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Estações da vida 13 06 2023_sumario ok

Published by Editora Lestu Publishing Company, 2023-06-19 00:02:55

Description: Estações da vida 13 06 2023_sumario ok

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Alisson Dias Gomes O SER HUMANO E SUA CAIXA DE PANDORA O conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento. John F. Kennedy Há dias em que é difícil abrir os olhos, sair da cama, encarar a rotina e tentar executar as obrigações, mesmo que seja exclusivamente pela necessidade de cumprir os compromissos. Há dias em que perguntas perturbado- ras chegam com tudo e muitas vezes vêm acompanha- das de pensamentos repetitivos e inquisidores. Há dias em que as certezas correm longe de nossa mente e dão lugar fértil às imprecisões e dúvidas. Na verdade, tem dia que se dependesse de cada um de nós não seriam vividos. Saltaríamos, arrancaríamos ou apagaríamos es- tas “benditas” datas do calendário da vida. Para completar ainda mais a atmosfera desfavo- rável ao equilíbrio pessoal, nos tais dias e momentos, sentimentos positivos se descompensam, chegando aos limites mínimos extremos, e referenciais até então ador- mecidos (ou estabilizados) de dor, angústia, medo, lásti- ma, indefinição e desgosto são ativados a tal ponto, que nos entorpecem a mente, o corpo e a alma. Por último, a apatia e o desânimo se apresentam como detentores das forças brutas humanas quase invencíveis ou, em ou- 201

Estações da Vida tras palavras, bloqueadoras de nossa capacidade de (re) ação e entendimento. É provável que isso já tenha ocorrido com você em algum momento da vida por causas variadas e tenha gerado consequências diversas e algumas delas bem inesperadas. As pessoas sentem em proporção e inten- sidade diferentes, ainda que algumas delas exponham de forma específica e outras não, o mesmo fato vivido. É possível que situações desta natureza se sucedam e a gente nem dê a devida atenção pela dureza do momen- to ou da própria personalidade ou, ao contrário, quem sabe nos agarramos a ela como se não existissem saídas e soluções? Diante de indagações como estas, penso muito como seria mais alentador viver tais sensações sozi- nho, sem envolver e, possivelmente, contaminar outras pessoas; sem interferir e afetar outros mundos parale- los individuais. Se nessas horas pudéssemos condensar sentimentos e senti-los solitariamente talvez fosse bem melhor; se nesses instantes tivéssemos capacidade real de controle talvez aliviássemos a percepção de respon- sabilidade do outro. E, com isso, as dores não seriam como as ondas do mar, de modo contínuo, incansável e insistente até que se dissipem dos nossos olhos como o pôr do sol. Blindar os mais próximos e íntimos de nos verem em momentos instáveis é missão impossível, resultando numa tentativa em vão. O interesse pelo bem-estar e a intimidade das relações construídas ao longo da vida 202

Alisson Dias Gomes farão com que se perceba o diferente daquele instante exato, seja pelo tom de voz, pelas reações físicas (olhar, movimentos na boca, mexidos de mãos e pés etc.) ou pela mudança comportamental. É como se a Caixa de Pandora, artefato da mitolo- gia grega que continha os males do mundo e que ana- logamente cremos que cada um de nós possui também o seu próprio mix de complexidades e imperfeições, fosse aberta de repente, dando livre acesso às senhas indecifráveis de sensações. Na luta diária da vida, para sobrevivência física, so- cial e emocional, associo-me a Sigmund Freud, pai da Psicanálise, quando afirma: “um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste”, tentando agarrar-me à convicção de que tenho lutado e feito deste combustível algo indis- pensável para combater o bom combate. 203

Estações da Vida ADULTIZAR CRIANÇAS E INFANTILIZAR ADULTOS Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho. Clarice Lispector Um dos desafios da vida reside em experienciar cada fase no seu devido momento, tentando tirar pro- veito daquilo que se tem por diante, sem acelerar ou retardar condutas, comportamentos, opiniões e sensa- ções. Por isso, é tão necessário pensar sobre o processo de inversão de papéis ou de aceleração de fases nos quais muitos seres humanos podem estar imersos, sem nem perceber, bem como também podem submeter crianças do convívio próximo a esta realidade. E aqui nos distanciamos da exaltação à vida linear, por reco- nhecer que nem sempre ela é reta e lisa. Aliás, fazen- do uma analogia simples, a vida é como muitos cabelos ondulados, repleta de curvas, cheia de vírgulas e pausas reveladoras, composta de contradições e aberta a evo- luções. Justamente por isso, não podemos nos isentar de pensar, observar e agir diante de situações em que ve- mos “crianças-adultas” ou “adultos-crianças”. Nada con- tra em momentos pontuais! Ver uma criança com habi- lidades e discursos maduros em certos momentos pode ser surpreendente, estimulante e prazeroso. Mas, não 204

