chão. Ela foi crescendo, ficou grande como SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano Tupana, ainda não sabia falar. Tupana, ao vê-lo já grande, soprou fuma- ça dentro da boca dele, então começou já querendo falar. No outro dia Tupana soprou também na boca dele, então, contam, ele fa- lou. Ele falou assim: — Como tudo é bonito para mim! Aqui está água com que hei de esfriar minha sede. Ali está fogo do céu com que hei de aquecer meu corpo quando ele estiver frio. Eu hei de brincar com água, hei de correr por cima da terra; como o fogo do céu está no alto, hei de falar com ele aqui de baixo. Tupana, contam, estava junto dele, ele não viu Tupana. Fonte: MARTINS, Roberto de Andrade. O universo – teorias sobre sua origem e evo- lução. Disponível em: https://www.ghtc.usp.br/Universo/cap01.html. Aacesso em: 05 MAIO 2022. Investigando e refletindo Texto 1 - Como surgiu Texto 2 - Como surgiu o mundo o mundo para o povo para os Povos indígenas falantes do Nheengatu Iorubá Qual o tema (assunto) do texto? O texto é narrado em 1a ou 3a pessoa? 17

Coleção SER a arte da reflexão Onde se passa a história? Como era no princípio? Quem era o Deus Supremo? O que foi criado primeiro? 1. O narrador é alguém que observa ou vivencia os fatos apresentados em uma histó- ria. Quem são os narradores no Texto 1 – Como surgiu o mundo para ao povo Iorubá e do Texto 2 Como surgiu o mundo para os nheengatu? 2. Esse narrador participa das histórias ou apenas relata os fatos? Justifique a sua res- posta apresentando um fragmento do Texto 1 e um fragmento do Texto 2. Comparando os textos: 3. No texto 1: Como surgiu o mundo para o povo Iorubá, qual o nome que foi dado à terra? a. Obatalá b. Ilê-ifê 18

4. Ainda no texto 1, na frase “Como na época o Ilê Aiyê era apenas água primordial, Olu- SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano dumaré deu a Obatalá um punhado de areia (...)” o que significa o termo “primordial”? Se for necessário, utilize o dicionário. 5. Como é descrita a criação dos seres humanos: a. Texto 1 - para o povo Iorubá - b. Texto 2 – para os povos indígenas - 6. Vimos no Texto 1 e no Texto 2 como culturas diferentes explicam o surgimento da Universo, do planeta Terra e dos seres humanos. Em sua cultura como você aprendeu sobre o surgimento do mundo? Aprofundando o pensar 1. É importante lembrar que cada grupo cultural apresenta sua própria explicação so- bre a criaçãao do universo. Não podemos dizer que uma é melhor do que a outra. É preciso que conheçamos a cultura de cada povo e que a respeitemos em suas dife- renças. Algumas culturas são mais difundidas através de livros, filmes etc e outras quase desconhecidas. No entanto, todas são importantes. Certamente você já viu ou ouviu algo sobre Mitologia Grega, Mitologia Indígena, Mitologia Nórdica, Mitologia Egípcia e tantas outras. 19

2. Você sabe o que é mitologia? Mitolo- Fonte: WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em: https://upload.wikimedia. gia é um sistema de crenças composta org/wikipedia/commons/b/b9/Yggdrasil.jpg. Acesso em: 10 JUN 2022. por várias narrativas (histórias) que tem como objetivo explicar tudo o que exis- te e que é importante para aquele povo (ou grupo cultural). Por exemplo, a ima- gem a seguir representa um elemento da Mitologia Nórdica: a árvore da vida. É uma pintura, publicada em 1847, por Oluf Bagge para explicar como os vikkings acreditavam ser a Árvore da vida. 3. Quanto ao surgimento do Universo te- mos ainda que considerar as evidências apresentadas pela Ciência para explicar esse fenômeno. Você já ouviu falar so- bre o Big Bang? 4. Faça uma pesquisa sobre o Big Bang, organize um cartaz e apresente oral- mente para seus colegas. Coleção SER a arte da reflexão Conectando com o mundo Você acredita em ET? E óvni? O caso do ET de Varginha - O extraordinário relato de um contato alienígena mobiliza ufólogos e envolve o Exército numa acusação de seqüestro Liliane, Valquíria e Kátia são três jovens que disseram ter visto o ET: “Não era bicho nem gente, era uma coisa horrível.” Na época, o então ministro da Aeronáutica, Octávio Moreira Lima, assegurou que os óvnis “eram pelo menos 20.” O coronel-aviador Ney Antunes Cerqueira, então chefe do Centro de Operações de Defesa Aérea, garantia, contudo, que apenas três óvnis foram registrados. Para esclarecer o episódio, o brigadeiro Mo- reira Lima prometeu um relatório oficial sobre as investigações da Aeronáutica em 30 dias. Até hoje os resultados dessa investigação são guardados a sete chaves e poucos querem falar do assunto. “Não me lembro de coisas de dez anos atrás”, 20

esquiva-se o coronel Cer- queira, hoje chefe do Serviço de Proteção ao Vôo, em São Paulo. Outros, com melhor memória, evitam comentar o resultado da investigação. “Foi uma ocorrência excep- cional, mas não chegamos a nenhuma explicação”, sus- tenta o brigadeiro Moreira Lima. Procurado por IstoÉ, em São José dos Cam- pos, onde mora, e em São Paulo, onde trabalha, o ex-ministro Ozires Silva não atendeu à reportagem. Apesar do silêncio oficial, os ufólogos não pretendem arquivar esse caso definitivamente. O episódio será tema de um livro, já em fase final, do presidente do Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais (Infa), Claudeir Covo. “Os cidadãos têm o direito de conhecer esse caso. Conto com a liberação do relatório da Aeronáutica para terminar o livro”, reivindica o ufólogo. Fonte: MORAES, Rita. O caso do ET de Varginha – O extraordinário relato de um contato alienígena mobiliza ufólogos e envolve o Exército numa acusação de seqüestro. IstoÉ independente. Disponível em: <http://www.terra.com.br/ planetanaweb/flash/area51/ets/varginha6.htm>. Acesso em 16 fev. 2010. Nesse artigo, o leitor depara-se com uma dúvida: Afinal, os óvnis passaram por Var- SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano ginha ou não? Na sua opinião, o silêncio das autoridades responsáveis pelo caso torna Liliane, Val- quíria e Kátia personagens de uma ficção criada por elas mesmas ou não? Você pensa nessa história como ficção ou realidade? Justifique sua resposta. Considere também a atitude dos ufólogos. De que modo ela pode contribuir para fun- damentar as suas ideias? O imaginário sobre alienígenas não acontece somente no Brasil, mas no mundo todo, tanto que há profissionais especializados em pesquisar fenômenos ligados a seres de outros mundos: os ufólogos. O fato relatado sobre extraterrestres em Varginha foi matéria de muitos jornais na época, e por todo o Brasil ouvia-se falar no caso. Recentemente o tema retornou aos noticiários com a seguinte manchete: “Et de Varginha completa 25 anos e ufólogo diz ter novas evidências”. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/ No livro digital, noticia/2021/01/20/et-de-varginha-completa-25-anos- em Pesquisas, saiba -e-ufologo-diz-ter-novas-evidencias.ghtml. Acesso em: mais sobre a Área 51. 15 Jul 2022. Você já ouviu falar sobre a existência da Área 51, nos Estados Unidos? 21