Alisson Dias Gomes pode ser a regra e o esperado! O mesmo se aplica a um adulto que, em dado momento, pode recorrer a re- cursos linguísticos e atitudes infantis para expressar ou justificar determinados posicionamentos. Contudo, isto também não pode ser a regra e o desejado! Sabe por quê? De acordo com textos sobre comportamento e es- pecialistas que se dedicam ao entendimento e auxílio no desenvolvimento humano, o grande prejuízo de adul- tizar crianças está em provocar a perda da infância, da socialização, da coletividade e da capacidade de brincar livremente, fundamental para seu (re)conhecimento de mundo. Guardadas as devidas proporções, porém seguin- do caminho comum, infantilizar adultos (ou adultos in- fantilizados) é um perigo para sociedade, pois estare- mos diante de sujeitos que lidam e priorizam respostas imediatas e satisfatórias, sem tanta elaboração tal qual uma criança, e não sabem lidar com frustrações ou pos- tergações. São seres que vivem a ilusão da felicidade a qualquer preço, a todo instante e buscam o protagonis- mo permanente nas mais variadas situações. Neste contexto, ambos os sujeitos (crianças e adul- tos) crescem sem viver os momentos devidos. Os refe- renciais de cada fase se perdem. Daí porque tem sido muito recorrente nos depararmos com crianças que re- velam o estresse comum a outras etapas da vida, por exemplo, bem como adultos incapazes de lidar com a dificuldade do impossível, manifestando, muitas vezes, 205

Estações da Vida comportamentos como birra, teimosia, codependência, dificuldades de comunicação, agressividade etc. diante das contrariedades da vida. O fato é que precisamos estar atentos, conscientes e vigilantes para que as crianças não entrem no proces- so de adultização. Em especial, por sabermos que a in- fância tem data para começar e acabar. Ou seja, é curta (de verdade!) e cada momento dessa fase será determi- nante para o adulto de amanhã. Tocamos neste assunto e fazemos este alerta, ten- do por fim propor o agendamento do tema entre todos. Afinal de contas, vale lembrar que a personalidade e o caráter são reflexos dos tempos de criança, como de- fendem vários estudos que já provaram que o compor- tamento na vida adulta é, em grande parte, decorrente das experiências pelas quais passamos na infância. Em outras palavras, é preciso ser criança e adulto nos tem- pos certos. Ah! E que fique claro que ainda adultos po- demos conservar as crianças existentes em nós. 206

Alisson Dias Gomes CHOVE AQUI DENTRO E LÁ FORA! Coragem é a resistência ao medo, o domínio do medo, e não a ausência do medo. Mark Twain Temos tido dias chuvosos em Teresina, Piauí, e no mundo. E tem sido chuvisco ou tormenta torrencial lá fora, mas também dentro de cada um(a). Numa manhã recente, da varanda do meu apartamento observei que as lágrimas que caiam do céu eram bem similares àque- las que o jovem vizinho derramava. De maneira quase sincrônica ambos extravasavam e deixavam fluir emo- ções felizes ou tristes, atuais ou antigas, saudosistas ou benignas. O fato é que a água que banhava árvores e jardins e limpava ruas parecia bem próxima àquela que escorria da face do rapaz de pouco mais de 30 anos e lubrificava cada músculo, em especial a janela da alma: os olhos. A melodia entoada pela natureza e pelo ser humano parecia harmônica e revitalizadora a ponto de chamar a atenção de quem admirava a cena e inevitavelmente passou a especular as razões para tal ação. Diante da fertilidade de imaginação, do tempo ocioso, do contexto atual de vida, do estímulo ao mer- gulho pessoal e dos processos intermináveis de reforma íntima, me transportei a momentos em que chorei por 207

Estações da Vida motivos variados. E foram muitos! Alguns, acompanha- do; outros, bem isolado, no meu mundo particular, com a luz devidamente apagada. De modo imediato, recor- dei-me que o choro é a primeira forma de comunicação do ser humano com o mundo, ainda bebê, sendo exerci- tado a partir do nascimento até a vida adulta, em muitos casos, e me lembrei de uma vez em que meu sobrinho chorava e eu simplesmente observava suas reações e manifestações. Desde então, tenho ressignificado o choro. Faço isso todos os dias! Sou da geração que foi ensinada a considerar a sensibilidade uma característica exclusiva das mulheres, pois caso contrário, se transmitiria a im- pressão de fraqueza e debilidade. Portanto, creio muito no choro como efeito catártico (purificação espiritual por meio do emocional), mas não necessariamente ape- nas isso. O choro é uma manifestação humana importante, assim como o riso. Ambos têm muito valor e, por sinal, podem se misturar, a depender da situação. E a falta de capacidade de expressar tais emoções pode gerar “con- tas caras”. Daí porque ver o vizinho chorando “me fez bem”, pois ainda que não saiba a causa, seja ela boa ou ruim, me dei conta que os novos homens estão mais propensos a expressar sensações e sentimentos. E tiro tal conclusão não somente pelo dia chuvoso e a varanda ocupada, mas por entender que existe uma busca mais frequente para o equilíbrio entre ser racional e sentimental, sem pender mais para um ou outro lado. 208

Alisson Dias Gomes Afinal de contas, para muitos racionais, independente do gênero e classe social, pode ser mais difícil chorar e é preciso estar atento, pois, se isso se tornar um in- cômodo para o indivíduo, é aconselhável buscar auxílio médico e psicológico. Da mesma forma, se o choro é fácil demais, aliado a outros sintomas, com ênfase nos negativos (tristeza, desânimo, fadiga mental, ansiedade, impulsividade etc.) também se fará necessário acompa- nhamento profissional. Quando falamos em choro e, por sua vez, em riso, é importante ter em mente que tudo é tão relativo e sub- jetivo que me recordei da declaração certeira de Macha- do de Assis: “há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas.” Em outras palavras, tudo fica a critério de cada um(a) sempre, o tempo todo, levando em conta o repertório cognitivo pessoal, pois os Titãs já cantaram na música Epitáfio: “cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”. 209

Estações da Vida CUIDANDO DA IMUNIDADE ESPIRITUAL Sonhar é verbo: é seguir, é pensar, inspirar e fazer força, insistir, é lutar, transpirar. São mil verbos que vem antes do verbo realizar. Bráulio Bessa O ano de 2020 ficará marcado na história da hu- manidade como um ano de pandemia e de busca de- senfreada pela vacina contra a covid-19, responsável por vitimar milhares de pessoas nos quatro cantos do mundo. Além disso, o valor da Ciência será (re)afirmado em diversas nações e sociedades ainda que em tempos e proporções diferentes levando em conta aspectos cul- turais, econômicos e políticos. E, em meio a tudo isso, é preciso reconhecer que o corpo humano está preparado para lidar com milhões de micróbios, vírus, bactérias, germes etc. que clamam por penetrar nosso organismo e provocar desastres, sequelas e, até mesmo, extermínios. Felizmente, temos milhões de defensores prontos para se lançarem sobre estes invasores e derrotá-los ao menor sinal de conta- minação. Vale dizer que a reação é automática, muitas vezes, não precisando nem sequer pensar sobre ela. No entanto, nesta ocasião, tocamos em outro tipo de defesa tão importante quanto a imunológica: a de- fesa espiritual. Como está a nossa fé? No que cremos? 210

Alisson Dias Gomes Quais são os hábitos e as práticas que cultivamos para cuidar do nosso espírito? Que tempo dedicamos para equilibrar o corpo, a mente e o espírito? A ameaça à vida não se restringe aos organismos patogênicos, mas também às tentações e provações es- pirituais, podendo vir a ser percebida e encarada de di- ferentes formas. Independente da crença religiosa, aqui falamos de espiritualidade numa perspectiva macro e micro. Em outras palavras, ainda que possa parecer con- traditório, falamos numa conexão com Deus, Alá, Buda, Oxalá, Jeová, você... (designações variadas, um só deus), a depender da formação, da escolha e da liberdade reli- giosa de cada ser humano. É justamente para chamar a atenção de todos para a necessidade de reservar tempo e cuidados para a imu- nidade espiritual que este texto se apresenta, compreen- dendo que existem forças por trás de ataques à mente e ao coração, bem como também ao modo de pensar, sentir e expressar. Longe de precisões científicas, temos por fundamento tão somente percepções e sensibilida- des, sem privilegiar exatidões ou infalibilidades. Mui- to pelo contrário, no campo da espiritualidade, quase tudo é válido desde que não faça mal a si, ao outro e ao mundo, sendo preciso cultivar o respeito às práticas e opiniões divergentes. Daí porque discordar do retratado até aqui é aceitável desde que se dê em condições de civilidade e consideração. Sem pretensão de disponibilizar um guia com orientações para geração de anticorpos espirituais, este 211

Estações da Vida texto tem por finalidade apenas convidar a todos a pen- sar sobre como lidamos com nossa espiritualidade e o que temos feito para cuidar do nosso sistema imunoló- gico espiritual. Isso porque entendemos que medidas precisam ser tomadas ao longo do tempo, desde cedo, para promoção desse tipo de saúde que dialoga intima- mente com a saúde mental-emocional. Em reconhecimento ao valor da oração/reflexão/ meditação deixamos como sugestão a prática desta conduta, sem necessariamente ser em condições, locais ou ritos específicos, ainda que isso também seja possí- vel. Isto é, cada ser humano escolherá conforme suas conveniências e seus valores. De todo modo, o mais significativo é ter em mente a força que uma prece ou uma reza tem de acalentar, apaziguar, encorajar, gerar autoconhecimento, desper- tar a esperança e tornar a vida mais leve. Portanto, algo a ser experimentado, cultivado e praticado de modo diário e/ou semanal. E, neste contexto, como prega Ricardo Melo, refe- rência mundial em Coaching, autor de livros e pesquisa- dor ativo de técnicas de meditação e filosofias orientais, à medida que se ora é possível se aproximar do Deus que existe dentro de cada um de nós ou do nosso pró- prio “eu sagrado” que nos possibilita sermos pessoas mais felizes e iluminadas. 212

Alisson Dias Gomes MAIS UM NO MEIO DA MULTIDÃO O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz. Aristóteles Hoje eu não queria falar muito, talvez, só o neces- sário; não queria chamar atenção nem muito menos despertar interesses, talvez só passar por aí e aqui sem ser tão notado e acompanhado. Simplesmente, queria estar somente ali, no meu canto, tanto em casa quanto no trabalho, cumprindo as obrigações diárias, atenden- do as demandas habituais, seguindo o fluxo da vida or- ganizada e pautada em compromissos. Queria ser mais um no meio da multidão, sem protagonismos e cores; sem alardes e holofotes; sem paetês e plumas. Hoje o dia pede isso e eu aceito sem sofrimento e sem dor. Ao abrir os olhos no começo do dia, silenciar o alar- me colocado para 6h15 e ter as primeiras reflexões (de agradecimentos e pedidos) me veio a sensação de que aquela sexta-feira seria nublada e fechada, ainda que não tivesse aberto a janela do quarto para ver o tempo externo, com o sol dando (ou não) o ar da sua graça, de modo majestoso e fortificante. O fato é que se estava tudo fechado comigo, en- tão, pouco adiantaria o céu aberto com suas nuvens e infinitas possibilidades de recomeços, se cá dentro a luz 213