Coleção SER a arte da reflexão Situando-me Fonte: WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em: http://upload.wikime- dia.org/wikipedia/commons/1/13/Orlando-Ferguson-flat-earth-map_ Ao escrever um texto, o ponto de vista a res- edit.jpg . Acesso em: 10 jun. 2022. peito de um assunto é exposto. Assim, jornalistas chamam a atenção dos espectadores ou leitores Fonte: WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em: https://commons.wiki- para determinados problemas; escritores reve- media.org/wiki/File:North_America_from_low_orbiting_satellite_Suo- lam o que pensam ou sentem em relação a uma mi_NPP.jpg Acesso em: 10 jun. 2022. ideia ou a um fato; alunos refletem sobre seus conhecimentos e suas vivências e emitem opi- Fonte: WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em: https://commons.wiki- niões. Dessa forma, por meio de palavras, apre- media.org/wiki/File:North_America_from_low_orbiting_satellite_Suo- sentamos nossa visão sobre algo ou alguém. mi_NPP.jpg Acesso em: 10 jun. 2022. As imagens, por sua vez, também são usadas para expressar conhecimento, pensamentos e opiniões. Como na imagem ao lado, publicada em 1893, apresenta um mapa de como acredita- va-se ser o planeta Terra. Já na segunda imagem, publicada pela NASA, em 2012, apresenta o planeta Terra. O uso de imagens também é muito comum em charges, como a que apresentamos na terceira imagem. Com o avanço da Ciência e as novas tec- nologias é possível perceber como a sociedade adquire mais conhecimento e alcança novas descobertas. No entanto, muitas pessoas não têm acesso ao conhecimento científico ou são vítimas de notícias falsas. Como o caso da “Terra Plana” . Há muito tempo acreditava-se que o Pla- neta Terra era plano, no entanto, atualmente esta ideia já foi refutada pela comunidade científica. Observando a charge Terra Plana qual a mensa- gem que o autor quis transmitir? O conhecimento é a única forma que temos para combater as notícias falsas. Pesquise argu- mentos que você possa utiliar para afirmar que a Terra não é plana. Com os dados obtidos a respeito da temáti- ca, crie um jornal para ser apresentado em sala. Combine com seu(sua) professor(a) como será feita a apresentação, se ao vivo, filmada anterior- mente ou impressa. Lembre-se de usar palavras e imagens para reforçar a ideia do tema. 22

Mostrando a língua Antes mesmo de entrarmos na escola, nós nos tornamos falantes de uma SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano língua. No Brasil, a língua oficial é o português, por isso estudamos esse idioma, seu léxico (conjunto de palavras) e suas regras, enfim, o funcionamento dessa língua. Mas o que é uma língua? Um instrumento de comunicação; portanto, um instrumento capaz de gerar interação entre as pessoas. A língua pode ser escrita além de falada. Na escrita, o processo é um pou- co diferente da fala. Exige mais atenção às regras, pois o leitor deve entender claramente a ideia exposta. Na oralidade, o receptor, obviamente, também deve entender a mensagem; porém, em função do contato direto, surge a possibilidade de perguntar e tirar dúvidas para evitar falhas no entendimento. Um dos motivos que nos fazem “esquecer” alguns padrões cultos da língua no momento da fala é a rapidez com que as palavras fazem o percurso entre emissor — quem emite a mensagem — e receptor — aquele que recebe a informação. Por esses e outros motivos, na forma escrita observamos mais as regras de gramática. E o que seria a gramática? Na verdade, não existe apenas a gramática, mas várias gramáticas. A nor- mativa é a mais abordada nas escolas, pois estabelece regras usadas na linguagem culta, e essa linguagem aparece constantemente nos meios de comunicação, o que a torna muito divulgada. Outra gramática é a descritiva, que procura analisar como os falantes de uma língua a têm usado ao longo do tempo, entre eles e conforme as regiões em que se situam. Então, se há mais de uma gramática, por que estudamos geralmente a nor- mativa na escola? Por ser considerada um padrão, exigindo que todos que a usem sigam as mesmas regras de funcionamento, permite também que muitos falantes entendam uma mensagem. Conhecer as regras gramaticais é uma possibilidade de expandir a capa- cidade de comunicação, que exige certamente a adequação a diversas situa- ções. Afinal, há momentos que exigem do falante o emprego de uma linguagem mais formal, observando regras e padrões, e há situações em que a linguagem mais “despreocupada” com as normas é mais interessante. Devemos lembrar que tanto num caso como no outro há sempre uma organização das palavras, pois, do contrário, não seria possível a comunicação. Desse modo, percebemos que conhecer a estrutura, o funcionamento e os elementos de uma língua é um ótimo método para dominá-la e ter facilidade para compreender um texto, um discurso, uma conversa e assim por diante. 23

Coleção SER a arte da reflexão O nome das coisas Os nomes geralmente são os primeiros vo- cábulos que aprendemos. Você já deve ter visto uma criança começando a falar. Suas primeiras palavras – \"nenê, titia, mama, mano, pai, vô, vó, tatá\" – representam, geralmente, nomes de al- guém ou de alguma coisa. Ao longo da vida, vamos assimilando os con- ceitos referentes ao nosso idioma. Quando en- tramos na escola, revemos esses mesmos con- ceitos, mas de uma forma diferente. No caso dos nomes, por exemplo, eles passam a se chamar substantivos. Mas você já se perguntou por que as coisas têm nome? Substantivos Na obra “Este admirável mundo louco”, lemos a autora criar palavras para descrever os seres humanos, os freguetes, e o que faz parte da vida no planeta Terra. “[...] corre um carrinho na direção vertical, chamado elevador, porque eleva as pessoas para o alto dos amontoados. Não ouvi dizer que eles tenham descedores”. Elevador é o nome da cabine que faz transportes na direção vertical em prédios. Elevador é um nome, portanto, faz parte de um grupo ou de uma classe de palavras que dá nome aos seres, às coisas, aos lugares, aos sentimentos, às ações: a classe dos substantivos. Como elevador é comum para todas as cabines que possuem a função de transportar na vertical, e não particularmente a uma só cabine, chamamos esse substantivo de comum, pois é comum para todas as cabines utilizadas com tal função. Vários são os substantivos comuns, que nomeiam de forma geral: perna, boca, mão, telefone, amor, dinheiro e outros. Os substantivos comuns, portanto, são nomes que se referem a seres em geral que fazem parte de um grupo da mesma espécie. O nome do personagem Sintomático, por outro lado, difere nessa conceituação. Repare que não é comum grande parte das pessoas se chamar Sintomático. Basta você observar em sua sala de aula o nome dos seus colegas. Os nomes que se referem a seres em particu- lar de certa espécie são chamados de substantivos próprios. Nomes de lugares, lojas e times de futebol não são atribuídos a seres, mas a elementos particulares dentro de um conjunto, por isso também são nomes próprios, como é o caso de Brasil, Pico da Neblina, Americanas, Corinthians etc. 24