Estações da Vida era escassa. A bem da verdade, há dias em que se pode ficar assim: na sombra, no silêncio, fechado em si e in- trospectivo. Não há problema! Trago este tema para reflexão porque outro dia, em conversa rica e filosófica com uma amiga muito especial, falávamos sobre o estar sozinho e a solitude. Na ocasião, tratávamos o silêncio de modo tão peculiar e restaura- dor, com olhares incomuns para a maioria das pessoas, tendo em vista que vimos nele e na sua vivência a chave para mil portas. De modo instantâneo, confidenciei a ela inúmeros momentos em que estar sozinho, em silên- cio, no meu apartamento, com tudo ordenado, ouvindo meus próprios pensamentos, tem servido para me fazer compreender melhor aquilo que ocorre no mundo inte- rior chamado “eu”. Atribuo ao silêncio o reconhecimen- to de ser uma potente e necessária companhia para o entendimento de muita coisa que se passa, se passou e se passará conosco. Desde já, faço questão de externar que respeito e entendo quem pense de modo contrário. Aceito e re- conheço outras formas de lidar com a ação do silen- ciar, do distanciar-se e do isolar-se (sem compreendê-lo nesta oportunidade como ação/reação de adoecimen- to). Longe de unanimidades, consensos ou generali- zações, sempre existe espaço para o contraditório e o oposto. Isso é tão visível que na minha própria família, de modo próximo, entre irmãos, tenho uma que jamais aquiesceria comigo. Ela é do time dos que gostam de falas, presenças e constantes atividades. Parar é um ver- 214

Alisson Dias Gomes bo pouco praticado no seu cotidiano. Por sinal, diante de momentos mais introspectivos e cíclicos, ela tende a aumentar seus sinais de alerta e monitoramento, em clara demonstração de interesse e amor, para que não ocorram excessos na ausência de palavras. Automaticamente, lembro-me do pensamento de Chico Xavier, que serve muito bem e guia-me nos desa- fios do amadurecimento individual: “Quem fala menos, ouve melhor. E quem ouve melhor, aprende mais.” Daí porque em alguns momentos (ou melhor, alguns dias), gosto muito da ideia de ser somente mais um no meio da multidão, sem microfones, sem câmeras, sem flashes e olhares, reconhecendo que há tanta força no silêncio. 215

Estações da Vida OS DESCAMINHOS DA VAIDADE ACADÊMICA Dar livro é, além de uma gentileza, um elogio. Séneca A prática do endeusamento, a falsa superioridade e o capricho político-institucional atribuídos a profissio- nais, em especial professores e pesquisadores em razão dos títulos acadêmicos obtidos, servem de pauta para tocarmos num assunto que permeia os espaços univer- sitários: a vaidade acadêmica. Aliás, bota vaidade nisso! Em coordenações de cursos, salas de professores e laboratórios de aulas a disputa de egos é mais comum do que se imagina, assim como a imposição de trata- mentos, a busca por cargos e funções e a mudança de postura em razão de um título a mais ou a menos. Há os que se valem da imaginação criativa capaz de ofertar poderes sobrenaturais para se sentirem próximos a deu- ses de tal forma que beiram a pacientes diagnosticados com transtornos comportamentais. Quantas vezes testemunhamos doutores se co- locarem como superiores a mestres e especialistas de forma explícita ou camuflada? E mestres se sentirem su- periores a especialistas a ponto de serem merecedores de adjetivos esplêndidos e reconhecimentos públicos? É comum também alguns “doutores” exigirem tratamen- tos titulares ainda que tais denominações não façam 216

Alisson Dias Gomes parte dos nomes de registro (e batismo), e ostentam o de erre porque D. Pedro I os presenteou em 1827. O fato é que o assunto veio à tona como uma corti- na de fumaça poucas horas depois do anúncio do novo Ministro da Educação Carlos Alberto Decotelli da Silva. Hoje, já ex-ministro. Até então com currículo pompo- so, Decotelli era tido como profissional idôneo, sério, moderado, conciliador e capaz de gerir uma das pastas mais importantes do Governo Federal. Em pouco tempo, o título de doutor pela Univer- sidade Nacional de Rosário, na Argentina, e o pós-dou- torado pela Universidade de Wüppertal, na Alemanha, foram extirpados de sua trajetória acadêmico-profissio- nal. Com toda razão, é claro, pois somente querer ter tal título (ou ter feito parte de um curso) não o autoriza, em termos legais, a ostentá-lo, haja vista as credenciais exigidas não terem sito atendidas na totalidade. Por certo, é importante ressaltar que em dados mo- mentos não é a posse de tal título que credenciará qual- quer profissional ao exercício de determinada função, mas a capacidade de atuação e o conjunto de compe- tências que consistem no agrupamento de habilidades, conhecimentos e atitudes relacionadas ao desempenho esperado. Portanto, não é o título de doutor que torna- ria o ex-excelentíssimo ex-ministro Carlos Alberto Deco- telli mais ou menos capaz para tal função, mas também a reunião de atributos, entre os quais: fisicalidade, inte- lectualidade, sociabilidade, personalidade e moralidade (honestidade e honra). 217