Um mesmo substantivo pode ser classificado de diferentes SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano maneiras. Poderá ser comum ou próprio, simples ou com- posto, concreto ou abstrato, primitivo ou derivado e até mesmo coletivo. Como o contexto interfere na formação do significado das palavras, é importante analisarmos os vocábulos dentro de contextos, como textos ou frases. O termo freguetes, por exemplo, poderia ser o nome de um restaurante ou do cachorro de alguém. Neste caso, seria classificado como próprio em vez de comum. No texto de Ruth Rocha, no entanto, o sentido de freguetes é o mesmo de terráqueos – pessoas que vivem na Terra. Sendo assim, esse substantivo é classificado como simples, e não próprio. 1. Confira se você entendeu a diferença entre substantivos comuns e próprios. Com- plete os balões de falas para a história em quadrinhos. Depois, circule os substantivos próprios e sublinhe os comuns para identificá-los. 25

Coleção SER a arte da reflexão Observe as imagens ao lado. Apesar de você saber que alguns des- ses seres existem apenas em nossos pen- samentos, todos podem ser imaginados. Quando isso acontece, ou seja, quando conseguimos imaginar um sorvete, uma pessoa, uma bolha, as palavras usadas para isso, portanto, são classificadas como substantivos concretos, pois não dependem de outro para existir, permitindo que imaginemos o próprio ser. Por outro lado, há substantivos que dependem de outro ser para existir, como o amor. Para existir amor, é necessário que alguém sinta amor por outro ser, por exemplo. E, por isso, não imaginamos o amor em si, mas algo ou alguém que amamos. Por isso, a palavra amor é clas- sificada como substantivo abstrato, e não concreto. Os substantivos que dão nome a sentimentos, estados, ações, qualidades e processos são chamados de abstratos. É o caso de altura, paixão, prazer, raiva etc. 2. Considere o seguinte poema de Manuel Bandeira que faz parte do livro “Estrela da vida inteira”. O bicho Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. Fonte: BANDEIRA, Manuel. O bicho. In: . Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007. (Coleção Biblioteca do Estudante). 26

Considere o substantivo bicho e responda às questões a seguir. SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano a. Onde estava o bicho? b. Pelas suas ações, o que o bicho sentia? c. Com quais animais ele é comparado? d. Que substantivo revela o nome (comum) do bicho? e. Por que o autor teria usado um substantivo comum para representar um ser humano em vez de criar um substantivo próprio? f. Você certamente pensou que o homem sentia fome. Pela gramática, o subs- tantivo fome é concreto ou abstrato? Por quê? E para o homem parecia um problema concreto ou abstrato? g. Observe a frase “O bicho, meu Deus, era um homem”. Nela a expressão “meu Deus” está destacada, o substantivo Deus grafado com letra maiúscula, portanto, sabemos que é um substantivo concreto. No entanto, em outras situações a palavra deus pode ser grafada com letra inicial minúscula. Qual seria a expli- cação? 27

Por exemplo, quando temos o substantivo sapo e O substantivo que acrescentamos a ele um sufixo, um pedacinho da pala- não deriva de nenhuma vra como -aria, criamos um outro substantivo, como por outra palavra é chamado exemplo: saparia. O mesmo com a palavra desenho se acrescentamos a ela um sufixo, isto é, um pedacinho de de primitivo. palavra, como -ista, criamos o substantivo desenhista. Di- Coleção SER a arte da reflexão zemos, então, que desenhista é derivado de desenho, ou seja, foi criado a partir da palavra desenho. Alguns vocá- bulos, portanto, derivam de outros, isto é, são formados a partir de outras palavras já existentes, sendo chamados de substantivos derivados. São derivados também os substantivos trabalhador, diarista, pedreiro, homúnculo, corpanzil e outros. Se o substantivo não derivar de nenhuma outra palavra será chamado primitivo. É o que acontece com bola, flor, ameixa, praia, noite, terra, chuva etc. Você já comeu cachorro-quente? Então, sabe que se trata de um tipo de sanduíche feito de pão, molho e sal- sicha, e não um animal quente. Para formar a palavra ca- chorro-quente, foram usados dois vocábulos como base: cachorro e quente. O mesmo acontece com guarda-roupa, bicho-da-seda, beija-flor, tique-taque. Os substantivos formados por mais de uma palavra são chamados de compostos. Por outro lado, você conhece diversos substantivos que apresentam uma só palavra, são os substantivos sim- ples. Veja alguns: bola, ator, grupo, mundo, sentimento, escolha. Observe os vocábulos carrinho, florezinhas, cafezinho. Em todos eles foram acrescentados sufixos, isto é, um pequeno conjunto de letras que altera o sentido da palavra primitiva e faz surgir uma nova palavra, a derivada. No caso de carrinho, florezinhas e cafezinho, o sufixo transmitiu a ideia de algo pequeno: carro pequeno, flores pequenas e café pequeno. Há também sufixos que dão ideia de aumentativo, como, por exemplo, -ão em amigão e dedão. O sufixo -inho (diminutivo) e -ão (aumentativo) são bastante usados, todavia existem outros tipos. Para re- presentar o aumentativo: -aça (barcaça), -arra (bocarra), -ázio (copázio), -ona (mocetona), -ejo (lugarejo). E para representar o diminutivo: -acho (riacho), -ote (caixote), -im (flautim), -ebre (casebre), -eta (lingueta). 28

3. Observe os termos a seguir. Todos são substantivos derivados que receberam sufi- xos. Crie pelo menos uma frase com cada um desses termos levando em consideração o significado proposto pelos sufixos acrescentados. VAGALHÃO POVARÉU CANDURA GLÓBULO QUESTIÚNCULA 4. Em algumas situações, os sufixos acrescentados aos substantivos perdem o signifi- cado original e dão origem a um novo vocábulo com ideia diferente da pretendida com a derivação. Observe o vocábulo papelão. Na frase “Que papelão você fez!”, a palavra papelão adquire o significado de fiasco, por exemplo, e não de papel grande. Transmite, desse modo, um sentimento negativo, de discordância. Agora anote os sentimentos que cada substantivo indica. Você também pode repre- sentar o sentido de algumas frases através de uma brincadeira de mímica, que tal? a. Vestia uma roupinha muito mixuruca. Ainda há os SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano b. Gostaria de lhe oferecer uns presentinhos bem mimosos. casos de expres- c. Não faça dramalhão. Todos enfrentamos dificuldades! sões com o sufixo que d. Nossa! Que menininho difícil. se cristalizaram. Desse e. Nunca mais leio esse jornaleco que só traz notícias falsas. modo, o sufixo perdeu sua carga semântica, isto é, as 5. Pense, por exemplo, na palavra cartão. Você conhece pessoas passaram a usar cartão de crédito, cartão de telefone, cartão vermelho, e ne- a palavra sempre com o nhum deles é sequer parecido com uma carta grande, pelo sufixo, mas sem a ideia contrário, são todos pequenos. Considerando essa informa- de aumentativo ou ção, procure em um dicionário o significado das palavras se- guintes: diminutivo. a. folhinha b. portão c. cursinho d. papelão 29

Quando uma palavra representa um conjunto Panapaná, por exemplo, é um con- de elementos da mesma espécie, ou seja, quando a junto de borboletas. palavra consiste no nome desse conjunto, temos um Coleção SER a arte da reflexão substantivo coletivo. 6. Procure descobrir os elementos que formam os coletivos a seguir. a. Arquipélago: b. Cáfila: c. Elenco: d. Senado: e. Câmara: f. Banca: g. Penca: h. Molho: i. Plateia: j. Nuvem: k. Esquadrilha: l. Quadrilha: m. Bando: n. Antologia: o. Ninhada: 7. Alguns substantivos sofrem uma mudança de significado conforme a presença de um artigo femi- nino (a ou as) ou masculino (o ou os). Veja: a rádio → emissora o rádio → aparelho Pesquise as diferenças de significados dos pa- res a seguir. a. a capital – o capital b. a grama – o grama 30

c. a cabeça – o cabeça d. a guia – o guia e. a cobra – o cobra f. a moral – o moral 8. Alguns vocábulos no plural apresentam um sentido diferente do singular, é o caso de SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano bem e bens. No singular significa virtude, já no plural indica propriedade. Confira a dife- rença semântica dos pares seguintes e anote. a. copa – copas b. costa – costas c. ouro – ouros d. ferro – ferros Colocando a mão na massa 9. O escritor Ricardo Ramos representou No livro digital, em pes- o dia de uma pessoa. Na sua opinião, quem quisas, leia o texto Circuito vivencia essas ações dessa maneira é uma Fechado de Ricardo Ramos criança, um adolescente ou um adulto? Quais e perceba a sequência do substantivos o levam a tal conclusão? emprego de substantivos que geram ações. Em segui- da responda as questões a seguir. 31

10. Considerando o que você faz no seu dia, crie o seu \"circuito fechado\" empregando substantivos que identifiquem a sequência das suas ações ou dos fatos que compõem o seu cotidiano. Descrever é identificar Quando usamos elementos que compõem palavras para explicar como é o objeto a ser descrito e apresentálos ao leitor uma pessoa, um através de vocábulos, ou lugar, uma situ- ação, um objeto, seja, de palavras. enfim, para fazer uma espécie de fotografia por palavras, estamos criando uma des- crição. Coleção SER a arte da reflexão 32

Quando fazemos uma descrição apre- SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano sentando o ser descrito como realmente é, trata-se de uma descrição objetiva. Quan- do nossa emoção influencia a descrição, esta se torna subjetiva. É muito comum a descrição aparecer dentro de um texto narrativo, quando o es- critor apresenta as personagens, desta- cando aspectos marcantes. A imagem ao lado tem a ver com a pandemia de COVID-19 (no ano de 2020) para ilustrar o momento em que as escolas fecharam e o ensino passou a ser on-line. Observe atentamente a imagem ao lado e descreva cada criança: Em função do grande interesse do ser humano pela possibilidade de não estar so- zinho dentro do conjunto que inclui a Terra, os astros, as galáxias e toda a matéria dis- seminada no espaço, diversas obras cine- matográficas foram criadas, apresentando supostos seres extraterrestres, como Con- tato, Alien – o oitavo passageiro, Homens de preto e tantos outros filmes. Dentro des- se contexto, é curioso o poder de imagina- ção de cada um dos criadores dos perso- nagens, pois em nenhuma dessas obras os extraterrestres se assemelham. 11. Se você fosse um escritor, quais características físicas atribuiria ao seu personagem extraterrestre? Anote-as em seu caderno. 12. Agora crie uma história com o ser que você imaginou. Em seu texto deverá ser es- tabelecido o contato entre esse extraterrestre e um humano. Você poderá apresentar outros personagens também. Em certo momento de sua história, deverá acontecer um grande problema para o ET e para o ser humano que conversou com ele. Lembre-se de descrever o ser de outro planeta. Para isso, explique como são seus olhos, nariz, boca, orelhas, cabeça, cabelos, braços, pernas, barriga, traseiro, costas, tom de pele, aspecto da pele, tom de voz, roupas, de acordo com a sua imaginação. Depois passe a sua história para uma folha especial, bem bonita, pode até ser colorida, e ilustre o seu texto. Então, apresente sua produção para seus colegas em sala lendo sua história e ouvindo as histórias que eles criaram também. Você ainda poderá combinar com seu(a) professor(a) uma exposição dos textos. 33

Finalizando sem finalizar Até o Google Maps foi atualizado para garantir que o usuário dos mapas consi- ga visualizr o planeta em 3D, em formato arrendondando e não mais na forma acha- tada em 2D como era mostrado anteriormente. Tudo isso, para dar ao internauta a sensação de um planeta redondo. Coleção SER a arte da reflexão Fonte: TECMUNDO. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/voxel/132868-novo-game-de-criador-de-minecraft-traz-ficcao-cientifica-realista.htm. Acesso em: 19 Jun. 2022. Minecraft é um dos jogos mais acessados no mundo e apresenta o Planeta Terra de outra forma. Ele apresenta o planeta quadrado. Você sabe explicar por quê? Qual a lógica do jogo? No livro digital, em vídeos, assista as su- gestões de filmes so- bre o tema do capítulo. Fonte: AMINO APPS. Acesso em: 12 Jun 2022. Disponível em: https://aminoapps. com/c/minecraft-brasil/page/blog/o-real-formato-da-terra-do-minecraft/mol5_ exEhkuNoRrPBLxXeNd60dwwpggWY6Y. 34