Estações da Vida Neste sentido, há que se reconhecer que mentir no Currículo Lattes, plataforma oficial online mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, é considerado um péssimo cartão de apresentação e uma falta grave no meio acadêmico, arranhando a reputação pessoal e institucional. Apesar de não ser tipificável como crime de falsidade ideológica, pode render demissões de ins- tituições de ensino. Escrevo sobre este tema, por constatar, no dia a dia, situações que evidenciam a vaidade intelectual como uma característica recorrente na vida acadêmica, espe- cialmente por parte de professores e professoras. Isso se manifesta por meio de desvios de condutas, egos infla- dos, disputas, brigas, trapaças, grosserias, humilhações, assédios e trocas de favores. Por fazer parte do universo acadêmico, comparti- lho com colegas próximos, hoje verdadeiros amigos, in- quietações para entender a lógica sistêmica ditatorial da vaidade e até que ponto perpetuamos um modus ope- randi que confirme ou rompa tal estrutura no meio uni- versitário. Para tanto, faço um exercício autorreflexivo constante e tento ao máximo me distanciar de colegas soberbos e me aproximar dos companheiros sábios e intelectualmente humildes, haja vista Mário Sérgio Cor- tella sentenciar categoricamente: “uma pessoa humilde é aquela que não diminui o outro para crescer”. 218

Alisson Dias Gomes Ademais, é oportuno registrar que a prática de en- vaidecimento acadêmico por deter títulos vai na con- tramão de um compromisso sério com a Ciência, tor- nando-se um empecilho não apenas nas relações entre colegas, mas também nas salas de aula, na prática do- cente e um péssimo exemplo para discentes como po- tenciais pesquisadores futuros. 219

Estações da Vida TEXTO-LÁGRIMA OU TEXTO-SORRISO? El amor es demasiado corto y olvidar demasiado largo. Pablo Neruda Ao abrir o notebook para escrever este artigo me dei conta de que há textos que fluem rapidamente, em 10 ou 15 minutos, e outros levam uma manhã, tarde ou noite, arrastando-se por três ou quatro horas. Indepen- dente do tema! Há textos que são escritos em meio a sorrisos, recordações e gostos numa verdadeira revisita emocional a momentos, lugares, pessoas e experiências. Surgem praticamente com os “olhos fechados”. Por ou- tro lado, há os que se arrastam em meio a lágrimas, an- gústias, dores e aflições. Em comum, nas duas situações, está um ser humano em construção permanente, cons- ciente de que as palavras escritas e publicadas libertam. Na verdade, representam a vida e a capacidade de (re) ver o mundo e a si. Em razão disso, escrever representa expressar um pouco de tudo que flui e se passa no coração e na men- te, ainda que nem sempre se dê de modo organizado e metódico, podendo em certas ocasiões ser resultado de confusão, desordem e caos mental. De todo modo, materializar em palavras o que a subjetividade sentiu e a objetividade detectou tem sido um exercício potente 220

Alisson Dias Gomes de autoconhecimento, em especial, quando após alguns meses (ou anos) os pontos de vista são reavaliados e analisados novamente. Como a vida não é estática, a ideia é rever as impressões que se mantiveram ou se aprimoraram. Por certo, ocorre com frequência a (re)leitura, seja para organizar tudo numa pasta abarrotada onde são catalogados com o intuito de compor uma coletânea de crônicas num futuro próximo (olha ela aqui!) ou por força do hábito. Em conversa com uma amiga de trabalho revelei um dos meus segredos no processo de escrita dos tex- tos (sejam eles, jornalísticos, científicos ou pessoais): a escrita adormecida. Isto é, após escrever, ler e reler al- gumas vezes fico temporariamente “cego”. Com isso, o deixo adormecer e, no dia seguinte, volto a reler e fazer os ajustes finais. Aprendi com uma grande amiga jorna- lista e professora, que todo texto precisa de um tempo longe do seu criador, como se estivera num processo de consolidação ou maturação. Após isto, ainda consciente de que toda escrita é falha, pois o trabalho humano é falho por si, recorro se- manalmente ao olhar refinado, atento, crítico, generoso e humano de uma jovem amiga com quem me desnu- do em palavras e ideias para os devidos acabamentos da produção antes do envio para o jornal. Sem almejar perfeição, mas tão somente a busca por clareza, coerên- cia, respeito às normas linguísticas e gramaticais, rigor e checagem dos dados. Pelo contato próximo e por meio 221

Estações da Vida da leitura em primeira mão, minha amiga conselheira é capaz de perceber quando o texto é fruto de sorrisos e reflexões positivas ou, em contrapartida, extirpa dores num processo de catarse e alívio. Independe de onde esteja, seja em Teresina, no si- lêncio do escritório de trabalho, ou em qualquer canto (cidade, praia, aeroporto etc.) procuro criar condições de escrita com uma atmosfera que favoreça os ritos reve- lados. Para tanto, tenho em mente que a liberdade para escrever é uma das tônicas, levando em conta temas ou estilos, a ponto de entrar na história contada algumas vezes em primeira pessoa ou por meio de personagens reais e/ou fictícios, mas que em essência representam um único ser. Por fim, sempre me recordo de uma conversa com amigos da área de Psicologia, que apontam a escrita terapêutica como um recurso de trabalho para alguns profissionais do comportamento que buscam entender sensações, sentimentos e reações dos pacientes. Auto- maticamente, houve identificação com esta prática e a confissão de que existem textos escritos (e não publi- cados) povoando pastas do computador, em reconhe- cimento de que a escrita liberta sentimentos e palavras aprisionadas. 222

Alisson Dias Gomes MEMÓRIA AFETIVA SUPER ATIVADA Quem fica na memória de alguém não morre. Betinho Nós já tínhamos ouvido falar sobre recordações fortes após quebras, partidas, traumas, despedidas e perdas, mas jamais imaginávamos que fosse algo tão ar- dente, emocionante, intenso e vívido. Ao mesmo tempo em que é bom também é ruim. Uma dicotomia descon- certante! Um verdadeiro yin-yang! Um sol e lua! Tudo se aguça mais: da memória ao toque, do cheiro ao paladar, das imagens às reações. Provavelmente seja uma das experiências mais subjetivas e de maior dificuldade de descrição, mas ainda assim nos permitiremos a ousadia (ou o atrevimento) de tentar descrevê-la. Nas últimas semanas, as emoções estão ainda mais afloradas face às situações do mundo: trabalho remoto (com vantagens e desvantagens), distanciamento fami- liar e social, mudanças de hábitos saudáveis com inter- rupção de treinos e desmotivação para retomada nas atuais condições, perdas de pessoas queridas, oscilações de humor e ânimo: esperança frágil pela manhã e deses- perança sorrateira à noite, interferências no sono por ser do time dos que pensam demais, partida de artistas que representavam alegria e criatividade, indignação cívica diante de absurdos governamentais... 223

Estações da Vida E eis que diante de uma caixa repleta de recorda- ções nos deparamos com momentos e histórias. Muitas histórias! E, na verdade, não é uma caixa, mas sim três: duas grandes e uma pequena. Nestes baús estão quin- quilharias, bugigangas e recortes da vida. Para muitas pessoas, são apenas coisas sem nenhum valor, contu- do para outras, entre as quais nos incluímos, represen- tam uma jornada marcante impregnada de memórias da adolescência e da juventude. Ademais, na fase adul- ta, ainda que a sensibilidade tenha se modificado pela dinâmica desse período que requer mais responsabili- dades e compromissos, mudanças de hábitos e rotinas causticantes, também encontramos contribuições para abarrotá-las ainda mais. De carteiras estudantis a crachás de eventos e está- gios, de medalhas em olimpíadas escolares a cartas tro- cadas com amigos do Colégio das Irmãs, de revelações das paixões juvenis às primeiras experiências sexuais, de cartões de Natal a flores desidratadas, de convites para festas de 15 anos, formaturas, casamentos e, agora, bati- zados de filhos de amigos a lenços com recados escritos, de chaveiros a souvenirs, de pequenas pelúcias a postais de amigos da Áustria e dos Estados Unidos, de mapas de cidades a ingressos de museus, shows e parques, de fotos 3 por 4 a mensagens de aniversário, fitas cassete com músicas preferidas.... São tantas recordações que é impossível não ativar o botãozinho da memória afetiva. A sensação é de que estamos entrando num por- tal e nos desconectando da realidade, do século XXI e 224

Alisson Dias Gomes sua tecnologia exacerbada, do instantâneo e frívolo, do passageiro e midiático. Talvez você se lembre do filme “De Volta para o Futuro”, um clássico do cinema, pois neste caso roteirizaríamos “Mergulhos no Passado”. Ti- raríamos dos três baús algumas das lembranças mais le- gítimas, reveladoras, conflitantes e, por vezes, felizes da nossa vida. Convidaria boa parte dos participantes daquelas histórias para uma tarde de conversas e revisitas ao pas- sado, possivelmente à base de bebidas, sorrisos e cho- ros, tanto nossos como das crianças que os acompa- nham, pois muitos se tornaram pais e mães. A conversa rolaria livre até o pôr do sol e pareceria como se nunca tivéssemos passado por possíveis hiatos temporais ou relacionais. Remover as caixas do alto do guarda-roupa do an- tigo quarto na casa dos pais e reabri-las ativou o sau- dosismo, sensação comum a algumas pessoas que es- timam preservar memórias. Diferente da nostalgia, o saudosismo descreve uma ação feliz ligada ao experien- ciado. Por isso, de tempos em tempos, o saudosismo nos pega pela mão e nos leva a passear. Muitas vezes, transitamos sozinhos, embalados por músicas de outras épocas, que nos lembram pessoas e lugares ou tão so- mente ele nos mostra como é importante o autocuida- do: o acompanhamento terapêutico, a oração e a medi- tação. Realinhar os chakras e nos conectar com a nossa essência é fundamental para termos os pés no chão e a mente livre, consciente da finitude da vida e da certeza 225

Estações da Vida de que só levaremos as experiências tidas e o bem que foi feito... Tudo passa! 226