Capítulo 2 Somos muitos em um só planeta Para os cientistas, raça é uma ideia No livro digital, em pesqui- sem nenhum fundamento – apenas um sas, veja o artigo sobre: \"Não há rótulo, usado para nos separar uns dos base científica para raça – trata- outros. -se de um rótulo inventado\". Embora os homens formem uma SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano só espécie, há muitas diferenças entre as pessoas que habitam nosso plane- ta. A multiplicidade de gostos, padrões de beleza, comportamento, estilo de vida, conhecimento, tradições, relacio- namentos, enfim, pode ser tão grande quanto a quantidade de pessoas que compõe a sociedade. Por isso, o que é positivo para um pode não ser para ou- tro e ainda é possível que o conceito se altere com o passar do tempo. Desse modo, ou se respeita a indivi- dualidade, ou se vive numa luta constante com todos os que pensam, sentem ou agem de modo antagônico ao nosso. Essa variedade, felizmente, é ob- servada por muitos seres humanos, como riqueza e cultura, entretanto ain- da existem os que se consideram su- periores por apresentarem determina- dos traços físicos, nascerem em certas regiões ou seguirem alguma religião. E você? O que pensa da variedade cultural que transforma a Terra em tan- tos universos diferentes?

Motivando a pensar Muitas vezes a diferença é instrumento Link com Ciências usado para gerar discriminação. O escritor Graciliano Ramos reparava que pessoas con- Muitas pessoas preferem sideravam alguém diferente de si mesmas raspar os cabelos por uma ques- como pior, mas notava também como se sentia tão de estilo. Outras, porém, não a pessoa vista pelos outros e até por si mesma dispõem dessa opção. Pesquise como diferente da maioria. sobre doenças ou disfunções que provocam a queda de cabelos. Leia o texto desse escritor e conheça Rai- mundo Pelado. Coleção SER a arte da reflexão A terra dos meninos pelados Havia um menino diferente dos outros meninos. Tinha o olho direi- to preto, o esquerdo azul e a cabeça pelada. Os vizinhos mangavam dele e gritavam: – Ó, pelado! Tanto gritaram que ele se acostumou, achou o apelido certo, deu para se assinar a carvão, nas paredes: Dr. Raimundo Pelado. Era de bom gênio e não se zangava; mas os garotos dos arredores fugiam ao vê-lo, escondiam-se por detrás das árvores da rua, mudavam a voz e perguntavam que fim tinham levado os cabelos dele. Raimun- do entristecia e fechava o olho direito. Quando o aperreavam de- mais, aborrecia-se, fechava o olho esquerdo. E a cara ficava toda escura. Não tendo com quem entender-se, Raimundo Pelado falava só, e os outros pensavam que ele estava malucando. Estava nada! Conversava sozinho e desenhava na calçada coisas maravilhosas do país de Tatipirun, onde não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul. Um dia em que ele preparava, com areia molhada, a serra de Taquaritu e o rio das Sete Cabeças, ouviu os gritos dos meninos escondidos por detrás das árvores e sentiu um baque no coração. – Quem raspou a cabeça dele?, perguntou o moleque do tabuleiro. – Como botaram os olhos de duas criaturas numa cara?, berrou o italianinho da esquina. – Era melhor que me deixassem quieto, disse Raimundo baixinho. Encolheu-se e fechou o olho direito. Em seguida, foi fechando o olho esquerdo, não enxergou mais a rua. As vozes dos moleques desaparece- ram, só se ouvia a cantiga das cigarras. Afinal as cigarras se calaram. Raimundo levantou-se, entrou em casa, atravessou o quintal e ganhou o morro. Aí 36

começaram a surgir as coisas estranhas que há na terra de Tatipirun, coisas que ele ti- nha adivinhado, mas nunca ti- nha visto. Sentiu uma grande surpresa ao notar que Tati- pirun ficava ali perto de casa. Foi andando na ladeira, mas não precisava subir: enquanto caminhava, o monte ia baixando, baixando, aplanava-se como uma folha de papel. E o caminho, cheio de curvas, estirava-se como uma linha. Depois que ele passava, a ladeira tornava a empinar-se, e a estrada se enchia de voltas novamente. Fonte: RAMOS, Graciliano. Aterrados meninos pelados. 20. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. Quem é o autor? No livro digital, em SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano pesquisas, descubra mais Graciliano Ramos nasceu em Que- sobre esse autor. brangulo, Alagoas. Também morou em Viçosa, Palmeira dos Índios, em Alagoas, A pronúncia correta é e Buíque, em Pernambuco. Seus pais, Se- “Quebrangúlo”, e não “Que- bastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia brângulo”, como parece. Ferro Ramos, eram bastante severos e, quando criança, recebeu várias surras. Link com Ciências Trabalhou como revisor e escritor em Você conhece alguém que vários jornais e revistas. Em 1904, criou tenha olhos de cores diferentes? um jornal para crianças: o Dilúculo. E en- Converse com seu(sua) profes- tre um jornal e outro, casou-se com Maria sor(a) de Ciências e descubra Augusta Ramos, em 1915, que faleceu cin- como isso é possível. co anos depois, deixando-o com quatro filhos. Casou novamente, foi prefeito, dei- xou o cargo, fundou uma escola, escreveu livros. Em 1933 lançou Caetés, depois São Bernardo, Angústia, Vidas secas, Infância, Insônia, Memórias do cárcere, Viagens, Linhas tortas e outros. Com A terra dos meninos pelados recebeu o prêmio Litera- tura Infantil do Ministério da Educação, as- sim ocorreu com outras obras que criou. Características físicas e psicológicas relacionadas a gostos ou desejos nos di- ferenciam das outras pessoas, marcam nossa personalidade, descrevem quem somos. Não quer dizer que nos tornarão melhores ou piores, as características que nos diferenciam nos tornam únicos. Assim como observamos as pessoas e delas criamos uma imagem, Graciliano Ramos observou a si mesmo. Veja a ima- gem que o escritor criou dele mesmo. 37

Autorretrato aos 56 anos Coleção SER a arte da reflexão Nasceu em 1892, em Quebran- Jorge Amado, José Lins do gulo, Alagoas. Casado duas ve- Rego e Rachel de Queiroz. zes, tem sete filhos. Gosta de palavrões escritos e Altura 1,75. falados. Deseja a morte do capi- talismo. Sapato no 41. Escreveu seus livros pela manhã. Colarinho no 39. Prefere não andar. Não gosta de vizinhos. Fuma cigarros \"Selma\" (três ma- ços por dia). Detesta rádio, telefone e cam- painhas. Tem horror às pesso- É inspetor de ensino, trabalha no as que falam alto. Usa óculos. \"Correio da Manhã\". Meio calvo. Apesar de o acharem pessimista, Não tem preferência por ne- discorda de tudo. nhuma comida. Não gosta de frutas nem de doces. Só tem cinco ternos de roupa, estragados. Refaz seus romances Indiferente à música. várias vezes. Sua leitura predileta: a Bíblia. Esteve preso duas vezes. Escreveu \"Caetés\" com 34 anos É-Ihe indiferente estar preso ou de idade. solto. Escreve à mão. Não dá preferência a nenhum Seus maiores amigos: Capitão dos seus livros publicados. Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio. Gosta de beber aguardente. Tem poucas dívidas. É ateu. Indiferente à Acade- mia. Odeia a burguesia. Adora Quando prefeito de uma cidade crianças. do interior, soltava os presos para construírem estradas. Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Espera morrer com 57 anos. Manoel Antônio de Almeida, Fonte: RAMOS, Graciliano. Auto-Retrato aos 56 anos. Dispo- Machado de Assis, nível em:< https://graciliano.com.br/autorretrato/>. Acesso em: 25 set. 2022. 38

Investigando e refletindo Após as respostas in- dividuais vamos discutir para 1. O texto “A terra dos meninos pelados”, de Gra- ciliano Ramos, trata de crianças. Entre elas, uma ampliar os entendimentos, chama a atenção de todos. Quem é esse persona- como alunos do 6o ano. gem? Por que ele desperta tanto a curiosidade das outras crianças? 2. Os meninos “mangavam” dele. Qual a reação do menino diante dessa atitude? 3. A cabeça do menino era pelada. Havia uma razão para isso? Alguém a raspou? 4. Em determinado momento, o garoto se encolhe e não ouve mais nada. Nesse instan- SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano te as crianças foram embora? O que você imagina ter acontecido? Essa atitude denota que tipo de emoções? 5. Onde ficava a terra dos meninos pelados? 6. À medida que Raimundo passava por Tatipirun, o que acontecia com a ladeira e o caminho? Você conhece algum lugar semelhante a esse? 7. Em nossa vida, é comum a estrada se tornar de fácil passagem à medida que a atra- vessamos? O que cada um de nós pode fazer para facilitar uma travessia? 39

Coleção SER a arte da reflexão Aprofundando o pensar 1. Segundo o dicionário Houaiss, ao verbete “pelado” são atribuídos os seguintes sig- nificados: adj. 1 sem pelo ou cabelo. 2 infrm. Nu. O sentido que aparece no dicionário é chamado denotativo, mas, de acordo com o contexto em que uma palavra é empre- gada, o significado pode variar. Quando o sentido denotativo, isto é, o sentido atribu- ído pelo dicionário à palavra, recebe um significado diferente em função do contexto em que ele aparece, esse sentido passa a se chamar conotativo. No texto “A terra dos meninos pelados”, o vocábulo “pelado” é usado em que sentido? Qual(is) o(s) seu(s) significado(s)? 2. Algumas pessoas gostam de inventar palavras. Graciliano Ramos usou o termo “malucando”, que não faz parte do vocabulário culto da língua portuguesa; porém, dentro do contexto em que foi empregado, faz sentido. Anote as palavras que fazem parte do vocabulário da nossa língua e que servem como sinônimos de “malucando”. 3. Graciliano Ramos também apresenta a expressão “aperreavam”. O que significa no texto? Crie uma frase empregando-a. 4. De acordo com a história, o que é “mangar”? Essa palavra é própria da região onde você mora? Como as pessoas se expressam em sua região para dizer isso? 5. Na sua opinião, por que palavras tão usadas em certas regiões não fazem parte da linguagem culta de um país? 6. As expressões usadas por um grupo de pessoas muitas vezes diferem das utiliza- das por outro grupo. Um adolescente escrevendo na internet, por exemplo, costuma empregar um vocabulário diferente do apresentado por um advogado em uma entre- vista de emprego. Por que grupos sociais apresentam distinções em seu falar? 7. A classe social e a capacidade econômica de aquisição podem interferir no uso da linguagem? Por quê? De que modo? 8. Há falantes da língua portuguesa que desconhecem algumas, ou até muitas, regras da gramática normativa. Com isso, reflita: qual a função da gramática se nem todos a aplicam? É possível deixar de usá-la? Por quê? Conectando com o mundo A língua não é estática, pelo contrário, quanto mais contatos entre falantes de línguas diferentes são estabelecidos, mais influências são geradas. Assim, o contato com outros povos, a necessidade e as possibilidades de comunicação através da tec- nologia atual e a evolução da sociedade promovem uma renovação das regras gramaticais e do léxico, ou seja, do conjunto das palavras e expressões que fazem parte de uma língua. 40

Por outro lado, novas palavras surgem, ou- A tras voltam a ser usadas, algumas caem no es- língua portuguesa, quecimento e ainda há aquelas que recebem utilizada por mais de 260 uma modificação de sentido e são mantidas na milhões de falantes, está pas- comunicação. sando por um período de “reci- clagem” conhecido como reforma Para o Brasil, as mudanças advindas do ortográfica em oito países – An- Acordo Ortográfico atingiram menos de 1% das gola, Brasil, Cabo Verde, Guiné- palavras que usamos, portanto poucas mudan- -Bissau, Moçambique, Portu- ças ocorreram para nós. Em Portugal, as mu- gal, São Tomé e Príncipe e danças foram um pouco maiores, mas não che- garam a alterar nem 2% do vocabulário. Timor-Leste. Fonte: WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em: <http:// pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Map-Lusophone_World- en.png>. Acesso em: 18 jul. 2009. SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano Então, qual o objetivo de se realizar esse acordo? No livro digital, em pesquisas, obtenha mais Gerar unificação da língua e, com isso, torná-la informações a respeito do mais forte, já que terá peso unificado. assunto Acordo Ortográ- fico bem como de outros E qual a importância de uma língua falada em assuntos relacionados ao vários países ter um “peso unificado”? português. Será que todos os países que “falam” português assinaram o Acordo? Por que ocorreu uma diferenciação entre o por- tuguês falado aqui no Brasil, por exemplo, e o falado em Portugal? Se, desde 1990, esse acordo vem sendo trata- do, por que somente agora está entrando em vigor? Aliás, está entrando em vigor em todos os países que assinaram o Acordo ao mesmo tempo? 41