Alisson Dias Gomes APRENDENDO A SER FELIZ COMO SE É! Lembrar é fácil pra quem tem memória, esquecer é difícil para quem tem coração. Gabriel García Márquez Ao mesmo tempo em que não tem sido fácil, tem se mostrado extremamente necessário no processo de (re)construção de identidade, autoconhecimento e li- bertação. André, um jovem nordestino de 19 anos, cheio de sonhos e planos, como tantos outros rapazes, apren- deu desde cedo a se firmar. Num primeiro momento, de modo mais silencioso e contido; depois, de modo seguro e convicto do seu valor enquanto ser social e ser humano. Oriundo de uma cidade pequena do Estado do Piauí ele viu na educação a chave de acesso a mudanças nos rumos de sua vida. Nasceu numa família de poucas posses, com forte inclinação ao comércio, tendo a figura do avô, tios e pai como referenciais a serem seguidos e com alinhamento à crença evangélica com práticas e ritos diários determi- nantes para muitos de seus valores, normas e formas de agir. Ao lado da irmã mais velha, cresceu num meio pro- penso a pouquíssimas contestações e ao entendimento de que é preciso acatar, respeitar e seguir tradições. Por bons anos tudo seguiu este fluxo sem querelas, debates acalorados e contradições ao que era preconi- 227

Estações da Vida zado no seu entorno de sobrevivência. Diante de regras, falas e orientações de professores, pais e pastores, An- dré assentia e seguia ainda que no seu íntimo aquele não fosse mais o seu desejo. A princípio, os conflitos eram contornáveis, pois até então ele entendia como sendo o ideal a ser feito ainda que começasse a se dar conta de que muita coisa não era para si no sentindo amplo e pleno de satisfação. Ele vivia a vida dos outros e na mesma medida atendia a expectativas e vontades que lhe eram impostas de modo familiar ou social. Nesta caminhada, muitas vezes André abriu mão de se ver diante do espelho, pois preferia fugir do aces- so direto a sua essência. Aquele portal estava tempora- riamente fechado! O olhar para si poderia estimular o início do autoconhecimento e talvez ele não estivesse preparado para aquilo. Contudo, aos poucos, seria ine- vitável! Um caminho sem volta... Muita coisa estava adormecida, mas seria preciso deixá-las aflorar, respeitando a si, antes de tudo, e ao mundo em que está inserido. Características e percep- ções exigentes foram se tornando cada vez mais laten- tes e ele foi entendendo que dentro de si existia outro André ainda não revelado. Aliás, por muitas vezes silen- ciado de modo velado e estimulado a inexistir. Com o passar do tempo, o acesso à informação e ao conhecimento, o esforço e o investimento em forma- ção educacional com vias de aquisição de profissão, a mudança para capital, a cautela em inserir-se em novos ciclos com maior observância e dinamicidade, a busca 228

Alisson Dias Gomes constante por oportunidades que potencializassem o seu ser na totalidade, a maturidade proveniente de ex- periências e a efervescência hormonal, fizeram com que André se desse conta de que é possível ser o que se é tendo como prioridade a paz consigo. Outras metas, como a busca pelo sucesso profis- sional e financeiro, um relacionamento fixo e duradou- ro, o reconhecimento social, o enriquecimento material, dentre tantos outros, variam de acordo com cada ser humano. Porém, neste momento da vida, aos 25 anos, a André restava como prioridade máxima aprender a ser feliz como se é, deixando para trás repressões e conde- nações impróprias, frequentes por um tempo por ques- tões circunstanciais. Assumir o orgulho de ser como se é, como bem reivindica e celebra o mês de junho mundo afora, num movimento global de reconhecimento e valorização da vida na sua ampla diversidade de cores, gêneros e orientações, passou a ser prioritário para André na nova e longa jornada de alfabetização e amadurecimento emocional. 229

Estações da Vida CONVITE NEVE Chegamos ao último conjunto de artigos e creio que você percebeu que as temáticas e opiniões se ali- nham aos tempos chuvosos e nublados desta estação. Por isso, nosso último convite lhe transporta ao conjunto de canções que representam prismas nubla- dos e introspectivos e podem gerar algum tipo identifi- cação. Venha comigo descobrir a Estação Inverno Musi- cal por meio do QR code! 365 In my mind Música secreta Manu Gavassi Zeed e Katy Perry Alok e John Legend Desculpa, mas eu só penso em você Esconderijo Sexy bitch Bruno Gadiol Ana Cañas David Gueta e Akon SOS Bleeding Love Eu preciso dizer que te amo Avicii e Aloe Blacc Leona Lewis Bebel Gilberto Don´t wait up Sozinho Imaturo Shaakira Caetano Veloso Jão Save your tears Blank space Pequena flor The Weeknd Taylor Swift Gabriel Elias 230

Alisson Dias Gomes E vale registrar que a mú- sica é tão importante em nos- sa vida, que nos acompanha em incontáveis situações, ser- vindo de melodia e inspiração para encontros, desencontros e reencontros consigo e com o mundo. Espero que alguma das músicas selecionadas até aqui lhe toque especialmente e faça com que você acesse algo ín- timo, pessoal e intransferível. Tudo no seu tempo, do seu jei- to e no seu ritmo! Bons sentidos! 231