Procure descobrir as respostas para esses questionamentos consultando revistas, jornais e sites na internet e anote as informações encontradas. Pesquise também quais as maiores modificações verificadas e as possíveis consequências para os falantes de português. Analise os dados obtidos e organize-os em lado positivo e negativo. Busque também saber a opinião de algumas pessoas a respeito do assunto. Faça entrevistas com parentes, amigos, professores perguntando sobre o que sabem do Acordo, o que consideram positivo e negativo e assim por diante. Então, crie um cartaz para apresentar as informações mais interessantes de sua pesquisa e exponha-o em sua escola. Mostrando a língua No livro digital, em games, exercite seus Em dupla, desenvolva as atividades abaixo. conhecimentos deste capítulo. 1. No texto “A terra dos meninos pelados”, o autor Graciliano Ramos descreve Raimundo. Quais as características mais marcantes do menino? Coleção SER a arte da reflexão 2. Agora observe seu(sua) colega. Repare olhos, cabelos, nariz, orelhas, estatura, timbre de voz, tom de pele, enfim, todas as características que possam descrevê-lo(a) e anote tudo. Adjetivos Ao descrever seu colega, certamente você empregou expressões como cabelos compridos, olhos escuros ou voz grave, por exemplo. Essas palavras que você usou para caracterizar feições, corpo e voz são chamadas de adjetivos. Observe que os adjetivos se ligam a substantivos acrescentando uma ca- racterística. Às vezes também podem ser usadas várias palavras em vez de uma só para qualificar um nome, como você pode observar nas frases a seguir. 42

I. Renata tem cabelos da cor do sol. SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano II. Era um caminho de curvas. Esse conjunto de palavras, ou essa expressão, que funciona como um adjetivo recebe o nome de lo- cução adjetiva. Em alguns casos, é possível substituir a locução adjetiva por um adjetivo: Era um caminho curvilíneo. Em outros contextos, a troca pode não parecer tão adequada, mesmo desempenhando sua função de caracterizar: Renata tem cabelos da cor solar. Há casos ainda em que o sentido do adjetivo sofre alterações se o substantivo for uma locução: I. Recebi uma pulseira prateada. II. Ganhei um anel de prata. Perceba que nem tudo o que é prateado é de prata. 3. Nas frases abaixo o termo destacado é um substantivo. A ele se liga uma palavra que indica qualidade, ou seja, um adjetivo. Identifique quais adjetivos se ligam aos vocábulos em destaque. a. “[...] desenhava na calçada coisas maravilhosas [...].” b. Atravessou o quintal imenso. c. “Seu olho direito era preto.” d. “[...] desenhava com areia molhada.” e. Tinha a cabeça raspada. 43

Coleção SER a arte da reflexão 4. Locuções adjetivas são expressões ou conjuntos de palavras que atribuem a um substatntivo característica. Retire das orações seguintes as locuções adjetivas. a. A cantiga das cigarras nos deixava calmos, embora fossem estridentes. b. O italianinho da esquina teimava em escrever seu nome na calçada. c. As meninas se escondiam por detrás das árvores da rua para assustar as irmãs mais novas. d. Quando eram criticados, olhavam com o rabo dos olhos. e. As vozes dos moleques desapareceram na escuridão daquela trilha. 5. Considerando o sentido das locuções adjetivas destacadas, substitua-as por um adjetivo. a. Era um caminho de curvas aquele pelo qual se estendiam as árvores. b. O amor de pai é importante para todos os seres. c. Sentiu o ácido de limão lhe corroer a boca cheia de aftas. d. Seus pés foram encobertos pelas ondas do mar lentamente. e. Raimundo sentiu que a menina teve uma atitude de irmã. f. Sua mãe lhe deu um protetor de lábios para usar no inverno. 44

Observe as frases abaixo. I. Raimundo está feliz. II. Mariana está feliz. Você reparou que a mesma palavra, feliz, foi usada para caracterizar um menino e uma menina? Quando um só vocábulo, uma só forma serve tanto para menino quanto para menina, portanto, para o gênero masculino e para o feminino, dizemos que o adjetivo é uniforme, ou seja, possui só uma forma. O mesmo ocorre com os adjetivos inteligente, elegante, atraente, sublime, adorável e outros. Agora leia estas frases: I. Mariana é uma boa menina. II. Raimundo é um bom menino. Nelas observamos a caracterização de Mariana e de Raimundo sendo realizada por SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano meio dos adjetivos boa e bom. Foram usadas, portanto, duas palavras, duas formas dife- rentes, sendo uma para o gênero feminino e outra para o masculino. Note que, apesar de boa e bom terem o significado ligado à bondade, portanto, a um só sentido, as letras que compõem esses vocábulos são diferentes. Quando o adjetivo varia para realizar a con- cordância de gênero, dizemos que esse adjetivo é biforme, ou seja, possui duas formas. 6. Crie uma pequenina história empregando os Fique atento seguintes adjetivos biformes e uniformes. Observe que íntegro, assi- ÍNTEGRO GLOBAL DIFERENTE métrico e escasso são adjeti- INFERIOR ASSIMÉTRICO ESCASSO vos biformes e, por isso, devem FRÁGIL SIMPLES concordar em gênero com o substantivo a que se referem. Considere os adjetivos nestas orações: I. O menino tem o olho esquerdo azul. II. Seu uniforme era azul-claro. 45

O adjetivo esquerdo, na frase I, liga-se ao substantivo olho, assim como azul também se liga ao vocábulo olho. Esquerdo e azul são duas características diferentes do olho. Esses adjetivos, que apresentam uma só palavra em sua formação, são chamados simples. Na frase II, o adjetivo azul-claro é formado por duas palavras, pois é um tipo de azul. Neste caso, o adjetivo é um só, mas, por apresentar na sua formação mais de uma palavra, é chamado composto. Para ver se você entendeu bem a diferença entre o adjetivo simples e o composto, resolva estas questões. 7. Identifique nas frases os adjetivos e circule-os. Em seguida, anote se é simples ou composto. Caso seja composto, indique também quais as palavras usadas para formar esse adjetivo. a. O menino não estava zangado. b. Em Tatipirun as pessoas têm um olho preto e outro azul. c. Seu boné era azul-claro. Coleção SER a arte da reflexão d. O menino pelado precisa se proteger dos raios ultravioletas. e. Será que a menina é luso-brasileira? 8. Observe se o substantivo está no singular ou no plural. Então complete as lacunas com adjetivos que concordem com o número do substantivo, isto é, com adjetivos no singular ou no plural. a. O rosto do menino é . (Assimétrico) b. As plantas são . (Frágil) c. Em Tatipirun as pessoas são . (Íntegro) d. Os amigos fazem uma amizade . (Bom – Verdadeiro) e. Dr. Raimundo Pelado era um homem . (Elegante) 46

9. Pesquise em revistas ou jornais frases que apresentem adjetivos simples e compos- tos (pelo menos cinco de cada). Recorte as frases, cole-as em uma folha ou em seu ca- derno e anote, após cada frase, o significado do adjetivo encontrado. Lembre-se de que você deve apresentar o nome do jornal ou da revista da qual tirou a frase e a data também. Como você percebeu, o adjetivo será feminino ou masculino de acordo com o gênero do substantivo ao qual se ligar. Do mes- mo modo, o número do adjetivo também concorda com o número do substantivo ao qual se refe- re, portanto, singular ou plural. 10. Ainda observando gêneros, passe para o feminino o que for possível. a. O tenente enfurecido não admitia aquele desrespeito. b. O patriarca, desejoso do sucesso dos filhos, matri- SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano culou-os no curso superior. c. Naquele mês o funcionário eficiente tornou-se ainda mais valioso por ser tão prestativo. d. O sinal era ensurdecedor, por isso, os trabalhadores não ouviam o falar baixo do chefe delicado. e. O homem curioso estudou muito até se tornar um cientista impecável e atencioso. 47

Existe ainda um tipo de adjetivo que indica origem, ou seja, de onde veio a pessoa, o objeto, o produto, a ideia, enfim, a pátria do substantivo ao qual o adjetivo se liga. Neste caso, o adjetivo chama-se pátrio. Veja uma lista de adjetivos pátrios referentes aos esta- dos brasileiros. Acre (AC) Bahia (BA) Goiás (GO) Alagoas (AL) Ceará (CE) Acriano Baiano Goiano Alagoano Cearense Maranhão (MA) Amapá (AP) Distrito Federal/ Mato Grosso (MT) Amazonas (AM) Maranhense Amapaense Brasília (DF) Mato-grossense Amazonense Brasiliense Espírito Santo (ES) Mato Grosso do Minas Gerais (MG) Piauí (PI) Roraima (RR) Espírito-santense, Sul (MS) Piauiense Roraimense Mato-grossense- Mineiro capixaba Coleção SER a arte da reflexão -do-sul Pará (PA) Rio de Janeiro (RJ) Santa Catarina (SC) Paraíba (PB) Rio Grande do Norte (RN) Paraense Paraibano Rio-grandense-do-norte, Fluminense, Catarinense, catari- norte-rio-grandense, carioca neta, barriga-verde potiguar São Paulo (SP) Paraná (PR) Rio Grande do Sul (RS) Sergipe (SE) Pernambuco (PE) Paulista Paranaense rio-grandense-do-sul, Sergipano Pernambucano sul-rio-grandense, gaúcho Rondônia (RO) Tocantins (TO) Rondoniano, Tocantinense rondoniense 48

11. Preencha as lacunas com adjetivos pátrios e, em algumas frases, com o substantivo próprio que represente o estado. a. Sou um(a) menino(a) , pois nasci em . b. Quem nasce no estado de São Paulo é , mas quem nasce na cidade de São Paulo é . c. Quem nasce no estado do Rio de Janeiro é , mas quem nasce na cidade do Rio de Janeiro é . d. Graciliano Ramos nasceu em , por isso é chamado . e. Ruth Rocha nasceu em , ela é . f. Meu professor nasceu em , por isso é . g. Meus pais são de , eles são . Colocando a mão na massa Descrição objetiva - Pessoas SER conexão com o mundo: linguagem / 6o ano Quando conhecemos alguém, suas características mais marcantes rapidamente cha- mam a nossa atenção. Observamos cor e forma dos cabelos, olhos, nariz, tom de pele, dentes, estrutura do corpo, altura, timbre de voz, roupas, acessórios, enfim, elementos que, de modo objetivo, geralmente mais relacionados ao físico percebemos. Mais acima, você praticou a descrição através de uma charge durante a pandemia. Na charge foi possível perceber como cada criança era, de como viviam e qual o acesso que tinham à tecnologia. Algumas características da imagem são consenso e não depen- dem dos sentimentos de alguém para serem percebidos, faz parte da descrição objetiva. 1. As características que dependem de uma interpretação individual, de acordo com sen- timentos, por exemplo, são subjetivas. O autor Graciliano Ramos, ao escrever seu au- torretrato, apresentou ideias mais objetivas a respeito de quem era e outras mais liga- das ao que sentia, pensava, gostava ou não. Retire do texto “Autorretrato aos 56 anos” as características mais objetivas e anote-as em seu caderno. 2. Com base no autorretrato de Graciliano Ramos, crie o seu autorretrato. Aproveite o que você pensou sobre si mesmo, acrescente outras informações além de sua caracteri- zação física e procure criar uma definição sobre quem você é. Passe a limpo numa fo- lha especial, ilustre-a com fotos suas ou desenhos. Exponha seu texto aos colegas por meio de leitura oral e fixe seu trabalho num lugar da sala ou do corredor de sua escola. Nesta oportunidade, observe se a ideia que você tem de seus colegas é a mesma que eles têm de si mesmos. 49

Coleção SER a arte da reflexão 3. Um pensador chamado Sócrates aconselhou: “Conhece-te a ti mesmo”. Uma boa maneira de procurar se conhecer é observar nosso modo de agir, de pensar, nossos gostos, desejos, nossas qualidades e o que é necessário melhorar em nós mesmos. Essa busca por nos conhecermos vai além do que somos fisicamente ou temos mate- rialmente, pois se liga à nossa essência, ao que somos lá em nosso íntimo. Pense um pouco sobre você mesmo. Quem é você? Outras criações 4. Faça uma brincadeira com seus colegas. Pense em alguém da sua escola que todos conheçam e retrate com palavras essa pessoa, mas sem dizer o nome dela. Em voz alta, leia sua descrição para ver se os seus colegas conseguem adivinhar quem você descreveu. 5. Ao se retratar outra pessoa é muito comum o uso de palavras ofensivas, portanto, é muito importante que se pense no sentido das palavras que são utilizadas ao se referir a outra pessoa. E quanto a você? Já ouviu alguma palavra que o deixou magoado ou o ofendeu? Qual foi? 6. Observe as imagens a seguir e coloque-se no lugar de uma dessas pessoas. Imagine como é o seu dia a dia: o que faz ao acordar, durante o período matutino, o que almoça, o que faz à tarde, quais atividades desenvolve, o que faz nas horas vagas, o que sente nos diversos momentos do dia, como é fisicamente, como gostaria de ser e por quê. A partir dos dados imaginados, escreva um autorretrato desse personagem que você está representando. Albert Einstein, em 1893, aos 14 Criança indígena, da cultura Retrato de Marie Charlotte de anos de idade. Tewa. La Tour d'Auvergne, princesa de Beauvau. 50


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