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Alisson Dias Gomes Por que escrever um livro? Escrever Estações da Vida representa deixar um legado, colocar para fora um pouco (ou muito) daquilo que me representa, me toca, me sensibiliza, me angustia, me inquieta, me atravessa e me faz ter a certeza de que a escrita me liberta e me permite ser quem sou. Escrever este livro, em particular, significa num ponto de vista bem pessoal presentear os leitores com ideias e percepções da vida, dando-lhes o acesso ao co- nhecimento do que penso. De modo consciente, se abre espaço pleno para concordâncias e discordâncias. Além disso, Estações da Vida atende ao pedido feito por ma- ravilhosos amigos que constantemente me estimulavam a reunir os textos numa obra única. Através do processo prazeroso de escrita deste li- vro eu aprendo mais sobre mim e o mundo que me ro- deia. Espero aprimorar mais e mais esta percepção e a prática da escrita, pois pretendo projetar novas obras em novos contextos e novos formatos. Escrever e reescrever me ensina muito e me pos- sibilita muito mais, pois mergulho fundo dentro de mim e acesso as facetas e os recantos da minha experiência pessoal diante de situações, pessoas, lugares e senti- mentos. Eis de onde tem surgido cada vez mais o es- 235

Estações da Vida tímulo para buscar novos e instigantes aprendizados, como a formação contínua em Psicanálise. Alisson Dias Gomes Amante das estações Eterno aprendiz 236

Alisson Dias Gomes COMENTÁRIOS DE LEITORES-AMIGOS Textos sensíveis e que demonstram apreço pela qualidade e sinceridade são as marcas da produção de Alisson. Acompanho seus trabalhos há alguns anos ten- do a satisfação de ler seus textos em primeira mão e me sinto inspirada com o cuidado da sua escrita, seja em textos que exigem mais tempo ou naqueles que “saem de uma vez”. Sua dedicação e humildade como escritor são apenas pequenas mostras do ser humano sensível e generoso que é. Ana Isabel Freire Jornalista e pesquisadora Alisson materializa muitos afetos. Seus textos, pri- morosamente, extraem os nossos melhores sentidos. A cada leitura uma chacoalhada de sensações. O belo se mistura ao estranho. O cotidiano em estado de alerta. A vida passada diante dos olhos. É sempre uma volta pra casa. Edjôfre Coelho de Oliveira Pedagogo, psicólogo e professor Escrever um comentário sobre as crônicas desse querido autor é uma honra. Após a surpresa inicial do convite e uma breve reflexão, percebi que honra e pri- 237

Estações da Vida vilégio mesmo é poder a cada semana ser presenteada com suas crônicas. Acompanhadas de uma bela xícara de (ca)fé é possível perceber que, além de uma escrita cuidadosa e criativa, os textos provocam reflexão sobre a vida de pessoas reais, mas, principalmente, refletem de forma leve, bem humorada e afetiva situações e vi- vências atuais e, por vezes, com toques de nostalgia. Os textos são convites à reflexão sobre “os homens aranha que encontramos pelo nosso caminho”, sobre as Marí- lias que perdemos, sobre a necessidade de olhar além do posto e do pronto… E, também, sobre a necessidade da arte em nossas vidas... Um tipo de autocuidado em forma de leitura. Antonieta Lira Psicóloga e Pró-reitora de ensino As crônicas são um retrato leve e divertido. Outras vezes, retratos necessários e dolorosos de situações inu- sitadas ou corriqueiras que nos fazem refletir sobre a humanidade. Rosália Mourão Advogada, professora e pesquisadora Coerente, preciso, certeiro. Assim são os textos de Alisson Dias Gomes que retrata a atualidade sem esque- cer os sentimentos. Aliás, sentimento é a alma dos seus textos  que nos remetem  à reflexão  profunda, inteira e 238

Alisson Dias Gomes verdadeira dos fatos. Os relatos de uma realidade vivida ou presenciada por ele, mostrando histórias vivas, cheias de sentimentos, e que sempre tem um destino certo. Márcio Gleu Jornalista e chefe de redação Leitura leve que nos deixa fluir. O sentimento de pertencimento é presente na leitura das crônicas de Alisson Dias Gomes por sua capacidade direta, objeti- va, crítica, sólida e contemporizada. Ao cumprir tais ad- jetivos o sentimento de leitura em pares oportuniza o aguçar de querer mais. Ler não é fácil e fazer a imersão compreensiva é mais difícil ainda. No entanto, garan- to que as crônicas do autor abrem possibilidades reais para a leitura e compreensão. Izabel Herika Cronemberger Assistente social e professora Tudo é tão efêmero, finito, impermanente, e talvez por isso seja reconfortante pensar que a vida sempre pode nos surpreender, que até em suas curvas mais si- nuosas há algo a ser contemplado e aproveitado. Esse é um dos muitos convites que os textos de Alisson Dias Gomes me fazem: observar, sentir, ouvir, descobrir de que matéria-prima são feitos os encontros e o que cada um deles tem a nos ensinar. Eles passam às vezes como um sopro, mas sempre deixam algo em nós – se esti- 239

Estações da Vida vermos atentos para perceber. Guardo com carinho o que Alisson já compartilhou até aqui e sinto-me feliz e honrado por ser profundamente tocado pela perspecti- va tão sensível dos seus escritos Yako Guerra Terapeuta e jornalista 240

Alisson Dias Gomes Você Mesmo Lembre-se de que você mesmo é o melhor se- cretário de sua tarefa, o mais eficiente propa- gandista de seus ideais, a mais clara demons- tração de seus princípios, o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros. Não se esqueça, igualmente, de que o maior inimigo de suas realizações mais nobres, a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa, a nota discordan- te da sinfonia do bem que pretende executar, o arquiteto de suas aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação - é você mes- mo. Chico Xavier 241












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